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Stoa :: Maurício Kanno :: Blog

novembro 02, 2012

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Postado por Helder Gonzales

La pregunta
Amor, una pregunta
te ha destrozado.
Yo he regresado a ti
desde la incertidumbre con espinas.
Te quiero recta como
la espada o el camino.
Pero te empeñas
en guardar un recodo
de sombra que no quiero.
Amor mío,
compréndeme,
te quiero toda,
de ojos a pies, a uñas,
por dentro,
toda la claridad, la que guardabas.
Soy yo, amor mío,
quien golpea tu puerta.
No es el fantasma, no es
el que antes se detuvo
en tu ventana.
Yo echo la puerta abajo:
yo entro en toda tu vida:
vengo a vivir en tu alma:
tú no puedes conmigo.
Tienes que abrir puerta a puerta,
tienes que obedecerme,
tienes que abrir los ojos
para que busque en ellos,
tienes que ver cómo ando
con pasos pesados
por todos los caminos
que, ciegos, me esperaban.
No me temas,
soy tuyo,
pero
no soy el pasajero ni el mendigo,
soy tu dueño,
el que tú esperabas,
y ahora entro
en tu vida,
para no salir más,
amor, amor, amor,
para quedarme.

Pablo Neruda

 

Palavras-chave: Amor, La pregunta, Neruda, Pablo Neruda, Poesia

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Postado por Helder Gonzales | 1 comentário

novembro 01, 2012

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Postado por Helder Gonzales

"Con el anhelo dirigido hacia ti
yo estaba sólo, en un rincón del café
cuando de pronto oí unas alas batir,
como si un peso comenzara a ceder,
se va,
se va,
se fue..." - Jorge Drexler

Às quintas à noite, ele fazia aula de tênis e ela, de teatro.

Namoro à distância, muito mais fácil hoje do que antigamente.

Imaginem vocês, quando o ápice do contato com o amado apartado era receber uma carta! Dizem que a carta tem seu charme especial, porque é como se ela carregasse certa energia consigo. Ter materialidade faz toda a diferença. Você sabe que aquele objeto esteve nas mãos de sua paixão antes de chegar às suas. É como se a carta fosse um pedacinho do outro que viajou para matar um pouco da saudade.

Mas eles não. São do tempo da conectividade. Das redes sociais. Do celular, do Whatsapp, do Facebook, das vídeo-chamadas. Falavam-se diariamente, mais do que isso, várias vezes ao dia.

A bolinha vermelha com um número sobre o ícone verde de um telefone dentro de um balão de diálogo - eis o alento dos namorados do século XXI. Quanto maior o número, mais reconfortante. Na correria do dia-a-dia, entre um compromisso e outro, basta puxar o telefone do bolso, baixar o olhar, deslizar a seta para direita e conferir se há mensagens não lidas. Se há, ufa, que alívio! Ela pensou em mim.

A aula dele começava às 20h30, a dela, às 19h. O intervalo dela era às 21h, mas a aula dele só acabava às 21h30. Isso era certeza de notificações no whatsapp nas noites de quinta.

Normalmente, se falavam antes de dormir. Ela se deitava mais cedo, pois tinha que despertar às 6h para não perder a hora da faculdade. Às 6h, ele ainda estava no quinto sono.

Desde que iniciaram o teatro e o tênis, o samba começara a atravessar. A aula dela acabava às 23h, mas ele ainda ficava pra jogar uma partida com o amigo e saiam pra jantar. Chegava em casa à meia noite. Acabavam não se ligando.

Ele praticando o backhand, o celular começa a tocar. Não dá pra parar aula, ainda mais porque é em dupla. O jeito é deixar tocar e retornar depois.

Findo o treino, cansado, se dirige ao banco na lateral da quadra. Em cima da capa amarela da raquete, a carteira, o celular e as chaves do carro. Três chamadas não atendidas. Namorada.

Estranho.

_ Babe, tudo bem? Tô no tênis. Vi que você me ligou.

_ Oi, tudo bem. É que estou no teatro, e o professor pediu pra eu fazer uma cena mais quente com um menino e eu não consegui. Travei, não sei. Nelson Rodrigues, sabe. E ele me agarrou e e... ah, não sei. Resolvi te ligar na hora. Depois pedi pra fazer a cena de novo, com outra pessoa. O professor falou que eu tinha que ser profissional, mas me senti estranha. Falei, "vou ligar logo pro namorado".

Ele sabia que ela tinha experiência no teatro, estava acostumada com essas situações.

Aliás, ainda quando acabara de conhecê-la, viu no Youtube o trailer de um filme dela. Cenas sensuais. Sentiu um calorzinho por dentro, ciúme mesmo. Se censurou. Era da profissão dela, oras. E, quer saber? Era legal! Quem não quer a gata da tela ao seu lado? Depois pediu para ver o filme todo com ela e se amarrou, não sentiu mais ciúme.

Mas dessa vez algo foi diferente e ela ligou para contar.

Ele soube imediatamente. Era questão de tempo. Nunca mais as coisas seriam as mesmas.

Pensou em Drexler. Se imaginou em um café uruguaio, de terno e camisa listrada, sem gravata, com o copo na mão, encostado na quina das paredes, ouvindo subitamente o rangir da marquise de madeira do mezanino, observando-a de longe, próxima ao balcão, com um colete de pele, de costas, voltada para a porta, de saída.

Lembrou do Rubem Alves: "Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que a qualquer momento ele pode voar".

Sentiu as asas dela querendo bater.

Desligou o telefone resignado. Apanhou a raquete. Coçou atrás da nuca suada e se dirigiu para a linha de base. Bateu a bolinha no chão. Fitou o amigo do outro lado da quadra.

_ Eu começo!

Respirou fundo, lançou a bola e bateu. Rede.

Soltou os braços, corrigiu a postura dos pés, lançou e bateu de novo.

Dupla falta.

***

"O segundo que antecede o beijo
A palavra que destrói o amor
Quando tudo ainda estava inteiro
No instante em que desmoronou
Palavras duras em voz de veludo
E tudo muda, adeus velho mundo
Há um segundo tudo estava em paz" - Herbert Vianna


 

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outubro 29, 2012

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Postado por Helder Gonzales

Um vídeo demonstrando os novos captadores da minha guitarra antiga. Lindy Fralin Vintage Hot no braço, Dimarzio Area 67 no meio e Dimarzio Virtual Vintage Blues na ponte. Guita Tagima Strato de 1999. Amp Vox ACTV4. Um pequeno cubo de apenas 4W, mas que faz um belo barulho por ser valvulado. There it is:

Palavras-chave: ACTV4, amplificador, Area 67, Blues, brilhante, captadores, Dimarzio, Dire Straits, estralado, Fender, guitar., Guitarra, Jimmy Hendrix, John Frusciante, Lindy Fralin, magro, Mark Knopfler, Música, noiseless, Peal Jam, pickups, Red Hot Chili Peppers, som, Strat, Strato., Stratocaster, Tagima, The Doors, timbre, trocar, valvulado, Vintage Hot, Virtual Vintage, Vox

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outubro 23, 2012

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Postado por Helder Gonzales

Seguindo a onda de gravar minhas músicas antigas...

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Postado por Helder Gonzales

E aí vai outra musiquinha minha.

Palavras-chave: Helder Gonzales, Música, Olha pra mim

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outubro 20, 2012

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Postado por Helder Gonzales

Hoje o Brasil parou para assistir o útlimo capítulo de Avenida Brasil. Foi a maior audiencia da TV brasileira nesse ano, superando a final da Libertadores, entre Corinthians e Boca Juniors. Foi também o maior faturamento da história da tv latino-americana.

Há quem critique o interesse popular pelas novelas. Geralmente é o mesmo tipo que reclama da atenção dada ao futebol e que adora as frases feitas como: "um país de miseráveis, em época de eleições e de jugalmento do Mensalão, e as pessoas só querem saber da Carminha e do Flamengo, desisto". Confesso que acho esse argumento, além de ranzinza, um tanto elitista. 

A novela e o futebol fazem parte da nossa cultura, são manifestações de nossa brasilidade. A novela e o futebol, de alguma forma, materializam nossas paixões, nos humanizam, nos ajudam a lidar com a dureza da vida.

Sem falar que, no Brasil, a novela e o futebol aproximam cidadãos divididos pelo abismo social. Patrões e empregados assistem -- e comentam -- a novela e o jogo.

Apesar de não ser exatamente fã do formato -- acho que os quase 200 capítulos diários tornam o desenvolvimento do enredo lento e a produção muito cara -- valorizo a indústria brasileira de novelas.

As novelas são nosso equivalente à indústria do cinema e das séries dos EUA. Assim como o cinema e os seriados americanos, nossas novelas são exportadas e fazem grande sucesso, destacando-se das concorrentes estrangeiras pelo alto padrão de qualidade.

Além disso, a teledramaturgia brasileira representa mercado importante para nossos artistas -- atores, diretores, produtores, autores, entre tantos outros.

Muito bem, hoje a novela mais bem-sucedida dos últimos tempos chegou ao fim. Como sempre, muitos cliches. Casamento, gravidez, vilã na cadeia, o time do bairro campeão. Final feliz, justiça, catarse. E não é por isso que a gente assiste?

Muitos criticam o fim da novela porque inverossímel. Bom, só de haver um fim já seria suficiente para ser inverossímel acho eu. 

Na vida real não há final feliz. A vida simplesmente segue seu curso. Haverá, sim, casamentos e gravidez. A vida e a esperança sempre se renovam. Mas também haverá mortes e separações, e não há nada que possamos fazer a respeito. 

Buscamos na ficção uma maneira de lidar com nossas tragédias. Queremos que o bem prevaleça sobre o mal, que os justos sejam recompensados e os injustos punidos, que haja felicidade para mocinhos, e que a vida valha a pena. Mais que isso, queremos que haja sentido para a vida. 

No fundo, o que buscamos, no capítulo final da novela, é a redenção. Afinal, pelo menos no mundo inventado por nós, humanos, temos que encontrar as respostas que tantas vezes não encontramos na realidade. 

Redenção -- talvez seja esse o maior desejo da alma humana defrontada com a dureza e com a falta de sentido da vida. Redenção nem que seja depois da morte -- o que não pode é acabar sem um final justo!

Redenção. Não é essa a palavra-chave das maiores ficções que inventamos para nos ajudar a lidar com a vida e com a morte?

Palavras-chave: avenida brasil, futebol, novela, redenção

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Postado por Helder Gonzales | 1 usuário votou. 1 voto | 4 comentários

outubro 06, 2012

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Postado por Helder Gonzales

Outra música. Essa de 2005-2006. Uma historinha trágica de amor. 

Faltava terminar a letra, então fiz um esfoço para concluí-la, agora.

Meio sambinha. Nada a ver com as coisas que eu escuto a maior parte do tempo, né? Pois é...

Gabriela

Palavras-chave: Gabriela, Gonzales, Helder, Música

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Postado por Helder Gonzales | 1 comentário

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Postado por Helder Gonzales

Antigamente aparecia, aí no canto superior direito, uma foto minha e aquela breve auto-descrição, um costume dos blogueiros, para que os leitores, em um par de linhas, tenham ideia de quem é o autor do texto. 

Lia-se: "Internacionalista e diplomata, alma de músico. Compositor/blogueiro esporadicamente". 

Muito bem, realmente sou um blogueiro esporádico. Fico meses e meses sem postar nada. Mas, pelo menos, mantenho o blog desde 2008.

Aos poucos fui vencendo a vergonha de publicar meus textos. De saber que minhas palavras seriam lidas e julgadas por amigos e por desconhecidos.

Como eu disse já no primeiro texto que coloquei nesse espaço, me considero melhor crítico do que autor, por isso sempre desacreditei minhas tentativas de escrever/compor.

Se, por um lado, eu já não me importo de que leiam as coisas que escrevo, por outro, até hoje nunca dei a público nenhuma música. 

Alguns amigos ouviram algumas versões tímidas, mas a verdade é que pouca gente escutou as canções que me arrisquei a fazer.

Eis que hoje decidi romper o tabu. Afinal, um dia temos que começar. Quem não tenta não acerta. Não é mesmo?

Então, aí vai. Começando do começo. A primeira música que escrevi, lá por 2003/2004, aos meus 16-17 anos. Pois é, ela já tem quase 10 anos e eu nunca a havia registrado. 

Com voces, "Pressa".

 

 

 

 

 

Palavras-chave: blogueiro, compositor, Helder, Helder Gonzales, Música, Pressa

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Postado por Helder Gonzales | 1 comentário

setembro 22, 2012

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Alugo lindo apartamento mobiliado no Alto da Lapa (São Paulo) durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro.

Ótima localização e melhor preço!!

Muito próximo à Vila Madalena e com boa conexão ao centro, av. Paulista e USP.


Pessoas interessadas falar com Isa (11-64299133) ou mande e-mail a tome.freire.isabel@gmail.com

Palavras-chave: apartamento-usp-aluguel-economico

Este post é Domínio Público.

Postado por Isabel Tomé Freire em Anúncios: aluguel, serviços, compra, venda e troca | 0 comentário

agosto 19, 2012

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Postado por Ewout ter Haar

A instalação de um ambiente de trabalho mínimo para análise de dados usando ferramentas python, a partir de uma instalação nova de Ubuntu 12.04:

sudo apt-get install matplotlib build-essential python-dev libzmq-dev 
sudo apt-get install python-pip
sudo pip install ipython
sudo pip install pandas
sudo pip install tornado
sudo pip install pyzmq

A instalação com pip ao vez de apt-get é para ter acesso à versões mais novas das pacotes. Inicialmente, tinha feito a instalação de matplotlib usando pip e esta parou várias vezes, com erros do tipo

src/_png.cpp:10:20: fatal error: png.h: No such file or directory

Neste casos, uma busca no Google leva ao Stackoverflow que geralmente indica o pacote Debian/Ubuntu que está faltando, neste caso, libpng-devel. Consegui instalar, mas ao rodar ipython, estava usando o Agg backendo ao vez de TkAgg. Depois disto, resolvi instalar numpy e matplotlib via apt-get. Para pandas e ipython, porém, acho que vale a pena usar as últimas versões.

Para ver se tudo está funcionando, fiz

ipython notebook --pylab inline

e isto levante um FireFox com interface notebook do ipython.

Palavras-chave: dados, dataviz, ipython, matplotlib, pandas, python

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Ewout ter Haar | 0 comentário

julho 29, 2012

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Postado por Luciana Santos

“Como a linguagem não é neutra, serve a quem faz uso dela, as perguntas também podem ser manipuladas. É da jornalista americana Cynthia Crossen o exemplo que segue: “um jovem monge foi advertido severamente por seu superior quando perguntou se poderia fumar enquanto rezava. Faça a pergunta diferente, sugeriu um amigo. Pergunte se você pode rezar enquanto fuma.”

Alberto Carlos Almeida, Como são feitas as pesquisas eleitorais e de opinião.

Postado por Luciana Santos | 0 comentário

julho 20, 2012

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Pessoal,

Vendo minha cama e colchão, ambos de solteiro

- colchao de mola probel (molejo multilastic) => R$ 450,00 (um novo sai por R$ 920,00 aprox.)

- cama em madeira branca, com cabeceira vazada  => R$ 250,00

- ambos de muito boa qualidade e em ótimo estado

- contato: talitha.borges@usp.br

Palavras-chave: cama, colchão, venda

Postado por Talitha Viegas Borges em Anúncios: aluguel, serviços, compra, venda e troca | 0 comentário

junho 25, 2012

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Olá, pessoal! Preciso entregar meu apartamento e estou vendendo meu móveis, com urgência!!! Segue a lista:

- armário com 6 portas e 4 gavetas, amadeirado e de cor clara (creme). Está novo, não tem nem um ano de uso! Vendo por R$200,00

- mesa de madeira, 4 apoios, cor marrom escuro. Boa qualidade. Vendo por R$100,00

- cama de solteiro com bicama, de madeira clara. Vendo por R$100,00

Interessados por favor mandar email para schneeeider@gmail.com. Podemos negociar.

Atenciosamente,

Jéssica Schneider

Palavras-chave: móveis, usados, venda

Este post é Domínio Público.

Postado por Jessica Schneider Bruno em Anúncios: aluguel, serviços, compra, venda e troca | 0 comentário

maio 25, 2012

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Muitas pessoas se cadastram no Stoa porque querem participar de um ambiente de apoio a uma disciplina no Moodle do Stoa. Para alguns, o "Stoa" é sinônimo do Moodle do Stoa. Mas na verdade o projeto Stoa consiste de 3 serviços diferente:  a rede social no endereço stoa.usp.br ("espaços para indivíduos"), o Moodle do Stoa no endereço disciplinas.stoa.usp.br e os documentos colaborativos em wiki.stoa.usp.br.

Para poder participar no Moodle do Stoa é preciso se cadastrar no Stoa. Mas algumas pessoas não querem um perfil no Stoa, a rede social. Talvez eles já tem uma presença na Web e não querem diluir esta presença com mais um perfil na Web.

Para estas pessoas temos (já desde 2009) uma funcionalidade de redirecionamento que permite apontar onde encaminhar pessoas que acessem o endereço http://stoa.usp.br/fulanodetal

Para configurar isto, basta entrar nas configurações da conta e clicar na aba "Moderação"

Lá, pode escolher de esconder o seu perfil completamente (para quem é "de fora" e não logado no Stoa) e além disto, pode escolher um outro endereço na Web:

O Stoa pretende oferecer um "espaço na Web" para criar parte da sua identidade institucional. Mas não seria apropriado forçar membros da nossa comunidade usar esta possibilidade, só porque precisam participar de outros serviços que o Stoa oferece. As iniciativas de TI na instituição sempre devem ir no sentido de um maior autonomia e controle sobre os seus dados para os seus membros.

Palavras-chave: autonomia, http 302, redirecionamento, stoa

Postado por Ewout ter Haar em Stoa: dúvidas, bugs e sugestões | 2 usuários votaram. 2 votos | 0 comentário

abril 11, 2012

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Cada vez que você usa um serviço Google, você alimenta com dados um dossiê sobre você na internet.

Todos nós temos direito à privacidade (conforme as leis do lugar em que vivemos), mas é também nosso direito abrir mão da privacidade (novamente, conforme as leis locais).

Para as pessoas que decidem conservar sua privacidade online, tanto quanto possível, um grande problema é poder utilizar os serviços mais populares, como Gmail e Facebook, sem abrir mão completamente de sua privacidade.

Eu quero dar uma dica específica ao Gmail. O Google oferece vários serviços, em especial a conta de email gratuita Gmail e o buscador Google. Essa empresa obtém lucro através da venda de publicidade nas páginas gratuitas que oferece a você, junto com os serviços.

Para os publicitários, um anúncio "dirigido" - ou seja, que é apresentado somente para espectadores que têm certas características pré-definidas - é muito mais valioso que um anúncio para ser visto por todos. Por isso, o Google (e as empresas de internet em geral, que possuem esse modelo de negócios) procuram agregar informações sobre seus usuários, traçando seu perfil, e oferecem aos publicitários o serviço de publicar seus anúncios de forma dirigida.

Novamente, para quem aceita perder esse aspecto de sua privacidade - ou seja, para quem concorda em que exista um dossiê de suas atividades na internet - isso não é problema. Eu, pessoalmente, não gosto dessa perda, e estou procurando minimizar o prejuízo.

Para entender como o Google cria esses dossiês, é preciso entender que, do ponto de vista do buscador Google, há uma grande diferença entre um usuário logado e um não logado: para o usuário logado, o Google pode oferecer anúncios dirigidos, e pode adicionar as frases de busca usadas no dossiê da pessoa, permitindo dirigir anúnicos de forma mais focada, no futuro. Isso porque o login da pessoa permite ao Google consultar o dossiê correto para "dirigir" os anúncios. Já para o usuário não-logado, o Google só pode dirigir anúncios de acordo com as frases de busca da sessão atual, pois sem o login, ele não sabe associar o uso do buscador com um dossiê específico.

(Tecnicamente, o Google poderia correlacionar as frases de busca de um usuário não-logado com um perfil, a partir, por exemplo, do endereço IP do computador. Mas isso não é feito, atualmente. De modo que é possível explorar essa brecha e evitar que o Google adicione suas frases de busca ao seu dossiê pessoal, caso você use o Gmail, evitando logar no serviço através do navegador.)

Eu, por exemplo, utilizo o cliente de email Thunderbird. É gratuito e de código-fonte aberto. Eu tenho configuradas diversas contas de email nele, incluindo contas no Gmail. Ao mesmo tempo, uso o buscador Google cotidianamente. Apesar de o Google ter a possibilidade técnica de correlacionar meu uso do buscador com meu uso do Gmail, ele não faz isso: minhas buscas só mostram anúncios "dirigidos" de acordo com minha sessão atual, e de acordo com um serviço novo do Google chamado Account Acitivity (https://www.google.com/settings/activity/), que produz relatórios sobre o uso dos serviços do Google, eles acham que eu nunca uso o buscador deles.

Dessa forma, eu uso Gmail, e uso o buscador Google ao mesmo tempo, e no entanto o meu uso do buscador nunca alimenta o dossiê que o Google tem sobre mim.

Como eu disse antes, esta é apenas uma dica específica sobre como diminuir sua perda de privacidade ao usar o Gmail. Não creio que seja possível ter privacidade completa usando o Gmail, mas muitas outras medidas podem ser tomadas, como sempre apagar emails já lidos (ou seja, evite arquivar no próprio Gmail - grave uma cópia no seu disco rígido, se precisa guardar uma informação), ou encriptar suas mensagens sempre que possível. Assim que puder, eu detalho essas e outras maneiras de diminuir a perda de privacidade usando serviços online.

Palavras-chave: Gmail, Google, Google Account Activity, privacidade, Thunderbird

Postado por Renato Callado Borges | 2 comentários

abril 05, 2012

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Postado por Helder Gonzales

Precisava terminar um trabalho no começo da tarde, resolvi almoçar no restaurante que há no Itamaraty, mesmo. Não é lá grande coisa, mas é rápido e barato, quebra bem o galho. Já que estava por ali, mesmo, aproveitei para passar na barbearia que há ao lado, dar uma aparada no cabelo. Saindo do barbeiro, avistei o Nixon.

Nixon é o engraxate que trabalha no Ministério. Já que eu estava resolvendo essas pequenas pendencias do dia-a-dia, perguntei se ele poderia passar na minha sala. Vi que ele hesitou.

_ Você vai para sua sala agora?

_ Vou, por quê?

_ É que eu já estava indo embora, mas tudo bem, vamos lá.

Chegando na minha sala, puxei papo.

_ Você só trabalha aqui de manhã?

_ Não, é que hoje eu vou sair mais cedo para cuidar do meu chá de panela.

Fiquei surpreso, Nixon aparenta ser bem jovem.

_Uau, vai casar cara! Tem certeza disso?

Ele riu.

_ É, eu também me pergunto, mas acho que o jeito é tentar para ver. 

_ Quantos anos você tem?

_ 25.

_ É, você tem minha idade.

Aí foi o Nixon que ficou surpreso. 

_ Puxa, você se formou cedo, né? Com quantos anos?

_ Com 21. 

_ Saiu do colégio direto pra faculdade. 

...

_Eu também quero fazer Rio Branco, mas tenho que aprender inglês.

_ Você está fazendo faculdade? De quê?

_ Sim, de administração. O problema é que os cursos de línguas são caros. Preciso começar do zero.

_ É, aprender línguas é essencial, mesmo. 

Nixon, nome de sobrenome de Presidente americano, engraxate do Itamaraty, 25 anos, noivo, estudante de administração, sonha em ser diplomata. 

Essa conversa, entre dois jovens da mesma idade, deixou claro como os contrastes de sociedade brasileira ainda convivem lado a lado.

Tomara que o Nixon termine a faculdade, aprenda idiomas, tenha um casamento feliz e realize seu sonho de ser diplomata. Apesar do abismo social que nos separa, tive a impressão de que temos mais coisas em comum do que diferenças.

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 2 comentários

março 19, 2012

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Postado por Helder Gonzales

Estava voando de São Paulo para Santiago, sentado ao meu lado, um homem, quarenta e tantos/cinquenta e poucos anos. Após horas de voo, já perto de pousar, ele, meio resignado, me pergunta:

 

_ Você é brasileiro?

_ Sim.

_ O que significa "meia" em português?

_ Meia? Meia significa metade. Por quê? Qual o contexto?

_ Metade? Como assim? Tipo, se dizem um quarto de hotel (habitación) "meia"? O que quer dizer, não entendo.

 

Fiquei intrigado, também. Que diabos de quarto "meia" falaram pra ele? Será que era meia pensão, meia diária?

 

_Sim, me falaram um quarto, não-sei-o-quê-meia. Nunca encontrei... Já estava tarde, eu desisti, fui embora.

_ Meia? Não tem sentido... A não ser que... Ah, entendi! "Meia", no Brasil, é o número seis. Meia dúzia. Ela te disse um número que terminava com seis.

_ Tipo 32"meia", 326! Sério? Se eu soubesse...

_Isso. Tipo, 326... Sinto muito, imagino que você queria muito ter achado esse quarto, né?

_Pois é, se eu soubesse, ainda estaria no Brasil. Mas como eu não achei o quarto, tive que voltar.

 

Ironia do destino. A mulher que o sujeito conheceu bem que podia estar hospedada no 325, ou no 327, mas estava justo no 32-meia. O único número em português que um hispano-hablante não entenderia.

Há coisas que o portunhol não resolve. 

Ao chileno só lhe restou voltar pra casa dividido: meio satisfeito pela conquista e meio puto por nunca ter achado o quarto.

Ê vidinha meia-boca! 

 

 

_

Palavras-chave: espanhol, portugues, portunhol

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Postado por Helder Gonzales | 1 comentário

março 01, 2012

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Postado por Ewout ter Haar

Palavras-chave: pró-aluno, stoa, uspnet

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Ewout ter Haar | 0 comentário

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Os arquivos postados para consulta  nao estao mais aparecendo:

 

Parte 1:
http://stoa.usp.br/jocax/files/1210/6911/geneticatexto40.htm

Parte 2:
http://stoa.usp.br/jocax/files/1210/6938/geneticatexto42.htm

Parte 3 :
http://stoa.usp.br/jocax/files/1210/6912/geneticatexto41.htm

Eu terei que carrega-los de novo?

Obrigado

Jocax

 

Palavras-chave: Arquivos desaparecidos

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Stoa: dúvidas, bugs e sugestões | 4 comentários

fevereiro 29, 2012

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Postado por Helder Gonzales

 

I'm begging you from the bottom of my heart to show me understanding /I need to live life
 like some people never will, so find me kindness, find me beauty, find me truth/ The way that your heart beats makes all the difference
in learning to live/
Here before me is my soul, 
I'm learning to live.” Dream Theater – Learning to Live

Desde sempre senti urgência em viver, vontade de fazer de cada momento especial, de experimentar toda a intensidade do mundo.  Cada um carrega consigo características inatas. Quando você olha para trás, percebe que elas sempre estiveram lá, desde a infância. Elas compõem a sua personalidade – algo que o diferencia dos demais, algo que faz cada um de nós ser único e especial. Pois essa sede de vida é uma das coisas que nasceu comigo.

A história dos meus pais foi marcada pelo papel da educação na trajetória de vida deles. Ambos foram os primeiros e únicos de seus lares a concluir um curso superior. Impactados, fizeram questão de transmitir aos filhos esse amor pelos estudos e contar a maravilha que a faculdade representou em suas vidas. Eles me diziam “fazer faculdade é bom, abre a cabeça” .  Essa ideia ressoava dentro de mim. Abrir a cabeça, ver além, ir mais longe – era tudo o que eu queria! E assim, aos 17, deixei a casa dos meus pais no sul de Minas para me aventurar em Sampa. Fazer a tal da faculdade. Começava pra mim  um processo de redescoberta e reconstrução que provavelmente nunca terá fim.

É atribuída ao Einstein a frase que diz: “Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram”.  Assim penso. Ir até onde os demais já foram não me interessa, quero ir além. Sei da efemeridade da minha existência aqui, não quero desperdiçá-la playing safe. Quero arriscar, quero ser arrojado, destemido. Gosto do desafio, do desconhecido, do diferente. Busco o limite, ou melhor, além dele. São as almas inquietas que expandem as fronteiras do possível. 

Sou um questionador. Não aceito dogmas ou tradições sem antes examiná-los profundamente. Sou como um engenheiro curioso que, antes de usar um aparelho, o desmonta, analisa e remonta para, apenas então, decidir se sua nova aquisição serve ou não. Na minha cabeça, comum não é sinônimo de bom. Não é porque todo mundo faz que também farei. Não é porque sempre foi assim que eu também serei. Essas respostas fáceis não me servem. Tenho que deduzir minhas conclusões a partir dos meus princípios.

Sei que minhas decisões e escolhas não necessariamente servem para os outros. Não me sinto melhor nem pior do que ninguém. Apenas diferente. Meus pensamentos servem para decidir o que me parece melhor para a minha vida, não para as dos outros. Não tenho a pretensão de vender meu jeito de pensar, muito menos de o impor por aí. Acredito no valor da liberdade antes de tudo. Liberdade para ser você mesmo, para ser único sem ser incomodado. Cada um no seu quadrado.

Acontece que minha escolha de vida pode ser facilmente incompreendida e, em um mundo cada vez mais orwelliano, muita gente, sem me conhecer devidamente, me julgará por isso. Só que cada um julga conforme a sua própria métrica. Provavelmente serei condenado, sem direito a defesa, por não andar conforme as regras que tantos aceitam sem questionar e refletir. 

Por isso peço, antes de tomar conclusões precipitadas sobre a vida dos outros, mais do que nunca devassadas na Internet, seja tolerante, dê o benefício da dúvida. Talvez aquela pessoa que parece estar tomando atitudes que lhe parecem ultrajantes tenha convicções diferentes das suas – e elas não são necessariamente más. No fim, it all comes down para o difícil ensinamento cristão: não julgue. 

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¨Hoy volveré a nacer: pido permiso (…) Me perdono y perdono a quien me hiriera. Vengo a darles y a darme íntimamente
 una nueva ocasión de parimiento 
a la vida que siempre mereciera. 
Me la ofrezco y la tomo. Me redimo. Con permiso o sin él, YO me lo otorgo:
me doy permiso para sentirme digno, sin más autoridad que mi Conciencia."  Pablo Neruda

 

Palavras-chave: comportamento, Julgar, limite

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Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

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