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Agosto 10, 2009

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Postado por Maurício Kanno

Geda, interação, palestras ao mesmo tempo, programação no site e refeições

(10/08/09) Fui convidado para apresentar neste festival, em palestra, a experiência com o Grupo de Estudos de Direitos Animais (Geda), que fundei em São Paulo. O convite partiu de Marly Winckler, organizadora do evento, que aconteceu no Rio de Janeiro, entre 22 e 25 de julho de 2009.

Ela me pediu um depoimento, e aqui está. Para mim foi sinceramente uma honra participar, ainda por cima como palestrante, de um evento como este, tão grandioso e com convidados internacionais e também de diferentes Estados do Brasil. Aliás, rever a própria Marly, que eu havia conhecido pessoalmente e encontrado apenas uma vez, quando estava começando meu caminho no movimento, e com quem me correspondia com alguma requência, também era importante. Ela era uma inspiração.

Ultimamente, eu estava procurando me afastar um tanto das atividades pelos direitos animais, focando questões pessoais em atraso, especialmente profissionais. Por isso inclusive a socióloga e professora Tânia Vizachri acabou assumindo a organização do Geda, com apoio de outros importantes colaboradores, a quem agradeço. Assim, o tempo e dinheiro investido na viagem me faziam hesitar.

Mas a oportunidade de apresentar o grupo em um evento como este e conhecer o Rio de Janeiro – famosíssima cidade em que eu jamais havia colocado os pés, mesmo morando em Estado vizinho – me impulsionaram muito na decisão de aceitar o convite e ir. Além de ter o amigo Bruno Müller para hospedar e desfrutar da companhia na cidade.

Minha palestra sobre o Geda
Por volta de 12 pessoas assistiram minha apresentação, com powerpoint atualizado no dia da partida, sexta-feira – viajei de madrugada para poupar tempo. Foi mesmo muito gratificante ver pessoas de outro lugar do Brasil interessadas na experiência do grupo de estudos, perguntando detalhes de organização e programação, pensando até em montar atividades similares em sua própria cidade. 

A maioria, me parece, eram mesmo do Rio, mas também havia um rapaz de Belo Horizonte, que havia conversado comigo antes da palestra, logo que cheguei ao evento, já demonstrando seu interesse no tema. Charles de Freitas Lima, famoso ativista que conhecia de nome pelas listas de discussão sobre direitos animais, foi outro presente que me honrou com sua presença e interesse. 

Quem se interessar, pode ver o powerpoint aqui (não consegui embeddar na página...): 

http://www.slideshare.net/mauriciokanno/histria-geda-rio

E pode ouvir o áudio da palestra aqui (que vergonha me ouvir falando!): 
http://geda.podomatic.com/entry/2009-08-09T23_06_02-07_00 

Nesta página aparecem informações sobre o Geda e eu mesmo, no site do Festival.

(download do ppt aqui:http://sites.google.com/site/grupogeda/arquivos/historia-geda-24-07-09.ppt )

Festival e o grupo de estudos
Pra ser sincero, mesmo sendo novo no movimento, já estou um pouco cansado de palestras sobre direitos animais. Parece paradoxal dizer isso, vindo de alguém de um grupo de estudos, não? Mas a dinâmica de eventos proposta do Geda é bastante diferente. 

Ao invés de uma grande concentração de palestras em alguns dias seguidos, fazemos apenas duas, separadas por um intervalo com lanche e bate-papo, e tudo isso em apenas 3 horas, uma vez por mês. Isso é mais palatável para mim. 

É claro, eventos de imersão como este 12º Festival Vegano Internacional, além do 2º Seminário de Direitos Animais da USP e o 1º Encontro Nacional de Direitos Animais, tendo participado destes últimos no ano passado, são louváveis, especialmente para quem mora longe dos grandes centros urbanos e fica mais fácil separar dias seguidos para viajar e se dedicar. É minha posição pessoal, mas de todo modo ofereço a proposta alternativa a quem interesse. 

Interação com os participantes
Foi muito bacana poder conversar com pessoas de países diferentes; por exemplo, em inglês com um professor que trabalhou toda a vida em Londres e agora mora na Califórnia; em espanhol com uma estudante intercambista que veio da Califórnia, filha de indianos; e conhecer especialmente tanta gente do Rio, entre outros que só conhecia virtualmente, como Thaís Shanti e Eliane Lima. Além de rever os ativistas de São Paulo. 

Na verdade, para mim, isto é o essencial de um evento grande como este: conhecer pessoas diferentes. Então, tinha vezes até que acabava ficando mesmo de fora das palestras pra bater um papo com alguns. Esta interação informal me parece essencial, e seria bacana oferecer mais espaço para isso. 

Pena que perdi a oportunidade de conhecer pessoalmente o Carlos Naconecy, doutor em Filosofia cujo livro “Ética & Animais: um guia de argumentação filosófica” foi essencial para mim e foi base para muitos dos primeiros eventos do Geda. Um mentor a quem devo muita orientação, inclusive pela troca de ideias por e-mails. 

Quando o festival estava encerrando, eu, caindo de sono de cansaço, acabei indo embora, e meu amigo Leon Denis me disse que Naconecy havia me procurado pouco depois de minha saída, com a amiga Vânia Daró. 

Palestras ao mesmo tempo
Não sei se é estratégico colocar mais de uma palestra ao mesmo tempo, ainda mais tantas de cada vez. Isso sobrecarrega e dispersa a atenção dos participantes. Era triste ver meio vazio o auditório grande em que ocorreu a palestra da esperada escritora Regina Rheda, que veio dos EUA. 

Ouvi frustração a respeito de haver na programação ao mesmo tempo mais de um super-palestrante que o participante queria ver, por exemplo. Quando isso ocorria comigo – e era frequente – a minha própria tática, apesar de isso parecer não muito polido, além de superficial; foi ver um pedaço da palestra de um, e um pedaço da palestra de outro; como fiz com a Patrícia, que falou sobre sua bela experiência do Santuário das Fadas. 

Por outro lado, é claro que isso possibilita um grande leque de opções para os participantes, claro. Dificilmente a minha palestra aconteceria se houvesse apenas uma por vez, que privilegiaria os medalhões do movimento. Isso possibilitou que o público pudesse tomar contato com diferentes experiências e ideias, até com as minhas, de um novato de apenas pouco mais de um ano e meio de ativismo.

Programação no site
Outra dificuldade que tive foi me programar com antecedência, já que eu sabia apenas o horário da minha palestra. Pude ver folhetos completíssimos com a farta programação ao chegar, mas realmente não consegui encontrar pelo site antes essa programação, somente os nomes dos convidados e suas biografias, sem referências específicas de horários. 

Um destaque para a tabela geral no menu principal do topo ia bem. Depois acabei achando, mas estava em ordem alfabética no vasto menu lateral como “Programa”, o que um desavisado como eu acabou deixando passar. 

Refeições
Também proponho dar mais atenção às refeições. Parecia não haver oferta de almoço pra valer na hora do almoço, mas somente lanches dos estandes. É claro, adorei prová-los, deliciosos, como hambúrgueres e pastéis, mas ouvi queixas de participantes a respeito dessa falta durante a semana, tendo que se virar com os lanches. Um deles resolveu até sair do festival para almoçar fora em um dos dias. 

Infelizmente perdi o “Junta-Prato” que ocorreu somente no sábado; acabei me dando conta de que ocorria quando já estava terminando... 

Maurício Kanno

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Agosto 03, 2009

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Postado por Maurício Kanno
Estou retomando minha coluna na Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), em parceria com o colega jornalista Matheus Moura, de Minas Gerais. Nosso tema é quadrinhos e animação, com foco em foco em direitos animais. Ao invés de foto pra identificar a gente, acabei produzindo uma caricatura da dupla pra ilustrar a coluna, pra ter a ver com a temática, inclusive. Neste álbum que criei pra essas imagens há as caricaturas juntas, separadas e a foto original na qual me baseei: http://picasaweb.google.com/mpkjor/Caricaturas#

Palavras-chave: ANDA, animais, artes, caricaturas, desenhos

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Postado por Maurício Kanno
Minha narrativa de conto de Maria de Nazareth Agra Hassen, de Porto Alegre, sobre um cordeiro que descobre que o mundo não é assim tão maravilhoso como pensava... mas ainda assim, encontra esperanças em certo grupo de humanos: os veganos.

Palavras-chave: animais, artes, áudio, conto, cordeiro, direitos animais, ética, fazenda, infantil, kanno, narração, nazareth, pierre, veganos

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Janeiro 19, 2009

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Postado por Maurício Kanno

Este sábado, 24 de janeiro, 15 às 18 horas, na Biblioteca Paulo Duarte, próxima do metrô Jabaquara, SP, ocorre o 1º evento de formação de 2009 realizado pelo Grupo de Estudos de Direitos Animais (GEDA). Neste ano, além das tradicionais palestras-debates sobre Ética Animal em si; há também palestras-oficinas para aperfeiçoar a habilidade argumentativa dos participantes, com o objetivo de promover discussões eficientes em qualquer área.

Os temas abordados no evento de janeiro serão: "Senciência, capacidade de sentir consciente e emocionalmente, como critério para direitos morais", apresentado pelo bacharel em Direito Cláudio Godoy; "Limites biológicos para a senciência", pela bióloga Kátia Tavares; e "A arte de ter razão", livro do filósofo Arthur Schopenhauer, apresentado pelo advogado Hugo Chusyd.

Para o restante do 1º semestre, até junho, na linha de Ética Animal, estão programadas palestras-debates sobre subjetivismo ético, direitos humanos, mutualismo, policiamento da natureza, sistemas político-econômicos, experimentação animal e métodos alternativos.

Na linha de Técnicas de Argumentação, serão enfocados os meios digitais, situações difíceis argumentativas e técnicas de fala ativa e eficiente. Além disso, a jornalista Silvana Andrade, criadora da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), dará dicas de como relacionar-se com a mídia; e o professor de Filosofia Leon Denis contará sua experiência educando adolescentes no Ensino Médio sobre Ética Animal.

Programação em formato de cartazes para consulta, impressão e divulgação:

Eventos mensais desde 2007

Os eventos são livres e gratuitos a todo interessado, um sábado por mês, no mesmo horário. Não há necessidade de inscrição, apenas a organização do evento pede que seja comunicada de seu interesse para que possa receber melhor os participantes, de acordo com seu número.

O GEDA é um grupo de estudos independente formado por profissionais em geral, professores e estudantes de diferentes formações, que organiza palestras-debates mensais sobre direitos animais desde novembro de 2007. Os temas são conduzidos por voluntários baseados em livros e artigos selecionados, ou, excepcionalmente, sua própria experiência.

Local: saguão da biblioteca municipal Paulo Duarte, que fica na Rua Arsênio Tavolieri, 45, São Paulo, junto ao Centro Cultural Jabaquara, perto da estação de metrô Jabaquara. A partir do metrô, atravesse a Rua Jequitibás e vire à esquerda na Av. Francisco de Paula Quintanilha Ribeiro.

Mais informações com o grupo: Grupo de Estudos de Direitos Animais: (11) 9564-4568 - grupogeda@gmail.com - http://www.gedasp.org/

Informações sobre a Biblioteca Paulo Duarte: (11) 5011-8819 - bmpauloduarte@yahoo.com.br - http://www.prefeitura.sp.gov.br/cid...

Maurício Kanno

Jornalista e organizador GEDA

Palavras-chave: animais, argumentação, biblioteca, debates, direitos animais, Ética, eventos, Filosofia, GEDA, Grupo de Estudos de Direitos Animais, Jabaquara, palestras

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Dezembro 11, 2008

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Postado por Maurício Kanno

O Natal costuma ser uma data para pensar em paz, amor, renascimento... assim como o Ano Novo. Assim, que tal dar uma olhada nos links abaixo, e refletir sobre o que você pode fazer no seu dia-a-dia para melhorar o mundo em que vivemos?

- Minha animação-documentário produzida em Flash no Japão, "Por Trás do Rebanho":

http://math-info.criced.tsukuba.ac.jp/~mauricio.kanno/

- Artigo no site Akatu da jornalista Jaqueline Ramos, "Os Impactos da Alimentação para o Meio Ambiente":

http://www.akatu.org.br/central/opiniao/2008/os-impactos-da-ali

- Entrevista para a revista Época do biólogo Sérgio Greiff, "Vegetarianismo a Favor do Meio Ambiente":

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG74465-5856-421,00-V

- Relatório da FAO/ONU, "Livestock's Long Shadow": 

http://www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.htm

- Dossiê da Sociedade Vegetariana Brasileira, "Impactos sobre o Meio Ambiente do Uso de Animais para a Alimentação": 

http://svb.org.br/vegetarianismo/downloads/livros/index.p

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Este post foi feito aderindo proposta do Faça a sua Parte: http://www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte/2008/12/o-natal-do-

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Dezembro 06, 2008

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Postado por Maurício Kanno

logo GEDANo dia 13 de dezembro de 2008, o Grupo de Estudos de Direitos Animais (GEDA) realiza seu 13º evento mensal de formação sobre o assunto, livre e gratuito aos interessados. Será no sábado, das 15h30 às 18h30, no restaurante Vegethus, com mediação de Cláudio Godoy.

-        Primeiro estará em debate a situação dos direitos animais no mundo, com experiências nos Estados Unidos (professor da USP Artur Matuck e nutricionista George Guimarães), Inglaterra (estudante de Direito da USP Bruna Moliga), Israel (advogado Hugo Chusyd) e Japão (jornalista graduado na USP Maurício Kanno).

-        Em seguida, o redator Dimas Gomez explicará como responder a três argumentos contrários aos animais: da Biodiversidade (animais usados não estão ameaçados de extinção), do Favor (muitos animais só existem por serem criados pelos humanos) e o Pragmático (seria impossível viver sem causar algum sofrimento aos animais). Os argumentos são os últimos analisados no livro Ética & Animais  Um Guia de Argumentação Filosófica, do filósofo Carlos Naconecy. E este é o último de nove encontros independentes em que a obra está sendo estudada.

-        Almoço comemorativo - Antes do evento em si, às 14 horas, no mesmo dia e local, acontece o almoço comemorativo de 1 ano do grupo de estudos. Se interessar, o sistema é self-service, inclui sucos e sobremesas, e tem o preço fixo de R$ 19,50.

O endereço do Vegethus – Vila Mariana é Rua Padre Machado, 51, São Paulo – SP, próximo à estação de metrô Santa Cruz. Telefone: (11) 5539-3635.

Mais informações: (11) 9564-4568 ou grupogeda@gmail.com , com Maurício.

[Arte do Logo: publicitário Rogério Carnaval]

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Caso possível, por favor, imprima o pdf de divulgação e divulgue na instituição que freqüenta!

Grande abraço,

Maurício Kanno

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Agosto 06, 2008

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Postado por Maurício Kanno

Fiquei em duvida (por nao saber o idioma), mas nao teve jeito: fui hoje assistir em um cinema na cidade com dois amigos japoneses Ponyo, animacao do consagrado cineasta de animacao japonesa Hayao Miyazaki! Eu queria muito ir a um cinema japones, e assistir a uma animacao japonesa, pronto! Agora consegui cumprir estes objetivos, eheh! O filme foi em japones, entao nao deu pra entender muito dos dialogos, mas ta valendo... Pelas entonacoes, pelas imagens (belissimas), etc., deu pra pegar bem a historia... E talvez seja ate interessante saborear um filme (especialmente animacao) por este lado mais sensivel...

E assisti esta animacao antes de todo mundo nos outros paises, pois parece que so vai estrear em outros paises so beem depois mesmo... Quando vai chegar ao Brasil? Nao sei, mas pelo que li no site IMDB, especializado em cinema, na Italia so vai chegar em setembro deste ano (Festival de Venice) e no Reino Unido/Inglaterra so em abril de 2009... Ou seja, acho que vai dar tempo de eu chegar ao Brasil e assistir em portugues ainda, huahuahua.

O nome do filme original e "Gaku no ue no Ponyo", o que significa algo como Ponyo no alto do penhasco... Basicamente eh uma peixa que conhece um menino e tenta virar uma menina para ficar com ele. Mas o mais bacana em si e toda a magia que envolve a historia, cheia de ondas e peixes gigantescos, tsunamis, a coragem da mae durona do garoto, e outros encantos de um anime belo do seu Miyazaki. Este autor, diretor do Studio Gibli, tambem produziu Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, conhecidos no Brasil.

Ah, claro, a tematica deste filme pega bem personagens animais... Um de meus temas preferidos. Mas o que dizer de uma peixa que quer virar humana? Que mensagem isso passa? Superioridade dos humanos sobre os outros animais? Nao sei... De fato, e problematica a relacao do garoto que quer "ter" o peixe para si... Mas a relacao eh de amizade, e a peixa e toda poderosa, a historia tem muita magia... Acho que o enredo consegue passar por tudo isso. O contato entre os mundos humano e aquatico se da com bastante tumulto e encanto, amizade e desespero. Como se diz? Transcendente e dubio...

Violencia e propriedade do humano sobre o animal? Nao, nao diria que isso aparece no filme... como e a realidade. Ha toda uma comunicacao e relacao tumultuada, isso sim...

Links?

http://www.ghibli.jp/ponyo/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hayao_Miyazaki
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gake_no_ue_no_Ponyo
http://en.wikipedia.org/wiki/Ponyo_on_the_Cliff_by_the_Sea
http://en.wikipedia.org/wiki/Hayao_Miyazaki
http://www.imdb.com/title/tt0876563/releaseinfo

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Maio 14, 2008

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Postado por Maurício Kanno
Esta mensagem foi escrita para o prezado Eduardo Hegenberg, na lista abolicionistas, mas pode ser para você também, caro leitor.

A diferença entre os abolicionistas e os bem-estaristas está neste ponto:

- Os abolicionistas acham que não é correto usar animais como escravos para o que bem entendermos e desrespeitá-los em sua individualidade e interesses; a idéia principal é que animais não são objetos, mercadorias ou propriedades.
- Os bem-estaristas acham que é correto usar animais como escravos, mas para eles durarem mais; e para sua exploração ser mais eficiente, é preciso ter certos cuidados, assim como você precisa fazer manutenção no seu carro de vez em quando.

É entre estas idéias que você precisa se decidir. É como diz Tom Regan: "Não queremos jaulas maiores, queremos jaulas vazias."

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Mas compreendo o que você quer dizer sobre união e isolamento. Eu também já tive esta intenção de que as frentes se unissem, até que pude compreender melhor a falha nesta estratégia. Se abolicionistas aceitam apoiar bem-estaristas, o que vai acontecer? Vão dar a entender que aceitam que animais, se menos mal-tratados, sejam usados como escravos. E não queremos passar esta mensagem de maneira alguma.

Há também o grande problema do tempo, que é precioso e LIMITADO para cada um de nós. Se você tem, em um dia, digamos, 1 hora para agir em defesa dos animais, em que você vai investir? Vai procurar difundir a idéia de que animais deveriam ser menos maltratados ou vai procurar difundir a idéia de que animais não devem ser escravos dos humanos? Ou pode ainda dividir seu tempo, claro. Mas a força da sua mensagem vai também se dispersar.

Outra coisa: não é significativa a redução de "maus tratos" para que isto um esforço válido. Vamos comparar com um escravo humano, há um ou dois séculos. Será que vale a pena ficarmos insistindo em que o senhor dele lhe dê, ao invés de 20 chibatadas, 15 ou 10 chibatadas por dia para trabalhar? Ou é melhor insistirmos que lhe seja concedida liberdade?

É claro que, uma vez que um capanga tenha decidido por espancar ou violar uma mulher, eu vou dizer que o que este capanga está fazendo é errado, mesmo que ele tenha espancado ou a violado apenas uma vez ou várias. Simplesmente ele estará repetindo a coisa errada se fizer de novo. Assim como no caso das chibatadas no escravo, ou estupros em uma vaca, ou aprisionamento de um animal, ou sua escravidão para produzir algum trabalho forçado. É isso que deve ficar claro.

Se uma empresa adotar medidas bem-estaristas, provavelmente ela está fazendo isso para poder aumentar a sua lucratividade. E esta estratégia quem deve aplaudir são os executivos. Não nós. Ela com isso vai ter suas propriedades escravas durando mais e sendo mais produtivas; e terá algum motivo até para aumentar o preço final de seus produtos.

Assim, se os bem-estaristas querem aplaudir estes "avanços", fiquem à vontade. Mas acho melhor dedicar meu tempo para outra coisa.

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Concordo contigo de que também seja necessário pensar em reservas para abrigar os animais livres. Mas algum abolicionista disse que discorda disto? Isto é mais para longo prazo. Simplesmente, antes de pensar em reservas, é preciso convencer as pessoas de que os animais merecem respeito.

Agora, se você fosse um bicho, humano ou não humano, você não iria preferir nada se você não existisse, isto é algo que eu já disse antes. Não é uma idéia razoável? Lembre-se da idéia-chave de Descartes: "Cogito, ergo sum." => "Penso, logo existo." E o contrário também vale: se você não existe, você não tem como pensar.

Mas, uma vez que existimos, com certeza devemos ter o direito de desfrutar de liberdade, integridade física, etc. E é por esta idéia que os abolicionistas lutam. Pelos que já existem e pelos que vão existir.

Quanto aos humanos trabalhadores, você falou bem quando especificou "guardadas as devidas proporções". Mas, para ser mais correto, não dá pra falar em "proporções", quando se compara a situação dos trabalhadores humanos com os outros animais. Pois os outros animais são nossos escravos o tempo todo; nós não somos escravos. Por mais que tenhamos dificuldades no trabalho, e possamos ficar cansados, temos a liberdade de buscar educação, melhorar nossas possibilidades, e mudar de trabalho, inclusive para um com o qual temos mais afinidade; e com o dinheiro de nosso trabalho, temos a liberdade de obter coisas para satisfazer nossos interesses e dos outros.

Para finalizar: não sei de onde você tirou que as vacas vivem uma vida idílica...

Abs

Palavras-chave: abolicionismo, animais, bem-estarismo, direitos animais

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Maio 08, 2008

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Postado por Maurício Kanno
Esta é uma resposta que fiz para um colega de lista "abolicionistas", baseado em estudos com Cláudio Godoy no Grupo de Estudos de Direitos Animais e textos de Gary Francione.

"prezado,

todos defendemos a vida dos animais que já existem; o que nao se deve defender é que apareçam novos animais em uma situação dependente e escravizada. estes hipotéticos futuros novos escravizados nao podem ter opiniao a respeito, já que eles nao existem ainda.

a vaca é um exemplo de animal que o ser humano fez eugenia: selecionando artificialmente os melhores espécimes para sua necessidade específica. assim como certos grupos político-militares podem fazer com seres humanos: matar alguns e deixar viver outros que lhe sejam de interesse. havia ancestrais da vaca e boi que viviam muito bem adaptados à vida selvagem.

resumindo: a domesticação (dependência e escravismo) é um problema criado pelo ser humano, e os seres humanos devem resolver esse problema, acolhendo os animais que já existem, mas impedindo que novos apareçam.

grande abraço,
maurício kanno"
[Leia mais em http://www.gato-negro.org/content/view/27/48/ ]

===========Escrevi em resposta ao seguinte:

"Gostaria de saber como o abolicionista costuma
se posicionar frente ao seguinte problema:

"O abolicionista, quando defende o direito do animal
de não ser abatido (de viver) em nome da não-exploração,
na prática cria uma situação que fere o seu próprio princípio:
Se não há abate, não há recurso para manter o animal. Logo
não há vida.
Exploração é um conceito humano. Vaca e frango são animais
domesticados há milênios, possivelmente geneticamente menos
preparados para uma vida "selvagem". Se o animal pudesse
saber que existem pessoas -- os abolicionistas, em oposição aos
bem-estaristas -- que decidiram por ele a preferência de não existir a
viver uma vida de bem-estar (no entanto "explorada"), será que
ele concordaria com eles?"

[]s
Edu" [Eduardo Hegenberg]

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Março 28, 2008

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Postado por Maurício Kanno

Não sei bem o que seria este "pensamento abstrato" da pesquisa, mas lá vai:

27/03/2008 - 15h12 - Folha Online

da France Presse, em Chicago

Ratos também têm a capacidade de aprender novas regras e aplicá-las em diferentes situações, uma habilidade considerada, até então, uma prerrogativa da mente humana, de acordo com pesquisa divulgada nesta quinta-feira (27).

E esses animais podem ir além: em artigo publicado em jornal científico britânico, pesquisadores da Universidade College London e a Universidade de Oxford afirmaram que os ratos também possuem a capacidade do pensamento abstrato.

Os cientistas fizeram três testes expondo os roedores a provas visuais, auditivas e combinaram os experimentos com comida --oferecida no final como recompensa.

Durante o primeiro teste, os ratos foram condicionados a terem uma reação de defesa, com o estímulo da luz e da escuridão, seguindo a lógica ABA, AAB ou BAA -- "A" representando a luz e "B" a escuridão.

O primeiro grupo de ratos sempre recebeu comida com a seqüência ABA, o segundo foi recompensado com a AAB, e o terceiro com a série BAA. Os ratos foram também testados com todas as seqüências, mas desta vez sem receberem comida no final. A experiência foi repetida e, depois de alguns dias, foram capazes de distinguir as séries e associaram qual era a lógica para receber a comida no final.

Na segunda experiência, os pesquisadores treinaram as cobaias a esperarem por comida usando sinais auditivos que seguiam a seqüência ABA. Depois, alteraram o sinal ao mudar a freqüência dos tons, mas mantiveram a mesma seqüência.

Mesmo com sinais desconhecidos, os ratos aparentaram esperar por comida quando ouviam tons baixos e altos seguidos da série ABA, devido à rápida maneira como os roedores iam checar seus comedouros.

Isso mostrou que os animais aparentemente distinguiram as seqüências que ouviam de acordo com o que haviam aprendido anteriormente.

Esperteza

"Baseados nas seqüências, eles sabiam quando receberiam a comida", disse Robin Murphy, professor de psicologia da Universidade College London e um dos autores da pesquisa. "As experiências mostram como os ratos conseguem abstrair informações complexas", diz.

Os pesquisadores repetiram o último teste com os sinais visuais, mas desta vez sem oferecer a comida. Os ratos, ainda assim, tiveram a mesma reação e responderam à seqüência que eles haviam anteriormente associado à comida.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u386416.shtml

Palavras-chave: animais, ciência, inteligência, pensamento, psicologia, ratos

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Fevereiro 19, 2008

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Postado por Maurício Kanno

Um título de post no blog de meu ex-professor de Jornalismo Léo Sakamoto me indignou: "Trata-se gente como bicho. E ganha-se muito com isso".

Seu título é triste. Parece que se legitima tratar "bichos" de qualquer jeito, sem respeito, com esta expressão. Por que "bichos", animais em geral também não mereceriam receber um tratamento digno?

Digo mais:

"Tratam-se animais de maneira indigna. E ganha-se muito com isso".

Por isso, monto a nova expressão: "Trata-se gente como bicho; e pior, tratam-se animais de maneira indigna." O problema não é comparar necessariamente o tratamento de humanos com o de animais em geral; mas o fato de este tratamento, para qualquer um, seja ruim.

===

Em outro post, Léo escreve: "nosso verdadeiro calcanhar de Aquiles não é a questão de saúde animal, mas dos impactos negativos gerados pela expansão pecuária sobre o meio ambiente e populações tradicionais. Sem esquecer da exploração ilegal de trabalhadores. Problemas como desmatamento, trabalho escravo, contaminação química de rios, deslocamento forçado de posseiros e populações indígenas e grilagem de terras rondam a produção bovina em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste."

Ok, tem todos esses problemas... Mas, o buraco é realmente bem mais embaixo: o problema é os animais serem tratados como simples mercadorias, propriedades, e não como os seres sensíveis e conscientes que são, com os direitos que deveriam ter a desfrutar suas vidas independentes. Léo falou de tanta coisa, mas simplesmente ignorou a condição dos animais; mesmo quando mencionou a questão de saúde animal, foi se referindo à questão de comercialização da carne dos animais!

Leia mais aqui: http://direitosanimais.org/

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Janeiro 23, 2008

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Postado por Maurício Kanno

Escrevo para divulgar alguns textos que acabei de descobrir, via Andressa Pimentel, estudante de Biologia, que está fazendo seu TCC anti-vivissecção de animais.

Documento em inglês de 300 páginas anti-vivissecção: http://www.health.org.nz/cover.html

ANIMAL RESEARCH T A K E S LIVES
- Humans and Animals BOTH Suffer

is produced for

THE NEW ZEALAND ANTI-VIVISECTION SOCIETY (INC)
PO BOX 9387
ADDINGTON
CHRISTCHURCH 8243
NEW ZEALAND
http://www.nzavs.org.nz

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Luciano Cunha: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=9999919545396556098

"Artigo que escrevi explicando porque defendemos a abolição da escravidão animal. Se quer entender, acesse:

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_0006_top.html

Outro artigo meu, sobre o conceito de ética:

parte 1 de 6:

http://www.sentiens.net/pensata/PA_ACD_lucianocunha_03_p1.html

parte 2 de 6:

http://www.sentiens.net/pensata/PA_ACD_lucianocunha_03_p2.html

parte 3 de 6

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_04_p3_top.html

parte 4 de 6:

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_04_p4_top.html

parte 5 de 6:

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_05_p5_top.html

parte 6 de 6:

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_05_p6_top.html

Outros artigos meus:

http://www.sentiens.net/top/PA_ENS_lucianocunha_06_top.html

http://www.sentiens.net/top/PA_ENS_eticaglobal_luciano_05_top.html "

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Retorno ao Linux

Meu Window$ XP foi pro brejo, não abre mais, e um carinha de uma loja de informática aqui perto nem conseguiu arrumar. Parece que vai ter que formatar. Se não tivesse Linux em dual boot, teria perdido todos os meus arquivos. Graças ao dual boot, pude entrar no meu Ubuntu Linux e fazer backup de tudo.

O Ubuntu tava ainda com vários paus... Mas graças a Deus, depois de muita aflição tentando resolver problemas de permissão, de paus para desligar (não desligava, tinha que apertar o botão), para fazer atualização, instalações de coisas... Enfim, deu certo a atualização para o Ubuntu 7.10 - Gutsy e isso aparentemente resolveu praticamente todos meus problemas! Agora sou um linuxeiro feliz!

Tanto que enviei a seguinte mensagem para a nova amiga ativista pelos direitos animais (havia relatado problemas com o pacote Office e havia acabado de formatar a máquina):

"mas larga essa de pacote office e Windows!

instala o BrOffice, que é totalmente livre e sem pirataria!
http://www.broffice.org/download

e instala Ubuntu Linux, que dá muito menos pau que Window$ e não tem vírus! (aproveita que já formatou a máquina mesmo...)
http://www.ubuntu-br.org/download"

Agora só falta eu aprender a editar vídeos e arrumar todos os codec necessários para assistir meus animes pelo meu Linux Ubuntu... além de usar internet wireless!

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Postado por Maurício Kanno | 2 usuários votaram. 2 votos | 16 comentários

Janeiro 03, 2008

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Postado por Maurício Kanno



Acima, o Hiro hoje, após 10 meses e meio que eu e Andrea o adotamos... Deve ter então quase um ano de idade! Abaixo, o Hiro no dia em que o adotamos, em fevereiro de 2007! Devia ter pouco menos de um mês. Estava tão sujo de tinta e não sei mais o quê! Fizemos o possível para limpar e cuidar dele, com todo o carinho! :)



Viva este gatinho lambedor! (É curioso, meus outros dois gatinhos nunca me lamberam...)

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E este outro gato charmoso é o Peter, hoje com 1 ano e meio! Olha como cresceu:



Abaixo, é ele com uns 3 meses, quando o adotamos, em outubro de 2006! Ou seja, já está conosco há 1 ano e 2 meses!

Palavras-chave: adultos, animais, filhotes, gatos, hiro, peter

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Postado por Maurício Kanno | 2 comentários

Dezembro 28, 2007

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Postado por Maurício Kanno



estive passando hoje no blog sobre quadrinhos do amigo Paulo Ramos, que foi também membro de banca de meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), apreciando meu trabalho ao me formar em Jornalismo, e encontrei um ótimo cartum mostrando a incoerência humana ao celebrar o Natal, em relação aos animais. mas sem ser super-chocante, como alguns divulgados por amigos defensores dos direitos animais.

Foi isto o que comentei no blog dele:

"parabéns, paulo, belo cartum... ilustra bem essa questão contraditória do ser humano em geral, que "celebra a vida e a paz" matando animais inocentes e mansos, como perus, porcos, galinhas, etc.

por isso, realmente é importante o trabalho de autores como Spacca, para que todos reflitam sobre o assunto e talvez com isso mudem seus hábitos. para uma reflexão mais cuidadosa, leiam o artigo da Sílvia Lakatos: http://www.guiavegano.com/artigos/silvia/

Boas festas de passagem de ano, Paulo, e para todos os seus leitores! E que sejam festas cada vez mais pacíficas e com mais respeito!"

É isso o que também desejo para você, caro leitor... Deixei de fazer um "post de Natal específico" antes do Natal, mas aqui está, serve para o ano novo e para todos os dias do ano também... (mas ao menos meu último post foi com a publicação de meu vídeo sobre a paz multicultural... com as entrevistas que fiz na Europa, veja: http://mauricio-kanno.blogspot.com/2007/12/londres-barcelona-de-passagem-meu.html )



Links:

-Reflexão de Sílvia Lakatos: http://www.guiavegano.com/artigos/silvia/
-Reflexão e receitas de Ana Maria Curcelli (com Babe, o porquinho atrapalhado): http://www.guiavegano.com/artigos/paula/index.htm
-Receitas vegetarianas do Portal Terra: http://www.terra.com.br/natal/receitas_vegetariano.htm
-Ceia de Natal vegetariana de Tatiana Cardoso: http://www.svb.org.br/vegetarianismo/outras-receitas/ceia-de-natal-vegetariana.html

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Dezembro 08, 2007

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Postado por Maurício Kanno

Não sei bem o que pensar a respeito, o que acham deste artigo?

"A experimentação animal é necessária para o bem-estar e a saúde humana? A resposta para essa pergunta é não. Para explicar de uma maneira bem simples, se assim o fosse, não seria necessária a existência de medicamentos de uso veterinário e medicamentos de uso humano, e poderíamos escolher entre nos operarmos em um médico ou um veterinário. Com efeito, não haveriam diferenças entre ambas as profissões.

Qualquer pessoa que tenha estudado biologia aprende que organismos evoluem. Evoluir significa diferenciar, derivar. Ratos e camundongos são animais parecidos, mas não idênticos; eles derivaram de um mesmo ancestral comum, cada qual com suas características. Mas uma vez que as diferenças se acumularam, duas espécies surgiram, próximas, mas diferentes. Fato é que ambos os organismos reagem de maneiras diferentes a determinadas drogas, a determinados tratamentos. Não basta sabermos que ratos pesam mais do que camundongos para corrigirmos a dose de uma droga, pois não existe qualquer linearidade que confira cientificidade a essa extrapolação. As diferenças entre espécies são qualitativas e não quantitativas.

Da mesma forma acontece com o rato em em relação ao hamsters, o hamster em relação ao porquinho-da-índia, esse em relação ao coelhos, os sapos, os pombos, cães, gatos, porcos, macacos e, é claro, o homem. Nenhum resultado que se obtenha desses animais poderá ser aplicado ao homem, porque ao contrário do que querem nos fazer acreditar, o rato não é um ser humano que pesa quinhentas vezes menos. Também, a diferença de 0,4% entre os genes do chimpanzé e do homem não tornam esse um modelo recomendável para a pesquisa de doenças humanas em 99,6% dos casos.

Animais utilizados em experimentação, para serem considerados "bons", precisam pertencer a linhagens específicas. Eles precisam ser o mais homogêneos possível, com o mínimo de variação genética. Dessa forma, os resultados que se obtém desses experimentos são bem agrupados. Se ao invés de utilizarem animais de mesma linhagem fossem utilizados animais com diferentes procedências, ainda que pertencentes à mesma espécie, os resultados obtidos seriam inconclusivos, pois mesmo dentro de uma mesma espécie as diferenças tornam as reações aos tratamentos muito variadas. Daí pode-se entender a inconsistência da defesa da utilização de animais.

A alegação mais comum para defender essas práticas é a de que seres humanos e animais domésticos são diretamente beneficiados por esses experimentos. Defende-se que, sem as pesquisas em animais, o ser humano não disporia de vacinas, transplantes, anestesias, nem das drogas que pretensamente tratam as diferentes doenças. Alarma-se para a idéia de que o fim da experimentação animal representaria o fim da humanidade. O declínio em nossa qualidade de vida, em nossa longevidade. Estas alegações são, para dizer o mínimo, enganosas.

Embora todos esses tratamentos tenham sido exaustivamente testados e aprovados em animais, todos eles se mostraram falhos em produzir efeitos promissores em seres humanos, pelo menos em um primeiro momento. Muitos deles, apesar da segurança comprovada em animais, mostraram-se prejudiciais a seres humanos, produzindo severos efeitos colaterais. E se a intenção desses experimentos era impedir que seres humanos fossem utilizados como cobaia, isso não aconteceu.

Se hoje transplantes de órgãos podem ser realizados com maior sucesso e existem vacinas um pouco mais seguras, foi porque ao longo dessas últimas décadas esses tratamentos foram testados em seres humanos, muitas vezes às custas de suas vidas e saúde. O pretenso sucesso desses tratamentos em tempos mais recentes, embora possa vir a ser contestado em outras instâncias, não pode ser atribuído ao uso de cobaias animais, mas sim ao uso de cobaias humanas.

Seres humanos morreram nos primeiros transplantes de órgãos, seres humanos sofreram severos efeitos adversos de vacinas do passado, e com base nessas tentativas e erros, a atual medicina foi construída. Não com base na experimentação animal.

Mas, se a experimentação animal não beneficia aos humanos, por que a maioria das pessoas acredita que ela é essencial? Podemos dizer que em certo sentido a ciência funciona como uma religião, onde a autoridade do alto clero jamais é contestada; assim, um doutor jamais pode ser questionado, mesmo que seja um mero reprodutor de uma idéia que ouviu. O próprio cientista muitas vezes não se questiona, o que parece um contra-senso, mas ele assume que determinados pressupostos são verdadeiros e os defende cegamente.

Em outra abordagem, a ciência é mercantilista. Ela funciona por interesses comerciais, e a experimentação animal é interessante nesse aspecto. Além de todos os equipamentos e insumos necessários para a manutenção de animais de laboratório (gaiolas, equipamentos de contenção, rações, etc) a indústria lucra com a experimentação animal.

Indústrias, como a farmacêutica, obtêm seus lucros da venda de seus produtos, no caso, medicamentos. Por isso, elas necessitam convencer a população de que seus produtos são vitais para sua qualidade de vida. Esforços são feitos para convencer as pessoas de que o aumento em nossa expectativa de vida tem relação direta com a enorme disponibilidade de drogas e tratamentos atuais. Poucos atribuem essas melhorias às nossas atuais condições de moradia, de higiene, abastecimento de água limpa, saneamento, segurança alimentar, etc, fatores estes que também passaram a preponderar nas últimas décadas.

O papel da experimentação animal

Nossa vida e bem-estar não dependem da experimentação animal. As experiências com animais apenas resguardam os interesses da indústria farmacêutica e associadas, possibilitando colocar no mercado drogas nem sempre seguras às pessoas. Experimentos em animais são conduzidos para amenizar as responsabilidades de laboratórios que lançam no mercado produtos que mais tarde poderão vir a prejudicar seres humanos.

Por exemplo, se o xampu que não deveria arder nos olhos queimou os olhos de uma menina, isso é visto como uma fatalidade; testes realizados em olhos de coelhinhos mostram que o produto é seguro. E quem pode provar que o cigarro está associado a alguma doença, quando experimentos com animais mostram resultados inconclusivos?

Após passarem por todos os testes 'necessários', em animais, e serem colocadas no mercado, muitas drogas precisam ser recolhidas. Isso porque seus efeitos adversos começam a se manifestar na população, muitas vezes de forma grave. Os testes em animais não podem prever esses efeitos, e isso é de conhecimento da indústria, mas há uma necessidade de que eles sejam conduzidos para prevenir a indústria de futuros processos.

Se todos os testes considerados necessários pela legislação forem realizados em animais a indústria se isenta de sua responsabilidade. As pessoas que vierem a falecer em decorrência do uso de um medicamento tornam-se fatalidades. Números aceitáveis frente aos possíveis benefícios do medicamento.

A ciência que utiliza animais de laboratório não é uma ciência boa, não apenas porque vitima animais inocentes, mas porque os resultados que produz prejudicam também ao ser humano. Esta metodologia conduz ao erro, ao atraso, a dados errôneos, à má-interpretação, à incoerência e ao desperdício de vidas. A abolição da vivissecção não é algo para ser pensado para o futuro, ela deveria ser algo do passado, é urgente. A utilização de animais em experimentos é um erro que se propagou na ciência e que ainda não foi suficientemente questionado. Cabe à sociedade como um todo se mobilizar no sentido de extingui-la.

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Sérgio Greif é biólogo do grupo Veddas, em São Paulo/SP, mestre em Alimentos e Nutrição, co-autor dos livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável". E-mail: sergio_greif@yahoo.com.

Texto inédito."

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Novembro 17, 2007

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Postado por Maurício Kanno

Oiê, este é o meu primeiro videopost do Videoblog Animao que estou começando, uma versão em vídeo que estou experimentando, para dar outra cara e novos recursos aos meus blogs LegalLegal: http://stoa.usp.br/mauriciokanno/ (este aqui mesmo) e http://animao.com.br (no Blogger).

Esta é apenas uma introdução para meu videoblog iniciante, que falará sobre direitos animais, vegetarianismo, gatos, ecologia, internet, software livre, séries de TV como Heroes, animações, quadrinhos, críticas de filmes e outras obras, etc.

Espero que você goste! Teve até participações especiais (e inesperadas) de outros sujeitos!... Rindo

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Postado por Maurício Kanno | 2 comentários

Novembro 03, 2007

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Postado por Maurício Kanno
Fotos que tirei em 4 de outubro de 2007, na Fazenda da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, quando viajava para reunião da SBPN...



De fato, as galinhas poedeiras (que botam ovos) vivem bem apertadas... E olha que esta nem é uma fazenda industrial, de produção em massa de fato...

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Putz, o pessoal cria até coelhos para abate! Não sabia dessa... Que horrível!

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Apesar da fama negativa, os porcos e porquinhos são fofos e familiares...

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Veja mais em: http://picasaweb.google.com.br/mpkjor/GalinhasPorcosCoelhos?pli=1

Palavras-chave: animais, coelhos, fazenda, galinhas, Paraná, porcos

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Postado por Maurício Kanno | 1 usuário votou. 1 voto | 20 comentários

Outubro 24, 2007

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Postado por Maurício Kanno

Nos anos de 1800, no Brasil, era normal se tratar uma pessoa negra como uma "coisa", que podia ser vendida e comprada num mercado. Essas pessoas só serviam para satisfazer os interesses das "brancas".

Hoje, as pessoas negras são consideradas, de maneira geral, "pessoas" de verdade, que temos que respeitar. Apesar de ainda haver preconceitos em relação a elas, não são mais consideradas "coisas".

Pois um dos valores mais nobres defendidos atualmente são os "direitos humanos". E eles valem para todos os humanos, independente de etnia, sexo, idade, etc. Mas por que os humanos têm esses direitos? Já se perguntou?

Que tal dizer: "Os seres humanos têm direitos porque eles são humanos." Normalmente só se responde isso. Mas acho que isso não explica nada, certo? É a mesma coisa que dizer "porque sim", porque se está apenas repetindo a mesma coisa.

Que tal então: "Os seres humanos têm direitos porque são seres racionais." Bem, e o que inteligência tem a ver com direitos? Por acaso alguém negaria direitos para uma pessoa com deficiência mental, ou para uma criança ou bebê?

Então, afinal de contas, por que as pessoas têm direitos? Porque precisamos nos preocupar com elas? Quais são razões de fato relevantes para os direitos das pessoas? Nós podemos sentir e sofrer. O que acontece com nossos corpos e nossas vidas é importante para nós. Temos uma biografia, com família, amigos, etc. Essas questões são relevantes para se preocupar com alguém, concorda?

Um momento. Mas e quanto aos animais em geral, como cães, vacas, galinhas, pássaros? Eles também podem sentir e sofrer (aliás, muitos têm sentidos até mais aguçados que os humanos); o que acontece com seus corpos e suas vidas é importante para eles; e têm biografia, com família, amigos, etc. Eles preenchem todos os critérios relevantes para se respeitar um humano.

Por que negar então direitos aos animais à vida, à liberdade, ao bem estar, entre outros, se não há razão lógica alguma para isso? Pelo mesmo motivo pelo qual se negava os direitos às pessoas de pele negra, lá nos anos 1800. Para que pudessem ser exploradas.

Maurício Kanno

Baseado principalmente no livro "Jaulas Vazias – encarando o desafio dos direitos animais", de Tom Regan, professor de Filosofia da Universidade da Carolina do Norte.


[Atenção: admitir que os animais tenham direitos não é dizer que seus direitos sejam os mesmos dos humanos. Leia mais neste meu texto recente, sobre a igual consideração de interesses, formulada pelo filósofo Peter Singer.

Atenção 2: NÃO estou dizendo que humanos negros ou de outras etnias sejam iguais aos animais não humanos (imagino que alguém vá querer dizer que eu falei isso). Apenas estou expondo uma argumentação mostrando que a discriminação de ambos os grupos é inválida.]

 

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Outubro 19, 2007

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Postado por Maurício Kanno
Recebi há algum tempo uma mensagem de uma empresa que não conhecia, chamada www.knwork.com/

Dizem que "responsabilidade social não basta. O KNWORK patrocina sites relacionados com a defesa dos direitos dos animais." Basta ter um link na página principal para o site deles. Que fantástico, não conhecia este engajamento empresarial internético!

Fico muito feliz com uma diretoria como esta, incentivando a propagação deste tipo de valor tão urgente hoje em dia, com tanta exploração e desrespeito que existe hoje em dia em relação aos outros animais.

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Outubro 17, 2007

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Postado por Maurício Kanno

Da France Presse

Bebeto Matthews/AP

A japonesa Riyo Mori, Miss Universo 2007, se negou nesta terça-feira a usar peles naturais e declarou seu amor aos animais durante uma campanha de protestos em favor dos direitos civis dos animais.

"Vou dizer isso em voz alta: não vou usar peles. Eu amo os animais e concordo com quem é contrário ao uso de produtos feitos com peles", declarou.

A organização Ethical Treatment of Animals (Peta) lançou uma campanha na semana passada para pressionar Mori a renunciar às peles depois que a Miss usou um casaco de peles nas passarelas.

Mori também recebeu milhares de e-mails de outros militantes pelos direitos animais que a convenceram a se unir à campanha. A Miss de 20 anos também disse que quer atuar em campanhas de combate à Aids e que espera, um dia, pode se apresentar na Broadway.

http://divirta-se.correioweb.com.br/ultimas.htm?ultima=2722669

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Encaminhado por (Marilda | JotaPê) & Limberger por [veg-brasil@yahoogrupos.com.br]

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Reparar algo negativo, no entanto: no último parágrafo, como observa Silas Cordeiro, também membro da lista [veg-brasil], a miss fala em "defender animais, ecologia, combater aids, etc." Isso seria algo que "tá na moda (e, muitas vezes, infelizmente, fica só nisso)".

Bem, mas penso que, se ao bordão das misses de "desejo a paz mundial" se juntar "desejo que as pessoas respeitem os direitos dos animais", já seria uma boa, de qualquer maneira... Apesar de que a segunda idéia já estar inclusa na primeira, normalmente este ponto é ignorado, então é necessário reforçar. Podia ser algo como "desejo a paz mundial... inclusive para os outros animais!"

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