www.flickr.com
Este é um módulo do Flickr que mostra as fotos públicas de Mauricio Kanno. Faça o seu próprio módulo aqui.

Stoa :: Maurício Kanno :: Blog :: NÃO ao uso de Animais no Ensino

julho 19, 2007

default user icon
Postado por Maurício Kanno

(Foto de Daniel Groppo, no Flickr)

Sou contra o uso de animais em experimentos e práticas educacionais, como na Medicina. É bom ressaltar que há argumentos jurídicos ambientais para se parar com isso, e a Inglaterra proibiu especificamente essa prática desde o século XIX.

Minha irmã, que estuda Medicina na USP, já relatou diversas vezes em que precisou fazer "operações" em cãezinhos de rua (e olha que já tivemos uma cachorrinha boxer, a Xuxa, por muitos anos! como ela consegue fazer isso? só porque são de rua? eu sei; ela precisa fazer isso, porque senão não poderá prosseguir seu curso e se formar médica; leia as considerações no texto abaixo sobre essa tortura ética aos estudantes!).

Estas são operações que, no fim das contas, acabam por matar os cãezinhos e outros animais "utilizados", pois eram operações desnecessárias a eles, e por vezes, eles eram deixados com o corpo aberto. Encaminho importantes informações e petição sobre o assunto a quem entender mais sobre o assunto e, quem sabe, assinar a petição e apoiar a causa.

Para Assinar:
http://www.petitiononline.com/ensetico/petition-sign.html

"O uso de animais no Ensino está a cada dia sendo mais questionado em todo o mundo, tanto pela sociedade civil, quanto por cientistas, profissionais, educadores e estudantes.

Um exemplo desse questionamento é que em 2003, 84% dos alunos do curso de Medicina Veterinária da FMVZ da USP, responderam que deveria constar como obrigatória a cadeira de "Ética e Bem-Estar Animal", enquanto que, em 2001, apenas 65% dos alunos eram favoráveis (SILVA, 2003, p. 74).

O uso prejudicial de animais na educação ainda é obrigatório na maioria das universidades brasileiras e não possuímos dados para computar a quantidade de vidas de animais desperdiçadas.

É importante salientar que essa prática não vitima apenas os animais. Muitos alunos também são vítimas morais da imposição dessas práticas, quando são colocados no dilema "matar para salvar" (GREIF, 2003. p. 15 – 22). O dilema "matar para salvar" está presente no conhecimento oculto transmitido para os alunos.

Devido a pressões sociais, na Inglaterra é proibido o uso de animais no ensino desde 1876, pela lei "Cruelty to Animals Act" (Ato de crueldade com Animais).

Em 1886 Áustria e Alemanha também aboliram o uso de animais no ensino.

Nos Estados Unidos, 75% das universidades não usam animais de forma didática, incluindo Columbia, Harvard, John Hopkins, Stanford e Yale, consideradas excelências no ensino.

No Brasil a Lei de Crimes Ambientais, 9.605 de 1998, no parágrafo 32 diz:

"Praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 1º - Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animais vivos, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

§ 2º - A pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorre morte do animal"

Se todas as universidades da Inglaterra, Alemanha e Áustria, mais 3/4 das universidades dos Estados Unidos não usam animais no ensino, significa que há alternativas. Devemos pressionar os professores a procurarem e utilizarem esses métodos.

NÓS NÃO APOIAMOS O USO DE ANIMAIS NO ENSINO SUPERIOR!
Mais informações no site www.gaepoa.org

----

Enviado por e-mail por Róber Freitas Bachinski, quarta-feira, 18 de julho de 2007, e repassado a mim por Laura Kim Barbosa.

"Pessoal, por favor, assinem e divulguem essa petição. Ela é muito importante. Quanto mais pessoas assinarem, mais apoio teremos no processo de Objeção de Consciência contra a UFRGS ( http://www.gaepoa.org )"

Para Assinar:
http://www.petitiononline.com/ensetico/petition-sign.html

---

Depois quero pesquisar o assunto com mais detalhes, verificando quais são os cursos, disciplinas e alterativas utilizadas em outros países e no Brasil.

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno

Comentários

  1. Plínio escreveu:

    A questão é mais difícil do que realmente aparenta... A pergunta é: do uso de animais ao uso de pessoas qual será o passo dado? Afinal, os animais sofrem tanto quanto qualquer ser vivo e as pessoas ignoram isso... há sim a prática de um crime ambiental aí... e isso como dito é crime, pelo menos isso no Brasil. Prendam-nos...

    Plínio Alexandre dos Santos CaetanoPlínio ‒ quinta, 19 julho 2007, 09:24 -03 # Link |

  2. Renato Callado Borges escreveu:

    O que fazem nas faculdades que não permitem animais? Treinamento com simuladores? Quem vai pagar isso aqui, sendo que cachorro de rua é de graça?

    O que fazem nas faculdades que não permitem animais? Utilizam cadáveres? Se aqui nem pra doar órgão o pessoal deixa (malditos ignorantes) quanto mais para "fins educacionais".

    O fato, nu e cru, é que a qualidade de nossos médicos depende do seu treinamento, que tem um custo, e trocar animais por outra coisa qualquer irá necessariamente aumentar esses custos, o que significa aumentar as mensalidades das privadas ou aumentar o financiamento das públicas. As públicas esqueça - a tendência é sucatear pra privatizar, como todos sabemos - e as particulares ou aumentam a mensalidade ou diminuem os lucros,  o que dificilmente ocorrerá.

    Quanto ao sentimento, é claro que eu também fico triste com os pobres bichinhos (inclusive os estudantes, pois gente também é bicho). Aliás parabéns por trazer a tona este aspecto, eu nunca havia pensado em como os estudantes são também vítimas nessa questão, e agora tenho mais uma informação com a qual me sentir deprimido e impotente. 

    Não vou assinar uma petição sem saber que existe uma alternativa factível. Em suma, quanto custa educar um médico hoje, com animais? Quanto custará sem os animais? De onde virá a verba extra?

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ quinta, 19 julho 2007, 10:56 -03 # Link |

  3. Maurício de Paula Kanno escreveu:

    bom, eu realmente não tenho todas as respostas, e nem tenho como pesquisar com detalhes agora... mas ao menos trago o tema para discussão...

    Maurício KannoMaurício de Paula Kanno ‒ quinta, 19 julho 2007, 11:12 -03 # Link |

  4. Renato Callado Borges escreveu:

    Eu tampouco faço todas as perguntas. Mas, já que se trata de discussão, espero que estejamos ambos abertos a mudarmos de opinião se observamos argumentos válidos "do outro lado".

    Eu concordo que é uma tragédia. Você não concorda que, para mudar a situação, é necessário apresentar primeiro uma proposta de educação alternativa, incluindo nessa proposta sua viabiliade econômica?

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ quinta, 19 julho 2007, 11:16 -03 # Link |

  5. Tom escreveu:

    Gostaria muito de ver se as pessoas que são contra o uso de animais em experimentos científicos deixariam de usar vários medicamentos fruto de pesquisas científicas com o uso de animais, se alguma doença os atingissem ou mesmo pessoas queridas.

    D-U-V-I-D-O.

    Há alguma forma prática de verificar como chegaram às milhares de fórmulas medicamentosas que são usadas em humanos? Claro que não.

    Enrtetanto, concordo que em muitos casos a prática de ensino através de animais poderia ser substituída por vídeos, simuladores e modelos sintéticos, mas não deve ser feita.

    Dois artigos relacionados a esse assunto que vi esses dias no feed RSS do Jornal de Ciência que criei:

     

    default user iconTom ‒ quinta, 19 julho 2007, 14:20 -03 # Link |

  6. Tom escreveu:

    Destaco alguns trechos do 1° artigo do meu comentário anterior:

    Morales [presidente da Sociedade Brasileira de Biofísica e pesquisador do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro] ilustrou o debate com a apresentação do projeto de lei 3.964, de 1997, que dispõe sobre a criação e o uso de animais para atividades de ensino e pesquisa. Segundo o pesquisador, o ponto alto do projeto de lei, que há uma década tramita na Câmara dos Deputados, é a proposta de criação do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Consea). [...] o conselho fiscalizaria e garantiria boas práticas dos experimentos com animais, restringindo sua utilização às instituições credenciadas.

    “Se aprovada, essa lei federal protegeria os animais, permitindo sua utilização racional, mas também beneficiaria os próprios pesquisadores, que estão expostos à vulnerabilidade do modelo de regulamentação atual e também às leis regionais que podem ser criadas”, disse Morales à “Agência Fapesp”.

    Ou seja, mais uns bons anos para a situação ficar adequada, tendo o congresso e população que temos...

    Outros trechos: 

    “Com raras exceções, é impossível descobrir um novo medicamento e aplicá-lo para tratamento em seres humanos sem que antes sejam feitos testes com animais. Por isso, é utópico, atualmente, pensar em extinguir esse uso em pesquisas”, Morales.

    Mesmo Octavio Presgrave, pesquisador da Fiocruz, que defende alternativas ao uso de animais em práticas de ensino, afirma:

    “Hoje, temos muito mais ferramentas para deixar de usar animais no ensino do que nas pesquisas. Diversas alternativas de aprendizagem por meio de vídeo, simuladores e modelos plásticos permitem um nível de ensino cada vez mais próximo da realidade”.

     “Muitos desses métodos são válidos, com bom potencial de aplicação experimental, apesar de não terem sido validados. Como ainda não é possível substituir os animais nas pesquisas e no ensino, seu uso tem que se basear em condutas éticas e morais”.

    default user iconTom ‒ quinta, 19 julho 2007, 18:00 -03 # Link |

  7. Tom escreveu:

    Fresquinho do Jornal da Ciência:

     “A experimentação animal ainda é insubstituível nas pesquisas médicas e veterinárias. Ela permite a geração de conhecimento como fonte de transformação dos indivíduos e a produção de tecnologia. É importante que a sociedade encare os cientistas com mais confiança”

    Eis a íntegra do documento no link abaixo, assinado por Nancy A. Rebouças (FeSBE), Marcelo Morales (Sociedade Brasileira de Biofísica), Marcel Frajblat (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal); Wothan T. Lima (Comissão de Ética em Experimentação Animal - ICB/USP), todos membros da diretoria da Federação de Sociedades de Biologia Experimental:

    Princípio da Razoabilidade, sobre Experimentação Animal, carta da Federação de Sociedades de Biologia Experimental

    E uma reportagem divertida sobre uma  criação científica, capa da Nature, que também acabo de ver:

    Cientistas criam adesivo com 'partes' de lagartixa e mexilhão

    O que não pode ocorrer é isso:  Cientista holandês Marc Van Roosmalen, acusado de biopirataria, está preso na Cadeia Pública de Manaus desde sexta-feira última, dia 13

    default user iconTom ‒ quinta, 19 julho 2007, 19:09 -03 # Link |

  8. Renato escreveu:

    Quando fiz laboratório de bioquímica, matamos (ou melhor, a técnica do lab matou) ratinhos na guilhotina pra usar o fígado (segundo o prof, ia ter que matar pra usar os cérebros deles de qualquer jeito). Pra quem não se perturba com isso, meus bixos fizeram uns vídeos da experiência no ano seguinte, que podem ser baixados em http://www.cecm.usp.br/~rend/ratinhos/

    Teve uma veterana (não lembro quem =/ ) que se revoltou e pesquisou o assunto, e propôs um experimento alternativo usando batatas (se eu lembrar quem é eu pergunto a referência), que parecia perfeitamente viável, mas o prof não aceitou.

    Eu não costumo ser muito solidário com relação a animais...eu gosto de comer carne, e acho que se é necessário pra pesquisa, então tem que usar e pronto, mas é claro que em certas situações é perfeitamente evitável - nesse caso, por exemplo (o custo de umas batatas é bem menor do que o de criação dos ratinhos hhehehe - mas o prof usou como argumento que ia precisar deles de qualquer jeito...)

    Pra fechar bem, uma tirinha do pbf :p

    http://pbfcomics.com/?cid=PBF083AD-Executive_Decision.jpg

    Renato Mendes CoutinhoRenato ‒ sexta, 20 julho 2007, 00:46 -03 # Link |

  9. Renato Callado Borges escreveu:

    Tom, sobre o cientista preso, o artigo não dá detalhes da prisão, por que você afirma que "isso não pode ocorrer"? Será que ele não fez nada ilegal, como tentar embarcar espécimes amazônicos sem autorização?

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ sexta, 20 julho 2007, 09:36 -03 # Link |

  10. Tom escreveu:

    É Renato Callado, viajei. Pensei que ele já havia sido julgado por biopirataria, mas foi, até o momento, apenas acusado. Já vi alguma matéria na TV (um programa da TV Cultura que o nome não me vem a cabeça) sobre a prática indiscrimina de biopirataria na Amazônia, por cientistas estrangeiros e brasileiros, e acabei me confundindo.  Isso que não pode ocorrer, mas nem sei se existem leis adequadas sobre isso na nossa republiqueta.

    default user iconTom ‒ sexta, 20 julho 2007, 11:17 -03 # Link |

  11. Walrus escreveu:

    Renato, faço minha as suas palavras. Agora somos dois querendo saber Everton, por quê isso que está descrito no artigo não pode ocorrer? Está dizendo que biopirataria não deve ser considerado crime?

    default user iconWalrus ‒ sexta, 20 julho 2007, 11:55 -03 # Link |

  12. Walrus escreveu:

    Nossa, você não sabe se existe tais leis mas acaba de indicar um artigo descrevendo uma prisão DEVIDO a prática de biopirataria. Acha que se não existisse lei referindo-se a isso, a prisão do cientista acima poderia ocorrer?

    default user iconWalrus ‒ sexta, 20 julho 2007, 11:57 -03 # Link |

  13. Renato Callado Borges escreveu:

    É, Tom, todo mundo diz "a Amazônia é nossa".

    Quanto a Leis, eu suponho que existam as leis sim, afinal, o Brasil tem as melhores leis do mundo. Só falta cumpri-las.

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ sexta, 20 julho 2007, 11:58 -03 # Link |

  14. Walrus escreveu:

    No Jorna da Ciência existe um bom artigo descrevendo a situacão atual de leis referindo-se a biopirataria.

    default user iconWalrus ‒ sexta, 20 julho 2007, 12:03 -03 # Link |

  15. Walrus escreveu:

    Ok, o artigo é de 2004 e não descreve a situacão atual, já que depois de 2004 as leis propostas que regulamentarias as punicões aplicadas devido a biopirataria foram vetadas. Aparentemente a situacão atual da lei não é lá essas coisas.

    default user iconWalrus ‒ sexta, 20 julho 2007, 12:13 -03 # Link |

  16. Maurício de Paula Kanno escreveu:

    caramba... este post foi polêmico... (gostaria de ter mais tempo estes dias pra discutir e pesquisar, saco; bem, talvez valha fazer uma reportagem mais a fundo depois)

    Maurício KannoMaurício de Paula Kanno ‒ sexta, 20 julho 2007, 12:39 -03 # Link |

  17. Tom escreveu:

    Putz! Por que será que a lei contra biopirataria foi vetada? Chorando  Acho que agora deixei claro que para mim o que não pode ocorrer é a biopirataria.

    Quem quiser ver o que está sendo para tentar acabar com biopirataria, entre em http://www2.camara.gov.br/proposicoes e procure por "biopirataria" que você acharão 63 itens. O mais recente é a proposição INC-695/2007, do deputado Carlos Souza PP/AM que diz: "Sugere ao Ministério da Justiça que sejam adotadas providências determinativas para o combate à biopirataria na Amazônia."  Só dia 12/7/2007 que a proposta foi encaminhada a CCP (o que significa isso, Comissões de Conciliação Pévia?).

     

    default user iconTom ‒ sexta, 20 julho 2007, 13:53 -03 # Link |

  18. Walrus escreveu:

    No site do INBRAPI possui mais informacões sobre o motivo do veto. Como a formatacão no site está horrível (barra de navegacão horizontal!) posto aqui a notícia (de 2005): 

    A Assembléia Legislativa do Estado (ALE) aprovou ontem o veto total do Poder Executivo à Lei da Biodiversidade – que tinha como objetivo combater a biopirataria. A lei demorou um ano e quatro meses para ficar pronta e consumiu R$ 69 mil dos cofres públicos.

    Iniciativa do presidente da Casa, Lino Chíxaro (PPS), a lei dispunha sobre o acesso e a proteção ao patrimônio genético da biodiversidade, ao conhecimento tradicional associado e à repartição de benefícios no Estados do Amazonas.

    Lino, que chegou a declarar que a Lei da Biodiversidade era o mais importante projeto de sua vida parlamentar, recebeu um telefonema do governador Eduardo Braga (PPS) antes do envio do veto à ALE.

    Segundo o deputado, o governador explicou que estava vetando o projeto em função de aspectos inconstitucionais encontrados nele por técnicos do Governo, mas que aproveitaria – em uma nova versão da Lei a ser proposta pelo Executivo – todo o estudo feito pelo Grupo de Trabalho de Assessoria e Articulação (GTAA).

    Lei da Biodiversidade morre com o veto do Governo
    Por 11 votos a 5 a Assembléia Legislativa acatou o veto total do governador Eduardo Braga à Lei da Biodiversidade, cuja elaboração gastou tempo e recursos do Parlamento estadual neste ano de 2004. Segundo o líder do Governo e relator da matéria, deputado Vicente Lopes (PPS), o veto governamental foi embasado na inconstitucionalidade do projeto, que criava cargos na estrutura administrativa do Executivo.

    Para o líder do PC do B, Eron Bezerra, a manutenção do veto total à lei que protegeria o banco etnobiogenético do Amazonas, tem conotações contraditórias, pois a maioria dos parlamentares aprovou a sua criação, gastando muito tempo e consideráveis recursos para formata-la, ouvindo cientistas e até juristas renomados nacionalmente.

    Houve acerto para o veto à Lei da Biodiversidade O presidente da Assembléia Legislativa do Estado, deputado Lino Chíxaro (PPS), disse que houve um acerto com o governador Eduardo Braga para que a Lei da Biodiversidade recebesse veto total do Executivo, este ano, em razão de alguns erros que culminariam com a criação de cargos na estrutura administrativa, tornando-se o projeto inconstitucional.

    De acordo com as conversações entre o Governo e Assembléia, o projeto, já devidamente enxuto, com todas as arestas aparadas e constitucionalmente perfeito, deverá retornar ao plenário em 2005 para apreciação e votação. A Lei da Biodiversidade objetiva proteger o banco etnobiogenético do Amazonas, servindo de parâmetro para que outras unidades da Federação criem seus próprios mecanismos de defesa ambiental, dificultando a ação da biopirataria.

    O projeto de lei foi criado depois que um grupo de cientistas, ambientalistas, políticos, juristas e estudiosos de diversas áreas passaram parte dos anos de 2003 e 2004 apreciando o assunto, sob o comando do GTAA (Grupo de Trabalho, Ação e Assessoria), criado pela Assembléia Legislativa e chefiado pelo professor Frederico Arruda, da Universidade Federal do Amazonas.

    Recursos superiores a 65 mil reais foram gastos pelo legislativo estadual para a formatação desse projeto, cujo veto do governador Eduardo Braga foi mantido pelo plenário da ALE, na reunião desta terça-feira (28) por 6 votos a 11.

    default user iconWalrus ‒ sexta, 20 julho 2007, 14:06 -03 # Link |

  19. Ewout ter Haar escreveu:

    O que não pode ocorrer é isso:  Cientista holandês Marc Van Roosmalen, acusado de biopirataria, está preso na Cadeia Pública de Manaus desde sexta-feira última, dia 13

    Bom, sendo holandês talvez sou suspeito pra falar e não conheço bem o caso mas

    1. Uma busca no Google parecem indicar que é um cientista legítima (o que não quer dizer que é incapaz de biopirataria, claro)
    2. o amigo me disse que ele mora no Brasil já faz muito tempo, empregado por algum órgão do governo, etc. E que é um cara chato que já brigou com um monte de gente.
    3. Já houve problemes em 2002: http://edition.cnn.com/2002/WORLD/americas/07/30/brazil.monkey . "Van Roosmalen said he applied for permissions from Ibama in 1996, 1998 and 2000 but has yet to hear back." A Ibama tem fama de ser uma burocracia lenta no melhor dos hipóteses e cheio de corrupção no pior.

    Me parece que este caso em particular não tem nada a ver com biopirataria e tudo com brigas pessoais entre pessoas. Sei lá, aqui na Física tem gente querendo resolver as brigas pessoais na Justícia, o mundo acadêmico é sujo (talvez como o mundo real, que não conheço bem...)

    Alias, a palavra bio-pirataria, se entendo bem, é usado no caso de lucro por não-brasileiros usando  conhecimento obtido a a a partir de recursos naturais brasileiros. O uso da palavra pirataria é irónico, tendo em vista que normalmente esta palavra é usado para justificar a restrição ao cultura e conhecimento ao mundo em desenvolvimento por parte do mundo desenvolvido. Acredito que é possível manter uma posição intelectualmente consistente afirmando o direito brasileiro de restringir a divulgação do conhecimento e ao mesmo tempo que conhecimento deve ser livre para compartilhar com todos. Mas é um raciocinio sutíl, não é simples. 

    Ewout ter HaarEwout ter Haar ‒ sexta, 20 julho 2007, 22:20 -03 # Link |

  20. Maurício de Paula Kanno escreveu:

    Olá, Tom, Renato e Ewoult. Que bom que se interessaram pelo tema. Bem, mas a discussão acabou indo para assuntos que não eram meu objetivo aqui; a tal biopirataria, é claro, também sou contra, mas mais pelo sofrimento e mortes frequentemente causados aos animais nesse processo. Pelo que parece, a discussão aqui está mais concentrada na questão patriótica e econômica, o que não é meu foco.

    Minha atenção era basicamente chamar a atenção para o lado ético de se matar animais para experimentos. Não é questão de "ai, que dó", mas de humanidade, no melhor sentido da palavra, não se referindo, é claro, apenas a seres humanos. Parece que o ser humano se decidiu como o soberano da Terra, e não se importa muito em submeter seus colegas de planeta Terra. E não, Tom, não acho que seja justo se sacrificar ou torturar animais que não têm culpa nenhuma para testes de remédios, drogas, cosméticos. Fora que grande parte dos produtos testados em animais não são realmente essenciais ao ser humano, como os tais cosméticos; tudo pela vaidade. 

    Quanto a discutir alternativas para seu uso no ensino e formação de médicos e etc., eu realmente não pesquisei a fundo o assunto, nem sei de viabilidades econômicas. Só o que sei é que são criaturas que também correm, sentem, etc., e não podemos continuar a "utilizá-los" desta maneira, considerando-os como criaturas inferiores, que se pode usar à vontade. Os seres humanos não se podem julgar "superiores" assim, nem nossa ciência, etc. 

    Ok, isso pode parecer para alguns ingênuo e radical... Mas é o que julgo (há um ano atrás, não me importava muito com isso... Mas cada vez mais tenho refletido nessa nossa relação com os outros animais do planeta). Enfim, havendo alguma reflexão de alguém nesse sentido, para mim já está ótimo.


    :)

    Maurício KannoMaurício de Paula Kanno ‒ sexta, 20 julho 2007, 23:00 -03 # Link |

  21. Renato Callado Borges escreveu:

    Olá Maurício! Bem, já que você pediu, lá vai minha reflexão sobre o assunto.

    Nós, seres humanos, caminhamos na direção da hiperpopulação.

    Creio que em breve chegaremos a um ponto em que teremos de substituir a economia de abundância (o tal consumismo) por uma economia de extremos (provavelmente o preço de tudo será muito maior - quem é rico poderá ter padrão classe média e quem não é será miserável).

    Numa situação dessas, quem tiver mais filhos do que pode sustentar terá de escolher qual dos filhos passa fome (isso já acontece hoje, em menor escala).

    Animais de estimação serão coisa do passado ou de pessoas grotescamente ricas (vide Blade Runner).

    Reservas ecológicas serão apenas as estritamente necessárias para evitar um segundo cataclisma ecológico (o primeiro tem que vir para aprendermos tomando na cabeça). Essas reservas terão de ser policiadas constantemente para os miseráveis não invadirem e comerem os bichos e as plantas.

    Enfim, o futuro na minha opinião é cada vez pior (pois quanto mais próximo o abismo, mais profundo ele parece).

    Minha reflexão é a seguinte: tendo em vista a gravidade dos problemas que enfrentamos, "ter dó dos animais" é a última das minhas preocupações. É muito, mas muito mais importante educar as pessoas do que resolver os problemas sejam de ecologia sejam de humanismo. Somente através da educação podemos esperar que, no futuro, as pessoas consigam se adaptar a condições extremas.

    Sendo explícito, comunismo primeiro e humanismo depois. 

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ sábado, 21 julho 2007, 08:19 -03 # Link |

  22. Maurício de Paula Kanno escreveu:

    concordo com vc, mas em outra óptica; é preciso educar as pessoas sim, com certeza, mas tendo sempre em vista limites éticos e ecológicos.

    quando se pensa em "educação", deve se pensar sempre em "educação para quê". não como um fim por si só. e é isso o que espero dela:

    como se costuma dizer, a vida é o bem mais precioso a se respeitar. (e até por isso os hospitais não podem entrar em greve.) deste modo, a educação do ser humano deve sempre se basear no respeito à vida, mas não só do ser humano. até porque, o "pensar ecológico", significa pensar nossa relação com as demais espécies. o que esta "educação" penso que deveria ter mais como foco, menos do que um padrão tecnicista, é um de respeito pelo diferente, seja ele um ser humano diferente, seja uma espécie diferente. 

    aliás, reparar no seguinte: durante uns séculos neste nosso país, os seres humanos negros também eram considerados outra espécie, e você podia "usá-los" como achasse melhor, comprar, vender, jogar fora, etc. 

    Não que eu seja lá adepto convicto do anarquismo, mas só porque você falou em comunismo, cito uma frase atribuída a Mikhail Bakunin:

    "A liberdade sem o socialismo é a injustiça, o privilégio;
    o socialismo sem a liberdade é a escravidão, o embrutecimento."

    E é claro, interpreto essa liberdade não só para os humanos. 

    Uma realidade futura sem "animais de estimação" poderia até existir; mas que eles vivam em seu ambiente natural, por exemplo. Um caminho em que se acabe cada vez mais com os ambientes naturais e as vidas de outras espécies, sem respeito por elas, é simplesmente caótica para o planeta. (Aqui já saindo do foco principal do post, mas enfim, apenas continuando a sua reflexão. :))

    ah, e claro; percebe-se que estamos num caminho de hiper-população e exageros... mas a tal educação (aliada à gestão pública) também deve servir para contornar isso, não para continuar nesse caminho. o próprio automóvel, e a idéia antiga de que todos deveriam ter seu próprio carro são absurdos para a coletividade, por exemplo.

    Maurício KannoMaurício de Paula Kanno ‒ sábado, 21 julho 2007, 14:11 -03 # Link |

  23. Renato Callado Borges escreveu:

    Mauricio, todos os pontos que você levantou me parecem corretos, mas nao há uma unidade entre eles.

    A unidade que eu penso é a unidade da sobrevivência e do egoísmo ilustrado. Em poucas palabras, cada um por si, mas sabendo que a miséria dos outros irá afetar a própria pessoa, e portanto por egoísmo devemos ser altruístas.

    Eu gostaria de fazer algumas perguntas para você: como jornalista, você concorda que a única maneira de provocar as pessoas sobre o problema dos animais de laboratório é lançando mão de argumentos apelativos (vide a charge do Renato Coutinho)?

    Uma vez chamada a atenção, deveria se utilizar essa atenção para informar a respeito das condições reais do problema (por exemplo, entrevistando alunos, professores e coordenadores - estes últimos pelo aspecto econômico da coisa)? 

    Como cidadão, você concorda que é mais importante o cirurgião do hospital público saber manejar um bisturi do que, digamos, meia dúzia de cães e gatos viverem?

    E uma última: você acredita que resolver esse problema deveria ser uma prioridade para os brasileiros? 

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ domingo, 22 julho 2007, 08:05 -03 # Link |

  24. Maurício de Paula Kanno escreveu:

    oi, rafael, obrigado pela atenção na discussão do tema. infelizmente, não poderei mais me dedicar a ela neste momento, mas espero responder na semana que vem. (estou apinhado de trabalho!)

    mas obrigado pela pressão argumentativa, isso é muito importante para a reflexão bem fundamentada. pode deixar que vou pensar nos seus pontos. :)

    Maurício KannoMaurício de Paula Kanno ‒ domingo, 22 julho 2007, 09:14 -03 # Link |

  25. Maurício de Paula Kanno escreveu:

    Bem, conforme prometi, após uma semana, cá estão minhas humildes respostas para suas questões:

    Mauricio, todos os pontos que você levantou me parecem corretos, mas nao há uma unidade entre eles.

    Bom, a unidade pretendida foram os direitos da vida, principalmente dos animais, ignorados.

     A unidade que eu penso é a unidade da sobrevivência e do egoísmo ilustrado. Em poucas palabras, cada um por si, mas sabendo que a miséria dos outros irá afetar a própria pessoa, e portanto por egoísmo devemos ser altruístas.

    Tudo bem, você pode até pensar assim, se quiser, é uma maneira de encarar as coisas; mas penso inicialmente por princípio ético de respeito pela vida senciente (ser consciente capaz de sentir dor ou alguma fruição).

    Eu gostaria de fazer algumas perguntas para você: como jornalista, você concorda que a única maneira de provocar as pessoas sobre o problema dos animais de laboratório é lançando mão de argumentos apelativos (vide a charge do Renato Coutinho)?

    Como jornalista e como ser humano, discordo parcialmente de que a única maneira de chamar a atenção das pessoas sobre o tema é lançar mão de argumentos apelativos. Repare que, neste blog, fiz exatamente isso, eu chamei a atenção de vocês sobre o tema, utilizando-me apenas de uma divulgação de petição, leis, argumentos lógicos e... sim, apelo humanitário, pela vida. Aí temos que pensar no que é "ser apelativo". Sempre que procuramos chamar a atenção de alguém para algo, precisamos apelar para algum valor; seja ele valor monetário, valor humanitário, valor religioso, valor ambiental, valor sentimental, valor sexual, enfim.

    Aliás, não sei que charge é essa a qual se refere, poderia passar o link? 

    Como cidadão, você concorda que é mais importante o cirurgião do hospital público saber manejar um bisturi do que, digamos, meia dúzia de cães e gatos viverem?

    Como cidadão e como ser humano, antes lhe chamo a atenção de que não é meia dúzia de cães e gatos que são assassinados (ou são mortos, como preferir; mas reparar que como eles são pegos totalmente indefesos, o termo mais correto seria assassinar) por práticas experimentais para a formação de um médico. Não arrisco um número, mas com certeza é muuuito superior ao seu.

    Depois disso, gostaria de lhe dizer que não caio nessa de hierarquizar vidas. Vidas humanas não são assim superiores a vidas de outros animais, nem vidas de outros animais superiores a vidas humanas. Assim, o que se deve pensar é em buscar uma forma conciliatória de lidar com a tragédia. 

    E uma última: você acredita que resolver esse problema deveria ser uma prioridade para os brasileiros?

    Com certeza acho que resolver isso deveria ser uma prioridade para os brasileiros. Afinal, você mesmo apontou, anteriormente, que esse fato é uma tragédia. E tragédias, a não ser as teatrais, com certeza devem ser evitadas. Vamos lembrar o que você disse antes:

    Eu concordo que é uma tragédia. Você não concorda que, para mudar a situação, é necessário apresentar primeiro uma proposta de educação alternativa, incluindo nessa proposta sua viabiliade econômica?

    Gostaria de retomar esta sua primeira pergunta, então. Minha resposta é discordo. Não sou especialista no assunto; então, quis primeiro mostrar e divulgar a gravidade da situação, que é uma tragédia, como você mesmo concorda, então ótimo, estamos de acordo. A partir daí, vamos pensar, juntos, em soluções para o caso.

    Imagine só se você descobrisse que o posto de saúde do seu bairro está sem remédios (para ficar em algo que também envolve a vida); ou descobrisse uma chacina na favela próxima; ou um menino fosse arrastado por quilômetros. Você iria ficar pensando em diversas soluções infalíveis sob o ponto de vista sociológico, orçamentário, político, filosófico, primeiro, antes de denunciar a situação? NÃO! Quando você percebe algo alarmante, a primeira coisa a fazer é GRITAR, para reunir pessoas que também se sintam constrangidas com a situação e pensar então juntos; além de fazer pressão para que autoridades pensem mais no caso; e os tais especialistas também.

    Maurício KannoMaurício de Paula Kanno ‒ sábado, 28 julho 2007, 01:08 -03 # Link |

  26. Renato Callado Borges escreveu:

    Primeiro eu! Os bichos que se danem!

    Creio que você conseguiu detectar exatamente em que ponto nós discordamos: eu acredito que existe uma hierarquia sim.

    Ao contrário do que pensam os consumistas, os recursos do planeta são limitados e isso implica em escolhas.

    Num país como o Brasil, cheio de miseráveis, além das escolhas normalmente necessárias ainda temos a responsabilidade de sermos privilegiados que sabem ler, escrever e  que podem digitar de vez em quando.

    Portanto, devemos agir de maneira sustentável e comunista.

    O Brasil precisa de cirurgiões! No que depender de mim, que matem até os animais em extinção, se essa for a maneira mais barata de formar cirurgiões. A vida de um ser humano analfabeto, velho, incapaz, "nas últimas", vale infinitamente mais que todos os Pandas do mundo, juntos.

    Agora, como eu disse, devemos agir de maneira sustentável. É óbvio que essa maneira emergencial de formar cirurgiões,  exigida pelas circunstâncias mundias e brasileiras, não é sustentável. Concordo que devemos mudar, mas não por sentimentalismo - eu estou me lixando pro fato de os animais sofrerem - essa maneira de formar cirurgiões é insustentável pois destruindo espécies destruiremos eventualmente o ecossistema e aí bau-bau.

    Mas eu acredito em hierarquia.

     Logo, primeiro salvar vidas humanas, depois salvar vidas não-humanas.

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ sábado, 28 julho 2007, 07:58 -03 # Link |

  27. Maurício de Paula Kanno escreveu:

    Creio que seu discurso exagerou bastante desta vez... Primeiro concorda que é uma tragédia o que acontece na matança de animais, depois fala "os bichos que se danem".

    E é claro, somos humanos, temos mais identificação com os nossos semelhantes. Mas não é por isso que não precisamos nos preocupar com quem não é tão semelhante, mas ainda assim tem semelhanças. Lembre-se, aliás, que todos os seres temos parentescos evolutivos.

    E eu não fico falando em termos sentimentais não; em termos ambientais e humanitários. Não é tadinho, tadinho, não; a coisa é séria. 

    Você está simplesmente admitindo de antemão que não é possível fazer nada para conciliar as existências das espécies. É claro, preocupemo-nos com os humanos; mas também seria importantíssimo preocuparmo-nos, ao menos um pouco, com nossos parentes evolutivos, e não fazê-los "se danar".

    Agora, você repete a questão do "comunismo" e da "sustentabilidade". Pois bem, você já disse que a metodologia que você mesmo propõe não é sustentável, então está se contradizendo (quem disse que realmente é matar animais é necessário mesmo por uma questão emergencial?); agora, onde entra o "comunismo" neste caso? 

    Maurício KannoMaurício de Paula Kanno ‒ sábado, 28 julho 2007, 10:56 -03 # Link |

  28. Renato Callado Borges escreveu:

    É muito simples, na verdade: eu não tenho como saber disso com certeza, pois seria necessária um pesquisa detalhada para saber valores, mas deveria custar, digamos, X bilhões de reais por ano para educar todas as crianças brasileiras. Deveria custar por volta de Y bilhões de reais por ano para educar todos os médicos brasileiros com simuladores ao invés de cães de rua. No momento, os políticos exigem que todos os Z bilhões do orçamento vão para os seus bolsos.

    Primeiro eu: primeiro lutemos pela educação, os bichos que se danem. Depois os bichos: uma vez garantido o mais importante (bem-estar humano), aí busquemos o bem-estar animal. Mas o bem-estar humano imediato exige o sacrifício dos animais. Mas o bem estar humano futuro exige o não-sacrifício dos animais. Percebes que o problema é um problema de tempo?

     Eu não estou sendo incoerente propositadamente: estou tratando o assunto "ao longo do tempo" afinal de contas isso não vai se resolver do dia para a noite; além do mais ninguém aqui afirma ser especialista no assunto, então o objetivo é aprendermos juntos, o que significa errarmos juntos.

    Pra simplificar: a situação é péssima; vamos primeiro arrumar o que comer pra todos, depois educar a todos, depois saúde pra todos, depois morar pra todos, depois sustentabilidade e depois lidar com as perfumarias, ok? 

    Mas as coisas não funcionam assim sequencialmente: não podemos "jogar fora" o SUS e outras coisas, aliás o que já temos institucionalmente é necessário para sustentar um projeto de alimentação que realmente funcione. Então vamos manter o que temos e melhorar/criar o que mais precisa, ou seja, comida (leia-se distribuição de renda). Assim que isso estiver resolvido satisfatoriamente, teremos de manter isso e melhorar/criar saúde. Depois moradia, depois isso, depois aquilo. Eventualmente chegaremos nos cães de rua.

    Você percebe que a coisa é mais ou menos "acumulativa"? Só que tudo o que acumulamos precisamos manter, ou seja, as pessoas precisam comer todo dia, precisam ter saúde todo dia, etc, etc.

    Não vou explicar tudo tim-tim por tim-tim pois você poderá me acusar de ter deixado de ser aparentemente incoerente para ser aparentemente sarcástico.

    Só quero deixar claro que "me dói o coração" ver uma criança pedindo esmola, um cão de rua cheio de sarna e outras situações evidentemente horríveis. Sempre penso numa situação assim que gostaria de resolver o caso eu mesmo, seja com dinheiro, seja com ação. Mas eu não tenho dinheiro suficiente para resolver o problema de todas as crianças nem tempo para todos os cães. O que eu posso fazer agora e sempre é trabalhar tanto quanto puder na "direção certa". E, claro, proselitizar, tal como estamos fazendo aqui, afinal de contas é barato e aumenta as chances de resolver os problemas.

    Mas só pra deixar mais claro (sem sarcasmo): cada um trabalha como pode. Eu ainda não recebo rios de dinheiro, mas se e quando receber, não vou ficar entesourando. Alem disso estudo com o intuito de no futuro produzir software livre científico, essa é minha maneira de lutar. E não creio que nossa divergência seja infrutífera: precisamos de gente pensando no futuro, com sustentação ao longo do tempo, e de gente que pensa no agora e grita com voz forte. Kudo's pra você. ("Kudo" é gíria de programador para "Valeu!")

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ domingo, 29 julho 2007, 08:24 -03 # Link |

  29. Maurício de Paula Kanno escreveu:

    Fantástico. É isso aí. Grato pelo investimento de tempo para escrever tudo isso, eheh. Pois bem, com certeza é ótimo que tenhamos conversado; o importante é saber que há pessoas que se importam com a humanidade e a "animalidade", como projeto atual e futuro, e com diferente prioridades para diferentes setores.

    Para mim, com certeza também desejo, claro, que os hospitais públicos humanos sejam otimizados e a distribuição de renda melhorada; mas na atual situação, no que toca aos animais, que realmente são os que mais sofrem entre todas as classes, uma pequena vitória de redução de 1% em seus "sacrifícios" já seria comemorada. Mas é porque quase ninguém pensa neles que algumas pessoas precisam começar a pensar. Senão seu número de mortes só vai aumentar e não vai nem se pensar em algumas alternativas quando possível.

    (Por favor, só não admito que se chame à preservação das vidas animais como "perfumaria"; "perfumaria" é o que o próprio nome diz: perfumes, cosméticos, drogas, cigarros, bebidas alcoólicas, por exemplo, muitos dos quais testados em animais até sofrerem com vários efeitos colaterais e morrerem.)  

    Maurício KannoMaurício de Paula Kanno ‒ domingo, 29 julho 2007, 10:48 -03 # Link |

  30. escreveu:

    O ilustre colega faz referencia a um artigo de minha autoria.

    Sou grato pela citaão e referencia a este trabalho sobre Bioética.

    Indago se é interesse de sua parte ter um retrato meu para associar ao lado do artigo.

    Atenciosamente

    Carlos Andre Cursino Roriz andrero@cnpq.br

    default user icon ‒ terça, 22 janeiro 2008, 08:58 -02 # Link |

  31. Maurício Kanno escreveu:

    É engraçado ver este debate após quase um ano, nossa, como se passou tempo desde que comecei a atuar aqui no Stoa... E é interessante também ver como eu realmente tinha algumas idéias, mas bem embrionárias ainda, sem entender ainda muito suas justificativas... 

    Maurício KannoMaurício Kanno ‒ terça, 29 abril 2008, 02:13 -03 # Link |

Você deve entrar no sistema para escrever um comentário.

Termo de Responsabilidade

Todo o conteúdo desta página é de inteira responsabilidade do usuário. O Stoa, assim como a Universidade de São Paulo, não necessariamente corroboram as opiniões aqui contidas.