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Stoa :: Maurício Kanno :: Blog :: Cobertura da mídia, termos "radical", "ditadura" e "terrorista" e nossa visão de Israel, Palestina e outros internacionais

janeiro 11, 2009

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Postado por Maurício Kanno

há muita crítica à "grande mídia" fazendo seu trabalho. se não é essa mídia, gostaria de saber qual é a sua fonte.

por exemplo, lembremo-nos de que, até o momento, desde 27 de dezembro, mais de 800 palestinos e 13 israelenses morreram nessa guerra. luana paluto disse "que não tenha dúvida" de que todas as vítimas de Israel são terroristas. mas de acordo com matéria publicada na Folha Online (com agências internacionais), "segundo fontes médicas locais, metade dos palestinos mortos nos últimos confrontos são civis". é claro que compreendo o que luana quer dizer: um civil pode muito bem ser um terrorista. mas atenção: não é necessariamente!

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matérias publicadas pela Folha (como a que acabei de citar) costuma chamar certos governantes de "ditadores", e certos grupos de "radicais", e outros não. não gosto disso... o próprio Manual de Redação da Folha orienta:

"Ditadura: use com critério esse termo, que significa dominação de uma sociedade por uma pessoa ou um pequeno grupo. É melhor qualificar regimes autoritários de uma maneira objetiva: governo militar; regime cujo presidente está no poder há 25 anos; regime de partido único."

se buscar matérias na Folha Online sobre Fidel Castro, por exemplo, pode-se verificar que muitas delas publicam antes o prefixo "ditador" (mas nem todas).

especialmente a palavra "radical" é muito complicada de se ficar atribuindo a uns grupos sim, a outros não. o que seriam posturas radicais? imagino que isso seja atribuído pela histórica atividade do grupo ou governante, enfatizando o uso de violência (e que tipo de violência?)... espero que o próximo manual da Folha inclua um verbete "radical" tb pra orientar a respeito. 

=

convido ao leitor que publique trechos de matérias publicadas, com análises breves específicas do uso da linguagem pela grande mídia (e tb talvez pequena mídia) mostrando que representações e conceitos os jornalistas e empresas estão produzindo com isso. 

alexandre simionato bueno, por exemplo, escreveu: "Agora o que enche o saco mesmo é a cobertura da guerra pela mídia tupiniquim e os "comentários" de jornalistas e leitores. O festival de abobrinhas é grande e, como de hábito, tudo virou uma imensa batalha entre PT e PSDB. Os de lá dizendo que Israel é ligada umbilicalmente aos EUA e os de cá afirmando que a esquerda é boa em condenar Israel mas tolera o Fidel."

poderia citar exemplos específicos de matérias representativas da sua percepção? (convite feito inclusive ao alexandre)

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 3 usuários votaram. 3 votos

Comentários

  1. Maurício Kanno escreveu:

    sugiro atenção tb à maneira como alguns fora da grande mídia utilizam adjetivos. o próprio colega de Stoa Gabriel de Andrade Fernandes escreveu: "Israel, antes considerado o único "estado democrático" do Oriente Médio, hoje se transforma em uma ditadura suja e violenta." e "atitude do governo terrorista de Israel".

    dê só uma olhadinha nos verbetes Terrorismo e Ditadura da Wikipédia... ou, claro, tb outras fontes enciclopédicas e acadêmicas. 

    Maurício KannoMaurício Kanno ‒ domingo, 11 janeiro 2009, 21:58 -02 # Link |

  2. Ewout ter Haar escreveu:

    Dei uma olhada nas primeiras páginas  neste momento.

    Folha: "O ditador egípcio, Hosni Mubarak", Veja (esse era previsível...): "o grupo radical islâmico Hamas". O Estadão e o G1 usam aparentemente as agências internacionais com a sua linguagem extremamente neutra.

    Gostei deste texto no Economist:  http://www.economist.com/opinion/displayStory.cfm?story_id=12899 : não é artificialmente neutro, dá uma opinião sem ser partidário, mostra a história concisamente. Off-topic: o Economist somente publica cartas do leitor contendo críticas das suas matérias.  Compare e contraste com revistas brasileiras: a grande maioria somente publica cartas elogiando as matérias.

    Ewout ter HaarEwout ter Haar ‒ domingo, 11 janeiro 2009, 22:33 -02 # Link |

  3. gabriel escreveu:

    não se esqueça, maurício, que frases retiradas de seus contextos também podem ser nocivas ao debate

    minhas citações acima podem parecer parte de um discurso vazio, repleto de palavras de ordens sem sentido. No entanto, eram parte de um contexto de crítica a um Estado que se recusa a dialogar e a reconhecer o direito dos palestinos e parte para uma matança irracional regada a limpeza étnica, impedindo até mesmo seus cidadãos de posicionarem-se contra a guerra (ao negar o direito à objeção de consciência). Ou seja: é criada uma ditadura que pratica terrorismo de estado.

    gabriel fernandesgabriel ‒ domingo, 11 janeiro 2009, 22:54 -02 # Link |

  4. Francisco M Neto escreveu:

    Dizem que tudo tem uma primeira vez.

    Pois eu concordo com vc, Maurício. Outro dia vi no JN que um terço dos palestinos mortos são crianças.

    UM TERÇO.

    Acho, no mínimo, curioso dizerem que "todos os palestinos mortos são terroristas". Isso significa que as ~ 230 crianças mortas eram terroristas. Huh. 

    default user iconFrancisco M Neto ‒ quinta, 15 janeiro 2009, 03:40 -02 # Link |

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