Stoa :: Lu Medeiros :: Blog :: Sobre Liberdade

julho 24, 2010

default user icon
Postado por Lu Medeiros

Sou uma pessoa visceral. Em tudo. Contra isso não há como ir. Sou assim. Aprendi que sou assim vivendo, convivendo, tentando ser blasé. Sou assim, nasci assim. Quando tá todo mundo tentando levar assuntos fortes como normais, simples, eu faço cara forte. Nem percebo. Então não tem jeito, sou eu, assim.

Queria muito ter a capacidade de sentir uma emoção impactante e não mostrar nada, nem que sim nem que não. Como em seriados americanos, os policias nos interrogatórios, um charme. CSI. Rosto de Nada.

Acontece que comigo fica tudo atropelado, a pessoa logo pergunta “ por quê?” e eu, vendida, fico tentando, na explicação, dar um nexo pro rosto, as palavras e o momento, é complicado. Palavras e rosto, palavras e rosto, diferentes.

Recentemente recebi um daqueles emails que a gente não lê, de uma amiga do tipo que a gente lê, e era sobre isso. Que a gente tem que desistir de certas coisas. Então desisto de ser blasé e, daqui por diante, mostro a minha cara. Preparem-se!

Por exemplo, sou contra a burca, por princípio. Pouco me importa se há mulheres que têm a crença de que usá-las é parte de sua cultura, que é legítimo, crença. Não é. No mundo, não é.

E elas que revejam suas posições porque esconder-se, com calor e sofrimento, nem Deus gostaria, nem Maomé, Buda, nem ninguém. É fora de propósito.

A submissão feminina que a burca impõe faz mal para o desenvolvimento humano. O exemplo é ruim, os atos violentos nas famílias de cultura árabe são hediondos, mutilação, emparedamento de mulheres “desonradas”, apedrejamento, ainda são comuns. Pessoas submetidas aos mais horríveis maus-tratos, torturadas.

Ou alguém imagina que seres humanos femininos, por causa da cultura, poderiam se submeter a tais regras por acreditar? No século 21, com internet, ou mesmo antes.

Elas seriam obnubiladas? Não teriam imaginação? Emoções? “Ah,,, elas desejam viver assim!” dizem nossos supostos intelectuais, como se elas fossem parte de uma cultura preservada na Amazônia, isolada.

Li no Estadão, outro dia, que “Mulher do ABC é pivô no caso do IR tucano”. Fiquei chocada! Por que não “Funcionária, ligada à Receita, está sendo investigada....”? . Por que Mulher? Prá deixar claro que não era Homem? Tenho certeza que o Editor não percebeu. Mas por que esta manchete? Por que não aparece “ Homem, que estava participando de racha, matou o filho da atriz”, etc e tal?

Todos os seres mais fracos neste mundo são agredidos, todos, animais ou pessoas, cotidianamente.A França tomou uma decisão difícil e inovadora, de mudança. Para quem fica com esse “papinho” de liberdade de religião e crença, como se a Liberdade dos povos tivesse sido desrespeitada, alerto: alguém tem que fazer alguma coisa por essas mulheres infelizes e impedidas de pedir ajuda, de reclamar, e de serem ouvidas. Elas são sistematicamente caladas, censuradas, violentadas, e não têm ajuda, apoio de nenhum órgão humanitário, nenhuma posição de países livres.

E a burca é só um sinal.

Este post é Domínio Público.

Postado por Lu Medeiros

Você deve entrar no sistema para escrever um comentário.

Termo de Responsabilidade

Todo o conteúdo desta página é de inteira responsabilidade do usuário. O Stoa, assim como a Universidade de São Paulo, não necessariamente corroboram as opiniões aqui contidas.