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Julho 29, 2012

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Postado por Luciana Santos

“Como a linguagem não é neutra, serve a quem faz uso dela, as perguntas também podem ser manipuladas. É da jornalista americana Cynthia Crossen o exemplo que segue: “um jovem monge foi advertido severamente por seu superior quando perguntou se poderia fumar enquanto rezava. Faça a pergunta diferente, sugeriu um amigo. Pergunte se você pode rezar enquanto fuma.”

Alberto Carlos Almeida, Como são feitas as pesquisas eleitorais e de opinião.

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Setembro 03, 2011

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Postado por Luciana Santos

"Por que a escola, ao invés de alterar, pode até confirmar a reprodução das desigualdades? As crianças chegam às escolas 'capitalizadas' ou não: herdam capital cultural (tipo de literatura, manipulação de instrumentos digitais, artísticos, etc., uso da linguagem 'correta' inculcados por suas famílias), incorporam-no e constituem-no para si, cristaliza-se um habitus orientador das formas de se aprender.

Diante disso, as crianças de classes menos favorecidas ficam em dupla desvantagem: primeiramente porque, na ordem de importância dos saberes, no olhar do supervisor, na arquitetura, na disciplina corporal exigida, na escolha do currículo escolar, nas manifestações do corpo do professor, os critérios de avaliação escolar ocultam as significações ligadas ao capital cultural das classes dominantes (violência simbólica), universalizados; em segundo lugar, chegam sem a herança desse capital cultural.

Essas crianças encaminham-se para o fracasso escolar legitimado por discursos que incorporam os modos de percepção, de pensamento e de corpo das classes que detêm o capital econômico (bens, serviços, etc.) e cultural (valores, habilidades, etc.). Como lentes oculares que aderem profundamente aos olhos a ponto de não serem percebidas, a violência simbólica é a introjeção de valores da classe social ou segmento dominante, de forma que o dominado vê-se com os olhos dos dominantes. Julgando-se por esses 'óculos', as classes sociais inferiores assumem rótulos e aprofundam perversos mecanismos de exclusão escolar, social, econômica, sexual e religiosa. Os mecanismos de exclusão nunca estão isolados, mas em conjunto. Para desarticular esses mecanismos, por conseguinte, é necessário um vasto repertório de medidas sociais, culturais e econômicas, bem como a mobilização da sociedade e dos políticos."

Emerson Sena da Silveira - Bourdieu Delivery: traços quase sagrados, in revista Sociologia, nº33

 

Palavras-chave: Bourdieu, Educação, habitus, herança cultural

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Julho 17, 2011

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Postado por Luciana Santos

"Na visão 'bancária' da educação, o ‘saber’ é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão, a absolutização da ignorância, que constitui o que chamamos de alienação da ignorância, segundo a qual esta se encontra sempre no outro.

O educador que aliena a ignorância, se mantém em posições fixas, invariáveis. Será sempre o que sabe, enquanto os educandos serão sempre os que nada sabem. (...) Reconhece, na absolutização da ignorância daqueles a razão de sua existência. Os educandos, alienados, por sua vez, à maneira do escravo na dialética hegeliana, reconhecem em sua ignorância a razão da existência do educador, mas não chegam, nem sequer ao modo do escravo naquela dialética, a descobrir-se  educadores do educador.(...)

Na medida em que esta visão “bancária” anula o poder criador dos educandos ou o minimiza, estimulando sua ingenuidade e não sua criticidade, este tipo de educação satisfaz aos interesses dos opressores: para estes, o fundamental não é o desnudamento do mundo, a sua transformação. O seu humanitarismo, e não humanismo, está em preservar a situação de que são beneficiáriose que lhes possibilita a manutenção de sua falsa generosidade a que nos referimos no capítulo anterior. Por isto mesmo é que reagem, até instintivamente, contra qualquer tentativa de uma educação estimulante do pensar autêntico, que não se deixa emaranhar pelas visões parciais da realidade, buscando sempre os nexos que prendem um ponto a outro, ou um problema a outro. Na verdade, o que pretendem os opressores é transformar a mentalidade dos oprimidos e não a situação que os oprime, e isto para que, melhor adaptando-os a esta situação, melhor os domine.”

Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido

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Junho 23, 2011

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Postado por Luciana Santos

E se, diante de um estímulo intelectual, não recorrêssemos imediatamente ao que nos foi ensinado? E se, ao invés disso, refletíssemos sobre um universo maior de possibilidades que esse estímulo oferece?

Por exemplo: me formei em Ciências Sociais. Em uma das aulas aprendi a diferença percebida por Durkheim entre solidariedade mecânica e orgânica e a tendência de passagem de uma a outra. Assim, é fácil para mim, diante de sinais da divisão e especialização do trabalho, remeter a essa teoria e sentir-me satisfeita com a explicação apreendida.  

Mas e se, ao invés disso, de recorrer imediatamente à conclusão de outro, eu me permitir um pensamento mais livre, uma análise mais solta e, por isso, com potencial de se aproveitar de elementos do meu conhecimento (não só dos de Durkheim) para gerar um novo conhecimento?

Devo eu desprezar todas as minhas experiências e aprendizados em nome do reconhecimento que outra pessoa teve em desenhar teorias sobre o que me intriga? Devo anular de antemão qualquer tentativa de interpretar diferente? Afinal, o conhecimento não é construído justamente por quem se permite ir além? Ou estamos em uma linha evolutiva estreita, em que não posso sair um pouquinho fora do caminho estabelecido para pensar? Um pensamento perde validade por não ter bebido antes (e talvez se viciado) da água dos antigos?

E seu eu não quiser fazer alusão nenhuma, nem favorável nem contrária, à teoria das solidariedades de Durkheim? E se eu quiser usar a minha imaginação e capacidade de análise crítica para enxergar o máximo possível de aspectos relacionados à especialização do trabalho, para, aí sim, remeter à teoria já construída e me permitir relações mais complexas?

Não digo com isso, de maneira alguma, rejeitar o conhecimento construído. Penso, aliás, que ele deve ser consultado para comparação com nosso próprio raciocínio; no entanto, temo que muitos estudiosos anulem a própria capacidade de análise crítica em nome das teorias já construídas. Temo que seja um vício olhar a realidade com olhos alheios e passar a vida a brincar de encaixar peças - fatos em teorias, sem se permitir olhar uma peça e imaginar o seu melhor receptáculo. E depois de imaginado, verificar se existe algo já construído dessa melhor forma, ou se é preciso criar.

Com isso em vista, extrapolo o raciocínio para uma esfera ainda mais difícil de exercitar a liberdade: a crença. Fiquei tentada a escrever "a religião", todavia esta é apenas um sistema de transmissão e manutenção de algumas crenças, ele mesmo questionado e confrontado, de dentro e de fora. Já a crença em si, mais subjetiva, mais íntima, uma conclusão acomodada no indivíduo acerca de algum aspecto da vida ou da morte, essa é mais resistente à liberdade de análise. Seja fruto de convencimento, criação ou lavagem cerebral, a crença mexe com emoções que muitas vezes brigam com a liberdade da razão de se desenvolver no pensamento.

E seu eu enfrentá-las e me permitir pensar? E se, no meu íntimo, em que não há líder espiritual, ente querido ou polícia científica a me coibir, eu abrir os olhos para contradições, fatos, hipóteses e possibilidades? Há um grande risco de amadurecer. Há um grande risco de que esse amadurecimento mude meu comportamento ao ponto de não ser mais suportável aceitar polícias morais a me pedir pra pensar diferente. Há o risco de pensar.

 

 

Palavras-chave: alienação, crença, limitações, pensamento, raciocínio, vício de pensamento

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Junho 20, 2011

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Postado por Luciana Santos

 1. Liberdades Pessoais

(a) A liberdade de consciência, religião e credo é privada e ilimitada. A liberdade para praticar a religião deve ser limitada apenas pela necessidade de respeitar os direitos e liberdades de outros.

(b) Todas as pessoas devem ser livres para participar de forma equitativa do processo democrático.

(c) A liberdade de expressão deve apenas ser limitada pela necessidade de respeitar os direitos e liberdades de outros. Não deve haver o direito “de não ser ofendido” na lei. Todas as leis contra a blasfêmia, explicitas ou implícitas, devem ser revogadas e não devem ser promulgadas.

 

2. Democracia Secular

(a) A soberania do Estado deriva do povo e não de nenhum deus ou deuses.

(b) A única referência constitucional à religião deve ser a afirmativa de que o Estado é laico.

(c) O Estado deve estar baseado na democracia, nos direitos humanos e no cumprimento da lei. As políticas públicas devem ser projetadas aplicando a razão, e não a fé religiosa, como evidência.

(d) O governo deve ser laico. O Estado deve ser estritamente neutro em questões de religião e sua ausência, sem favorecer nenhuma e sem discriminar nenhuma.

(e) As religiões não devem ter nenhum favorecimento financeiro especial na lei, como isenção de impostos para suas atividades, nem subsídios para se promoverem ou para manterem escolas religiosas.

(f) A condição de membro de uma religião não deve servir de base para a indicação de uma pessoa para nenhum cargo público.

(g) A lei não deve conceder nem negar nenhum direito, privilégio, poder ou imunidade, com fundamento na fé ou na religião, ou na ausência de qualquer das duas.

 

3. Educação Laica

(a) A educação pública deve ser laica. Educação religiosa, se houver, deve ser limitada à educação sobre religião e sua ausência.

 Tradução para o português: João Teófilo

Original em ingles disponível em: http://richarddawkins.net/articles/635793-dublin-declaration-on-secularism-and-theplace-of-religion-in-public-life

Palavras-chave: educação, estado laico

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Abril 21, 2011

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Postado por Luciana Santos

"I wonder how far you can go on an ironic mindset. If everything is ironic, you end up pretty harmless, since if it's all equally ironic, why bother trying to change any of it - which is pretty ironic for a subversive. You're drawn into the mainstream willy-nilly since you accept, albeit scornfully, its premises.... You can't do much subverting without an alternate model of how things might be, but then you'd believe in something and that's so unironic.  "

Rick Salutin, quoted by Barry Grills in Ironic

Palavras-chave: belief, Irony

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Janeiro 24, 2011

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Postado por Luciana Santos

From http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2011/01/three-ways-to-help-p

"A friend sent me a copy of a new book about basketball coach Don Meyer. Don was one of the most successful college basketball coaches of all time, apparently. It's quite a sad book—sad because of his tragic accident, but also sad because it's a vivid story about a misguided management technque.

Meyer's belief was that he could become an external compass and taskmaster to his players. By yelling louder, pushing harder and relentlessly riding his players, his plan was to generate excellence by bullying them. The hope was that over time, people would start pushing themselves, incorporating Don's voice inside their head, but in fact, this often turns out to be untrue. People can be pushed, but the minute you stop, they stop. If the habit you've taught is to achieve in order to avoid getting chewed out, once the chewing out stops, so does the achievement.

It might win basketball games, but it doesn't scale and it doesn't last. When Don left the room (or the players graduated), the team stopped winning.

A second way to manage people is to create competition. Pit people against one another and many of them will respond. Post all the grades on a test, with names, and watch people try to outdo each other next time. Promise a group of six managers that one of them will get promoted in six months and watch the energy level rise. Want to see little league players raise their game? Just let them know the playoffs are in two weeks and they're one game out of contention.

Again, there's human nature at work here, and this can work in the short run. The problem, of course, is that in every competition most competitors lose. Some people use that losing to try harder next time, but others merely give up. Worse, it's hard to create the cooperative environment that fosters creativity when everyone in the room knows that someone else is out to defeat them.

Both the first message (the bully with the heart of gold) and the second (creating scarce prizes) are based on a factory model, one of scarcity. It's my factory, my basketball, my gallery and I'm going to manipulate whatever I need to do to get the results I need. If there's only room for one winner, it seems these approaches make sense.

The third method, the one that I prefer, is to open the door. Give people a platform, not a ceiling. Set expectations, not to manipulate but to encourage. And then get out of the way, helping when asked but not yelling from the back of the bus.

When people learn to embrace achievement, they get hooked on it. Take a look at the incredible achievements the alumni of some organizations achieve after they move on. When adults (and kids) see the power of self-direction and realize the benefits of mutual support, they tend to seek it out over and over again.

In a non-factory mindset, one where many people have the opportunity to use the platform (I count the web and most of the arts in this category), there are always achievers eager to take the opportunity. No, most people can't manage themselves well enough to excel in the way you need them to, certainly not immediately. But those that can (or those that can learn to) are able to produce amazing results, far better than we ever could have bullied them into. They turn into linchpins, solving problems you didn't even realize you had. A new generation of leaders is created...

And it lasts a lifetime."

Palavras-chave: motivation, success, work

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Dezembro 22, 2010

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Postado por Luciana Santos

 

"Bourdieu se remete ao ensino superior, apontando a infeliz, ou feliz eficiência - dependendo do ponto de vista -que possui o sistema de ensino em reproduzir estrutura de classe no atual sistema capitalista. "Na verdade, dentre as soluções historicamente conhecidas quanto ao problema da transmissão do poder e dos privilégios, sem dúvida, a mais dissimulada e por isto mesmo a mais adequada a sociedades tendentes a recusar as formas mais patentes da transmissão hereditária do poder e dos privilégios, é aquela veiculada pelo sistema de ensino ao contribuir para a reprodução da estrutura das relações de classe dissimulando, sob as aparências da neutralidade, o cumprimento dessa função." (BOURDIEU, 2001, p.296). Assim, o "sistema educacional", tradicionalmente apresentado como um conjuntode mecanismos institucionais o qual busca a conservação cultural de gerações passadas acaba permitindo que as teorias clássicas dissociem a função de reprodução social.

Deste modo, os bens culturais, passados de geração para geração, não se apresentam somente na tentativa de enobrecer a humanidade, de trazer novas formas de reflexões voltadas para um crescimento, desenvolvimento e um incremento mundial, mas "pertence realmente (embora seja formalmente oferecido a todos) aos que detêm os meios para dele se apropriarem, quer dizer, que os bens culturais enquanto bens simbólicos só podem ser apreendidos e possuídos como tais (ao lado das satisfações simbólicas que acompanham tal posse) por aqueles que detêm o código que permite decifrá-los. Em suma, o livre jogo das leis da transmissão cultural faz com que o capital cultural retorne às mãos do capital cultural e, com isso, encontra-se reproduzida a estrutura de distribuição do capital cultural entre as classes sociais, isto é, a estrutura de distribuição dos instrumentos de apropriação dos bens simbólicos que uma formação social seleciona como dignos de serem desejados e possuídos." (BOURDIEU, 2001, p.297)

Acrescenta que o diploma pode ser "um direito de acesso cujo valor poderá ser explorado apenas pelos que detêm um elevado capital de relações sociais."

Sociologia, Ciência e Vida - nº26, p.18-19

 


Palavras-chave: Bourdieu, capital cultural, educação, reprodução de classes

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Outubro 18, 2010

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Postado por Luciana Santos

Leio o texto citado neste post como uma espécie de tipo ideal - emprestando o conceito de Weber. Uma descrição que, apesar de não dar conta de retratar fielmente todos os indivíduos de um grande grupo, revela aspectos muito relevantes dele.

A autora se permite usar os termos "burguesia" e "classe média", que todo sociólogo sabe serem ambíguos, imprecisos, dependentes de contexto e relativização. Todavia, especialmente em um texto curto, apresentado fora de contexto acadêmico, é aceitável. Aceitável por revelar um elemento presente em discursos manifestos com certa recorrência, discursos nada inócuos política e socialmente.

A descrição ilustra um pensamento que aparece em esforços homéricos para formar opinião, em conversas desavisadas do politicamente correto, em afirmações livres que, quando questionadas, se vêm nuas de conteúdo e não raro atrapalhadas em se autoexplicar.

Indo mais diretamente ao ponto: nem todo crítico do governo é irracional e preconceituoso a esse nível. Entretanto, não posso negar que já ouvi muito discurso cujo conteúdo mais evidente era o que esse texto ilustra - e cuja real importância precisa muito ser refletida, debatida e explicitada:

"O fato de você ter um presidente operário, que tem o curso primário, significou a ruína da ideologia burguesa. Todos os critérios da ideologia burguesa para ocupar este posto, que é ser da elite financeira, ter formação universitária, falar línguas estrangeiras, ter desempenho de gourmet... Enfim, foi descomposta uma série de atrativos que compõem a figura que a burguesia compôs para ocupar a Presidência. Ponto por ponto. (...) A burguesia brasileira e a classe média protofascista nunca vão perdoar isso ter acontecido. Imagine como eles se sentem. Houve (Nelson) Mandela, Lula, (Barack) Obama, (Hugo) Chávez. É muita coisa para a cabeça deles. É insuportável. É a sensação de fim de mundo."

Marilena Chauí - http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/desinformacao-nao-serve-

Palavras-chave: classismo, discurso político, marilena chauí, preconceitos

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Outubro 11, 2010

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Postado por Luciana Santos

“O que deve sair imediatamente do debate eleitoral é esta fingida religiosidade que leva Deus aos palanques, macula as mais íntimas opções espirituais do eleitor e abala gravemente os fundamentos da nossa democracia – teoricamente isonômica, tolerante, aberta, inclusive aos agnósticos, descrentes e ateus.”

Alberto Dines, reproduzido do Diário de S.Paulo, 10/10/2010

http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=610IMQ010

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Outubro 04, 2010

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Postado por Luciana Santos

“Como influenciar a formulação de políticas públicas se as organizações se sentem temerosas de perderem os parcos recursos que conseguem como uma dádiva que não deve ser questionada?”

Luiz Carlos Merege

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Outubro 02, 2010

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Postado por Luciana Santos

“Os direitos sociais fundamentais necessários para uma vida digna na sociedade contemporânea, além de serem um dever do Estado, podem também ser garantidos através de atuação da sociedade, tal como estabelece nossa lei maior. Esta conquista significa, na prática, uma mudança na natureza da atuação das organizações do Terceiro Setor. A filantropia marcada pelas ações caritativas e assistencialistas se justificava para o período da nossa história em que não se tinha definido os direitos sociais de nosso povo. Embora necessária nos casos extremos, a filantropia em si torna-se uma ação aquém de nossa época, já que existem instrumentos legais que devem ser postos em prática para que todos, indistintamente, possam desfrutar plenamente das conquistas humanas. A miséria, exclusão e a discriminação deixaram de ser simplesmente uma constatação para fazer parte do campo das lutas pelos direitos de homens e mulheres de nosso país.

Os miseráveis da periferia, as mulheres, os negros, as crianças, os portadores de necessidades especiais, os índios, os homossexuais, os defensores da natureza passam a levantar suas bandeiras tendo como referência aquilo que a lei passou a garantir-lhes como direito. Invertem o papel de seres passivos, que tinham na filantropia, para se tornarem protagonistas de demandas sociais, demandas políticas e econômicas. O implorar é substituído por ações de caráter legal. A discriminação racial não é mais lamentada, mas sim processada através de ações dos indivíduos e do ministério público. Arma-se dessa forma o problema político em torno do social e o terceiro setor encontra-se maduro para ir além de seu discurso e ação humanitária. Encontra-se diante de um desafio já que deve mediar as ações entre a esfera governamental e o universo social.

Uma vez que a nossa Constituição abre espaço para que os direitos sociais de todos sejam garantidos quer pelo Estado ou pela colaboração da sociedade, as ações do terceiro setor sem dúvida alguma devem ser sustentadas pelo Estado.

Se as organizações do Terceiro Setor estão atuando no campo social, o Estado tem que garantir essa atuação já que se trata de colocar em prática o acesso universal à educação, à saúde, à assistência social e a um ambiente ecologicamente saudável. Aquelas organizações cuja atuação se identifica com o campo dos direitos sociais deveriam praticar ações de cidadania ativa pressionando o Estado para que este transfira recursos para suas atividades, já que estão disponibilizando serviços públicos como determina nossa Constituição. O exemplo a ser seguido é o das ONGs/AIDs que se mobilizaram e lutaram arduamente para que o Estado cumprisse a determinação legal de que a saúde é um direito de todos. O Estado foi obrigado a transferir recursos financeiros e materiais, no caso remédios e preservativos, para que a sociedade organizada pudesse ajudá-lo no cumprimento de um dever constitucional.

O Terceiro Setor, apesar de ser marcadamente heterogêneo e complexo, pode convergir para ações articuladas em torno de temas que são comuns e estratégicos para o fortalecimento de suas organizações. A demanda por recursos públicos, que garantam o cumprimento dos direitos sociais constitucionais, pode e deve tornar-se uma agenda de luta comum das organizações sociais, fundamentada no que dita nossa Constituição, ou seja, a garantia de acesso universal aos bens públicos quer eles sejam ofertados pelo Estado ou pelo terceiro setor.

 Luiz Carlos Merege - Terceiro Setor, A arte de administrat sonhos

 

Palavras-chave: ação política, direeitos sociais, estado, filantropia, governo, reivindicação, sociedade civil, terceiro setor

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Setembro 06, 2010

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Postado por Luciana Santos

Não é a última novidade do momento, mas ainda precisa pegar a moda!

FOLHA DE SÃO PAULO, TERÇA-FEIRA, 30/12/2008

Indicadores de bem-estar ganham força

Produto Interno Bruto é posto em xeque por não conseguir avaliar riquezas naturais ou nível de felicidade das pessoas.

Índice usado no Butão, o FIB (Felicidade Interna Bruta) considera dados de nove áreas, sendo apenas uma delas ligada à economia

ANDRÉ PALHANO

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


O PIB (Produto Interno Bruto) está em xeque. O aumento das preocupações climáticas, a onda da sustentabilidade e, mais recentemente, a crise financeira e seus impactos na economia real, estão dando um fôlego inédito ao questionamento sobre a utilização dos indicadores de crescimento econômico (dos quais o PIB é o principal) como ferramenta para se medir o progresso de uma sociedade -e, conseqüentemente, como norte para as políticas de governos e para as estratégias empresariais.


O ano de 2008 foi um terreno fértil para o avanço de estudos e pesquisas relacionados a indicadores alternativos, sobretudo os ligados ao conceito de desenvolvimento humano, que englobam, além da dimensão econômica, as características sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade de vida de uma população.


Entre esses indicadores, vem merecendo especial atenção um índice que surgiu de um trocadilho com o PIB: o FIB (Felicidade Interna Bruta), criado em 1972 pelo governo do Butão, país localizado entre a China e a Índia e conhecido por ser o mais isolado do mundo. Baseado na crença de que as ações do governo devem ter como foco a promoção do bem-estar social, o FIB é uma composição de nove áreas distintas, das quais apenas uma é estritamente econômica: a de Padrão de Vida, que inclui renda per capita e outros parâmetros de renda e emprego das pessoas.


Entre as demais, chamam a atenção as que incluem o conceito de desenvolvimento sustentável (Vitalidade da Comunidade, Diversidade do Ecossistema, Boa Governança e Saúde da População) e as que estão longe dos padrões utilizados no mundo ocidental, como Uso e Equilíbrio do Tempo e Bem-Estar Emocional.


"Eventualmente, uma economia estacionária pode ser uma economia bem-sucedida", defende o vice-presidente do Conselho Nacional do Butão, Dasho Karma Ura. "O PIB é bom para se medir o capital econômico, que é fundamental no desenvolvimento de uma sociedade, mas é cego para outras esferas tão ou mais importantes, como o capital humano e o capital ambiental. Isso é extremamente relevante diante de certos dilemas que enfrentamos hoje, por exemplo o do nível de consumo ante a escassez de recursos naturais."

Mais do que agradar a linhas de pensamento alternativas, o FIB e outros indicadores semelhantes (como o Índice de Bem-Estar Social e o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH) vêm atraindo interesse cada vez maior de governos, empresas e instituições multilaterais. A Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, quer incluir algumas dessas esferas nas Metas do Milênio a partir de 2015, uma vez que diversos países desenvolvidos já terão alcançado os compromissos assumidos em 2000 para essa data.


Até representantes de instituições consideradas conservadoras, como o diretor-gerente do Banco Mundial, Graeme Wheeler, vêm apoiando o debate sobre novos indicadores.


O presidente francês, Nicolas Sarkozy, formou neste ano uma comissão para estudar novos instrumentos para medir o desenvolvimento econômico, liderada por dois prêmios Nobel de Economia: Joseph Stiglitz e o indiano Amartya Sen. "Há muito tempo existe entre os economistas um forte sentimento de que o Produto Interno Bruto (PIB) não é um bom instrumento de medida, sobretudo para o bem-estar das pessoas. Com um pouco de sorte, esse estudo terá conseqüências em todo o mundo", afirmou Stiglitz em entrevista à imprensa francesa durante o anúncio da comissão.


Enquanto isso, o governo canadense elabora um índice oficial de bem-estar da população, que caminhará lado a lado com o PIB na condução da política econômica.

FIB nacional

 

No Brasil, o tema também começa a chamar a atenção de políticos e empresários. O Banco Real, por exemplo, promoveu em outubro uma reunião de alguns seus principais clientes com os representantes butaneses que vieram ao país para a I Conferência Nacional do FIB, realizada em São Paulo.

A Icatu Hartford, empresa de seguros e previdência, adotou o FIB como mote central de suas campanhas na mídia. Prefeituras municipais, como a de Angatuba, decidiram incorporar aspectos do FIB em suas gestões. "Temos muitas empresas e governos interessados em conhecer melhor esses conceitos. Isso foi deflagrado pela evidência empírica de que níveis de felicidade e bem-estar têm estagnado durante as últimas três ou quatro décadas em diversos países, a despeito do crescimento econômico e do aumento da expectativa de vida dos seus cidadãos. Isso também vale para as empresas e para a sua relação com os funcionários", conta a diretora do Instituto Visão Futuro e representante do FIB no país, Susan Andrews.

O segredo do Butão não está exatamente na eficácia da utilização do FIB como política pública, mas sim no desenvolvimento de uma metodologia para aferir critérios tão subjetivos como a felicidade a partir de estatísticas objetivas e confiáveis.
Curiosamente, isso acontece ao mesmo tempo em que empresas e governos procuram conhecer melhor o valor dos chamados ativos intangíveis, onde temas como responsabilidade socioambiental e confiança têm destaque crescente. "Cada vez mais as pessoas procuram atribuir valor a temas como o trabalho voluntário, a proteção ou a agressão ao meio ambiente, ao uso do tempo de cada indivíduo. E essas são esferas que os indicadores de riqueza tradicionais simplesmente não alcançam", resume o economista Ladislau Dowbor, da PUC-SP.

 

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Postado por Luciana Santos

“ no cabaré da globalização, o Estado passa por um strip-tease e no final do espetáculo é deixado apenas com as necessidades básicas: seu poder de repressão. Com base material destruída, sua soberania e independência anuladas, sua classe política apagada, a nação-estado torna-se um mero serviço de segurança para mega-empresas”( Bauman, p.74).

 

 

 

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Postado por Luciana Santos

"O problema crucial dos Estados contemporâneos de origem burocrático-patrimonialista é de como fazer uma transição de uma estrutura ineficiente e pesada e embebida por um sistema de valores ultrapassado e conservador, para uma estrutura ágil, moderna e capaz de elevar o efeito, finalmente, a passagem do subdesenvolvimento e atraso ao desenvolvimento e justiça. (Simon Schwartzman, 1988, p.10)

 

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Julho 30, 2010

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Postado por Luciana Santos

"Nestas eleições, vamos escolher um novo presidente para o país. Isso porque o Brasil adota o sistema presidencialista.

Nesse regime, há três poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, exercidos, respectivamente, pelo presidente da República, pelo Parlamento (no caso do Brasil, o Congresso Nacional) e pelo Supremo Tribunal ou Corte Suprema.

Toda a concepção do presidencialismo baseia-se na harmonia desses três poderes. Nenhum pode impor-se ao outro ou tentar superar os demais. Para manter esse equilíbrio, há um sistema de freios e contrapesos pelo qual um poder controla o outro e cada um depende dos outros dois.

É o Parlamento (Legislativo) que aprova os projetos de lei, assim como o orçamento que fixa as despesas. Com isso, controla o Executivo e o Judiciário. Mas o presidente da República pode vetar o que foi aprovado pelo Congresso.

É o presidente da República (Executivo) que escolhe os nomes dos membros do Supremo Tribunal, controlando o Judiciário. Mas o Legislativo deve aprovar esses nomes, controlando o Executivo e o Judiciário. O Judiciário é que julga a aplicação das leis, podendo até mesmo suspender sua execução. Com isso, ele freia o Legislativo e o Executivo.

No presidencialismo, o chefe de Estado (que simboliza a Nação) e o chefe de governo (que dirige a administração do país) são a mesma pessoa. O presidente da República é chefe de Estado e chefe de governo.

No presidencialismo, o presidente e os parlamentares são escolhidos por um período de tempo fixo e determinado, geralmente quatro ou cinco anos. Salvo situações excepcionais, uma vez eleitos, eles têm seu mandato garantido durante esse prazo.

Em um regime presidencialista, o Legislativo pode ser exercido apenas pela Câmara dos Deputados (sistema unicameral) ou por duas casas, a Câmara e o Senado (sistema bicameral).

 

Parlamentarismo

No parlamentarismo, todo o poder concentra-se no Parlamento, que é, de fato, o único poder. Se o governo executivo discordar do Parlamento, a maioria dos deputados dissolve esse governo. A Justiça não se opõe ao Parlamento, até porque, em um sistema parlamentarista puro, a Constituição não é rígida: se uma lei for considerada inconstitucional, o Parlamento simplesmente altera a Constituição. No Reino Unido, o exemplo mais puro de parlamentarismo, não há sequer uma Constituição escrita.

Em um regime parlamentarista, distingue-se o chefe de Estado do chefe do governo.

O chefe de Estado apenas simboliza a Nação, mas não tem poderes administrativos. Pode ser um monarca ou presidente escolhido pelo Parlamento ou eleito diretamente pelo povo. A rainha da Inglaterra, por exemplo, reina, mas não governa: ela é apenas chefe de Estado. O chefe do governo é quem governa e administra. Ele é sempre escolhido pelo Parlamento, que pode destituí-lo.

Após as eleições, o partido político ou a coligação que teve a maioria dos votos escolhe um primeiro-ministro e os que vão ocupar os diferentes ministérios e levam esses nomes ao chefe de Estado, que os submete ao Parlamento.

Se os nomes forem aprovados pela maioria, esse ministério ou gabinete é empossado e governa até que haja novas eleições (quatro ou cinco anos depois) ou que perca a confiança da maioria parlamentar.

Se a maioria, em algum momento, discordar do gabinete, vota uma moção de desconfiança e o governo cai. A maioria vitoriosa no Parlamento indica ao chefe de Estado o nome dos novos ministros, que são submetidos à votação. Se forem aprovados, começam a governar; se não forem, novos ministros têm de ser escolhidos até que o gabinete indicado tenha o apoio da maioria dos deputados.

Se a maioria aprovar uma moção de desconfiança contra o gabinete, mas o primeiro-ministro achar que ele representa a vontade da maioria do povo, dissolve-se o Parlamento e realizam-se eleições imediatamente (prazo de poucas semanas). O povo então decide a quem dá maioria. Se ele der maioria aos partidários do gabinete, este se mantém. Se der aos seus adversários, cai o governo, e seus oponentes submetem ao Parlamento um novo ministério.

No parlamentarismo, o Executivo é um mero delegado da maioria parlamentar. Em um regime parlamentarista puro, só parlamentares podem ser ministros, e eles comparecem normalmente às sessões do Parlamento, dando contas de sua atuação e sendo interpelados por seus pares.

As funções parlamentares são exercidas em sua plenitude por uma casa legislativa que se pode chamar, por exemplo, de Câmara dos Deputados, Parlamento, Câmara dos Comuns (Reino Unido) ou Assembléia Nacional (França). Esse poder não pode ser dividido com outra casa legislativa que não tenha as características populares do Parlamento. No Reino Unido, por exemplo, existe a Câmara dos Lordes, mas suas funções são praticamente decorativas na elaboração das leis. Os lordes não destituem gabinetes.

 

Mas na realidade...

São muito raros os sistemas parlamentaristas puros, que subsistiram, sobretudo, nas Monarquias (Reino Unido, Suécia, Holanda, etc.).

Na França, por exemplo, embora o regime seja chamado de parlamentarista, o chefe de Estado (presidente da República) tem várias funções de governo, às vezes até superiores às do primeiro-ministro. O poder é dividido entre os dois.

No Brasil, as formas de parlamentarismo sempre foram impuras. Na Monarquia, tínhamos um regime parlamentarista, mas o imperador dispunha do "Poder Moderador", o que lhe permitia até nomear primeiros-ministros que não dispusessem do apoio da maioria parlamentar.

Em 1962, tentou-se criar um sistema parlamentarista, com João Goulart como presidente da República. O sistema nunca funcionou porque o presidente era quem indicava ao Parlamento o nome do primeiro-ministro. Os chefes de governo que o presidente indicava eram seus aliados políticos, e a direção do país, na prática, continuava nas mãos do chefe de Estado. Foi realizado um plebiscito e o povo resolveu voltar ao presidencialismo.

A Constituição de 1988 é presidencialista, mas repleta de instituições parlamentaristas.

Quando a Constituinte começou a votar a Constituição, pensava-se em estabelecer o regime parlamentarista, e vários artigos foram votados com esse espírito. Depois, aprovou-se o presidencialismo, mas aqueles artigos já estavam na Constituição.

O presidencialismo produz um gabinete, personificado no presidente, com prazo de validade definido. Chova ou faça sol, o mandato é aquele. Apenas depois de quatro ou cinco anos, a sociedade vai discutir novamente a quem será passado o bastão. Nesse ínterim, o mundo dá voltas, crises surgem e se dissipam, são bem ou mal enfrentadas, governos mantêm ou perdem legitimidade e o eleitor muda de opinião. Se o país é presidencialista, nada disso importa. O governo permanece, mesmo fraco, até a data da próxima eleição. No máximo, em caso de crise grave, há renúncia do presidente, como aconteceu recentemente na Argentina, com Fernando De La Rua, ou durante o impeachment do ex-presidente do Brasil Fernando Collor de Melo.

No parlamentarismo, quando há problemas, o governo simplesmente cai. Cabe aos congressistas formar uma nova maioria, com um novo governo. Quando não conseguem, o próprio Congresso é dissolvido, e eleições são antecipadas. O sistema permite que governos considerados bons durem o necessário e que os duvidosos terminem antes do prazo previsto.

 

Plebiscito

A Constituição de 1988 determinou que a forma (Monarquia ou República) e o sistema de governo (presidencialismo ou parlamentarismo) deveriam ser escolhidos pelo próprio povo. Em 21 de abril de 1993, 67,01 milhões de brasileiros foram às urnas em todo o país. Nesse plebiscito, a República foi escolhida por 44,26 milhões de eleitores (66,06%), enquanto a Monarquia teve apenas 6,84 milhões (10,21%). Os votos brancos e nulos somaram 23,73%. Para o sistema de governo, o presidencialismo recebeu 55,45%, contra 24,65% do parlamentarismo. Os 19,9% restantes foram de votos brancos e nulos."

fonte: http://www.aprendebrasil.com.br/reportagens/eleicoes2002/presidencialismo.asp

Palavras-chave: parlamentarismo, presidencialismo

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Julho 04, 2010

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Postado por Luciana Santos

“não obstante, os programas sociais produzidos pelo ativismo social empresarial apresentarem dimensões bastante positivas, os critérios próprios à noção de globalização hegemônica propostos neste projeto - a expulsão de populações de um contrato social estável, a aleatoriedade seletiva no tempo e o espaço no qual as ações acontecem, a tentativa de construir uma resposta a exclusões através unicamente da lógica pasteurizada do capital transnacional -, como também os critérios sobre o que vem a ser a dimensão pública e política do agir político, parecem indicar que este caso é mais um contraexemplo de uma ação democrática participativa do que uma ação contra-hegemônica, podendo complementar-se, sem contradições insuperáveis, aos arranjos neoliberais (2002, p. 379).” Maria Célia Paoli

Palavras-chave: filantropia, paliativo

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Junho 14, 2010

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Postado por Luciana Santos

Removidos para a periferia da Cidade do Cabo, ex-moradores pobres do centro reclamam de vida em "campo de concentração" 

FÁBIO ZANINI
ENVIADO ESPECIAL À CIDADE DO CABO
 

A 30 km do novíssimo estádio Green Point, o assentamento improvisado de Blikkiesdorp está separado da Cidade do Cabo pela enorme pista do também novíssimo aeroporto local.
Parece feito sob medida para não ser visto pelos milhares de torcedores que rumarão direto do terminal de desembarque para as muitas atrações da cidade mais turística do país da Copa.
Para seus 3.000 residentes, a Copa do Mundo é uma maldição. Por causa dela, dizem, foram removidos das áreas centrais da cidade e jogados no que chamam de "depósito de gente", ou "campo de concentração".
O local é cercado por grades. Os moradores vivem em barracos de zinco de 18 m2, em que o forro do teto é feito de plástico-bolha e o piso é um adesivo imitando lajotas.
As paredes, de tão finas, podem ser cortadas por tesouras e oferecem proteção mínima contra o frio e a chuva. No verão, o lugar queima.
"Me disseram que eu iria para um abrigo temporário. Estou aqui até hoje ", diz Andrew Maqoyie, 33, que era morador de rua na região do estádio. Ele foi retirado de lá em 2007, quando a arena começou a ser construída.
Muitos moravam de maneira precária no centro, em casas abandonadas ou nas calçadas, mas agora, dizem, a vida piorou. Além de dividirem latrinas e tomarem banho de balde, estão longe de oportunidades de emprego.
Marietta Monagiee diz que vivia no bairro central de Woodstock. Trabalhava como cozinheira numa sinagoga em Sea Point, também na área central. Após ser transferida para Blikkiesdorp, tentou manter o emprego por uma semana, mas desistiu.
"Às vezes era preciso trabalhar até tarde, e não há transporte de volta para cá", afirma. "Passei anos morando onde estava e nunca me tiraram. Estou aqui por causa da Copa do Mundo", afirma.
Hoje desempregada, Marietta sobrevive dos 750 rands (R$ 190) que suas três crianças recebem da versão local do Bolsa-Família.
Segundo Jane Roberts, líder comunitária local, a prefeitura nunca admitiu que a limpeza era em razão da Copa. "Para nós, isso é obvio. Éramos má publicidade."
O assentamento fica num local isolado. Chegar ao centro leva duas horas, primeiro em lotação e depois de trem. São 30 rands (R$ 7,50) a viagem de ida e volta, que pesam no orçamento de quem mal ganha mil rands ao mês.
A falta de poder aquisitivo local obriga os donos de vendinhas a serem criativos. Ismail Mosa, 57, vende açúcar em saquinhos plásticos, ao preço de um rand. "Aconteceu aqui o mesmo que durante o apartheid. Os pobres foram expulsos para dar lugar aos ricos", diz.

 

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/747228-pobres-do-centro-da-cidade-do-cabo-sao-removidos-para-periferia.shtml

 

Palavras-chave: áfrica, apartheid, copa, copa do mundo

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Maio 30, 2010

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Postado por Luciana Santos

Português: www.leitecomsoda24x7.blogspot.com



 

Nobody is arrested for lack of ethics, no matter how much harm they cause.

 Perhaps this is a remnant of hope in a society where not everything needs to result in punishment to be respected. 

Maybe this is just the achievement of those for whom ethics is just a strong word in speech, a tool for self-promotion over the fools who believe it makes sense or have some significance.
No matter the variations of the word, there is a general understanding of the topic, especially in crisis and in common contexts. 

There is the discourse and the possibility of turning it real. 

Choosing between them may determine a whole chain of relationships. 

After all, even what doesn’t result in punishment brings consequences.

 


 

 

 

 

Palavras-chave: consequences, ethics

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Maio 18, 2010

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Postado por Luciana Santos

Português: leitecomsoda24x7.blogspot.com

Last week I had the unfortunate opportunity to watch a TV show about dressing. Standing up for “dressing well”, as if it was something useful, not much more than a philosophy of futility, spreading the message that people must combine colors and textures to feel good.
I don’t see any problem in people choosing their own clothes or combining things as they feel like. But I am against the embarrassment of others to follow an order instead of choosing.

Television should be a means of public utility, enrichment  or wholesome entertainment . What I witnessed was the spread of mockery against the legitimate choices; rejection of freedom of choice for an imposition of what is "right" or "beautiful" told by the presenters; "right" and "beautiful" that is neither accessible nor desirable for everybody.

Obviously, the TV producers are concerned about the commercial gains from advertising and the audience. But it is exactly the audience that intrigues me: would they come to wonder why there is this standard of right and wrong in choosing the clothes that will cover their bodies in one situation or another? Do they ever wondered what’s the point of worrying about and pointing out alleged errors in the combination of others and themselves?


Would they care about either they are promoting something useful to the world or just a proliferation of insecurity, empty consumerism, socially irresponsible production, sale and maintenance of a miserable environment of values in favor of watching what others are wearing to feel bad about moving away from fashion?


The show pays the person to participate, creating a temptation based on a need
. And those who accept that money feed an industry of "must dress well" and "use what TV says is cool" that will turn into themselves, requiring them to spend more money to get a job, to be accepted by a poorly reflexive group, to work in peace without being bothered by coworkers and their giggling over other's clothes…
The money earned at that show will reverse in the promotion of a more consumerist, shallow and demanding society, to what the person will be submitted too.
I wonder if those who agree with this circus realize that the promotion of such "use" of time will turn over themselves claiming them to worry more about what they dress than about what they are; it will return in the form of a bad use of personal and global resources, strengthening social pressures and contributing to the kingdom of futility.

 

Palavras-chave: esquadrão da moda

Postado por Luciana Santos | 2 comentários

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