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setembro 29, 2008

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Depois da estréia tão bem sucedida do blog, decidi convidar minha querida namorada e historiadora predileta, Verônica Maat, para contribuir com os posts junto comigo. Assim o embasamento que desejo, tanto nos assuntos sociais, quanto nos biológicos, será mantido.

Com vocês:

A sexualidade domada

Por Verônica e Lívia Maat

“Meu curso sobre história da homossexualidade suscitou oposição suficiente para me convencer que era necessária uma pesquisa histórica para compreender a força do tabu que o assunto inspira”.

[Modificado, em tradução livre, de Crompton, Louis. Homosexuality and civilization. Belknap Press of Harvard University Press, 2003]

A notícia de que milhares de homossexuais haviam sido perseguidos e levados a campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial só foi amplamente divulgada três décadas depois da morte de Hitler.
O fato de homossexuais sempre terem existido ao longo da história e nas mais diversas culturas humanas – isto sem contar nos animais – é convenientemente ignorado por aqueles que insistem em advogar a suposta “não naturalidade” do comportamento homossexual.

A negação de que a homossexualidade constitui desde sempre parte do comportamento humano e o encobrimento dos danos causados pela aversão à homoafetividade são somente duas das inúmeras facetas do que é denominado homofobia. O termo, controverso e talvez infeliz, pede uma breve explicação: fobia em grego não significa apenas medo, mas aversão, repulsa. Assim, a palavra originalmente não faz menção a distúrbios psicológicos como aracnofobia ou agorafobia, mas simplesmente à aversão a homossexuais.

Neste artigo trabalharemos uma das possíveis origens da homofobia. As duas outras explicações que conseguimos conjeturar serão temas de posts posteriores. Aqui, mostraremos que ela está intrinsecamente ligada a uma constante nas sociedades humanas – o controle da sexualidade.

A regularização dos comportamentos sexuais, grosso modo, pode ocorrer de duas formas: mediante leis escritas ou por valores morais difundidos por meio de discursos religiosos, científicos, filosóficos, etc. Todavia, as duas formas de regulamentação não são excludentes, em diversas sociedades coexistem. De fato, leis não podem ser dissociadas do contexto histórico, social, moral, científico e filosófico da época na qual são criadas. Se existiram ou existem leis tratando especificamente do comportamento homossexual, é porque, em pelo menos algum destes meios, ele é considerado pernicioso o suficiente para suscitar a necessidade de leis criminalizando-o.

Na maioria dos atuais Estados Ocidentais não há mais a figuração de leis específicas que criminalizem a homossexualidade. Isto pode se dar por dois fatores: a consolidação de Estados que privilegiam os direitos individuais, a saber, direitos circunscritos ao âmbito privado no qual o Estado não possui autoridade de intervenção; e ao processo de laicização do Estado, ou seja, na medida em que o Estado se separa da Igreja, os códigos legislativos deixam de ser diretamente inspirados nas deliberações religiosas.

No entanto, a supressão da legislação não redunda no arrefecimento dos valores que controlam a sexualidade dos cidadãos: as atuais formas de controle advêm sobremaneira dos discursos religiosos. Mas cabe questionar se a condenação da homossexualidade é conseqüência direta tão-somente dos ensinamentos presentes nos evangelhos canônicos, ou se os textos religiosos são utilizados para justificar a aversão à homossexualidade já presente na sociedade.

A condenação à homossexualidade é uma forma de controle da sexualidade por excelência. A primeira forma de controle da sexualidade estabelecida pelo discurso católico prevê que o sexo deve ter uma finalidade: garantir a procriação. Qualquer ato sexual contrário a esse pressuposto é condenado enquanto pecado carnal. Resultado imediato disso é que a homossexualidade, baseada na relação carnal entre iguais, é pecaminosa e proibida, pois transgride a função básica do sexo. Mas a condenação a ela possui justificativa mais profunda. Além de ser pecado por não permitir a procriação, a homossexualidade contraria também um elemento presente no mito da criação, o de que a mulher foi criada para o homem e vice-versa. Os dois sexos, desta maneira, são vistos como complementares.

Mas efetivamente a Bíblia coloca a questão nesses termos? Ou essa visão é fruto da interpretação das Escrituras baseada em pressupostos sociais? Em poucas palavras, a condenação à homossexualidade encontra fundamentos bíblicos ou as passagens da Bíblia são deliberadamente descoladas de seu contexto histórico e lingüístico com o objetivo de legitimar o controle da sexualidade, de maneira ampla, e a condenação da homossexualidade de forma específica?

Ora, é preciso reconhecer que a Bíblia é antes de tudo um mosaico de informações, por vezes contraditórias, antes de um conjunto de textos que transmitem uma mensagem coesa. Ao abri-la, as pessoas dificilmente estão cientes de que estão diante de um conjunto de obras escritas em diversos momentos históricos, com múltiplos objetivos e em vários gêneros literários distintos. Dificilmente sabem que esses livros foram selecionados em um universo de inúmeros outros, e receberam o título de “inspirados” de “canônicos” de acordo com o julgamento de uns poucos indivíduos preocupados com a consolidação de suas interpretações sobre o que era sagrado e o que não era. Exemplo crasso desse fato é a existência dos Evangelhos Apócrifos, tanto na tradição judaica quanto na cristã. Isso tudo pode ser resumido com uma única frase: a Bíblia tem uma história. E isso significa que ela participa de processos históricos, significa que ela foi interpretada, apropriada e, mesmo que isto possa parecer ousado, deformada.

Se em alguns momentos a Bíblia foi deformada involuntariamente, por ignorância de seus intérpretes e escribas, em outros foi deliberadamente podada para atender a objetivos claramente definidos, dentre os quais o controle da sexualidade. Como resultado, foram (e são) condenados uma série de comportamentos sexuais considerados contrários à “doutrina”. Cabe ressaltar que o controle habitualmente redunda na maledicência e marginalização de toda uma série de comportamentos. O controle se arquiteta pela contradição, pelo dualismo, entre o certo (aceito e respeitado) e o errado (proibido e infame).

Como apontou John Boswell [1],  a religião não é a responsável direta pela a homofobia. Ela foi utilizada pela homofóbica sociedade ocidental européia como mecanismo de legitimação da condenação à homoafetividade. Mas a relação é menos direta. Dificilmente, em um primeiro momento, a Bíblia foi apropriada de forma a marginalizar a homossexualidade. É mais provável que o impulso inicial visasse controlar a sexualidade em todas as suas facetas, a homossexualidade não era o alvo principal. Acabou por ser discriminada quando suas características não se adequaram ao modelo de comportamento sexual estabelecido.
Na atualidade observamos o crescimento de ataques públicos por parte de membros da hierarquia cristã (tanto protestantes quanto católicos) direcionados aos homossexuais. Esses religiosos lançam mão de passagens pontuais da Bíblia, descoladas de qualquer tipo de contextualização, para justificar as posturas avessas a homoafetividade. O crescimento dos discursos virulentos contra os homossexuais é explicado justamente pelo crescente reconhecimento dos direitos civis desses indivíduos por parte do Estado. Quando se percebe a proximidade da derrota qualquer tipo de artimanha torna-se legítima, mesmo que isso signifique contrariar alguns preceitos cristãos, como o clássico “amar o próximo como a si mesmo”, ou deturpar o “Livro Sagrado” deliberadamente, apenas para afirmar o lugar dos “crentes” enquanto conselheiros da sociedade, e garantir a manutenção de velhos preconceitos e formas de controle.

Assim, mesmo a homofobia não sendo necessariamente filha direta do cristianismo, ou somente dele, a contribuição cristã que vem sendo dada a homicídios, estupros, humilhações, agressões, e a uma parte de um genocídio, é relevante o suficiente para preocupar, indignar e mover não somente gays, mas todo aquele que se julga preocupado com o respeito aos direitos individuais. Tanto mais grave é o fato de estarmos nos referindo a ameaças à vida, dignidade e integridade física e psicológica, direitos estes que em qualquer outro caso não hesitaríamos em considerá-los óbvios demais para ainda estarem em pauta no século XXI.

[1] BOSWELL, John. Cristianismo, tolerancia social y homosexualidad. Barcelona: Muchnik, 1992.

Palavras-chave: Bíblia, Controle da sexualidade., Homofobia, Homossexualidade, Preconceito

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Lívia e Verônica Maat | 5 usuários votaram. 5 votos

Comentários

  1. Tom escreveu:

    Maurício,

    como está explícito no início texto "Por Verônica e Lívia Maat",  ele foi criado pelas duas. A tradução é do pequeno trecho entre aspas no comecinho do post.

    Lívia,

    parabéns pelo post! Assim como já aprendi muito com você sobre o tema, desejo boa sorte na sua empreitada em difundir, através do uso da razão, sobre um mal ainda existente em pleno séxulo XXI. Qualquer pessoa de bom senso e que consiga formar sua opinião baseada em evidências (ainda mais tão bem explicados por uma cientista ;-), tirará muito proveito de seus posts para eliminar um pouco dos preconceitos que todos aprendemos desde pequenos.

    Abração!

    default user iconTom ‒ segunda, 29 setembro 2008, 11:19 BRT # Link |

  2. Lívia Maat escreveu:

    Oi, Maurício

     Na verdade o texto é meu e da Verônica, só pegamos a citação do Louis Crampton para começar, de modo a situar o leitor na amplitude do problema, mostrando que não somos somente nós que achamos que a amplitude e profundo enraizamento da homofobia são problemas que pedem explicação.

    Concordo plenamente com sua colocação sobre comportamentos, mas parece que alguns fanáticos consideram que o fato de eu namorar outra mulher escandaloso o suficiente para classificá-lo como prejudicial à sua saúde psicológica, de modo que é legítimo nos perseguir :P 

    Lívia e Verônica MaatLívia Maat ‒ segunda, 29 setembro 2008, 11:24 BRT # Link |

  3. escreveu:

    Olá.   Ótimo texto.Desde menino não entendia como poderia condenar algo com outra coisa que eu já condenava... a ignorância e crueldade. Como pode pessoas serem cruéis e ignorante ao ponto de fazer sua opinião valer por estes meios e ainda querer estar certa..na verdade até hoje não entendo. Cheguei a ler e estudar a bíblia, e sim, ela condena a homossexualidade, mas não diz: "CONDENEM!!".. quem somos nós para julgar o outro(tb escrito nela).Acho assim: Eu não consigo entender como ocorre o homossexualismo,o porquê, e não acho importante entender, mas respeito e isso sim acho importante, respeito ao próximo, independente de qualquer coisa.  Claro, as pessoas são diferentes, o rídiculo é imaginar que é bem provável que todos algum dia já tenham sido discriminados por algum motivo e mesmo assim discriminam. Realmente o texto de vocês esta ótimo. Parabéns e abraços.

    default user icon ‒ segunda, 29 setembro 2008, 12:01 BRT # Link |

  4. Visitante escreveu:

    Cristo reuniu pessoas e lhes ensinou -- aceitando os evangelhos como se apresentam a nós -- a amarem ao próximo e a Deus. Quebrou paradigmas e tabus de sua época, como ensinar e ouvir mulheres publicamente, trabalhar no sábado e granjear amigos ainda que com riquezas da injustiça (o que? não sabia? jamais um pregador televisivo mencionaria esse texto, é verdade, mas ele está lá...). Até o ferrenho ateu R. Dawkins reconhece que Jesus pode ser considerado um bom exemplo de ética independente, já que fora criado no judaísmo e rompeu com os costumes, mandamentos e tradições que considerara inúteis.O comportamento sexual, conforme Jesus, deve basear-se no amor. Os discípulos chegaram a retrucar-lhe: 'se essa é a condição do homem referente a mulher, é melhor não casar-se...' (ele havia dito que não deveriam repudiar as esposas por motivos banais, mas cultivar a convivência e o amor mesmo nos difíceis trâmites da vida conjugal).Não ficaram registradas palavras suas sobre homossexualismo, mas ficaram palavras sobre os eunucos. Segundo ele, alguns se fizeram eunucos por força, outros o são de nascimento, e outros pelo Reino de Deus, e acrescentou: "quem puder aceitar isso que aceite". Ou seja, não impôs sua opinião. Ou seja, se há uma salvação e uma vida eterna, com certeza não será respaldada em algo que ele mesmo considerou como de opinião facultativa.Mas o cristianismo condena o homossexualismo, pelo menos e sua versão tradicional. O texto bíblico como um todo também. Não apenas nas leis de Moisés (Antigo Testamento) mas também das cartas de Paulo (Novo Testamento), nas quais ele classifica o comportamento homossexual de 'paixões infames' (há quem diga que trata-se de particular interpretação, mas não consigo ver dessa forma).O evangelho não convida as pessoas a serem felizes, mas a trabalharem por um mundo de justiça e paz. Os pregadores historicamente corromperam esse modelo original: "Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me", foi o apelo de Jesus. Não se trata de um convite ao bem estar, ao país das maravilhas (onde é possível ganhar milagrosamente curas, estabilidade e independencia financeira, sucesso profissional etc.), mas a uma guerra. E não se trata, concomitantemente, em fazer guerra às pessoas, em suas culturas, opiniões, crenças, etc., mas ao mal. O resultado requerido desse embate, segundo o apóstolo Paulo, são os frutos do espírito: amor, mansidão, paz, longanimidade, benignidade, temperança, fidelidade, bondade, alegria. Qual dessas virtudes defrauda os direitos alheios, a liberdade ou a dignidade humana? nenhum, a menos que tomadas a pretexto de atitudes verdadeiramente contrárias a elas. Não, o evangelho -- exatamente como apresentado nos canonicos -- não defrauda a liberdade de ninguém, pelo contrário, convida as pessoas a uma nova vida, ou a uma nova perspectiva de vida. As pessoas precisam de liberdade, o que só se consegue, segundo Jesus, conhecendo a verdade. Que a verdade nos liberte de nossos erros, de nossos pressupostos falsos, de nossos preconceitos e de nossas razões que vituperam os ensinos de Cristo. Para conheçer melhor sobre a fé cristã, não consulte pregadores de prosperidades estraordinárias e miraculosas (televisivos ou não), nem igrejas milionárias. Consulte os evangelhos com todo pensamento crítico e desprovido de opinião preconceituosa.André

    default user iconVisitante ‒ segunda, 29 setembro 2008, 16:20 BRT # Link |

  5. Verônica escreveu:

    Olá a todos, Eu sou a Verônica Maat. Fico muito feliz por ver que esse espaço tem sido bem frequentado e, o mais importante, os leitores estão participando. A idéia disso tudo é justamente estabelecer um diálogo com todos que concordam e/ou discordam de nossas opiniões. Gostaria muito de agradecer aos comentários e sugestões de vocês. Bom, Não espero, e certamente a Lívia concorda comigo, que todos sejam favoráveis e militantes da causa GLBTT. A questão é justamente definir muito bem até onde vai a discordância e começa a falta de respeito. Penso que a falta de respeito não é somente o fato de homofóbicos agredirem verbalmente e fisicamente homossexuais, é também o descaso das autoridades que até hoje não tomaram atitudes firmes contra esses marginais que atentam em primeiro lugar contra a vida e o bem estar de outros seres humanos {meu teclado está com problemas, desculpe por eventuais incorreções gramaticais}. A falta de respeito também é visível quando pastores, padres, e outros religiosos pregam para seus fiéis que pessoas que não correspondem ao ideal de comportamente cristão são infames pecadores que queimarão no fogo do infermo, por mais que não seja o objetivo imediato desses senhores estimular o ódio, acabam chegando a esse ponto quando dizem coisas do tipo para pessoas humildes que consideram tudo que for dito pelos ministros de Deus uma verdade inquestionável. É também uma tremenda falta de respeito quando direitos civis de homossexuais são limitados pela bancada radical evangélica que impede que coisas básicas, como a união civil, sejam aprovadas e levem à cabo o objetivo principal de nossa Carta Magna que é garantir o direito de todos os cidadãos de nossa República. Poderia dar outros vários exemplos, mas fiquemos por aqui. Outra coisa que deve ser dita: não intentamos escrever um texto de ataque à Bíblia propriamente dita, e sim as interpretações, se não erradas no mínimo radicais, engendradas por CERTOS segmentos religiosos. Eu não sou religiosa, mas me sinto na obrigação de criticar algo que eu considero não só errado, mas que atinge diretamente eu, meus amigos, minha namorada e tantas outras pessoas. Verônica

    default user iconVerônica ‒ segunda, 29 setembro 2008, 19:01 BRT # Link |

  6. Lívia Maat escreveu:

    Caro André (que aparece sob o nome genérico Visitate),

    Suponho que estivesse se referindo à Epístola aos Romanos, quando falou sobre Paulo. Pois bem, existem sim interpretações outras para este trecho, que aqui copio do livro "O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade", do padre Daniel Helminiak. Perdoe-me se você estava se referindo a outro trecho da Bíblia.

    "26Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas (atimias): as suas mulheres mudaram as relações naturais (physiken) em relações contra a natureza (para physin). 27Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural (physiken) da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza (aschemosyne), e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario."

    O argumento do autor para explicar as outras possíveis (e plausíveis) interpretações para as palavras gregas em itálico é longo e cansativo. Aqui vai um brevíssimo resumo: para Helminiak, Paulo utiliza o termo physiken no sentido de 'comum, ordinário', e não de 'natural' no sentido que muitos pregadores cristãos adoram utilizá-la. Da mesma maneira, para physin teria sido usado no sentido de 'fora do comum, extraordinário'. Isso por si só já retiraria a conotação pejorativa incutida na tradução para o português.

    Da mesma forma, atimias pode muito bem ter sido usado no sentido de 'não ser visto como respeitado pela sociedade'. O mesmo ocorre com aschemosyne. É claro que, para um gay cristão isso não muda muita coisa, mas é preciso guardar as diferenças do que era aceitável na época de Paulo e o que entendemos por aceitável atualmente. A mim não interessa o que o povo judeu do século I achava a respeito de duas pessoas do mesmo sexo se divertindo um pouco, a não ser a partir do momento em que isto possa me ajudar a compreender a origem da homofobia.

    Mas gostei do que você disse sobre a verdade: "As pessoas precisam de liberdade, o que só se consegue, segundo Jesus, conhecendo a verdade". Espero ter te ajudado de alguma forma a compreender que a verdade por trás de uma tradução por vezes tendenciosa não é tão facilmente atingida ;)

    Lívia e Verônica MaatLívia Maat ‒ segunda, 29 setembro 2008, 21:15 BRT # Link |

  7. Tarsila escreveu:

    Oi,

    Uma maneira que acho muito interessante de se analisar religiões - embora eu não seja nenhuma cientista, e as minhas análises às vezes parecem mais artigo de revista feminina do que de uma pessoa formada na USP rs - é analisando o ambiente que gerou estas crenças.

    Pra mim, faz muito sentido que uma religião gestada num deserto tenha um único Deus; tenha um corpo de regras morais rígidas e que tenha ênfase na dominação do ambiente e na maximização de recursos para a sobrevivência. Por exemplo, se um homem faz sexo com outro homem, ele estaria "desperdiçando" energias (sêmen, líquidos etc) que poderiam ser usadas para tentar perpetuar a sobrevivência do clã, e ferir esta norma poderia, no longo prazo, comprometer a própria sobrevivência do clã.

    Posso estar viajando no meu pensamento, mas o que me interessa é a forma como estes valores são deslocados ao viajarem no tempo e no espaço, e como algo que se originou como um conjunto de regras práticas de uma sociedade específica, tornam-se, ao se desconectar da realidade humana que o gerou, em um conjunto de valores anti-humanos, que não têm mais utilidade para gerar estes "frutos do espírito" que foram mencionados pelo André (amor, mansidão, paz, longanimidade, etc).

    Que sentido este tipo de espiritualidade (não estou julgando as religiões judaico-cristãs - já cansei de fazer isso e já aprendi que não tem a ver com a religião em si, mas em como certas pessoas a vivem) tem em uma realidade como a nossa, de uma megalópole com abundância de população e comida, conectada ao resto do planeta de infinitas formas?

    Eu sei que este tipo de espiritualidade não tem sentido algum para mim - isso me angustiou por um tempo, por não achar nenhuma espiritualidade que se adeque neste cenário, e a saída para mim, por enquanto, é aceitar uma crença que muda de forma a cada dia.

    Desculpem, foi em parte um comentário ao texto de vocês e um desabafo religioso :)

    Tarsila Mercer de SouzaTarsila ‒ segunda, 29 setembro 2008, 21:42 BRT # Link |

  8. Ana escreveu:

    Para mim isso é um círculo vicioso: religiosos homofóbicos e homossexuais teofóbicos, ahh tem os ateus homófobicos, parece que no fundo todo mundo quer odiar todo mundo e no fim há intolerância de todas as partes, seria bem melhor se todo mundo estiver de acordo com o que EU penso, assim não precisaria brigar com ninguém, quem sabe eu até conseguiria praticar o fruto do espírito citado acima...

    default user iconAna ‒ terça, 30 setembro 2008, 11:19 BRT # Link |

  9. Lívia Maat escreveu:

    Tarsila,

    Talvez sua interpretação possa sim conter alguma verdade, e se não me engano isso já foi sugerido por alguns autores. Mas acho a interpretação do Daniel Helminiak, o padre cujo livro já citei aqui, brilhante: para ele, a não aceitação da homossexualidade (que ele chama de homogenitalidade, já que o conceito todo que envolve a palavra 'homossexual' é muitíssimo mais novo) deriva da necessidade de auto-afirmação do povo judeu como diferente do 'resto'. E o 'resto' muito provavelmente apresentava tal comportamento. Ele tira esta interpretação do fato de os judeus terem tentado (creio que com estrondoso sucesso) se diferenciar dos 'outros' de inúúúmeras outras maneiras, e o contexto de alguns versículos dá margem a esta interpretação.

    E obrigada pelo comentário, bom te ver aqui :)

    Ana,

    Conforme mostrado no texto, acreditamos que a culpa do ódio é fundamentalmente das pessoas, daqueles que interpretam o que consideram sagrado no sentido de deliberadamente legitimar o seu próprio ódio, e ainda o propagam a outros. Assim, dificilmente nos enquadraríamos na categoria que você citou, "homossexuais teofóbicos". Deus é problema de quem acredita nele. Mas o que as pessoas fazem a partir do livrinho supostamente inspirado por ele é, infelizmente, problema meu sim. Quem me dera não fosse...

    Lívia e Verônica MaatLívia Maat ‒ terça, 30 setembro 2008, 12:04 BRT # Link |

  10. Tábata Colin escreveu:

    Uauuuu..to adorando isso!! não sou homossexual mas não vejo diferença nenhuma...respeito, independe do que é ou deixa de ser, e a coisa que as religiões mais fazem é desrespeitar umas as outras, não aceitam isso e aquilo, sempre tem "interpretações"( desculpas esfarrapadas) diferentes  para o mesmo assunto..."As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas."(Luis Fernando Veríssimo). Não sigo a nenhuma religião, mas respeito se alguém acredita em E.T., não vou querer fazer você crer no Pé grande porque eu acredito... as histórias são todas iguais o que muda é somente o personagem, mas estas histórias interferiram, interferem e vão interferir na vida de muita gente... Outra coisa, Tarsila, você acha que o ser humano necessita por mais gente no mundo ?? Já não há criança abandonada o suficiente para perpetuar a espécie?? Casais homossexuais adotam crianças , significa e há menos uma criança largada... Isso não significa que o mundo será gay e a humanidade acabará...isso foi ridículo...tudo está em equilíbrio. Me desculpem se minha interpretação não foi feliz mas ta ai! beijos   Tábata

    default user iconTábata Colin ‒ terça, 30 setembro 2008, 13:17 BRT # Link |

  11. Antonio Candido de Camargo Guimaraes Junior escreveu:

    Não entendo muito bem qual é a motivação de explorar as falhas, distorções e contextualizações nos textos e interpretações bíblicas para contradizer aqueles que se baseiam nelas para reprovar o homossexualismo. E se, independentemente delas, o homossexualismo fosse mesmo condenado pela Bíblia? E daí? Não seria a construção desta argumentação mais voltada para o conforto mental do próprio argumentador (que se importa com a Bíblia) do que para o convencimento de outros? (estou assumindo que a discussão ocorre num estado laico). 

    Se uma determinada religião diz, baseada no que quer que seja, não importa, que um determinado comportamento ou ação é errada, é pecado, você vai pro inferno e escambau, querer forçá-la a negar esta crença não é interferir na liberdade de credo? Minha questão é: as religiões não tem o direito de condenar o homossexualismo (ou o que quiserem) dentro de suas esferas?

     

     

     

    Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido de Camargo Guimaraes Junior ‒ terça, 30 setembro 2008, 14:34 BRT # Link |

  12. Lívia Maat escreveu:

    Antonio,

    Obrigada pelas colocações. Tentarei respondê-las uma a uma aqui mesmo, embora todas elas merecessem um post especial, que espero escrever um dia.

    Nosso objetivo (imagino que o da Verônica seja o mesmo) passa muito longe de querer mudar a concepção que determinada religião tem sobre a homossexualidade. Ele é muito mais modesto: queremos levar às pessoas, religiosas ou não, a enxergar que aquilo que o pastor/padre/rabino/etc. diz é passível de crítica, como qualquer outra coisa dita por qualquer pessoa. A existência de um livro, escrito por um padre, contradizendo a interpretação usual da Bíblia sobre homossexuais é uma demonstração cabal disso.

    O que acontece é que as pessoas em geral precisam de alguém para lhes dizer o que é certo e o que é errado, e alguns religiosos mal intencionados têm usado de seu poder de persuasão para propagar o ódio. E que fique claro que propagar o ódio é muitíssimo diferente de condenar a homossexualidade dentro de suas esferas. Eles podem perfeitamente achar que não é digno homens terem cabelos compridos (o que de fato é descrito na Bíblia, mas que por algum motivo não é repulsivamente odiado hoje em dia), e portanto condenar quem os têm, achá-los pecadores. Mas isto não lhes dá o direito de sair por aí dizendo para as pessoas que eles devem ser curados com umas boas tesouradas, ou que uma nova espécie de piolho é a nova praga dos cabeludos. Curados de quê? Do pecado que existe na cabeça deles, mas que não é visto como tal pelo rapaz?

    Por algum motivo que não consigo entender, muitos religiosos têm grande dificuldade em entender que o é pecado para eles pode não ser pecado para os demais. À medida que eles são incapazes de perceber isto, são incapazes também de perceber qual é o limite entre a sua esfera (o seu direito de me achar uma pecadora, e ponto final) e o resto do mundo (por exemplo, na ação criminosa de espalhar por aí que homossexualidade é sinônimo de pedofilia).

    Assim, nosso objetivo é mostrar às pessoas que as coisas não são certas ou erradas, que não existe este dualismo apenas. Existem interpretações, e é muito mais racional saber das facetas das coisas e ter sua própria interpretação, do que acreditar em algo que fulano ou sicrano disse que é bom ou ruim. Isto é o exercício da espécie humana por excelência, e que infelizmente tão pouca gente pratica. E meu ponto principal é o de que a interpretação literal da Bíblia tem sido uma grande, senão a maior, legitimadora do ódio aos homossexuais. E eu, como lésbica, tenho muito a perder com isso. E explorar falhas, distorções e contextualizações me parece um meio muitíssimo eficaz de combater a ignorância crédula.

    (Acabo de me perguntar por que, em apenas dois posts, tanta gente sugeriu ou pensou que de fato me importo com o que a bíblia diz sobre mim. Comentários sobre isso?).

    Lívia e Verônica MaatLívia Maat ‒ terça, 30 setembro 2008, 18:30 BRT # Link |

  13. Verônica Maat escreveu:

     O cristianismo se pretende universal. Isso não está restrito tão somente à Igreja Católica (Católico = Universal), mas se reflete na esmagadora maioria das denominações cristãs que partem da premissa que há um só Deus e que esse Deus é de todos. As condenações e graças do Deus único atingem toda a humanidade independente da diversidade religiosa, ou do ateísmo, etc.... os cristão têm por uma de suas obrigações espalhar a mensagem única e verdadeira, pois, no fim, todos nós vamos compartilhar de um mesmo destino. A tentativa de impor seus preceitos para todos, dessa forma, está fundamentada na doutrina. Todavia, tudo isso vai de encontro aos Estados (Ocidentais modernos). De que lado ficamos? A nossa Constituição garante a liberdade religiosa, assim, não é lícito colocar barreiras ao ímpeto cristão. Da mesma forma, a Carta Magna garante as liberdades e direitos civis de todos os cidadãos, o que muitas vezes é limitado pelos mesmos cristãos baseados em suas doutrinas e que possuem o direito de fazer isso o que fazem! É um embate complexo... devemos nos manter inertes diante disso? Somente observar? Ou cabe a nós refletir, debater, lutar em favor de uma sociedade mais justa? Mas de que lado está a justiça? Penso que é hora de tomarmos partido não só para fazer número, mas para efetivamente participar! Eu e a Lívia decidimos contribuir de alguma forma com os nossos "companheiros e companheiras". Obviamente que isso tem uma série de implicações! Como falar de cristianismo sem falar na Bíblia? Como não nos preocupar com o que está escrito e de que maneira isso é interpretado? São assuntos polêmicos, são assuntos que geram um ferrenho debate, mas são assuntos necessários, penso eu... felizmente debates e polêmicas fazem parte da democracia! Não é uma questão de ódio, pelo menos da nossa parte, é uma questão de exercício da cidadania.

    default user iconVerônica Maat ‒ quarta, 01 outubro 2008, 01:21 BRT # Link |

  14. Monthiel escreveu:

    Olá, Não sou gay nem tenho nada contra. Gostaria apenas de deixar registrado meus parabéns tanto para a autora do texto, quanto para os outros comentaristas. Esse foi, se não o melhor, o mais perfeito debate que já li. Parabéns a todos os envolvidos. Abraços,

    default user iconMonthiel ‒ sexta, 03 outubro 2008, 15:34 BRT # Link |

  15. Daniela Prado escreveu:

    Acho Cristo um gato, lindo!!! Principalmente quando é representado de cabelos castanho-claros longos e olhos azuis ou cor de mel. Tenho até algumas imagens dele em casa (que ganhei de minha mãe) para os momentos de solidão.

     

    default user iconDaniela Prado ‒ sexta, 03 outubro 2008, 15:51 BRT # Link |

  16. Maurício Kanno escreveu:

    oie!

    nao resisti, e produzi um post respondendo o comentario da Daniela sobre a cara de Jesus Cristo: http://stoa.usp.br/mauriciokanno/weblog/33600.html

    Maurício KannoMaurício Kanno ‒ sábado, 04 outubro 2008, 09:04 BRT # Link |

  17. Tarsila escreveu:

    Dani, achei teu comentário pelo post do Mauricio.

    Tá com complexo de Madonna é rs? Te entendo, já tive isso rs...

    Tarsila Mercer de SouzaTarsila ‒ sábado, 04 outubro 2008, 12:28 BRT # Link |

  18. escreveu:

    Passari Dimas, SEXUALIDADE HUMANA: Desvio de conduta regrada por bases biológicas e sociais1. Se a lívia se diz evolucionista e supondo que a evolução apregoa que todos os órgãos de qualquer animal TEM de ter uma função, porque a dita evolução dispensaria MATERIAL & ENERGIA para produzir um ESCROTO e uma BOLSINHA com uma finalidade única e exclusiva para disperdiçar seu contúdo no ânus de outro sexo semelhante? Porque um óvulo, e os biólogos reconhecem, é muito caro energeticamente, sendo o único local do corpo, assim como o escroto, onde se produz células com metade dos cromossomos - é a tôa, já entendi - a dita evolução falhou em muitos organismos!2. De fato há comportamentos homosexuais entre outros animais, porém, se a Lívia e congêneres se apronfudassem um pouco mais verificariam que estes animais se comportam temporariamente com homosexuais seja por falta do sexo oposto na época reprodutiva, e neste caso os órgãos sexuais sofrem transformação para o outro sexo, seja por subjulgação ao macho/ fêmea alfa-dominante do grupo e, novamente, temporariamente pois dada a oportunidade reassumem sua sexualidade, me desculpem, natrual. Será que está faltando sexo oposto na espécie humana ou os homosexuais são semelhantes subjulgantes. Veja bem, não afirmo isso, mas levanto o debate!3. Sugere-se também que entre os animais seria uma forma de controle populacional. Assumindo que a homosexualidade não é de hj e que no período ancestral havia pouquíssimas pessoas, então esse argumento não se sustenta.4. Concordermos com a dita DIVERSIDADE SEXUAL e teremos que considerar e relevar a pedofilia; porque se se tem preferência sexual pelo mesmo sexo, há daqueles que tem preferência por fazer sexo com seu irmão/ irmã de 3 anos - inclusive anal. O incesto tem consequências drásticas e qq biólogo sabe o porquê. Será que é tão dificil de extender isso? No início de qq civilização e de outros animais houve incesto para começar todas as espécies. Agora, verifiquem em todas essas espécies (inclusive humana) o quanto elas não lutam (morfologia, repulsão, comportamentos...) para evitar o endocruzamento!5. No ser humano o ato sexual ente macho e fêmea assumiu outro papel além do reprodutivo (que no final, verifiquem, recai na reprodução fitness reprodutivo); ele seria um meio de manter a coesão familiar entre pares e assegurar à fêmea proteção e maiores cuidados com sua prole (e por ludibriação hj elas acham isso piegas, embora em último caso, jamais deixaram de inconscientemente buscar isso, vcs já reparam que 98% dos casais heterosexuais o macho é sempre maior - eu tenho explicações - quero que vcs me expliquem); do mesmo modo asseguraria ao macho uma companheira sexual; pois assim como as mulheres vêem os homens como RECURSOS ECONÔMICOS, os homens as vêem como RECUSROS SEXUAIS.6. Assumindo que se TODOS os carros não andassem em linha reta mas buscassem TODOS se colidirem não haveria tráfego (sobre congestionamento falem com o Kassab e com os milhões que abandonaram suas cidades para congestionar aqui, além de seu desenfreado consumo de trocar um produto sem que o mesmo faça se quer aniversário). Se todos buscassem a prática homosexual (é bom que se diga que ela permeia apenas a reprodutiva) não haveria civilização por motivos óbvios, sendo naturalista ou não precisa dizer que tem algo a mais e por isso o desejo pelo mesmo sexo sempre será tabu e condenado? Seja da ONU, do Vaticano, do Vizinho. Crianças com DOIS ANOS de idade, sem que se tenha ainda apreendido a cultura de seus pais e sociedade local, se pasmaram em um estudo científico quando foram apresentadas a vídeos de homens com voz de mulheres ou mulheres de barba; mas sorriram e se sentiram confortadas qd expostas aos seus contrários - Quem mandou na situção BIOLÓGICO OU SOCIAL?7. A Bióloga lívia, penso, deseja a VIDA, pois lida com isso. Como seu comportamento poderia contribuir para a vida e não para a morte da espécie humana? Vida gerando (perpetuando) vida é a máxima da seleção sexual; mas prefere-se esconder-se atrás de um conflito interno (sim, Freud explica, Lívia) de assumir o papel e representar aquele/a que lhe frustrou na infância (frustração nem sempre negativa).8. O ser humano tem dificuldades em se enchegar como biológico (animal) e como social (cultura), buscando sempre justificar-se em termos de repressão cultural. Quero que pensem de verdade, principalmente os biólogos se muitos dos atos sociais e culturais não tiveram ao menos ancestralmente sua origem no humanos primitivos.9. Freud explica, coniventes, ele dizia que os primeiros anos de uma criança são fundamentais para a determinação do caráter da mesma. Como sou da BIOLOGIA tenho claro que as primeiras gerações de qualquer espécie animal, vegetal... são determinantes para estampar os princípios e moralidades (submissão, apaziguamento, cópulas, prioridades da presa caçada...) para ela, assumindo uma certa plasticidade de comportamentos que não vão contra eles próprios.10. Se tudo que se que é estar vivo, então, não posso concordar com uma atitude que vai contra a vida seja a retirada dela (assassinos, abortos, suicídio) seja sua negação na não concepção dela por aqueles que buscam o ato sexual por gêneros semelhantes ao seu. A esterelidade é prevista pela evolução e seres assim são previstos serem eliminados/ extintos/ raridade por não serem naturais e não contribuírem para o fitnees reprodutivo. Argumentem a homosexualidade, se conseguirem, baseados nesse princípio evolucionistas - EVOLUVIONISTAS CONIVENTES11. Prícipios que regem o reino ANIMAL: Sobrevivência e Reprodução. 12. Por fim. Ninguém tem nada com a vida do outro - correto se fôssemos seres solitários. A socialidade implica colaboração; condenação de atos não convenientes, estímulo positivo aos que são... Há homosexuais fantásticos e heterosexuais imbecis, mas não me peçam para concordar com uma atitude que ai contra a vida - PELO AMOR DE DEUS E DA EVOLUÇÃO.

    default user icon ‒ sábado, 04 outubro 2008, 17:53 BRT # Link |

  19. Maurício Kanno escreveu:

    ola, mr. passari,

    infelizmente seu texto ficou uma bagunca na formatacao, pq deve ter colado do Word... ainda assim tive paciencia para ler, e gostaria agora de rebater alguns pontos com os quais discordo profundamente:

    4. Concordermos com a dita DIVERSIDADE SEXUAL e teremos que considerar e relevar a pedofilia; porque se se tem preferência sexual pelo mesmo sexo, há daqueles que tem preferência por fazer sexo com seu irmão/ irmã de 3 anos - inclusive anal.

    de onde vc tirou que respeitar diversidade sexual, especialmente de homo e bissexuais, implica que tambem ha que respeitar pedofilos?

    nao sao nem um pouco equivalentes, porque o que se esta defendendo aqui eh uma relacao entre pessoas maduras. pedofilos abusam de criancas imaturas, sem consciencia suficiente para discernir algo do tipo.

    6. (...) Se todos buscassem a prática homosexual (é bom que se diga que ela permeia apenas a reprodutiva) não haveria civilização por motivos óbvios, sendo naturalista ou não precisa dizer que tem algo a mais e por isso o desejo pelo mesmo sexo sempre será tabu e condenado? Seja da ONU, do Vaticano, do Vizinho.

    7. A Bióloga lívia, penso, deseja a VIDA, pois lida com isso. Como seu comportamento poderia contribuir para a vida e não para a morte da espécie (...)
    10. Se tudo que se que é estar vivo, então, não posso concordar com uma atitude que vai contra a vida seja a retirada dela (assassinos, abortos, suicídio) seja sua negação na não concepção dela por aqueles que buscam o ato sexual por gêneros semelhantes ao seu. A esterelidade é prevista pela evolução e seres assim são previstos serem eliminados/ extintos/ raridade por não serem naturais e não contribuírem para o fitnees reprodutivo. Argumentem a homosexualidade, se conseguirem, baseados nesse princípio evolucionistas - EVOLUVIONISTAS CONIVENTES
    11. Há homosexuais fantásticos e heterosexuais imbecis, mas não me peçam para concordar com uma atitude que ai contra a vida - PELO AMOR DE DEUS E DA EVOLUÇÃO.  
    ninguem aqui esta falando que todos deveriam ser homossexuais. apenas que ha alguns individuos que preferem a vida homossexual e desejam ser respeitados neste estilo de vida. a proposito, em termos sustentaveis da populacao humana no planeta, seria otimo que aumentasse o numero de pessoas homossexuais ou outras que nao possam se reproduzir, jah que jah somos mais de 6 bilhoes de humanos em um planeta Terra cada vez mais exaurido. sou muito a favor de um controle populacional, de preferencia, claro, voluntario.
    esta mentalidade de "vamos nos procriar, vamos nos procriar" eh o que estraga, isso sim. ha cada vez mais gente no mundo, morrendo de fome, desempregada, etc., em boa parte devido a esta mentalidade totalmente ultrapassada.
    alem disso, ha tb outras pessoas, heterossexuais - muuuitas, talvez a maioria? - hoje em dia que buscam o sexo sem finalidades puramente reprodutivas, mas pelo prazer, e qual eh o problema nisso? vc esta causando mal a algum outro individuo por isso?
    nao faz o menor sentido comparar homossexualidade (ou simplesmente heterossexuais que nao se tem filhos com suas relacoes, evitando assim botar mais gente no mundo - e como ainda nao existe o filho, nao ha interesses com que se preocupar) com assassinatos (que se trata de tirar a vida de alguem que jah vive, e tem seus devidos interesses e emocoes).
    Crianças com DOIS ANOS de idade, sem que se tenha ainda apreendido a cultura de seus pais e sociedade local, se pasmaram em um estudo científico quando foram apresentadas a vídeos de homens com voz de mulheres ou mulheres de barba; mas sorriram e se sentiram confortadas qd expostas aos seus contrários - Quem mandou na situção BIOLÓGICO OU SOCIAL? 
    nao sei que estudo eh esse que vc citou tao vagamente, mas isso nao quer dizer nada. quem aqui esta defendendo que homens tenham voz de mulheres ou mulheres tenham barba? simplesmente luta por respeito as escolhas de relacionamento de cada um.
    alem disso, sim, muitas pessoas tem uma certa rejeicao aos homossexuais, mas como evolucao humana, creio que isso deve ser aprendido a se respeitar. e esta sendo aprendido, cada vez mais, gracas a Deus.

    Maurício KannoMaurício Kanno ‒ domingo, 05 outubro 2008, 03:21 BRT # Link |

  20. Tarsila escreveu:

    "Mauricio, vou seguir o teu estilo, gostei.

    Vamos lá:

    "

    1. Se a lívia se diz evolucionista e supondo que a evolução apregoa que todos os órgãos de qualquer animal TEM de ter uma função, porque a dita evolução dispensaria MATERIAL & ENERGIA para produzir um ESCROTO e uma BOLSINHA com uma finalidade única e exclusiva para disperdiçar seu contúdo no ânus de outro sexo semelhante? Porque um óvulo, e os biólogos reconhecem, é muito caro energeticamente, sendo o único local do corpo, assim como o escroto, onde se produz células com metade dos cromossomos - é a tôa, já entendi - a dita evolução falhou em muitos organismos!"

     

    Nao sou da biologia, mas entendo a evolução como a continuidade da espécie, que não necessariamente significa procriação de cada indivíduo em uma sociedade, mas sim da preservação da sociedade como um todo. Quando você fala isso, parece que "a natureza MANDOU que todos tivessem filhos". Vai falar isso na China "Vamos galera, procriem!!!". O governo te executa, imagino.

     

    "3. Sugere-se também que entre os animais seria uma forma de controle populacional. Assumindo que a homosexualidade não é de hj e que no período ancestral havia pouquíssimas pessoas, então esse argumento não se sustenta."

     

    Isto é relativo, não se trata de número de pessoas, penso, mas do volume de pessoas em relação à capacidade de sustentá-las em determinada sociedade e em determinado ambiente.

     

    "4. Agora, verifiquem em todas essas espécies (inclusive humana) o quanto elas não lutam (morfologia, repulsão, comportamentos...) para evitar o endocruzamento!"

     

    Poderia citar exemplos? é que lembro dos meus coelhos, onde isso não ocorria. Talvez "coelho" seja precisamente o pior exemplo pra isso q vc falou rs mas enfim.

     

    "

    5. No ser humano o ato sexual ente macho e fêmea assumiu outro papel além do reprodutivo (que no final, verifiquem, recai na reprodução fitness reprodutivo); ele seria um meio de manter a coesão familiar entre pares e assegurar à fêmea proteção e maiores cuidados com sua prole (e por ludibriação hj elas acham isso piegas, embora em último caso, jamais deixaram de inconscientemente buscar isso, vcs já reparam que 98% dos casais heterosexuais o macho é sempre maior - eu tenho explicações - quero que vcs me expliquem); do mesmo modo asseguraria ao macho uma companheira sexual; pois assim como as mulheres vêem os homens como RECURSOS ECONÔMICOS, os homens as vêem como RECUSROS SEXUAIS."

     

    Nos gorilas, o sexo homossexual entre as fêmeas é utilizado como atividade de coesão social, e a coesão social é uma das formas encontradas pelos seres para proteção. (uma referência: http://glsplanet.terra.com.br/news/animal.shtml)

    Outra coisa, você critica que os seres humanos têm dificuldade para pensar-se como seres biológicos, mas vc está fazendo o extremo oposto - está os pensando de maneira estritamente biológica e se esquecendo do social.

    Eu penso esta última frase que você falou como diferente na sociedade em que vivemos (Sao Paulo como exemplo). Homens e mulheres não podem ser classificados exclusivamente desta forma (homens = recursos econômicos e mulheres = recursos sexuais). E acho que se você for a fundo em estudos de antropologia, conseguirá encontrar diversos exemplos para isto que estou dizendo.

     

    "7. A Bióloga lívia, penso, deseja a VIDA, pois lida com isso. Como seu comportamento poderia contribuir para a vida e não para a morte da espécie humana? Vida gerando (perpetuando) vida é a máxima da seleção sexual; mas prefere-se esconder-se atrás de um conflito interno (sim, Freud explica, Lívia) de assumir o papel e representar aquele/a que lhe frustrou na infância (frustração nem sempre negativa)."

     

     

    De novo, pensando exclusivamente biologicamente e ignorando as esferas intrapsíquica e social. Acho que não dá para estudar o ser humano sem levar em conta as três esferas.

     

    "11. Prícipios que regem o reino ANIMAL: Sobrevivência e Reprodução."

     

    Então, entendo que contribuir para a sobrevivência da espécie não signifique somente "trepar e parir", mas como você disse, em "sobreviver". Neste comentário, você argumenta como os homossexuais não podem reproduzir (o que, vamos combinar, é óbvio). Mas você deixa implícito nesta frase que estes são inaptos a sobreviver - vamos, argumente o porquê disto.

     

    E mais - toda essa discussão não passa de punheta mental (ou seja, desperdício de esperma rs) sem conhecer exatamente o que envolve a homossexualidade em termos "biológicos, intrapsíquicos e sociais". E vamos combinar de novo, não há um consenso quanto a isto.

     

     

     

     

     

     

     

    Tarsila Mercer de SouzaTarsila ‒ domingo, 05 outubro 2008, 20:00 BRT # Link |

  21. Tarsila escreveu:

    AH mas eu tinha vindo aqui na verdade pra deixar este link:

     

    http://smellycat.com.br/2008/10/04/dave-e-lonnie-conversam-sobr

     

    Bjs

    Tarsila Mercer de SouzaTarsila ‒ domingo, 05 outubro 2008, 20:03 BRT # Link |

  22. Tarsila escreveu:

    Corrigindo comentário anterior - nao acho que a discussao toda seja punheta mental, mas sim essa história de tentar validar ou invalidar a homossexualidade pelo ponto de vista biológico.

    Tarsila Mercer de SouzaTarsila ‒ domingo, 05 outubro 2008, 22:11 BRT # Link |

  23. Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini escreveu:

    Minha questão é: as religiões não tem o direito de condenar o homossexualismo (ou o que quiserem) dentro de suas esferas?

     

    Eu posso crer no que eu quiser desde que não tente atacar alguém por causa disso.

    Por exemplo, eu acredito que pessoas jovens que fumam são pessoas idiotas e relaxadas, jogam guimba de cigarro e cinza na rua, sopram fumaça na minha cara e cheiram mal. Eu até julgo que sejam pessoas menos inteligentes que as outras. Mas e aí? Eu vou sair por aí agredindo todo fumante que eu encontro?

     

     

    Rafael Sola de Paula de Angelo CalsaveriniRafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini ‒ domingo, 05 outubro 2008, 22:12 BRT # Link |

  24. Maurício Kanno escreveu:

    Se o fumante joga fumaça na sua cara e lixo na rua com certeza não se vá agredir, mas deixar claro que você está insatisfeito com isso. Ele não tem esse direito, uma vez que está prejudicando outro indivíduo (você) e o espaço público.

    Maurício KannoMaurício Kanno ‒ segunda, 06 outubro 2008, 01:56 BRT # Link |

  25. Antonio Candido de Camargo Guimaraes Junior escreveu:

    Quem tiver interesse em aspectos evolutivos e biológicos desta discussão deve ler o livro:

     Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity by Bruce Bagemihl, St Martin's Press, New York (1999)

    Se não tiver a possibilidade de ler o livro, faça uma busca no google com o título e encontrará artigos e resenhas baseados nele. O argumento base é que o homossexualismo é um fenômeno bastante disseminado no mundo animal e é reflexo da "exuberância biológica". Este é um conceito biológico que busca explicar fenômenos biológicos que parecem pouco intuitivos seguindo um raciocínio evolucionista e funcionista estreito (tal como os apresentados pelo comentarista anônimo). Muitos outros fenômenos que requerem um "gasto energético" considerável, sem que uma contrapartida de vantagem reprodutiva aparente exista são descritos. Aparentemente a natureza, quando possui fartura de recursos, explode em diversidade de formas e comportamentos, meio que num desejo de explorar possibilidades. Faço um paralelo com a cultura humana e o desenvolvimento artístico. Um período de abundância e concentração de recursos como o proporcionado pelo comércio na Itália renascentista permitiu uma explosão exuberante da produção artística. Períodos mais austeros produziram uma arte mais contida e pouco diversificada.

    De qualquer forma, querer balisar o comportamento humano somente em aspectos evolucionistas e biológicos é uma negação da humanidade, que por definição transcende sua biologia animal. Toda a produção cultural humana, que é um legado do diferencial humano em relação aos outros animais, é testemunha desta transcendência. 

    Outra coisa: tem gente demais no mundo! Então não é por ser não-reprodutivo que comportamentos não-reprodutivos poderiam ser considerados um problema ou risco para a humanidade. O risco atual é que o excesso de gente vá consumir o mundo todo.

     

    Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido de Camargo Guimaraes Junior ‒ segunda, 06 outubro 2008, 10:45 BRT # Link |

  26. Lívia Maat escreveu:

    Caro Sr. Passari Dimas (esse é seu nome? Desculpe, mas não entendi muito bem)

    Desculpe também a demora em responder, estive sem internet esses dias.

    Desconsiderando trechos ininteligíveis como este "SEXUALIDADE HUMANA: Desvio de conduta regrada por bases biológicas e sociais" (como assim a sexualidade é um desvio de conduta?!? Ora, achei que ela fosse parte integrante de todos os animais sexuados!), vamos às respostas.

    1. Sim, sou bióloga e evolucionista. Não, a evolução NÃO apregoa que TODOS os órgãos de TODOS os indivíduos TÊM que ter uma função. Se assim fosse, e aqueles que sequer chegam à idade adulta? E aqueles que, mesmo chegando à idade reprodutiva, não conseguem se reproduzir por um motivo ou outro (exemplo: somente alguns machos de leões marinhos se reproduzem, embora talvez todas as fêmeas o façam)? E não, a evolução não apregoa que todas as partes de um animal TÊM que ter uma função. Exemplo: qual a função do meu apêndice? Não, o óvulo não é muito caro energicamente; ele é UMA célula. Ele só é energicamente caro quando comparado ao espermatozóide, muitíssimo menor e desprovido de reservas nutricionais.

    Se você realmente quer criticar a homossexualidade partindo do ponto de vista da evolução (e você tem todo o direito de tentar fazê-lo, embora as chances de ser bem sucedido sejam extremamente pequenas), por favor, primeiro APRENDA evolução. Essas DISTORÇÕES GROTESCAS que você usa para concluir, simultaneamente, que a evolução e a homossexualidade são erradas só colam diante de uma platéia completamente ignorante quando o assunto é evolução. Infelizmente, não é difícil achar público deste tipo.

    2. Caso o senhor se aprofundasse mais na diversidade de comportamentos sexuais dentre os outros animais, veria que falou uma meia verdade ao dizer que os animais só apresentam comportamento homossexual na ausência de outros do mesmo sexo. Sim, isto ocorre em ALGUNS animais, embora em outros haja extensa documentação mostrando que eles o fazem mesmo na presença de inúmeros outros do sexo oposto. Alguns, inclusive, parecem preferir um parceiro do mesmo sexo mesmo na abundância de indivíduos do sexo oposto. Exemplos: golfinhos, botos, flamingos e outras aves. Apesar de não estar com minhas referências sobre o assunto aqui, imagino que em breve postarei algo esclarecendo isto, e então as citarei todas.

    E não, não acredito que estejam faltando homens no mundo. Eu só não pretendo me unir a um a contragosto, mesmo em uma eventual ausência de mulheres (numa situação hipotética em que minha namorada não existisse).

    3. Quem sugere isso? Das poucas hipóteses levantadas para explicar a homossexualidade, esta com certeza é uma das mais fraquinhas. Se assim fosse, como isto teria evoluído e melhor ainda, como seria mantido na população?

    4. Com exceção de alguns defensores da pedofilia na Holanda, desconheço movimento em prol do respeito à diversidade sexual que inclua o respeito a pedófilos. Colocar homossexuais e pedófilos no mesmo saco é, na melhor das hipóteses, de uma ignorância sem precedentes, e, no pior, crime de difamação. Não estou afirmando que não existam homossexuais pedófilos, mas é completamente diferente reconhecer a existência de algumas pessoas assim (exatamente da mesma forma que existem heterossexuais pedófilos) e divulgar uma suposta relação existente entre a homossexualidade e pedofilia.

    5. Se você vê as mulheres como recursos sexuais, o problema é seu (e provavelmente delas também). Eu vejo nos homens a possibilidade de uma ótima amizade, no máximo, e definitivamente não vejo as mulheres como um recurso sexual. Se sua tentativa era de mostrar uma eventual fragilidade em relacionamentos homossexuais devido aos diferentes atrativos dos dois sexos, o efeito foi justamente o oposto. Sinto-me muitíssimo feliz por não ser vista por minha namorada como um recurso sexual, mas como uma pessoa capaz de fazê-la feliz neste e em todos os demais aspectos que interessam à vida humana.

    6. Pois é, que bom que nem todos são homossexuais, não é? E melhor ainda, que bom que as pessoas não podem se deixar seduzir pela "propaganda homossexual" e virarem gays. Porque parece que ser gay é tão fashion que todo mundo iria querer, não é? Não sei de onde que tiraram isso... Acontece, meu bem, que eu não sou lésbica porque quero, simplesmente porque é o que sou.

    7. Desculpe, mas tive que gargalhar dessa. Qual a relação entre eu gostar da vida e ser obrigada a me reproduzir? Como disse anteriormente, em que momento me tornei estéril por ser lésbica? E melhor ainda, que tipo de frustração infantil seria a causadora da minha vontade racional de não colaborar com a superpopulação humana (e isto é independente de minha orientação sexual), o que certamente não me impede de pensar em adotar duas criancinhas órfãs e ensiná-las a amar o que a vida tem a oferecer?

    Quem me frustrou na infância, sabichão? Como? Quando? Você me conhece e à minha família há mais vinte anos para poder opinar a respeito? Ou se trata de uma hipótese de quinta categoria, totalmente descontextualizada e sem evidências para explicar o que você não entende, mas te incomoda tanto?

    8. É possível que muitos atos sociais tenham sua origem nos humanos primitivos. E aí?

    9. Acabo de saber que vc é supostamente é da biologia, então venho apresentar meus sinceros pêsames por toda a sua falta de informação e de formação. Plantas não têm moral. Para isso é preciso, primeiramente, um sistema nervoso. E Freud não é o dono da verdade. Aliás, é muitíssimo questionado.

    10. Ser contra tudo o que vai contra a vida significa inclusive ser contra pisar em poças d'água, respirar e tomar antibióticos, uma vez que ao realizar estas três atitudes está se atentando contra a vida: vc pode esmagar uma alguinha moradora da poça, vc pode estar inalando esporos de fungos, que serão mortos por seu sistema imunológico, e vc está matando bactérias que estão felizes da vida se reproduzindo a velocidades incríveis dentro de você. Logo, para ser totalmente a favor da vida, você precisa estar morto, aí sua influência será nula na vida alheia.

    Mas não sou idiota, é claro que entendi que a única vida que te interessa, a você que se diz biólogo, é a humana. Antes de lembrá-lo que a biologia não considera a vida humana como intrinsecamente mais valiosa que as demais, gostaria de alertá-lo para não deixar jamais que seu pênis ejacule sem querer durante a noite. Milhões de possíveis vidas humanas seriam desperdiçadas. Mais grave seria transar sem a intenção de procriar, ainda mais usando camisinha ou qualquer outro  método contraceptivo. Isso é tão grave quanto transar com pessoas do mesmo sexo, uma vez que é um ato que deliberadamente não resultará em concepção. Já que você acredita tanto nisso, talvez devesse se autoflagelar cada vez que cometer um ato horrendo desses.

    11. De onde você tirou isso? Por acaso você acha que 'animal' é uma palavra uniforme? Eu sou um animal e minha vida é regida por muitíssimos outros fatores além destes citados.

    12. Eu não tenho amor a algo que não acredito que exista, logo seu apelo não me comove. E acredito que de fato ninguém tenha nada com a vida dos outros, desde que os outros não prejudiquem os demais. Se você se acha no direito de me condenar pelo simples fato de eu não QUERER me reproduzir - o que é diferente de não poder, pois, ao que me consta, não sou estéril -, não é a sua reprovação que vai me fazer perder o sono, então sinta-se à vontade. Mas não saia por aí dizendo que tenho atitudes que vão contra a vida. Isso pode ser erroneamente interpretando, e dependendo da interpretação, eu teria que te processar por calúnia e difamação. Embora eventualmente eu mate mariposas com um propósito muito claro - com a licença do Ibama, naturalmente - a inexistência de evidências de atos de minha autoria contra a vida te levaria ao descrédito automático ;)

    Lívia e Verônica MaatLívia Maat ‒ segunda, 06 outubro 2008, 11:00 BRT # Link |

  27. escreveu:

    Mr. Passari Dimas SOBRE FLAMINGOS E ARARAS1. Respeitar alguém ñ quer dizer concordar/compartilhar com suas idéias e ações;2. Se homosexualidade é uma "orientação sexual"  a pedofilia pode estar ao seu lado sim. Um pedófilo "orienta" seus órgãos e desejos sexuais p/ crianças imaturas. Ele tem preferência por isso e querem ser respeitados por isso;3. Citar a Carta Magna da nação após se referir a textos sagrados como criados por meia dúzia de desocupados anula seus próprios direitos constitucionais criados tb por meia dúzia. Nossos pais ñ foram consultados (referendo) sobre o que deveria ter na C88;4. Caso vcs nascessem 10.000 anos atrás eu teria dó, pois ñ poderiam alegar ñ ter filhos p/ superpovoarem o mundo. O superpovoamento ñ pode ser uma muleta p/ se apoiar qd ñ se quer, ñ se pode (estéril) ou ñ se assume o completo medo, desespero e fracasso como potencial pai/mãe;5. A promiscuidade e a erotização constante, mais que o "crescei e multiplicai-vos" têm contribuído p/ o superpovoamento. Outra coisa, se tanto lhes incomoda o superpovoamento saibam que outras causas como melhoras na medicina e oferta de alimento contribui p/, p.e., a expectativa de vida aumetar. E então, deixaria de se alimentar melhor ou de ir constant./e aos médicos/ farmácias para morrer logo;6. Sobre os coelhos (rsrsrs), procure verificar onde se lcalizava as populações naturais (selvagens) desse táxon, a inospitabilidade e pressõs climáticas de seus ambientes e entenderão que a estratégia seria se reproduzir entre seus parentes, porém, se jogarem um microscópio verão que dos semelhantes são os mais distantes genetica/e  evitando o "endocruzaento" (rsrsrs).  Seus coelhinhos, embora domesticados, carregam genes ancestrais, querida, assim como seus cahorros que tentam escavar e esconder seus alimentos ou fezes, e mijar sobre o mijo de outro carrocho na rua; 7. Vc cita gorilas, eu cito macacos-prego: O ato homosexual é observado  qd o macho-alfa "ameaçado" subjulga outro machos desafiante ou na falta de fêmeas "simula" (ñ há homosex.) o ato sexual para colocar o desafiante em sitaução de ñ ameaça - repressão biológica ou social?8. Estéreis são previstos, já disse, serem extintos ou se tornarem raros a fim de ñ comprometer o fitness reprodutivo. Se vc ñ estiver  encontrando isso em qq sociedade humana, por favor me comunique;9. O biológico veio antes do social. Vc é bióloga evolucionista e sabe das explicações em 1ª instância balisados em últimas análises por questões/ pressões evolutivas;P/ Livia10. A imcompatibilidade genética, endocruzamento, MHC poderiam lhe responder sobre os que ñ chegam à idade adulta?;11. Leões marinhos vivem em haréns e somente os machos- e fêmeas-alfa se reproduzem; refreando fisica/.e  outros indivíduos de se reproduzirem;12. Seu apêndice é um vestígio, resquício de dieta ancestral. Geração após geração têm diminuído e muitos já não os possuem; assim como os dentes do ciso...13. Prepare-se melhor antes de afirmar que a evolução dispensa um baita tempo e maquinaria para produzir órgaos reprodutivos (útero, vagina, epidídimos - além de hormônios cerebrais e renais) p/ serem inutilizados. Talvez, e somente talvez, vc possa dar explicações que fujam de DISTORÇÕES GROTESCAS sobre evolução;14. Estude sobre comunidade de golfinhos, flamingos e, biologica./e, entenderá a "suposta homosexualidade". Aliás, se vc se ancora nesses exemplos biológicos para suportar a homosexualidade, então vc tem uma explicação biológica e não cultural/ pessoal/ humana para sua “escolha”;15. Vc não vê as mulheres como recurso sexual, lindinha, pq vc é uma delas, e não um macho. Os machos que vierem precocemente contrariar pensem bem qd viram aquela gostosa na rua e o que vcs pensaram!;16. Eu lhe proíbo de adotar crianças e compartilhar/ estimular para o seu famijerado e inflamado superpovoamento;17. Alimentar-me de outros seres me mantém vivo – SOBREVIVI; Tomar banho, pisar em poças de algas e meus anticorpos trabalharem bem – retira possíveis patógenos, me levar p/ ganhar meu sustento e evita que eu contráia doenças que me matariam, respectiva/e – SOBREVIVI; 18. Ejaculações noturnas e mestruação, cara fêmea - já teve isso - são extritamente biológicas. Me responda o pq de fêmeas (meninas das salas ou das repúblicas) que vivem juntas sincronizam suas menstruações (pista: hormônios = biológico); Vc querendo, ñ querendo vem - ahhh, mais vem!19. A sobrevivência de uma criança causa + alegria que de um idoso; nossos pais se oferecendo sexualmente p/ nós nos causa repulsa; matar uma bactéria não é tão constrangedor quanto matar uma onça-pintada. Seus amigos da Filosofia podem nos ajudar a entender isso e o pq a homosexualidade sempre será tabu?  

    default user icon ‒ quarta, 08 outubro 2008, 14:52 BRT # Link |

  28. Lívia Maat escreveu:

    Sr. Dimas,

    Ontem eu havia lhe escrito uma resposta acalorada do auge da minha tpm. Mudei-a consideravelmente agora, pois minha intenção não é ofender ninguém, e talvez o calor do momento tivesse dado este entender. Peço desculpas pelo transtorno.

    Eis a resposta:

    1. Mas é claro que respeitar e concordar não são a mesma coisa. O movimento gay reivindica o primeiro, não o segundo, e muito menos o terceiro (compartilhar dos atos). Embora haja teorias da conspiração (vide um dos arquivos que incluí no blog), ninguém sabe mais do que os gays que não é possível mudar a orientação sexual, de modo que o "perigo" de as pessoas virem a 'querer' se tornar homossexuais não existe. Além do mais, por que as pessoas quereriam isto?

    2. Se a heterossexualidade é uma orientação sexual, isso implica que a bissexualidade e a heterossexualidade também o sejam, e nada mais. Isto porque os três termos referem-se a pessoas adultas que praticam atos sexuais e se relacionam afetivamente de posse de suas faculdades mentais e por vontade própria. Que parte desta diferença crucial entre as três citadas acima e a pedofilia, ato que envolve crianças, e não adultos, você não entendeu? Que parte do "o movimento gay e nem eu NÃO defendemos a pedofilia" você não entendeu? E que parte do crime de calúnia e difamação que você está cometendo ao associar homossexualidade a pedofilia você não entendeu? Talvez seja interessante que você saiba que tenho, como cidadã, o direito de te denunciar por este crime. Portanto, cuidado com as mentiras que diz por aí.

    3. Não vi quem citou a Bíblia como se tivesse sido criada por meia dúzia de desocupados, mas de qualquer forma, de que maneira isto anularia a Constituição Federal? É tão difícil entender que, se você mora na República Federativa do Brasil, um Estado soberano que possui suas leis aprovadas pelos representantes do povo no parlamento, você precisa obedecê-las, mas que se você não decidiu abraçar a religião cristã, você pode usar a Bíblia como peso de papel, se assim quiser? Vou desenhar pra ficar mais claro: o respeito à Constituição é obrigação para residentes no Brasil; desrespeite-a e será, pelo menos teoricamente, preso. A religião e suas regras são escolha; segue-as quem quiser, e só quem quiser, dada a liberdade de culto que o Estado permite.

    4. O conhecimento que temos dos comportamentos e estrutura social dos nossos antepassados é quase que completamente especulativo. Mas caso tivesse nascido há 10.000 anos eu provavelmente teria tido pelo menos um filho, que era o que provavelmente acontecia com todas as mulheres férteis que sobreviviam até a idade reprodutiva. Aliás, se eu tivesse nascido há 10.000 anos eu não teria chegado à idade fértil, visto que só estou viva até hoje graças à medicina moderna. E há 10.000 anos não existia o conceito de homo e heterossexualidade, as pessoas possivelmente transavam ou porque era legal, ou porque era ritual, ou porque eram coagidas ou estupradas. Deste modo, além de eu ter tido relações sexuais com homens, você, se estivesse lá, possivelmente o teria também.

    Mas eu não preciso do argumento do superpovoamento do mundo para justificar minha escolha de não ter filhos biológicos. Eu não tenho uma religião que diz que eu tenho que fazê-lo. Se você tem, é problema SEU. Você tem que seguir o que ela lhe diz para seguir. Eu não tenho nada a ver com isso. Se o seu Deus acha que é pecado ser gay, então você não pode sê-lo, e só você, meu bem. Isso não tem nada a ver comigo e com ninguém mais. Lembra do "respeitar, mas não ser obrigado a concordar"? Você tem todo o direito de me achar uma pecadora (embora na minha opinião isto também deva ter limites, os quais pretendo explorar em um dos próximos posts), mas você tem a obrigação de não interferir na minha vida, direta ou indiretamente, por causa de sua crença.

    5. Eu tenho uma solução infinitamente mais inteligente e revolucionária para o superpovoamento do que o suicídio em massa. Ela se chama gravidez planejada.

    6. Não entendi bulhufas dessa parte do coelho... O que isso mostra?

    7. Vocês citam gorilas e macacos-prego, e eu cito humanos: nesta espécie, os atos homossexuais são observados quando duas pessoas do mesmo sexo decidem transar, geralmente em local apropriado, por livre e espontânea vontade, e ambas têm prazer com isso sem prejudicar ninguém. Onde está o erro na frase acima? É claro que, em casos mais raros, somente uma das pessoas está a fim, o que configuraria estupro, ato também perfeitamente passível de ocorrer entre duas pessoas de sexos opostos.

    8. A maioria dos casos esterilidade é devido a fatores não genéticos, de modo que não, o número de pessoas estéreis não está diminuindo com o tempo.

    9. Ahn?

    10. Ahn? O que isso tem a ver com a discussão?

    11. Sim, e daí?

    12. Idem ao 11.

    13. Preparar-me melhor por quê? Aponte meus erros, se eu disse besteira. Mostre onde errei. Uma discussão se dá com refutações do argumento alheio a partir dos seus próprios, e não com insinuações vazias de erros cometidos pelo oponente.

    14. Eu não preciso "suportar" minha homossexualidade em nada, isto não é necessário. Algo que para mim é perfeitamente natural, saudável e que não prejudica ninguém não carece de "suporte" nenhum. Eu sou simplesmente. Só citei estas espécies por causa da informação errônea que você deliberadamente tentou transmitir. E pode ter certeza que eu não escolhi ser lésbica, embora você e outros possam repetir isso infinitas vezes, numa vã tentativa de tornar verdadeira sua crença em uma hipótese absolutamente sem sustentação.

    15. Eu não vejo mulheres como recurso sexual não só por ser uma. É porque eu sou algo além do que meus atributos biológicos me tornariam, uma vez que faço parte de uma cultura e tenho atitudes próprias e um cérebro com o qual posso exercer a mais humana, mas menos exercida de todas as atividades: pensar. Só faltou você explicar por que não vejo os machos como recursos econômicos, a fêmea que sou. Tenho certeza que vou adorar sua resposta.

    16. Você me proíbe? A-ha. Como pretende fazer isso? Dando um golpe de estado e se tornando ditador do Brasil? No país em que vivo (por enquanto), todo cidadão maior de 18 anos pode adotar crianças órfãs. Embora este mesmo país (por enquanto) me proíba de fazê-lo juntamente com minha namorada (apesar da jurisprudência estar cada vez mais indo contra isso), pode ter certeza que, como boas brasileiras, daremos um jeitinho de criar nossas filhas em um lar cheio de amor, carinho, cuidados, cultura, bons conselhos, e com o melhor que uma mãe ou um pai pode dar para seus filhos: a liberdade de ser o que se é. Com isto quero dizer que não expulsarei minhas filhas de casa se elas forem heterossexuais, e nem tentarei ficar arrumando namoradinhas pra elas ou dizendo que as aceito, apesar do que elas são.

    17. Ah, eu sei disso tudo. Só quis mostrar como foi desnecessária a sua afirmação de ser contra tudo o que atenta contra a vida. Afinal, algas, fungos e bactérias também são vida :)

    18. A sincronia de menstruações é super legal porque assim fico menstruada ao mesmo tempo que a Verônica, de modo que não perdemos tanto tempo assim quando queremos nos divertir. Será que isso prova que esta sincronia tem a finalidade de cooperar com a homossexualidade feminina? :P

    19. Depende da criança e depende do idoso. Se se tratar da minha avó e do filho de uma pessoa que nunca conheci que tem uma doença degenerativa que ia fazê-lo sentir dores horríveis pelo resto de sua curta vida, fico com a minha avó. Mas o que isso tem a ver com a discussão mesmo?

    Por fim, acho que preferiria a contribuição dos filósofos na compreensão do defeito intrinsecamente humano de querer julgar os demais pelos seus próprios dogmas, que as pessoas não entendem que, em um estado de direito como o nosso, deveriam servir para guiar as suas atitudes, e não as dos outros.

    P.S. Uma vez que sua indignação para com os homossexuais parece oriunda do fato de supostamente não podermos ter filhos, gostaria de saber se, por um acaso do destino, eu decidisse engravidar (por um banco de esperma, naturalmente), tornaria-me menos odiosa aos seus olhos? (Não que eu esteja preocupada com isso, mas a curiosidade matou o gato, não é?)

    P.S. 2. Como você descobriu o blog? (essa curiosidade...)

    P.S. 3. Por favor formate seu texto antes de enviá-lo, de modo que consigamos lê-lo sem esforço. O bloco de notas é ótimo pra isso.

    Lívia e Verônica MaatLívia Maat ‒ quinta, 09 outubro 2008, 09:29 BRT # Link |

  29. escreveu:

    SR. PASSARI DIMASLívia,Gostei do seu gente teimoso de ser. É isso aí mesmo. Certamente, seríamos ótimos amigos. Tive e tenho amigos homosexuais e não os odeio. Parece apenas que quando se fala em homosexual se fala em todo o ser; eu não odeio o ser, somente não gosto/ concordo com asatitudes que caracterizam a homosexualidade. Um cenário: Imagina que no início da nossa espécie humana homens e mulheres se relacionavam coloridamente; de repente um ou outro indivíduo do mesmo sexo não mais tinham afairs uns com os outros dos sexos -  vc consegue imaginar o quanto nossos ancestrais ficaram embasbacados e como isso poderia ter sido estampado e transmitido genetica e culturalmente - por isso do tabu. Mal conheco do Freud, mas tenho certeza que a parte sexual humana é tabu mesmo em muitos assuntos e por isso consciente e inconsciente vemos sexo em tudo - desde jestos com os dedos até símbolo da coca-cola; Afora o debate religioso/ cultural que vc tem se centrado, comece a observar crianças muito novas de colo, lembre-se de vc, seus amiguinhos, seus sobrinhos. Nessas crianças, portanto, repare que elas vivem querendo distinguir as diferenças entre os sexos, onde ficao saquinho do cachorro, a pererequinha da sua gata, brincam com a barba do pai, os peitos da mãe,etc. Assim ela tenta se identificar com um dos pais ou parentes próximos, quer dizer, para elahaveria dois sexos e um tipo de relacionamento; ela não espera a priori três sexos e variados modos de sexualidade - por isso a maioria das pessoas estranham e não concordam (vcs diriam homofóbicam), evero!Não quero fazer lavagem cerebral tampouco concor

    default user icon ‒ quinta, 09 outubro 2008, 17:37 BRT # Link |

  30. escreveu:

    (continuação) concordância, mas onde envolver sexo, sexualidade  espere abrasamento - por isso citei incesto, pedofilia - cito agora sexo anal, com animais, mães solteiras e por aí vai. Não são as mesmas coisas, vc está correta, lindinha, mas entra no conflito humano do que cada um representa, por que homens e mulheres são diferentes... Dimas

    default user icon ‒ quinta, 09 outubro 2008, 17:44 BRT # Link |

  31. Tom escreveu:

    Sr. Passari,

    a fornicação é um pecado mortal?

    Pensando com meus botões, se o Unicórnio Fêmea Rosa Inivisível, por uma distração qualquer, tivesse feito brotar um Evo das costelas de Adão, não poderíamos nem estar participando desse debate? O que seria da humanidade nessa situação hipotética?

    Notem que é só uma hipótese, não quero contrariar o rumo que Ela achou melhor para a humanidade. Longe de mim em minha pequena insgnificância.

    default user iconTom ‒ quinta, 09 outubro 2008, 17:52 BRT # Link |

  32. Lívia Maat escreveu:

    Sr. Dimas,

    Obrigada pelos elogios e pelo interesse no blog.

    Como era de se esperar, continuamos discordando: nada indica que o surgimento da homossexualidade foi como você citou, assim como nada indica o contrário. De qualquer forma, sua suposição não se sustenta. Assim, a hipótese do surgimento do tabu não passa de especulação, embora certamente seja uma especulação válida.

    E certamente se eu tivesse crescido em um ambiente com três gêneros, por exemplo, homem, mulher e travesti, eu certamente ficaria procurando correlacionar todas as pessoas a um dos três, e o mesmo ocorreria se houvessem quatro, cinco ou oitocentos. E mais: eu cresci em um ambiente no qual todos à minha volta eram (pelo menos presumidamente) heterossexuais, e, no entanto, eu sempre soube que não pertencia a este conjunto. Mas, por ter tido a felicidade de pode estudar e me inteirar do que acontece no mundo, muito cedo descobri que não era a única fora das "regras", de modo que me sentia sim um ET, mas era capaz de lidar bem com isso por saber que não era a única.

    O fato de as pessoas procurarem se encaixar na norma que vêem não significa que só a norma existe, ou que só ela é correta. Isso mostra somente que somos seres que aprendem observando, e que, a menos que hajam alternativas, tentaremos nos enquadrar no que já existe e é aceito. Mas felizmente, para os gays, para os(as) trans, para as travestis (sem citar tantos outros que se desviam de outros padrões), HÁ alternativas. E é a legitimação delas que procuramos.

    Outra: como explicado no post anterior, a origem da palavra homofobia possui um sentido original de aversão a homossexuais. Há aversões brandas e explosivas, e concordo que o uso da mesma palavra para ambos é um tanto indesejável, mas enquanto não cunharem outra para a versão branda, continuarei usando "homofóbico" para designar aquele que não me respeita pelo simples fato de eu ser lésbica, aquele que fica olhando torto dois namorados na rua, e aquele que diz que "o apartamento já foi vendido" quando descobre que os potenciais compradores são gays.

    E por fim concordamos em algo: a homofobia só existe até hoje porque é ensinada, misteriosamente ensinada com ferrenha dedicação geração após geração. E a pergunta que não me deixa em paz é "por quê?". Tirando explicações religiosas, que motivo há para a continuidade deste "ensinamento"? Até hoje vi pouquíssimos, todos facilmente refutáveis. Dado que mesmo pessoas que nunca foram religiosas praticam comumente alguma forma de homofobia, por que elas o fazem? Tirando considerações religiosas que, como já disse, deveriam se restringir apenas a quem pratica determinada religião, o que há, afinal, de tão nojento, horrível, asqueroso, perturbador, condenável, detestável e inominável em ser gay, transexual ou travesti?

    Lívia e Verônica MaatLívia Maat ‒ quinta, 09 outubro 2008, 18:49 BRT # Link |

  33. Mariana escreveu:

    Olá Lívia,Bom dia! Muito interessante o post (seu blog é uma das únicas coisas que consigo ler/acessar aqui no trabalho); principalmente os argumentos utilizados no pequeno debate com os sr. Dimas.Venha aqui, na verdade, com o intuito de levantar uma questão: porque uma parte (e acredito não ser a maioria) do grupo denominado gltb (não sou muito a favor de rótulos, prefiro ver as pessoas como indivíduos, independentes de suas opções, mas isso não é assunto para agora) tão militante contra o preconceito que sofre, acaba excluindo muitos que não tomam pra si uma posição? Digo isso porque já vi opiniões de algumas lésbicas (dentre elas, algumas amigas minhas) de que bissexuais não são confiáveis e jamais teriam um relacionamento com uma menina bi. Os garotos com quem conversei já foram mais abertos nessa questão.Obrigada e que venha um novo post!

    default user iconMariana ‒ quarta, 15 outubro 2008, 10:37 BRT # Link |

  34. Lívia Maat escreveu:

    Olá, Mariana

     Já ouvi comentários desse tipo também, e concordo que não faz o menor sentido lutar contra um tipo de preconceito e praticar outro. Não sei a qual o sentido da palavra 'confiável' sua amiga se referiu, então não posso tecer comentários a respeito disso. Mas, se ela estava se referindo à insegurança que supostamente é namorar uma pessoa bi devido ao seu gosto por homens e mulheres, tal medo, na minha concepção, só é justificado se não houver confiança. E sem essa palavrinha mágica não se vai muito longe em um relacionamento, não importa sobre exatamente o que ela verse.

    Lívia e Verônica MaatLívia Maat ‒ quinta, 16 outubro 2008, 17:09 BRT # Link |

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