Inicialmente, preciso informar que a base inicial desta minha dissertação foi uma reportagem do Jornal da USP (edição 831), no qual fala acerca da criação da União das Nações Sul-Americanas. A Unasul, criada no dia 23 de maio, é uma importante aliança comercial que vem para confirmar uma tendência que há tempos já deveria ser posta em prática, que é a união entre os “hermanos”. Sabiamente, o título da reportagem é: Mais um passo para a integração.
Sabe-se, por consenso, que a América do Sul foi explorada de forma muito intensa durante seus longos anos de colonização. O processo de abolição de seus países se deu de forma bem parecida. As particularidades são que, enquanto o bloco luso se manteve integrado, o grupo de países pertencente à metrópole castelhana de desintegrou.
Historicamente, a “América Pobre” fora alvo da exploração européia e, atualmente, é berço dos ataques do imperialismo norte-americano. Sendo assim, de acordo com a atual conjuntura das uniões comerciais pelo mundo, os países sul-americanos seguem essa sadia tendência de união.
A mais importante união comercial existente no cone sul do continente é o Mercosul. Dede a sua criação as relações entre os países pertencentes ao grupo cresceram 500%, o que é um dado muito importante. A Unasul é um novo organismo que vem complementar o Mercosul, podendo, um dia substituí-lo. Segundo o geógrafo Wanderley Messias da Costa, professor da USP, “um dia, a Unasul será a nossa União Européia”.
Não contrariando o conhecido geógrafo, mas dando uma refinada no dito, creio que é muito cedo para fazer previsões tão concretas sobre o futuro desta união. Entretanto, é algo factual concordar com o pensamento de que o acordo é um passo rumo a tão sonhada unidade das ex-colônias ibéricas.
Os países do grupo possuem juntos 360 milhões de habitantes e um PIB de US$ 2,5 trilhões em 2006*. Só o Brasil tem um PIB de US$ 1,3 trilhão. A Unasul pode fazer com que a circulação comercial cresça em um ritmo muito grande, fazendo, inclusive, da América do Sul uma força conjunta no cenário do comércio mundial.
A União das Nações Sul-Americanas tem um outro fator fundamental, que é o de fazer com que as alianças culturais, educacionais, infra-estruturais e políticas sejam aguçadas. Seria muito prematuro falar-se em uma unidade monetária, pois o acordo está sendo colocado em prática agora. Gostaria muito de ver uma América do Sul tão unida a ponto de não se terem fronteiras entre os seus países. Aliás, as linhas de demarcação são uma prática do capital, que todo anarco-comunista, assim como eu, abomina. Por isso, à minha óptica, a Unasul poderá ser o ponto de partida para algo maior, como uma revolução e o conseqüente comunismo. Já pensou? Seria muito bom!
Entre a coerente e concreta “utopia” que me faz lutar e o sonho de ver nossa periférica América prosperar, imagino que a Unasul poderá trazer benefícios inimagináveis à região. Das poucas medidas tomadas entre o Governo Lula e suas adjacentes apêndices no continente regadas de brio, destaco esta que, talvez, seja a única que realmente me faz bater no peito e gritar: Não sou Brasileiro, sou latino. Latino-americano. Espera-se, enfim, que tais medidas abranjam todos os países explorados do continente.
Leonardo Nunes Zerbone.
* Dados da Cepal (Comissão Econômica da América Latina e Caribe).