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outubro 28, 2007

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Na semana de 12 de novembro (22 para as turmas de quinta-feira) o cronograma prevê uma Apresentaçao da Experiência Eletiva. A sua missão é convencer o seu público da importância do seu problema e das suas conclusões, se baseando nos seus resultados.

Muitas pessoas tem medo de falar em público e com boa razão. É difícil e para a grande maioria das pessoas não é uma coisa que fazem naturalmente. Mas prática e treinamento podem melhorar muito a experiência para todos. Veremos alguns conselhos do especialista em desenho de informação quantitativa, Edward Tufte.

Dicas gerais

No seu livro Visual Explanations, Tufte afirma que ilusionistas podem dar lições importantes para apresentadores aspirantes. Podemos observar o que estes mestres de des-informação fazem e inverter o que fazem. Uma ilusão boa procura eliminar contexto e previne o público analisar o que viram. Conselhos para mágicos incluem "nunca diga de antemão o que vai fazer" e "não repete o mesmo truque". Assim, chegamos ao primeiro conselho:

Explique no início o que vai acontecer. No início da apresentação, diga ao público

  1. o que é o problema
  2. porque o problema é importante
  3. O que é a solução do problema.

Para explicar um problema complexo, use o método PGP: Particular, Geral, Particular. Por exemplo, ao explicar um gráfico complexo, chame atenção num detalhe representativo, explique o desenho geral do gráfico e finalmente ilustre-o mais uma vez com um outro detalhe. Mágicos procuram esconder os seus métodos. Você, ao contrário, deve revelá-los.

Forneça informação de alta resolução via um canal de comunicação paralelo. Língua falada ou slides de powerpoint transmitem informação muito devagar. Uma apresentação deve usar os lados bons das várias mídias para se complementar. A fala para transmitir emoção e dar as ênfases, meios visuais para mostrar gráficos e meios impressos para as informações complementares e de referência.

Pratique, Pratique, Pratique. Quanto mais pratique a sua apresentação, melhor ficará. É uma verdade simples e sem exceções. Não pense que vai poder improvisar e usar o seu charme. Quanto mais pratique melhor.

Chegue no local com antecedência e termine antes da hora. Chegue antes para preparar o local, o projetor, o computador etc. Termine antes do seu prazo. Nada irrita o público mais do que uma apresentação que se extende mais do que o previsto. Todo mundo vai ficar satisfeito se termine antes do previsto, independente da qualidade da apresentações.

PowerPoint

Edward Tufte ficou conhecido para o grande público em 2003 com o seu livreto polemizando contra PowerPoint (veja também este artigo). O seu argumento é simples: PowerPoint facilita decoração supérfluo e dificulta a comunicação de alta resolução necessária para argumentos sérios baseados em evidências.

Realmente é difícil fazer apresentações visualmente efetivas. A pior coisa que pode fazer é tornar a sua apresentação numa sessão de leitura de texto que colocou no slide. Procure usar os pontos fortes desta mídia: a apresentação de imagens, a integração de texto e gráfico, etc.

Uma última observação acerca do formato final do arquivo. Se considere o seu trabalho importante suficiente para que deva ser preservado no médio ou longo prazo, é importante usar um formato que não somente depende dos interesses econômicos de grande corporações. Pelo menos para fins de arquivamento deve usar um formato que pode ser lido por vários aplicativos. No caso de apresentações, pdf é uma boa opção e sempre deve salvar a sua apresentação neste formato, caso o local não tem PowerPoint disponível ou funcionando. Mas pdf é um formato binário não editável e recomendo para arquivamento o formato odf (via OpenOffice, por exemplo).

Concluindo, fazer uma apresentação é um ato moral além de cognitivo. Natural é manipular os dados em suporte dos seus pre-conceitos; honestidade intelectual por outro lado requer um esforço consciente.

Postado por Ewout ter Haar em FEP114 - Física Experimental II | 1 usuário votou. 1 voto

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