Stoa :: Ewout ter Haar :: Blog :: Controlar o seu domínio na internet é direito de todos

fevereiro 22, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

A sua presença na rede determina grande parte da sua imagem pública. É importante, portanto, controlar esta presença. Em particular, é cada vez mais importante ter o seu próprio domínio na Internet. Mas, no Brasil, ainda é complicado demais. Segue uma explicação do problema e uma proposta solução.

O que aconteceu? 

Faço parte de um grupo de pessoas liderado (efetivamente) por uma pessoa muito inteligente e de alta instrução. Apesar destas duas características, ela não conseguiu completar o processo de comprar um domínio e começar montar um site simples.

Veja ao lado o formulário de cadastro de um domínio novo. Vai tudo bem até os campos "Delegações DNS". Como uma pessoa normal vai saber como proceder?

O que fazer?

Qualquer pessoa deve poder criar o seu site (no seu próprio domínio) com alguns cliques. Ou, se esta pessoa assim deseja, deve ser fácil redirecionar o seu próprio domínio para o seu provedor de identidade de preferência (um perfil no Facebook ou Google por exemplo). É possível comprar um domínio no Uolhosts, Locaweb ou provedores de serviços do gênero. Mas estes soluções criados pela iniciativa privada não atendem as necessidades do público em geral. A criação do seu próprio domínio devia ser um serviço público.

Estou propondo então, que o registro.br extende os seus serviços para efetivamente virar um provedor de serviço público. Este serviço deve

  1. Melhorar o interface de usuário do registro.br (ou criar outro interface voltado para usuários não-especialistas). Usuários não devem precisar entender conceitos como "delegação" ou DNS para comprar o seu domínio.
  2. Fornecer um painel de controle de domínio que permite o dono do domínio escolher fácilmente o provedor de hospedagem do seu site, mudar records DNS (em particular o CNAME) e até configurar um redirecionamento em nível de HTTP.

Ao criar o seu domínio, poderia ser oferecido um cardápio de opções: a mais simples permite o usuário configurar um HTTP 301 para um URL da sua escolha, outras opções incluem escolher provedores de hospedagem e delegações de DNS.

Deste modo, indivíduos poderiam escolher o seu provedor de hospedagem (do tipo uolhosts, locaweb, etc. etc.) ou gestores de conteúdo (do tipo Wordpress.com, Google Apps, Yola, Weebly Uolhosts, etc. etc.) sem ficar dependentes dos mesmos. Mudar de provedor seria só uma questão de entrar no interface do registro.br e apontar o domínio para um outro provedor.

O primeiro ponto é relativamente faćil de implementar por um desenvolvedor versado em RoR, Django ou uma ferramenta do gênero. É uma questão de vontade.

O segundo ponto representa uma mudança fundamental.  Agora, o registro.br não fornece serviços de DNS. Um indivíduo pode comprar e controlar o seu domínio por intermediação de um chamado provedor de serviços ou usar o interface extremamente restrito do próprio registro.br.

É justamente isto o argumento sendo feito aqui: o registro.br deve, como serviço público, oferecer um serviço DNS  público. Este serviço será restrito a cadastro de domínios, gerenciamento do seu domínio e no máximo oferecer um "webhop" (HHTP 301). Controlar o seu domínio é um direito de todos e é o dever do poder público de habilitar esta liberdade efetivamente.

Justificativa

Parece que tecnologia de rede alterna arquiteturas distribuídas (p2p, redes horizontais, princípio "end to end", etc.) com arquiteturas hierárquicas e centralizadas. Em cima da internet (TCP/IP) construiu-se DNS, em cima da Web construiu-se Google. Estamos num momento em que serviços centralizadores como provedores de rede sociais (Facebook, Twitter, etc.) ficam cada vez mais importante na nossa sociedade.

É preciso que o pêndulo volta na direção de de-centralização. Padrões emergentes como Webfinger, Activitystreams, XRD, OAuth etc. vão viabilizar esta nova fase de descentralização na Web. Mas para isto poder acontecer é essencial que seja possível para uma pessoa comum controlar a sua presença na rede.

Este liberdade fundamental não pode ficar restrito a especialistas. É um objetivo declarado do cgi.br de democratizar o acesso à rede. Da mesma maneira, controlar o seu domínio devia ser um direito de todos.

Objeções?

  1. Já temos provedores de serviço. Sim, mas não provêem um serviço adequado para a nova realidade na Web, onde domínios cada vez mais precisam ser controlados por indivíduos. O mercado ainda pense em prover serviços para pequenos empresas. Geralmente são empresas de hospedagem com fortes incentivos de manter os seus clientes "presos".

    É necessário desvincular hospedagem de serviços de DNS, justamente para dar liberdade para o cliente escolher a solução de hospedagem ou "provedor de identidade".  É perfeitamente aceitável que hospedagem seja um serviço provido pelo mercado e que haja competição baseado em funcionalidade, portabilidade dos dados, etc. Domínios e "identidade" na internet, por outro lado, são um bem importante demais para deixar a mercê do mercado.

  2. Vai ser o fim da anonimato na internet. Não proponho que controlar o seu domínio seja obrigatório. Sou absolutamente contra tentativas de vigiar e controlar o que acontece na internet. A proposta é só no sentido de democratizar e popularizar o sistema de domínios no Brasil. E sim, DNS é uma hierarquia, com uma cadeia de responsabilidades. Se quiser usar um domínio, vai ter que se identificar.

Palavras-chave: DNS, domínio, registro.br

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Postado por Ewout ter Haar

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