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janeiro 28, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Louis Menand:

[Academia] is a self-governing and largely closed community of practitioners who have an almost absolute power to determine the standards for entry, promotion, and dismissal in their fields. The discipline relies on the principle of disinterestedness, according to which the production of new knowledge is regulated by measuring it against existing scholarship through a process of peer review, rather than by the extent to which it meets the needs of interests external to the field. The history department does not ask the mayor or the alumni or the physics department who is qualified to be a history professor. The academic credential is non-transferable (as every Ph.D. looking for work outside the academy quickly learns). And disciplines encourage—in fact, they more or less require—a high degree of specialization. The return to the disciplines for this method of organizing themselves is social authority: the product is guaranteed by the expertise the system is designed to create. Incompetent practitioners are not admitted to practice, and incompetent scholarship is not disseminated.

Since it is the system that ratifies the product—ipso facto, no one outside the community of experts is qualified to rate the value of the work produced within it—the most important function of the system is not the production of knowledge. It is the reproduction of the system. To put it another way, the most important function of the system, both for purposes of its continued survival and for purposes of controlling the market for its products, is the production of the producers.

(Ênfase minha.)

Liberdade acadêmica é uma coisa boa. Desde que Humboldt no início do século 19 fundou a Universidade de Berlin é aceito que não interferir no trabalho de cientistas é uma maneira eficaz de obter resultados beneficiando a sociedade. Mas como Menand diz, a ciência é análogo à burocracia, no sentido de ser necessária para uma sociedade moderna mas sempre tendo um aspecto parasítico e tendendo a crescer descontroladamente. 

A sociedade não pode determinar o que é relevante cientificamente, mas cientistas têm justamente por isso uma responsabilidade ainda maior levar em conta a relevância do seu trabalho para a sociedade.

Palavras-chave: academia

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Postado por Ewout ter Haar | 2 usuários votaram. 2 votos

Comentários

  1. Renato Callado Borges escreveu:

    Olá Ewout!

    É importante a diferença entre pesquisa em ciência pura e pesquisa em ciência aplicada nesta discussão? Creio que sim.

    A relevância de uma pesquisa em ciência aplicada é em geral bastante clara - se trata muitas vezes do desenvolvimento/aprimoramento de um objeto físico que cumprirá uma função desejada por muitas pessoas. E.g., identificador de cores para cegos, diminuir emissão de CO_2 por litro de etanol consumido, aumentar produtividade do milho, etc.

    Mas e a pesquisa em ciência pura? Qual a relevância social de encontrar o bóson de Higgs abaixo de X TeV? Qual a importância de mostrar que a apoptose ocorre mediada pela proteína chaperone Y quando ligada à Z e não sozinha? Etc.

    Nesse caso da ciência pura, a relevância social passa a ser relegada para o futuro, ou seja, a validade da ciência pura é ser a base sobre a qual se construirá a ciência aplicada no futuro, e essa sim terá relevância social "direta".

    Mas quando relegamos a avaliação da relevância para um desenvolvimento futuro, possivelmente "ainda não imaginado", também não deixamos de ter qualquer critério racional para avaliar a validade social de nossa pesquisa pura atual?

    Quero dizer, se a validade social da minha pesquisa pura atual é dada pela pesquisa aplicada do futuro, que me é em grande parte imprevisível, eu poderia afirmar, dada essa imprevisibilidade, que qualquer pesquisa pura pode vir a ser válida, pois pode ser a base de uma aplicação ainda não imaginada.

    Que outro critério pode ser usado para julgar a validade de uma pesquisa em ciência pura? Esse outro critério não sofre do problema de "remeter ao futuro", ao imprevisível?

    Enfim, talvez você ou outros professores possam aproveitar o espaço para indicar como é feita a avaliação de validade social de pesquisas em ciência pura segundo os critérios das agências de fomento?

    Obrigado pelo post instigante! :)

    Renato.

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ quinta, 28 janeiro 2010, 10:58 -02 # Link |

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