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dezembro 25, 2007

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Postado por Ewout ter Haar

Uma estratégia comprovada para incentivar a criação de aplicações inovadoras é identificar entidades de interesse, dar nomes a elas e permitir fazer conexões entre elas. A internet foi feito inicialmente em cima de redes telefônicas, a Web foi feito em cima da Internet. Estamos vendo nos últimos anos a construção de uma nova plataforma que poderíamos chamar de uma Web Social. As “entidades de interesse” neste caso são pessoas, identificadas por meio perfis em sites de rede social ou outras formas de expressão da identidade digital.

Esta nova camada de identidade para a Web ainda é incipiente mas já está tomando forma com a aceitação cada vez maior de serviços como Myspace, Facebook, Orkut [Boyd 2007]. É consenso que a questão da identidade digital vai tomar uma importância cada vez maior no futuro próximo. Por muitos anos a criação de identidades com alguma ligação real com pessoas no mundo real era muito difícil e até hoje a norma e expectativa é que identidade na Internet é basicamente inventada (“on the Internet nobody knows you are a dog” segundo o famoso quadrinho de Peter Steiner no The New Yorker.

Danah Boyd explica o processo de criação de uma identidade digital por adolescentes americanos no MySpace (o Orkut dos jovens americanos) e como a possibilidade de construir perfis anônimos ou “falsos” contribuiu ao sucesso de MySpace. Ainda segunda ela, jovens americanos não se importam trocar de perfil a cada poucos meses.

Mas cada vez mais, a tecnologia permite (e pessoas um pouco mais maduros querem) a criação de identidades virtuais com uma estreita ligação entre (alguma das) identidades da pessoa no mundo real. As novas aplicações que podem ser construídos podem ser de grande valor comercial e não é a toa que o mundo corporativo está tomando nota. MySpace foi vendido por meio bilhão de dólares e Facebook tem um valor avaliado de bilhões de dólares.

Mas instituições como governos e universidade podem também prover um ambiente que permite membros da sua comunidade consolidar (uma das) suas identidades profissionais online. Está na hora de todo mundo se conscientizar que a sua identidade digital é um recurso importante na sua vida, um recurso que deve ser administrado e controlado com muito cuidado. Segundo uma pesquisa recente somente 47% de usuários da Internet fez uma busca pelo próprio nome. Mas na medida que sua persona digital pública fica mais visível é mais importante de controlar ela.

É neste sentido que é importante que instituições como Universidades oferecam acesso fácil à criação de identidades digitais e incentivam a publicação e arquivamento da produção intelectual dos seus membros. Não podemos deixar estas facilidades na mão de corporações ou terceiros com interesses não necessariamente alinhados com as de instituições públicas. Estas devem usar protocolos e formatos abertos e padronizados na medida do possível para ter interoperabilidade horizontalmente (outras instituições) e verticalmente (o futuro). 

Já falei sobre uso de OpenID na USP e o próximo passo neste espaço é investigar outras maneiras de colocar o usuário no centro das atenções e em pleno controle da sua identidade digital. Talvez uma combinação de FOAF e OpenID pode ser usado como primeiro passo neste sentido.

Palavras-chave: identidade, web

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Postado por Ewout ter Haar | 4 usuários votaram. 4 votos

Comentários

  1. clarice. escreveu:

    Ewout,

    Muito interessante a sua abordagem e me fez pensar na ligação que esse fato: "personas digitais movediças" podem ter com a psique dos indivíduos. Vou tentar me explicar:

     Se a  identidade é o que define o que nós somos, ou o que achamos que somos, ou como nos entendemos no mundo, é explicável que os jovens que em maior número frequentam grupos de relacionamento tendam a elaborar perfis fake com maior frequencia estatística, até por que ainda não sabem muito bem quem são, ou tem uma visão distorcida de suas próprias identidades.  Assim, as diferentes personas que um indivíduo assume  na internet podem compor material bruto importante para o entendimento de sua personalidade e de seus (des)caminhos. À luz da  medicina e da psicologia permitiria que a partir de sua análise, médicos e terapeutas pudessem identificar prováveis problemas e providenciar suporte precoce, se houvesse necessidade. 

    Não sei se é possível reconhecer essas personas digitais fake numa comunidade. Se há ferramentas para isso. Se houver daria um estudo interessante interfaciando essas duas áras do conhecimento: medicina e tecnologia. Talvez se desenvolvesse aí um  método de screening para selecionar na população as pessoas mais sujeitas a disturbios e portanto ajudaria a direcionar preferencialmente nossos recursos de atenção psico-social para eles.

     

    default user iconclarice. ‒ segunda, 25 fevereiro 2008, 19:29 -03 # Link |

  2. Ewout ter Haar escreveu:

    Não tinha pensado nesta possibilidade de fazer pesquisa na área de psicologia com este tipo de dados. Sem dúvida abrem-se novas possibilidades, assim como qualquer novo forum de interações sociais. Por outro lado, é necessário tomar muito cuidado: as pessoas estão se acostumando ainda nas novas formas de interação e comunicação e é fácil tirar conclusões erradas baseadas em informação tomado fora de contexto. A permanência  e visibilidade de informação na Web é uma coisa muito boa, mas pode ser um preocupação para pessoas que não querem que o seu empregador vê tudo que fazem num contexto não-profissional.

    Por isso precisamos conscientizar as pessoas da importância de controlar eles mesmos as suas identidades online (tem várias: profissional, familiar, etc.). E os engenheiros tem que construir ferramentas para que de fato estas identidades possam ser controlados pelos usuários.

    Ewout ter HaarEwout ter Haar ‒ segunda, 03 março 2008, 10:12 -03 # Link |

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