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dezembro 11, 2007

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Postado por Ewout ter Haar

Doris Lessing tem 88 anos. É impossível não pensar nisso quando fala,

What has happened to us is an amazing invention, computers and the internet and TV, a revolution. This is not the first revolution we, the human race, has dealt with. The printing revolution, which did not take place in a matter of a few decades, but took much longer, changed our minds and ways of thinking. A foolhardy lot, we accepted it all, as we always do, never asked "What is going to happen to us now, with this invention of print?" And just as we never once stopped to ask, How are we, our minds, going to change with the new internet, which has seduced a whole generation into its inanities so that even quite reasonable people will confess that once they are hooked, it is hard to cut free, and they may find a whole day has passed in blogging and blugging etc.

Fiquei sabendo deste trecho via um blog que sigo via um feed. O blogosfera está meio ignorando, (compare com por exemplo o tag facebook)o que se normalmente faz quando alguém desta idade fala. Mas a Doris Lessing merece atenção e o texto inteiro é na verdade bem interessante. O trecho acima pode ser até lido como vindicação dos "bloqueiros" (não gosto muito deste termo por colocar numa única caixa estilos de comunicação bem diversas). Veja, está comparando um fenômeno relativamente jovem, de no máximo 30 anos (internet) ou 15 anos (web) ou 5 anos (blogs) de idade com uma revoluçao incontestável como a iniciado por Gutenberg. Que mais remédio quer para a sua auto-estima baixa?

O inventor e evangelista da Internet, Vint Cerf diz melhor: mesmo admitindo que é "mera" infra-estrutura, não pode negar que em somente duas décadas já mudou profundamente as nossas sociedades. "It has fostered self-expression and freed information from the constraints of physical location, opening up the world's information to people everywhere."

Este é o ponto: acesso a informação. Doris e Vint estão em pleno acordo neste ponto:

As I sit with my friend in his room, people drop shyly in, and all, everyone begs for books. "Please send us books when you get back to London". One man said, "They taught us to read but we have no books". Everybody I met, everyone, begged for books.

Acabei de comprar 4 livros de Amazon. Não vejo nenhuma contradição entre o internet e livros. A tecnologia da Internet não vai substituir a tecnologia de livros (não enquanto o melhor que temos são iniciativos ridículos como o Kindle...).

Palavras-chave: doris lessing, internet, lessing, livros, vint cerf, web

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Ewout ter Haar | 4 usuários votaram. 4 votos

Comentários

  1. Tom escreveu:

    Ewout, será que o da Amazon é o melhor leitor? Veja o tópico que cirei na comunidade Física do orkut, Procuro leitor de ebooks. Achei muito legal essa aqui da Sony:

     http://www.learningcenter.sony.us/assets/itpd/reader/index.html

    Achei estranho que na nova versão desse aí, não dá para ler DJVU, só PDF. Se fizerem um que dá para colocarmos programinhas em Java, ótimo! Facilitará muito nossa vida!

    Eu tinha até sugerido compara um leitor de ebook desse para deixar no CEPA e ficar mais prático a leitura de vários livros online que temos por aí (os comprados, não estou fazendo apologia a pirataria, hehehe). Mas me parece que a idéia não foi muito aceita na reunião sobre hardwares. :-P

    Enfim, vão para o EUA no começo do ano que vem e pedirei para comprarem para mim. No Brasil, o ebook reader da Sony sai por uns R$ 1200. :-( Uns vídeos desse aparelhinho:

     

     

    Esses leitores usasm epaper:  http://en.wikipedia.org/wiki/Electronic_paper

    default user iconTom ‒ terça, 11 dezembro 2007, 00:30 BRST # Link |

  2. Renato Callado Borges escreveu:

    É engraçado que quando pensam em invenção da imprensa, geralmente se pensa em livros. Mas na verdade o que revolucionou a cultura foram os jornais, que foram possíveis após Guttenberg. (Penso especialmente nos primeiros jornais influentes, quase todos publicados nos Países-Baixos, pois no resto da Europa havia uma censura mais forte).

    Livros exisitiram muito antes da imprensa, sobreviveram a ela, e sobreviverão à Internet. Mas os jornais só foram possíveis com a imprensa.

    Não seria a grande novidade da revolução digital o conteúdo produzido pelos leitores? Afinal de contas, versões eletrônicas daquilo que é publicado não são nem mesmo muito boas, como podemos ver nos  readers mostrados nos posts acima.

    O fato de eu poder escrever algo que se torna imediatamente acessível a milhões de pessoas é que é relevante na revolução que estamos vivendo. 

    O Brasil não consegue impedir que escrevam que é corrupto; a China não consegue impedir que escrevam que ela é escravagista; os EUA não conseguem impedir que escrevam que ele é imperialista.

    Aquilo que antes só era publicado a peso de ouro (isto é, se um jornal era financiado pela direita, criticava a esquerda, e vice-versa) agora é publicado sem supervisão, controle ou responsabilidade. 

    Mas isto apenas no "caso geral". Na China existe controle e supervisão. Nos países aonde há fiscalização, existe responsabilização jurídica pelo que se escreve na internet. 

    Algumas coisas não mudaram, e não vão mudar: enquanto um blog é repetido o exato número de vezes que é clicado, e ao longo de um certo tempo, aquilo que é publicado nos jornais é repetido milhões de vezes todo dia. Mais importante no caso do analfabeto Brasil, aquilo que é dito no telejornal é dito vários milhões de vezes ao mesmo tempo por todo o país.  

    Enfim, antes da internet só podíamos ouvir os berros gargantuescos dos titãs. Agora também podemos sussurrar e ouvir sussurros. 

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ terça, 11 dezembro 2007, 11:09 BRST # Link |

  3. Oda escreveu:

    Muito interessante o texto e a experiencia dela eh algo realmente respeitavel ;)

    Mas internet substituir livros impressos? Eu certamente nao deixarei e der versoes impressas dos meus livros, de matematica principalmente. Poder rapidamente folhear paginas anteriores ou posteriores, fazer anotacoes nas margens (sim eu faco isso, heheh) etc., sao coisas fundamentais para mim.

    O mesmo vale para o meu guia de ruas. Esses equipamentos que agora estao na moda ainda nao superaram meu bom e velho (velho mesmo!!) 4 rodas.

    Ate mesmo quando pego algum artigo em versao eletronica, prefiro imprimi-lo, apesar de poder le-lo no meu treo (que, alem de fazer um bocado de coisas, custa menos do que 1200 reais, hehe) com o palpdf, baseado no xpdf. O conforto eh ate razoavel (confesso que minha vista de perto eh boa apesar de ser incrivelmente miope), mas ainda assim nada como papel e um lapis na mao!

    OdaOda ‒ terça, 11 dezembro 2007, 12:05 BRST # Link |

  4. Ewout ter Haar escreveu:

    @Renato, jornais a verdadeira revolução, pode ser, não tinha pensado nisso mas parece bem plausível.

    "Enfim, antes da internet só podíamos ouvir os berros gargantuescos dos titãs. Agora também podemos sussurrar e ouvir sussurros. "

    Muito bem colocado!  Valeu.

    @Tom "Ewout, será que o da Amazon é o melhor leitor?". Bom, seguiu o link? A resposta é: não, o da Amazon não é uma boa opção. É realmente decepcionante ver uma empresa tão ligado à internet, que faz tantas coisas obviamente útil, interessante e inovadora como S3 e E3C, pisar tanto na bola com o Kindle. Quanta oportunidade perdida! Culpo as editoras. Junto com a indústria de telecomunicações e radiodifusão são os nossos inimigos. (0.5Sorriso). [emoticons fracionais, graças ao Tim Peters, o Pythonista]

    @Oda, a tecnologia de livros é muito boa, desenvolvido por centenas de anos, vai ser difícil de ultrapassar. É que nem o Stoa competir com outros serviços de comunicação como Jornal da USP. portal da USP é um serviço complementar. Ou serviços de terceiros como os do Google, temos que usar os nossos pontos fortes: hyperlocal, acredito que é novo buzzword...

    Ewout ter HaarEwout ter Haar ‒ quarta, 12 dezembro 2007, 00:27 BRST # Link |

  5. Tom escreveu:

    Ewout, foi uma pergunta que eu já sabia a resposta. O leitor da Amazon é estúpido. Apenas fiz a pergunta pois já li sobre o da Sony, por causa do link que passei, e concluí que é muito melhor que o da Amazon.

    default user iconTom ‒ quarta, 12 dezembro 2007, 00:48 BRST # Link |

  6. Tom escreveu:

    Oda, não vejo a hora de ter um ebook reader decente em minhas mãos! Quanto livro que tenho no computador não poderei ler?!

    Só mais uns meses! :-) 

    default user iconTom ‒ quarta, 12 dezembro 2007, 00:50 BRST # Link |

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