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fevereiro 29, 2012

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Postado por Helder Gonzales

 

I'm begging you from the bottom of my heart to show me understanding /I need to live life
 like some people never will, so find me kindness, find me beauty, find me truth/ The way that your heart beats makes all the difference
in learning to live/
Here before me is my soul, 
I'm learning to live.” Dream Theater – Learning to Live

Desde sempre senti urgência em viver, vontade de fazer de cada momento especial, de experimentar toda a intensidade do mundo.  Cada um carrega consigo características inatas. Quando você olha para trás, percebe que elas sempre estiveram lá, desde a infância. Elas compõem a sua personalidade – algo que o diferencia dos demais, algo que faz cada um de nós ser único e especial. Pois essa sede de vida é uma das coisas que nasceu comigo.

A história dos meus pais foi marcada pelo papel da educação na trajetória de vida deles. Ambos foram os primeiros e únicos de seus lares a concluir um curso superior. Impactados, fizeram questão de transmitir aos filhos esse amor pelos estudos e contar a maravilha que a faculdade representou em suas vidas. Eles me diziam “fazer faculdade é bom, abre a cabeça” .  Essa ideia ressoava dentro de mim. Abrir a cabeça, ver além, ir mais longe – era tudo o que eu queria! E assim, aos 17, deixei a casa dos meus pais no sul de Minas para me aventurar em Sampa. Fazer a tal da faculdade. Começava pra mim  um processo de redescoberta e reconstrução que provavelmente nunca terá fim.

É atribuída ao Einstein a frase que diz: “Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram”.  Assim penso. Ir até onde os demais já foram não me interessa, quero ir além. Sei da efemeridade da minha existência aqui, não quero desperdiçá-la playing safe. Quero arriscar, quero ser arrojado, destemido. Gosto do desafio, do desconhecido, do diferente. Busco o limite, ou melhor, além dele. São as almas inquietas que expandem as fronteiras do possível. 

Sou um questionador. Não aceito dogmas ou tradições sem antes examiná-los profundamente. Sou como um engenheiro curioso que, antes de usar um aparelho, o desmonta, analisa e remonta para, apenas então, decidir se sua nova aquisição serve ou não. Na minha cabeça, comum não é sinônimo de bom. Não é porque todo mundo faz que também farei. Não é porque sempre foi assim que eu também serei. Essas respostas fáceis não me servem. Tenho que deduzir minhas conclusões a partir dos meus princípios.

Sei que minhas decisões e escolhas não necessariamente servem para os outros. Não me sinto melhor nem pior do que ninguém. Apenas diferente. Meus pensamentos servem para decidir o que me parece melhor para a minha vida, não para as dos outros. Não tenho a pretensão de vender meu jeito de pensar, muito menos de o impor por aí. Acredito no valor da liberdade antes de tudo. Liberdade para ser você mesmo, para ser único sem ser incomodado. Cada um no seu quadrado.

Acontece que minha escolha de vida pode ser facilmente incompreendida e, em um mundo cada vez mais orwelliano, muita gente, sem me conhecer devidamente, me julgará por isso. Só que cada um julga conforme a sua própria métrica. Provavelmente serei condenado, sem direito a defesa, por não andar conforme as regras que tantos aceitam sem questionar e refletir. 

Por isso peço, antes de tomar conclusões precipitadas sobre a vida dos outros, mais do que nunca devassadas na Internet, seja tolerante, dê o benefício da dúvida. Talvez aquela pessoa que parece estar tomando atitudes que lhe parecem ultrajantes tenha convicções diferentes das suas – e elas não são necessariamente más. No fim, it all comes down para o difícil ensinamento cristão: não julgue. 

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¨Hoy volveré a nacer: pido permiso (…) Me perdono y perdono a quien me hiriera. Vengo a darles y a darme íntimamente
 una nueva ocasión de parimiento 
a la vida que siempre mereciera. 
Me la ofrezco y la tomo. Me redimo. Con permiso o sin él, YO me lo otorgo:
me doy permiso para sentirme digno, sin más autoridad que mi Conciencia."  Pablo Neruda

 

Palavras-chave: comportamento, Julgar, limite

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