(esqueceu?)

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Abril 04, 2012

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Postado por Helder Gonzales

Precisava terminar um trabalho no começo da tarde, resolvi almoçar no restaurante que há no Itamaraty, mesmo. Não é lá grande coisa, mas é rápido e barato, quebra bem o galho. Já que estava por ali, mesmo, aproveitei para passar na barbearia que há ao lado, dar uma aparada no cabelo. Saindo do barbeiro, avistei o Nixon.

Nixon é o engraxate que trabalha no Ministério. Já que eu estava resolvendo essas pequenas pendencias do dia-a-dia, perguntei se ele poderia passar na minha sala. Vi que ele hesitou.

_ Você vai para sua sala agora?

_ Vou, por quê?

_ É que eu já estava indo embora, mas tudo bem, vamos lá.

Chegando na minha sala, puxei papo.

_ Você só trabalha aqui de manhã?

_ Não, é que hoje eu vou sair mais cedo para cuidar do meu chá de panela.

Fiquei surpreso, Nixon aparenta ser bem jovem.

_Uau, vai casar cara! Tem certeza disso?

Ele riu.

_ É, eu também me pergunto, mas acho que o jeito é tentar para ver. 

_ Quantos anos você tem?

_ 25.

_ É, você tem minha idade.

Aí foi o Nixon que ficou surpreso. 

_ Puxa, você se formou cedo, né? Com quantos anos?

_ Com 21. 

_ Saiu do colégio direto pra faculdade. 

...

_Eu também quero fazer Rio Branco, mas tenho que aprender inglês.

_ Você está fazendo faculdade? De quê?

_ Sim, de administração. O problema é que os cursos de línguas são caros. Preciso começar do zero.

_ É, aprender línguas é essencial, mesmo. 

Nixon, nome de sobrenome de Presidente americano, engraxate do Itamaraty, 25 anos, noivo, estudante de administração, sonha em ser diplomata. 

Essa conversa, entre dois jovens da mesma idade, deixou claro como os contrastes de sociedade brasileira ainda convivem lado a lado.

Tomara que o Nixon termine a faculdade, aprenda idiomas, tenha um casamento feliz e realize seu sonho de ser diplomata. Apesar do abismo social que nos separa, tive a impressão de que temos mais coisas em comum do que diferenças.

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Março 18, 2012

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Postado por Helder Gonzales

Estava voando de São Paulo para Santiago, sentado ao meu lado, um homem, quarenta e tantos/cinquenta e poucos anos. Após horas de voo, já perto de pousar, ele, meio resignado, me pergunta:

 

_ Você é brasileiro?

_ Sim.

_ O que significa "meia" em português?

_ Meia? Meia significa metade. Por quê? Qual o contexto?

_ Metade? Como assim? Tipo, se dizem um quarto de hotel (habitación) "meia"? O que quer dizer, não entendo.

 

Fiquei intrigado, também. Que diabos de quarto "meia" falaram pra ele? Será que era meia pensão, meia diária?

 

_Sim, me falaram um quarto, não-sei-o-quê-meia. Nunca encontrei... Já estava tarde, eu desisti, fui embora.

_ Meia? Não tem sentido... A não ser que... Ah, entendi! "Meia", no Brasil, é o número seis. Meia dúzia. Ela te disse um número que terminava com seis.

_ Tipo 32"meia", 326! Sério? Se eu soubesse...

_Isso. Tipo, 326... Sinto muito, imagino que você queria muito ter achado esse quarto, né?

_Pois é, se eu soubesse, ainda estaria no Brasil. Mas como eu não achei o quarto, tive que voltar.

 

Ironia do destino. A mulher que o sujeito conheceu bem que podia estar hospedada no 325, ou no 327, mas estava justo no 32-meia. O único número em português que um hispano-hablante não entenderia.

Há coisas que o portunhol não resolve. 

Ao chileno só lhe restou voltar pra casa dividido: meio satisfeito pela conquista e meio puto por nunca ter achado o quarto.

Ê vidinha meia-boca! 

 

 

_

Palavras-chave: espanhol, portugues, portunhol

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Fevereiro 28, 2012

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Postado por Helder Gonzales

 

I'm begging you from the bottom of my heart to show me understanding /I need to live life
 like some people never will, so find me kindness, find me beauty, find me truth/ The way that your heart beats makes all the difference
in learning to live/
Here before me is my soul, 
I'm learning to live.” Dream Theater – Learning to Live

Desde sempre senti urgência em viver, vontade de fazer de cada momento especial, de experimentar toda a intensidade do mundo.  Cada um carrega consigo características inatas. Quando você olha para trás, percebe que elas sempre estiveram lá, desde a infância. Elas compõem a sua personalidade – algo que o diferencia dos demais, algo que faz cada um de nós ser único e especial. Pois essa sede de vida é uma das coisas que nasceu comigo.

A história dos meus pais foi marcada pelo papel da educação na trajetória de vida deles. Ambos foram os primeiros e únicos de seus lares a concluir um curso superior. Impactados, fizeram questão de transmitir aos filhos esse amor pelos estudos e contar a maravilha que a faculdade representou em suas vidas. Eles me diziam “fazer faculdade é bom, abre a cabeça” .  Essa ideia ressoava dentro de mim. Abrir a cabeça, ver além, ir mais longe – era tudo o que eu queria! E assim, aos 17, deixei a casa dos meus pais no sul de Minas para me aventurar em Sampa. Fazer a tal da faculdade. Começava pra mim  um processo de redescoberta e reconstrução que provavelmente nunca terá fim.

É atribuída ao Einstein a frase que diz: “Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram”.  Assim penso. Ir até onde os demais já foram não me interessa, quero ir além. Sei da efemeridade da minha existência aqui, não quero desperdiçá-la playing safe. Quero arriscar, quero ser arrojado, destemido. Gosto do desafio, do desconhecido, do diferente. Busco o limite, ou melhor, além dele. São as almas inquietas que expandem as fronteiras do possível. 

Sou um questionador. Não aceito dogmas ou tradições sem antes examiná-los profundamente. Sou como um engenheiro curioso que, antes de usar um aparelho, o desmonta, analisa e remonta para, apenas então, decidir se sua nova aquisição serve ou não. Na minha cabeça, comum não é sinônimo de bom. Não é porque todo mundo faz que também farei. Não é porque sempre foi assim que eu também serei. Essas respostas fáceis não me servem. Tenho que deduzir minhas conclusões a partir dos meus princípios.

Sei que minhas decisões e escolhas não necessariamente servem para os outros. Não me sinto melhor nem pior do que ninguém. Apenas diferente. Meus pensamentos servem para decidir o que me parece melhor para a minha vida, não para as dos outros. Não tenho a pretensão de vender meu jeito de pensar, muito menos de o impor por aí. Acredito no valor da liberdade antes de tudo. Liberdade para ser você mesmo, para ser único sem ser incomodado. Cada um no seu quadrado.

Acontece que minha escolha de vida pode ser facilmente incompreendida e, em um mundo cada vez mais orwelliano, muita gente, sem me conhecer devidamente, me julgará por isso. Só que cada um julga conforme a sua própria métrica. Provavelmente serei condenado, sem direito a defesa, por não andar conforme as regras que tantos aceitam sem questionar e refletir. 

Por isso peço, antes de tomar conclusões precipitadas sobre a vida dos outros, mais do que nunca devassadas na Internet, seja tolerante, dê o benefício da dúvida. Talvez aquela pessoa que parece estar tomando atitudes que lhe parecem ultrajantes tenha convicções diferentes das suas – e elas não são necessariamente más. No fim, it all comes down para o difícil ensinamento cristão: não julgue. 

.............................................................................................

¨Hoy volveré a nacer: pido permiso (…) Me perdono y perdono a quien me hiriera. Vengo a darles y a darme íntimamente
 una nueva ocasión de parimiento 
a la vida que siempre mereciera. 
Me la ofrezco y la tomo. Me redimo. Con permiso o sin él, YO me lo otorgo:
me doy permiso para sentirme digno, sin más autoridad que mi Conciencia."  Pablo Neruda

 

Palavras-chave: comportamento, Julgar, limite

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Outubro 24, 2011

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Postado por Helder Gonzales

Para mim, não há qualquer dilema Beatles ou Rolling Stones. Os Beatles ganham, por muito, o título de melhor banda da história do rock. De verdade, como compositores, acho heresia comparar Lennon-McCartney com Jagger-Richards. Isso sem falar no Harrison.

Por outro lado, na categoria maior rockstar de todos os tempos, não tem dúvida: Sir Mick Jagger ganha sem ninguém no retrovisor. 

E aos 68 ele segue em alta!

Como homenageado no novo hit do Marron 5 - Moves Like Jagger, que paga um tributo aos trejeitos típicos do cantor.

E como cantor no SuperHeavy - o supergrupo integrado por ele, Joss Stone, Demien Marley, David Stewart e A.R. Rahman.

Long live Mr. Jagger!

Palavras-chave: A.R. Rahman, Beatles, David Stewart, Demien Marley, Eurythmics, Jagger, Joss Stone, Maroon 5, Mick Jagger, Miracle Worker, Moves Like Jagger, música, rockstar, Rolling Stones, supergrupo, SuperHeavy

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Postado por Helder Gonzales

Da série coisas que bombam na balada chilena: Chico Trujillo - Loca.

Aqui no vídeo em versão acústica, descontraída. Curto essa versão por ter uma certa vibe Manu Chao, junto com uma pegada de música latina, até meio inesperada para uma banda chilena - já que os chilenos são famosos por estarem entre os mais durões da América Latina. 

Claro que na balada rola a versão de estúdio, mais dançante.

Seja como for, é daquelas que grudam na cabeça e não saem mais. Cuidado!

Palavras-chave: acústico, balada, Chico Trujillo, Loca, Música, música chilena, música latina

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Outubro 17, 2011

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Postado por Helder Gonzales

Talvez pela barreira linguística, talvez pelo background cultural, o fato é que, no Brasil, se conhece muito pouco da cena musical dos países vizinhos. Não sabemos quais são os artistas, nem os ritmos, nem as músicas que bombam nas terras de nossos hermanos.

Pois, estando no Chile e tendo uma turma de amigos estrangeiros de diversos países latinoamericanos, resolvi furar a bolha e começar a escutar um pouco de música em espanhol. Por isso, aceitei o convite para ir ao show do Juan Luis Guerra - no mesmo dia do System of a Down!

Aqui abro um parêntese. Eu realmente gosto de SOAD, acho o repertório ótimo e adoro o álbum Mesmerize, em particular. Só que já tinha acompanhado, ainda que precariamente, pela Internet, a apresentação deles no Rock in Rio e sabia que o show no Chile deveria ser parecido. Some-se a isso o caos que é voltar de shows em estádios em Santiago (não há taxis ou transporte público para atender à legião de gente que deixa o evento ao mesmo tempo) e o fato de que minha amiga dominicana me havia convidado para ir ver o concerto do artista mais famoso do país dela com muita antecedência. Preferi ter uma experiência diferente, acompanhar os amigos e deixar o SOAD para uma próxima. Não me arrependo.

Como ando na onda de comentar os shows aos quais tenho ido, aqui vão umas palavrinhas sobre o show do Juan Luis Guerra.

Pra começar, o cara tem mais de 30 milhões de cópias vendidas. Coleciona uma dúzia de Grammys latinos e dois Grammys gringos. Ou seja, é um artista padrão top internacional. É realmente espantoso que seja quase desconhecido no Brasil.

JLG é o maior expoente da salsa, do merengue e da bachata. Também é famoso por suas baladas e, mais recentemente, aderiu ao time da música gospel. Na verdade os brasileiros conhecem uma música - "Borbulhas de Amor", a versão do Fagner para "Burbujas de Amor". Ocioso dizer que, apenas com essa canção, não dá para ter ideia da riqueza do repertório, mormente dançante, desse dominicano.

É verdade que não são meus estilos favoritos, mas, mesmo assim, gostei muito do show! Banda espetacular, sobretudo na parte rítmica. Muita energia do público, que dança e canta o tempo todo. Mesmo sem saber salsa, é impossível ficar parado.

Destaque para a cenografia. Um telão móvel de alta definição no centro do palco com projeções de cair o queixo. Não deveu nada à aranha pretenciosa e exagerada do U2 360. A certa altura, JLG faz um dueto com Juanes projetado no telão que se abaixa até o palco - das coisas mais impressionantes que vi em um show de música.

Infelizmente não filmei nada. Mas coloco, a seguir, um vídeo de "Si tu no bailas". Essa balada me pareceu bastante singela por sua história. Apesar de ser o rei da salsa e do merengue, curiosamente, Juan Luis Guerra é de uma total inaptidão para dançar. Por isso dedicou essa canção a sua esposa, que reiteradamente o chamava para sair para dançar e se frustrava com as negativas do marido travadão. "Se você não dança comigo, prefiro não dançar".

Palavras-chave: bachata, grammy, Juan Luis Guerra, latina, merengue, música, salsa, show

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Postado por Helder Gonzales

Fui ao show do Sir Eric Clapton. Que espetáculo!

Sim, é verdade que ele nem se despede do público, simplesmente vai embora. Como é verdade que o set list é exatamente o mesmo por toda a turnê, que não há pirotecnia de nenhum tipo, que o bis só tem uma música e que parece que ele está ali apenas cumprindo tabela...

Mas, dito tudo isso, o cara é simplesmente um dos maiores guitarristas de toda a história. O que não é pouca coisa.

E está vivo!

No final, isso mais do que compensa qualquer mimimi que os cri-cris de plantão possam levantar. 

Como guitarrista de meia tigela que sou, posso atestar que o timbre do cara é impressionante. Nunca ouvi nenhuma guitarra soar tão bem ao vivo (e olha que já fui a um punhado de shows). Os timbres ocos e estalados da strato estão lá, junto com muito sustain e ganho nos solos. Coisa linda de ouvir!

O set list foi bem equilibrado, incluindo tanto os clássicos das rádios, quanto a praia que parece ser a que dá tesão verdadeiro ao Clapton - o bom e velho blues.

No fim dá uma mistura bem interessante, de um artista que, ao longo da carreira, tem se alternado entre guitar hero de rock, hitmaker de pop e deus do blues. 

A banda era muito boa e, felizmente, enxuta. Nada de percussionistas, set de metais, guitarra base, bandolins... Não que eu tenha algo contra essa turma - não tenho, no show do Jorge Drexler, por exemplo, ficou muito legal. Só que o repertório do Clapton é rock clássico e blues. E, pra mim, nesses estilos, menos é mais. Minha fase preferida do Clapton é com o power trio Cream - baixo, guitarra, batera e vocal.

Registre-se, também, que o cara canta muito! 

Enfim, um show correto de um artista fora de série. Vale demais. Recomendo!

Para registro, Old Love:

Palavras-chave: banda, blues, Chile, Eric Clapton, guitarra, música, Old Love, rock, Santiago, show, timbre

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Outubro 15, 2011

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Postado por Helder Gonzales

Ando tendo sorte com as bandas de abertura dos shows aos quais tenho ido. Esse é, aliás, o espírito da coisa -- a banda menos conhecida topa fazer um set curto e com o som prejudicado, em frente a um público que não foi lá para vê-la, na tentativa de se fazer conhecida, divulgar seu som e, quem sabe, conquistar alguns ouvintes. 

No show do RHCP a abertura foi do Foals, um indie rock interessante. O som deles deu a impressão de estar em algum lugar entre o Coldplay e o Franz Ferdinand -- por insólita que possa parecer a combinação.

Bom, vamos ao que interessa. Let there be music! Eles tocando Red Sox Pugie no Jools Holland.

 

Palavras-chave: abertura, Coldplay, Foals, Franz Ferdinand, indie, indie rock, música, RHCP, show

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Outubro 14, 2011

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O Javier Barria, de quem falei aqui, parece ser muito simpático e, pelo Facebook, me disse, em português, que canta sem sotaque por ter passado anos trabalhando tocando mpb e bossa. Disse, ainda, que sonha em ir se apresentar no Brasil. Pois eu acho que seria uma ótima idéia. Caso algum promotor de eventos musicais caia por acidente nesse blog, #ficadica!

Mais uma bela canção desse independente chileno:

 

Alô, Medina?

Palavras-chave: Brasil, chileno, Javier Barria, Música,

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Já que estou na vibe de subir pro Youtube meus registros de shows, aqui vai o Red Hot Chili Peppers mandando Soul to Squeeze em Santiago.

Adoro essa música! Achei bem legal a terem recuperado para essa turnê.

Aqui o link para a abertura do show, com a nova Monarchy of Roses: http://www.youtube.com/watch?v=04LdWZ4uDeg

Palavras-chave: música, Red Hot Chili Peppers, RHCP, Santiago, show, Soul to Squeeze

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Outubro 13, 2011

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Fui ontem ao fenomenal show do Jorge Drexler em Santiago. Já o conhecia de nome - o cara já ganhou até Oscar - mas a verdade é que nunca tinha parado para ouvir. Quanto tempo perdido! É poesia pura. 

O show foi aberto pelo artista independente chileno Javier Barría, outra grata surpresa. Ótimo compositor e cantor!

No bis, depois de mais de duas horas e meia de show, Drexler chamou Barría ao palco, para improvisar algum número juntos. Tocaram uma dos Bealtes e duas do Caetano. 

Abaixo, quatro vídeos. A linda e poética "Sanar" de Drexler, que diz:

"Y aunque parezca mentira/Tu corazón va a sanar/Va a sanar/Va a sanar/Y va a volver a quebrarse/Mientras le toque pulsar."

Depois, Barría com "História de Terror", que, apesar do título, fala de amor e casamento. Simplesmente não consigo parar de ouvir essa canção.

No fim, parte da canja dada por ambos ontem. Tocando "Coração vagabundo" e "Desde que o samba é samba" de Caetano Veloso. 

Link pros dois improvisando "If I Fell", dos Beatles: http://www.youtube.com/watch?v=P-EKWdoaHJU

Palavras-chave: Caetano Veloso, Desde que o Samba é Samba, Historia de Terror, Javier Barría, Jorger Drexler, Música, Poesia, Sanar, Santiago

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Outubro 12, 2011

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reasons why I love Muse... #1495

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Outubro 09, 2011

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As pessoas magnéticas são como ímãs. Atraem ou repelem as demais de acordo com sua polaridade. É sempre fácil se achar grudado a uma dessas pessoas ímã. O grande risco, no entanto, é ela inutilizar sua bússola e te fazer perder o Norte.

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Outubro 08, 2011

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Postado por Helder Gonzales

E foi então que apareceu a raposa:

- Boa dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.

- Ah! desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?

- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?

- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...

- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor... cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

O pequeno príncipe - Antoine de Saint Exupéry

Palavras-chave: antoine de saint-exupéry, cativar, laços, pequeno príncipe, raposa, responsabilidade

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Outubro 06, 2011

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I am honored to be with you today at your commencement from one of the finest universities in the world. I never graduated from college. Truth be told, this is the closest I've ever gotten to a college graduation. Today I want to tell you three stories from my life. That's it. No big deal. Just three stories.

The first story is about connecting the dots.

I dropped out of Reed College after the first 6 months, but then stayed around as a drop-in for another 18 months or so before I really quit. So why did I drop out?

It started before I was born. My biological mother was a young, unwed college graduate student, and she decided to put me up for adoption. She felt very strongly that I should be adopted by college graduates, so everything was all set for me to be adopted at birth by a lawyer and his wife. Except that when I popped out they decided at the last minute that they really wanted a girl. So my parents, who were on a waiting list, got a call in the middle of the night asking: "We have an unexpected baby boy; do you want him?" They said: "Of course." My biological mother later found out that my mother had never graduated from college and that my father had never graduated from high school. She refused to sign the final adoption papers. She only relented a few months later when my parents promised that I would someday go to college.

And 17 years later I did go to college. But I naively chose a college that was almost as expensive as Stanford, and all of my working-class parents' savings were being spent on my college tuition. After six months, I couldn't see the value in it. I had no idea what I wanted to do with my life and no idea how college was going to help me figure it out. And here I was spending all of the money my parents had saved their entire life. So I decided to drop out and trust that it would all work out OK. It was pretty scary at the time, but looking back it was one of the best decisions I ever made. The minute I dropped out I could stop taking the required classes that didn't interest me, and begin dropping in on the ones that looked interesting.

It wasn't all romantic. I didn't have a dorm room, so I slept on the floor in friends' rooms, I returned coke bottles for the 5¢ deposits to buy food with, and I would walk the 7 miles across town every Sunday night to get one good meal a week at the Hare Krishna temple. I loved it. And much of what I stumbled into by following my curiosity and intuition turned out to be priceless later on. Let me give you one example:

Reed College at that time offered perhaps the best calligraphy instruction in the country. Throughout the campus every poster, every label on every drawer, was beautifully hand calligraphed. Because I had dropped out and didn't have to take the normal classes, I decided to take a calligraphy class to learn how to do this. I learned about serif and san serif typefaces, about varying the amount of space between different letter combinations, about what makes great typography great. It was beautiful, historical, artistically subtle in a way that science can't capture, and I found it fascinating.

None of this had even a hope of any practical application in my life. But ten years later, when we were designing the first Macintosh computer, it all came back to me. And we designed it all into the Mac. It was the first computer with beautiful typography. If I had never dropped in on that single course in college, the Mac would have never had multiple typefaces or proportionally spaced fonts. And since Windows just copied the Mac, it's likely that no personal computer would have them. If I had never dropped out, I would have never dropped in on this calligraphy class, and personal computers might not have the wonderful typography that they do. Of course it was impossible to connect the dots looking forward when I was in college. But it was very, very clear looking backwards ten years later.

Again, you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something — your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life.

My second story is about love and loss.

I was lucky — I found what I loved to do early in life. Woz and I started Apple in my parents garage when I was 20. We worked hard, and in 10 years Apple had grown from just the two of us in a garage into a $2 billion company with over 4000 employees. We had just released our finest creation — the Macintosh — a year earlier, and I had just turned 30. And then I got fired. How can you get fired from a company you started? Well, as Apple grew we hired someone who I thought was very talented to run the company with me, and for the first year or so things went well. But then our visions of the future began to diverge and eventually we had a falling out. When we did, our Board of Directors sided with him. So at 30 I was out. And very publicly out. What had been the focus of my entire adult life was gone, and it was devastating.

I really didn't know what to do for a few months. I felt that I had let the previous generation of entrepreneurs down - that I had dropped the baton as it was being passed to me. I met with David Packard and Bob Noyce and tried to apologize for screwing up so badly. I was a very public failure, and I even thought about running away from the valley. But something slowly began to dawn on me — I still loved what I did. The turn of events at Apple had not changed that one bit. I had been rejected, but I was still in love. And so I decided to start over.

I didn't see it then, but it turned out that getting fired from Apple was the best thing that could have ever happened to me. The heaviness of being successful was replaced by the lightness of being a beginner again, less sure about everything. It freed me to enter one of the most creative periods of my life.

During the next five years, I started a company named NeXT, another company named Pixar, and fell in love with an amazing woman who would become my wife. Pixar went on to create the worlds first computer animated feature film, Toy Story, and is now the most successful animation studio in the world. In a remarkable turn of events, Apple bought NeXT, I returned to Apple, and the technology we developed at NeXT is at the heart of Apple's current renaissance. And Laurene and I have a wonderful family together.

I'm pretty sure none of this would have happened if I hadn't been fired from Apple. It was awful tasting medicine, but I guess the patient needed it. Sometimes life hits you in the head with a brick. Don't lose faith. I'm convinced that the only thing that kept me going was that I loved what I did. You've got to find what you love. And that is as true for your work as it is for your lovers. Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do. If you haven't found it yet, keep looking. Don't settle. As with all matters of the heart, you'll know when you find it. And, like any great relationship, it just gets better and better as the years roll on. So keep looking until you find it. Don't settle.

My third story is about death.

When I was 17, I read a quote that went something like: "If you live each day as if it was your last, someday you'll most certainly be right." It made an impression on me, and since then, for the past 33 years, I have looked in the mirror every morning and asked myself: "If today were the last day of my life, would I want to do what I am about to do today?" And whenever the answer has been "No" for too many days in a row, I know I need to change something.

Remembering that I'll be dead soon is the most important tool I've ever encountered to help me make the big choices in life. Because almost everything — all external expectations, all pride, all fear of embarrassment or failure - these things just fall away in the face of death, leaving only what is truly important. Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose. You are already naked. There is no reason not to follow your heart.

About a year ago I was diagnosed with cancer. I had a scan at 7:30 in the morning, and it clearly showed a tumor on my pancreas. I didn't even know what a pancreas was. The doctors told me this was almost certainly a type of cancer that is incurable, and that I should expect to live no longer than three to six months. My doctor advised me to go home and get my affairs in order, which is doctor's code for prepare to die. It means to try to tell your kids everything you thought you'd have the next 10 years to tell them in just a few months. It means to make sure everything is buttoned up so that it will be as easy as possible for your family. It means to say your goodbyes.

I lived with that diagnosis all day. Later that evening I had a biopsy, where they stuck an endoscope down my throat, through my stomach and into my intestines, put a needle into my pancreas and got a few cells from the tumor. I was sedated, but my wife, who was there, told me that when they viewed the cells under a microscope the doctors started crying because it turned out to be a very rare form of pancreatic cancer that is curable with surgery. I had the surgery and I'm fine now.

This was the closest I've been to facing death, and I hope it's the closest I get for a few more decades. Having lived through it, I can now say this to you with a bit more certainty than when death was a useful but purely intellectual concept:

No one wants to die. Even people who want to go to heaven don't want to die to get there. And yet death is the destination we all share. No one has ever escaped it. And that is as it should be, because Death is very likely the single best invention of Life. It is Life's change agent. It clears out the old to make way for the new. Right now the new is you, but someday not too long from now, you will gradually become the old and be cleared away. Sorry to be so dramatic, but it is quite true.

Your time is limited, so don't waste it living someone else's life. Don't be trapped by dogma — which is living with the results of other people's thinking. Don't let the noise of others' opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.

When I was young, there was an amazing publication called The Whole Earth Catalog, which was one of the bibles of my generation. It was created by a fellow named Stewart Brand not far from here in Menlo Park, and he brought it to life with his poetic touch. This was in the late 1960's, before personal computers and desktop publishing, so it was all made with typewriters, scissors, and polaroid cameras. It was sort of like Google in paperback form, 35 years before Google came along: it was idealistic, and overflowing with neat tools and great notions.

Stewart and his team put out several issues of The Whole Earth Catalog, and then when it had run its course, they put out a final issue. It was the mid-1970s, and I was your age. On the back cover of their final issue was a photograph of an early morning country road, the kind you might find yourself hitchhiking on if you were so adventurous. Beneath it were the words: "Stay Hungry. Stay Foolish." It was their farewell message as they signed off. Stay Hungry. Stay Foolish. And I have always wished that for myself. And now, as you graduate to begin anew, I wish that for you.

Stay Hungry. Stay Foolish.

Thank you all very much.

Steve Jobs

 

Palavras-chave: discurso, formatura, stanford, steve jobs

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Setembro 15, 2011

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"vive tan de prisa que a veces se me figura que va jugando carreras con el tiempo. Acabará por perder, ya lo verá usted." Pedro Páramo - Juan Rulfo

Nascera com uma urgência de viver. Uma vontade incontrolável de beber a vida toda em um gole só.

Não sabia esperar. Como se, desde o ventre materno, entendesse que tudo o que há é, apenas e tão somente, o agora. O resto são conjecturas.

Preferia viver 10 anos a mil do que 1000 anos a 10. Impaciente, ansioso, exagerado... seu ritmo alucinante o impingia características penosas.

É verdade que toda essa gana de sugar a vida o fazia queimar etapas, chegar antes, crescer depressa. O que era bom e ruim ao mesmo tempo -- como quase tudo, aliás.

Não sabia esperar o tempo do rio, era preciso apressá-lo! Chegar logo à foz, virar mar. Nada de bordear lentamente as paragens preguiçosas. Bom mesmo é despencar depressa, feito cachoeira. 

Acontece que às vezes tudo pede um pouco mais de calma.

Correr é inútil, desgastar-se à toa. Pode até ser contraproducente.

Às vezes, simplesmente, a única coisa a fazer é esperar.

Esperar que o tempo se encarregue de fazer o trabalho que apenas ele sabe. Deve ser isso que significa a expressão "dar tempo ao tempo".

Paciência, meu amigo, paciência. Temos todo o tempo do mundo. 

Respire fundo, retire sua senha, sente-se ali e espere.

Há revistas velhas na mesa de canto. 


"You said time heals, there's not enough of it" The Chills - Peter Bjorn and John


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Agosto 30, 2011

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ou

Da vida de Tio Ben

Quando eu era criança, minha família tinha o hábito de ir passar os finais de semana em Extrema, uma pequena cidade encravada ao pé dos morros de Minas, terra da família da minha mãe. Dentre as atividades corriqueiras desses passeios estavam a visita aos parentes, de variados graus. Um deles era o Tio Ben.

O Tio Ben era o esposo da Tia Jandira – a Madrinha. Pois o Tio Ben e a Madrinha moraravam numa casinha simples, na roça, que se conectava com o mundo apenas por meio de uma estrada de terra. No pátio, o galo correndo atrás das galinhas soltas. Na garagem - na verdade um barracão em frente à casa - um Fusca azul de tempos imemoriais. A cozinha, escura, de telhado sem forro, com o fogão de lenha sempre ardendo. Nos demais cômodos, os móveis gastos dos anos 60 e 70. A verdade é que não me lembro tão bem dos detalhes do interior da casa, já que sempre nos sentávamos todos na varanda para botar a prosa em dia, em banquinhos de alvenaria de baixa altura, que acompanhavam o perímetro da construção. Ao fundo, um desnivelado gramado com traves de madeira, que era o campinho usado pelas crianças para jogar futebol, vôlei, ou simplesmente correr, brincar de pega-pega e se sujar fartamente.

Tio Ben vestia-se sempre da mesma maneira, com camisa xadrez para dentro das calças e cortuno, enorme chapéu de palha. Abaixo do bigode branco levava pendurado seu cigarro, também de palha, cujo cheiro, misturado com o do café recém-passado, impregna minha memória dessa experiência.

Lembro-me que certa vez Tio Ben se ofereceu para transformar seu palheiro em um apito, numa tentativa de me entreter com esses brinquedos antigos que só o pessoal da roça conhece. Internamente fiquei exultante: um apito feito de palha?! Ainda mais um apito que era, na verdade, um cigarro! Mas crianças têm vergonhas inexplicáveis, sobretudo as da cidade. E, tendo gravado em meu sistema operacional todo o discurso responsável dos pais modernos, de que cigarro é veneno, por via das dúvidas, recusei o presente, para posterior arrependimento.

Os homens adultos, depois de certo tempo de conversa, percebendo o tédio que todo aquele falatório sobre parentes representava para as crianças, se ofereciam para levá-las por algum passeio pelo sítio, enquanto as mulheres seguiam com a prosa na varanda. As opções eram ir ver o poço, ir ver a bica, ir ver a lagoa, ir ver o galhinheiro, ir ver o bambuzal, ir ver o pasto... Pensando bem, talvez eles aproveitassem o pretexto de levar as crianças passear para também escapar do papo das comadres e poder, enfim, ter conversas de homem. Olha como a represa encheu, está boa pra pescar. Na volta, ganhávamos bolo, ou doce de figo em calda, e uma xícara de café quentinho.

Diz-se que, apesar de seu estilo de vida simples, Tio Ben era um homem rico, herdeiro de muitas terras. Não tenho qualquer ideia sobre a extensão ou valor das propriedades do Tio Ben. Só sei que as tinha. Como também sei que isso não tinha qualquer efeito sobre seu cotidiano. Vida campestre, sem qualquer luxo ou ostentação.

Na casa de Tio Ben o tempo parecia parado. Tudo transcorria no tranquilo ritmo do campo. Sem pressa, sem correria, sem novidades. A vida daquele casal não incluia trocar de telefone e de carro a cada ano, não incluia atualizar o facebook a cada 10 minutos, não incluia checar os e-mails, pessoais e do trabalho. Nada de deadlines. Imagine isso: dead-line, linha da morte! Não, não, nada disso!

Não me entendam mal. Eu sou um ser da cidade. Amo as grandes metrópoles. Sou daqueles paulistanos que dizem que morreriam de tédio se tivessem que passar sua vida em algum vilarejo perdido no mapa. Sou da geração Y, da tecnologia, da velocidade.

Mas tem dias em que me canso dessa correria moderna toda. Dá vontade de fugir. Fugere urbem. Viver como o Tio, bem.

 

Palavras-chave: fugere urbem, geração Y, vida campestre

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Julho 13, 2011

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Pois é, amigos, esse blog não se chama 'O Metalinguista' à toa. Algumas das minhas viagens na maionese mais recorrentes são sobre etimologia. Frequentemente, me pego comparando palavras, pensando em equivalentes em outras línguas e tentando traçar a árvore genealógica dos vocábulos. Fico procurando entender como os significados e a forma de falar e de escrever vão se transformando ao longo dos séculos, buscando decifrar a história escondida atrás dos nossos idiomas.

Estava andando em Santiago, quando vi alguma referência a uma certa rua Merced, que me pôs a pensar sobre o significado dessa palavra, que também é usada como nome, Mercedes

A primeira coisa que me veio à mente foi que o equivalente em português é mercê. Não é uma palavra lá muito usada, a não ser na expressão 'estar à mercê de' que significa, basicamente, estar dependente de algo ou alguém. Outro registro da palavra, em português, é o famoso e caduco pronome de tratamento Vossa Mercê, que é o tataravô do Você. Em espanhol, aliás, havia o Vuestra Merced, que originou o Usted. 

[Aqui uma pausa para digressão.] Sempre me pareceu estranho que um pronome claramente usado para dirigir-se à segunda pessoa seja acompanhado de verbos conjugados na terceira pessoa. Bom, antecipando um pouco as coisas, mercê significa, basicamente, graça, Vossa Mercê, portanto, Vossa Graça.

Quando alguém diz, por exemplo, "Você vai ao cinema?", está dizendo "Vossa graça vai ao cinema?" -- o sujeito da oração é "vossa graça" (ela). Apesar de parecer estar na segunda pessoa (por causa do Vossa), a oração está construída na terceira pessoa (ela). O vossa, aí, é pronome possessivo, que é, na verdade, um adjetivo  -- como os gramáticos de outras línguas bem notaram: possessive adjectives, no inglês, por exemplo, 'your grace' - diferente do possessive pronoun, yours. Fica mais fácil de perceber a terceira pessoa simplesmente suprimindo o pronome (adjetivo) possessivo, e colocando um artigo definido no lugar: "a graça vai ao cinema?".

Muito bem, é uma maneira de denotar respeito, de não se dirigir diretamente ao interlocutor, que é visto como alguém superior, da mesma forma como usamos "Vossa Excelência" até hoje. [Fim da digressão.]

Bueno. Mercê vem do latim, mercéd, que, originalmente significava salário, pagamento, recompensa. Uma palavra derivada, usada até hoje, que guarda relação com esse sentido original é mercenário - soldado que se oferece para servir mediante pagamento, aquele que trabalha por salário. 

Acontece que os primeiros cristãos do Império Romano passaram a usar a palavra de maneira distinta -- significando a recompensa espiritual dada por Deus aos não merecedores, equivalente ao grego charis. A merced passa a ser sinônimo de graça. A ideia aqui é de favor, de ação sem contrapartida, grátis. 

Esse sentido é próximo ao usado hoje em inglês para a palavra mercy, que pode significar compaixão, graça ou misericórdia.

No francês, merci ganhou um uso mais específico -- o de expressar gratidão, dar graças a um favor -- equivalente ao nosso obrigado. Curioso que, em outras línguas neolatinas, as palavras para isso são justamente gracias, em espanhol, e grazie, em italiano. A ideia parece ser a mesma do sentido dado pelos primeiros cristãos -- expressar reconhecimento e agradecimento a um favor não merecido, que é feito sem contrapartida, sem pagamento, de graça. 

De certa forma, sempre que agradecemos -- em francês, espanhol ou italiano -- estamos reconhecendo que não merecemos, que não pagamos pelo favor, que não houve contrapartida, que ele foi grátis -- e esse reconhecimento é um ato de rendição graças (thanksgiving) ao benfeitor. Gratidão parece estar associada, assim, à noção de gratuidade.

Palavras-chave: etimologia, graça, gracias, grátis, grazie, mercê, merced, merci, mercy, ustedes, você, vosmecê, vuestra merced

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Abril 28, 2011

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Postado por Helder Gonzales

Não faltam, na históra do rock, casos de mortes prematuras, frequentemente em decorrência de abusos, que encerram precocemente carreiras brilhantes.

Mas é ainda mais intrigante e triste quando jovens promissores perdem suas vidas estupidamente, entrando para a história talentos promissores que não tiveram tempo de desenvolver seu trabalho.

Esse foi o caso de Randy Rhoads e de Jeff Buckley, que conto brevemente nesse post.

Randy

Na virada dos anos 70 pros 80, Ozzy Osbourne deixava o Black Sabbath e era tido como um vocalista limitado, já fora de seu auge, além de alcoólatra contumaz. Decido a iniciar sua improvável carreira solo, o vocalista precisava se reinventar.

Já desanimado com a procura de um guitarrista para sua nova banda, Ozzy é apresentado a um moleque de 23 anos, um certo Randy Rhoads. Usando um aplificador de estudo, Randy ainda fazia seu aquecimento para o teste quando, surpreso, ouviu de Ozzy: "ok, a turnê é sua."

Pois esse garoto trouxe a técnica do vilão erudito para a guitarra do heavy metal e virou um dos guitarristas mais importantes da história! No inícios dos anos 80, havia dois deuses da guitarra: Randy e ninguém menos do que Eddie Van Halen.

Sem falar que a parceria Randy-Ozzy catapultou a carreira do segundo, que fez enorme sucesso como artista solo, contra as previsões de seus ex colegas de Black Sabbath.

Randy gravou os dois primeiros discos solo do Ozzy. E tudo ia muito bem, quando, voltando de um show, a banda resolveu parar em um hangar para descansar. O motorista do ônibus também era piloto de avião e resolveu levar a turma para um passeio...

Como Randy tinha medo de avião, resolveu não ir e ficar em terra firme, com outro colega que era cardíaco.

Depois do primeiro voo, bem-sucedido, o motorista/piloto convenceu os outros dois a darem uma voltinha também. Como Randy curtia tirar fotos, achou que valia a pena uma foto aérea.

Até que o piloto tem uma daquelas ideas geniais que a seleção natural não perdoa: "vamos zoar com a galera do busão?".

E o primeiro rasante faz tchum, o segundo faz tchin, e o terceiro... bate no ônibus, na árvore, o avião explode, cai e todo mundo morre! #GreatSuccess #DarwinAward pra ele.

Assim, aos 25 anos, o mundo perde Randy Rhoads.

Tommy Iommi, Zack Wylde, Gus G e outros guitarristas virtuosos que tocaram com o Ozzy que me desculpem, mas tocar bem mesmo é isso aqui:

Jeff

Em 1994 o Radiohead só havia lançado seu primeiro CD. Nada de Muse, Coldplay, Jamie Cullum ou Travis na cena musical.

Pois é nesse ano que é lançado "Grace", o revolucionário álbum de Jeff Buckley, que influenciou toda essa turma. Dez músicas, it's all it takes pra figurar entre os melhores álbuns da história do rock e ser aclamado por figuras tão distintas e relevantes como Bono, Elvis Costello, Robert Plant, Paul Mcartney e Chris Cornell!

Lá nos idos de 1997, enquanto trabalhava no seu segundo disco, Jeff resolveu ir nadar no rio... e nunca mais voltou. Afogamento natural. Nada de álcool ou drogas. Nada de se afogar no próprio vômito, como reza a cartilha do rock star porra louca. O cara simplesmente foi nadar no rio e morreu! Aos 30 anos, com apenas um disco lançado.

A mãe do músico e a gravadora resolveram lançar, em 1998, o material que ele preparava para o segundo álbum, que seria chamado "My Sweetheart the Drunk". De fato, ele já tinha terminado o álbum no estúdio, mas não gostou do resultado, resolveu não lançar, e estava reescrevendo o álbum em casa, prestes a reentrar em estúdio, quando morreu. O material das duas fases (estúdio e casa) saiu com o título "Sketches for My Sweetheart the Drunk".

É realmente impressionante com o som dele mistura elementos que depois explodiriam com Muse, Coldplay e outros:

 

Palavras-chave: jeff buckley, morte prematura, música, ozzy osbourne, randy rhoads, rock

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