Stoa :: Helder Gonzales :: Blog

Novembro 02, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

La pregunta
Amor, una pregunta
te ha destrozado.
Yo he regresado a ti
desde la incertidumbre con espinas.
Te quiero recta como
la espada o el camino.
Pero te empeñas
en guardar un recodo
de sombra que no quiero.
Amor mío,
compréndeme,
te quiero toda,
de ojos a pies, a uñas,
por dentro,
toda la claridad, la que guardabas.
Soy yo, amor mío,
quien golpea tu puerta.
No es el fantasma, no es
el que antes se detuvo
en tu ventana.
Yo echo la puerta abajo:
yo entro en toda tu vida:
vengo a vivir en tu alma:
tú no puedes conmigo.
Tienes que abrir puerta a puerta,
tienes que obedecerme,
tienes que abrir los ojos
para que busque en ellos,
tienes que ver cómo ando
con pasos pesados
por todos los caminos
que, ciegos, me esperaban.
No me temas,
soy tuyo,
pero
no soy el pasajero ni el mendigo,
soy tu dueño,
el que tú esperabas,
y ahora entro
en tu vida,
para no salir más,
amor, amor, amor,
para quedarme.

Pablo Neruda

 

Palavras-chave: Amor, La pregunta, Neruda, Pablo Neruda, Poesia

© 2017 Todos os direitos reservados

Postado por Helder Gonzales | 1 comentário

Novembro 01, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

"Con el anhelo dirigido hacia ti
yo estaba sólo, en un rincón del café
cuando de pronto oí unas alas batir,
como si un peso comenzara a ceder,
se va,
se va,
se fue..." - Jorge Drexler

Às quintas à noite, ele fazia aula de tênis e ela, de teatro.

Namoro à distância, muito mais fácil hoje do que antigamente.

Imaginem vocês, quando o ápice do contato com o amado apartado era receber uma carta! Dizem que a carta tem seu charme especial, porque é como se ela carregasse certa energia consigo. Ter materialidade faz toda a diferença. Você sabe que aquele objeto esteve nas mãos de sua paixão antes de chegar às suas. É como se a carta fosse um pedacinho do outro que viajou para matar um pouco da saudade.

Mas eles não. São do tempo da conectividade. Das redes sociais. Do celular, do Whatsapp, do Facebook, das vídeo-chamadas. Falavam-se diariamente, mais do que isso, várias vezes ao dia.

A bolinha vermelha com um número sobre o ícone verde de um telefone dentro de um balão de diálogo - eis o alento dos namorados do século XXI. Quanto maior o número, mais reconfortante. Na correria do dia-a-dia, entre um compromisso e outro, basta puxar o telefone do bolso, baixar o olhar, deslizar a seta para direita e conferir se há mensagens não lidas. Se há, ufa, que alívio! Ela pensou em mim.

A aula dele começava às 20h30, a dela, às 19h. O intervalo dela era às 21h, mas a aula dele só acabava às 21h30. Isso era certeza de notificações no whatsapp nas noites de quinta.

Normalmente, se falavam antes de dormir. Ela se deitava mais cedo, pois tinha que despertar às 6h para não perder a hora da faculdade. Às 6h, ele ainda estava no quinto sono.

Desde que iniciaram o teatro e o tênis, o samba começara a atravessar. A aula dela acabava às 23h, mas ele ainda ficava pra jogar uma partida com o amigo e saiam pra jantar. Chegava em casa à meia noite. Acabavam não se ligando.

Ele praticando o backhand, o celular começa a tocar. Não dá pra parar aula, ainda mais porque é em dupla. O jeito é deixar tocar e retornar depois.

Findo o treino, cansado, se dirige ao banco na lateral da quadra. Em cima da capa amarela da raquete, a carteira, o celular e as chaves do carro. Três chamadas não atendidas. Namorada.

Estranho.

_ Babe, tudo bem? Tô no tênis. Vi que você me ligou.

_ Oi, tudo bem. É que estou no teatro, e o professor pediu pra eu fazer uma cena mais quente com um menino e eu não consegui. Travei, não sei. Nelson Rodrigues, sabe. E ele me agarrou e e... ah, não sei. Resolvi te ligar na hora. Depois pedi pra fazer a cena de novo, com outra pessoa. O professor falou que eu tinha que ser profissional, mas me senti estranha. Falei, "vou ligar logo pro namorado".

Ele sabia que ela tinha experiência no teatro, estava acostumada com essas situações.

Aliás, ainda quando acabara de conhecê-la, viu no Youtube o trailer de um filme dela. Cenas sensuais. Sentiu um calorzinho por dentro, ciúme mesmo. Se censurou. Era da profissão dela, oras. E, quer saber? Era legal! Quem não quer a gata da tela ao seu lado? Depois pediu para ver o filme todo com ela e se amarrou, não sentiu mais ciúme.

Mas dessa vez algo foi diferente e ela ligou para contar.

Ele soube imediatamente. Era questão de tempo. Nunca mais as coisas seriam as mesmas.

Pensou em Drexler. Se imaginou em um café uruguaio, de terno e camisa listrada, sem gravata, com o copo na mão, encostado na quina das paredes, ouvindo subitamente o rangir da marquise de madeira do mezanino, observando-a de longe, próxima ao balcão, com um colete de pele, de costas, voltada para a porta, de saída.

Lembrou do Rubem Alves: "Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que a qualquer momento ele pode voar".

Sentiu as asas dela querendo bater.

Desligou o telefone resignado. Apanhou a raquete. Coçou atrás da nuca suada e se dirigiu para a linha de base. Bateu a bolinha no chão. Fitou o amigo do outro lado da quadra.

_ Eu começo!

Respirou fundo, lançou a bola e bateu. Rede.

Soltou os braços, corrigiu a postura dos pés, lançou e bateu de novo.

Dupla falta.

***

"O segundo que antecede o beijo
A palavra que destrói o amor
Quando tudo ainda estava inteiro
No instante em que desmoronou
Palavras duras em voz de veludo
E tudo muda, adeus velho mundo
Há um segundo tudo estava em paz" - Herbert Vianna


 

© 2017 Todos os direitos reservados

Postado por Helder Gonzales | 1 comentário

Outubro 29, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Um vídeo demonstrando os novos captadores da minha guitarra antiga. Lindy Fralin Vintage Hot no braço, Dimarzio Area 67 no meio e Dimarzio Virtual Vintage Blues na ponte. Guita Tagima Strato de 1999. Amp Vox ACTV4. Um pequeno cubo de apenas 4W, mas que faz um belo barulho por ser valvulado. There it is:

Palavras-chave: ACTV4, amplificador, Area 67, Blues, brilhante, captadores, Dimarzio, Dire Straits, estralado, Fender, guitar., Guitarra, Jimmy Hendrix, John Frusciante, Lindy Fralin, magro, Mark Knopfler, Música, noiseless, Peal Jam, pickups, Red Hot Chili Peppers, som, Strat, Strato., Stratocaster, Tagima, The Doors, timbre, trocar, valvulado, Vintage Hot, Virtual Vintage, Vox

© 2017 Todos os direitos reservados

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

Outubro 23, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Seguindo a onda de gravar minhas músicas antigas...

© 2017 Todos os direitos reservados

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

Outubro 22, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

E aí vai outra musiquinha minha.

Palavras-chave: Helder Gonzales, Música, Olha pra mim

© 2017 Todos os direitos reservados

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

Outubro 20, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Hoje o Brasil parou para assistir o útlimo capítulo de Avenida Brasil. Foi a maior audiencia da TV brasileira nesse ano, superando a final da Libertadores, entre Corinthians e Boca Juniors. Foi também o maior faturamento da história da tv latino-americana.

Há quem critique o interesse popular pelas novelas. Geralmente é o mesmo tipo que reclama da atenção dada ao futebol e que adora as frases feitas como: "um país de miseráveis, em época de eleições e de jugalmento do Mensalão, e as pessoas só querem saber da Carminha e do Flamengo, desisto". Confesso que acho esse argumento, além de ranzinza, um tanto elitista. 

A novela e o futebol fazem parte da nossa cultura, são manifestações de nossa brasilidade. A novela e o futebol, de alguma forma, materializam nossas paixões, nos humanizam, nos ajudam a lidar com a dureza da vida.

Sem falar que, no Brasil, a novela e o futebol aproximam cidadãos divididos pelo abismo social. Patrões e empregados assistem -- e comentam -- a novela e o jogo.

Apesar de não ser exatamente fã do formato -- acho que os quase 200 capítulos diários tornam o desenvolvimento do enredo lento e a produção muito cara -- valorizo a indústria brasileira de novelas.

As novelas são nosso equivalente à indústria do cinema e das séries dos EUA. Assim como o cinema e os seriados americanos, nossas novelas são exportadas e fazem grande sucesso, destacando-se das concorrentes estrangeiras pelo alto padrão de qualidade.

Além disso, a teledramaturgia brasileira representa mercado importante para nossos artistas -- atores, diretores, produtores, autores, entre tantos outros.

Muito bem, hoje a novela mais bem-sucedida dos últimos tempos chegou ao fim. Como sempre, muitos cliches. Casamento, gravidez, vilã na cadeia, o time do bairro campeão. Final feliz, justiça, catarse. E não é por isso que a gente assiste?

Muitos criticam o fim da novela porque inverossímel. Bom, só de haver um fim já seria suficiente para ser inverossímel acho eu. 

Na vida real não há final feliz. A vida simplesmente segue seu curso. Haverá, sim, casamentos e gravidez. A vida e a esperança sempre se renovam. Mas também haverá mortes e separações, e não há nada que possamos fazer a respeito. 

Buscamos na ficção uma maneira de lidar com nossas tragédias. Queremos que o bem prevaleça sobre o mal, que os justos sejam recompensados e os injustos punidos, que haja felicidade para mocinhos, e que a vida valha a pena. Mais que isso, queremos que haja sentido para a vida. 

No fundo, o que buscamos, no capítulo final da novela, é a redenção. Afinal, pelo menos no mundo inventado por nós, humanos, temos que encontrar as respostas que tantas vezes não encontramos na realidade. 

Redenção -- talvez seja esse o maior desejo da alma humana defrontada com a dureza e com a falta de sentido da vida. Redenção nem que seja depois da morte -- o que não pode é acabar sem um final justo!

Redenção. Não é essa a palavra-chave das maiores ficções que inventamos para nos ajudar a lidar com a vida e com a morte?

Palavras-chave: avenida brasil, futebol, novela, redenção

© 2017 Todos os direitos reservados

Postado por Helder Gonzales | 1 usuário votou. 1 voto | 4 comentários

Outubro 06, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Outra música. Essa de 2005-2006. Uma historinha trágica de amor. 

Faltava terminar a letra, então fiz um esfoço para concluí-la, agora.

Meio sambinha. Nada a ver com as coisas que eu escuto a maior parte do tempo, né? Pois é...

Gabriela

Palavras-chave: Gabriela, Gonzales, Helder, Música

© 2017 Todos os direitos reservados

Postado por Helder Gonzales | 1 comentário

Outubro 05, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Antigamente aparecia, aí no canto superior direito, uma foto minha e aquela breve auto-descrição, um costume dos blogueiros, para que os leitores, em um par de linhas, tenham ideia de quem é o autor do texto. 

Lia-se: "Internacionalista e diplomata, alma de músico. Compositor/blogueiro esporadicamente". 

Muito bem, realmente sou um blogueiro esporádico. Fico meses e meses sem postar nada. Mas, pelo menos, mantenho o blog desde 2008.

Aos poucos fui vencendo a vergonha de publicar meus textos. De saber que minhas palavras seriam lidas e julgadas por amigos e por desconhecidos.

Como eu disse já no primeiro texto que coloquei nesse espaço, me considero melhor crítico do que autor, por isso sempre desacreditei minhas tentativas de escrever/compor.

Se, por um lado, eu já não me importo de que leiam as coisas que escrevo, por outro, até hoje nunca dei a público nenhuma música. 

Alguns amigos ouviram algumas versões tímidas, mas a verdade é que pouca gente escutou as canções que me arrisquei a fazer.

Eis que hoje decidi romper o tabu. Afinal, um dia temos que começar. Quem não tenta não acerta. Não é mesmo?

Então, aí vai. Começando do começo. A primeira música que escrevi, lá por 2003/2004, aos meus 16-17 anos. Pois é, ela já tem quase 10 anos e eu nunca a havia registrado. 

Com voces, "Pressa".

 

 

 

 

 

Palavras-chave: blogueiro, compositor, Helder, Helder Gonzales, Música, Pressa

© 2017 Todos os direitos reservados

Postado por Helder Gonzales | 1 comentário

Abril 04, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Precisava terminar um trabalho no começo da tarde, resolvi almoçar no restaurante que há no Itamaraty, mesmo. Não é lá grande coisa, mas é rápido e barato, quebra bem o galho. Já que estava por ali, mesmo, aproveitei para passar na barbearia que há ao lado, dar uma aparada no cabelo. Saindo do barbeiro, avistei o Nixon.

Nixon é o engraxate que trabalha no Ministério. Já que eu estava resolvendo essas pequenas pendencias do dia-a-dia, perguntei se ele poderia passar na minha sala. Vi que ele hesitou.

_ Você vai para sua sala agora?

_ Vou, por quê?

_ É que eu já estava indo embora, mas tudo bem, vamos lá.

Chegando na minha sala, puxei papo.

_ Você só trabalha aqui de manhã?

_ Não, é que hoje eu vou sair mais cedo para cuidar do meu chá de panela.

Fiquei surpreso, Nixon aparenta ser bem jovem.

_Uau, vai casar cara! Tem certeza disso?

Ele riu.

_ É, eu também me pergunto, mas acho que o jeito é tentar para ver. 

_ Quantos anos você tem?

_ 25.

_ É, você tem minha idade.

Aí foi o Nixon que ficou surpreso. 

_ Puxa, você se formou cedo, né? Com quantos anos?

_ Com 21. 

_ Saiu do colégio direto pra faculdade. 

...

_Eu também quero fazer Rio Branco, mas tenho que aprender inglês.

_ Você está fazendo faculdade? De quê?

_ Sim, de administração. O problema é que os cursos de línguas são caros. Preciso começar do zero.

_ É, aprender línguas é essencial, mesmo. 

Nixon, nome de sobrenome de Presidente americano, engraxate do Itamaraty, 25 anos, noivo, estudante de administração, sonha em ser diplomata. 

Essa conversa, entre dois jovens da mesma idade, deixou claro como os contrastes de sociedade brasileira ainda convivem lado a lado.

Tomara que o Nixon termine a faculdade, aprenda idiomas, tenha um casamento feliz e realize seu sonho de ser diplomata. Apesar do abismo social que nos separa, tive a impressão de que temos mais coisas em comum do que diferenças.

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 2 comentários

Março 18, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Estava voando de São Paulo para Santiago, sentado ao meu lado, um homem, quarenta e tantos/cinquenta e poucos anos. Após horas de voo, já perto de pousar, ele, meio resignado, me pergunta:

 

_ Você é brasileiro?

_ Sim.

_ O que significa "meia" em português?

_ Meia? Meia significa metade. Por quê? Qual o contexto?

_ Metade? Como assim? Tipo, se dizem um quarto de hotel (habitación) "meia"? O que quer dizer, não entendo.

 

Fiquei intrigado, também. Que diabos de quarto "meia" falaram pra ele? Será que era meia pensão, meia diária?

 

_Sim, me falaram um quarto, não-sei-o-quê-meia. Nunca encontrei... Já estava tarde, eu desisti, fui embora.

_ Meia? Não tem sentido... A não ser que... Ah, entendi! "Meia", no Brasil, é o número seis. Meia dúzia. Ela te disse um número que terminava com seis.

_ Tipo 32"meia", 326! Sério? Se eu soubesse...

_Isso. Tipo, 326... Sinto muito, imagino que você queria muito ter achado esse quarto, né?

_Pois é, se eu soubesse, ainda estaria no Brasil. Mas como eu não achei o quarto, tive que voltar.

 

Ironia do destino. A mulher que o sujeito conheceu bem que podia estar hospedada no 325, ou no 327, mas estava justo no 32-meia. O único número em português que um hispano-hablante não entenderia.

Há coisas que o portunhol não resolve. 

Ao chileno só lhe restou voltar pra casa dividido: meio satisfeito pela conquista e meio puto por nunca ter achado o quarto.

Ê vidinha meia-boca! 

 

 

_

Palavras-chave: espanhol, portugues, portunhol

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 1 comentário

Fevereiro 28, 2012

default user icon
Postado por Helder Gonzales

 

I'm begging you from the bottom of my heart to show me understanding /I need to live life
 like some people never will, so find me kindness, find me beauty, find me truth/ The way that your heart beats makes all the difference
in learning to live/
Here before me is my soul, 
I'm learning to live.” Dream Theater – Learning to Live

Desde sempre senti urgência em viver, vontade de fazer de cada momento especial, de experimentar toda a intensidade do mundo.  Cada um carrega consigo características inatas. Quando você olha para trás, percebe que elas sempre estiveram lá, desde a infância. Elas compõem a sua personalidade – algo que o diferencia dos demais, algo que faz cada um de nós ser único e especial. Pois essa sede de vida é uma das coisas que nasceu comigo.

A história dos meus pais foi marcada pelo papel da educação na trajetória de vida deles. Ambos foram os primeiros e únicos de seus lares a concluir um curso superior. Impactados, fizeram questão de transmitir aos filhos esse amor pelos estudos e contar a maravilha que a faculdade representou em suas vidas. Eles me diziam “fazer faculdade é bom, abre a cabeça” .  Essa ideia ressoava dentro de mim. Abrir a cabeça, ver além, ir mais longe – era tudo o que eu queria! E assim, aos 17, deixei a casa dos meus pais no sul de Minas para me aventurar em Sampa. Fazer a tal da faculdade. Começava pra mim  um processo de redescoberta e reconstrução que provavelmente nunca terá fim.

É atribuída ao Einstein a frase que diz: “Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram”.  Assim penso. Ir até onde os demais já foram não me interessa, quero ir além. Sei da efemeridade da minha existência aqui, não quero desperdiçá-la playing safe. Quero arriscar, quero ser arrojado, destemido. Gosto do desafio, do desconhecido, do diferente. Busco o limite, ou melhor, além dele. São as almas inquietas que expandem as fronteiras do possível. 

Sou um questionador. Não aceito dogmas ou tradições sem antes examiná-los profundamente. Sou como um engenheiro curioso que, antes de usar um aparelho, o desmonta, analisa e remonta para, apenas então, decidir se sua nova aquisição serve ou não. Na minha cabeça, comum não é sinônimo de bom. Não é porque todo mundo faz que também farei. Não é porque sempre foi assim que eu também serei. Essas respostas fáceis não me servem. Tenho que deduzir minhas conclusões a partir dos meus princípios.

Sei que minhas decisões e escolhas não necessariamente servem para os outros. Não me sinto melhor nem pior do que ninguém. Apenas diferente. Meus pensamentos servem para decidir o que me parece melhor para a minha vida, não para as dos outros. Não tenho a pretensão de vender meu jeito de pensar, muito menos de o impor por aí. Acredito no valor da liberdade antes de tudo. Liberdade para ser você mesmo, para ser único sem ser incomodado. Cada um no seu quadrado.

Acontece que minha escolha de vida pode ser facilmente incompreendida e, em um mundo cada vez mais orwelliano, muita gente, sem me conhecer devidamente, me julgará por isso. Só que cada um julga conforme a sua própria métrica. Provavelmente serei condenado, sem direito a defesa, por não andar conforme as regras que tantos aceitam sem questionar e refletir. 

Por isso peço, antes de tomar conclusões precipitadas sobre a vida dos outros, mais do que nunca devassadas na Internet, seja tolerante, dê o benefício da dúvida. Talvez aquela pessoa que parece estar tomando atitudes que lhe parecem ultrajantes tenha convicções diferentes das suas – e elas não são necessariamente más. No fim, it all comes down para o difícil ensinamento cristão: não julgue. 

.............................................................................................

¨Hoy volveré a nacer: pido permiso (…) Me perdono y perdono a quien me hiriera. Vengo a darles y a darme íntimamente
 una nueva ocasión de parimiento 
a la vida que siempre mereciera. 
Me la ofrezco y la tomo. Me redimo. Con permiso o sin él, YO me lo otorgo:
me doy permiso para sentirme digno, sin más autoridad que mi Conciencia."  Pablo Neruda

 

Palavras-chave: comportamento, Julgar, limite

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

Outubro 24, 2011

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Para mim, não há qualquer dilema Beatles ou Rolling Stones. Os Beatles ganham, por muito, o título de melhor banda da história do rock. De verdade, como compositores, acho heresia comparar Lennon-McCartney com Jagger-Richards. Isso sem falar no Harrison.

Por outro lado, na categoria maior rockstar de todos os tempos, não tem dúvida: Sir Mick Jagger ganha sem ninguém no retrovisor. 

E aos 68 ele segue em alta!

Como homenageado no novo hit do Marron 5 - Moves Like Jagger, que paga um tributo aos trejeitos típicos do cantor.

E como cantor no SuperHeavy - o supergrupo integrado por ele, Joss Stone, Demien Marley, David Stewart e A.R. Rahman.

Long live Mr. Jagger!

Palavras-chave: A.R. Rahman, Beatles, David Stewart, Demien Marley, Eurythmics, Jagger, Joss Stone, Maroon 5, Mick Jagger, Miracle Worker, Moves Like Jagger, música, rockstar, Rolling Stones, supergrupo, SuperHeavy

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Da série coisas que bombam na balada chilena: Chico Trujillo - Loca.

Aqui no vídeo em versão acústica, descontraída. Curto essa versão por ter uma certa vibe Manu Chao, junto com uma pegada de música latina, até meio inesperada para uma banda chilena - já que os chilenos são famosos por estarem entre os mais durões da América Latina. 

Claro que na balada rola a versão de estúdio, mais dançante.

Seja como for, é daquelas que grudam na cabeça e não saem mais. Cuidado!

Palavras-chave: acústico, balada, Chico Trujillo, Loca, Música, música chilena, música latina

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

Outubro 17, 2011

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Talvez pela barreira linguística, talvez pelo background cultural, o fato é que, no Brasil, se conhece muito pouco da cena musical dos países vizinhos. Não sabemos quais são os artistas, nem os ritmos, nem as músicas que bombam nas terras de nossos hermanos.

Pois, estando no Chile e tendo uma turma de amigos estrangeiros de diversos países latinoamericanos, resolvi furar a bolha e começar a escutar um pouco de música em espanhol. Por isso, aceitei o convite para ir ao show do Juan Luis Guerra - no mesmo dia do System of a Down!

Aqui abro um parêntese. Eu realmente gosto de SOAD, acho o repertório ótimo e adoro o álbum Mesmerize, em particular. Só que já tinha acompanhado, ainda que precariamente, pela Internet, a apresentação deles no Rock in Rio e sabia que o show no Chile deveria ser parecido. Some-se a isso o caos que é voltar de shows em estádios em Santiago (não há taxis ou transporte público para atender à legião de gente que deixa o evento ao mesmo tempo) e o fato de que minha amiga dominicana me havia convidado para ir ver o concerto do artista mais famoso do país dela com muita antecedência. Preferi ter uma experiência diferente, acompanhar os amigos e deixar o SOAD para uma próxima. Não me arrependo.

Como ando na onda de comentar os shows aos quais tenho ido, aqui vão umas palavrinhas sobre o show do Juan Luis Guerra.

Pra começar, o cara tem mais de 30 milhões de cópias vendidas. Coleciona uma dúzia de Grammys latinos e dois Grammys gringos. Ou seja, é um artista padrão top internacional. É realmente espantoso que seja quase desconhecido no Brasil.

JLG é o maior expoente da salsa, do merengue e da bachata. Também é famoso por suas baladas e, mais recentemente, aderiu ao time da música gospel. Na verdade os brasileiros conhecem uma música - "Borbulhas de Amor", a versão do Fagner para "Burbujas de Amor". Ocioso dizer que, apenas com essa canção, não dá para ter ideia da riqueza do repertório, mormente dançante, desse dominicano.

É verdade que não são meus estilos favoritos, mas, mesmo assim, gostei muito do show! Banda espetacular, sobretudo na parte rítmica. Muita energia do público, que dança e canta o tempo todo. Mesmo sem saber salsa, é impossível ficar parado.

Destaque para a cenografia. Um telão móvel de alta definição no centro do palco com projeções de cair o queixo. Não deveu nada à aranha pretenciosa e exagerada do U2 360. A certa altura, JLG faz um dueto com Juanes projetado no telão que se abaixa até o palco - das coisas mais impressionantes que vi em um show de música.

Infelizmente não filmei nada. Mas coloco, a seguir, um vídeo de "Si tu no bailas". Essa balada me pareceu bastante singela por sua história. Apesar de ser o rei da salsa e do merengue, curiosamente, Juan Luis Guerra é de uma total inaptidão para dançar. Por isso dedicou essa canção a sua esposa, que reiteradamente o chamava para sair para dançar e se frustrava com as negativas do marido travadão. "Se você não dança comigo, prefiro não dançar".

Palavras-chave: bachata, grammy, Juan Luis Guerra, latina, merengue, música, salsa, show

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Fui ao show do Sir Eric Clapton. Que espetáculo!

Sim, é verdade que ele nem se despede do público, simplesmente vai embora. Como é verdade que o set list é exatamente o mesmo por toda a turnê, que não há pirotecnia de nenhum tipo, que o bis só tem uma música e que parece que ele está ali apenas cumprindo tabela...

Mas, dito tudo isso, o cara é simplesmente um dos maiores guitarristas de toda a história. O que não é pouca coisa.

E está vivo!

No final, isso mais do que compensa qualquer mimimi que os cri-cris de plantão possam levantar. 

Como guitarrista de meia tigela que sou, posso atestar que o timbre do cara é impressionante. Nunca ouvi nenhuma guitarra soar tão bem ao vivo (e olha que já fui a um punhado de shows). Os timbres ocos e estalados da strato estão lá, junto com muito sustain e ganho nos solos. Coisa linda de ouvir!

O set list foi bem equilibrado, incluindo tanto os clássicos das rádios, quanto a praia que parece ser a que dá tesão verdadeiro ao Clapton - o bom e velho blues.

No fim dá uma mistura bem interessante, de um artista que, ao longo da carreira, tem se alternado entre guitar hero de rock, hitmaker de pop e deus do blues. 

A banda era muito boa e, felizmente, enxuta. Nada de percussionistas, set de metais, guitarra base, bandolins... Não que eu tenha algo contra essa turma - não tenho, no show do Jorge Drexler, por exemplo, ficou muito legal. Só que o repertório do Clapton é rock clássico e blues. E, pra mim, nesses estilos, menos é mais. Minha fase preferida do Clapton é com o power trio Cream - baixo, guitarra, batera e vocal.

Registre-se, também, que o cara canta muito! 

Enfim, um show correto de um artista fora de série. Vale demais. Recomendo!

Para registro, Old Love:

Palavras-chave: banda, blues, Chile, Eric Clapton, guitarra, música, Old Love, rock, Santiago, show, timbre

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

Outubro 15, 2011

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Ando tendo sorte com as bandas de abertura dos shows aos quais tenho ido. Esse é, aliás, o espírito da coisa -- a banda menos conhecida topa fazer um set curto e com o som prejudicado, em frente a um público que não foi lá para vê-la, na tentativa de se fazer conhecida, divulgar seu som e, quem sabe, conquistar alguns ouvintes. 

No show do RHCP a abertura foi do Foals, um indie rock interessante. O som deles deu a impressão de estar em algum lugar entre o Coldplay e o Franz Ferdinand -- por insólita que possa parecer a combinação.

Bom, vamos ao que interessa. Let there be music! Eles tocando Red Sox Pugie no Jools Holland.

 

Palavras-chave: abertura, Coldplay, Foals, Franz Ferdinand, indie, indie rock, música, RHCP, show

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

Outubro 14, 2011

default user icon
Postado por Helder Gonzales

O Javier Barria, de quem falei aqui, parece ser muito simpático e, pelo Facebook, me disse, em português, que canta sem sotaque por ter passado anos trabalhando tocando mpb e bossa. Disse, ainda, que sonha em ir se apresentar no Brasil. Pois eu acho que seria uma ótima idéia. Caso algum promotor de eventos musicais caia por acidente nesse blog, #ficadica!

Mais uma bela canção desse independente chileno:

 

Alô, Medina?

Palavras-chave: Brasil, chileno, Javier Barria, Música,

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Já que estou na vibe de subir pro Youtube meus registros de shows, aqui vai o Red Hot Chili Peppers mandando Soul to Squeeze em Santiago.

Adoro essa música! Achei bem legal a terem recuperado para essa turnê.

Aqui o link para a abertura do show, com a nova Monarchy of Roses: http://www.youtube.com/watch?v=04LdWZ4uDeg

Palavras-chave: música, Red Hot Chili Peppers, RHCP, Santiago, show, Soul to Squeeze

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

Outubro 13, 2011

default user icon
Postado por Helder Gonzales

Fui ontem ao fenomenal show do Jorge Drexler em Santiago. Já o conhecia de nome - o cara já ganhou até Oscar - mas a verdade é que nunca tinha parado para ouvir. Quanto tempo perdido! É poesia pura. 

O show foi aberto pelo artista independente chileno Javier Barría, outra grata surpresa. Ótimo compositor e cantor!

No bis, depois de mais de duas horas e meia de show, Drexler chamou Barría ao palco, para improvisar algum número juntos. Tocaram uma dos Bealtes e duas do Caetano. 

Abaixo, quatro vídeos. A linda e poética "Sanar" de Drexler, que diz:

"Y aunque parezca mentira/Tu corazón va a sanar/Va a sanar/Va a sanar/Y va a volver a quebrarse/Mientras le toque pulsar."

Depois, Barría com "História de Terror", que, apesar do título, fala de amor e casamento. Simplesmente não consigo parar de ouvir essa canção.

No fim, parte da canja dada por ambos ontem. Tocando "Coração vagabundo" e "Desde que o samba é samba" de Caetano Veloso. 

Link pros dois improvisando "If I Fell", dos Beatles: http://www.youtube.com/watch?v=P-EKWdoaHJU

Palavras-chave: Caetano Veloso, Desde que o Samba é Samba, Historia de Terror, Javier Barría, Jorger Drexler, Música, Poesia, Sanar, Santiago

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

Outubro 12, 2011

default user icon
Postado por Helder Gonzales

reasons why I love Muse... #1495

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Helder Gonzales | 0 comentário

<< Anterior