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maio 06, 2009

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Diretor de escola pública causa problemas para SEE - Secretaria de Educação do Estado, SP. (Jornal Agora São Paulo, 30/04/2009)

Recentemente, comentando um blog de uma colega lembrei que há tempos eu mesmo "não faltava a escola". Em certo sentido, sinto-me ainda aluno da escola pública, onde aprendi a ler e a escrever, e agora leciono e tento fazer a minha parte. Pois, então, hoje tirei a tarde e lá vou eu voltar à internet, para postar algo de interesse ao debate sobre a escola pública. Também como obrigação.

O que me tocou, ao comentar o blog dela, foi ler sobre o atual quadro do ensino público e seu abandono, e onde e qual o papel dos diretores de escola, no qual constam alguns deveres, como o de dirigir o estabelecimento de ensino e pesquisa. Polêmica que foi matéria nos jornais por estes dias, então recorri ao Agora pra ler de perto a notícia, num sinal de vitalidade, ou experança, de que é possível outra escola. Naquele artigo, observo que a jornalista tomou o cuidado de lembrar-se da "mão firme", do diretor da Escola Estadual Professora Lucia de Castro Bueno, em Taboão da Serra (Grande SP), do qual não fazia mais do que a obrigação de impor as regras do jogo dentro da sua escola.

É estranho que quando nos voltamos a falar sobre a educação, no sentido forte da palavra, sempre voltam as questões mais profundas do ser humano vivendo em sociedade, e a necessidade de criarmos valores de igualdade, fraternidade e formação para a cidadania.

A escola em questão, e tão pouco importa a sua localização, além dos resultados apresentados nas matrizes estatísticas dos governos, que são ótimos, independente dos critérios das avaliações externas, sejam quais forem, apresentam as mesmas condições a que estão submetidas as escolas públicas em todo o Estado, e, através da fala de seus diretor (embora apareça nela un ranço, que na verdade é uma dicotomia entre "democracia" e "ensino", que por sí só já daria um outro artigo, e a equívoquicidade de tomar tais conceitos em separados) vem mostrando que existem alternativas concretas: quando construída com a comunidade (seria o caso de ir conhece-la, pra ver se é isso mesmo), e que o trabalho de dirigir de fato uma escola às vezes contradiz a receita do Secretaria.

Ou seja, a autononia da escola existe, é para isto, para acertar ou errar, mas principalmente para ser vivenciada - e isto, os alunos, que são os maiores interessados, sabem e valorizam, entendendo que eles não podem tudo.

Talvez, isto seja um sintoma da contemporaneidade, e que precisamos desses diretores pra enraizar na cabeças dos adolescentes que há diferenças que precisam e devem ser respeitadas, e que são por elas que se formam as cidadanias. Sorte dos educandos que podem contar com alguém que não tem medo de tomar em suas mãos a educação - esta como um campo de batalha para diminuir os níveis de violência nas regiões mais carentes da grande metrópole. 

Palavras-chave: educação, ensino médio, gestão escolar, secretaria da educacao

Este post é Domínio Público.

Postado por Eliezer Muniz dos Santos

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