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março 10, 2009

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Sala de aula

Pesquisa Ação: Projeto E. E. Brasílio Machado 

  

NOTAÇÃO 1 – 16/02/09

 

Chego na E.E. Brasílio Machado por volta das 14hs, após reunião com a Srª Magda, diretora da escola, sou recebido pela coordenadora pedagógica Profª Teresa, entregando a ela o Planejamento de Aulas e junto com a proposta de aulas avulsas, meu projeto de pesquisa "Tempo e Espaço Escolar", com eles apresento meus diplomas e cópia do curricum vitae. Anexo a documentação deixo com a direção um exemplar do passa-tempo “Clássicos Cruzados”, de minha autoria, que pretendo levar aos alunos do ensino médio, como uma das propostas de atividades. Sou convidado a ser professor substituto, no período da manhã, para atender a 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, nos horários das 7:00hs às 12:20hs. - Ao sair do colégio, aproveito o resto da tarde para me dirigir a Diretoria de Ensino, para encaminhar a documentação de inscrição na U.E. e regularizar o contrato de trabalho.

 

NOTAÇÃO 2 – 17/02/09

 

No horário previsto chego a escola. Com a falta do professor Ismael, de História, devo comparecer aos 3B, 3A e 3C, para minhas primeiras aulas no Ensino Médio como professor, e, depois do intervalo, onde voltarei as estas classes para uma segunda aula no mesmo dia.

 

Em todas as classes fui recebido com atenção, estabeleci um diálogo franco com os alunos (observo que ao por meu ponto de vista tomo quase todo o tempo com minha fala).

Expus minhas experiências anteriores como estagiário, e minha passagem no Brasílio Machado, onde realizei parte deste estágio em 2007, observando os espaços da escola e o trabalho dos professores. Mostrando aos alunos minha proximidade com a escola e com seus problemas (uma vez que além das discussões que minha pesquisa na escola apontavam, tinha também o fato de conhecer o colégio pelo ponto de vista dos pais dos alunos, uma vez que, nesta escola, meu filho, Lucas, se formou no Ensino Médio), problematizei com eles a questão da falta de professores, ponto de observação de minha pesquisa, e o trabalho dos professores substitutos, que tem baixa aderência dos alunos, pois, as aulas destes e a alta freqüência dos professores efetivos, delimitam o trabalho apenas a uma aprendizagem descontinuada, e quase nenhuma autoridade destes em sala de aula. Expostas estas perspectivas aos alunos, declinei do posto de "professor eventual", estabelecendo com eles um contrato pedagógico, numa proposta nova, de se construir com eles uma outra abordagem na relação aluno/professor. Nesta, onde os alunos interessados em aprender a fazer pesquisas, viriam na figura desde professor um possível orientador para suas pesquisas ( papel reiteradamente solicitado aos alunos como contraponto ao “professor/substituto”, que trazem os conteúdos programáticos). Coube neste primeiro contato com os alunos uma interrogação sobre os propósitos de meu “programa” (já que desde o inicio apontei suas deficiências a eles, solicitando aos mesmo, sugestões e opiniões), como também, uma indagação sobre qual objetos de conhecimento eles poderiam se aproximar, uma vez que a proposta que embasava tal iniciativa, em constituir este roteiro, passava pela tomada de partido dos alunos a participar do pesquisa/ação, mas também, em se predisporem a iniciarem suas próprias pesquisas, voltadas as demandas dos próprios alunos. Não necessariamente vinculado ao curriculo, mas voltados a educação.

Dentre os problemas encontrados nestas três classes do último ano do ensino médio, quando fiz esta abordagem, foi encontrar nos alunos uma certa curiosidade – mas também uma incerteza e indignação, frente a um problema de difícil solução, como ter um real aproveitamento das aulas “vagas” (que trás prejuízos na formação, mas por outro lado, abre amplos espaços para a socialização em classe) e trazidas por um professor (que neste caso deixa a todo momento transparecer seu método de trabalho) que se diz "orientador de pesquisa". Até mesmo, promovendo entre os alunos um melhor conhecimento entre eles, promovendo uma relação com pessoalidade das respostas que os gostos ditos em público, e sua abertura, desenvolvem sobre as identidades de cada um, como fonte de novas experiências.


Para isto realizei como o objetivo, {na 2ª aula do dia}uma atividade chamada, “Eu gosto...”,  sendo esta, desde o início, uma forma de um mapeamento dos desejos e interesses particulares, para os estudantes encontrarem um ponto de partida para suas pesquisas. Sugeri aos alunos uma roda aonde cada uma dizia o nome e em seguida enumerava os gostos pessoais, e, ao final desta, dizia “eu passo!”, dando ao aluno seguinte a sua fala. Num pequeno caderno de notas fui fazendo as anotações daqueles gostos que “eu via” na fala dos alunos como objeto de interesse para uma proposta pedagógica. Assim, por exemplo, vimos o alunos Cleber (3C) iniciar seu gostos com um “eu gosto de caminhar...”, a aluna Sena (3E) contar seus gostos “eu gosto de ler literatura, de animações, jogos, eu gosto de redes de relacionamento na internet...”, a aluna Virginia (3D) “ler, escrever, rosa, lilás... passo”, o aluno Alberto (3B) dizer que gosta da família e de sinuca.

Formando assim uma abertura onde os alunos pudessem sinalizar suas vontades, mas também suas experiências, a atividade foi bem aceita e permitiu ao professor continuar a trabalhar sua tese, na qual os alunos são protagonistas e responsáveis pela aprendizagem desenvolvidas nas aulas avulsas, dando um novo sentido e criando uma expectativa que antes não existia, já que uma vez adotados por eles, o programa que se desenvolverá sobre um suporte aleatório (as aulas avulsas) e um conteúdo que terão acesso apenas se houver interesse da parte do alunado permitiu contruirmos em conjunto os conteúdos utilizando os recursos da escola.

 

[Anotações do Projeto de Pesquisa em Filosofia da Educação "Tempo e Espaço Escolar]

Este post é Domínio Público.

Postado por Eliezer Muniz dos Santos | 1 usuário votou. 1 voto

Comentários

  1. Benedito Ubirata da Silva escreveu:

    Trata com carinhos os "mininus" e as "irmãzinhas". Estudei lá, grande Brasílio! Aquele museu, o Museu Lasar Segall, o Bairro Klabin, não sendo o mesmo como era na minha época (mas ainda emana a mesma força, a igreja Nsa da Saúde, na Domingos de Moraes, a rapaziada do Arqui que aqui tbm estudou e os que ficaram viraram profes. Faz daquele colégio, hj escola de ensino médio, um lugar legal. Bom, e propício pra se começar a querer mudar-se para o mundo dos que fazem alguma coisa.

    Trata bem aquela rapaziada, mesmo hj o brasilio tendo tbm a característica de escola das crianças do bairro e no noturno, escola pra aqueles que trabalham no centro e a pegam por logística, estando essa no meio do  caminho de volta do trabalho. Ainda assim, os ares dos de lá não muda dos ares que tínhamos na minha época. 30 anos atrás. Tinha o Menegon como nosso professor de Química, e tantos outros, que deram e dão a cara pra aquele colégio. Já dei aula no estado, e clientela faz a diferença, nas nossas ações comportamentos didáticos e metodológicos. Se isso é errado educacionalmente e ou moralmente, isso acontece inconscientemente e inocentemente. Pois lá, se souber levar, sem fazer muita força a resposta ao método e a didática vinculada é bem aceita pela gente, e por quem nos avalia. E o bom, são tão carentes qto os alunos que estão na periferia, só não passam pela maioria das injustiças sociais e truculências administrativas de uma cidade que ainda perdura nesse século 21, nessa cidade de São Paulo em sua periferia. Mas são tão humildes e sinceros qto os meninos dos bairros pobres e distantes. Muitas vezes, se fizer força com os olhos e ouvidos, vc perceberá que eles tentam sim, é imitar a rapaziada dos arredores da cidade, aquartelada no gueto imposto por nós a sociedade cruel dos classes média. Contudo depois que vemos e ouvimos esse "imitar" dos outros coleguinhas distantes. Percebemos que são tão ingÊnuos e puros. Não tem perto deles o pária social e controverso que é o traficante bem do lado de sua casa, ordenando e protegendo, delegando suas teorias imbecis de justiça barbarizada pela ganância de ganhar dinheiro e poder através do crime. No Brasílio ainda exsite essa pureza, é só fechar os olhos logo depois que entra na escola, por alguns milionésimos de segundo, e vc verá o cheiro de que se eles tentam se mimetizar de delinquentes, ou qq coisa, é porque tem medo do que está sendo inevitável na nossa sociedade paulista e brasileira de grandes cidades. A violência oriunda pelo crime organizado. Apenas mimetizam. São bacanas. Até mais do que nós na nossa época.

    Abraços e boa sorte. Qdo vc se sentir fraco e cansado, vá ao fundo do colégio lá nas salas que antigamente era de desenho. Fique lá um tempinho e vc se renovará. As janelas, dão pra um lado silencioso e gostoso. Se mesmo isso não der ou fuja pro museu Lasar Segall, ou então se esconda por uns 15 minutos na casa Modernista a alguns metros dali. Senão der nada disso. Vai ao Shoping Sta Cruz e desencana e chupe um sorvete.

     

    default user iconBenedito Ubirata da Silva ‒ quarta, 11 março 2009, 09:05 -03 # Link |

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