PESQUISA DE IMPACTO DO CELULAR NA AMÉRICA LATINA
- FUNDAÇÃO TELEFÓNICA - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
O Celular e o Profissional Motociclista
O uso do celular por parte dos profissionais motociclistas (motoboys, moto-fretes, mensageiros, mototaxistas, deliverys, couriers, etc) tem-se apresentado como um amplo campo de estudos nas mais diversas áreas de pesquisas, ao verificarmos como tal ferramenta, em seu meio, tem ajudado na criação de suas estratégias de locomoção, e soluções de problemas em seu cotidiano, mas também, aliada a Internet, como este equipamento ganha outro status, e permite compreender as camadas de novas possibilidades que estes profissionais estão descobrindo com a apropriação desta tecnologia.
O número de servios oferecidos pelas operadoras de telefonia móvel hoje é tão reduzido que não poderamos dizer que estes profissionais se diferenciariam muito do espectro geral dos clientes consumidores. Mas cabe, no estudo que empreendemos agora, sinalizarmos quais destes serviços são mais usados por estes profissionais motociclistas, quanto deste equipamento é utilizado, e como também analisar aqueles usos que dão mais sentido na prestação de seus serviços quando necessitam dele. Esta baixa densidade dos aplicativos nos celulares tem suas explicações, seja pela recente regulamentação do setor de de telefonia móvel no país, seja pelo valor agregado que limita um amplo uso por grande parte da população, mas também o baixo investimento em pesquisa, a pouca quantidade de operadoras, e o perfil do mercado brasileiro.
Mas isso não é o suficiente. O potencial de uma comunidade está na sua relação com as demandas que ela cria, assim, podemos observar como estas mesmas operadoras sofrem forte concorrncia de um outro serviço oferecido – no caso, os sistemas de telefonia por via rádio - que até mesmo nos impedem de dizer que existe uma única plataforma para que uma determinada comunidade possa se estabelecer em rede. Mas também como, com o desenvolvimento da tecnologia móvel, o computador de bordo tornou-se o principal componente para no futuro fortalecerem-se os laços econômicos e sociais dessa comunidade de motociclistas, e destacar-se como nicho privilegiado de investimentos e experiências de toda ordem.
Da que faz se necessrio entender melhor como, de prestadores de servio terceirizado, estes profissionais puderam se tornar protagonistas dentro de uma pesquisa voltada ao uso dos celulares na Amrica Latina, ao realizarem a tarefa de, por um lado, se constituir como uma das mais importantes categorias profissionais do pas, mas tambm, na sua especificidade, traduzir o desejo de atravs da Incluso Digital contemplar a fatura da convergncia entre a mobilidade da motocicleta e a mobilidade proporcionada pela tecnologia mvel celular.
Os Profissionais
Surgida em meados da dcada de 1980, a Categoria dos Profissionais Motociclistas uma classe de trabalhadores em forma鈬o. Composta basicamente por jovens, moradores de periferia, e portando motocicletas de baixa cilindradas, executando tarefas que muitas vezes eram realizadas por office-boys, ou com automveis, tiveram um crescimento vertiginoso nas ltimas duas dcadas. Existem, no entanto, razes bastante diversas para este crescimento. Podemos dizer que o aparecimento desta classe profissional enquanto Categoria deve-se ao fato dela realizar algumas snteses scio-econmicas bastante especficas, ao oferecer uma oportunidade de trabalho para uma ampla camada da popula鈬o, com uma base educacional apenas mediana, e, por oferecer uma solu鈬o de transporte rpido pelas vias, para o alto e crescente fluxo de informa鋏es e produtos nos principais centros financeiros do pas - que, justamente, tm sido locais aonde se mais sofre com a crise do caos no trnsito. Apontar entre outras coisas, que uma Categoria que nasce no centro nervoso do sistema econmico atual significa compreender a complexa rela鈬o que ela tem com o modelo econmico adotado pelo pas em sua recente inser鈬o no mercado global. Como um prestador de servio, cumpre dizer que responde pela logstica das trocas de documentos comerciais e como parte do setor de servios de entregas de pequenos volumes que movimenta, principalmente, o pico de vendas pela Internet na ltima dcada. Quer dizer, seu proporcional em nmero de indivduos trabalhando hoje sobre duas rodas s corresponde ao mesmo problema de fundo do modelo econmico no mundo globalizado, onde se chocam o global com o local. E que em ltimo caso, o motoboy a solu鈬o: a garantia de contratos e entregas serem cumpridas nos prazos determinados, para alm das condi鋏es reais da estrutura urbana que as cidades oferecem, ou seja, s a especializa鈬o destes profissionais podem acompanhar a velocidade do movimento do capital e vencerem a barreira dos limites do espao urbano. Da que a cada dia estes profissionais so mais necessrios e imbricados nos nexos do espao territorial e o espao informacional.
No entanto, eles tm enfrentado uma srie de problemas gravssimos, seja como as principais vtimas da violncia do mesmo trfego que vencem todos dias, ou mesmo em rela鈬o ao preconceito que sofrem com as formulas de estereotipia social criada pela mdia quando vem na figura do motoboy apenas o indivduo que reage s condi鋏es impostas pela dimenso prpria do trnsito. E assim como eles carecem de um reconhecimento, que muitas das vezes pura falta de informa鈬o, falta uma base de conhecimento para se tomar qualquer medida necessria para uma mudana, seja em termos de legitima鈬o dos seus servios, ou como iniciativas, por parte Poder Pblico, a partir de dispositivos legais, que levem em conta suas diversas caractersticas, mas principalmente, no sentido de encontrar formas de regulamentar esta atividade econmica e profissional – de fato uma forte Categoria que comea a aparecer, mas ainda no encontrou um mecanismo de expresso adequado para percorrer este caminho.
Posto que, so problemas bastante complexos, e tm-se buscado diversas solu鋏es, inclusive at mesmo h um recente interesse por parte da sociedade em entrar neste debate - os motoboys tornaram-se objeto de disputa e compreendem hoje diversas dimenses da vida das cidades, como sade, trnsito, economia, entre outras. Mas para alm dos seus desdobramentos, e tipos de solu鋏es, estes problemas tm uma rela鈬o direta com o perfil desse profissional e a especificidade de sua organiza鈬o no espao urbano. Portanto, neste texto onde apresentamos um estudo preliminar sobre o celular e o profissional motociclista, pretendemos tratar j de algo muito especfico, que a rela鈬o que eles tem com suas ferramentas de trabalho – no caso suas ltimas apropria鋏es, como o celular e a Internet -, e como parte desta rela鈬o, que muitas vezes se liga histria da prpria Categoria, e a histria destes objetos, que, inserida no contexto social, nos ajudar a compreender como estes profissionais operam seus conceitos e estratgias, quando do seu crescimento, que tem rela鋏es bastante complexas com a forma como a vida se organiza hoje nas cidades, e, nesta interdependncia, mostrar como isso tem haver com o fenmeno dos motoboys e o potencial que se esconde por trs de todas estas apropria鋏es.
A questo que fica que partindo de um completo levantamento sobre as fontes destes dados, conceituando no s a tipologia e a topografia das constru鋏es de sua identidade, enquanto categoria de rua, como espao dimensionado pelo pblico, traando linhas narrativas e seguindo suas lgicas de constru鈬o, desse espao em movimento, isso nos levaria muito longe, para fora da proposta inicial deste estudo. O que no nos permitiria checar, por exemplo, todos os pontos e eixos temticos, por uma limita鈬o de espao; mas isto nos permite vislumbrar que tomando algumas linhas de intersec鈬o, das fontes que analisarmos, da pesquisa que realizamos sobre o uso do celular por eles, das observa鋏es das prticas que estes tm com estas ferramentas, circunscreveremos enfim um conjunto indicativo de dados que podem acrescer o conhecimento sobre o uso da tecnologia mvel e o impacto que esta tem sobre os meio e modos de produ鈬o de sua base econmica.
Uma aparente re-significa鈬o destes dados, abriria a possibilidade de uma maior reflexo, necessria a todos, sobre os motoboys e os seus destinos, mas tambm um outro olhar para aqueles que queiram realmente olhar de outro modo estes profissionais.
Telefonia Mvel
A emergncia das novas tecnologias da informa鈬o e comunica鈬o, da Web e da Internet, em particular, no final dos anos 80, mudou muito o mundo ao oferecer um novo paradigma em comunica鈬o, intercmbio e comrcio. Entretanto, enquanto a nova “Sociedade da Informa鈬o” est ainda em desenvolvimento, um novo abismo surgiu para aqueles que no possuem um acesso efetivo e regular e habilidades para usar essas tecnologias digitais. Esse processo que denominado como excluso digital, afeta especialmente os pases em desenvolvimento. No Brasil o poo da excluso tem afetado principalmente o campo da educa鈬o e isso tem um peso maior em seu desenvolvimento para garantir o desenvolvimento sustentvel. Acreditou-se por muito tempo que o uso das tecnologias da informa鈬o talvez fosse a nica maneira de levar da maneira mais fcil servios como sade, educa鈬o e direitos civis as popula鋏es. No entanto como fundamental que se promova incluso digital, a telefonia mvel surgiu como interface ideal para levar estes servios, mas tambm aparece como oportunidade aos pases em desenvolvimento crescerem no cenrio mundial. Existem indicadores, portanto, que mostram como o potencial da plataforma mvel, como a solu鈬o correta para a oferta de servios, tem se equiparado (devido exploso no uso dos celulares) a uma verdadeira revolu鈬o dos costumes, e se comparada s outras op鋏es de acesso fixo, tem provocado um processo de desterritorializa鈬o e re-territorializa鈬o (LEMOS, 2003) que nos permite dizer que estamos apenas no inicio de um longo processo de cria鈬o e abertura do espao pblico digital. Necessrio ento se faz compreender como uma comunidade acolhe e reproduz seu cotidiano atravs do uso dessa tecnologia mvel.
Um primeiro passo na viabiliza鈬o do potencial da telefonia mvel como ferramenta de trabalho por parte dos mensageiros motociclistas foi a ado鈬o deste equipamento como valor agregado aos contratos de presta鈬o de servio pelas empresas de terceiriza鈬o de entregas rpidas no Brasil no primeiro perodo de implanta鈬o desta tecnologia pelas operadoras de telefonia mvel – o detalhe fica por conta do fato que em sua maioria estes telefones com antenas eram de propriedade dos prprios motociclistas que - assim como a moto -, permitia que os custos operacionais destas empresas fossem abaixo o suficiente para atrair novos clientes, como bancos e multinacionais, ao terceirizar os servios de expedi鈬o e de contnuos. Foi o surgimento nas ltimas duas dcadas de vrias histrias de sucesso de uso da telefonia mvel em empresas de entregas rpidas que permitiu o desenvolvimento crescente do setor, graas s respostas que uma equipe bem aparelhada pode oferecer as empresas e clientes, como marco da terceiriza鈬o acelerada. Entretanto, ainda existe uma distncia entre o desenvolvimento de alguns poucos servios que podem ser considerados como prova de conceito de logstica e a disponibiliza鈬o de dezenas de outros servios, em todo o mundo, que podem fazer uso dos smarts phones, como forma de dar contedo aos portadores destas ferramentas de comunica鈬o e conexo, mas tambm, a apropria鈬o em rede que exige nestas demandas plataformas adequadas para isso. Mas sua novidade implica em repensar os modelos j existentes. Para encurtar essa distncia, essencial entender os principais desafios de integrar as TICs no cotidiano das comunidades de motoboys - com incluso digital - no sentido de melhorar a qualidade de vida destes profissionais.
A delicada misso de discutir os desafios da oferta de servios em mobilidade em pases em desenvolvimento tem trazido ao debate diversos setores da sociedade, como universidades e empresas que vem nesta a possibilidade de crescimento e expanso exterior. Assim como o motoboy que faz um uso em larga escala dos meios de comunica鈬o distncia, como rdio, celular, telefone pblico e fixo, o peso que vem ganhando a exploso do uso da telefonia mvel no Brasil leva nos a considerar que um dos maiores entraves para a amplia鈬o no uso dos servios oferecidos com a tecnologia mvel ligada rede de Internet ainda se encontra na questo do alto custo que existe pelo consumo do celular.
Em meados de maio a Agncia Nacional de Telecomunica鋏es apontou a existncia de 127,7 milhes de celulares operando no final de abril no pas. Essa cifra, em rela鈬o ao ms anterior, representa um crescimento de 1,54%, quando foram vendidos 1,93 milho de novas habilita鋏es de aparelhos. Se pensarmos que este debate est centrado nos servios de mobilidade, principalmente em pases em desenvolvimento, podemos mostrar que, segundo as cifras oficiais da Anatel do total de acessos em abril, 127.742.756 assinantes, 103.278.048 so pr-pagos, 24.464.708, ps-pagos. Traduzindo em porcentagem, 80,85% dos brasileiros so usurios de contas pr-pagas, e 19,15% ficam com o ps-pago. Ou seja, seria necessrio levar em considera鈬o que a dinmica do crescimento exponencial do nosso mercado tem rela鋏es diretas com o marketing cultural, sobretudo, ao ponto de venda. Isso mostra que um diferencial apenas ganha relevncia se ancorado em nichos adequados e subsidiados por micro-financiamento em mobilidade para comunidades especficas. Neste estudo sobre o uso do celular pelo motoboys, assim como outras comunidades em pases em desenvolvimento, o consumidor opera suas estratgias a partir dos mecanismos de oferta e muitas vezes abraam a melhor rela鈬o custo benefcios, mas tambm a conectividade. Especificamente, o papel do celular na mo do motoboy tem dual importncia, primeiro a sua garantia de ocupa鈬o no mercado de trabalho, segundo o poderio de manter-se conectado no mbito social e familiar. Da que podemos perceber em suas falas que a rela鈬o custo/benefcio justamente possibilitada por esta dupla via: para uso particular (onde ele custeia a liga鈬o), quando acionado no horrio de trabalho (onde recebe as chamadas de servios).
No entanto, quando parte dele a necessidade de comunicar-se com a base ou com o cliente, ao qual presta seus servios, s liga鋏es so em sua maioria chamadas a cobrar, como fica claro em algumas respostas dadas no mbito desta Pesquisa ao pesquisador, alguns deles ao serem abordado neste aspecto sobre formas de uso do celular afirmam que fazem “pelo menos cinco” vezes liga鋏es a cobrar para a firma onde trabalha, como diz E.M. 3 anos como motoboy. P.H.B. 11 anos trabalhando em So Paulo, diz que “de uma a trs vezes, e at 10 vezes, dependendo do dia”. E E.J.S., 4 anos e meio na profisso esclarece: “s quando tem problemas na entrega”. Ou seja, quando parte dele a necessidade de fazer contato com a base, os custos da liga鈬o em geral passam da telefonia mvel para a operadora de servios em telefone fixo. Isto tem haver principalmente com o fato de em sua maioria os motoboys serem os portadores dos equipamentos no qual dependem as empresas para construir sua logstica de envios de volumes e documentos.
Quando levantamos outras informa鋏es sobre estes contatos, como mensagens de textos ou sobre pacotes de envio de MMS, como forma de comunica鈬o, eles afirmam que raramente fazem uso dessa tecnologia; menos por fora de um hbito do que pela prpria necessidade de se comunicar com rapidez no trnsito. Isto significa que para um mapeamento do espectro dessa comunidade, do ponto de vista das operadoras de telefonia mvel, o porcentual de pagamento em conta deslocado diretamente para as telefonias fixas. Isto quando o motociclista, alm de seu celular, no carrega consigo um outro equipamento de rdio fornecido pelas empresas de motoboy ou pela empresa cliente, e, neste caso tal espectro realmente no aparece na conta das operadoras de telefonia mvel. No entanto, como nosso estudo abrange uma comunidade de motoboys que pode ser da ordem de 150 mil trabalhadores s em So Paulo, estes primeiros indicativos s podero ser quantificados melhor em uma segunda etapa da pesquisa, a partir de um espelho maior de entrevistados, configurando um conjunto maior de informa鋏es sobre o perfil do profissional motociclista e um conhecimento mais aprofundado sobre segmento de motofrete na Capital, com suas estratgias de comunica鈬o e a apropria鈬o do celular.
A Pesquisa
Dos primeiros BIPs (pagers), que tinham a fun鈬o unidirecional de acionar mensagem aos office-boys e motoqueiros pela cidade, e que foram abandonados com a chegada e barateamento dos celulares – e at mesmo com a chegada dos PCs portteis, como Hand Helds e Palm-Tops, e os atuais smart phones, - o uso de mensagens digitalizadas tem sido pouco exploradas por parte deste segmento de servios. Seja por razes tcnicas, como a falta de uma plataforma compartimentada , ou protocolos de rede mvel, ou por conta da baixa competitividade na oferta destes servios e alto preo de conectividade, seja pelas caractersticas prpria de um setor de servios que tem crescido pelo fracionamento do empresariado; o que importa que nos ltimos tempos mesmo com o aumento dos atendimentos coorporativo das empresas que oferecem servios de comunica鈬o s empresas de entregas rpidas, o ndice de empresas (de ponta) que fazem pleno uso de ferramentas - de comunica鈬o e conectividade -, com acompanhamento de entregas e solu鋏es digitais so ainda irrisrio em rela鈬o ao montante do mercado e o volume transportado por motocicletas. Ou seja, novamente, existe todo um potencial disponvel apenas na forma com que os deslocamentos e as ferramentas de comunica鈬o superam no uso comum outras formas de intera鋏es e apropria鋏es do espao, do mesmo modo como no resto do Brasil ocorre um fenmeno peculiar: em vez de adquirirem fun鋏es diferenciadas, como plataforma de jogos e internet, os celulares cada vez mais substituem o telefone comum e se cristalizam.
A partir deste quadro podemos apontar que para pesquisar o uso da tecnologia mvel por parte destes profissionais devemos fazer um estudo preliminar, o que implica em conhecer em profundidade o uso comum e uso diferenciado entre os espaos contguos do mbito do trabalho em que operam estes sujeitos. Mas tambm aplicar a esta pesquisa parmetros detalhados sobra a forma de agenciamento dos motoboys, isto como funcionam as empresas de entregas rpidas. Atentando para como estas se relacionam com seus clientes e estes clientes utilizam-se dos servios prestados pelos profissionais motociclistas. E por ltimo, alm de quantificar estes dados, mostrar o perfil scio-econmico dos motociclistas levando em conta os custos que com o celular. Como ferramenta de trabalho o celular essencial para operar o servio de motofrete, e sua mensura s seria possvel atravs de um acompanhamento detalhado das suas estratgias de locomo鈬o. Como objeto particular o celular tem o poder de mostrar que estes motociclistas tm condi鋏es de se inserirem num grupo social que participam especialmente das transa鋏es de documentos e valores (indiretamente) e que podem ser responsveis pela melhor estratgia nas solu鋏es do dia a dia aumentando a economia das empresas (diretamente). No entanto, para a caracteriza鈬o dessas tarefas, preciso compreender as vrias maneiras de contrata鈬o destes profissionais, que tem uma rela鈬o direta com o tipo de uso do celular no dia a dia. Por exemplo, evidente que para a realiza鈬o de entregas de alimentos (deliverys) menos comum este uso estar vinculado ao trabalho, logo raro, o acompanhamento das entregas via celular, at mesmo prescindvel. Mas isso no quer dizer que a tecnologia mvel esta fora de cogita鈬o neste vasto segmento, e so identificados muitos servios de pagamentos onde o cliente faz pagamentos atravs de cartes como se tivesse na mesa do prprio restaurante. Mas este tipo de trabalho, que conta com um grande nmero de motociclistas estaria fora de uma pesquisa se fosse s considerado o uso para a comunica鈬o de voz. E ainda que tenha uma baixa exigncia para constru鈬o de seus roteiros de entregas possvel imaginar outros usos do celular por este motociclista a fim de melhorar sua rela鈬o com sua comunidade ao se oferecer outros servios no celular como servios de utilidade pblica, fazendo envio de informa鋏es sobre incidentes com equipamentos pblicos, como vazamento de gua, queda de rvores, etc, e tambm uma maior apropria鈬o do tempo livre, como tele-cursos via celular.
A exigncia que se faz desse profissional das duas rodas como algum que opera parte das estratgias das empresas para realiza鈬o dos negcios aumentada conforme a capacidade e experincia deste em rela鈬o direta com os tipos de transa鈬o que esto envolvidos. Certamente, para atender o cliente de modo a no quebrar a cadeia produtiva, as empresas de entregas rpidas procuram prover os melhores profissionais motociclistas e as melhores condi鋏es para realiza鈬o das tarefas. Empresas como Organiza鋏es Globo e outras j adotam profissionais motociclistas treinados e que podem alm de suas entregas normais enviar noticias da rua para serem editadas em seus tele-jornais. O profissional ao se apresentar casa de um consumidor ou numa empresa ele leva a imagem do Cliente contratante, e no das empresas de entregas rpidas contratadas. Isso mostra que este profissional que lida pessoalmente com a clientela precisa estar muito preparado. Mas tambm, por que ele ativado por diferentes atores, podem fazer uso desse espao para concretizar contatos e mesmo atrair novos clientes para suas terceirizadas. Entretanto, com a oportunidade de fazer uso da telefonia mvel, j foi identificada uma gama de profissionais motociclistas autnomos que operam este sistema de forma autnoma e responsvel, com uma renda maior e uma qualidade de servios prestados que facilitam a negocia鈬o por preos maiores de frete. Ou seja, com o celular o antigo motoboy torna-se seu prprio patro e a rua seu escritrio. Trata-se no mbito dessa pesquisa quantificar o nmero de autnomos que j rodam pela cidade e acompanhar seus gastos com celular oferecendo-lhe descontos em carteira para verificar se aumentam seus ganham e aumentam o nmero de liga鋏es de contato.
As empresas, por outro lado, esforam-se para reduzir ao mximo qualquer rudo nessa opera鈬o entre o cliente e o motoboy. Dito isso, claro que, fundamentalmente, se valem da comunica鈬o via rdio-celular, ou celular, para atender com qualidade e preciso, oferecendo maiores garantias sobre o produto e documentos de forma a no sofrer desgaste e conseqente perdas de contrato. Aqui vale dizer que, uma pesquisa direcionada para medir o impacto que o uso deste equipamento celular tem em uma comunidade como esta, significa estabelecer um leque de possibilidades para mapear todas dentre os tipos de contra鋏es, os modelos de negcios e as mobilidades dos motociclistas; um parmetro aberto impede de se basear esta pesquisa a partir de um nico lcus, seja ele o cliente, a empresa agenciadora ou mesmo a partir da escuta na mobilidade do motoboy na rua. O crivo que poderemos montar passa primeiro por identificar o espectro das empresas de motoboys, em toda sua realidade uma vez que parte significativa do segmento de motofrete encontra-se distribuda por dentre as pequenas empresas familiares que operam localmente com um baixo contingente de motociclistas autnomos (espordicos) e um fluxo de trabalho sincronizado com o mercado de solicita鋏es de ordens de servios (O.S). Em outras palavras, temos um grande nmero de motoboys (estima-se que 80% do mercado) distribudos em um grande nmero de pequenas empresas. E um baixo nmero de mensageiros concentrados em poucas empresas que os mantm em regime de contrato trabalhista (CLT).
Depois, reconhecido o segmento em que estes profissionais trabalham, trata-se de mapear os tipos de contrata鋏es por volume de cliente. A sugesto aqui, como no exemplo acima, demonstrar na perspectiva da pesquisa qual a faixa de profissionais vale se concentrar para levantar os dados com mais preciso e menos custos, se os mensageiros que tem uma maior especializa鈬o e operam dentro de uma rela鈬o contratual mais organizada, porm em menor nmero. Ou se levamos o foco da pesquisa para o maior espectro do segmento, os motoboys que trabalham em regime semi-contratual (espordico), porm so a maioria, e tem em geral uma menor especializa鈬o, j que no podem desenvolver todas as suas capacidades no gerenciamento do seu tempo, organiza鈬o do seu trabalho (roteiriza鈬o) e constru鈬o de sua imagem perante o cliente (volatiza鈬o da mo de obra).
Montada a rede de rela鋏es, seremos movidos a encontrar os ns do sistema. E com maior preciso o conjunto de contatos onde h mais concentra鈬o de uso do celular pela comunidade. De modo acompanhar e estudar estes hbitos e novas possibilidades do uso da tecnologia mvel como ferramenta de trabalho e cultura.
Concluso
Neste momento acreditamos que o primeiro contato com os profissionais motociclistas, ouvindo-os como protagonista da pesquisa, um excelente modo de se aproximar dessa complexidade. Podemos dizer num primeiro momento que no h uma fronteira muito clara para se aferir os gastos que estes tem em rela鈬o ao uso de celular, como ferramenta de comunica鈬o no trabalho, mas tambm, no ambiente familiar.
Uma vez que os prprios espaos e os tempos destes diferentes atores so s vezes contguos - exceto claro, quando os funcionrios de uma express portam equipamentos fornecidos por ela -, a pesquisa devera se ater a um acompanhamento detalhado das estratgias de barateamento de custo com comunica鈬o. Ou seja, o corte de dois celulares (ou rdio) evidenciaria o levantamento na raiz do problema. J uma pesquisa que tende a ganhar complexidade, mostrando-se aberta a mapear novos usos e valores, precisa considerar o potencial da comunidade naquilo que ela tem de especfico a liberalidade dos traados como campo de domnio dos motociclistas. Da que, empresas que adotam, ou j adotaram sistema de rastreamento sem qualquer critrio tiveram perda de capital humano e queda nos rendimentos dos seus mensageiros. Pior ainda, com o dficit de bons profissionais no mercado e o supervit de oferta de emprego, este modelo passa a no se sustentar pela simples razo de os motociclistas serem eles mesmos os proprietrios dos veculos das entregadoras. Mas tambm na sua concreta posi鈬o (ubiqidade) dentro do espao da cidade e como criadora de contedos que pode ser captados pelos celulares, esta comunidade de motociclistas, dando novos usos aos celulares, podem gerar outros modelos de negcios dentro do prprio setor onde eles so protagonistas, como tambm desenvolver novas ferramentas (computador de bordo), que auxiliando seu trabalho podem melhorar os desempenhos das empresas, ou at mesmo, ao fazer uso delas estes profissionais podem criar suas prprias empresas cooperativas apoiados por uma plataforma tecnolgica na rede de computadores. Ou seja, a pesquisa em si precisa estar atenta ao o objeto de estudo ao perceber que ela prpria modifica a percep鈬o deste equipamento e re-significa sua opacidade. Sabendo que o objeto encontra-se em movimento, o posicionamento da mesma precisaria tencionar os vrios campos deste objeto a fim de se observar com melhor propriedade aquilo que aparece como sendo a jun鈬o da tecnologia mvel com a especificidade deste profissional. Para isso a pesquisa precisaria abranger um estudo que mapeasse a posi鈬o do motoboy no espao da cidade e qual sua lgica de liga鈬o com sua rede relacionamento. A pesquisa uma vez fornecendo estes dados precisos sobre esses manuseios dos celulares aplicadas as novas mdias locativas podem realar as estratgias que estes profissionais usam para eleva鈬o de renda prpria, vinculando estas ao uso necessrio do celular, e se fosse verificado uma interdependncia nesse processo, a pesquisa se transformaria em experincia, quando num secundo momento, parte dos recursos mobilizados se transformassem em descontos em tarifas concedidas para determinados usos, no sentido de se verificar se existe uma rela鈬o entre o custo de telefonia e o aumento da renda dos motociclistas profissionais.
Com interessantes servios criados a partir de envios por SMS como foto, vdeo, gravadora e edi鈬o, os celulares tornaram-se ferramenta poderosssima nas mos de comunidades que detm formas de usos padronizados, na cria鈬o de contedos a Internet. Fazendo uma ponte entre a mobilidade do motoboy e a mobilidade do celular ganha interesse para este estudo projetos como o canal*MOTOBOY (http://www.zexe.net/SAOPAULO), de autoria de Antoni Abad e programa鈬o de Eugnio Tisselli, pois cria possibilidade de envios via celular just time ao site da comunidade com a no鈬o de ubiqidade que posiciona os motoboys em todos os pontos da cidade, e ainda permite que realizem a tarefa de manter a prpria comunidade bem informada sobre leis e mercado com a necessidade deles criarem uma canal de comunica鈬o para se expressarem culturalmente. Como diz Andr Lemos “H aqui a forma鈬o de um territrio informacional na sinergia entre o espao urbano, a mobilidade social e o espao eletrnico”. Para concluir, podemos dizer que neste estudo, para ser mais completo, no poderia prescindir de uma pesquisa que identificasse outros usos dos celulares para alm da comunica鈬o de voz uma vez que estes aportes comunicativos podem servir de base para experimentos e acoplamentos de novos aplicativos em celulares (GPS, TV, smarts phones, etc), e j que a pesquisa se volta para esta importante categoria profissional, tanto mais ela ficar completa se mais ela puder filtrar as ricas possibilidades que surgiro a partir da convergncia da mobilidade celular e do profissional motociclista.
Cidade do Conhecimento – ECA
Coordenador: Prof. Dr. Gilson Schwartz
Pesquisador: Pesquisador: Eliezer Muniz dos Santos
Palavras-chave: celular, espaço público digital, geo-localização, gps, motoboy, motoboys, motociclistas, tecnologia móvel, telefonia celular, território informacional
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