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Abril 14, 2011

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Postado por BADI

O Mal não esta nas coisas

 

NO MOMENTO EM QUE  LAVEI AS MÃOS

TOMEI CONSCIENCIA

QUANDO VI O SANGUE ESCORRENDO

RALO ADENTRO

TIVE CERTEZA

TANTO MAIS EU LIMPAVA

MAIS SUJO ME SENTIA

MAIS IMPREGNAVA EM MIM A MALDADE

SIM!

PORQUE AGORA NÃO HAVIA MAIS O MEDO

UM INSTANTE TOMADO DE FURIA

UM REPENTE ENVOLTO EM PAVOR

NÃO!

AGORA RESTAVA SOMENTE A MALDADE

ERA O MAL QUE SUJAVA MINHAS MÃOS

NA MESMA MEDIDA EM QUE O SANGUE DELA SAIA

ERA O MAL QUEM ELABORAVA A FUGA

HAVIA A RACIONALIDADE DO MAL

OS CALCULOS BEM CALCULADOS DO MAL

AGORA ERA O MAL QUEM DETERMINAVA MEUS ATOS

 

MIREI AS MÃOS

PARECIA DOUTOR PREPARADO PARA OPERAÇÃO

ESPERANDO LUVAS ISOLANTES

PARECIA DOUTOR

DOUTOR DAS MÃOS LIMPAS

MAS ELAS NÃO ESTAVAM LIMPAS

APRESSADO, APANHEI A TOALHA

ENXUGUEI-AS

CADA PEDAÇO DAS MÃOS

INSISTENTEMENTE

ESFREGUEI

COPIOSAMENTE

QUERIA SECÁ-LAS

MAS ELAS JÁ ESTAVAM SECAS

NÃO!

NÃO ERA A AGUA QUEM EU QUERIA FORA DALI

NÃO!

NÃO ERA A UMIDADE

ERA O MAL

O MAL QUE GRUDARA NAS PALMAS E NOS DEDOS

SOB AS UNHAS

SOB A PELE

ERA O MAL QUEM EU QUERIA EXORCIZAR DO MEU CORPO

MAS COMO?

SE ERA ELE O RESPONSÁVEL POR MEUS ATOS?

SE ERA ELE QUEM ME CONDUZIA AGORA?

 

VESTI A CAMISA

BRANCA

PUÍDA

GRAVATA

BORDÔ

DETALHES EM AZUL ESCURO

FRISOS DIAGONAIS EM PRETO E DOURADO

DOBREI AS MANGAS

ANTEBRAÇO A MOSTRA

O RELOGIO

PRENDI-O NO PULSO

AUTOMATICAMENTE

CARREGUEI O PALETÓ PELO INDICADOR EM GANCHO

ATÉ O OMBRO

 

OLHEI DENTRO DOS MEUS OLHOS

ERAM OLHOS MAUS

TIVE MEDO DE MIM

 

NÃO RESISTI EM CONFERIR O CORPO NO QUARTO

ELA ESTAVA LÁ

SEMINUA

 

ERA TÃO JOVEM

 

A BELEZA SE MANTIVERA

IMORTALIZADA

 

BELA

COMO NA EXATA HORA DA MORTE

 

CHEGUEI PERTO

MUITO PERTO

BEM PERTO DO OUVIDO DELA:

- DESCULPA! NÃO FOI POR QUERER...

BEIJEI-LHE O ROSTO:

- PERDÃO!

FIZ UM SINAL DA CRUZ

PEDI PARA QUE CUIDASSEM BEM DE SUA ALMA

APRESSEI EM RETIRAR-ME DALI

SAI INCOGNITO COMO ENTREI

PELA PORTA DOS FUNDOS

 

CONFERI O HORARIO

ESTAVA ATRASADO

PRECISAVA UMA DESCULPA

 

O PREMIO ACUMULADO

 

A DEMORA PARA FAZER O JOGO DA LOTERIA

 

EU JÁ O TINHA FEITO ONTEM

TRAZIA O BILHETE NO BOLSO

MAS NINGUEM SABIA

 

PENSEI

 

- AH! SE EU GANHASSE NA LOTERIA...

 

OLHEI MINHAS MÃOS

ELAS CONTINUAVAM SUJAS

MAS DESSA VEZ FOI ESTRANHO

EU NÃO LIGUEI TANTO QUANTO DA PRIMEIRA VEZ

 

PARECE QUE NOS HABITUAMOS AO MAL

 

COM A CONVIVENCIA

ELE NOS PARECE CADA VEZ MAIS NATURAL

MAIS NORMAL

E NA MESMA MEDIDA EM QUE NOS ACOSTUMAMOS

AO MESMO TEMPO

EM QUE  O ACEITAMOS COMO FATO CONSUMADO

NESSA MESMA MEDIDA

ELE SE IMPREGNA EM NOSSA ALMA

E NOS TORNAMOS MAUS

MAUS COMO SEMPRE FOMOS


 

Palavras-chave: Poema

Este post é Domínio Público.

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