Stoa :: Desenvolvimento do Stoa :: Fórum

Autor Moderação e Identidade
Ewout ter Haar
Ewout ter Haar

Jan 17, 07

Neste sistema, estamos resolvendo problemas quando surgem. Outro dia, um participante escolheu um nome de usuário que eu não achei apropriado, nem do ponto de vista da comunidade, nem do ponto de vista da pessoa. O que eu pessoalmente acho apropriado não tem muita importância. A escolha destes nomes é que nem outros conteúdos do site: todos concordam que a moderação é feito a posteriori, que os críterios de moderação são fluidos, podem depender de gostos individuais, mas que tem que conformar as normas correntes da comunidade USP em particular e a sociedade Brasileira em geral.

Muito bem. Mas queria mesmo assim explicar porque me sentí desconfortável com a escolha do nome de usuário em questão. Me senti como descreveu o John Perry Barlow, no seu texto Crime and Puzzlement (1990), quando dois anônimos, acid e optik, entraram na sua comunidade virtual.

[...]they inducted a number of former kids like myself into Middle Age. The long feared day had finally come when some gunsel would yank my beard and call me, too accurately, an old fart.

Angustias de pessoas com crise de meia idade aparte, Barlow descobriu a invenção de uma nova maneira para adolescentes construir e afirmar uma identidade. Romper a conexão entre a sua identidade digital e a sua identidade na vida "real" abre novas possibilidades de expressão. Danah Boyd (em 2006) explica o processo de criação de uma identidade digital por adolescentes americanos no MySpace (o Orkut dos jovens americanos), e explica aqui como a possibilidade de construir perfeis anônimos ou "falsos" contribuiu ao sucesso de MySpace. Ainda segunda ela, jovens americanos não se importam trocar de perfil a cada poucos mêses.

Comunidades de anônimos podem ser libertador, mas são poucas que conseguem evitar degeneração:

Remember that the more identified, authenticated, and accountable people are, the better the opportunity for building a community out of an aggregate. An environment where anonymous users shout at each other from behind screen names isn't worth the programming and system administration effort. (http://philip.greenspun.com/seia/software-structure)

Existem exemplos extraordinários de comunidades anônimas que funcionam. O exemplo canônico é Wikipedia, mas certamente não é fácil, e para o stoa.usp.br escolhemos um modelo onde todo mundo é identificável. Aqui, existe uma ligação entre a personagem online e a pessoa "física". Este escolha foi feita numa tentativa de encoragar comportamento "acadêmico" (ainda que infelizmente este comportamento pode ser inaceitável também...).

Voltando ao caso do nome de usário, acredito que é o nosso dever de deixar muito claro, no processo de cadastro ou em outros lugares, que o login vai fazer parte da identidade da pessoa, que outros vão julgar a pessoa baseado em parte neste identidade e que este identidade não é descartável: quase tudo que faz online hoje em dia é guardado, arquivado, fácil de achar, mesmo daqui a 10 anos.

No mundo real, o escrivão no cartório não deixa você dar qualquer nome ao seu filho. Será que não é a nossa responsibilidade pelo menos de chamar atenção aos consequências que escolhas aparentemente inócuas podem ter? Qual ferramente de monitoração de conteúdo devemos ter? Devemos ficar monitorando determinadas partes do site? Mas isto não fere o princípio que o ambiente é do participante e de responsibilidade dela?

Mais uma vez, vamos resolver os problemas quando surgem, mas vale a pena pensar nos riscos e os piores coisas que podem acontecer, desde que não ficamos paralizados e engessados por causa de medo de uma coisa que pode nunca acontecer.

Palavras-chave: identidade


<< Voltar aos tópicos Responder