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setembro 02, 2010

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William Daniels Phillips é um físico, ganhador do prêmio Nobel de Física de 1997 juntamente com Steven Chu e Claude Cohen-Tannoudji¹ 

William Phillips

Doutor em Física pelo MIT ( Instituto de Tecnologia da Califórnia ), foi laureado pelo Nobel de Física pela pequisa em resfriamento e aprisionamento de átomos por lasers.

Em 2008 apresentou um seminário sobre ciência e religião na Igreja Luterana da cidade de Mclean, no estado de Virgínia nos Estados Unidos, onde declarou: 

"Para mim, da minha crença religiosa e o desejo de explorar as coisas de investigação científica e para explorar as coisas, há muitas semelhanças entre eles. Como um cientista e um cristão, eu me sinto muito confortável."

 

Referências

  1. "Nobel Prize Winner 'Says God and Science Can Coexist' " - associatedcontent.com
  2. Nobel Prize of 1997 - Phillips
  3. Wikipédia - William Daniel Phillips
¹ Cohen-Tannoudji escreveu um livro didático sobre quântica bem conhecido, "Quantum Mechanics".

 

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 0 comentário

agosto 02, 2010

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Postado por Equipe Stoa

O datacenter da USP está passando por uma manutenção nos racks do email e os servidores de DNS, causando interrupções de serviço hoje segunda-feira dia 2 de agosto das 18h até 20h, aproximadamente.

 

 

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julho 13, 2010

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"Estou procurando mostrar que não há incompatibilidade entre a verdade científica e a revelação: são duas coisas que tratam de espaços diferentes. Uma trata da realidade da vida, a outra trata do transcendental.

E a Bíblia, que é um livro muito interessante de ser lido (principalmente Isaías), não procura ensinar à gente nada de ciência, e sim uma ordem moral. ... a Bíblia não quer ensinar como é que se fez o céu, mas quer ensinar como é que se vai ao céu.

Trata-se de um preceito teológico muito importante, relativo à questão de graça: a pessoa acredita ou não.

Agora, como eu respeito as pessoas que não crêem, quero também que elas respeitem a sinceridade de minha fé."

- Carlos Chagas Filho (1910-2000), médico, membro da Acadameia Brasileira de Ciências

 

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

julho 09, 2010

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Numa dessas andanças pela rede, encontrei uma página onde um Químico da Universidade da Georgia, Dr. Schaefer, faz uma analise sobre alguns cientistas que eram cristãos.

Eu achei legal porque ele discorre sobre a separação que o cientista cristão faz da ciência e da fé, além falar sobre alguns cientistas que também eram cristão, e bem conhecidos de quem é da área.

Site: http://acct.tamu.edu/smith/science.htm

Na verdade, creio que esse é o pensamento unânime de quem tem uma crença e estuda ciências, essa separação do que é espirito e do que é matéria.

Na verdade, nunca estudei física procurando indicios de Deus nela, sempre vi a física como física "per sí", pra mim, se há Deus nisso, é tão somente na criação da natureza, e por conseguinte, das leis naturais.

Essa história de provar que Deus existe através da ciência só devia do verdadeiro propósito de Deus que é o espírito. Logo, eu não procuro resolver meus problemas espirituais com a ciência, e nem a ciência com coisas espirituais. Claro, essa é minha opinião, mas não creio que seja diferente do que Plank, Maxwell e outros achavam também.

E vocês , o que acham ?

 

Este post é Domínio Público.

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes em Jesus Cristo | 6 comentários

julho 02, 2010

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O pensamento ateu vem sofrendo, desde a renascença, grandes alterações. Primeiro, alegou a impossibilidade da assimilação racional da fé (David Hume), depois, a impossibilidade foi substituída pela inutilidade da fé (Sartre), e já que nenhum desses posicionamentos conferiu a extinção da fé, temos atualmente a mais insensata postura incrédula, que julga haver nocividade no exercício da crença religiosa (Dawkins). Mas todos esses argumentos são realmente ineficientes, uma vez que a fé continua a ser bem assimilada por pessoas dos mais diversos níveis sociais e intelectuais. Por parte dos teístas, tentativas de impor a impossibilidade da recusa à fé, bem como inutilidade e nocividade à incredulidade religiosa também já existiram, mas sempre caracterizadas por inferências ineficientes a um convencimento sobre a existência de Deus. De fato, indivíduos ateus existem, e muitas vezes de comportamento ético bastante exemplar, o que faz da alegação da nocividade social do ateísmo uma afirmação gratuita. A postura afirmativa referente ao cristianismo deve se fundamentar em seus verdadeiros alicerces: primeiro, tratando-se duma fé, provas estão de antemão desqualificadas; segundo, Cristo convida os homens a viverem sob a perspectiva divina, e se há algum argumento válido na exposição da fé cristã a partir de um critério racional, deve ser o argumento baseado na avaliação dessa nova perspectiva de vida que Cristo propõe a seus fiéis. Como a súmula da vida cristã é a fé, a esperança e o amor, e sendo o amor o maior dentre os três, decorre que o argumento do evangelho é o amor. Nenhuma filosofia religiosa ou politicamente isenta, nem mesmo a mais acurada e universal apreensão ética pode substituir ou convencer de modo mais seguro e eficaz que esse poderoso argumento. A nova lei do amor (aos amigos e inimigos), a regra de ouro – fazer pelo próximo aquilo que desejamos que façam por nós – não são formulações exclusivas do cristianismo, mas correspondem aos caracteres centrais dessa doutrina. Nesse sentido, a fé cristã detém o argumento do amor, atestado e praticado pela sua própria divindade (o que causou surpresa no próprio adversário de Deus, que num de seus porta-vozes (Nietzsche) conferiu loucura à piedade divina, que culminou no Calvário: como pode o Todo Poderoso permitir-se morrer por amor?). A prática dessa moral custa caro ao egoísmo humano, e decorre desse alto preço de renúncia pessoal toda aversão característica à fé. Avaliando profundamente, a grande máscara do ateísmo consiste na camuflagem da resignação ao apelo de Cristo, de cada um tomar sua cruz e seguir-lhe. Somente esse argumento, o argumento do amor (não teorizado apenas, mas vivido), tem a eficiência de transformar pessoas antes descrentes em fervorosos adeptos da fé.

Palavras-chave: amor, ateísmo, evangelho

Postado por Andre de Souza Freitas em Jesus Cristo | 4 comentários

junho 28, 2010

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O problema do mal é uma das questões existênciais no tocante a teologia.

Quem nunca se perguntou o do porque existe tanto sofrimento no mundo, e mais ainda, se Deus existe, porque ele não faz nada no tocante a isso ?

Eu mesmo em minha indagações já me deparei com estas e outras dúvidas que estão no centro de uma interpretação de mundo com um Deus consciente.

Navegando na rede me deparei com este texto de autoria do Sr. Jaime Quintas no site "Crítica na rede" onde este aborda o problema do mal , e onde veremos a que conclusão ele chega.

"

O Problema do mal

O mundo em que vivemos está repleto de coisas más.

Dor, fome, pobreza, tristeza, guerras, catástrofes e muitas outras coisas.

Faz-nos pensar: "Se eu fosse Deus, acabaria com tudo isso e faria um mundo melhor !"

Dizem que Deus é criador, bom, omnipotente e omnisciente.

Se assim fosse, o mal não existiria; um ser bom e com poderes ilimitados não criaria um mundo mau — criaria um mundo perfeito.

Ao olharmos para o mundo e para os seus habitantes somos levados a concluir que o deus descrito atrás não existe.

Este é o problema do mal. Como podemos compatibilizar um mundo repleto de sofrimento com a existência de Deus? Dificilmente.

O problema do mal pode ser encarado de duas perspectivas distintas: por um lado temos os crentes, para quem o problema do mal é mais um desafio à fé que professam, talvez um Mistério da Fé; por outro, os não crentes, que encaram este problema como um argumento contra a existência de Deus.

Neste texto, irei abordar o problema do mal do ponto de vista do não crente e tentarei demonstrar que, contrariamente ao que o argumento nos diz, o mundo que conhecemos é compatível com Deus.


Deus

O argumento do mal contra a existência de Deus só se coloca quando se discute a existência de Deus tal como é defendida pelos teístas.

Deus sabe tudo, pode fazer tudo, é infinitamente bom e criou o universo.

Por saber tudo, sabe da existência do mal; por poder fazer tudo, pode eliminar o mal; por ser bom, quererá eliminar o mal; e por ter criado o universo é responsável pelo que fez.

Se discutimos a existência de um deus que não reúna qualquer uma destas quatro características fundamentais, o problema do mal deixa de se colocar.

Importa detalhar um pouco o que se entende por um ser omnipotente e bom.

Enquanto, neste contexto, a omnisciência de Deus não levanta grandes questões — Deus sabe do mal que existe no mundo — já a omnipotência e a bondade poderão originar alguns equívocos.

Por omnipotência entende-se a capacidade de fazer tudo o que é logicamente possível.

Assim, Deus poderá criar e destruir mundos, mas não poderá fazer um círculo quadrado ou um objecto demasiado pesado para Ele próprio levantar, dado que isto são impossibilidades lógicas.

Quando dizemos que Deus é infinitamente bom, queremos dizer que Ele quererá fazer o melhor mundo possível, de acordo com critérios humanos.

Uma das maneiras de contornar o problema do mal seria afirmar que o conceito de bondade aplicado a Deus é diferente do aplicado aos seres humanos, pelo que, segundo os padrões de Deus, este seria o melhor mundo possível; o problema está em que, segundo este critério, não podemos afirmar que Deus é bom, uma vez que este conceito perde o seu significado.


Respostas possíveis

Assim, sendo Deus omnipotente, omnisciente, infinitamente bom e criador, como conseguimos compatibilizar o mundo que conhecemos, repleto de mal e sofrimento, com a Sua existência?

Há diversos caminhos para responder a esta questão.

Podemos justificar a existência do mal com base em bens maiores, proporcionados por esse mal.

Temos assim o argumento do livre-arbítrio, que defende ser o sofrimento no mundo originado pela completa liberdade dos seres humanos — é um bem maior que origina o mal no mundo; temos também o argumento dos Santos e dos Heróis, que defende que o mal foi colocado no mundo para permitir a ocorrência de grandes feitos e actos de fé — é o mal que origina um bem maior.

Em qualquer uma destas explicações, e noutras da mesma natureza, faz-se uma tentativa de justificar e explicar todo o mal e todo o sofrimento do mundo.

Ao justificar esse mal com recurso a um bem maior, deixa de ser contraditória a existência de Deus com o mundo que conhecemos.

Este tipo de argumento tem, quanto a mim, um problema de raiz: baseia-se numa análise dos propósitos e intenções de Deus.

Como tal, apenas fará sentido depois de pressuposta uma determinada crença, não sendo possível contrariar a perplexidade dos não crentes perante o mal no mundo.

Existem no mundo inúmeros factores que provocam quantidades exageradas de sofrimento — desde terramotos e outras catástrofes naturais a guerras e acções de extermínio provocado pelos seres humanos.

Será que existe algum tipo de bem que justifique estes males ?

Qual é a justificação para a ocorrência de um terramoto que provoca milhares de mortes ?

Não seria possível para um ser omnipotente proporcionar esses alegados bens sem ter de recorrer a um terramoto ?

Estas e outras perguntas colocam sérios obstáculos aos argumentos de justificação do mal pela criação de bens maiores.

O argumento do mal é extremamente simples e, talvez por isso, muito forte; eventualmente mais forte do que qualquer justificação ou explicação do mal que consigamos arranjar.

Se começamos por tentar explicar ou justificar a existência do sofrimento antes de conseguirmos demonstrar a sua compatibilidade com Deus, nunca conseguiremos ultrapassar o argumento do mal; a nossa argumentação ficará apoiada numa base muito fraca, de nada servindo contra a solidez do problema do mal.

O que eu defendo neste texto é que só conseguiremos ultrapassar o problema do mal, mesmo para aqueles que não crêem em Deus, se conseguirmos provar que a existência de um mundo sem mal é uma impossibilidade lógica.

Se tal for conseguido, segue-se que nem a omnipotência nem a bondade de Deus são postas em causa pela existência do mal no mundo.


O argumento

Quando afirmamos que a quantidade de mal existente no mundo é incompatível com a existência de Deus estamos a afirmar duas coisas simultaneamente:

1) Há demasiado mal no mundo; 

2) É possível a existência de um mundo melhor.

Caso 2 seja falsa, Deus, mesmo sendo omnipotente, terá criado o melhor dos mundos, pelo que o argumento do mal perde a sua força.

Não vou contestar 1, uma vez que me parece óbvia, mas irei desenvolver um pouco mais 2 com vista a provar a sua falsidade.

Quando dizemos que existe demasiado mal no mundo, estamos a basear-nos nas nossas próprias observações.

É o ser humano, o ser que sofre, que diz que o mundo tem demasiado sofrimento; não poderia nunca ser de outro modo.

O sofrimento, quando se trata de abordar o problema do mal, será sempre avaliado pelos humanos.

Assim, as proposições 1 e 2 serão equivalentes, respectivamente, a:

1') Quanto a nós, habitantes do mundo, existe demasiado mal no mundo;

2') É possível que exista um mundo que os seus habitantes considerem suficientemente bom.

O que eu defendo é que 2' é uma impossibilidade lógica, ou seja, que por muito pouco que seja o sofrimento ou mal existente num determinado mundo, este será sempre considerado exagerado pelos seus habitantes.

Assim, o facto de nós considerarmos que o nosso mundo tem demasiado sofrimento não implica que seja um mundo mau; mesmo que o sofrimento existente fosse apenas uma ínfima parte do que agora conhecemos, continuaríamos a achar, com a mesma convicção, que o mundo era demasiado mau.

Verifica-se assim, se 2' for falsa, que o mundo em que vivermos pode ser o melhor mundo possível, independentemente de nós concordarmos ou não.

Note-se que esta afirmação é diferente de dizer que o conceito de bondade de Deus é diferente do conceito de bondade dos homens; o que se diz aqui é que os seres humanos não são observadores isentos e imparciais no que respeita a avaliar o mal do mundo.


A defesa do argumento

Vou agora apresentar argumentos que defendem que 2' é falsa — que não é possível que exista um mundo que os seus habitantes considerem suficientemente bom.

Analisemos antes de mais nada aquilo a que chamamos "sofrimento".

Quanto a mim, todo o sofrimento resulta de uma Necessidade por satisfazer.

Temos as necessidades físicas, que são necessidades no verdadeiro sentido da palavra — se não forem satisfeitas resultarão em sofrimento físico e eventualmente em morte.

Temos as necessidades psicológicas, que habitualmente designamos por "desejos" — aquilo que queremos; se não conseguirmos ter aquilo que queremos, sofremos.

Note-se que o termo "necessidade" é utilizado com dois significados distintos: aquilo que precisamos e aquilo que queremos.

Ao longo do texto utilizarei "Necessidade" para designar o conjunto daquilo que precisamos e daquilo que queremos e "necessidade" para designar apenas aquilo que precisamos.

Conseguimos enquadrar na fórmula das Necessidades por satisfazer todo o tipo de sofrimento: dor (necessidade de bem-estar), fome (necessidade de alimento), doença (necessidade de saúde e bem estar), saudade (necessidade de alguém de que gostamos), tristeza (necessidade de algo/alguém que não temos), etc.

Se pensarmos bem nos vários tipos de sofrimento que conhecemos, verificamos que todos se enquadram neste conceito.

Verificamos também que a maioria dos sofrimentos que consideramos mais graves, aqueles que dizemos incompatíveis com Deus, dão-se quando a Necessidade por satisfazer é do tipo desejo — falta-nos aquilo que queremos, não aquilo que precisamos.

No topo da escala está a morte.

Considero que a morte é sofrimento na medida em que queremos viver, não que precisamos de viver, pelo que será um sofrimento psicológico; a dor eventualmente associada à morte é que será um sofrimento físico.

Em suma: temos necessidades e vontades que, quando não são satisfeitas, resultam em sofrimento.

Para demonstrar que, independentemente da quantidade de mal existente num dado mundo, este será sempre considerado demasiado mau pelos seus habitantes temos que provar os seguintes pontos:

3) Um mundo sem qualquer tipo de mal não é um mundo bom;

4) Um mundo com menos mal do que o nosso, por muito pouco que seja, será considerado demasiado mau pelos seus habitantes.

Imaginemos um mundo sem sofrimento.

Um mundo sem sofrimento é um mundo em que os seus habitantes não têm Necessidades por satisfazer.

Isto pode ser conseguido de duas formas: ou não têm Necessidades ou todas elas estão satisfeitas.

Num mundo sem mal estas duas situações são equivalentes.

Se todas as Necessidades estão satisfeitas, é o mesmo que não haver Necessidades.

Poder-se-á dizer que nós, no nosso mundo, precisamos de água para beber, mas que por vezes essa Necessidade está satisfeita.

No entanto, num mundo sem mal, essa Necessidade nunca esteve ou estará por satisfazer, pelo que os seus habitantes nunca tomaram consciência dela; para eles, será como se não tivessem Necessidade alguma.

Um mundo sem qualquer tipo de Necessidade é um mundo sem emoções, sem sentimentos, sem movimento.

Se não queremos nada nem precisamos de nada, por que razão fazer seja o que for ?

Se pensarmos cuidadosamente verificamos que um mundo sem qualquer tipo de Necessidade por satisfazer não é um mundo bom; com efeito, é um mundo que dificilmente conseguimos conceber.

Muito bem, diremos nós, um mundo sem mal não é um mundo bom.

De qualquer modo, o sofrimento existente no nosso mundo é manifestamente exagerado.

Podemos perfeitamente admitir um mundo em que possa haver sede, fome, alguns desejos não realizados e outras coisas mais, mas daí às guerras, terramotos e sabe-se lá mais o quê, vai um grande salto.

Não temos dúvidas em afirmar que o sofrimento existente no nosso mundo é excessivo, sendo incompatível com a existência de Deus.

Isto leva-nos a 4, que diz que se existe sofrimento num determinado mundo, por muito pouco que seja, este será considerado demasiado pelos seus habitantes.

Um mundo com menos sofrimento do que o nosso, mas mesmo assim com algum sofrimento, será um mundo em que existem algumas, eventualmente poucas, Necessidades por satisfazer, que originam sofrimento.

Quanto a mim, cada indivíduo tem uma escala pessoal de sofrimento, que está relacionada com uma escala pessoal de Necessidades: uns resistem melhor à dor, outros são mais sensíveis, uns são mais fortes emocionalmente, outros choram por tudo e por nada.

Situações semelhantes provocam em cada um de nós emoções diferentes e, se for o caso, sofrimentos diferentes.

Isto deve-se a cada um de nós ter uma escala pessoal de Necessidades, dando uns mais valor a umas coisas do que a outras, precisando uns mais de umas coisas do que de outras.

Todos precisamos ou desejamos diferentes coisas; e mesmo quando Necessitamos das mesmas coisas, a intensidade dessa Necessidade varia.

Podemos classificar as Necessidades da seguinte forma:

Necessidades latentes: São aquelas que ainda não foram consciencializadas por nós.

Há coisas que queremos ou que precisamos mas que ainda não sabemos.

Quando nascemos não sabemos que o ar nos faz falta. A necessidade do ar, nessa fase, é uma Necessidade latente.

À medida que vamos crescendo o número de Necessidades latentes vai diminuindo, apesar de nunca desaparecerem por completo.

Uma Necessidade latente deixa de o ser no momento em que se torna uma Necessidade por satisfazer, passando a ser uma Necessidade activa.

Necessidades activa: São aquelas que já conhecemos e que estão presentes no nosso pensamento.

Uma Necessidade pode estar satisfeita, mas ser uma Necessidade activa. É o caso da necessidade do ar que respiramos — podemos não estar a sofrer com falta de ar, mas sabemos constantemente que nos é imprescindível.

Uma Necessidade activa pode passar a Necessidade adormecida quando se afasta demasiado do nosso consciente.

Todas as Necessidades por satisfazer são Necessidades activas.

Necessidades adormecidas: São aquelas que já conhecemos mas que, de momento, estão longe do nosso pensamento.

Uma Necessidade adormecida é, basicamente, uma Necessidade activa que se foi afastando do nosso consciente.

Se partimos uma perna, vivemos uma Necessidade por satisfazer aguda — a Necessidade que a perna fique boa.

Mesmo depois de curar a perna conhecemos uma Necessidade activa, apesar de não estar por satisfazer, que a perna se mantenha boa.

Ao fim de alguns meses ou anos deixamos de sentir essa Necessidade, passando esta a ser uma Necessidade adormecida — não pensamos mais na perna partida, será apenas uma vaga recordação.

A escala pessoal de Necessidades de cada um de nós, que está intimamente ligada com uma escala pessoal de sofrimento, é determinada pelo conjunto de Necessidades activas que vivemos no momento.

Essa escala não é constante, varia ao longo do tempo em função dos inúmeros factores que determinam as nossas Necessidades.

Quando vivemos uma situação de Necessidade por satisfazer, o sofrimento por ela provocado será função da posição dessa Necessidade na nossa escala pessoal.

Se a Necessidade não satisfeita está no topo da escala, sofremos muito, se está na base, sofremos pouco.

Se me telefonam a meio da noite a dizer que alguém que me é querido teve um acidente e faleceu, sofrerei imenso.

No momento em que recebo o telefonema estou longe de imaginar que tal vai acontecer — a Necessidade que tenho dessa pessoa é uma Necessidade adormecida ou então activa mas distante da minha consciência.

Como tal, a situação que estou a viver é de uma Necessidade por satisfazer elevadíssima, nesse momento é o topo da minha escala, não estou consciente de mais Necessidades que possam surgir naquele momento.

Sofro imenso.

Por outro lado, imaginemos que houve um terramoto, com milhares de vítimas, num lugar onde diversas pessoas que me são queridas estão a passar férias; as notícias que tenho apontam para que ninguém tenha sobrevivido.

Depois, recebo a notícia de que afinal apenas uma pessoa faleceu; o sofrimento que sinto será certamente elevado, mas inferior ao do exemplo anterior.

As notícias precedentes aumentaram consideravelmente a minha escala de Necessidades activas.

A morte de "apenas" uma pessoa já não está no topo da escala, passou a estar num nível mais abaixo.

Quantas vezes, ao viver uma situação de tristeza, não tentamos inconscientemente aumentar a nossa escala de Necessidades activa, para diminuir o sofrimento que sentimos.

Pensamos naqueles que estão pior do que nós, tentamos imaginar que poderia ser pior; em suma, tentamos alargar a nossa escala de Necessidades activas, de modo a que a Necessidade por satisfazer que causa o nosso sofrimento desça um pouco de nível, diminuindo com isso o sofrimento que sentimos.

Voltemos agora ao mundo ideal, com algum sofrimento mas em menor quantidade do que o nosso.

Para que este mundo tenha menos sofrimento temos duas hipóteses: ou existem menos Necessidades ou o seu grau de satisfação é maior.

Qualquer uma destas situações resulta numa escala de Necessidades activas de menor amplitude — a quantidade de Necessidades por satisfazer é menor.

No entanto, depois do que foi dito anteriormente, facilmente se verifica que qualquer criatura desse mundo que viva uma Necessidade por satisfazer do topo da sua escala, seja ela qual for, estará a sofrer intensamente.

Mesmo que esse sofrimento seja provocado por uma unha encravada, se for o topo da escala de Necessidades activas, será um sofrimento atroz.

Vemos situações destas todos os dias, especialmente com as crianças.

Uma criança que viva numa família estável, com um nível de vida médio ou elevado, vive num mundo semelhante ao mundo que dizemos ideal, com pouco sofrimento.

Com efeito, esta criança não conhece nenhum tipo de sofrimento que nós, adultos, dizemos ser elevado: não conhece a fome, a morte, a pobreza, a guerra nem nenhuma outra das desgraças do mundo.

No entanto não podemos dizer que essa criança não sofre; quando quer algo que não pode ter o seu sofrimento será extremamente elevado, essa Necessidade por satisfazer está no topo da sua escala pessoal.

Os pais dirão que é apenas uma birra, o sofrimento que o filho está a sentir não é nada comparado com o que existe à sua volta.

Na escala de Necessidades dos pais, que já conhecem muitos outros tipos de sofrimento, a falta desse brinquedo está no nível mais baixo, se é que chega a figurar nela.

Alternativamente, podemos imaginar um mundo em que a escala de Necessidades activas seja bastante alargada, mas em que os seus habitantes apenas vivam situações "a meio da escala".

O problema desta hipótese está em que para a escala das Necessidades activas ser alargada será necessária uma tomada de consciência das Necessidades que a compõem, caso contrário estas passarão a Necessidades adormecidas ou então nunca deixarão de ser Necessidades latentes.

Para uma Necessidade ser activa temos que tomar algum tipo de contacto com ela, seja porque foi uma Necessidade por satisfazer, mesmo que temporariamente, ou porque sabemos de alguém que a sofreu.

Se o conhecimento que temos dessa Necessidade é muito afastado, não será uma Necessidade activa.

Para qualquer um de nós, a necessidade que temos de um sistema solar estável é algo que está longe dos nossos pensamentos, é uma Necessidade latente muito reduzida; no entanto, se imaginarmos que o planeta Terra estará habitado pelos nossos descendentes daqui a alguns milhões de anos, quando se prevê que o Sol se expanda consumindo todo o sistema solar interior, esta Necessidade será fortíssima, estará certamente no topo da escala.

Eventualmente dirão: "Um terramoto ou uma guerra mundial até seria compatível com Deus, agora um conjunto de planetas consumido por uma bola de fogo ? Nunca !"

Em jeito de resumo podemos dizer que qualquer situação de Necessidade por satisfazer próxima do topo da escala de Necessidades activas será insuportável para quem a vive.

Por outro lado, a escala pessoal de Necessidades activas, que condiciona o sofrimento, é definida pelo sofrimento máximo que conhecemos.

Assim, num mundo em que haja sofrimento, por muito pouco que este seja, haverá necessariamente situações de sofrimento insuportável, do topo da escala do sofrimento, que serão consideradas por quem as vive como incompatíveis com Deus.


Conclusão

Prova-se assim que a existência de um mundo considerado bom pelos seus habitantes é logicamente impossível, pelo que um mundo considerado mau pelos seus habitantes não se torna incompatível com Deus.

O nosso mundo é considerado mau pelos seus habitantes; mas daí não se segue que é incompatível com Deus.

Faço notar, para finalizar, que o argumento que defendo apenas nos diz que o mundo que conhecemos é compatível com a existência de Deus.

Não podemos daqui inferir que Deus é bom, que Deus existe ou sequer que se Deus existisse, seria bom; não podemos a partir deste argumento justificar o mal que há no mundo, nem sequer concluir que o mundo é bom.

O argumento apenas nos diz que não podemos retirar do problema do mal, tal como enunciado no início, que Deus não existe.

A partir daqui podemos avançar para uma tentativa de justificar o sofrimento existente no mundo e, eventualmente, provar que este é o melhor mundo possível.

Este caminho será, mesmo com base no argumento exposto, extremamente difícil; apesar de termos demonstrado que o problema do mal não é conclusivo quanto à existência de Deus, este continua a ser extremamente forte.

Aquele que coloca o problema do mal poderá sempre dizer que, no mundo em que vivemos, as situações de sofrimento do topo da escala média dos humanos são muito mais frequentes do que o necessário.

Seria suficiente um terramoto de vinte em vinte anos para "alargar" a nossa escala de sofrimento, resultando isso num sofrimento médio mais reduzido.

Por outro lado, o crente poderá dizer que não é bem assim, que nos parece a nós que o sofrimento é todo do topo da escala porque, em face de situações de sofrimento elevado, temos tendência para esquecer o sofrimento mais reduzido.

Podemos agora dizer, seguramente, que um mundo com mal é compatível com Deus; mas será que podemos dizer que o nosso mundo, com o mal que nele existe, também o é?

Fica a pergunta, faltam as respostas.

"

Leituras:

  • Richard Swinburne - "Por que Razão Deus Permite o Mal" in "Será que Deus Existe ?", Cap. 6 (Gradiva, 1998)
  • Brian Davies - "God and Evil" in "An Introduction to the Philosophy of Religion", cap. 3 (Oxford University Press, 1993)
  • J.L. Mackie - "The Miracle of Theism" (Oxford, 1982)

Fonte: Crítica na rede | O problema do mal

 

Palavras-chave: deus, filosofia, problema do mal, religião

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 0 comentário

junho 26, 2010

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1. Mensagens não permitidas 

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6. Regras sujeito a mudanças se a situação assim exigir.

Palavras-chave: jesus, moderação, religião

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes em Jesus Cristo | 0 comentário

maio 06, 2010

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Notícia tarda mas não falha. Que pena que ela passou despercebida durante estes meses.

A animação The Secret of Kells foi indicada ao Oscar de 2010 de Melhor Animação. A história é sobre um menino em busca do famoso Livro de Kells, também conhecido como Grande Evangeliário de São Columba.

Segue abaixo o trailer:

O legal para a comunidade de software livre é que algumas das cenas foram feitas utilizando o software Blender, conhecida ferramenta livre para modelagem e criação em computação gráfica.

Fica então a dica para você falar para aquele seu amigo artista que reclama de ferramentas não-proprietárias: temos software livre bom sendo usado em produções que concorrem ao Oscar!

E cabe aqui, ao final deste texto, uma crítica: que pena que essa notícia chegou a nós apenas agora. Um pouco mais de divulgação na época da corrida pelo Oscar teria dado uma maior visibilidade ao Blender.

Postado por Filipe Saraiva em Software Livre na USP | 0 comentário

maio 05, 2010

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Pessoal,

Para quem não souber disponibilizamos mirror de alguns softwares em
http://linorg.usp.br/

O Site www.linorg.usp.br é a pagina web com informacoes mas esta
desatualizada.

Para Debian estaremos em breve listados como mirror na lista deles,
por enquanto do o http://sft.if.usp.br./ como confiável.

 

Palavras-chave: Mirror software livre

Postado por Nelson_Y em Software Livre na USP | 0 comentário

abril 21, 2010

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Postado por Equipe Stoa

Neste fim de semana o datacenter da USP vai passar por uma manutenção. Já que os servidores do Stoa estão hospedados neste datacenter, pretendemos desligar o serviço sexta-feira dia 23 às 23h55 e re-ligar no sábado dia 24 ou no domingo dia 25.

Junto com o Stoa, todos os serviços corporativos (Júpiter et al.) e o site principal da USP devem ficar fora do ar.

Veja o email do CCE:

A nova data para a manutenção é 24/04 e 25/04, sábado e domingo. Será 
instalado o barramento blindado no painel de comando automático do grupo
gerador diesel do IDC do CCE, dando continuidade às obras de ampliação de 
infra-estrutura elétrica.
 
Para a execução desse procedimento o fornecimento de energia elétrica terá 
que ser interrompido no CCE.
 
[...]
 
Resumindo:
-->Servidores e sistemas do IDC-CCE: desligados às 7h e religados às 14h
 do dia 24/04. 
-->Rede: inoperante entre 9h e 9h30 e ente 13h30 e 14h do dia 24/04

Palavras-chave: CCE, DI, IDC, manutenção, Stoa

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abril 16, 2010

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Neste final de semana o Júpiter, Fẽnix, Marte e outros sistemas corporativos da USP vão sair do ar. Veja o email: 

Prezados Senhores.  

Nos próximos dias 17 e 18 de abril (sábado e domingo respectivamente) 
faremos manutenção nos Servidores de Bancos de Dados Corporativos. 

Em decorrência, os serviços oferecidos pelos sistemas corporativos
(www.sistemas.usp.br) e sistemas Marte, Mercúrio, Júpiter e Fênix ficarão
indisponíveis durante o período das 8h00 do dia 17 até às 20h00 do dia 18.

Agradecemos a compreensão. 

Atenciosamente,

Departamento de Informática

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abril 05, 2010

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Atualizado 7/4: manutenção cancelada

O CCE cancelou a manutenção do datacenter da USP e o Moodle do Stoa estará disponível normalmente neste final de semana

Um importante aviso:

O Moodle do Stoa estará indisponível de sexta-feira dia 9 às 23h30 até segunda-feira dia 11 às 8h (O datacenter da USP vai passar por uma manutenção neste final de semana. Todos os sistemas da USP passarão por períodos de indisponibilidade.

Veja o email do CCE:

Informamos que nos dias 10/04 e 11/04 ocorrerá uma manutenção na infra-estrutura elétrica do IDC-CCE para  a instalação do barramento blindado no painel de comando automático do grupo gerador diesel.
Para a execução desse procedimento, o fornecimento de energia elétrica será totalmente interrompido e todos os equipamentos, dispositivos e sistemas serão desligados.

Sistemas afetados: TODOS que estão no IDC do CCE, inclusive DNS, sistema de email e sistemas administrativos.
Rede: TODOS os dispositivos de rede que estão no CCE serão desligados.

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fevereiro 21, 2010

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O Stoa, o Moodle do Stoa e o Wiki do Stoa ficaram agora a pouco fora do ar. A indisponibilidade foi da aproximadamente 18h20 até 19h, domingo dia 21/2. Estamos investigando o que ocorreu.

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fevereiro 05, 2010

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Bem-vindos ingressantes da USP!

Vejam o "Mini" manual com dicas para recém ingressantes  dicas de sobrevivência imprescindível.

O manual foi iniciado pela Andréa e agora é um documento colaborativo que todos podem editar.

O texto pode ser re-distribuído e re-usado sob as condições da licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial

Palavras-chave: notícias

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janeiro 18, 2010

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dezembro 15, 2009

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Nestes dias, segunda-feira e terça-feira, o acesso ao sistema pode ser intermitente.

Palavras-chave: notícias

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novembro 28, 2009

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Acabo de instalar a extensão "Coleções" no Wiki do Stoa, que permite transformar páginas do nosso Wiki para o formato PDF. Veja o resultado para este página

Além disso também é possível juntar vários páginas do Wiki numa coleção (ou livro). Veja a documentação para usuários da extensão no Mediawiki.

Nota para administradores de outros Mediawikis: é extremamente fácil instalar esta extensão: baixei o código no diretório extensions,

cd extensions/
svn co http://svn.wikimedia.org/svnroot/mediawiki/trunk/extensions/Coll

e configurei LocalSettings.php assim

 

require_once("$IP/extensions/Collection/Collection.php");
$wgCollectionFormats = array(
                             'rl' => 'PDF',
                             'odf' => 'ODT',
                             'xhtml' => 'XHTML'
                             );

$wgGroupPermissions['user']['collectionsaveasuserpage'] = true;
$wgGroupPermissions['user']['collectionsaveascommunitypage'] = true;

A renderização do PDF e ODF é feito tudo nos servidores do PediaPress.

Palavras-chave: notícias, stoa

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novembro 18, 2009

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Veja o email  que o Fábio de Castro do CCE mandou às 14h39 do dia 18/11, explicando o que aconteceu.

informamos que desde as 13:26 hs estamos enfrentando problemas no acesso à Internet.

Esta conexão primária, provida pela FAPESP, é realizada através de fibras ópticas da AES Eletropaulo e CTBC Telecom, as quais estão instaladas sobre multiplexadores ópticos (mux DWDM).

Sempre que ocorre falha em uma fibra é realizada a comutação automática para a fibra reserva. Neste caso, ocorreu falha da fibra ou transponder (interface óptica do mux DWDM) e ao comutar para a fibra reserva, esta também apresentou falha.

A 1a falha está sendo analisada pela equipe técnica da NARA/FAPESP e Terremark, e a 2a falha está sendo corrigida pela CTBC com previsão de restabelecimento às 15h00.

Como é do conhecimento da grande maioria, a USP possui como acesso primário a FAPESP, acesso secundário RNP e acesso alternativo para provedores presentes no PTTMetro.

Tanto a USP como a RNP utilizam o canal óptico existente entre USP e Terremark, portanto com a indisponibilidade deste, o acesso primário e secundário passam a ser afetados. Neste caso, o acesso à Internet está restrito aos provedores que fazem parte do PTTMetro (vide ptt.br -> participantes).

Estamos aguardando um novo posicionamento da FAPESP, e paralelamente, estamos procurando viabilizar o acesso à Internet via RNP (ponto de presença do RJ - canal Embratel).

ASAP, repassaremos novas informações.



Atenciosamente,


Fábio Carneiro de Castro
Seção Técnica de Configuração
Divisão de Redes
Centro de Computação Eletrônica - USP

Palavras-chave: internet da USP

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novembro 16, 2009

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Veja o email do CCE:

amanhã, dia 17/11/2009, a partir das 22:00, será feito um procedimento 
do manutenção no IDC do CCE. Durante esta manutenção, todos os serviços 
hospedados no IDC ficarão temporariamente indisponíveis, [...]
A janela de manutenção é até as 23:00, e é esperado um período de 
indisponibilidade de 15 minutos dentro desta janela.

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novembro 01, 2009

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Num mundo onde a tecnologia e a ciência têm se tornado a palavra final para muitos assuntos, pouquissimos instruidos nas vertentes do conhecimento humano têm gasto seu tempo pra pensar no significado e nas consequências do tamanho aumento do conhecimento humano.

Longe de menosprezar a maravilha que é a construção desse conhecimento, devemos nos precaver das armadilhas que a tentação de poder causa naqueles que o detêm, exatamente peso em importância que possue tal matéria.

Esse texto extraido da Revista Eletrônica Espiral, publicado pela ECA-USP ( Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo ), diz um pouco dessas consequências - senão a primeira delas.

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"

O termo fundamentalismo científico designa a atitude de colocar a ciência e a opinião dos cientistas  como verdades incontestáveis.  Seus principais representantes não são charlatões ou jornalistas que ignoram mas escrevem sobre ciência.

Ao contrário, muitos fundamentalistas científicos são cientistas de renome.

A palavra fundamentalismo tem um sentido parecido com radicalismo. Fundamentalismo é a fidelidade aos fundamentos de uma teoria, ideologia ou crença. Já o radicalismo vem da palavra raiz onde esta última também tem o sentido de fundamento. Os adjetivos fundamentalista e radical são positivos se tomados etmologicamente. Mas o sentido que estas palavras tem hoje em dia é depreciativo. Ser fundamentalista ou radical significa defender uma idéia de forma estreita e irracional, sem adaptações, atacando qualquer pessoa que discorde dela. Destacam-se hoje em dia o fundamentalismo religioso, político e científico. O fundamentalismo religioso moderno caracteriza-se por uma interpretação literal de textos sagrados (Bíblia e Alcorão respectivamente para os fundamentalismos cristão e islâmico). Já o fundamentalismo político é marcado pela tentativa de aplicação de ideologias políticas e sociais por meios não democráticos como golpes de estado, extermínio de populações, sequestros de figuras públicas, etc. No fundamentalismo científico o que mais chama a atenção é a tentativa de qualificar a ciência como perfeita e desqualificar todo e qualquer conhecimento não científico.

O procedimento adotado por teólogos e cientistas políticos no combate aos fundamentalismos religioso e político é exibir os princípios respectivos de suas religiões e teorias políticas. Os cientistas e os divulgadores de ciência precisam seguir os mesmos passos para desmascarar o fundamentalismo científico. Explicando o que é ciência, desmonta-se o discurso fundamentalista. O que é ciência ?

A ciência e o método científico

Sem pretensão de fornecer uma resposta definitiva, ciência é o conhecimento obtido graças ao método científico. Esta resposta pode parecer ingênua, mas ela é um lembrete de que a ciência é metódica. Embora a aplicação do método científico seja muito ampla, não existe ciência anárquica ou alternativa. Mas o que é o método científico.

Há muitas definições de método científico. Novamente sem grandes pretensões de fornecer respostas definitivas, o método científico pode ser definido como elaboração de hipóteses para explicar determinado fenômeno seguida de coleta de dados experimentais para confirmar ou negar cada hipótese. As hipóteses confirmadas formam o conhecimento científico. Para ilustrar a ciência e seu método é possível citar a ``lei da queda dos corpos'' e a "teoria atômica''.

O filósofo grego Aristóteles (séc. IV a.C.) acreditava que os corpos mais pesados caiam mais rápido que os mais leves.

Já Leonardo da Vinci (sécs. XV e XVI) propôs a hipótese de que o peso não afetava as velocidades dos corpos. Era a resistência do ar que podia tornar a queda mais suave ou até sustentar um corpo. Usando este princípio, Leonardo projetou (sem construir) o para-quedas, o helicóptero e diversas máquinas voadoras. Ele também propôs uma fórmula matemática para descrever como a velocidade de queda dos corpos variava com o tempo na ausência da resistência do ar. Outro italiano, Galileu Galilei (sécs. XVI e XVII), fez diversos diversos experimentos envolvendo planos inclinados. Ele testou e confirmou experimentalmente a hipótese de Leonardo.

Mas os experimentos também revelaram que a fórmula de Leonardo para a velocidade estava errada. Galileu supôs outra fórmula que os experimentos confirmaram. Galileu é considerado um dos primeiros cientistas da história, no sentido de pessoa que usou o método científico para tirar suas conclusões. Leonardo também foi um exímio observador da natureza, mas faltou a ele o rigor metódico de Galileu.

Os filósofos gregos Leucipo de Mileto e seu discípulo Demócrito de Abdera (sécs. V e IV a.C.) postularam que todas as coisas eram formadas por partículas indivisíveis, em grego, átomos. O filósofo Epicuro aperfeiçoou a filosofia atomista, mas depois que as idéias de Aristóteles se tornaram mais populares, o atomismo foi abandonado. Retomado por filósofos árabes e posteriormente por alguns alquimistas, o atomismo continuou sendo uma tese filosófica. Foi o inglês John Dalton (séc. XIX) que tratou a idéia de átomo como uma hipótese a ser testada cientificamente.

Ao analisar diversos experimentos envolvendo difusão de gases em líquidos e medida da pressão em misturas gasosas, Dalton confirmou a hipótese de que toda a matéria era formada por partículas. Como os experimentos da época não revelavam que estas partículas podiam ser divididas, ele as chamou de átomos. Experimentos posteriores revelaram que a partícula de Dalton não era indivísivel. A partícula ``descoberta'' por Dalton continuou sendo chamada de átomo, mas a hipótese dela ser indivisível foi descartada.

Voltando ao tema deste artigo, o fundamentalismo científico omite a possibilidade e necessidade de experimentação e ainda a revisão das hipóteses por novos experimentos. Nem toda a hipótese pode ser testada experimentalmente. Por exemplo, supondo que Deus existe, como fazer um experimento que teste esta hipótese ? A ciência não pode afirmar nem negar a existência de Deus. Questões de cunho religioso em geral não podem tratados pela ciência, nem confirmando, nem negando.

Mesmo as hipóteses que podem ser testadas nem sempre o são, seja por razões tecnológicas, seja pelo custo financeiro do experimento. Para citar um exemplo famoso, Einstein propôs os princípios do que seria o laser em 1916. Mas o experimento só pode ser realizado em 1953.

E até as hipóteses testadas e confirmadas podem ser descartadas, pelo menos parcialmente, por novos experimentos. Todo o conhecimento científico de hoje em dia ``pode'' simplesmente estar errado. Novos experimentos poderão revelar que as hipóteses se confirmaram porque os aparatos experimentais não foram tão precisos. Por exemplo, a lei da queda dos corpos de Galileu continua sendo confirmada em experimentos nas proximidades da crosta terrestre. Já a indivisibilidade do átomo de Dalton foi descartada por experimentos posteriores.

Um jornalista ou escritor que apresenta um tópico de ciência sem fazer referências aos experimentos, mesmo se tratando de fatos devidamente comprovados, não está fazendo divulgação científica. Ele está propagando o fundamentalismo científico!

 Precedentes históricos do fundamentalismo científico

O fundamentalismo científico não é um fenômeno novo. O mesmo Galileu Galilei que testou tão rigorosamente suas hipóteses, tratou a afirmação de que a Terra gira em torno do Sol como uma verdade absoluta. O Papa Urbano VIII, considerado pela Igreja Católica Apostólica Romana como representante terrestre de Jesus Cristo (chamado de galileu em alguns trechos da Bíblia), entendeu melhor do que Galileu Galilei o caráter não fundamentalista do conhecimento científico. O Papa propôs a Galileu Galilei que apresentasse o heliocentrismo como hipótese que simplificava cálculos astronômicos. A visão deste papa se adequa a descrição do movimento como dependente do referencial. No referencial da Terra é o Sol que se move. Porém, o visão ampla de Urbano VIII não era a mesma dos inquisidores, mas isso é outra história ...

Assim como Galileu Galilei, outros cientistas de renome assumiram uma postura fundamentalista. John Dalton rejeitou a idéia que existissem partículas menores do que seu átomo, Albert Einstein nunca aceitou os postulados da Mecânica Quântica, etc.

 Fundamentalismo Científico e Pseudociência

Um dos objetivos da divulgação científica é denunciar as idéias apresentadas como sendo científicas sem serem de fato. O termo genérico dado a estas idéias é pseudociência, onde o prefixo grego pseudo significa falso. Geralmente apenas as teorias apresentadas por charlatães é classificada como pseudociência. Citando exemplos populares de teorias pseudocientíficas, a realidade é produto de nossa consciência (comprovado pela Mecânica Quântica), a água pode gravar nossos estados emocionais e o congelamento deste líquido fornece provas disso, a água em contato prolongado com ímãs adquire poderes curativos, a teoria do design inteligente, o criacionismo, a teoria da Terra Oca, a origem atlante dos povos indo-europeus, etc. Não existem provas de nenhuma destas hipóteses. E muitas pessoas desonestas lucram alto com estas ``teorias'', vendendo livros, lançando documentários, etc. Mas por que interromper este texto sobre fundamentalismo científico para falar de pseudociência ? Porque o fundamentalismo científico poderia ser classificado como pseudociência.

Ao fazerem afirmações polêmicas como ``Deus não existe'', ``a religião é prejudicial à humanidade'', ``não há vida depois da morte e nem em outros planetas'' entre outras, os fundamentalistas ficam famosos e ganham espaço na mídia. Todos os ativistas anti-religiosos se juntam a eles e a ciência é apresentada como a verdade que veio varrer todas as crenças. Em contrapartida, os fundamentalistas religiosos se aglutinam para contestar os fundamentalistas científicos e apresentam a ciência como algo diabólico. E surgem debates infindáveis onde ninguém quer ouvir, apenas falar. Explode o ódio irracional incompatível tanto com o amor pregado pela religião como pela razão defendida pela ciência. Cada fundamentalista agrada seu respectivo público. Todos ganham exceto a ciência.

Mostrar o fundamentalismo científico como pseudociência é difícil justamente porque o primeiro ataca o segundo. Eis algumas características da pseudociência que também caracterizam o discurso fundamentalista:

  • respostas prontas para questões que sequer podem ser testadas experimentalmente, como por exemplo especulações de religiosos, dilemas filosóficos, etc.
  • apresentação da ciência como conhecimento definitivo, ignorando-se a evolução histórica desta.
  • omissão dos fundamentos filosóficos da ciência ou de qualquer reflexão sobre a mesma como por exemplo as apresentadas por Karl Popper, Thomas Kuhn, Paul Feyerabend, Gaston Bachelard, etc.
  • apresentação idealizada de cientistas como homens sem crenças, sem ideologias, sem interesses políticos e imparciais cujo o único ponto de partida de suas declarações é a ciência.

Apesar de tudo o que foi escrito neste texto, a grande dificuldade em lidar com o fundamentalismo científico não está em sua caracterização. A tentação narcisista do cientista e do divulgador em apresentar-se como o sábio que tem as respostas é o fundamento do fundamentalismo científico. E "talvez'' a vitória sobre estas tentações sejam um dia alcançadas pela própria ciência.

"


Texto original do *Dr. Leonardo Sioufi Fagundes dos Santos, publicado na Revista Eletrônica Espiral.

 

* Bacharel, Mestre e Doutor em Física pelo Instituto de Física da USP e pós-graduado em Matemática Pura pelo Instituto de Matemática e Estatística da USP

 

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Críticas de qualquer categoria são bem vindas, mas dado o carater polêmico de tal assunto, apelo para o bom senso e boa educação daqueles que desejam manter um canal de comunicação como o STOA com o nível de qualidade que é adequado á um meio de comunicação feito por universitários e acadêmicos.

A sociedade espera isso de todos nós.

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 2 comentários

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