As imagens dos presos torturados em Santa Catarina trazem à mente a velha pergunta de como é possível que tais situações ocorram. Não tenho os detalhes sobre esse caso específico, mas normalmente as investigações acabam por revelar que os perpetradores dos atos agressivos são pessoas de bem em sua vida cotidiana, bons maridos, pais presentes, gente comum.
Ocorre que em ambientes nos quais há uma cisão muito marcada entre "nós" e "eles", as pessoas desenvolvem rapidamente um sentido de identificação com seu grupo imediato e hostilização do "outro". Some-se a isso o elemento mocinho versus bandidos e está criada a chancela para que a violência intergrupos se desenvolva num crescente que chega à beira da insanidade.
No começo dessa década o diretor alemão Oliver Hirschbiegel levou para as telas o estudo psicológico clássico da Prisão de Stanford, realizado em 1971 por Philip Zimbardo, (Veja cenas) no qual no qual voluntários previamente desconhecidos foram alocados num galpão que fazia as vezes de prisão, e divididos em dois grupos - os prisioneiros e os guardas (A experiência, 2001). Embora não houvesse criminosos reais, os poiliciais fossem "de mentira" e as agressões fossem proibidas, o estudo teve de ser interrompido antes do fim da primeira semana por conta da escalada de violência que ameaçava a integridade dos participantes.
Não desculpa os envolvidos, mas explica em parte como essas situações se constroem, e ajuda a pensar caminhos para reduzir sua ocorrência, como ter observadores independentes atuantes, rodízio de funcionários, mecanismos de controle externo etc.
Este post é Domínio Público.

Comentários
ubhbcxg escreveu:
tNbuBE , [url=http://rpzdimjhpyen.com/]rpzdimjhpyen[/url], [link=http://oxwwrgesqwpo.com/]oxwwrgesqwpo[/link], http://ckvahctowsow.com/