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Setembro 07, 2011

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É com grande alegria que anuncio aos leitores do Psiquiatria e Sociedade que ele está de mudança. A partir desse post ele passa a ser veiculado no Portal do Estadão.
O generoso convite partiu da jornalista Cláudia Belfort, diretora de conteúdo digital do Grupo Estado, e me encheu de honra e de responsabilidade. Acredito que a melhor maneira de agradecer será manter a regularidade dos textos e continuar estimulando o diálogo entre as ciências da mente e o dia-a-dia das pessoas, missão primeira desse blog.

Aguardo todos na casa nova. Clique AQUI  para fazer uma visita!

 

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Junho 23, 2010

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Olá,

Em virtude do credenciamento do blog Psiquiatria e Sociedade na Researchblogging.org, que certifica blogs científicos internacionalmente, nosso endereço mudou para:

http://psiquiatriaesociedade.wordpress.com/

Aguardo você por lá.

Daniel Martins de Barros

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Março 02, 2010

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Os pesquisadores estão cansados de mostrar que uma coisa é perguntar no laboratório “O que você faria em tal situação”, e outra bem diferente é ver o que acontece na prática. As pessoas dão menos dinheiro do que imaginam que dariam, os religiosos ajudam os outos menos do que aconselham que se faça e assim por diante.

Agora os economistas, que adoram aplicar fórmulas na previsão e análise de comportamentos humanos, resolveram analisar diferenças surgidas na vida real.

Comparando os dados de mortalidade de dois grandes naufrágios ocorridos no início do século XX (o famoso Titanic e o de um navio chamado Lusitania, que afundou três anos depois), os pesquisadores perceberam que havia muita diferença entre quem viveu e quem morreu em cada um dos casos. No Lusitania, homens jovens tiveram chance 7,9% maior de sobreviver do que os outros passageiros, enquanto no Titanic tiveram 6,5% mais chance de morrer. As crianças, por sua vez, tinham 30,9% mais chance de sair com vida do Titanic do que adultos acima de 35 anos, mas não tiveram vantagem alguma no Lusitania. Mulheres, finalmente, tinham probabilidade 53% maior do que os homens de sobreviver no Titanic, contra 11% no Lusitania.

Feitas as análises estatísticas, a maior diferença entre os dois casos foi o tempo de tragédia: o Titanic levou duas horas e quarenta minutos para afundar, enquanto o Lusitania submergiu totalmente em dezoito minutos. Para os economistas essa é a chave da diferença: com tempo escasso, valeu a lógica do salve-se quem puder, possivelmente numa reação instintiva de sobrevivência diante da descarga de adrenalina. Com mais tempo para pensar e agir, no Titanic o “salve-se quem puder” deu lugar ao “mulheres e crianças primeiro”, explicando as distintas chances de sobrevivência nos dois casos.

A hipótese de que a primeira reação de manter a própria sobrevivência foi seguida por uma racionalização de autossacrifício pelo próximo é plausível do ponto de vista neurocientífico: os reflexos instintivos são muito mais rápidos em nosso cérebro, mas a atividade do córtex é mais lenta. E é justamente essa a parte “civilizada” do nosso cérebro, sobretudo na região pré-frontal, que nos ajuda a antever consequências, planejar atitudes etc.

Ou seja, não é vergonha nenhuma ter uma reação imediata egoísta, desde que, pensando melhor, consigamos superar nossos instintos, com as atitudes altruístas que são (ou deveriam ser) parte essencial de nossa “racionalidade”.

 

(1) Frey, B., Savage, D., & Torgler, B. (2010). Interaction of natural survival instincts and internalized social norms exploring the Titanic and Lusitania disasters Proceedings of the National Academy of Sciences DOI: 10.1073/pnas.0911303107

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Fevereiro 23, 2010

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Sabe o que você vai fazer assim que acabar de ler esse texto? Não, você não sabe. Nem eu, mas a matemática é capaz de prever.

Embora nós gostemos de achar que somos dotados de pleno livre-arbítrio, a verdade é que, se nossas ações não são pré-determinadas, são - para dizer o mínimo - muito previsíveis.

Acaba de ser publicado um estudo mostrando que nossos movimentos são até 93% previsíveis - isso usando uma base da dados de apenas 3 meses. A partir dos dados recolhidos de cinquenta mil telefones celulares, os cientistas conseguiram montar um padrão dos movimentos das pessoas, sendo capaz de prever em até 9 de 10 vezes onde eles estariam num determinado momento. Mais do que isso, a previsão é possível não apenas para os dias da semana - compreensivelmente mais previsíveis - mas também para os sábados e domingos; claro que, dependendo do horário (como hora do almoço) e dia, como finais de semana, o padrão é menos fixo, mas ainda assim chega a 70% a margem de acerto.

Vale a ressalva óbvia de que as previsões são estatísticas, e não significa que estamos predestinados a ir para casa ou para o trabalho exatamente no mesmo horário nos mesmos dias. Sempre é possível resolver dar o cano na empresa ou fazer uma happy hour antes de voltar ao lar. O que o estudo deixa claro no entato, é que, embora possível, é bem pouco provável.

Palavras-chave: comportamento, matemética, probabilidade, psicologia social

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Fevereiro 16, 2010

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Atribui-se a uma passagem de As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, a primeira descrição da Demência de Alzheimer – numa das ilha que o protagonista visita há seres que não morrem. O que inicialmente o viajante toma por benção revela-se uma verdadeira maldição: as pessoas envelhecem, envelhecem e seguem envelhecendo, perdendo funções, reduzindo sua vitalidade, sem ter o alívio final da morte. A narrativa do início do processo, particularmente no que se refere às capacidades cognitivas, assemelha-se bastante à demência que anos mais tarde vitimaria o próprio Swift.

Esse é apenas um dos muito exemplos de que a literatura tem uma profunda relação com a Psiquiatria, aliás, numa via de mão dupla.

Lançado esse ano, o livro Aqueronte, o rio dos infortúnios, da jornalista Cláudia Belfort, adentra essa mata densa da interface entre as letras e a loucura. E loucura é o termo correto – na acepção foucaultiana do termo, abarcando não apenas os pacientes com transtornos mentais, mas os desajustados e marginais, interrelacionando pessoas e patologias, desajustes e sofrimentos. Como um de seus personagens, a autora se inspira em figuras reais, utilizando não os fatos brutos, mas suas “íntimas sutilezas” para acender uma lanterna em meandros escuros da existência. As descrições vão de uma internação psiquiátria à narrativa da morte do ponto de vista do próprio moribundo, passando por um escritor deprimido e sua personagem em crise, pela genética e pela sociedade.

Obras como são muito bem vindas, pois o próprio mundo acadêmico tem se redescoberto a importância da literatura para a medicina em geral – psiquiatria em particular – como atesta o editorial “Literature and Psychiatry”, de 2002, publicado no Pychiatric Bulletin pelo professor da Universidade de Birmingham, Femi Oyebode. Com atraso, na verdade, pois em 1907 Freud já dissera que “o escritor criativo não pode esquivar-se do psiquiatra, nem o psiquiatra esquivar-se do escritor criativo”. Mais claro, impossível.

Palavras-chave: artes, Freud, Literatura, psiquiatria

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Fevereiro 10, 2010

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Mais lenha acaba de ser adicionada à fogueira acesa por Dostoievski: seria verdade que, se Deus não existe, tudo é permitido?

Essa semana uma cientista finlandesa e um americano publicaram um artigo comentando diversos estudos sobre psicologia moral e religião, argumentando que é que a moralidade é independente (e anterior) à religiosidade (Pyysiäinen, I., & Hauser, M. (2010). The origins of religion:evolved adaptation or by-product? Trends in Cognitive Sciences).

Para variar, minha opinião tem tudo para desagradar os dois lados.

Como comentado em post anterior, até os ratos sabem o que é certo – existe um senso de cooperação, que é um dos componentes da ética, em animais muitíssimo anteriores na escala evolutiva, que não têm qualquer esboço de religiosidade (a não ser que O guia do mochileiro das galáxias seja não-ficção). Logo, me parece evidente que elementos cognitivos nos trazem um senso de certo e errado muito antes de haver crenças religiosas.

No entanto, não é possível a um observador (tentanto ser) neutro negar outro fato:  desde a Grécia antiga já vigia como parâmetro ético a Regra de ouro, ”não faça para os outros o que não gostaria que fizessem para você”, regra presente com diferentes formulações nas mais diversas culturas. O advento do cristianismo, contudo, elevou o patamar moral ao transformar o princípio que era passivo – não fazer algo – em ativo: faça para os outros o bem, independente de seus méritos (“ama o teu inimigo”). Muitos não entendem que “amar” não significa gostar ou ter apreço (o que tornaria essa máxima puro non sense)  mas quer dizer trabalhar ativamente para o bem de todos, independente dos seus méritos. Tal princípio foi de tal forma enraizado na cultura ocidental que mesmo os que buscam uma ética ateia não podem prescindir deste aspecto pró-ativo da moral.

Ou seja, a mim me parece claro que moralidade, lato sensu, é anterior à religião, fincada evolutivamente em nosso cérebro dadas as vantagens de sobrevivência grupal que nos trouxe. A nossa moral coletiva, no entanto,  nosso senso ético,  já não é separável da influência religiosa, sejamos crentes ou não.

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Fevereiro 03, 2010

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A moralidade é um tema difícil de ser científicamente estudado, já que o viés cultural envolvido é enorme. O que é certo em um lugar é errado em outro, e dentro de um mesmo lugar as coisas mudam ao longo do tempo. O imoral ontem é permitido hoje - e amanhã pode vir a ser obrigatório.

Jonathan Haidt, da Universidade de Virgínia, se propôs a desenvolver uma teoria dos fundamentos da moral (www.moralfoundations.org), e encontrou cinco domínios que diferenciam o certo do errado para os seres humanos, provavelmente selecionados ao longo da evolução por nos permitirem chegar até aqui (Haidt J. The new synthesis in moral psychology. Science, 316, 998-1002):

1-Dano e cuidado, 2-Justiça e reciprocidade, 3-Lealdade intragrupo, 4-Respeito pela autoridade, 5-Pureza e santidade.

Parece lógico que quem não praticava cuidados, não era leal, não evitava sujeira e assim por diante, foi ficando pelo caminho, sobrevivendo os que tinham tais comportamentos.

Dentre esses fatores, o segundo acaba de ser identificado em mamíferos bastante distantes de nós, humanos.

Neurocientistas portugueses mostraram que ratos aprendem a cooperar entre si, evitando punições e aumentando suas recompensas (Viana DS, Gordo I, Sucena E, Mota M. Cognitive and Motivational Requirements for the Emergence of Cooperation in a Rat Social Game PLoS One. 2010; 5:e8483).Utilizando o modelo da teoria dos jogos conhecido como tit for tat, algo como "pagar na mesma moeda", descobriram não apenas que os ratos logo começavam a cooperar, em vez de competir, mas que guardavam na memória o comportamento anterior do seu oponente e qual a consequência para ele mesmo, ajustando sua atitude em função dessas variáveis. Ou seja, o senso de justiça e reciprocidade é útil há muito mais tempo do que se imagina, fincando raízes biológicas em nossos comportamentos desde as priscas eras.

No filme de 1970 "O garoto selvagem", de François Truffaut, um cientista assume a educação de uma criança encontrada na selva, e num determinado momento pune-o por uma tarefa realizada adequadamente, apenas para ver se ele se sentiria injustiçado. Sua revolta convence o pesquisador de que, mesmo tendo crescido entre animais, existe nele um senso de justiça.

É por isso que mesmo nós, que por vezes agimos como verdadeiras bestas feras, sabemos quando pisamos na bola.

Palavras-chave: Cinema, François Truffaut, moralidade, Psicologia Cognitiva, Teoria dos jogos

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Janeiro 26, 2010

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As tempestades que vêm caindo sobre o sudeste são fonte de grande estresse, não apenas pelos transtornos que causam, mas também pelo alto grau de imprevisibilidade que ainda cerca a meteorologia e, ainda mais, por nossa impotência diante das chuvas.

Sabe-se que uma das maiores causas de estresse e a sensação de falta de controle sobre as situações,fato conhecido há mais de 30 anos, desde que Langer e Rodin conduziram um experimento num asilo, com dois grupos de velhinhos: ambos receberam uma planta de presente, mas para um foi pedido que cuidasse das plantas, alem de oferecido para que escolhessem uma noite da semana para assistir a filmes, enquanto para outro foi dito que a enfermagem cuidaria de suas plantas, sendo arbitrariamente escolhida a noite deentretenimento. O final da historia foi que os velhinhos com mais autonomia ficaram mais alegres, mais saudáveis e, alem de tudo, morreram menos do que seus colegas. (Langer EJ, Rodin J. The effects of choice and enhanced personal responsibility for the aged: a field experiment in an institutional setting. J Pers Soc Psychol. 1976 Aug;34(2):191-8.)

Alem de estresse, no entanto, experiência recente mostra que a sensação de falta de controle também dá margem ao surgimento de superstições e pensamento mágico.

Os cientistas Whitson and Galinsky colocaram voluntários diante de um padrão de letras aleatoriamente gerado por computador, pedindo a eles que descobrissem qual era a regra implícita. Na verdade não havia regra nenhuma, mas para metade dos indivíduos o computador dizia se eles estavam acertando ou errando, o que lhes dava a sensação de não estar no controle. A outra parte não recebia feedback algum, o que lhes permitia achar que estavam apenas identificando o a regra, tendo assim maior sensação de controle. Na sequência, todos foram apresentados a imagens pontilhadas, algumas com desenhos formados pelos pontos, outras sem nenhuma imagem subjacente. Quase todos identificaram a imagem quando havia uma, mas as pessoas do grupo com menos controle tendiam a ver mais desenhos onde não havia nenhum (Whitson JA, Galinsky AD. Lacking control increases illusory pattern perception. Science. 2008 Oct 3;322(5898):115-7.). Para os pesquisadores, a falta de autonomia gera uma ansiedade que leva as pessoas a procurarem algum padrão, mesmo que ilusório, reduzindo a aleatoriedade em seu contexto.

Imprevisibilidade e ausência de controle levando a estresse e superstição. Deve ser por isso que, desesperadas, algumas autoridades publicas firmem convênios com médiuns para tentar o controle das tempestades.

Palavras-chave: autonomia, estresse, psicologia

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Janeiro 19, 2010

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Se você já assistiu Avatar e se impressionou com o realismo das imagens em 3 dimensões agradeça à sua natureza carnívora. Pode parecer contraditório com a mensagem algo new age do filme, mas a verdade é que a ilusão de imagens em 3D só é possível devido à configuração do aparelho visual humano,  característica dos animais predadores.

Pode reparar: peixes, bois, tucanos, cavalos, todos têm os olhos na região lateral da cabeça, dando uma visão muito ampla do do ambiente. Isso acontece porque, por serem presas, eles precisam estar atentos aos predadores que se aproximem. Já tubarões, leões, águias, crocodilos, homens, têm os olhos na frente da cabeça; predadores que são, precisam identificar a presa e dar o bote certeiro. Para isso precisam ter uma noção correta de perspectiva, calculando a distância do seu alvo.

A visão em profundidade acontece porque cada um dos olhos vê as imagens por um ângulo ligeiramente diferente (se você fechar um olho de cada vez olhando para o seu dedo irá perceber). O cérebro recebe as duas imagens planas e, fundido-as, compõe uma cena tridimensional, já com a profundidade ajustada. Se a cena está longe, no entanto, os olhos não percebem diferenças significativa entre seus ângulos; é por isso que paisagens distantes parecem mais planas e chapadas do que os detalhes de nossa mão, por exemplo. Esse fenômeno é chamado estereopsia, e o cinema 3D o imita por uma técnica conhecida como estereoscopia: na tela são projetadas duas imagens ao mesmo tempo, tomadas com pequena diferença de ângulo. Os óculos que usamos servem para fazer com que apenas uma delas chegue a cada um dos olhos e a partir daí o cérebro faz o que está acostumado: funde as duas imagens numa só, dando-lhe volume e profundidade.

O esforço conjunto da musculatura ocular e do cérebro para esse trabalho explica porquê muitas pessoas têm tido dores de cabeça ao final do filme. Quem tem dificuldades oftalmológicas também pode não conseguir experimentar a sensação da tridimensionalidade, já que ambos os olhos devem estar saudáveis.

A tecnologia em 3D é a grande aposta atual do cinema e cada vez mais obras são rodadas nesse formato. Se nosso cérebro e olhos aguentarem, há de chegar o dia em que filmes em duas dimensões serão relíquias como são hoje os filmes mudos ou em preto-e-branco.

Palavras-chave: Avatar, cinema 3D, estereopsia, Neurociências.

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Janeiro 13, 2010

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Há um velho debate sobre se as tragédias geradas pelas catástrofes naturais são meras fatalidades ou se as vítimas carregam algum grau de culpa. 

Pelos menos desde o século XVIII tenta-se equalizar tal questão: em 1755, após o terremoto que destruiu Lisboa, os filósofos Voltaire, que via ali uma prova da ausência da providência divina, e Rousseau, para quem a tragédia era fruto não do terremoto em si (e menos ainda de Deus), mas da forma de ocupação urbana - se os lisboetas não estivessem tão amontoados, talvez nada de pior teria acontecido - trocaram rusgas públicas em torno do fato. Modernamente o debate se amplia, incluindo os poderes públicos entre os responsáveis, quer por não regularem de forma adequada a urbanização, quer por serem omissos nas medidas preventivas.

Um estudo publicado no final do ano passado mostra que nossos preconceitos podem explicar sobre quem colocamos a culpa. (Discrimination Against Out-Group Members in Helping Situations: Donald A. Saucier, Jessica L. McManus, and Sara J. Smith In: The psychology of prosocial behavior : group processes, intergroup relations, and helping, 2009) 

 

Tendo como base as vítimas do furacão Katrina, que arrasou Nova Orleans em 2005, cientistas descobriram que as pessoas com mais traços racistas tendiam a colocar mais culpa sobre as próprias vítimas, além de considerar adequado o auxílio dado pelo governo e não achar que mais ajuda era necessária. Os pesquisadores interpretaram os resultados à luz da teoria do efeito de grupo: todos nós tendemos a ajudar mais àqueles que consideramos pertencentes ao nosso grupo e fazer menos força para amparar os que são "de fora". E como quanto mais racista é a pessoa, menor é o "seu" grupo, sua tendência a subestimar a necessidade de ajuda envolverá um maior número de pessoas.

A questão sobre quem responsável nesses casos deve durar mais uns bons séculos. Mas se ampliarmos nossos horizontes, considerando todo ser humano - e no limite, todo ser vivo - como pertencente ao nosso grupo, no mínimo estaremos mais dispostos a ajudá-los diante das catástrofes inevitáveis.

Palavras-chave: Katrina, psicologia social, Rousseau, Terremoto de Lisboa, Voltaire

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Janeiro 05, 2010

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Ao contrário do que dizem muitos mau-humorados, acho que tem muito sentido a comemoração do Ano novo.

O ano é uma das poucas unidades de tempo naturais, não arbitrárias, que seguimos. Horas, minutos, meses são invenções humanas. Dias e anos não: quando a Terra completa uma volta completa em torno de si mesma, completa-se um dia. Quando o faz em torno do Sol, completa-se um ano. E como é legítimo pararmos para pensar no que fazemos e fizemos na vida regularmente esses marcos são candidatos - literalmente - naturais: assim como refletimos sobre o que aconteceu no dia quando chegamos em casa e nos preparamos para o dia seguinte, planejando o que faremos, ao fim de um ano é bom rever o que foi bom e o que poderia ser melhor, planejando o ano vindouro.

O problema é que as famosas Resoluções de ano-novo são na maioria das vezes frustradas. O criativo psicólogo Richard Wiseman (Wiseman, R. 2007. University of Hertfordshire) pesquisou 700 pessoas ao longo de 2008, descobrindo que o desencorajador número de 88% não atingiu seus objetivos. O lado bom da história foi descobrir o segredo dos 12% vencedores:

1) Quebrar a meta em pequenos passos, que sejam "SMART": eSpecíficos, Mensuráveis, Alcançáveis, Realistas, Temporalmente embasados. O ideal é criar um mapa dos pequenos passos para acompanhar a caminhada até o objetivo final;

2) Compartilhar os objetivos. Contar a amigos e família não só aumenta o suporte externo, como também torna maior o medo de falhar;

3) Lembrar constantemente os ganhos que serão obtidos, por meio de uma lista com tópicos mostrando como a vida seria melhor se o objetivo for alcançado;

4) Não desistir diante das recaídas, pois novos hábitos são difíceis de manter no começo, e recaídas fazem parte do processo e não devem ser encaradas como uma falha irreversível.

Como testemunho pessoal, posso dizer que ao menos a resolução de manter uma coluna semanal atravessou com êxito o ano de 2009. Prometo mantê-la em 2010!

(PS - para saber sobre o quê mais conversamos no ano que passou, veja nossa nuvem de palavras em: http://www.wordle.net/show/wrdl/1504707/Psiquiatria_e_Sociedade)

Palavras-chave: psicologia, Resolução de ano-novo, Reveillon, Richard Wiseman

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Dezembro 22, 2009

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O Natal é um paradoxo. É ao mesmo tempo época de contraternização e tensões, de alegria e de melancolia; paz na Terra e guerra no trânsito. 

Acho que o conflito acontece porque nos sentimos obrigados a celebrar, apesar de tantos problemas. É um incômodo muitas vezes sentir que nos é imposto o dever da felicidade mesmo quando privações e reveses nos rodeiam.

A revolução da neuroimagem mostrou que sentimentos positivos e negativos ocorrem em regiões distintas do cérebro (Lane et al. Neuroanatomical correlates of happiness, sadness, and disgust The Am J of Psychi1997) enquanto as ciências cognitivas desfizeram a dicotomia "ou alegria ou tristeza", mostrando que em situações emocionalmente complexas - como reuniões familiares natalinas - os dois sentimentos podem ocorrer ao mesmo tempo (Larsen et al. Can people feel happy and sad at the same time? J of Person and Soc Psycho 2001).

Natal é isso mesmo. É um momento para reunir a família, amigos e queridos para lembrar que, apesar de nossos conflitos e brigas, nós nos amamos. A humanidade é falha, capaz de atrocidades e, no mais das vezes, mesquinha e egoísta, mas o Natal está aí para celebrarmos o nascimento de alguém que mostrou que nem tudo precisa ser assim, pois a bondade, a paz, a ética são objetivos possíveis se buscados por amor. Podemos até nos entristecemos pelo que somos, mas devemos nos alegrar na esperança do que podemos ser.

Um feliz Natal a todos e um 2010 cheio de alegria.

 

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Dezembro 15, 2009

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Um dos maiores problemas que os pacientes psiquiátricos enfrentam é o descrédito.

Muitas vezes, acreditando que estão com a razão, as pessoas por vezes perdem a cabeça, falam alguma bobagem, reclamam além da conta, brigam com a família ou fazem o que não deveriam. Com maiores ou menores consequências, após o evento vêm as explicações, expõem-se as razões para o fato, e o agente acaba sendo desculpado ou não em função do contexto.

O paciente psiquiátrico perde esse direito. Qualquer coisa que faça que seja fora do estritamente esperado passa a ser atribuído à sua loucura. Ele não pode mais perder a paciência com a esposa, discutir com um caixa de banco ou brigar quando recebe um troco errado e mostrar que tem razão em sua queixa - o paciente psiquiátrico nunca tem razão, já que ele é visto como irracional.

O italiano Massimo Tartaglia faz tratamento psiquiátrico há pelo menos dez anos. Isso não o impediu de estudar no Instituto Técnico de Consico e ter seu momento de fama ao inventar o "Music Picture" ou "Quadri musicali", quadros que mudam de cores conforme a música (www.musicpicture.it). Será que, apenas pelo fato de ter um diagnóstico, ele não tem a capacidade de se indignar com o premiê de seu país, processado por fraude, acusado de envolvimento com a máfia, envolvido em diversos escândalos sexuais, para ficar numa lista curta?

No último domingo Tartaglia jogou uma réplica do Domo de Milão em Berlusconi, quebrando-lhe o nariz e alçando-o à fama. Pulularam comunidades na internet exaltando-lhe a bravura e rebeldia política. Ato contínuo, no entanto, a ação passou a ser vista como obra de um louco, esvaziando-o de significado. Seu advogado, claro, optou pela saída fácil de invocar sua doença mental e fazê-lo pedir desculpa pelo ato "no qual não se conheceu".

É uma pena. Não que a agressão esteja correta ou seja desculpável. Mas lançar na conta da loucura um ato de manifestação política, por criminoso que ele seja, só reforça o preconceito que e relega ao silêncio a fala do pacientes psiquiátricos.

Palavras-chave: Massimo Tartaglia, psiquiatria forense, Silvio Berlusconi, transtornos mentais

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Dezembro 09, 2009

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Fui cobrado - justamente - a voltar ao tema deixa em aberto há duas semanas (http://stoa.usp.br/danielmbarros/weblog/67926.html): se o sonambulismo de fato reduz a responsabilidade do indivíduo por suas atitudes, como deter uma possível enxurrada de alegações de sonambulismo nos tribunais?

Num estudo publicado no ano passado, pesquisadores canadenses desenvolveram um protocolo para diagnosticar pacientes sonâmbulos que se mostrou bastante promissor: comparando 10 indivíduos sonâmbulos e 10 sem o problema, monitoraram suas ondas cerebrais enquanto eles dormiam. Durante o estágio do sono no qual as ondas cerebrais tornam-se lentas os cientistas buzinavam no ouvido dos sujeitos. Descobriram que 3, dentre os 10 sonâmbulos (e nenhum, dentre os controles) entravam em crises de sonambulismo. Mas quando o experimento foi realizado após uma privação de sono de 25 horas, todos os sonâmbulos entraram em crise (e novamente, nenhum dos sujeitos controle).

O estudo é importante por apresentar uma possibilidade de diagnóstico objetivo do transtorno, o que é sempre importante quando se fala em causas judiciais. Uma questão permanecerá em aberto, no entanto: nada impede que uma pessoa que seja de fato sonâmbula, seja também uma homicida. Como disse Millôr Fernandes: "O fato de eu ser paranóico não significa que eu não esteja sendo perseguido".

Palavras-chave: crime, Direito, homicidio, Millôr Fernandes, psiquiatria forense, Sonambulismo

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Dezembro 02, 2009

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A empresa France Telecom admitiu o suicídio de 32 funcionários nos últimos 2 anos, desde que um processo de reestruturação se iniciou, em 2008. Quando o fato veio à tona a companhia negociou com sindicatos a redução da carga horária de trabalho e o diretor de operações na França foi substituído.

A associação temporal entre a onda de mortes as mudanças na corporação, além da taxa de suicídios acima da média nacional (que em 2008 foi de 16,2 para cada 100.000 habitantes), leva a crer que exista de fato um risco aumentado de se matar entre os que trabalham na France Telecom.

Existe ainda uma plausibilidade psíquica nesse fenômeno: um dos principais fatores que levam as pessoas a tentar o suicídio é a desesperança. E o que mais causa desesperança nos trabalhadores é a falta de autonomia, a certeza de que não pode fazer nada para melhorar sua situação. Num experimento famoso de 1967, Martin Seligman e Steven Maier submeteram cães a duas situações possíveis: nos dois grupos os animais estavam sobre uma grade eletrificada, mas num deles era possível interromper os choque, noutro não. Quando colocados em outra jaula com chão elétrico, da qual era possível escapar com um pequeno salto, os cães que não haviam tido possibilidade de controlar os choques no primeiro caso nem tentaram fugir. É o chamado "desamparo aprendido". E é crível que o indivíduo que não acredita em qualquer possibilidade de escapar da situação estressante tenha maior chance de se matar.

Além disso, há tempos sabe-se que o suicídio é contagioso - quando notícias referentes ao assunto circulam com muita magnitude ou quando um famoso se mata as taxas sempre sobem. No caso, se vários funcionários estão se vendo sem saída num mesmo contexto, o contágio não pode ser subestimado.

Diante de tudo isso lembro que quando estávamos para decidir qual carreira médica seguir meu grande amigo Aloísio disse uma de suas (muitas) frases lapidares: "O trabalho deve ser um meio de vida, não um meio de morte". Sábias palavras.

Palavras-chave: desamparo aprendido, France Telecom, Martins Seligman, suicídio

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Novembro 25, 2009

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Na semana que passou, Brian Thomas, preso por ter estrangulado sua esposa, foi inocentado. Ocorre que o crime se deu enquanto Thomas dormia ao lado da mulher, durante um sonho no qual lutava com um bandido. Ele comprovadamente sofria de sonambulismo e, a levar-se em conta as provas testemunhais, era um bom marido, sem conflitos domésticos aparentes. A justiça chegou à conclusão que seria inútil prendê-lo, mas que não se tratava propriamente de insanidade, acabando por inocentá-lo.

O sono, alterando o nível de consciência, sepre foi considerado como uma variável importante a ser considerada na avaliação da responsabilidade. Agora, com o avançar das técnicas de neuroimagem, os achados comprovam tal fato.

Num estudo que deve ter dado muito trabalho, pesquisadores conseguiram levar um sonâmbulo para um aparalho de SPECT, obtendo imagens de seu cérebro durante a crise de sonambulismo, concluindo que, embora áreas associadas ao movimento e às emoções estivessem ativas, as áreas ligadas ao juízo e ao controle dos impulsos não estava. Segundo uma neurocientista, [embora] "Nosso julgamento esteja desligado e nossa capacidade de agir emocionalmente está ligada".

E agora? Como deter a avalanche de alegações de sonambulismo nos tribunais? Um estudo publicado no ano passado traz alguma luz sobre essa questão, mas esse é tema para semana que vem.

Palavras-chave: psiquiatria, psiquiatria forense, Sonambulismo, SPECT

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Novembro 17, 2009

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O blecaute da semana passada mostrou mais uma vez como é precária nossa condição humana. Não pelo fato de ficarmos sem luz - contingência tão compreensível como desagradável - mas sim analisando o que ocorre quando ninguém nos vê.

Assaltos, saques e até homicídios aconteceram, e acontecem sempre nessas ocasiões. Qual o poder da escuridão? Ela transforma, por si só, centenas de cidadãos honestos e pessoas de bem em bandidos, num passe de mágica?

Em 1936 o sociólogo americando Robert King Merton publicou um artigo chamado Social Structure and Anomie, no qual, baseado no conceito de anomia cunhado por Durkheim - um estado de colapso dos fundamentos da sociedade - propunha que a impossibilidade de alcançar fins culturais e realizações era uma das causas do comportamento desviante. Anomia passou a ser sinônimo de ausência de regras ou incapacidade de adequação aos padrões de conduta.

Em situações excepcionais, quando a estrutura da sociedade é posta em xeque, as normas de comportamento rapidamente são esgarçadas e o caos se instala. Do livro "Ensaio sobre a cegueira" ao seriado de TV "Jericho", as artes mostram bem como é frágil nossa civilidade. A mais inquietante questão é posta, contudo, por H.G.Wells em seu "Homem invisível", no qual um cientista que se torna invisível passa a cometer atos antissociais antes inimagináveis. Quando a sociedade perde as regras muitos comportamentos podem ser até explicados, mas como nós agiríamos se fôssemos os únicos livres do olhar alheio?

Palavras-chave: Anomia, H. G. Wells, O homem invisível, robert merton, sociologia

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Novembro 11, 2009

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Começou. Um juiz italiano reduziu a pena de um assassino depois de especialistas identificarem nele alterações em genes que predispões a comportamentos violentos.

Em estudo de 2002, Terrie Moffitt encontrou associação entre comportamentos delinquenciais em jovens brancos criados em ambientes violentos e alterações no gene que codifica a enzima MAO-A. Com base nisso e em imagens cerebrais que revelavam algumas alterações, a advogada de Abdelmalek Bayout, condenado por homicídio, recorreu à corte italiana e conseguiu redução da pena em mais um ano (a pena já era menor, dada a alegação - aceita - de doença mental).

Esse é um marco importante - para bem e para mal - na história do Direito e da Medicina. Desde Lombroso cada avanço científico parece trazer consigo a revelação da origem de nossos comportamentos, notadamente os violentos, carregando uma benção e uma maldição: se por um lado teríamos finalmente uma explicação da maldade - e possivelmente uma forma de "curá-la" - por outro fica sempre uma ameça ao conceito de livre-arbítrio, nos puxando para um determinismo biológico que não só nos tornaria escravos (dos genes, do cérebro, da serotonina etc.), como inviabilizaria o Direito Penal como o conhecemos. Afinal, o juiz italiano considerou que a culpa não foi só do assassino em questão, mas também de seu código genético.

Ora, como disse o geneticista Steve Jones, de Londres, o cromossomo Y está fortemente associado ao comportamento homicida também (já que a maioria dos assassinatos é perpetrada por homens). Deveríamos colocar a culpa nele e reduzir a pena dos criminosos que o carregam?

Palavras-chave: assassinato, crime, genética

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Novembro 03, 2009

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As imagens dos presos torturados em Santa Catarina trazem à mente a velha pergunta de como é possível que tais situações ocorram. Não tenho os detalhes sobre esse caso específico, mas normalmente as investigações acabam por revelar que os perpetradores dos atos agressivos são pessoas de bem em sua vida cotidiana, bons maridos, pais presentes, gente comum.

Ocorre que em ambientes nos quais há uma cisão muito marcada entre "nós" e "eles", as pessoas desenvolvem rapidamente um sentido de identificação com seu grupo imediato e hostilização do "outro". Some-se a isso o elemento mocinho versus bandidos e está criada a chancela para que a violência intergrupos se desenvolva num crescente que chega à beira da insanidade.

No começo dessa década o diretor alemão Oliver Hirschbiegel levou para as telas o estudo psicológico clássico da Prisão de Stanford, realizado em 1971 por Philip Zimbardo, (Veja cenas) no qual no qual voluntários previamente desconhecidos foram alocados num galpão que fazia as vezes de prisão, e divididos em dois grupos - os prisioneiros e os guardas (A experiência, 2001). Embora não houvesse criminosos reais, os poiliciais fossem "de mentira" e as agressões fossem proibidas, o estudo teve de ser interrompido antes do fim da primeira semana por conta da escalada de violência que ameaçava a integridade dos participantes.

Não desculpa os envolvidos, mas explica em parte como essas situações se constroem, e ajuda a pensar caminhos para reduzir sua ocorrência, como ter observadores independentes atuantes, rodízio de funcionários, mecanismos de controle externo etc.

Palavras-chave: Prisão, Stanford, tortura, violência

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Outubro 27, 2009

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Merece reflexão o estudo conduzido pelo Laboratório de Psicofarmacologia e Psicofisiologia Clínica da Faculdade de Medicina da USP (LIM 23).

Duzentos voluntários que não preenchessem critérios para qualquer transtorno mental, e que não tivessem sequer parentes (pais, irmãos, avós, tios ou primos) com histórico conhecido de doenças psiquiátricas, foram rigorosamente garimpados. Encontrados os felizardos, eles foram divididos em dois grupos, um recebendo placebo e outro recebendo antidepressivos em doses abaixo daquelas usadas para o tratamento da depressão, ambos sem saber se estavam ou não tomando a droga ativa.

Após 12 semanas a surpresa: 30% dos voluntários que receberam o medicamento melhoraram. Ficaram em geral mais tolerantes, menos irritados, mais concentrados e menos aflitos com as demandas diárias.

Muitos aspectos chamam atenção, mas destaco dois:

Em primeiro lugar, dos 2000 voluntários (que se achavam) normais, apenas 200 preenchiam os critérios de inclusão para a pesquisa. Questão: se só 10% de quem pensa ser normal é de fato, o normal é não ser normal?

Em segundo lugar, se tomar um remédio para depressão ajuda quem não está deprimido, das duas uma: ou bem nós não entendemos a doença (e tem mais gente deprimida do que pensamos) ou bem não entendemos o remédio (e ele não é de fato, um antidepressivo).

As implicações são grandes e várias. Para aprofundá-las o próprio LIM 23 organizou um evento para repercutir e debater o tema (Confira). Não sei não, mas acho que as perguntas deverão sobrepujar as respostas.

Palavras-chave: antidepressivos, depressão, LIM, normalidade, psicofarmacologia, Psiquiatria, transtornos mentais

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