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Fevereiro 19, 2012

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Estou querendo ajudar um amigo que está cursando engenharia da computação em são José dos campos e está com dificuldade em encontrar estágios. Ele não tem experiência e está pensando em fazer um curso de Java para obter um certificado. Será que isso ajuda? Quais as vias para conseguir experiência neste mundo esquizofrênico se em todo lugar a experiência é requisito. Como ficam os iniciantes? No meu tempo não era assim!

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Janeiro 08, 2012

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Queridos,

Alguem teria experiência com sites self publishing?

Li sobre o site Lulu.com e sobre as ferramentas que disponibiliza que permitem ao autor diagramar e produzir seu próprio livro, além que distribui-lo e vende-lo.Parece bom de mais para ser verdade!

Agradeço as informações que a competente e prestativa comunidade Stoa possa me fornecer.

Palavras-chave: Selv publishing

Postado por Clarice Alegre Petramale | 4 comentários

Agosto 22, 2010

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Este ano minha turma da Faculdade de Medicina, a intrépida 58, completa 35 anos de formatura e se prepara para mais um encontro. Época de lembranças, mobilizadas pela visão das fotos lindas do Moa e do Vasco que até parecem cenas do cinema noir!

Para quem viveu os anos 70 e para aqueles que não viveram, mas ainda assim, sentem saudades, dedico o relato do meu "debut" na faculdade.

 Depois de um vestibular duríssimo, com provas escritas e práticas, fui classificada para ocupar uma vaga no curso de Medicina mais valorizado do país.

Foi o máximo! Nem eu acreditava... Meu prestígio na família, entre os colegas do Fernão Dias, entre os poucos amigos, subiu como um rojão. Estávamos em 1970, em plena ditadura!

A recepção aos calouros preparada pelo Centro Acadêmico Oswaldo Cruz-CAOC, foi memorável: tivemos um ciclo de palestras sobre temas sociais no Depto Científico e o encerramento foi uma apresentação de teatro, com uma peça desenvolvida especialmente para nós. O idealizador, Gelson Reicher, e os atores, todos alunos da escola,  participavam da diretoria do CAOC.

O espetáculo foi impactante: poesias de Maiakovski, músicas do “Panis et Circences” , a palavra de ordem era liberdade. 

Saí de lá com a sensação de ter antevisto uma pequena nesga de um novo mundo.

Saí entusiasmada do espetáculo, sem saber bem por quê; e a partir daí comecei a circular pelo CAOC e participar de algumas atividades.

Logo surgiu uma excursão programada para a Semana Santa quando iríamos conhecer as precárias condições socioeconômicas da região do Ribeira, a área mais pobre e subdesenvolvida do estado de São Paulo e entender um pouco mais a respeito da vida que o povo brasileiro, nossos futuros pacientes levavam.

Consegui convencer meus pais e lá fui eu para a tal excursão!

Saímos da escola de manhã e viajamos de ônibus quase o dia todo até chegar à Iporanga, a nossa base no vale do Ribeira.

Durante a viagem, no banco do ônibus, atrás de mim, dois alunos mais velhos conversavam sobre uma viagem à Serra do Mar que ambos haviam feito nas férias passadas; que me pareceram duras demais para se considerar como férias.

Lembro de ter pensado: como esse pessoal é estranho; que férias são estas? Acampamento selvagem, mosquitos, dormir ao relento, levar rações para subsistência, tudo em plena mata. Soube depois que o rapaz se chamava Cabral, diretor do CAOC e o que pensei serem férias era realmente treinamento de guerrilha.

 

Passamos por três ou quatro cidades do Vale do Ribeira e na última, Iporanga, foi onde ficamos. Chegamos cansados ao abrigo, uma escola cedida pela prefeitura, e antes de dormir tivemos uma longuíssima discussão política sobre correlação de forças no mundo capitalista ou sei lá o que mais...

Na manhã seguinte fomos divididos em pequenos grupos e no sorteio o líder escolhido para o meu grupo foi o Cabral.

Antonio Carlos Nogueira Cabral foi um jovem quieto, moreno, cabelos escuros e abundantes, alto e forte. Era amigável, porém discreto, aquele tipo que cuida das pessoas, mas que é tímido com as palavras. Tivemos uma convivência muda, porém intensiva por cerca de uma semana.

O nosso grupo, mal preparado fisicamente, a cada dia perdia elementos pelo caminho. O Cabral, ao contrário, preparadíssimo, trazia na mochila tudo que era necessário para a sobrevivência.

A bagagem da maioria das meninas do grupo composta de estojo de maquiagem, perfume, repelente de insetos, sandálias e roupinhas “fashion”; estava longe da necessidade daquele ambiente inóspito.

Os desafios da viagem se tornavam mais e mais exigentes; e sem condição de prosseguir, os participantes foram ficando pelo caminho. No fim do período, continuávamos: eu, uns poucos colegas e nosso guia que caminhava sempre à frente.

Assim, acompanhamos mapas, vadeamos rios, subimos e descemos montanhas em lombo de mulas, pousamos em escolas e casas de fazenda, comemos bolacha com sardinha em lata, bebemos água na concha das mãos em todos os riachos transparentes; (...ai que sede!) e entrevistamos os raros moradores daqueles fundões para preencher os nossos questionários sócio-econômicos.

Quando nos apresentávamos, os matutos não acreditavam que jovens universitários bem nascidos como nós pudessem ter qualquer interesse em suas vidas sem graça.

Lembro que uma das nossas perguntas era a freqüência com que eles comiam carne e a resposta mais freqüente era uma vez por ano: no Natal! Embora criassem uma ou duas vaquinhas eram vegetarianos por necessidade.

 

De noite, antes de dormir, o Cabral cuidava de nós, tirava os espinhos dos nossos pés, cuidava das bolhas, retirava os carrapatos, massageava nossos músculos doloridos...

De manhã voltavamos à estrada...

As descidas das montanhas para mim eram as piores. Depois de horas e horas caminhando, os músculos, cansados não seguravam direito o corpo e caíamos sentados, várias vezes seguidas, escorregando nas picadas. Já os rios eram uma delícia, largos, rasos, fundo de seixos rolados, água cristalina e corrente, sombras das árvores das matas ciliares. E o calor, meu amigo... Andávamos com a roupa molhada no corpo para aplacar o calor!

 

Não entendi muita coisa dessa viagem. O esforço para obter as tais entrevistas socio-economicas, foi imenso; e o perigo nos rondava em cada estradinha pendurada mas montanhas.

O lugar era o mais isolado e mais acidentado que eu jamais conhecera, no entanto helicópteros sobrevoavam a região todo o tempo, e nem em São Paulo eu vira tantos juntos!

Voltamos finalmente à civilização.

Claro, não contei nada disso para meus pais.

- Como foi a viagem?

- Normal!

E ficou por isso.

 De volta à escola nunca mais tornei a ver o Cabral. O comentário era que ele estaria envolvido com subversivos e teria abandonado os estudos. Alguns meses depois um colega da minha classe foi preso por ter dado abrigo a ele durante algum tempo em sua casa. Não tinha nada com política, não conhecia ninguém, só prestou um favor a um colega em apuros.

Foi torturado, teve uma ulcera hemorrágica por stress, e só foi operado de emergência, pois os outros presos vendo que ele estava à morte fizeram a maior confusão até que ele fosse levado ao hospital.

Meses depois voltou para a escola, enfraquecido, apavorado. Era meu amigo, conversávamos muito nas longas madrugadas das festas do Esqueleto’s, enquanto servíamos no bar. Era um sujeito do bem!

  

Em 1982 Alex Polari, membro de um dos grupos de esquerda volta do exílio e escreve “Em busca do Tesouro”. Lendo seu livro, já esgotado, tive a resposta, com doze anos de atraso, sobre o que estávamos nós, alunos da FMUSP, fazendo no Vale da Ribeira na semana Santa de 1970. Fomos observadores privilegiados não acidentais, de um episódio crucial da guerrilha do Ribeira: a perseguição e a fuga para a Bahia de Carlos Lamarca, líder revolucionário, escondido naquela região.

Senti que eu era o próprio Forrest Gump vivendo, sem saber uma semana memorável e participando como coadjuvante daquele evento histórico!

Palavras-chave: anos de chumbo, anos dourados, faculdade de medicina

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Março 09, 2010

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E para rebater o peso do post de ontem, a alegria das mulheres do Brasil!

CORDEL: LUGAR DE MULHER

Autoria: SALETE MARIA (Doutoranda do NEIM/UFBA)

Do ponto onde me encontro
Na janela dum sobrado
Daqui donde me defronto
Com meu presente e passado
Fico metendo a colher
Do 'meu lugar de mulher'
Neste mundão desgarrado

Do meu ângulo obtuso
Num canto da camarinha
Afrouxo um parafuso
Liberto uma andorinha
Desmancho uma estrutura
Arranco uma fechadura
Desmonto uma ladainha

Reza a história do mundo
Que mulher tem seu lugar
É um discurso 'corcundo'
E prenhe de bla-bla-blá
Eu que ando em toda parte
Divulgo através da arte
Outro modo de pensar:

Lugar de mulher é quarto
Sala, bodega e avião
Lugar de mulher é mato
Cidade, praia e sertão
Lugar de mulher é zona
Do Estado do Arizona
À Vitória de Santo Antão

Lugar de mulher é sauna
Capela, bonde, motel
Lugar de mulher é fauna
Terreiro, campus, quartel
Lugar de mulher é casa
Seja na Faixa de Gaza
Ou no Morro do Borel

Lugar de mulher é cama
Seresta, parque, novena
Lugar de mulher é lama
Escola, laje, cinema
Lugar de mulher é ninho
Dos becos do Pelourinho
Às águas de Ipanema

Lugar de mulher é roça
Riacho, circo, cozinha
Lugar de mulher é bossa
Reisado, feira, lapinha
Lugar de mulher é chão
Das ruelas do Sudão
Às veredas da Serrinha

Lugar de mulher é mangue
Deserto, vila, mansão
Lugar de mulher é gangue
Novela, birô, oitão
Lugar de mulher é mar
Das praias do Canadá
Ao céu do Cazaquistão

Lugar de mulher é ponte
Trincheira, jardim, salão
Lugar de mulher é fonte
Indústria, baile, fogão
Lugar de mulher é mina
Do solo de Teresina
Ao Morro do Alemão

Lugar de mulher é barro
Palco, metrô e altar
Lugar de mulher é carro
Camarote, rede, bar
Lugar de mulher é trem
Dos caminhos de Belém
À serra do Quicuncá

Lugar de mulher é show
Favela, brejo e poder
Lugar de mulher é gol
Ringue, desfile e lazer
Lugar de mulher é creche
Das bandas de Marrakech
Às vilas do ABC

Lugar de mulher é serra
Obra, beco e parlamento
Lugar de mulher é guerra
Missa, teatro e convento
Lugar de mulher é pia
Das tendas de Andaluzia
À Santana do Livramento


Lugar de mulher é tudo
Por onde possa passar
Seja pequeno ou graúdo
Seja daqui ou de lá
Lugar de mulher é Terra
Mas não onde o gato enterra
O que precisa ocultar

Lugar de mulher é dentro
Mas também pode ser fora
Lugar de mulher é centro
Que a margem não ignora
Lugar de mulher é leste
Norte, sul, também oeste
De noite, tarde e aurora

De minha perspectiva
Mulher não tem 'um lugar'
Onde quer que sobreviva
Pode ser seu habitat
Lugares existem zil
Eu mesma sou do Brasil
E vivo no Ceará!

----------------------------------------------------------------
Universidade Federal da Bahia - http://www.portal.ufba.br

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Março 08, 2010

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É duro de acreditar que mulheres não eram consideradas 'pessoas' até recentemente. Temos que nos recordar do que elas fizeram pelas mulheres de hoje!

Esta é a história de mulheres que foram pioneiras. Essas bravas mulheres do começo do século passado fizeram toda a differença na vida que temos hoje.

Foi só a partir de 1920 que as mulheres tiveram o direito de votar nos EUA (no Brasil, como um todo, foi só a partir de 1934*)

 

É duro de acreditar que mulheres não eram consideradas 'pessoas' até recentemente. Temos que nos recordar do que elas fizeram pelas mulheres de hoje!

Esta é a história de mulheres que foram pioneiras. Essas bravas mulheres do começo do século passado fizeram toda a differença na vida que temos hoje.

Foi só a partir de 1920 que as mulheres tiveram o direito de votar nos EUA (no Brasil, como um todo, foi só a partir de 1934*)

 

As mulheres eram inocentes e sem defesa, mas quando na America do Norte, elas fizeram uma demonstração em frente da Casa Branca, carregando cartazes pedindo o voto, elas foram encarceradas.

 


(Lucy Burns)

 

E ao final da 1ª noite na prisão, elas estavam quase mortas. 40 guardas prisionais, com cacetetes e as benções do diretor, atacaram as 33 mulheres que haviam sido acusadas erroneamente de 'estar obstruindo o tráfego na calçada'. 


Eles bateram em Lucy Burns, acorrentaram suas mãos às grades acima de sua cabeça e a deixaram pendurada a noite inteira, sangrando e sem ar.

 


(Dora  Lewis)
Eles jogaram Dora Lewis numa cela escura, quebraram sua cabeça contra uma barra de ferro até a inconsciência. Sua companheira de cela, Alice Cosu, pensou que ela estivesse morta e teve um ataque cardíaco. relatos dos guardas agarrando, arrastando, batendo, sufocando, empurrando, beliscando, torcendo e chutando as mulheres.

Isto se deu em 15 de novembro de 1917, quando o Diretor de Occoquan Workhouse na Virginia, ordenou que seus guardas dessem uma lição nessas mulheres sufragistas, que foram aprisionadas porque ousaram fazer uma manifestação em frente `a Casa Branca do presidente Woodrow Wilson , lutando pelo direito ao voto.

 

Durante meses a única água a qual tinham acesso era de um balde aberto. A comida era uma sopa rala infestada de vermes.

 


(Alice Paul)
Quando uma das líderes, 
Alice Paul, começou uma greve de fome. Eles a amarraram a uma cadeira, forçaram um tubo garganta abaixo e despejaram água até que ela vomitasse. Ela foi torturada assim por várias semanas até que alguém conseguiu avisar a imprensa.

Todas as mulheres que já votaram um dia, que são proprietárias de algum imóvel, que estão em pé de igualdade com os homens; devem se lembrar que tudo começou com a luta pelo voto que também foi árdua no Brasil e no mundo todo.

Sabemos hoje o que essas mulheres valorosas já sabiam em 1920: É preciso construir e manter espaços livres e democráticos para expor e lutar pacificamente por nossos objetivos.  

Será que nossas filhas e irmãs sabem o preço pago para adquirir estes direitos?

E nossos irmãos, filhos e companheiros honram o espaço que sempre tiveram por direito automático, pelo simples motivo de terem um  XY em seu DNA ?



 

As mulheres eram inocentes e sem defesa, mas quando na America do Norte, elas fizeram uma demonstração em frente à Casa Branca, carregando cartazes pedindo o voto, elas foram encarceradas.

 


(Lucy Burns)

 

E ao final da 1ª noite na prisão, elas estavam quase mortas. 40 guardas prisionais, com cacetetes e as benções do diretor, atacaram as 33 mulheres que haviam sido acusadas erroneamente de 'estar obstruindo o tráfego na calçada'. 


Eles bateram em Lucy Burns, acorrentaram suas mãos às grades acima de sua cabeça e a deixaram pendurada a noite inteira, sangrando e sem ar.

 


(Dora  Lewis)
Eles jogaram Dora Lewis numa cela escura, quebraram sua cabeça contra uma barra de ferro até a inconsciência. Sua companheira de cela, Alice Cosu, pensou que ela estivesse morta e teve um ataque cardíaco. Há relatos dos guardas agarrando, arrastando, batendo, sufocando, empurrando, beliscando, torcendo e chutando as mulheres.

Isto se deu em 15 de novembro de 1917, quando o Diretor de Occoquan Workhouse na Virginia, ordenou que seus guardas dessem uma lição nessas mulheres sufragistas, que foram aprisionadas porque ousaram fazer uma manifestação em frente `a Casa Branca do presidente Woodrow Wilson , lutando pelo direito ao voto.

 

Durante meses a única água a qual tinham acesso era de um balde aberto. A comida era uma sopa rala infestada de vermes.

 


(Alice Paul)
Quando uma das líderes, Alice Paul, começou uma greve de fome. Eles a amarraram a uma cadeira, forçaram um tubo garganta abaixo e despejaram água até que ela vomitasse. Ela foi torturada assim por várias semanas até que alguém conseguiu avisar a imprensa.

Todas as mulheres que já votaram um dia, que são proprietárias de algum imóvel, que estão em pé de igualdade com os homens; devem se lembrar que tudo começou com a luta pelo voto que também foi árdua no Brasil e no mundo todo.

Sabemos hoje o que essas mulheres valorosas já sabiam em 1920: É preciso construir e manter espaços livres e democráticos para expor e lutar pacificamente por nossos objetivos.  

Será que nossas filhas e irmãs sabem o preço pago para adquirir estes direitos?

E nossos irmãos, filhos e companheiros honram o espaço que sempre tiveram por direito automático, pelo simples motivo de terem um  XY em seu DNA ?

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Fevereiro 07, 2010

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Hoje, enquanto acabava de acordar liguei a TV e me surpreendi com um filme antigo que me  fez relembrar da minha antiga paixão pelo cinema.

Minha geração foi deslumbrada pela telona: cinema de arte, filme de autor, cinema noir... Éramos pedantes, metidos a intelectuais - preferíamos qualquer "cult" à diversão garantida em technicolor que hollywood vendia... Assistimos muitos filmes chatos e, no meio, a algumas pérolas!

O Homem que matou o Facínora é ambos arte e diversão. Um cowboy P&B, de 62, direção de John Ford, fotografia caprichada, com John Wayne e grande elenco.

No trecho abaixo vemos o Lee Marvin, o vilão, é claro, na famosa cena do duelo.

O filme foca o arquétipo do Herói abordado com maior ou menor competencia, em muitos filmes: do genial Os Sete Samurais de Kurosawa, ao blockbuster Guerra nas Estrelas.

A fórmula é simples: uma comunidade simples, trabalhadora e fraca é persistentemente humilhada e roubada por um grupo malfeitor. Acuada, sofre sem esperanças de se libertar, até que surge do seu próprio seio, alguém, um homem justo ( é sempre é um homem, o arquétipo é masculino).

Ele é fraco, igual a todos, mas quando é chegada a hora, encarna o Herói e passa a ser a voz daqueles que não tem voz! ( nesta ótica Lula encarna perfeitamente o mito do Herói...)

Jung falou muito sobre este arquétipo, mas a melhor descrição que eu conheço é de Campbell em o Poder do Mito.

Filme e livro simplesmente  imperdíveis!

 

Palavras-chave: Arquetipos, J. Campbell, john Wayne, o homem que matou o facínora, o mito do herói, O poder do Mito

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Fevereiro 03, 2010

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Para quem está interessado em novas tecnologias em saúde recomendo dois boletins eletrônicos que a Anvisa publica regularmente: o Saúde e Economia  e o BRATS.

Para a elaboração desses boletins é feita revisão da literatura e consulta a especialistas para que o produto seja atualizado e apropriado para o uso de profissionais de saúde que prescrevem novos medicamentos ou realizam novos procedimentos de saúde.

O primeiro deles traz dados de comparação de eficácia e custo de alternativas terapêuticas e o segundo traz revisões mais abrangentes sobre temas polêmicos de avaliação de tecnologias em saúde

 

 

 

 

 

Palavras-chave: avaliaçãop de tecnologias em saúde, boletins eletronicos, economia da saúde

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Janeiro 20, 2010

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Desde tempos imemoriais estamos juntos, médicos e farmacêuticos, inventando maneiras e estratagemas para aliviar as dores da Vida e despistar a Morte. Quantas batalhas memoráveis vencemos juntos!

Lembram-se quando demos ao mundo a anestesia que nos abriu as portas da cirurgia moderna? Quando ardilosamente inventamos as vacinas? Ou quando num golpe de sorte debelamos as infecções rotineiras com a fantástica penicilina?

 E as outras guerras de guerrilha que perseverantemente lutamos há anos, dando pequeninos passos à frente, às vezes retrocedendo, tateando... Dando combate ao câncer, às doenças mentais, à AIDS...

Nos tempos modernos nossa união histórica esteve ameaçada pela compartimentalização, pela super especialização, pela busca desenfreada da produtividade, do lucro. E nos afastamos!

Produzimos medicamentos compulsivamente para atender à demanda insaciável de uma comunidade emergente cada vez mais compulsiva. Ou será o contrário?

Estamos frente ao dilema do ovo e da galinha. O que veio primeiro?

O que sabemos é que esse paradigma vicioso tem que mudar!

Hoje a humanidade se divide em uma grande parte que não tem acesso a medicamentos comprovadamente seguros e eficazes que lhes poderia salvar a vida e uma parcela bem menor que se intoxica de tantos medicamentos que toma!

A bandeira do Uso Racional de Medicamentos tem o condão de nos unir a todos: médicos, farmacêuticos, enfermeiros, em prol do uso terapêutico apropriado dos medicamentos. Um olho na eficácia, o outro na segurança!

Todos nós de novo juntos em busca do equilíbrio entre os benefícios e os riscos visando ampliar o acesso dos medicamentos a toda a população!

Não devemos nos contentar com desfechos intermediários: não viemos ao mundo para produzir pílulas, para vender caixinhas de medicamentos ou consultar pessoas... Nosso destino é muito maior: curar quando possível; aliviar e confortar, sempre!

Neste dia de festa saúdo meus novos colegas da Pesquisa Clínica/Anvisa, que pacientemente têm me ensinado este meu novo ofício; saúdo os bons e eternos amigos da Rede Sentinela e do Comitê de Uso Racional de Medicamentos e estendo a saudação  aos farmacêuticos de todo o Brasil, estejam eles no balcão de uma drogaria, dispensando medicamentos num posto de saúde ou hospital, produzindo na bancada de um laboratório,  ou atuando nas instâncias reguladoras deste país!

Vida longa e produtiva a todos vocês!

 

 

Palavras-chave: farmacêuticos, médicos, uso racional de medicamentos

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Janeiro 14, 2010

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Hoje visto o verde da esperança em homenagem à Zilda Arns. Uma estrela linda que saiu de cena na tragédia do Haiti.

 Durante sua belíssima vida de estrela criou constelações de luz ao seu redor.

Criou a Pastoral da Saúde, uma rede ao mesmo tempo simples e maravilhosa que reúne profissionais, cuidadores, mães, familiares, pacientes, todos com o único objetivo de levar mais vida às populações necessitadas.

Para isso aprendem e ensinam em tempo integral, sempre sob a doce, porém firme condução da Dra Zilda.

Quando lhe perguntavam como conseguia manter esta rede unida e crescendo ela simplesmente citava o milagre da multiplicação dos pães!

A família Pastoral está de luto, porém, passado este momento trágico terá a força necessária para honrar o legado incomensurável que recebeu e dará continuidade a essa obra tão bela quanto necessária.

 Como parte da família, (a Pastoral esteve muito presente na minha vida profissional), sinto-me triste!

É o momento de relembrar e agradecer pelo inestimável papel que a Pastoral teve na minha formação e de tantos outros médicos, enfermeiros, assistentes sociais, profissionais da saúde por este Brasil afora!

 O Senhor Deus saberá recebê-la em seu seio amoroso e em troca nos dará a Esperança que nos ajudará a fazer deste mundo um lugar de paz e realizações para todos!

 

Palavras-chave: estrela, Pastoral da Saude, Zilda Arns

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Janeiro 03, 2010

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Estou mudando para o Jardim Bonfiglioli, pertinho da USP e gostaria de saber de vcs quais as opções de internet banda larga e TV a cabo disponíveis na região.

No momento estamos funcionando com um notebook e um acesso Claro 3 G que dá conta de e-mail etc... mas que é insuficiente para tarefas mais pesadas.

Agradeço e aguardo as opiniões dos especialistas!

  

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Janeiro 01, 2010

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Depois de uma breve estada na praias do Nordeste, só curtindo o sol, o mar, a natureza, rumamos para São Paulo para passar o período de Festas com a família.
Muito pouco original, eu diria, se não fosse a descoberta que fiz de repente sobre a importância do Lar, e de como, por conta desse insight mudamos todo nosso projeto inicial.

Afinal, vocês me diriam, o que há de novo a saber sobre o Lar? Todos sabemos o que é e reconhecemos sua importância.

As referências históricas ligam a existência do Lar às Vestais, virgens consideradas deusas, que dedicavam a vida unicamente a manter aceso o fogo do Lar. Explicável: sem a tecnologia que temos hoje acender o fogo, necessário para a sobrevivência nos invernos dos primódios da humanidade não devia ser pouca coisa e daí o prestígio dessa importante função social!
Contemporaneamente o conceito de Lar mudou muito sem que tenhamos nos dado conta... Arrisco a dizer que muitas "socio-psico-patologias" que acometem os jovens hoje em dia tem a ver com o deslocamento do conceito de Lar de um local geográfico, onde várias gerações de uma mesma família e seus amigos se encontram em situações rotineiras e especiais por décadas; para uma virtualidade que se confunde com o conceito de Família e que se realiza cada vez mais no ciberespaço via internet, mas que não aquece o coração, não tem cheiro de comida cozinhando no fogão, não tem materialidade!

No Natal deste ano percebi que a minha pequena família não tem mais um Lar!
Ao mudar para Brasília ganhei muitos amigos, ganhei o mundo, mas saí do pé do Fogo, que descuidado se apagou...
Leonardo, meu filho mais novo vem dizendo que quer ter uma casa, quer espaço para a banda, uma cozinha... que não aguenta mais a "caixinha" confortável onde ele vive há 4 anos num aparthotel em São Paulo. Daniel, meu filho mais velho também tem o mesmo sentimento. Ambos reclamam da ausência da vestal que abandonou o posto!

Foi aí que avaliando as possibilidades resolvemos arregaçar as mangas e reformar uma antiga casa desocupada, de propriedade da minha família onde morei quando criança. Será o Lar do Leonardo e da nossa Família quando estivermos em São Paulo.

Durante a última semana lixamos, pintamos, instalamos utilidades, compramos móveis e utensílios criamos um novo Lar para receber o Ano Novo. Estamos "mortos" de cansaço, mas orgulhosos do nossa ousadia em família!
A cada manhã me surpreendo com novas lembranças da minha infância, dos meus pais e meus irmãos, provocadas pela luz do sol que "transfixa" a casa pelos quatro lados, pela brisa do vento nas velhas janelas, pelo som da chuva direto no telhado!
As flores já enfeitam a casa para a "passagem". O bacalhau no forno inunda a casa com os cheiros deliciosos da convivência em família. E desfrutamos da felicidadde simples de simplesmente estarmos juntos!

Que todos reencontrem o caminho de volta ao Lar neste novo ano!
Beijos
Clarice

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Setembro 15, 2009

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Quero comprar um net book e estou na dúvida  entre um modelo Acer 751H- 52BW com um modelo da ASUS 1101 virtual blue. Ambos tem a mesma configuração tela 11.6", processador Atom Z520B, hard disc 160 GB, Bateria lítio 6 células e Blue tooth. O preço é equivalente: 379,00 contra 399,00 Euros. Por favor me digam se é vantagem fazer esta compra fora do Brasil e qual deles é mais interessante. Andei lendo que o ASUS tem uma novidade que acelera a velocidade do processador. Alguém pode me ajudar ?

Palavras-chave: informatica, netbook, tecnologia

Postado por Clarice Alegre Petramale | 4 comentários

Julho 01, 2009

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  Amigos,

Uma viagem ao exterior sempre nos faz pensar e esta foi realmente especial, pois eu e Patrícia viajamos no espaço e também no tempo, ao encontro de muitas das raízes da nossa nacionalidade.

Cabo Verde foi durante os séculos um sítio estratégico para onde os portugueses traziam os escravos capturados na África em seu caminho para o Brasil. Ali as famílias eram desmembradas e assim se quebravam os laços, tornando-os mais dóceis ao cativeiro.

A escala no arquipélago também tinha importância logística fundamental para abastecer e consertar os navios; para descansar e curar a tripulação e a “carga” dos sofrimentos da longa travessia marítima A estratégia dos mercadores de escravos era fazer o que fosse preciso para evitar que os escravos se organizassem; que se rebelassem; que fugissem...

Não é de se admirar a enorme mortandade dos escravos nos navios negreiros! Homens, mulheres e crianças indefesos, perplexos, deprimidos e sem esperança; para muitos morrer foi uma benção!Sempre me perguntei por que somos um povo tão submisso, tão permissivo.

Por que historicamente temos aceitado tanta violência sem questionar, tantas imposições do poder, sem refugar... Talvez esta característica esteja escrita no nosso DNA de “homo gentilis”.  E o que devia ser uma qualidade acaba sendo a fonte de todos os nossos problemas.  

Com esse pensamento na cabeça, fruto dos estudos preparatórios que fizemos, tomamos os nossos assentos na classe econômica da TAP rumo a Portugal.  Não pude deixar de notar as semelhanças entre os aviões de hoje e os navios negreiros de antigamente: no respeito ao passageiro, no espaço e cuidados a ele dispensados... E o nosso

Antes de nossa decolagem em Brasília suportamos duas horas de atraso, devidamente embarcados, enquanto os técnicos de terra desmontavam e remontavam uma turbina. Os nossos parentes e amigos que esperavam a saída do avião estavam em pânico... Nós, quietos, aguardávamos, querendo acreditar que tudo estava sendo feito para o nosso “bem”... Não tínhamos nem coragem de pensar que talvez os interesses econômicos da empresa falassem mais alto e não a nossa segurança...

Tudo resolvido, o piloto dá ordem de partida e lá fomos nós! Nem quinze minutos se passaram quando o avião “derrapa” na subida e despenca de uma vez, como se tivesse perdido sustentação. Foi um susto e tanto e ainda nem tínhamos chegado à famigerada zona subtropical do Atlântico Sul e suas turbulências, que ocasionaram o desastre do Airbus 447 da Air France!

Por um bom tempo após o susto evitávamos nos movimentar e até respirar mais pesado com medo de prejudicar a navegação...  A minha companheira de assento que nem sequer respondera ao meu cumprimento na chegada, imersa que estava numa enorme tristeza ( estaria doente, teria perdido algum amor?) , se agarrou comigo como a uma tábua de salvação.

A partir daí, como nos salvamos, começamos uma delicada amizade. Disse-me que morava em Lisboa há 12 anos, trabalhava no comércio fazendo nada em especial e que tinha tantas saudades do Brasil que as férias acabaram, mas seu coração se recusava a partir com ela...

Muitas horas depois chegamos à Lisboa para uma conexão para Praia, capital de Cabo Verde. Tínhamos algumas horas antes do reembarque e eu e Patrícia resolvemos dar uma volta na capital mais importante do mundo... nos idos de 1500!

A cidade, chuvosa e vazia, com seus muitos monumentos, parecia o espectro de um tempo em que exerceu poder absoluto sobre as colônias, suas riquezas e seus habitantes. Donos da metade do mundo agora só mandam num pequeno pedacinho de terra, coitadinhos... Esse é o sentimento que predomina no homem comum português: que o mundo moderno lhes deve muito e que em troca de tantos serviços o mundo só tem retribuído com ingratidão e com as migalhas da mesa dos poderosos.

Não consegui ter pena deles por seus infortúnios atuais. Talvez estejam de alguma forma colhendo a violência que semearam.No final da tarde embarcamos num vôo Lisboa-Praia operado pela TACV, (Transportes Aéreos Cabo Verde), a empresa estatal que opera há 50 anos os trajetos para Lisboa  e agora mais recentemente para Fortaleza.

A tripulação, composta integralmente por negros cabo-verdianos, elegantes, orgulhosos de seu país e muito bem humorados animaram o nosso vôo com comida cheirosa, bebidas e gentilezas reais. Quem precisa de mais?  Até tirei uma foto para comemorar a nossa chegada!

Terminando a aventura da viagem de ida uma espera de bagagens de mais de uma hora no aeroporto de Praia sem que ninguém reclamasse ou se irritasse. Nem o time de futebol local que voltava à Praia, carregado de troféus, perdeu a paciência com a burocracia demorada! Êta povo cordato;benza a Deus!

O arquipélago , de origem vulcânica, tem dez ilhas soltas no meio do  oceano  Atlântico. Metade tem nome de santo, as demais lembram os elementos: Fogo, Sal, Brava... Além do povo, o mar, que no dizer dos cabo-verdianos: “ é bem mauzinho...” , é o grande elemento da unidade nacional. 

A terra é seca, a vegetação nesta fase do ano é escassa, mas verdeja tão logo chegam as chuvas. Na Ilha do Fogo seu vulcão ativo entra em erupção de tempos em tempos: a última foi em 1995. No meio tempo engendra terras férteis onde se planta café, uvas, maçãs...

Chegamos a Cabo Verde cansadas, porém motivadas com o trabalho que faríamos no país, que foi colônia de Portugal até 1975, tem um povo de etnia semelhante à brasileira em sua mescla de português com africanos escravos, teve um governo de partido único por vinte anos (quantas semelhanças!!!), e agora dá passos firmes para estabelecer uma democracia sustentável. E como nós brasileiros, têm muito orgulho de trilhar seu próprio caminho!

O Brasil, nos últimos anos tem intensificado de muitas maneiras as atividades cooperação internacional com países de África e Patrícia e eu estávamos ansiosas em participar!

Durante a viagem percebemos um grande fluxo de técnicos entre o Brasil e países africanos, todos prestando cooperação técnica em campos diversos como saúde, agricultura, educação, relações internacionais.Somente a ANVISA em cooperação com a ARFA, a Agência cabo-verdiana que cuida da qualidade e segurança de medicamentos  e alimentos,  desenvolve projetos  nas áreas de Segurança de Alimentos, Monitoramento de Preços de Medicamentos, Vigilância de Pós-Comercialização com o Projeto Hospitais Sentinela e mais recentemente,  na área  de Laboratórios de Saúde Pública, no qual também está envolvido o LACEN do Ceará.

Mas há muitos outros projetos em andamento com o Brasil, como nos disse a Dra. Sonia Regina Guimarães Gomes, ministra-conselheira da Embaixada Brasileira em Cabo Verde: Reorganização da Atenção Básica em Saúde, com a Universidade Federal de Juiz de Fora, Agricultura, com a EMBRAPA entre outros. Isso sem contar o forte intercâmbio de estudantes  africanos nas universidades  públicas de todo o Brasil.

Temos certeza que como nós, todos têm muito orgulho do trabalho que desenvolvem ajudando a fortalecer seu governo democrático, até por que Cabo Verde é terra fértil no sentido estrito e também no figurado, e essas parcerias têm dado excelentes frutos! 

Logo à chegada, a Patrícia, antes de mim, percebeu que os cabo-verdianos falam numa língua própria,  o crioulo, cuja sintaxe é igual ao Português, porém usam palavras diferentes. Alguns exemplos:  procurar é “spiá”, conversar  é “papiá”  e conhecer  é “conxê”.  É uma língua de carinho, não de trabalho, que se fala em casa, com os amigos. É delicada, parece familiar, mas não se entende nada...

Assista ao vídeo do Tcheka um famoso artista local, excelente cantor e violonista, (não consegui saber se também compõe...) para sentir a cadência da língua e a beleza da música de Cabo Verde!

Na segunda-feira de manhã começamos nossos trabalhos na ARFA. Conhecemos o diretor: Dr Miguel e a equipe com quem iríamos trabalhar a semana toda: a Djamila, o Eduardo e a Janete.O ponto alto das atividades foi o encontro de todas as lideranças do país relacionadas ao medicamento. Sentaram à mesma mesa, representantes da empresa nacional importadora, da empresa farmacêutica nacional que fabrica cerca de 60 tipos de medicamentos, da universidade de Farmácia, dos usuários, dos hospitais, dos centros de saúde, além do Ministério  da Saúde e da ARFA.

Nós apresentamos a experiência brasileira na Rede Sentinela, tanto no que tange à notificação de problemas na qualidade dos medicamentos como as nossas iniciativas para seu uso racional,  enfatizando que mais do que por mérito nosso e da ANVISA, esses resultados só puderam ser atingidos graças à cooperação voluntária dos mais de 200 hospitais  brasileiros que pertencem à Rede Sentinela.  Eles, como nós no Brasil, também têm problemas de articulação entre as áreas, áreas de sombra, como eles dizem, onde as competências não estão bem claras.

Modestamente acho que a nossa participação foi importante para dar o  “ponta-pé de partida”  para essa necessária integração de instituições pelo bem comum que é o serviço à população!

A nossa visita a Cabo Verde previa basicamente a apresentação do modelo brasileiro de notificação em farmacovigilância, com vistas à futura implantação de uma “rede sentinela” em Cabo Verde que ajudasse o governo que agora se abre para a economia mundial a obter medicamentos por preços melhores, porém sem descuidar da qualidade. Para isso será formada uma rede piloto de notificação composta dos dois hospitais centrais, alguns hospitais regionais, centros e delegacias de saúde e farmácias, seguindo o mesmo modelo de notificação aplicado no Brasil pelo Projeto Hospitais Sentinela, baseado  na sensibilização e na pró-atividade dos profissionais  de sua rede de Serviços. 

A Rede de Serviços hospitalares de Cabo Verde está dimensionada para dar assistência à sua população que é de meio milhão de habitantes.  É composta por dois hospitais centrais de média complexidade: O Hospital Agostinho Neto em Praia/ Ilha de Santiago e o Hospital Batista de Sousa, no outro extremo Norte do arquipélago, na Ilha de São Vicente, que têm, respectivamente, cerca de  300 e 200 leitos em operação.  

Há ainda hospitais regionais de menor complexidade que referem seus pacientes mais complexos para um dos dois hospitais centrais.  A alta complexidade hospitalar que não pode ser atendida no país é encaminhada para o Hospital Universitário de Coimbra, em Portugal com o qual mantém acordo de cooperação. Os custos com esses tratamentos fora do país são encargos muito pesados e por isso já se estuda a possibilidade de ampliar o espectro de atendimento, cobrindo algumas áreas da alta complexidade como as Diálises, e também, utilizando a Telemedicina, realizar  consultas de 2ª opinião nos casos mais complexos e tratar do paciente sem que ele precise viajar para Portugal. 

Por motivo de facilidade de acesso visitamos o Hospital Agostinho Neto e um Centro de Saúde, ambos na Ilha de Santiago. No Posto de Saúde da Achada de Santo Antonio fomos recebidas pela Dra Dulce Dupret, médica e chefe da unidade que nos apresentou o seu serviço. A unidade é super moderna não estando nada a dever para os melhores postos de saúde públicos brasileiros.

E os problemas também são os mesmos: carência relativa de profissionais, clientela pouco informada sobre sua própria saúde e a articulação das ações com as unidades de complexidade superior. 

No Hospital Agostinho Neto (HAN), fomos recebidas pela diretora clínica, a Dra Mecildes Costa. Nas conversas preliminares me disse que tem uma filha estudando no Brasil que depois, vimos, foi colega do meu filho no curso de Medicina na Unifesp/São Paulo.  Êta mundo pequeno!  Enquanto visitávamos o hospital foi nos contando sobre a história do HAN que há 150 anos participa da luta do povo cabo-verdiano para a superação das doenças infectocontagiosas e agora se aparelha para enfrentar o desafio das doenças crônicas.

Como tantos hospitais brasileiros também históricos, o HAN opera com uma estrutura defasada em relação aos desafios da moderna medicina, o que dificulta a organização do trabalho. Porém há novidades no front: as novas instalações da Maternidade, da Farmácia Hospitalar e novos serviços como a Diálise e a Telemedicina.   

A adesão do HAN à Rede Sentinela já está em curso, bem como a do Hospital Batista de Souza, e esperamos que em nosso encontro anual em Fortaleza já  contemos com a  participação de ambos! Para estes hospitais a troca de experiências com a rede brasileira será um estímulo a mais para perseguir no caminho da melhoria da qualidade! 

Deixamos Cabo Verde conhecendo um pouco mais das nossas raízes, percebendo melhor as nossas semelhanças tanto nas fragilidades como nas fortalezas e acredito mais aptos para escolher e perseverar no caminho da qualidade, da eficiência, usando modelos próprios, que respeitem o nosso DNA comum e na nossa  cultura. 

Nos agradecimentos finais, quero registrar o abraço emocionado de despedida em cada um dos colegas com quem carinhosamente nos relacionamos nesta semana e lembrar que por trás desse gesto simbólico estão os muitos amigos da Rede Sentinela,  espalhados em cada pedacinho deste Brasil enorme; pessoas de fibra e de luta que nos inspiram a  viver esta ousadia de sonhar com uma rede transnacional que promova a saúde nos termos que entendemos com os  seus significados próprios e seus valores.

 E vamos trabalhar, minha gente!   

Palavras-chave: Cabo Verde, cooperação internacional, escravidão, sistema de saúde

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Setembro 28, 2008

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Ecos do passado

Como acontece nos congressos da ABRASCO, o EPI 2008 me deu a oportunidade de rever amigos que não via a décadas. Na viagem de volta a Brasília me lembrei de vários episódios das nossas afetivas e profissionais. Um deles, que descrevo aqui recupera um importante passo para a Saúde das Crianças em nosso país...leia mais

Um fato marcante para a Saúde da Criança se deu no início dos anos oitenta com a implantação da Carteira de Saúde da Criança para o acompanhamento da curva de Peso. A carteirinha da Criança já era bem conhecida nessa época, todos os serviços de pediatria a empregavam.

Além da identificação da criança, endereço e filiação trazia também o agendamento das consultas e as vacinações feitas. A medida e acompanhamento do peso da criança também não eram novidade: faziam parte da rotina de atendimento pediátrico e constavam no prontuário da criança, arquivado na unidade. A cada consulta o pediatra comparava o peso atual com o peso anterior, mas não tinha uma linha evolutiva para se orientar. Avaliava o incremento obtido de forma aproximada e não se falava mais nisso, até a próxima consulta.

A novidade dessa nova carteira era o acompanhamento do peso da criança por meio de três curvas, uma mediana e as outras duas que definiam respectivamente o limite superior e inferior, esperados para aquela idade, criando entre essas duas linhas um espaço de segurança para o desenvolvimento sadio da criança; que foi chamado  muito apropriadamente de "Caminho da Saúde".A diferença entre as duas tecnologias parece mínima, mas o resultado para a vigilância da saúde é muitas vezes superior. Estudos detectaram que as crianças submetidas à maioria das doenças têm manifestações difusas e pouco específicas: mal estar, inapetência, indisposição, febre e perda de peso. A perda aguda de peso, mesmo em crianças dentro do “caminho da saúde” é alerta importante para a busca de infecções inaparentes e outras condições patológicas.

Quando li sobre esses estudos fiquei ansiosa por implantar a novidade na rede básica de Osasco que eu coordenava. A dificuldade era arranjar os modelos de curva, que não tínhamos no Brasil. A rede internacional de relacionamentos da Ana Regina Reis, entrou em ação e uma bela manhã recebi um pacote postal com os cartões alaranjados do Caminho da Saúde.

A aceitação dos pediatras foi excelente, desta vez a chiadeira ficou por conta da enfermagem que teria muito trabalho a mais: pesar cuidadosamente as crianças sem roupas, o que não era feito; esperar o bebê parar de espernear para aferir o peso correto, o que às vezes dava muito trabalho e depois anotar o peso na curva, que tiveram que aprender, pois nunca antes lhes tinha sido ensinado. Precisamos providenciar salas de pré-consultas em todos os postos, abrigadas e sem correntes de ar para a pesagem dos bebês, balanças aferidas e treinamento do pessoal para a plotagem dos pontos na curva. Deu um trabalhão, mas valeu a pena! Passamos a detectar com facilidade não só os desnutridos, o que não era grande vantagem, mas também as crianças em situação de risco. Nesse grupo, buscávamos infecções ocultas que pudessem causar a parada no desenvolvimento e quando não era esse o caso, intensificávamos as visitas e as orientações. Muitas vezes a causa do problema era um misto de carências sociais e educacionais para o que entrávamos com suporte nutricional preventivo e monitoramento. E experiência envolveu milhares de crianças. A população de Osasco naquela época era de cerca de 600 mil habitantes, metade disso abaixo dos 18 anos e algo ao redor de 15000 menores de um ano. Osasco foi a primeira cidade brasileira a implantar o Caminho da Saúde, mas nunca publicamos esse trabalho. O Ministério da Saúde se alongou nas discussões, o Estado de São Paulo não aceitava o modelo do Ministério, pois já tinha sua carteira de vacinação e não queria mudar. Acabou fazendo um modelo diferenciado, em duas cores, rosa para meninas e azul para os meninos, mas perdeu um bom tempo nessa indecisão.  De novo, essa minha paixão pela “larga escala”, por enfrentar o problema real, ao invés de tratá-lo com os cuidados de um estudo, complicou a necessária documentação que a experiência merecia. De tanto ver centenas de crianças em situação de risco serem estabilizadas, graças ao uso sistemático do Caminho da Saúde, a intervenção passou a ser tão óbvia para nós, que nunca nos passou pela cabeça que seria importante descrevê-la num trabalho científico e publicá-la. Esquecíamos que outros gestores de saúde poderiam se beneficiar dos nossos resultados, assim como nós, no início, nos beneficiáramos dos estudos publicados por uns gringos que nem sabíamos quem eram!

Palavras-chave: avaliação de tecnologias leves, Caminho da Saúde, Memorias, Saude da Criança

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Setembro 26, 2008

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EPI 2008

XVIII Congresso Mundial de Epidemiologia e VII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, reuniu em Porto Alegre/Brasil cerca de 5000 participantes que fizeram do evento um momento único de aprendizagem e troca de experiências entre 71 países.  Após o nosso Encontro da Rede Sentinela em São Paulo, parti direto para Porto Alegre para o XVIII Congresso Mundial de Epidemiologia e VII Congresso Brasileiro de Epidemiologia. O convite partiu de uma amiga de longa data, a Dra Suely Rozenfeld, que moderou a mesa Eventos Adversos em Hospitais. Eu apresentei a experiência da Rede Sentinela, o colega da FioCruz, Walter Mendes apresentou um estudo regional sobre freqüência de eventos adversos em hospitais do Rio e a Dra Ana Margherita Bork do Hospital Albert Einstein abordou a experiência do hospital que já havia mostrado no nosso encontro. A sala estava cheia; o assunto despertou muito interesse e a participação foi muito boa!Ainda tive o prazer de moderar uma mesa no último dia do congresso que reuniu excelentes apresentações orais sobre custos e perdas relacionadas a eventos adversos em hospitais. A Dra Angela Lopes Rodrigues da Universidade Federal de Sergipe abriu a mesa apresentando um estudo sobre o custo de infecções em UTIs do Espírito Santo; o nosso amigo Paulo Rogério Antonio, gerente de risco do Hospital do Servidor Estadual de São Paulo apresentou seu trabalho sobre o aumento da permanência em Unidade de Clínica Médica relacionada à ocorrência de eventos adversos com medicamentos; a Dra Denise Schout apresentou os indicadores de qualidade hospitalar do Complexo HC de São Paulo e por último, tivemos uma apresentação de Cuba, feita pelo Dr. Armando Salvá que nos trouxe as iniciativas daquele país para a internação domiciliar.De novo, sala cheia e muita participação! Vi muita coisa nova no congresso. Procurei escolher os assuntos menos conhecidos e as palestras de países estrangeiros.Adorei tudo o que vi! Estão de parabéns os organizadores, colaboradores e palestrantes que fizeram do evento um momento único de aprendizagem e troca de experiências entre 71 países e cerca de 5000 participantes, 12% deles estrangeiros.Eu, que não sou epidemiologista, me surpreendi de como muitas das nossas iniciativas para a rede sentinela também estão sendo discutidas pela Epidemiologia; como a utilização das novas tecnologias da informação, principalmente a Internet; a conferência da Laura Rodrigues (Reino Unido) sobre o uso de linkagem de dados e registros médicos para a a pesquisa epidemiológica foi instigante! Ficou patente em várias falas durante o evento como causas e efeitos se entrelaçam, ora aparentam ser causas, no momento seguinte surgem como efeitos. Essa natureza dual é mais flagrante nas condições em que multifatores sociais e econômicos são determinantes importantes. Citando o Paulo, é o efeito Tostines: que dizem que vende mais porque é fresquinho, ou será que é fresquinho porque vende mais? Assim também fatores negativos geram outros fatores também negativos que resultam em danos cada vez maiores. Essas considerações têm tudo a ver com a busca pela qualidade e segurança em nossos serviços... Vamos em frente! Bom fim de semana a todos!

Palavras-chave: Epidemiologia, Eventos adversos em hospitais, Rede Sentinela

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Abril 14, 2008

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Hoje estou completando 57 anos e para comemorar a data, retorno a esse espaço com um pouco da estória recente da medicina nesse nosso país tropical abençoado por Deus. Este texto conta a minha participação há cerca de 20 anos atrás, na implantação da terapia de reidratação oral ( TRO) no tratamento de crianças e bebês desidratados. A aventura se deu no município de Osasco/SP, a primeira cidade brasileira a implantar esse modelo de cuidado no sistema público de saúde. 

A OMS estava testando na África e na Ásia uma nova terapia de reidratação (TRO) para o tratamento de crianças em estado de desidratação moderada e grave. Era um mistura de sal, açúcar e água em determinada proporção que deveria ser dada via oral para as crianças desidratadas, colher a colher, copo após copo, numa velocidade pré determinada, até a criança se rehidratar. Estávamos acostumados com sorinhos orais de menor concentração salina e que absolutamente não conseguiam hidratar ninguém, porisso a nova de terapia enfrentou inicialmente muito descrédito. A única forma disponível naquela época para hidratar essas crianças era a utilização de soros por via venosa e quem tem experiência em hospital sabe a dificuldade que é conseguir uma veia de calibre considerável em um bebe desidratado! A desidratação era causa importante de mortes em crianças e a chegada dessa nova terapia nos entusiasmou: hidratar as crianças, sem agulha, sem internação, só com água sal e açúcar era fantástico!

A batalha pela introdução da TRO no município de Osasco, começou em 1983, onde eucoordenava os programas de Atenção a Criança e à Mulher. Além do conhecimento foi preciso aliar muita perseverança, acionar uma rede de relacionamentos, algum poder e contar com muita sorte para que a introdução dessa nova tecnologia no dia a dia da saúde fosse bem sucedida. Afinal não havia interesse econômico envolvido, ou empresa interessada, bancando essa promoção.

A nova tecnologia (TRO) era mais eficiente, mais segura, mais conveniente e mais barata do que a tecnologia em uso. A Economia da Saúde diria que a tecnologia então em uso: a hidratação venosa, estaria dominada em relação à nova forma de tratar. Na prática não foi tão fácil assim.

A nossa estratégia inicial foi apostar na mudança de comportamento dos médicos para introduzir a TRO na secretaria de saúde do municipio, mas o resultado não foi dos melhores. Aproveitamos as reuniões mensais que tínhamos criado para educação continuada e convidamos palestrantes, também médicos, de escolas importantes, USP e Paulista, amigos nossos, para trazer toda a ciência e toda evidência que apoiava a TRO. A discussão no nível científico foi acalorada, mas os médicos resistiam à mudança com o argumento de que não iriam arriscar a vida das crianças tentando uma terapia que não tinham certeza se funcionaria.

Poderíamos ter parado por aí, mas uma situação favorável surgiu: no nosso curso de enfermagem abordamos o mesmo tema com uma linguagem mais simples e as auxiliares logo se interessaram porque a elas cabia cuidar das veias das crianças em tratamento e sabiam como isso era difícil. Naqueles anos o stress no trabalho da enfermagem tinha como componente importante a guerra contínua para conseguir e manter veias em pacientes internados. No Emílio Ribas no auge da epidemia de meningite as crianças recebiam antibióticos por via venosa por muitas semanas a fio e não havia os modernos gadgets que temos hoje. Um buterfly era raro e guardado com carinho para os casos impossíveis... Voltando da digressão, nossas alunas estavam ansiosas por testar se a TRO daria certo de verdade, se teria efetividade, como diz a teoria, e nos pediram um estágio prático.

Nos valemos de nossos contatos no PS e pedimos permissão para treinar as auxiliares de enfermagem nessa nova terapia, sob nossa supervisão. O Dr.Vicente Delamanha, diretor do PS Infantil  de Osasco era um pediatra esclarecido, com especialização na França e recebeu com boa vontade a nossa proposta. Os médicos do plantão também gostaram da idéia, pois era menos trabalho para eles, uma vez que eles triavam os desidratados para a nossa equipe e nós fazíamos o trabalho em conjunto com as mães. Ao final, com a criança hidratada, voltávamos ao médico de plantão para mostrar os resultados e para a alta.

Finalmente pegamos o rumo!Ficamos três semanas realizando esse trabalho, tratando as crianças, ensinamos mães, médicos e auxiliares do PS Infantil não só um conhecimento, mas uma nova competência. Daí para frente a onda virou a nosso favor e a novidade se espalhou substituindo a forma antiga de tratar. Nós e nossa equipe aprendemos que é preciso perseverança e uma boa da rede de relacionamentos para qualquer trabalho inovador que se queira fazer!

Hoje em dia, os novos médicos raramente vêem uma criança dehidratada em terceiro grau, como víamos naquela época. Provavelmente nunca viram uma morte sequer por esta causa. Tudo porque a hidratação oral foi tão difundida que ao primeiro sinal de vômitos ou diarreia, qualquer mãe  sabe como preparar o soro caseiro e o oferece à criança evitando assim que ela desidrate.

Moral da estória: Não basta ter uma idéia brilhante, é preciso se aliar às pessoas certas, àquelas que têm interesse em ver a mudança acontecer!

Boa noite!

Clarice

Palavras-chave: Medicina, terapia de reidrtação oral, TRO

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Março 14, 2008

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Comemorando um ano do "Sentinelas em Ação"

O "Sentinelas em Ação" é um programa de saúde focada em hospitais. Entra no "ar" semanalmente todas as terças-feiras das 11 às 12 horas da manhã. É feito artesanalmente pela Rede de Hospitais Sentinela com uma pitada de tecnologia, outra de sorte e muita colaboração de todos.

A tecnologia (videostreaming e videoconferencia) é do IEP/ Telemedicina do Hospital Sírio Libanês; a apresentação é da Marisa, gerente de risco do Incor;os palestrantes são garimpados na rede por indicação dos gerentes de risco dos mais de 200 hospitais da rede, a audiência: profissionais da equipe de saúde e alunos;  a quase-organização é nossa!

A cada semana cerca de 50 hospitais em média entram em rede para assistir ao um novo programa, perguntar, elogiar, cumprimentar os amigos. Quase todos se conhecem e se respeitam nas suas individualidades, em suas diferenças. Aprendemos juntos como cuidar melhor de nossos doentes, como protegê-los das adversidades, sem descuidar de nossos hospitais que precisam continuar funcionando com eficiência e segurança, sem crises ou interrupções.

É um desafio e tanto!

Estamos preparando uma comemoração modesta com a idéia de retribuir o tanto que temos recebido de todos neste último ano e recarregar as baterias para continuar na luta construindo o muito que ainda falta construir. 

Se vc se interessar por estes aspectos da atenção hospitalar e quiser conhecer os vídeos, entre em contato! 

Palavras-chave: Sentinelas em Ação, telemedicina telessaude

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Fevereiro 27, 2008

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 Boa noite,

Este post representa de alguma maneira uma volta à USP da qual me desliguei fisicamente em 1975. Esta volta só foi possível graças a essa incrível tecnologia disponibilizada pelo STOA capaz de aproximar pessoas, gerações e lugares. Estou escrevendo de Brasília e entendo que esta atividade faz parte do meu trabalho expandido e vou arrumar um jeito de regularmente entrar neste forúm.

Conheci recentemente o Prof Ewout ter Haar, mentor deste projeto e o Everton Zanella, uma pessoa muito querida ( vocês precisam conhecê-lo!). Conhecê-los me fez pensar como evoluímos nestes vinte anos que separam a minha geração da dele... éramos tão mais brutos, tão mais egoístas...  Fiquei entusiasmada com a ideologia do projeto e com as suas possibilidades. Entendi que nós faremos esta rede, do melhor jeito que pudermos (ou que merecemos...) 

Como toda pessoa em estado de paixão recente mandei mensagens para  alguns colegas, ex-alunos da USP que hoje estão em países distantes e estou torcendo para que eles participem...

Estou convidando também a minha rede de relacionamentos do projeto Hospitais Sentinela para conhecer o STOA. Desde 2001 coordeno esta rede que hoje é composta por 199 hospitais, a maioria universitários. Faltava-nos uma tecnologia como esta para nos aproximar e facilitar a inclusão de alunos e jovens profissionais nesse projeto. Só ampliando nossa abrangência poderemos ter no Brasil hospitais mais seguros, eficientes e centrados no paciente. 

Assim, estou aqui para aprender e para trocar esperiências com vocês e também, na medida do possível apresentar novas soluções tecnológicas para outras universidades públicas brasileiras. A tarefa é grande e vamos precisar de muitos para ajudar.

Nos países desenvolvidos o setor saúde movimenta grandes somas de recursos financeiros e é responsável por  20% de toda a inovação tecnológica. No Brasil temos poucos técnicos nesse setor. A saúde brasileira é feita basicamente por médicos e enfermeiros que sozinhos não dão conta de cuidar da tecnologia que cada vez é maior nesses serviços!

E como talvez vocês saibam, usar tecnologias sem conhecê-las bem e sem monitorá-las é um grande risco. É como dar uma metralhadora moderna nas maõs de uma criança.( veja o filme Cidade de Deus) É essa, mal comparando, a situação de uso de tecnologia em grande parte dos hospitais brasileiros.

Estudos sobre a ocorrência de eventos adversos relacionados ao uso irracional ou inadequado de tecnologias em serviços de saúde mostram níveis alarmantes até em países do primeiro mundo: 10 a 16% das internações produzem eventos adversos de alguma gravidade, no caso do país ser a Grã Bretanha ou a Australia. Imagine no Brasil! Como esse dado não existe só nos resta imaginar, mesmo! Ainda imputamos os nossos fracassos na atenção hospitalar à fatalidade e portanto não há razão para previnir o que é fatalidade.  

Para os viciados em adrenalina, considerem internar-se em um hospital é mais arriscado do que praticar esportes radicais como o alpinismo ou o surfar! E é muito mais barato...

Mas a idéia com essa conversa não é denunciar, mas encontrar soluções. Talvez nós médicos e enfermeiros ainda não as tenhamos achado por que elas estão fechadas em outras caixinhas, de outros donos e não temos acesso a elas.

Vocês que são de áreas técnicas já pensaram em trabalhar no setor saúde? Saibam que poderíamos ter muito mais eficiência e muito mais segurança se pudessemos contar com vocês para esse aumento de contingente. VocÊs vão dizer que  terão que abrir esse mercado à machadinha, e é verdade! As barreiras são fruto da ignorância de gestores do passado gerindo instituições do futuro, o que sempre dá problemas! Ainda acham que hospitais só precisam de médicos e enfermeiros, o resto é perfumaria.

Convido vocês a pensarem como podemos derrubar as caixinhas que engessam as práticas, democratizar o conhecimento e dar a todas as melhores ferramentas disponíveis para realizar o trabalho hercúleo de cuidarmos com responsabilidade de nós mesmos e da raça humana.

Escrevam para mim!

 

 

Palavras-chave: gestão hospitalar, tecnologia em saúde

Postado por Clarice Alegre Petramale | 3 usuários votaram. 3 votos | 8 comentários