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Março 04, 2009

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 A Ética Futura


Por : Jocax , do livro do Genismo

 

Para entendermos a ética-futura, vamos rever as causas e os fatores que originam uma ética.

 

Embora ética e moral possam ser pensadas como sinônimos, freqüentemente precisamos diferenciá-las, como vimos anteriormente na Gamética. De outro modo, a ética pode ser entendida como a formalização de uma moral previamente estabelecida, e por essa razão a moral, em geral, precede a ética.

 

É bom ressaltar que quando a ética surge como uma forma de formalização da moral, ela também passa a ser, para as gerações que aprendem com ela, através da cultura, a origem da moral, e, neste caso, pode-se dizer que a ética é precursora da moral, mas em termos históricos a moral sempre precedeu a ética. Neste texto, contudo, iremos tratar a ética e a moral como sinônimos.

 

A moral surge naturalmente como uma forma de minimizar conflitos num grupo de indivíduos que vivem em sociedade. Antes mesmo do surgimento do homem moderno, nossos ancestrais –os hominídeos - já viviam em sociedade, e por esta razão, a origem de grande parte de nossos códigos morais estão incrustados em nossos genes. Podemos constatar isso observando o comportamento de outras espécies. Em macacos, por exemplo, os elementos de um grupo sabem quem é o líder, o elemento alfa, e que devem respeitá-lo para evitar piores conseqüências. É uma forma primitiva de regra moral.

 

Outros animais demarcam seu território com determinados odores para se evitar que invasores, da mesma espécie, adentrem sua área. Estes tipos de comportamentos podem ser pensados como códigos morais que devem ser respeitados para evitar conflitos. Assim, podemos perceber que a moral está sempre acompanhada de uma punição aos que não a respeitarem, sem a qual, ela deixara de ser seguida.

 

Nas sociedades humanas, a ética evoluiu bastante. Em nossa sociedade, a ética foi extensivamente catalogada e normatizada dando origem às leis e aos códigos penais. Há muito tempo já não é mais necessário demarcar o território com sinais para indicar que a área já possui dono. Hoje, existem contratos escritos e assinados que marcam, de maneira análoga, o direito de posse. O Direito surge então como conseqüência direta da normatização da moral. O Direito é, portanto, a ética documentada.

 

A ética não evoluiu somente na extensão e no modo moderno de demarcar fronteiras entre o que é certo e errado. Com a evolução da capacidade cerebral, determinadas ações podiam ser avaliadas, e julgadas, através das conseqüências que delas derivassem.

 

É importante notar que este padrão médio de avaliar as conseqüências de uma ação, e que depende da inteligência média do grupo, é o que irá determinar quando um dado ato deve ou não ser considerado ético ou legal. Pessoas com deficiência mental, por exemplo, são sempre absolvidas de quaisquer atos danosos que venham a praticar, pois sua inteligência deficitária as impedem de avaliar, com a precisão de uma pessoa normal, as conseqüências de seus atos.

 

Como a capacidade de avaliar conseqüências é fruto direto da inteligência, então, a responsabilidade também deve ser uma propriedade individual e, assim, o julgamento ético deveria ser aplicado dentro do contexto da individualidade pessoal, que poderia variar de uma forma quase contínua, como também ocorre com a variabilidade da inteligência entre os indivíduos de um grande agrupamento humano.

 

Além de a ética abarcar o julgamento sobre ações tomadas a partir da previsibilidade de suas conseqüências, abre-se também um novo ramo, pouquíssimo explorado, mas também fruto da evolução intelectual humana: a “responsabilidade por omissão”.

 

A responsabilidade da omissão surge do dever que temos de nos preocupar não somente com as conseqüências de nossos atos, mas também com as conseqüências de nosso não-agir, das escolhas que poderíamos ter feito, mas não fizemos. Ao escolhermos uma determinada ação, e não uma outra, somos também responsáveis por permitir um determinado leque de conseqüências e não outro. E estas avaliações deverão ser sempre baseadas na MEC.

 

A responsabilidade por omissão não é tão explorada e detalhada como a responsabilidade pela ação porque, em geral, pressupõe a necessidade de mais inteligência do que aquela necessária para avaliar as conseqüências de atos já escolhidos. É muito mais difícil saber quais ações poderiam ser tomadas e avaliar qual seria a melhor delas, ou a menos má, do que apenas avaliar uma única ação, já escolhida, pois, para cada uma das ações possíveis, uma estimativa de avaliação de suas conseqüências deveria ser feita. Só assim poder-se-ia saber qual seria a melhor escolha.

 

Contudo, dentro de uma espécie no qual o QI médio da população sobe inexoravelmente a cada geração, a ética não poderá ficar para trás. A ética-futura pretende que ações não executadas, as escolhas não tomadas, também sejam parte integrante da ética e da responsabilidade de seus agentes, assim como o é, hoje, a responsabilidade pelas conseqüências das ações já tomadas.

 

Podemos comparar a ética futura com a ética tradicional com uma sentença:

 

A ética tradicional se preocupa apenas com a responsabilidade na diminuição da felicidade de sistema social, ao passo que a ética futura fornece uma ênfase maior à responsabilidade pelo aumento da felicidade num tempo futuro do sistema.

 

Um exemplo ajudará a elucidar este novo enfoque:

 

Um homem rouba 100 milhões de reais do erário público. Sua pena deveria ser maior ou menor do que a de alguém que roubou de uma empresa particular? E esse mesmo crime em relação ao crime por assassinato? Qual pena deveria ser a mais grave?

 

Resposta: segundo a ética futura, a pena deveria ser maior pelo roubo do erário público do que o de uma instituição privada, e, dependendo do valor,  também maior do que a de alguém que cometeu um assassinato. Isso porque este montante de dinheiro, sendo parte do erário publico, poderia ser utilizado para salvar talvez  milhares de vidas que são diariamente ceifadas pela fome ou por deficiências na área de saúde.

 

Atualmente, sabe-se que morrem, por exemplo, no Brasil, dezenas de crianças por dia por desnutrição e problemas. Se com 10 mil reais fosse possível salvar uma criança da morte então, estes 100 milhões roubados poderiam salvar da morte certa cerca de 10 mil crianças. Isso significa que este dinheiro roubado poderia ter sido usado para salvar milhares de vidas, portanto este roubo causou um prejuízo maior, em termos de vidas humanas, do que  a morte de uma única pessoa, assim, a pena por este roubo deveria ser maior do que a pena pelo crime de um único assassinato.

 

Uma abordagem inusitada da ética futura está no resultado de sua análise sobre a quantidade de filhos de um casal. Considere um casal bastante rico que, para não ter sua vida de viagens, festas e jantares prejudicada, resolve não ter filhos. Entretanto, se tivessem um filho, este teria tudo que precisasse e poderia ter uma vida bastante feliz. Mas, este casal decidiu que esta vida não deverá existir, e esta felicidade, que poderia ser sentida de forma plena, não deverá existir. Isso não seria o equivalente a uma espécie de assassinato? Pois esta decisão tirou a possibilidade de existência de uma vida que tinha tudo para ser feliz. Deveria haver punição para isso?

 

Agora consideremos um outro caso: um casal muito pobre, com vários filhos, engravida novamente e decide fazer um aborto porque um novo filho irá fazer com que os recursos alimentares dos outros tornem-se ainda mais diminutos. Eles fazem o aborto, e são descobertos pela polícia e então condenados pelo crime de aborto. O leitor deve comparar a situação do casal rico e do casal pobre e, utilizando a ética futura, verificar a contradição em punir um casal que decidiu não ter um filho que passaria necessidade e não punir o outro casal que poderia ter um filho feliz.

 

Uma solução ética para o primeiro caso seria o pagamento de uma espécie de “taxa de não natalidade”: os casais ricos que poderiam ter filhos, e não o tem por algum tipo de egoísmo, teriam de pagar uma taxa mensal ao governo que, por exemplo, seria revertida para ajudar crianças necessitadas.

 

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Fevereiro 14, 2009

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F.A.Q. do “Nada Jocaxiano”

(Perguntas mais freqüentes sobre o Nada-Jocaxiano “NJ”)

Jocax, Fev/2009

 

 

1-   O que é o Nada-Jocaxiano (NJ)?

 

R: O NJ, diferente do inexistente, é algo (ser) que apresenta as seguintes propriedades:

P1-Não existem elementos físicos de nenhum tipo (matéria, espaço, ou energia).

P2-Não existem leis de nenhum tipo.

 

2- O NJ existe?

 

R: Podemos dizer que o NJ existe se existir algo que tenha as propriedades de um NJ (P1 e P2 acima). Atualmente o NJ não existe mais, mas pode ter existido num passado remoto, antes do "Big-Bang".

 

3-O NJ é "ser"?

 

R: Sim. Uma vez que ele possui propriedades ele deveria existir para ser receptor destas propriedades.

 

4-A característica do "Nada-Jocaxiano" não possuir regras ou leis não seria, ela própria, uma regra?

 

R: Não. Uma regra estabelece alguma forma de restrição. Por exemplo: "meu carro precisa ser vermelho" é uma regra, mas “meu carro é vermelho” não é uma regra e sim um ESTADO do carro. Eventualmente o carro pode ser pintado de azul e mudar de cor. Estabelecer que o estado da natureza no qual não existam regras é definido como sendo o "Nada-Jocaxiano" também não é uma regra a ser seguida e sim um possível estado da natureza, que poderia (ou não) mudar.

 

5-Dizer que tudo pode acontecer não seria uma regra? Uma imposição ao "Nada-Jocaxiano"?

 

R: Seria. Mas se observarmos ao texto eu friso que do nada Jocaxiano tudo pode OU NÃO acontecer. E isso não é uma regra, mas sim uma TAUTOLOGIA lógica-, uma verdade absoluta em quaisquer circunstâncias ou cenários. Isso implica que o "Nada-Jocaxiano", como tudo, segue uma tautologia (uma verdade absoluta) e não uma regra.

 

6-O "Nada-Jocaxiano" não possui elementos físicos nem leis, mas ele possui alguma POTÊNCIA, ou não?

 

R: Se chamarmos de "potência" como sendo a possibilidade de se transformar, a resposta é sim. Porém, devemos lembrar que possibilidade não é certeza, e eventualmente ele jamais se transformaria ou geraria alguma ou qualquer outra coisa.

 

7-O Nada-Trivial, onde nada pode acontecer, não seria algo mais provável que o "NJ"?

 

R: Não! O nada que as pessoas normalmente imaginam, e que eu chamei de “nada trivial” (NT), é infinitamente mais improvável de acontecer como origem do universo do que o NJ. Isso porque o "nada-trivial" possuiria, embutidas nele, INFINITAS regras a serem seguidas, por exemplo: ele não poderia gerar campos, não poderia gerar espaço, não pode gerar uma cadeira; não pode gerar leis físicas; ele não pode gerar deus; ele não pode gerar um Big-Bang; ele não pode gerar vida; ele não pode gerar partículas, etc.

 

8-O “Nada Inexistente” não é mais “puro” que o NJ?

 

R: O “Nada Inexistente” (NI) é um “nada” onde nada existe, nem ele mesmo!

Ele é, portanto, intrinsecamente contraditório, pois se ele mesmo não existe, ele não poderia ter propriedades, mas se ele possui a propriedade de não conter nada, ele deveria existir. Assim, se o “NI” existe, ele não pode ser inexistente, e se ele for inexistente, ele não pode existir. É algo contraditório, e por isso não foi utilizado como gerador do cosmo.

 

9- Qual a diferença de “Universo” e “Cosmo”?

 

R: Universo é o conjunto de tudo o que existe. Assim cada possível “Universo bolha” ou “Multi-Universo” são, na verdade, partes do mesmo Universo. Por isso é mais correto denominar cada “Universo bolha” de “Cosmo-bolha”. Um Cosmo, portanto, seria uma região do universo regido por suas próprias leis físicas, isolado e sem interconexão com outros cosmos. 

 

10-O NJ é o Universo ou deu origem ao Universo?

 

R: A rigor, pela definição de Universo, como sendo o conjunto de tudo o que existe, o NJ seria o próprio universo. Seria o universo em seu estado “minimal”, o estado mais simples possível. Portanto, o NJ não poderia originar o universo, pois ele seria o próprio universo, onde o tempo não existiria. Posteriormente ele poderia ter aleatorizado um ou mais cosmos.

 

11- O NJ não estaria limitado à nossa lógica? Ele poderia ser ilógico?

 

R: Devemos perceber que existem dois conceitos sobre o Nada Jocaxiano que estão inter-relacionados: O Objeto Nada-Jocaxiano (NJ-Objeto), e a Teoria sobre este NJ-Objeto (NJ-Teoria). O NJ-Objeto é definido como algo que possui as propriedades referentes ao NJ (P1 e P2) descrito acima. A teoria sobre o NJ (NJ-Teoria) é uma teoria baseada na lógica, que explica como o NJ-Objeto poderia aleatorizar nosso cosmo. Pode-se argumentar que se o NJ-Objeto não possui leis então também não precisaria obedecer à lógica, e isso, de fato, é correto. Entretanto, ao analisarmos o NJ-Objeto com a nossa lógica clássica, não estaremos incluindo novas possibilidades ao NJ-Objeto, mas, sim o oposto: poderemos estar, na verdade, limitando as possibilidades do NJ-Objeto, o que significa, talvez, que ele possa ser ainda mais "toti-potente" do que possamos imaginar.

 

12- O NJ, ao aleatorizar algo, deixa de ser um NJ, e perderia assim a capacidade de aleatorização?

 

R: As aleatorizações do NJ são chamadas de “esquizo-criações”.  O Universo estava na forma de um NJ.  A primeira esquizo-criação do NJ faz com que o NJ deixe de ser um NJ, pois agora o universo tem, ao menos, um elemento: sua primeira esquizo-criação. Se esta primeira esquizo-criação não for uma lei que o impeça de aleatorizar outras coisas, como por exemplo, uma lei que o torne um “nada-trivial”, então esta esquizo-criação, que é o NJ evoluído (NJE), poderia, eventualmente, continuar gerando suas esquizo-criações. Apenas a geração de leis que restrinjam a própria geração de leis poderia impedir novas esquizo-criações.

 

13- Poderíamos isolar uma porção do cosmo e torná-lo um NJ?

 

R: Dificilmente. Uma vez que o nosso cosmo já está “banhado” por leis físicas, para criarmos um NJ teríamos que retirar todas as leis físicas daquela região. Ninguém ainda sabe se isso é possível e muito menos como isto poderia ser feito.

 

14-Para haver seleção natural de leis, as leis não teriam que ser ordenadas temporalmente, isto é, o tempo já não teria que ser pré-requisito?    

 

R: Se for necessário que haja alguma “lei do tempo” ou o próprio “tempo” para que possamos ordenar as leis que são aleatorizadas pelo NJ então isso não seria um grande problema. Bastaria “esperar” que uma das “esquizo-criações” fosse uma lei temporal. A partir de então as novas leis estariam ordenadas e sofreriam “seleção natural”.

 

15-Quais as evidências que o nosso cosmo veio de um NJ?

 

R: As evidências seriam um universo lógico, onde não haveria contradições físicas entre os elementos deste universo.

 

 

Referências:

[1] O Nada Jocaxiano

http://stoa.usp.br/jocax/files/-1/6865/O+Nada-Jocaxiano.ht

 

 

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 1 comentário

Fevereiro 12, 2009

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Projeto Felicitax: A Construção de Deux

 Por Jocax (Extraído do Livro do Genismo)

 

“Deus não existe, mas Deux pode ser construído.” (Jocax)

 

 Amigo,

O ponto em que eu toquei de leve, sobre o conceito autônomo de felicidade, é tão importante que eu há muito tempo procuro um bom nome para expressar a idéia. Eu queria um nome que exprimisse um limite na nossa “busca final”. Pensei em vários, mas não tinha achado nenhum que fosse realmente “digno” deste conceito.

 

Vou chamá-lo então de "FELICITAX". Talvez esta seja minha última grande idéia divulgada e, na verdade, eu a guardo a um bom tempo, pouquíssimas pessoas tiveram o privilégio de conhecê-la.

 

Minha intenção era publicá-la no meu livro sobre genismo, como seu último capítulo, que deveria ser intitulado: "Além do Genismo". Embora Felicitax não seja uma decorrência direta do genismo, com certeza Felicitax pode ser desenvolvido a partir da “Meta-Ética-Científica” da qual o genismo é um ramo. (In)felizmente, algum gene (malévolo?) torna difícil, para mim, manter segredo de grandes idéias. Bom, de qualquer forma, fica aqui registrada mais esta. Vou então resumir Felicitax, mesmo sob a pena de não ser entendido.

 

Introdução

 

O objetivo do genismo é a felicidade e não podemos consegui-la, em todo seu potencial, se não conhecermos o que realmente somos. Entretanto, a biologia evolutiva nos dá a resposta: somos “máquinas gene-perpetuativas”. O genismo parte desta constatação científica para propor uma filosofia, cujas idéias se refletem em nosso cotidiano, tornando-se também uma filosofia de vida. O genismo estabelece que não neguemos nossa condição biológica intrínseca de "máquinas gene-perpetuativas". Esse é o primeiro passo para reduzir os conflitos internos, aqueles que são provocados pela dicotomia “cultura x biologia” – conflitos memes x genes - a integração de nosso “ser cultural” com nosso “ser biológico” via genismo reduz este tipo de conflito promovendo menos sofrimento e mais felicidade. E se além disso percebermos que nosso verdadeiro “eu” não é a nossa tradicional consciência, e sim o que eu chamei de "eu - genético" (nossos genes), isso fará com que ganhemos também uma forma de imortalidade, e por isso ainda mais felicidade.

 

Mas a felicidade é definida através do tempo e do sentir [2]. A felicidade, por si só, pode ser considerada uma entidade autônoma. A felicidade não precisa e nem deve estar restrita egoistamente a nós ou à nossa espécie, e nem mesmo a seres biológicos!

O genismo também é uma teoria científica: é um método testável que visa à maximização de felicidade de seres biológicos evoluídos por seleção natural. Contudo, antes do advento da Meta-ética-científica (MEC), não havia uma abordagem científica para a ética e a moral. Não havia um instrumento científico que pudesse abordar de maneira objetiva a real eficácia das teorias éticas pela ciência. E como a MEC ainda é totalmente desconhecida e está em estado de desenvolvimento, a utilização política das teorias científicas para o “bem” ou para o “mal” ainda pode ser feita sem nenhum tipo de controle científico e objetivo. Assim, não é improvável que pessoas inescrupulosas, de visão curta, ou de má fé, ou não, possam tentar desviar o objetivo do genismo, deturpando-o. Isso poderia ser feito estabelecendo-se, por exemplo, como decisão política, a escolha de qual GRUPO deveria ter sua felicidade maximizada. E isso é extremamente perigoso: alguns podem querer que a felicidade a ser maximizada esteja restrita, por exemplo, a alguma espécie, outros a uma nação ou país, outros ainda a um determinado grupo étnico. Entretanto, a “Meta-ética-científica”, da qual o genismo é parte, advoga que o grupo deve ser tomado como o conjunto de todos os seres sencientes (capazes de sentir) e isso significa que o grupo não se restringe à espécie humana.

 

Bois, gatos, cães, ratos, baratas, pulgas e tudo mais que seja capaz de sentir deveriam estar envolvidos no grupo genista, uma vez que estes seres são, em princípio, também capazes de sentir. Isto, à primeira vista, parece bastante estranho e radical, mas, como já vimos, não é. O que acontece é que nosso cérebro possui cerca de 100 bilhões de neurônios e um animal, como, por exemplo, uma pulga, possui talvez apenas algumas poucas centenas. Além disso, a função de prazer pode crescer, por exemplo, exponencialmente com a quantidade de neurônios ou com o tipo de organização interna, e não necessariamente de forma linear.

 

O que eu quero dizer é que os organismos não têm o mesmo peso no computo da felicidade total. A felicidade depende da capacidade de sentir de cada organismo. O sofrimento de um único cérebro humano, por exemplo, poderia ser de tal magnitude que justificasse, hipoteticamente, a eliminação de toda uma espécie que o fizesse sofrer, como, por exemplo, a que causa a cólera, ou a das pulgas. Dessa forma, se a capacidade de sentir humana é maior, deveríamos ter também mais direitos que outras espécies com menor capacidade de sentir. Além disso, a “meta-ética-científica” estabelece que a felicidade deve ser computada no maior período de tempo possível, assim, a inteligência é um aspecto fundamental, já que através dela poder-se-ia evitar o fim do planeta por uma colisão de meteoro, ou mesmo evitar o fim da vida (e da felicidade do planeta) como está previsto para daqui a 4 bilhões de anos com a explosão do Sol. Tudo isso deve ser levado em consideração (e a nosso favor) na integral da felicidade geral.

 

FELICITAX

 

Apesar da longa introdução acima, a grande maioria das pessoas, com certeza, não irá entender o que eu vou expor. A “ditadura da consciência” impedir-as-á de enxergar. Contudo, vou deixar aqui registrado, para o futuro quando as mentes puderem enxergar um pouco além de seus próprios umbigos.

 

Quando eu tentei explicar FELICITAX para algumas poucas pessoas, eu utilizei um exemplo hipotético simples, e farei isso novamente:

 

Suponha que você fique de fronte, “cara a cara”, com um simples inseto, como, por exemplo, uma "formiga". Imagine que vocês se “olhem” nos olhos, e ficassem assim,  contemplando-se um ao outro, por alguns minutos. Suponha também que este inseto tivesse alguma noção de quem você é. Você, com seus mais de 100 bilhões de neurônios e sua capacidade de sentir e de pensar. A “formiga”, talvez tenha apenas algumas centenas de neurônios e, por isso, se pudesse, perceberia de algum modo que sua pequena rede neural, em seu diminuto corpo, estaria contida na de quem a observa, e assim, de certa forma, SEU SER ESTARIA CONTIDO NO OBSERVADOR: toda a percepção que ela possuísse, você teria, mas num grau bem maior, mas o inverso não seria verdadeiro; nem tudo que você sente e percebe poderia ser sentido pelo diminuto inseto. Esta “formiga” hipotética “saberia” que jamais conseguiria sentir, perceber ou entender o universo como você consegue. Se ela pudesse analisar sua potencialidade, ela então compreenderia que você seria quase como um "deus" perante ela. E, assim, ao perceber tudo isso, ela talvez o reverenciaria.

 

Se, por hipótese, sua vida ou a da “formiga” tivesse de acabar, e estivesse nas mãos desse “inseto” esta decisão, então talvez ela escolhesse por fim à própria vida para salvá-lo. Afinal, o seu potencial de felicidade é muito maior que o dela, e, assim, de algum modo, ela continuaria a “viver” em você. A sua felicidade, sua capacidade de sentir, talvez seja milhares, talvez bilhões de vezes, superior a da pequenina "formiga". Assim, mesmo sob o ponto de vista da medida de felicidade, da MEC, seria absolutamente correta a decisão da "formiga" de dar sua própria vida para salvar a sua.

 

Deux

 

Mas, e se neste exemplo hipotético acima, nós humanos é que fossemos a “formiga”?

 

Então, quem seria o "você”, que estaria para nós assim como nós estávamos para a “formiga” do exemplo acima?!

 

Esse "você" não existe. Pelo menos não aqui na Terra. Mas se existisse, seria um ser de magnitude tal que, deveríamos, se pudéssemos, dar nossa própria vida para salvar a dele!

 

Este ser hipotético, pelo simples fato de poder sentir bilhões de vezes mais que nós, poderia aumentar MUITO a felicidade do universo. Precisamos nomeá-lo. Chamemo-lo de "Deux". Assim, se Deux existisse, deveríamos, caso necessário, até darmos nossa vida para salvar a Dele.

 

Mas Deux não existe!

 

CRIÊMO-LO ENTÃO!

 

Se *tivéssemos* a tecnologia, este deveria ser o nosso objetivo. Mas, por quê? Por que deveríamos criar Deux? A resposta é simples: porque, por definição, Deux teria uma capacidade de sentir muitíssimo superior à nossa, e, portanto, poderia aumentar em muito a felicidade do universo. Não é ético pensar apenas na nossa própria felicidade. Nem mesmo na felicidade da espécie. Raciocínios desvinculados da ética podem levar a todo tipo de barbárie. Uma ética universal, livre e perfeita, deve pensar na felicidade como uma entidade autônoma, e não atrelada a alguma espécie ou subgrupo. Sabemos bem onde se pode chegar quando se atrela direitos apenas a determinados subgrupos.

 

O maior problema da MEC é a quantificação matemática do “sentir”. Se este problema for resolvido, Deux poderia ser construído, talvez, como um computador, caso contrário, poderia ser criado, por exemplo, como um grande cérebro biológico, algo como uma imensa massa neural imersa numa grande cuba que lhe forneceria alimento, oxigênio ou energia.

 

Devemos perceber que não há e nem deveria haver limites para o contínuo aprimoramento de Deux, e assim, sua capacidade de sentir e pensar poderia ser continuamente ampliada. Portanto, Deux teria um potencial infinito: na verdade, Ele próprio deveria projetar sua próxima “versão”, com módulos que poderiam ser agregados e somados à sua rede neural, ou então através de clones aprimorados. Claro que a busca pelo conhecimento poderia e deveria continuar através de Deux, pois seria a melhor forma de prever e escapar das perigosas intempéries de um Universo em contínua transformação.

 

Assim, Deux deverá ser projetado com o objetivo de ampliar a felicidade do universo, e para isso, a principal função de Deux será ele próprio sentir prazer, um imenso prazer. Entretanto, para que a felicidade do universo seja ampliada cada vez mais é necessário que haja inteligência e conhecimento capaz de produzir tecnologia para esse fim. Portanto, Deux deve ser portador de uma inteligência que se auto-amplia a cada nova “versão”, e capaz de aprender produzir e absorver cada vez mais conhecimento. Sua evolução far-se-á exponencialmente com o tempo. Ele deverá se auto-evoluir.

 

E quanto a nós? Nós, como as verdadeiras “formigas” desta história toda, deveríamos saber que, de algum modo, também estaríamos contidos em Deux. Mas, que fim nós deveríamos ter? Deux foi projetado para maximizar a felicidade do universo, acho que se estivéssemos nas “mãos de Deux” não teríamos com que nos preocupar, não é? Afinal, não estaríamos, de certa forma, contidos Nele também?

 

 

PS: Felicitax, em nossa era, deve ser tomado como uma entidade filosófica, ou então como um elemento de ficção científica, e não ainda como realidade. Até ser entendida, e se tornar um projeto factível, muitos milênios deverão transcorrer. Não é impossível, contudo, que Deux já tenha sido construído em outro planeta. Se foi, um dia Ele nos alcançará.

 

Palavras-chave: Deux, Felicidade., meta última, Objetivo Final, Projeto Felicitax

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Janeiro 31, 2009

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O UNIVERSO DIMINUINTE E O FIM DA ENERGIA ESCURA

João Carlos Holland de Barcellos, 12/agosto/2008

Colocarei uma nova idéia sobre cosmologia que procura resolver o problema da energia escura e da matéria escura eliminando a necessidade de postular sua existência.

Introdução

A energia escura é uma hipótese “Ad-Hoc” postulada com a única finalidade de explicar o aparente afastamento acelerado das galáxias distantes.  O efeito observado, indicando o afastamento acelerado, é conhecido como “Desvio para o Vermelho” (Red Shift). O “Red Shift” das galáxias é considerado, atualmente, como sendo um efeito doppler de afastamento.

 Esta nova teoria que vou expor, explicará o efeito “Red Shift” com outra hipótese que não a do afastamento acelerado das galáxias. Com esta nova hipótese, a existência da energia escura, e também da matéria escura, deixam de ser necessárias, e se esta teoria se confirmar então estas entidades “escuras” poderão ser abandonadas em definitivo.

Como me veio a idéia

Estava eu com meus botões tentando achar uma forma do Nada-Jocaxiano (NJ) [1] poder gerar a lógica aristotélica que explicaria a aparente ‘logicidade’ de nosso universo e para isso estava pensando que tipo de coisa o NJ poderia gerar no inicio, mas as possibilidades eram infinitas...  Suponha que o NJ gere um ALGO, pensei. Este algo pode ou não ter propriedades muito malucas, mas suponha que uma das propriedades desse primeiro ALGO gerado seja restringir a geração de coisas dentro ou fora de seus limites... Com estes devaneios em mente eis que DE SÚBITO me veio a idéia de que as coisas dentro do primeiro algo gerado poderiam ir diminuindo de tamanho e o ALGO original poderia ficar intacto.

Se as coisas em seu interior fossem diminuindo a impressão que se teria era de que o algo inicial estaria aumentando! Uma expansão! Abandonei meu problema original e me pus a lapidar esta nova idéia.

Lapidando a Idéia

Nesse modelo de “Universo Diminuinte” os átomos e outras partículas estariam diminuindo de tamanho na mesma proporção que as dimensões espaciais também diminuíssem.

Como o tamanho da nossa “régua” diminuiria, juntamente com as dimensões espaciais locais, não perceberíamos esta diminuição localmente. O tamanho apaente seria o mesmo pois nosso padrão de medida diminuiria na mesma proporção das dimensões espaciais.

Sabemos pela teoria da relatividade geral (TRG) que o tempo num sistema submetido a um campo gravitacional corre mais lentamente que outro sistema sem o campo, ou com um campo gravitacional mais fraco. A idéia é que a diminuição das dimensões espaciais locais seja provocada pelo efeito do campo gravitacional a que está submetido o sistema. Ou seja, os “buracos-negros” não seriam casos especiais de sistemas em colapso eterno. Além disso, a contração do espaço deveria depender também da intensidade da força gravitacional.

Teoria da Relatividade- Principio da Equivalência

É interessante notar que esta idéia é muito semelhante, só que expandida para 3 dimensões, com a relatividade especial quando esta afirma que a dimensão do sistema que se move na direção do movimento sofre uma contração. Quanto mais rapidamente um objeto se move mais ele vai se contrair na direção do movimento. No Univero Diminuinte esta contração seria devido à gravidade e ocorreria nas 3 dimensões espaciais.

Podemos intuir o Universo Diminuinte das seguintes premissas da teoria da relatividade:
1- Dentro de uma caixa fechada sob aceleração, ou campo gravitacional, quem está dentro não pode saber por nenhuma medição interna se sua caixa está sendo acelerada ou se está sob a influência de um campo gravitacional.
2-Um objeto em aceleração vai aumentando sua velocidade. Mas sabemos que quanto maior a velocidade maior é a contração deste objeto na direção do movimento.

Juntando 1 e 2 podemos intuir que um objeto num campo gravitacional poderia sofrer contração como de fato sofre um objeto dentro de uma caixa que está sendo acelerada!

A luz através do espaço

Vamos pensar o que aconteceria com a luz emitida por uma galáxia distante até chegar ao nosso planeta:

Nossa galáxia, assim como as galáxias distantes, estaria em constante contração. Um fóton de luz emitida por uma estrela desta galáxia distante, após deixar a sua galáxia, percorreria um longo espaço “vazio”, sem muita influência gravitacional, até finalmente chegar à nossa galáxia e ao nosso planeta.

Durante este longo percurso percorrido (às vezes de bilhões de anos) este fóton sofreria pouco efeito gravitacional e sua freqüência pouco seria afetada. Contudo, durante este tempo, nosso sistema continuaria diminuindo, e quando finalmente este fóton chegasse aqui, nós mediríamos o seu comprimento de onda com uma “régua” bastante reduzida em relação a que tínhamos na época em que este fóton foi emitido.  Então em nossa medição se constataria que este fóton sofreu um “Desvio para o Vermelho” (Red Shift), porque mediríamos um comprimento de onda maior, e a explicação tradicional seria que este “Desvio para o Vermelho” se deveu ao efeito Doppler relativo à velocidade de afastamento da galáxia.

Fim da Energia Escura

Quanto mais afastada uma galáxia está do ponto de observação, mais tempo sua luz irá demorar para chegar até nós e mais encolhida estará nossa “régua” para medir este fóton e assim tanto maior aparecerá seu comprimento de onda, o que nos induziria a pensar que maior seria a velocidade de afastamento da galáxia. Esta aceleração aparente das galáxias distantes levou os astrônomos a postularem a existência de uma “Energia Escura”, que teria um efeito repulsivo, fazendo-as se afastarem cada vez mais rapidamente. Mas se a aceleração é devido à nossa própria redução de escala, esta energia escura não seria mais necessária, pois o que nos faz perceber seu afastamento acelerado é, na verdade, nossa própria contração espacial.
É o fim da energia escura.

Fim da Matéria Escura
 
Suponha que observemos uma galáxia distante em movimento de rotação.
O período de rotação da borda da galáxia é proporcional à raiz quadrada do cubo do raio dividido pela sua massa.  Matematicamente:

T = k * [( R^3)/M]^(1/2)

Onde: T é o período de tempo para dar uma volta, k é uma constante, R é o Raio, isto é, a distância do centro da galáxia à sua borda, e M é a massa da galáxia. 

Quando a luz desta galáxia chega até nós, observaremos o mesmo período de rotação, entretanto observaremos também um aumento aparente do raio R devido ao tempo que esta imagem levou para chegar até nós, que estamos em contração. Se para nós o raio observado da galáxia nos parece aumentado, e o período é o mesmo, tudo leva a crer que a massa M da galáxia deve ser maior. Ou seja, para manter o período T constante, a massa M deve parecer maior que a observada [3]. Por esta razão os cientistas postularam também a existência da “matéria escura”. Esta massa “extra” poderia corrigir as observações para manter o período de rotação de acordo com o raio da galáxia. Contudo, com esta nova hipótese do “Universo Diminuinte” a matéria escura também não seria necessária, uma vez que podemos corrigir o raio da galáxia ao seu verdadeiro valor para  a época que a luz foi emitida por ela.

 

Resumindo

Resumindo a Teoria do “Universo Diminuinte” teremos:
- O Universo não está se expandindo aceleradamente. O raio do universo, entretanto, pode estar se expandido, pode estar fixo, ou pode ainda estar diminuindo. O importante é que não estaria se expandindo aceleradamente.

- Os objetos em seu interior, assim como suas dimensões espaciais estão se contraindo devido à presença do campo gravitacional.

- Em nosso referencial local, a aparente expansão do Universo poderia ser explicado (pelo menos em parte) como devido à contração de nosso próprio referencial e seus padrões de medida.

- A teoria do Universo Diminuinte explicaria também o desvio para o vermelho (Red Shift): Uma galáxia, a certa distância de nós emitiria a sua luz com certa freqüência média F. Outra galáxia ainda mais afastada emitiria sua luz, por exemplo,  com a mesma freqüência, mas esta luz demoraria mais tempo para chegar a nós que a primeira galáxia. Mas quando esta luz mais afastada, por fim chegasse a nós, nosso padrão de medida estaria menor, e, portanto enxergaríamos esta segunda luz com um comprimento de onda maior (uma freqüência menor) que a luz da primeira galáxia. Isto é, observaríamos um desvio para o vermelho maior nas galáxias mais distantes do que nas mais próximas, e isto aconteceria mesmo se as galáxias não estivessem se afastando.

 

Refutabilidade

Uma forma rápida de refutar a teoria é verificar se o desvio para o vermelho esta de acordo com a massa escura observada, isto é, se a descontração do raio das galáxias, no cálculo do período, é compatível com o desvio para o vermelho observado.

Algumas Estimativas Numéricas.

Vamos fazer um cálculo aproximado, e não relativístico, da taxa de contração de nosso sistema terráqueo em função do “Red Shift”[4] observado.

 

Se F0 é a freqüência da luz de uma estrela que se afasta com velocidade V de um observador, então a freqüência F que este observador percebe esta freqüência é dada pela seguinte fórmula não relativística (c=velocidade da luz ):

F = F0 * (1 – V/c)                  (1)

 

Mas se L é o comprimento da onda, F sua freqüência e c sua velocidade, temos que:

        L * F = c                       (2)

 
Se L é a freqüência da onda observada e L0 a freqüência da onda na fonte, de (1) e (2) temos que:

      L = L0 / (1 -V/c)                (3)
 
Agora vamos supor que a velocidade de afastamento da galáxia observada segue a fórmula de Hubble (onde d é a distância da galáxia a nós):

   V = H * d                               (4)

 

Então, de (3) e (4) teremos:

    L = L0 / (1-H*d/c)                 (5)

 

Agora, se detectamos dois comprimentos de ondas L1 e L2 de duas galáxias distantes d1 e d2 da Terra, (d2>d1) que emitem luz no mesmo comprimento de onda L0, podemos estimar a taxa de redução das dimensões “Fx”, por unidade de tempo, na data em que as medidas foram tomadas:

Tx = (L2 – L1)/L1/ T          (6)

Tx é a taxa de redução por unidade de tempo, L2 e L1 os comprimentos de onda observado e T o tempo extra que a luz demora da segunda galáxia em relação à primeira para se chegar ao nosso planeta.

Normalmente a letra Z (red shift)[4] é designada para o fator (L2-L1)/L1:

 Z = (L2-L1)/L1               (7)

 T = (d2-d1) / c                 (8)

De (7) e (8) temos:

Tx = Z*c/(d2-d1)             (9)

 

Mas utilizando (4) e tomando os “red shifts” de cada galáxia isoladamente:

   Z1 = (L1-L)/L   e  Z2 = (L2-L)/L  (10)

Teremos:

Tx = [(Z2-Z1)/(Z1+1)]*H*c/(V2-V1)    (11)

Podemos tomar a nossa própria galáxia como padrão e simplificar a fórmula acima já que o “red shift” de nossa própria galáxia é zero:

Tx = Z * H * c/V     (12)  

Ou em distâncias

Tx = Z * c / d      (13)

Onde :
Z é o  “red shift” da galáxia
H é a constante de Hubble
d é a distância da galáxia
V a velocidade de afastamento aparente da galáxia 
c é a velocidade da luz.

 

Vamos usar a fórmula (13) e os dados da tabela cosmológica [5] para a galáxia NGC3034 e calcular a taxa de compressão atual. Para esta galáxia:

È interessante notar que Z/d  deve ser constante que reflete a taxa de compressão atual de nosso sistema de coordenadas !!

 

Tx = 0,000677 * 3E05 / (2,72 * 3E19) = 2,5E-18/s

A esta taxa de redução por segundo, em um milhão de anos a compressão seria de:

Tx * 1 milhão de anos  =  2,5E-18 * 3E13 = 0,007%

Se eu não errei as contas esse é um número absurdamente pequeno para ser observado.

Correlação entre Matéria escura e RedShift

Vamos calcular o acréscimo de matéria escura necessária em função do RedShift (*).
Este cálculo serviria para refutar esta teoria se a massa escura esperada não for compatível com o redshift da galáxia.

Da equação do período T (a primeira),  supondo que o período de rotação da galáxia seja o mesmo (T=T'), teremos:

R^3/M = R´^3 /M’                 (14)

Onde: R é o raio da galáxia real, e M sua massa real.
R’ é seu raio observado aqui na Terra (maior) e M’ sua massa total observada.

De (14) podemos derivar:

M’ = M (R’/R)^3                   (15)

Se Z é o RedShift da galáxia, teremos:

Z = (R’ – R) / R                  (*)  (16)

De (15) e (16) obtemos:

M’ = M (1 + Z) ^3               (17)

Se a Matéria Escura (Me)  é dada por

Me = M´ - M                  (18)

Temos, de (17) e (18)  :

Me = M [ (1+Z)^3  - 1 ]            (19)

Que é a Matéria Escura (Me) em Função do RedShif da galáxia (para galáxias distantes).
Agora, utilizando (5) teremos a matéria escura em termos da distância à nossa galáxia:

Me = M[ 1/(1 - H d / c) ^3 -1]             (20)

Onde :
Me = Massa da Matéria escura
M = Massa esperada
H = Constante de Hubble ( 70 km/s/Mparsec )
c = Velocidade da luz (300 000 Km/s)
d = distância da Terra á galáxia

Este valor deverá ser confrontado com a observação, e com isso corroborar ou refutar a teoria.

(*) Devemos tomar o RedShift de galaxias que estão bem distântes pois para galáxias próximas,
o redshift poderá ser deturpado pela força gravitacional de nossa galáxia.
Este é o caso da galáxia de andromeda que está se aproximando da nossa galáxia de forma mais rápida
que o efeito de afastamento provocado pela "energia escura", fazendo que sua luz apresente
um desvio para o azul. Esta galáxia, portanto, não serviria para o cálculo da matéria escura.

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Referências

[1] O Nada Jocaxiano:
http://www.genismo.com/logicatexto23.htm

[2] Criação Ex Nihilo
 http://www.str.com.br/Scientia/criacao.htm

[3] A elusiva matéria escura
http://www.herbario.com.br/data05/2811matesc.htm

[4]O Deslocamento para o Vermelho
http://www.on.br/site_edu_dist_2006/pdf/modulo2/o_deslocamento.pdf

[5] O RedShift E a Lei de Hubble
http://www.telescopiosnaescola.pro.br/hubble.pdf

 

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 10 comentários

Janeiro 26, 2009

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Economia Virtual
João Carlos Holland de Barcellos (*) , 20 de outubro, 2003

Revisão: Dezembro/2005

NEOCAPITALISMO OU NEOFEUDALISMO ( Pierre Weil )

Vivemos numa época muito curiosa e até intrigante. Algo está a nos deixar perplexos: À medida que se desenvolve o neo-capitalismo, a pobreza e a miséria aumenta. Isto se dá não somente nos países pobres, mas também nos, do primeiro mundo.

 

As causas são bastante conhecidas desde os estudos de Marx. Há porém fatores mais recentes que vem ainda mais piorar o quadro: a explosão populacional, a automação, a informática, o "enxugamento" dos programas de racionalização do trabalho, estão "jogar" milhões de seres humanos para a rua aumentando estupidamente o número de excluídos do processo sócio-econômico.

 

Com isto estamos voltando progressivamente à uma situação bastante parecida com a da época feudal, na qual tinha os senhores feudais com a sua corte e súditos que viviam numa situação financeira ótima ou razoável conforme o caso, e de outro lado a maioria do povo que padecia na miséria. O resultado era uma situação permanente de assaltos, violência, roubos, o que obrigava a classe dominante a se trancar dentro de castelos, cercados por um sistema de defesa constituído por um cinturão de água, e colossais muros. Para entrar, a famosa ponte levadiça.

 

Parece que estamos voltando para uma situação bastante parecida. Enquanto aumenta a pobreza e a miséria, através sobretudo do desemprego, aumentam os assaltos e, paralelamente as medidas de proteção; a única diferença com a época medieval, é que os sistemas de defesas foram modernizados. Em vez das altas paredes, temos as grades metálicas pontiagudas; no lugar da ponte elevadiça, temos o portão eletrônico; as torres de observação, foram substituídas por câmaras de televisão e os vigias que davam o alarme são agora representados por sistemas eletrônicos de alarme.

 

A história se repete, mas com diferenças referente à época. Os meios primitivos da era medieval foram substituídos por processos etnológicos sofisticados. Mas a situação e a sintomatologia são assustadoramente parecidos. Não será um dos sinais de alarme de que precisamos mudar de sistema econômico?”

Novas Idéias para Novos Tempos - Pierre Weil

O texto acima , extraído de ‘Novas Idéias Novos Tempos', de autoria de Pierre Weil, mostra que alguma coisa precisa ser feita. O objetivo deste ensaio é apresentar um esboço, uma idéia, que permitiria uma extensão do capitalismo – não ainda sua substituição - através de um sistema paralelo de aquisição de valores (o Mercado Virtual ) que solucionaria o efeito autofágico do capitalismo: o Desemprego Estrutural .

Introdução

Robert Kurz , prestigiado sociólogo alemão, demonstrou que o capitalismo, tal qual o conhecemos hoje, é intrínseca e inexoravelmente autofágico, isto é, o capitalismo tende a se auto-destruir por minar, lenta e paulatinamente, a própria fonte de sua sobrevivência: os consumidores. Sem renda não há consumidor e sem consumidor não há mercado.

A lógica que demonstra a “ espiral autofágica suicida ”, proposta por Kurz, é deveras simples e elegante:

•  Por visar o lucro o capitalismo procura a reduzir todos os custos possíveis.

•  A mão de obra é um dos principais itens dos custos de uma organização.

•  Para reduzir custos, a mão de obra deve ser minimizada: seja através da automação/mecanização da mão de obra, seja através de técnicas modernas de gerenciamento e gestão que objetivam a redução do quadro de funcionários.

•  A redução da folha de pagamentos patrocina um aumento do desemprego.

•  O aumento do desemprego faz diminuir a renda média e o próprio mercado consumidor.

•  Como o lucro das empresas dependem do poder de compra do mercado (consumidores), com a retração do mercado a concorrência entre as empresas fica ainda mais acirrado.

•  Com o aumento da concorrência as organizações são pressionadas a reduzir ainda mais os custos e, entre estes, o custo de mão de obra.

Esta espiral antropofágica, no seu limite, culminaria com as organizações totalmente automatizadas onde um único funcionário, o presidente da empresa, apertaria o botão e toda a produção seria executada.

Só restaria uma pergunta : Quem consumiria? Nesta situação hipotética e bizarra, os únicos compradores seriam os que ainda tem emprego: O presidente da VW compraria uma única geladeira, do Dono da GE, que, por sua vez, compraria um carro da VW.

Nas palavras de Robert Kurz:

“Uma economia global limitada a uma minoria sempre mais restrita é incapaz de sobreviver. Se a concorrência globalizada diminui cada vez mais o rendimento da produção industrial e assola numa proporção ascendente a economia das regiões, segue-se logicamente que o capital mundial minimize seu próprio raio de ação. A longo prazo, o capital não poderá insistir na acumulação sobre uma base tão restrita, disperse por todo o mundo, do mesmo modo como não é possivel dançar sobre uma tampinha de cerveja.” [1]

O setor de serviços também não passa incólume por esta lógica. Sofwares cada vez mais inteligentes realizam em poucos minutos o serviço que , antes, demandavam dezenas de pessoas trabalhando por muitos dias.

Poderíamos supor que, a medida que a tecnologia avança, novos postos de trabalho são criados para desenvolver e suportar tais tecnologias. Por exemplo, com o crescimento da indústria de computadores são necessários novos técnicos, analistas, programadores, digitadores etc.. que antes não existiam. Mas estas tecnologias prosperaram num mercado capitalista simplesmente porque podem absorver, em contrapartida, muito mais funcionários do que os adicionais que tivessem que ser contratados por conta desta nova tecnologia. Caso contrário este segmento não prosperaria.

Pode-se alegar, também, que novas tecnologias criam novos produtos e novos mercados que demandam por novos postos de trabalho para produzi-los. Isso é verdade até certo ponto pois a tecnologia tende a automatizar de forma mais rápida, tornando a produção mais eficiente, do que os eventuais postos de trabalho criados por ela. Além disso, quem seriam os consumidores dos novos produtos se não há renda suficiente para isso?

O que os governos tentam fazer, para minimizar este trágico efeito do capitalismo – o desemprego – é adotar algumas medidas que, como veremos, são apenas paliativas :

•  “Salário Desemprego”: Pagamento periódico oferecido pelo governo aos desempregados. Minimiza o sofrimento mas não resolve o problema pois, para compensar esta nova despesa, deve-se aumentar a carga tributária das empresas onerando o setor produtivo, fazendo com que os custos das empresas sejam ainda maiores. O salário desemprego não pode ser alto sob pena de provocar inflação a menos que o país tenha excedente de moeda ( superávit ) através de exportações. Isso é equivalente a exportar o desemprego e pode funcionar a médio prazo ( ver neoliberalismo).

•  “NeoLiberalismo”: Ideologia nefasta imposta por países detentores de tecnologia para quebrar barreiras protecionistas e poder ampliar seu cada vez mais restrito mercado consumidor. A adoção do neoliberalismo, ou alguma variante desta ideologia, por países em desenvolvimento, ou em vias de se desenvolver, patrocina a abertura de mercado e fornece uma sobrevida as empresas transnacionais pois amplia seu mercado consumidor e, assim, os empregos em suas pátrias mães. Além disso, evita de surgirem, nestes países, companhias que poderiam concorrer com elas nos mesmos mercados.

•  “Protecionismo”: Ideologia oposta ao NeoLiberalismo que, através de medidas restritivas, como taxação de importações ou reserva de mercado, fazem o papel de escudo ao comércio predatório. A idéia é reservar o mercado as empresas nacionais e, por conseqüência, o emprego local que elas mantém. Proteger as industrias locais postergaria a crise capitalista de emprego na nação que a adota mas, a longo prazo, não a eliminaria pois, por mais fechado que seja a economia capitalista, ela ainda estaria sujeita ao seu ciclo autofágico já que é inerente ao próprio sistema.

•  “MegaFusões”: A incorporação de empresas umas pelas outras, numa espécie de ‘canibalismo empresarial' faz reduzir a concorrência entre elas e assim dar alguma sobrevida as sobreviventes. Entretanto, tais incorporações são sempre seguidas de um enxugamento da folha de pagamento, aumentando a massa de desempregados e diminuindo o poder de consumo do mercado.

•  “Controle de Natalidade”: Impedir o nascimento de pessoas é uma forma indireta de fazer com que a taxa de desemprego não estoure junto com a fome, a criminalidade e o descontrole social ( subprodutos do capitalismo autofágico ). O controle de natalidade deve ser necessário quando os recursos naturais são escassos ( veja ), mas implementa-lo apenas para dar alguma sobrevida ao capitalismo é medida nefasta, mesmo porque é ilusório já que a “lógica autofágica” permanecerá mesmo com o número de habitantes constante.

Na verdade, todas estas medidas são tomadas, em maior ou menor grau, pelos países do mundo capitalista como forma de dar mais fôlego à suas empresas e a seus empregos. Entretanto, sem uma solução definitiva, tais medidas não surtirão efeito a longo prazo, e a crise capitalista, sem uma solução estrutural, só fará com que agonizemos – via déficit de empregos e suas conseqüências- por ainda mais tempo.

A mudança para um regime comunista/marxista , a princípio, também não refresca, já que poda a liberdade, desestimula a criatividade e, por conseqüência, o desenvolvimento. O ideal seria continuarmos tendo as vantagens do capitalismo mas sem o problema intrínseco do desemprego estrutural. Como consegui-lo?

Irei propor o esboço de uma solução para a crise do desemprego na sociedade capitalista. Esta solução , que chamei por enquanto, de PósCapitalismo ou Mercado Virtual, ainda está em fase embrionária e precisará ser bastante lapidada até que tome uma forma final.

Antes de entrarmos no mérito da solução propriamente, vamos , através de uma pequena história, entender um pouco a função do dinheiro. Esta historinha, que meu pai contou quando eu era adolescente, serve como um exemplo ilustrativo bastante interessante:

Uma pequena História

Chega um forasteiro numa pequena cidade do interior e entra num pequeno hotel e diz ao balconista, que também era o dono do estabelecimento:

 

“- Ola !, Estou de passagem nesta cidade e precisaria de um quarto por três dias para acertar um negócio com um cliente. Quanto seria a estadia por estes três dias? “

O dono diz :

“-São apenas 50 reais, adiantados, por estes três dias. “

O forasteiro tira uma nota de 50 da carteira e fala:

“-Aqui está. Vou pegar minhas coisas que deixei lá na estação de trem, tomo um lanche por lá e volto em cerca de duas horas.”

 

Enquanto o forasteiro ia tomar um lanche e pegar suas malas na estação de trem, o dono do estabelecimento pensou : ‘Agora já posso pagar os 50 reais que estava devendo ao açougueiro.' Ele foi ao açougue e pagou a conta. O Açougueiro, por sua vez, recebeu a nota de 50 e pensou : ‘Ah que bom! agora posso pagar os mantimentos que comprei na mercearia o mês passado !' Foi à mercearia e quitou a dívida. O dono da mercearia pensou :'Agora posso, finalmente, devolver os 50 reais que tinha pegado emprestado do dono do Hotel' . Foi ao hotel e pagou sua dívida com a mesma nota de 50 reais que tinha de lá saído. Nisso, o forasteiro retorna e diz :

“-Desculpa Sr., eu percebi que desembarquei na cidade errada e não vou ficar. O Sr. poderia me devolver os 50 reais que paguei adiantado? “

O dono do Hotel, com a nota ainda na mão, devolve-a ao forasteiro e diz :

“-Claro ! O Sr. foi bastante útil! Obrigado!”

 

O forasteiro , sem entender o que estava acontecendo, pega a sua nota, se despede e parte.

É Importante notar, nesta historinha, que dívidas foram saldadas, o comércio foi estimulado e problemas da cidade foram resolvidos apenas com o aparecimento deste forasteiro que deixou seus 50 reais por algumas horas e voltou com os mesmos 50 reais. Isto mostra que a principal função do dinheiro é facilitar a troca de valores e serviços. Nesta mesma história, poderíamos ter este dinheiro circulando , não para pagar dívidas, mas também como forma de promover a economia local. Por exemplo : O dono , ao receber os 50 reais do forasteiro, poderia ir ao açougue e comprar 50 reais de carne; O açougueiro, ao receber os 50 reais poderia ir na mercearia e comprar 50 reais de mantimentos; O dono da mercearia reservaria um quarto no hotel para seus parentes o visitarem e, por fim, os 50 reais voltariam para seu dono original.

Mercado Virtual

No capitalismo, a massa de desempregados está em ascensão. E não estamos nos restringindo a um ou dois países o desemprego é um problema estrutural que atinge, em maior ou menor grau, todos os países capitalistas. Se nada for feito, não será espanto se em 30 ou 40 anos tivermos mais pessoas desempregadas que na ativa.

Sabemos que esta massa de pessoas excluídas do sistema produtivo não parou de trabalhar por vontade própria, muitas, pais de família inclusive, foram vítimas do enxugamento empresarial e estão desesperados para voltar a trabalhar. Ou seja, existe um enorme potencial inativo de trabalho, potencial este que cada vez aumenta mais. Muitos destes desempregados poderiam formar ciclos de trocas de serviços e/ou valores, como na nossa historinha acima, sem que, na verdade, houvesse dinheiro envolvido, e assim poderiam voltar a trabalhar num sistema paralelo ao mercado capitalista tradicional.

A minha proposta pós-capitalista tem como meta aproveitar o potencial produtivo da massa de desempregados para movimentar uma economia paralela ao capitalismo sem contudo interferir diretamente neste último como as tentativas de soluções tradicionais, apontadas acima, que, via de regra, geram inflação ou ineficiência e não resolvem o problema. Esta economia paralela movimentaria bens e serviços de forma que ninguém que quisesse trabalhar ficasse sem trabalho. Esta economia paralela, por não utilizar dinheiro real, não interferiria no mercado tradicional e, portanto, não geraria inflação.

Em muitos países a massa desempregada é grande o suficiente para formar um “sub-país” dentro do país. Existem todos os tipos de trabalhadores, especializados e não especializados, prontos para serem úteis, especialmente uns aos outros. O problema dos excluídos do sistema capitalista é justamente este: organização . Se houvesse um sistema que pudesse fazer com que essa massa desempregada pudesse trocar bens e serviços entre si, como na nossa historinha acima, o problema do desemprego estaria resolvido. Atualmente, não existe uma forma de saber quem esta desempregado ou quem pode oferecer um determinado serviço para outra pessoa que, porventura, precisasse deste serviço. E mais : como a troca de bens e serviços poderia ser feita sem dinheiro ?

Para simplificar as coisas, vamos tratar primeiramente do setor de serviços, onde a mercadoria não é um bem material mas sim um serviço, como um corte de cabelo, uma aula, um projeto etc.. Também, para simplificar, vamos excluir deste segmento as pessoas empregadas e tratar apenas dos desempregados. Quero frisar que não é necessário que seja assim : haverá uma interface entre estas “duas economias” que estudaremos posteriormente.

Antes de entrarmos em detalhes técnicos do projeto, vamos nos aprofundar em sua essência : Um trabalhador é demitido e fica desempregado e ocioso. Ele tem um certo grau de escolaridade, possui algumas habilidades especializadas e outras gerais. Algumas pessoas, que também estão desempregadas, e sem dinheiro, precisam de seus serviços. Por que este trabalhador deveria oferecer seus serviços se estas pessoas não têm como paga-lo ? E mais : como localiza-lo ?

O trabalhador deveria oferecer seus serviços, sem ganhar dinheiro, porque desta maneira ele também poderia receber os serviços de que ele necessita, igualmente sem ter que pagar um centavo!! Quem mais trabalhar, e executar mais serviços, teria direito a receber mais serviços de outros. Então, de alguma maneira, as pessoas precisariam saber quem trabalhou mais , quem trabalhou menos e quem pode ou não receber serviços. Essa troca de serviços, sem movimentar nenhum capital, faria com que as pessoas continuassem trabalhando fornecendo e recebendo serviços conforme sua necessidade.

Mas como saber quem e quais serviços estão sendo oferecidos? Como saber quem tem direito a receber serviços? Como o veneno de cobra, que mata mas também cura, a mesma ferramenta que manda tantas pessoas para rua será a que fará sua reintegração no Mercado Virtual : O computador e a rede Internet.

O desempregado, primeiramente, faria o seu cadastro no “Cadastro Nacional de Desempregados” (CND) que seria um imenso banco de dados nacional com alguns dados do desempregado: Como encontrá-lo, suas habilidades e preço de seus serviços. A troca de serviços se faria através do “Dinheiro Virtual” (DV). O ‘DV' seria um número, que indicaria o valor relativo a serviços prestados ou a bens oferecidos. Assim, o banco de dados também armazenaria o “Saldo Virtual” (SV) do trabalhador. Este SV corresponderia aos valores de todos seus serviços prestados menos os serviços recebidos. Como uma conta bancária comum, se o SV fosse positivo, significaria que o usuário teria direito a receber serviços ou comprar bens, caso contrário, não. Por exemplo, eu dou uma aula particular e cobro “50 virtuais” por ela - ao contrário do real, o “virtual” (V$) é uma moeda que circula apenas no Mercado Virtual - então quem recebeu a aula seria debitado de V$ 50 e eu, que forneci o serviço, seria creditado em V$50 no meu Saldo Virtual.

Ou seja, embora continuassem oficialmente ‘desempregadas' as pessoas poderiam continuar a serem úteis para a sociedade realizando trabalho e recebendo serviços.

Algumas perguntas devem ser respondidas :

•  Como deveriam ser criados os primeiros créditos ?

Os primeiros ‘créditos virtuais', na área de serviços, deveriam ser fornecidos pelo estado pelos serviços prestados pelo desempregado. Assim, os primeiros que entrassem no sistema de Mercado Virtual deveriam prestar serviços para o estado, por exemplo em hospitais , escolas ou estatais, a preço fixo, e receberiam deste os primeiros créditos virtuais. O governo também poderia fornecer ‘créditos virtuais' pela produção ou o estoque de plantações ou fábricas que não fossem assimiladas pelo mercado capitalista normal mas que tivessem alguma utilidade no mercado virtual.

•  Como seriam vendidos/comprados os serviços com o Dinheiro Virtual ?

Esse é um problema técnico que pode ser resolvido de várias maneiras. A que considero mais interessante seria através de um cartão magnético, que identificaria o usuário. O cartão seria utilizado junto com um aparelho, similar a um celular, que se conectaria ao Banco de Dados e faria o débito/crédito da transação. Outra forma, seria através de papel moeda específico, emitidos pelo governo e semelhante ao dinheiro normal , mas diferente deste e que poderia ser obtido nos bancos convertendo-se os créditos virtuais com o cartão magnético.

•  Como ficaria o setor de bens, como por exemplo, o da alimentação ?

Este problema pode ser resolvido de diversas maneiras, uma delas permitiria que os produtores, que não conseguissem colocar sua mercadoria ou produção no mercado capitalista, poderiam vender seus produtos diretamente no mercado virtual ou vende-los para o governo que os trocaria por créditos virtuais. Posteriormente, o governo poderia colocá-los em supermercados ou armazéns específicos, que obviamente seriam construídos pelos empregados virtuais (ex-desempregados) para que os usuários do sistema pudessem adquiri-los. O estado poderia também receber os produtos em consignação e vende-los nestes armazéns.

- Como os produtos ou trabalhadores poderiam ser localizados ?

Os produtos e os trabalhadores poderiam ser localizados através de um site de busca específico na Internet. Estes sites fariam a pesquisa no “Cadastro Nacional de Desempregados” localizando os bairros ou regiões mais próximas. Estes terminais de busca deveriam estar disponíveis em quiosques específicos , em bancos ou estabelecimentos comerciais.

Conclusão

À medida que o capitalismo desemprega mais e mais pessoas, a adoção da economia virtual permitiria que a massa desempregada pudesse continuar produtiva sem onerar o governo ou a economia tradicional capitalista. Embora a qualidade dos produtos e serviços do mercado virtual, ao menos no inicio, pudesse ficar aquém do mercado tradicional ainda assim representaria uma solução ao problema do desemprego estrutural.

[1] Perdedores Globais ( Robert Kurz )

Palavras-chave: Capitalismo, Crise, Desemprego, Economia Solidaria, Economia Virtual

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 1 comentário

Dezembro 18, 2008

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Democracia Jocaxiana: A Melhor Democracia
João Carlos Holland de Barcellos, Dezembro/2008



Introdução

A Democracia Jocaxiana (DJ) é um modelo de democracia em que qualquer pessoa pode votar em qualquer pessoa, .e que a representatividade é dada pela quantidade de votos diretos ou indiretos que cada eleitor/candidato recebe.

Partidos

Um ponto “perverso” dos sistemas políticos atuais são os partidos. Os partidos diferenciam-se um dos outros por seus “planos de governo” e, principalmente, por suas ideologias.

Entretanto, grande parte da população não se sente confortável em se “enquadrar” neste ou naquele partido. Muitos também não simpatizam nem com a ideologia nem com os planos de governo dos partidos existentes. Por que temos de estar restritos, e sermos obrigados a votar sempre nas mesmas e batidas ideologias partidárias? As pessoas ficam, dessa forma, limitadas, às poucas opões que lhes são oferecidas. Fundar um partido? Poucos têm esse tempo e disposição.

Outro problema –que considero gravíssimo- da atual democracia partidária é que os candidatos de cada partido não precisam ter praticamente nenhuma representatividade popular: São escolhidos de forma indireta, sem participação popular, de dentro dos partidos. Por exemplo, para concorrer à presidência da república basta que o candidato esteja filiado ao partido e seja escolhido pelos integrantes do partido. E um bom trabalho de marketing cuidaria da imagem necessária. E somos depois *obrigados* a votar num desses poucos candidatos que nem sequer conhecemos...

Assim, como poderemos dizer que o povo elegeu seu presidente, de forma direta, se os poucos candidatos, que somos obrigados a “votar”, foram, na verdade, escolhidos de forma totalmente indireta, nos bastidores de seus respectivos partidos, e sem nenhuma participação nem representatividade popular?

O Ideal seria um sistema que permitisse haver tantos partidos, quantos são os eleitores. Os partidos “oficiais” não seriam os únicos a colocar candidatos nas disputas eleitorais.

A “Democracia Jocaxiana”

A Democracia Jocaxiana (antes nomeada "Democracia Representativa") é um sistema de democracia em que todos têm as mesmas oportunidades, todos têm os mesmos direitos, todos podem ser eleitos, e tudo isso sem a necessidade de partidos políticos! Vamos à idéia:

Todas as pessoas aptas a votar, isto é, os eleitores, também são candidatos em potencial, e teriam os mesmos direitos que quaisquer outros.

Inicialmente, no primeiro nível, cada eleitor poderia escolher, isto é, dar seu voto, a qualquer outro eleitor que desejasse. Poderia ser, por exemplo, ele próprio, sua mãe, seu ídolo de rock, seu professor etc. Isto é, ele poderia votar em qualquer pessoa que pertencesse à zona da eleição: no caso de eleição presidencial seria qualquer eleitor do seu país; Em uma eleição para governador, poderia votar em qualquer eleitor do seu estado; Numa eleição para prefeito, qualquer pessoa de sua cidade.

A diferença de um candidato e de um eleitor, é que o candidato, para permanecer candidato, deve votar em si mesmo, e os eleitores, votam em pessoas diferentes de si mesmas.

Na DJ, inicialmente, cada pessoa tem o nível de representatividade unitário, começa com cada pessoa tendo uma unidade de representatividade. Cada vez que a pessoa recebe um voto, este voto é somado à sua representatividade. Assim, a representatividade de uma pessoa é a soma dos votos que ela recebeu.

Cada vez que um eleitor dá seu voto a alguém ele sai da disputa eleitoral, e transfere toda a sua representatividade acumulada para o eleitor que recebeu seu voto: Se um eleitor “A”, que tinha representatividade (=qtdade de votos recebidos) “a”, vota em outro eleitor “B”, que tinha representatividade “b”, a representatividade do eleitor “A” é transferida para o eleitor/candidato “B”, e esta passa a ter representatividade “a” + ”b”, enquanto a pessoa que votou passa a ter representatividade zero, e sai da disputa eleitoral.

Desta forma a representatividade de “A” é transferida para quem ela votou (“B”), mas a soma das representatividades das pessoas é mantida: No nosso exemplo “A” ficou com representatividade zero e “B” ficou com representatividade “a”+“b”. A representatividade total foi mantida. Da mesma forma, se uma pessoa vota nela própria, sua representatividade não é alterada pelo seu próprio voto.

Nos níveis subseqüentes ao primeiro nível, as votações serão localizadas geograficamente:

No segundo nível de votação, todos os eleitores, que morem num mesmo quarteirão, e que sejam candidatos, isto é, tenham representatividade maior que zero, deverão se reunir e conhecer as idéias um dos outros, e, posteriormente, votarem entre si. Após a votação, o eleitor que tiver maior representatividade ganhará a eleição do seu quarteirão. Os votos que, direta ou indiretamente, não forem repassados ao vencedor, através do voto, serão descartados.

Este algoritmo deverá ser utilizado em todos os níveis: o vencedor do nível é o que tiver maior representatividade acumulada depois de encerrada a votação. Os votos que não forem transferidos, através do voto, para o vencedor, serão descartados.

No terceiro nível de votação, os ganhadores de cada quarteirão do bairro, se reuniriam, e, como no nível dois, escolheriam seu representante do bairro.

No quarto nível, os representantes de cada bairro de cada município, se reuniriam para escolherem o candidato do município.

No quinto nível, os ganhadores de cada município da cidade escolheriam o prefeito da sua cidade e seu vice.

No sexto nível, os prefeitos eleitos de cada estado escolheriam seu governador e seu vice. O vice-prefeito assumiria o lugar do prefeito que foi escolhido para governador.

No sétimo nível, os governadores do país elegeriam seu presidente, e o vice-governador ocuparia o cargo deixado pelo governador que foi eleito presidente.

Desta forma, não obstante as eleições serem indiretas, ainda assim haveria participação popular em todos os níveis, todos poderiam, em princípio, serem eleitos, e haveria tantas ideologias passíveis de serem escolhidas, e com iguais chances, quantos forem os cidadãos do país.

Referências

[1] Democracia Pirâmide
http://www.genismo.com/logicatexto30.htm

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Extraído de:
http://www.genismo.com/logicatexto32.htm

Palavras-chave: Democracia, Democracia Jocaxiana, Democracia Representativa, representatividade, Sufrágio, Voto

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 7 comentários

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O Teorema da Existência ou "Penso, Logo Existe!”
Provando a existência de uma realidade última: Além do "Penso, logo existo"
(João Carlos Holland de Barcellos, novembro/2008)

Vamos provar que existe uma realidade última, realidade esta que não depende de nenhuma interpretação, de algum ser, para a sua existência.

Neste texto, definiremos realidade –existência real- por eventos e/ou fatos que não dependam de uma interpretação (= pensamento, ou imaginação, ou sonho, ou processamento) de algum ser para que existam.

Demonstração

Iniciaremos nossa prova com “algo1”, que pode ser qualquer objeto sendo observado, como, por exemplo, uma maçã, ou até mesmo o próprio pensamento: a consciência.

 Eu observo algo1.
 
Se este algo1 observado é a realidade, a prova termina.
Se Não:
Este algo1 é apenas uma interpretação (ou imaginação) de um ser1, e na verdade, não teria existência na realidade. Mas esta interpretação *em si mesma* do algo1, feito pelo suposto ser1, também é algo2.

Se este algo2 é realidade, então nossa prova termina.
Se Não:
Algo2 é apenas a interpretação, de um ser2, cuja interpretação, em si mesma, é algo3.

Se algo3 existe como realidade, a prova termina.
Se Não:
Este algo3 é apenas uma interpretação, de um ser3, que chamaremos de algo4.

Assim, de forma genérica, teremos:

Se algo(i) existe como realidade, a prova termina.
Se não:
Algo(i) é apenas uma interpretação, (ou "imaginação"), de um ser (i), cuja interpretação, em si mesma, nós chamaremos de algo(i+1).
Se algo(i+1) existe na realidade a prova termina.

E assim sucessivamente, de modo que SE nunca a interpretação corresponder a uma existência real, teremos uma recursão infinita, o que seria ilógico. Seria algo como um sonho de um sonho de um sonho de um sonho... Infinitamente. Então, para que não tenhamos este ciclo infinito, teremos que ter, em algum ponto, um fim nesta recursão. Isto significa que algum dos “algo (i)” tenha uma existência real, isto é, não seja ele próprio uma interpretação. E provamos nosso teorema: “Penso, logo, algo existe!”


Exemplos:
Por exemplo: eu vejo um corvo vermelho, o "corvo vermelho" pode ser real, se não for, a minha "interpretação do corvo vermelho" pode ser real. Se não for assim, um ser pode estar imaginando, (ou sonhando), que “eu” estou imaginando que vejo um "corvo vermelho" etc..

Outro exemplo seria um universo virtual: Existem seres que não existem de forma real, estão sendo simulados em um computador. Estes seres observam algo. O que observam também não existe: é virtual. Os próprios seres e seus sonhos também não existem: são virtuais. E assim, suas interpretações também não existiriam.

Mas o computador que os interpreta, neste exemplo, seria real, e a sua "imaginação" (= seu processamento) seria real, pois é o que gera o universo virtual, os seres virtuais e suas imaginações. Ou seja:

O que o ser virtual observa não é real, é uma simulação do computador.
O ser virtual também não é real, é simulado, depende do processamento do computador.
A interpretação do ser virtual, também não é real, pois depende do processamento do computador.
A interpretação do computador (=seu processamento) que produz o ser virtual e o que ele imagina, neste exemplo, seria real.

Refutando Descartes

Isto quer dizer que o "Penso, logo existo" (“Cogito, ergo sum”), de Descartes, pode não ser verdadeiro, pois, o ser que pensa, como mostramos no exemplo acima, pode não ser real. Mas, como já provamos, deve haver algum nível de interpretação na qual, no mínimo, a própria interpretação é real.

Pela “navalha de ocam”, enquanto não houver evidências em contrário, deveremos ficar com o menor nível interpretativo como sendo a realidade: Se eu observo algo1, este algo1 deve existir.

Corolário: Existe um ser real.

Como corolário do teorema, podemos também afirmar que, se observo algo, deve existir algum “ser” que tenha existência real, isto é, que ele próprio não seja uma interpretação.

Prova:

Como provamos que existe uma interpretação que é real, isto é, uma interpretação que não depende da interpretação de outro ser para existir, então este ser que faz esta interpretação deve existir também, pois, se este “ser” que faz a interpretação real, não existisse, isto é, fosse ele mesmo a interpretação de outro ser, então sua interpretação também não seria real, pois ela dependeria deste outro ser. Portanto, é necessária a existência de um ser real para haver uma interpretação real.

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Extraido de:
http://www.genismo.com/logicatexto29.htm
 

 

Palavras-chave: Existência, Existir, Refutando Descartes, Teorema da Existência

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário

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O Princípio da Incerteza Filosófico (PIF)
Jocax, Novembro de 2008

Resumo: Estabeleceremos um princípio filosófico-científico que é similar, porém mais abrangente, que o princípio da incerteza de Heisemberg.

Palavras Chaves: Filosofia, Incerteza, PIF, Princípio da Incerteza Filosófico.

A Mecânica quântica, que é a parte da Física que estuda o microcosmo, tem um princípio fundamental, conhecido por “Princípio da Incerteza”. Este princípio, descoberto por Werner Heisemberg, estabelece a impossibilidade física de conhecer (saber ou medir), simultaneamente, a posição e a velocidade de uma partícula com precisão maior do que certa constante [1]. Esta imprecisão é considerada como sendo uma lei fundamental da mecânica quântica, e tal incerteza não depende de nenhuma tecnologia, e é considerado um atributo do universo.

Desde o advento da “Ciência Expandida” [2] sabemos que é impossível até mesmo refutar uma teoria como pensava Popper. Então tudo indicava para uma visão mais abrangente e menos incerta do universo, tal incerteza deve abranger nossas observações. Baseado nestas conclusões eu irei propor um princípio, que eu chamei de “Princípio da Incerteza Filosófico”, ou simplesmente PIF, que estabelece o seguinte:

“É impossível saber se alguma observação, medida, ou percepção, corresponde de fato à realidade”.

Podemos tomar a realidade como algo que tenha existência independentemente de alguma interpretação, processamento, ou imaginação.

Provavelmente muitos já tiveram esta mesma idéia, mas não a formalizaram, pois desde o advento do conceito de “Solipsismo” [3], sabemos que é impossível provar que qualquer coisa que seja possa ser, de fato, realidade. E pior do que isso, até mesmo o próprio Solipsismo pode ser uma ilusão, uma vez que o “eu” que percebe pode também não ser real como foi mostrado em “Penso, logo existe!” [4]. Ou seja, o próprio “ser”, que observa, pensa, e sente pode não existir fora de outro nível de interpretação.

Além disso, e o mais importante, é que mesmo que tomemos a nossa própria realidade como sendo real, isto é, que existe independentemente de qualquer interpretação de um nível superior, como é suposto pela ciência, ainda assim teremos problemas: Ainda assim não poderemos tomar nenhuma observação como sendo real. Para entendermos isso, vamos roubar o exemplo da “caixa de sapatos” do ensaio sobre “Ciência Expandida” [2]:

Suponha que estamos andando pela rua e observamos uma caixa de sapatos com um tijolo dentro dela. Podemos concluir de nossa observação que o que vemos é uma caixa de sapatos com um tijolo? Infelizmente a resposta é não, pois em princípio, poderia ocorrer uma das seguintes situações - de infinitas possíveis - quando se observa um tijolo sendo que não é um tijolo:

- O volume era, na verdade, de um rádio de pilha imitando um tijolo.
- O volume era algo que se assemelhava a um tijolo, mas não era um tijolo.
- Um curto-circuito cerebral momentâneo fez você imaginar um tijolo numa caixa vazia.
- Uma nova arma de ondas alfa foi testada em você para que você imaginasse o tijolo.
- Alguém criou uma imagem holográfica do tijolo para que você pensasse que era real.
- etc.etc.

Tais tipos de enganos, embora improváveis, podem acontecer, em qualquer nível de observação, seja ela científica, ou não. E isso justifica o PIF como um princípio filosófico-científico fundamental sobre o limite do conhecimento.

 

Referências

[1] Princípio da incerteza de Heisenberg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg

[2] Ciência Expandida
http://www.genismo.com/logicatexto25.htm

[3] Solipsismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Solipsismo

[4] “Penso, Logo Existe!”
http://www.genismo.com/logicatexto29.htm

Este post é Domínio Público.

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 3 comentários

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