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Agosto 2009

Agosto 12, 2009

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I.5- Teoremas Jocaxianos

 By: Jocax

Teorema Jocaxiano da Primeira Causa (TJPC)

 

O Teorema Jocaxiano da Primeira Causa estabelece que:

A primeira causa de todos os eventos que aconteceram num sistema fechado (que não sofre influência de eventos externos ao sistema) é o aleatório.

 

Prova:

Vamos utilizar o conceito de tempo no qual tempo é definido como uma relação entre eventos. Um evento é uma mudança de estado do sistema. O tempo, portanto, não é algo independente do que acontece. Se, por exemplo, nenhum evento acontece, isto é, o estado do sistema fica inalterado, então o tempo também deixa de existir. Para haver tempo é, portanto,  necessário mudança. Se não há mudança, não há tempo.

 

Aleatório é a palavra que se utiliza para dizer que há imprevisibilidade ou que não há causas. Existem dois tipos de aleatoriedade: a aleatoriedade objetiva e a aleatoriedade subjetiva. A aleatoriedade subjetiva é aquela em que as causas do fenômeno existem, mas não são conhecidas ou não podemos determiná-las. A aleatoriedade objetiva, que é utilizada aqui neste texto, é a aleatoriedade em que o fenômeno ocorre sem causas reais, as causas não existem.

 

O aleatório objetivo existe na natureza, em nosso universo, e, como exemplo de fenômeno aleatório objetivo, nós podemos citar o momento do decaimento de um elétron num átomo: o elétron pode cair de uma órbita mais energética para uma de menor energia liberando um fóton. Tal fenômeno não é regulado por nenhuma lei física, é considerado pela mecânica quântica como um fenômeno objetivamente aleatório. Não há nada, nem nenhuma regra, que possa determinar quando o elétron irá decair de sua órbita. Outro exemplo seria a criação e a destruição das partículas virtuais no vácuo.

 

Mas, para demonstrar o teorema, primeiramente, vamos provar que não existe tempo infinito no passado, isto é, não podemos levar as causas dos eventos para o infinito passado e assim dizer que sempre houve uma causa que precedeu um dado efeito. Para isso, vamos utilizar o Teorema de Kalam [1].

 

O Teorema de Kalam estabelece que não existe um tempo infinito no passado. Isso acontece porque, se, por absurdo, houvesse algum evento que tivesse ocorrido num tempo infinito no passado, então nosso presente atual demoraria um tempo infinito para chegar partindo-se daquele passado.  Mas o que significa um tempo infinito para ocorrer? Um tempo infinito para algo acontecer significa que nunca acontecerá. Assim, eventos que ocorreram a um tempo infinito no passado implicariam que não poderíamos ter o nosso presente, mas isso é absurdo, pois o presente existe, já que estamos nele! Então podemos concluir que não existiu nenhum acontecimento em um tempo infinito no passado, e isso significa que podemos deduzir mais um corolário importante: o tempo deve ter, necessariamente, um início.

 

Como não existe um tempo infinito no passado, e o tempo teve que ter um início, segue que o primeiro evento que ocorreu foi um evento sem uma causa anterior, isto é, um evento aleatório. E o teorema está demonstrado.

 

 

Teorema Jocaxiano do Vazamento do Tempo (TJVT)

 

O Teorema Jocaxiano do vazamento do Tempo estabelece que:

 

Se dois sistemas não estão isolados entre si, e se num deles existe tempo, então no outro também haverá tempo.

 

Prova:

O Tempo é o relacionamento entre eventos. Se em um dos sistemas ocorre o tempo e eles não estão isolados entre si, então estes eventos podem ser correlacionados também a partir do outro sistema. Portanto, o primeiro sistema, em que há tempo, pode servir de marcador temporal para o segundo sistema. Portanto, no segundo sistema haverá tempo também.

 

Podemos utilizar estes dois teoremas para argumentar contra a existência de Deus:

Deus não pode ser atemporal, pois violaria o teorema jocaxiano do vazamento do tempo: Se Deus existisse, e em nosso universo ocorre o tempo, e como o nosso universo não está isolado de Deus, segue que o tempo também ocorre pra Deus. Além disso, pelo TJPC não há necessidade de Deus para gerar o primeiro fenômeno, e isto refuta o argumento de Santo Tomás de Aquino segundo o qual o movimento exige um primeiro motor que seria Deus. Além disso, refuta também a idéia de um Deus eternamente existente, pois isso entraria em contradição com o corolário do início do tempo.

 

 

Palavras-chave: Aleatoriedade, Filosofia, Kalam, Primeira Causa, Teorema, Vazamento do Tempo

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 2 comentários

Agosto 28, 2009

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A Matrix Jocaxiana

João Carlos Holland de Barcellos, Agosto 2009

 

“Em um futuro talvez não tão remoto, quando a razão vencer os principais obstáculos ambientais, e o controle populacional for um fato consumado, surge uma nova incerteza para a existência humana: A Matrix Jocaxiana.”

 

 

Seis de agosto de 3209. Quem diria?  Como nas histórias de Júlio Verne, ou das geniais engenhocas de Leonardo Da Vinci, eis também que as primeiras “profecias” sobre as ‘Matrixes’ começam a ser cumpridas. O futuro vem mesmo quando menos se espera: Já estão disponíveis as primeiras vagas para as novíssimas MM (“Máquinas Matrixianas”). Mas não havia mesmo alternativas: Num mundo onde, outrora, a palavra “trabalho” representava uma forma de independência e sustento, mais de mil anos depois ela teria, agora, um novo significado: Uma vaga na “Cidade dos Sábios”. Conhecidos popularmente como “Os Alfas”, eles formam uma seletíssima elite de pensadores, cientistas, filósofos e técnicos, extremamente criativos e sábios, residindo numa cidade especialmente projetada, em que definem as metas e políticas públicas de nossa nova sociedade.

 

O último “posto de trabalho” tradicional foi extinto há precisos 213 anos atrás, e todo serviço desde então, inclusive médicos, são feitos por máquinas ou robôs controlados por computadores dotados de uma sofisticadíssima Inteligência Artificial.  Com a taxa de natalidade controlada, e os recursos naturais sendo utilizados (finalmente!) de forma sustentável, a população é mantida numa espécie de “férias perpétuas”, e, a maioria, vive suas vidas em busca da maximização de seus prazeres.

 

Entretanto, pela quantidade definida de população ideal, não há condições de todos terem suas próprias “Ferrari”s, nem cada um ter sua própria fazenda com cachoeiras, cavalos e matas. Por esta razão, e para maximizar a felicidade coletiva os “Alfas” conseguiram finalmente criar as primeiras MM. As pessoas que quiserem se internar em uma MM serão submetidas a uma pequena operação para o implante de eletrodos e chips em algumas regiões específicas do cérebro para que a máquina consiga elevar seu prazer ao máximo. A pessoa fica numa espécie de “sonho perpétuo” e a alimentação é intravenosa. Estimativas indicam que se consegue viver aproximadamente até os 70 anos neste estado de felicidade máxima, sem necessidade de acordar para coisa alguma. 

 

Os “Alfas” garantem que as MM são econômicas e consomem muito menos recursos naturais do que se o individuo estivesse acordado, consumindo recursos naturais e buscando prazeres por conta própria. Claro que nem todos os indivíduos da sociedade vão querer entrar nas MMs, principalmente os religiosos e alguns  genistas, pois as MMs podem de fato colocar o individuo num verdadeiro “paraíso virtual” que jamais teriam de forma lúcida, mas também provocam uma alienação máxima, desconectando-o do mundo real para se isolar no seu próprio paraíso virtual. E você leitor? Abandonaria tudo para viver no paraíso proporcionado pelas MMs?

 

 

 

Referências

[1]  Inteligência Artificial ocupa cada vez mais espaço
http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/6834

 

 

 

 

 

Palavras-chave: Alienação, Felicidade, Ficção, Futurismo, Matrix, Paraíso Virtual, Virtualidade

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário