Stoa :: Ciência e Filosofia :: Blog

Setembro 03, 2012

user icon

Universo Diminuinte - Addendum
 Por : Joao Carlos Holland de Barcellos

Sabemos pela teoria da relatividade, mais especificamente pelo "Principio da Equivalência" que :

<WIKI>
" Eu estava sentado em uma cadeira no escritório de patentes, em Berna, quando de repente ocorreu-me um pensamento: se uma pessoa cair livremente, ela não sentirá seu próprio peso. Eu estava atônito. Este simples pensamento impressionou-me profundamente. Ele me impeliu para uma teoria da gravitação." (Albert Einstein)

O Princípio da equivalência de Einstein afirma que não há experimento que permita ao seu observador discernir entre o caso no qual este experimento é realizado em um local onde há um campo de gravidade \vec g conhecido, constituindo o observador (referencial) neste caso, apesar de imerso neste mesmo campo, um referencial inercial - não acelerado, portanto - e o caso onde o experimento é realizado em uma região completamente isenta de campos gravitacionais, mas com o observador, neste caso, acelerado por uma força \vec F adequada, que imponha ao mesmo uma aceleração de módulo igual mas de sentido contrário ao da aceleração \vec g gerada no primeiro caso pelo campo de gravidade.
....
O princípio da equivalência é um passo fundamental para se estabelecer, na teoria da gravitação de Einstein, a covariância geral das leis físicas, visto que, segundo este princípio, um observador (referencial), dada a impossibilidade deste discernir entre ser ou não ser inercial, torna-se equivalente a todos os outros, e não só aos ditos "referenciais inerciais", ou aos ditos "não inerciais", como ocorre na mecânica clássica. É a pedra fundamental que levou Albert Einsten ao desenvolvimento da Relatividade Geral.

O Princípio da Equivalência de Eintein mostra-se intimamente relacionado ao Princípio da Equivalência entre as Massas Inercial e Gravitacional (a ponto de se confundir com ele)."
</WIKI>
http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_equival%C3%AAnci


Alem disso, este princípio, que gerou a teoria da relatividade geral, explica a dilatação do tempo :
<WIKI>
"Dilatação do tempo é o fenômeno pelo qual um observador percebe que o relógio de um outro observador, que é fisicamente idêntico ao seu próprio relógio, "anda" mais devagar do que seu próprio relógio. A percepção do primeiro observador é de que o tempo "anda mais devagar" para o segundo observador, mas isso é somente verdade no contexto do referencial do observador. Localmente (i.e., da perspectiva de qualquer outro observador do mesmo referencial, sem referência a outro referencial), os dois relógios, se sincronizados e mantidos juntos, não atrasarão ou adiantarão um em relação ao outro."
</WIKI>

Da mesma forma que a dilatação do tempo acontece em sistemas com maior gravidade em relação aos de menor força gravitacional, poderemos arguir, que deverá ocorrer uma contraçao do espaço nos ambientes com maior gravidade em relação aos de menor gravidade pelo principio da equivalencia:

"UM FOGUETE EM ACELERAÇÃO TEM O SEU COMPRIMENTO CONTINUAMENTE DIMINUIDO EM RELAÇÃO À UM OBSERVADOR EXTERNO SEM ACELERAÇÃO".

Pelo principio da equivalencia, o espaco em um campo gravitacional deveria estar sendo reduzido ( da mesma forma que um foquete tem seu comprimento reduzido quando em movimento acelerado) em relacao a um observador que nao está no campo gravitacional.  Os buracos-negros nao seriam um caso excentrico da reducao do espaco pela gravidade, mas apenas uma forma mais grave dessa reducao.

Tais idéias implicariam que a "Energia escura" seria apenas uma espécie de "Ilusão de Ótica" em relação aos observadores que estão tendo seu espaço reduzido devido a presença da gravidade:

"Universo Diminuinte"
Por Jocax
".....Lapidando a Idéia

Nesse modelo de “Universo Diminuinte” os átomos e outras partículas estariam diminuindo de tamanho na mesma proporção que as dimensões espaciais também diminuíssem.

Como o tamanho da nossa “régua” diminuiria, juntamente com as dimensões espaciais locais, não perceberíamos esta diminuição localmente. O tamanho apaente seria o mesmo pois nosso padrão de medida diminuiria na mesma proporção das dimensões espaciais.

Sabemos pela teoria da relatividade geral (TRG) que o tempo num sistema submetido a um campo gravitacional corre mais lentamente que outro sistema sem o campo, ou com um campo gravitacional mais fraco. A idéia é que a diminuição das dimensões espaciais locais seja provocada pelo efeito do campo gravitacional a que está submetido o sistema. Ou seja, os “buracos-negros” não seriam casos especiais de sistemas em colapso eterno. Além disso, a contração do espaço deveria depender também da intensidade da força gravitacional.

Teoria da Relatividade- Principio da Equivalência

É interessante notar que esta idéia é muito semelhante, só que expandida para 3 dimensões, com a relatividade especial quando esta afirma que a dimensão do sistema que se move na direção do movimento sofre uma contração. Quanto mais rapidamente um objeto se move mais ele vai se contrair na direção do movimento. No Univero Diminuinte esta contração seria devido à gravidade e ocorreria nas 3 dimensões espaciais.

Podemos intuir o Universo Diminuinte das seguintes premissas da teoria da relatividade:
1- Dentro de uma caixa fechada sob aceleração, ou campo gravitacional, quem está dentro não pode saber por nenhuma medição interna se sua caixa está sendo acelerada ou se está sob a influência de um campo gravitacional.
2-Um objeto em aceleração vai aumentando sua velocidade. Mas sabemos que quanto maior a velocidade maior é a contração deste objeto na direção do movimento.

Considerando (1) e (2) , acima, podemos intuir que um objeto num campo gravitacional poderia sofrer contração como de fato sofre um objeto dentro de uma caixa que está sendo acelerada!

A luz através do espaço

Vamos pensar o que aconteceria com a luz emitida por uma galáxia distante até chegar ao nosso planeta:

Nossa galáxia, assim como as galáxias distantes, estaria em constante contração. Um fóton de luz emitida por uma estrela desta galáxia distante, após deixar a sua galáxia, percorreria um longo espaço “vazio”, sem muita influência gravitacional, até finalmente chegar à nossa galáxia e ao nosso planeta.

Durante este longo percurso percorrido (às vezes de bilhões de anos) este fóton sofreria pouco efeito gravitacional e sua freqüência pouco seria afetada. Contudo, durante este tempo, nosso sistema continuaria diminuindo, e quando finalmente este fóton chegasse aqui, nós mediríamos o seu comprimento de onda com uma “régua” bastante reduzida em relação a que tínhamos na época em que este fóton foi emitido.  Então em nossa medição se constataria que este fóton sofreu um “Desvio para o Vermelho” (Red Shift), porque mediríamos um comprimento de onda maior, e a explicação tradicional seria que este “Desvio para o Vermelho” se deveu ao efeito Doppler relativo à velocidade de afastamento da galáxia.

Fim da Energia Escura

Quanto mais afastada uma galáxia está do ponto de observação, mais tempo sua luz irá demorar para chegar até nós e mais encolhida estará nossa “régua” para medir este fóton e assim tanto maior aparecerá seu comprimento de onda, o que nos induziria a pensar que maior seria a velocidade de afastamento da galáxia. Esta aceleração aparente das galáxias distantes levou os astrônomos a postularem a existência de uma “Energia Escura”, que teria um efeito repulsivo, fazendo-as se afastarem cada vez mais rapidamente. Mas se a aceleração é devido à nossa própria redução de escala, esta energia escura não seria mais necessária, pois o que nos faz perceber seu afastamento acelerado é, na verdade, nossa própria contração espacial.
É o fim da energia escura. "

Veja tambem "O Universo diminuinte" em :
http://stoa.usp.br/cienciafilosofia/weblog/41786.html







Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 3 comentários

Maio 20, 2012

user icon

A Ciência é uma Religião?

 

Autor: Richard Dawkins
Tradução: Eliana Curado
Fonte: Filosofia e Educação
Texto original: Positive Atheism

 

O Humanista do Ano de 1996 fez esta pergunta em palestra proferida ao receber prêmio da Associação Humanista Americana.

Está na moda ter uma raiva apocalíptica da ameaça que representa à humanidade o vírus da AIDS, o mal da “vaca louca” e muitos outros, mas penso que devemos nos preocupar com a fé, um dos grandes males do mundo, comparável ao vírus da varíola, mas mais difícil de ser erradicado.

A fé, sendo uma crença não baseada em provas, é o vício principal de qualquer religião. Quem, ao olhar a Irlanda do Norte ou o Oriente Médio, pode dizer enfaticamente que o vírus cerebral da fé não seja extremamente perigoso? Uma das estórias contadas aos jovens muçulmanos que são homens-bomba suicidas é que o martírio é a maneira mais rápida de se chegar ao paraíso – e não apenas ao paraíso, mas a um lugar especial, onde serão recompensados com o prêmio de 72 noivas virgens. Ocorre-me que nossa melhor esperança pode estar associada a uma espécie de “controle de armas espirituais”: enviar teólogos especialmente treinados para diminuir progressivamente esse número de virgens.

Levando-se em conta o perigo representado pela fé, e considerando as realizações da razão e da observação na atividade chamada ciência, é irônico que, em minhas palestras públicas, sempre haja alguém que diga: “É evidente que sua ciência é apenas uma religião como a nossa. No fundo, a ciência não passa de fé”.

Bem, ciência não é religião e não toca a fé porque, apesar de ter muitas das virtudes da religião, não possui nenhum de seus vícios. A ciência se baseia em evidências verificáveis. A fé religiosa não somente falha em provas, mas também apregoa com orgulho e alegria sua independência de provas. Que outra razão os cristãos teriam para fazer essa crítica raivosa à dúvida de Tomé? Os outros apóstolos são exemplos de virtude para nós porque a fé lhes era suficiente. O cético Tomé, por outro lado, exigia a evidência. Talvez ele devesse ser considerado o santo patrono dos cientistas.

Uma razão pela qual eu sou confrontado com a idéia de que a ciência é no fundo uma religião é porque eu acredito de fato na evolução, e acredito com uma convicção apaixonada. Para alguns, isto pode parecer superficialmente com a fé, mas a evidência que me faz acreditar na evolução não somente é poderosamente forte, como também encontra-se à disposição de qualquer um que queira se debruçar sobre o tema para estudá-lo. Qualquer pessoa pode estudar as mesmas provas que eu e, presumivelmente, chegar à mesma conclusão. Mas, se você tem uma crença que se baseia somente na fé, eu não posso examinar suas razões. Você pode se esconder atrás de seu muro particular de fé, ondenão posso alcançá-lo.

É claro que, na prática, os cientistas individuais às vezes recaem no vício da fé, e uns poucos talvez acreditem de modo tão simplório em sua teoria favorita que ocasionalmente cheguem a falsificar uma prova. Todavia, o fato de que isto às vezes aconteça não altera o princípio de que o fazem com vergonha, e não com orgulho. O método da ciência é tão bem arquitetado que geralmente traz à tona mais cedo ou mais tarde qualquer tentativa de falsificação da evidência.

A ciência é na verdade uma das disciplinas mais morais e honestas que existem, porque entraria em colapso inteiramente se não fosse por uma escrupulosa aderência à honestidade na apresentação da evidência. Como James Randi apontou, esta é a razão porque os cientistas são tão freqüentemente enganados por paranormais cheios de truques e porque o papel de desmascarar é melhor representado pelos prestidigitadores profissionais. Os cientistas simplesmente não antecipam a desonestidade deliberada. Há outras profissões (não é preciso mencionar os advogados especificamente) em que a falsificação das provas, ou pelo menos a sua adulteração, é precisamente o que as pessoas são pagaspara fazer e que os torna melhores na profissão.

A ciência está livre do principal vício da religião, que é a fé. Mas, como assinalei, ela possui algumas das virtudes da Religião. A Religião pode desejar conferir a seus seguidores diversos benefícios, entre eles a explicação, a consolação e o encantamento. A ciência pode oferecer o mesmo.

Os seres humanos têm um grande apetite por explicações. Esta pode ser uma das principais razões porque a religião se difundiu tão universalmente, uma vez que pretende dar explicações. Nós somos dotados de uma consciência individual em um universo misterioso e desejamos entendê-lo. A maior parte dos religiosos oferece uma cosmologia, uma biologia, uma teoria da vida e uma teoria das origens, além de significados para a existência. Assim fazendo, eles demonstram que a religião é, em certo sentido, ciência; mas não passa de má ciência. O argumento não considera que religião e ciência operam em dimensões separadas e dizem respeito a tipos de perguntas bastante distintos. Historicamente, as Religiões sempre tentaram responder a perguntas que pertencem propriamente à ciência, mas não deveriam ter permissão para se retirarem do terreno em que elas tradicionalmente têm tentado brigar. Elas oferecem tanto uma cosmologia quanto uma biologia; todavia, ambas são falsas.

O consolo é mais difícil para a ciência oferecer. Diferentemente da religião, a ciência não pode oferecer ao carente um encontro memorável com seus amados numa vida futura. Aqueles que foram maltratados nesta vida não podem, de um ponto de vista científico, antecipar uma doce vingança para seus atormentadores em uma vida após a morte. Poder-se-ia argumentar que, se a idéia de uma vida posterior é uma ilusão (como acredito que seja), a consolação que oferece é vazia. Mas não é necessariamente assim; uma falsa crença pode ser tão reconfortante quanto uma verdadeira, desde que o crente jamais descubra sua falsidade. Mas se o consolo for tão barato assim, a ciência é capaz de oferecer, em contrapartida, outros paliativos baratos, tais como analgésicos, cujo conforto pode ou nãoser ilusório, mas que funciona bem.

O encantamento, todavia, é o terreno em que a ciência realmente sente-se à vontade. Todos os grandes religiosos abrigam o temor, a empolgação diante da maravilha e beleza da criação. É exatamente esta sensação de estremecimento, de temor reverente – de quase adoração -, este sentimento de admiração arrebatadora, o que a ciência moderna pode oferecer. E isto vai muito além dos sonhos mais selvagens dos santos e místicos. O fato de que o sobrenatural não tenha lugar em nossas explicações, em nossa compreensão do universo e da vida, não diminui o temor. Na verdade, acontece o contrário. O mero vislumbre através de um microscópio do cérebro de uma formiga, ou através de um telescópio, de uma galáxia remota de um bilhão de mundos, é o suficiente para substituir os salmos de louvor tolos e paroquiais.

Agora, quando me dizem que a ciência ou alguma parte específica dela, como a teoria da evolução, é apenas uma religião como qualquer outra, eu geralmente nego isto com indignação. Mas começo a me perguntar se talvez esta não seja uma tática errada. Talvez a tática certa seja aceitar o desafio com gratidão e exigir que as aulas de ciência tenham a mesma duração que as aulas de educação religiosa. Quanto mais eu penso nisso, mais eu percebo que deveríamos investir seriamente nesta idéia. Quero, então, falar um pouco sobre a educação religiosa e o lugar que a ciência poderia ocupar nela.

Eu lamento profundamente o modo como as crianças são educadas. Não estou familiarizado inteiramente com o modo como as coisas acontecem nos Estados Unidos, assim o que digo pode ter mais relevância no Reino Unido, onde há instrução religiosa para todas as crianças como imposição do Estado e obrigação legal. Isto é inconstitucional nos Estados Unidos, mas presumo que as crianças recebam de qualquer forma uma instrução religiosa na religião particular que seus pais julguem apropriada.

Isto me leva à observação sobre o abuso mental de crianças. Em uma edição de 1995 do Independent, um dos principais jornais londrinos, havia uma fotografia de uma cena relativamente doce e tocante. Era a época de Natal, e a foto mostrava três crianças vestidas como três homens sábios, encenando uma peça sobre a natividade. A estória associada à foto representava uma criança Muçulmana, outra Hindu e outra, Cristã. O ponto supostamente doce e tocante da estória é que todas elas participavam da peça sobre a Natividade.

O que não é doce e nem tocante é que estas crianças tinham todas quatro anos de idade. Como se pode dizer que uma criança de quatro anos seja Muçulmana, ou Cristã, ou Hindu, ou Judia? É possível falar de um economista de quatro anos de idade? O que você diria sobre um neo-isolacionista de quatro anos, ou um liberal Republicano de quatro anos? Há opiniões sobre o cosmos e o mundo que as crianças, uma vez crescidas, presumivelmente estarão em condição de avaliar por si mesmas. A Religião é um domínio em nossa cultura em que aceita-se prontamente, sem questionamento – sem nem mesmo se aperceber do quanto isto é bizarro – que pais tenham uma palavra total e absoluta sobre o que seus filhos serão, como seus filhos vão ser formados, que opiniões seus filhos terão sobre o cosmos, sobre a vida, sobre a existência. Você compreende o que quero dizer quando me refiro a abuso mental de crianças?

Considerando agora o que se espera que a educação religiosa seja capaz de oferecer, um de seus objetivos poderia ser encorajar as crianças a refletir sobre as questões profundas da existência, convidálas a se colocar acima das preocupações tolas da vida cotidiana e pensar sub specie aeternitatis.

A ciência é capaz de fornecer uma visão da vida e do universo que, como já observei, com inspiração poética humilde, supera em muito quaisquer crenças mutuamente contraditórias e as tradições recentes e lamentáveis das religiões do mundo.

Por exemplo, como poderiam as crianças, nas aulas de educação religiosa, deixar de se sentir inspiradas, se pudéssemos fazê-las perceber um átimo da idade do universo? Vamos supor que, no momento da morte de Cristo, a notícia de sua morte tivesse começado a viajar pelo universo na velocidade máxima possível, distanciando-se da terra. Até onde essa notícia terrível poderia ter chegado, até agora? Segundo a teoria da relatividade especial, a notícia não poderia, sob quaisquer circunstâncias, ter alcançado mais que uma qüinquagésima parte do percurso de uma única galáxia – sequer a milésima parte do percurso até a galáxia vizinha da nossa, em um universo com 100 milhões de galáxias. O universo de modo geral não poderia ser outra coisa senão indiferente a Cristo, a seu nascimento, à sua paixão e à sua morte. Mesmo momentos muito importantes, como a origem da vida na Terra, poderiam ter viajado somente através de nosso pequeno feixe de galáxias. Mas esse evento é tão remoto em nossa escala de tempo terrena que, se você medisse esse tempo com seus braços abertos, a totalidade da história humana, a totalidade da cultura humana, representariam a poeira da ponta de seus dedos em um único movimento de uma lixa de unha.

É desnecessário dizer que o argumento do arquiteto do universo, parte importante da história da religião, não seria ignorado em minhas aulas de educação religiosa. As crianças olhariam para asmaravilhas eloqüentes dos reinos vivos, avaliariam o Darwinismo em contraposição com as alternativas criacionistas e tirariam suas próprias conclusões. Eu penso que as crianças não teriam dificuldade em raciocinar de modo correto se lhes fossem apresentadas provas. O que me preocupa não é a questão do tempo igual para o ensino de ciência e religião, mas que, até onde posso perceber, as crianças do Reino Unido e dos Estados Unidos não tenham basicamente nenhum tempo para o estudo da teoria da evolução. Ao contrário, só lhes ensinam o criacionismo (quer seja na escola, na igreja ou em casa).

Seria interessante também ensinar mais que uma teoria da criação. A dominante nesta cultura é o mito da criação judeu, extraído do mito da criação babilônico. Há, claro, vários outros, e talvez devêssemos conceder a todos eles o mesmo tempo (exceto pelo fato de que não sobraria tempo para estudar nada mais). Sei que há Hindus que acreditam que o mundo foi criado em uma desnatadeira cósmica e povos da Nigéria que acreditam que o mundo foi criado por Deus a partir do excremento de formigas. Certamente estas histórias têm tanto direito a tempo igual quanto o mito Judeu-Cristão de Adão e Eva.

Já falamos demais sobre o Gênesis; agora vamos nos mover para os profetas. O Cometa de Halley retornará sem falha no ano 2062. As profecias Bíblicas ou Délficas não aspiram a esta precisão; astrólogos e seguidores de Nostradamus não ousam se comprometer com prognósticos factuais. Melhor ainda, disfarçam sua charlatanice com uma cortina de fumaça de imprecisão. Quando os cometas apareceram no passado, foram frequentemente vistos como prenúncios de desastres. A Astrologia tem tido um papel importante em várias tradições religiosas, incluindo o Hinduísmo. Supostamente os três reis magos que eu mencionei anteriormente foram conduzidos à manjedoura de Jesus por uma estrela. Nós poderíamos perguntar às crianças por que rota física elas imaginariam que a suposta influência estelar nos assuntos humanos poderia viajar.

Houve um programa chocante na Rádio BBC, no período natalino de 1995, que apresentava uma astrônoma, um bispo e um jornalista designados para refazer os passos dos três reis magos. Pode-se entender a participação do bispo e do jornalista (um escritor religioso), mas a cientista era uma supostamente respeitável escritora de astronomia, e mesmo assim ela seguiu adiante com isso! Durante todo o caminho ela falou sobre os portentos de Saturno e Júpiter em posição ascendente em relação a Urano, ou o que quer que fosse. Ela na verdade não acredita em astrologia, mas um dos problemas é que nossa cultura aprendeu a se tornar tolerante em relação à Astrologia, quando não vagamente entretida por ela – e tanto é assim que mesmo pessoas do meio científico que não acreditam em astrologia de certa forma pensam que seja uma diversão anódina. Eu trato a astrologia muito seriamente: penso que é profundamente perniciosa porque solapa a racionalidade, e gostaria de ver campanhas contra ela.

Quando as aulas de educação religiosa se ocupam da ética, não penso que a ciência tenha muito a dizer, e eu a substituiria pela filosofia moral racional. As crianças pensam que há padrões absolutos de certo e errado? E se pensam assim, de onde eles vêm? Você pode criar princípios de certo e errado que funcionem bem, como “faça com os outros o que gostaria que fizessem com você” e “o maior bem para o maior número” (o que quer que isso signifique)? É relevante perguntar como um evolucionista, qualquer que seja sua moralidade pessoal, de onde vem a moral, ou que caminhos levaram o cérebro humano a ter esse sentimento de certo e errado, essa tendência à ética e à moral?

Deveríamos valorizar a vida humana acima de todas as outras? Há uma parede sólida a ser construída em volta da espécie Homo sapiens, ou deveríamos considerar que há outras espécies que merecem nossas simpatias humanistas? Nós deveríamos, por exemplo, seguir o lobby do direito à vida, que está inteiramente voltado para a vida humana, e valorizar mais a vida de um feto humano, que tem as faculdades de um verme, que a de um chipanzé que pensa e sente? Qual é a base desta cerca que erguemos em volta do Homo sapiens – mesmo em volta de uma pequena peça de tecido fetal? (Não soa muito como uma idéia evolucionária, ao se pensar sobre ela.) Quando, na descendência evolucionária de nosso ancestral comum com os chimpanzés, a cerca de proteção foi erguida?

Bem, saindo então da moral para a escatologia, nós sabemos, pela segunda lei da termodinâmica, que toda complexidade, toda a vida, todo o riso, todo o sofrimento, inclinam-se para o frio nada no final. Eles – e nós – podem não ser mais que temporários; apostas locais do grande decline universal no abismo da uniformidade.

Nós sabemos que o universo está se expandindo e que provavelmente vai se expandir eternamente, embora seja possível que se contraia novamente. Nós sabemos que, o que quer que aconteça ao universo, o sol engolfará a terra em cerca de 60 milhões de séculos no futuro.

O tempo propriamente dito começou em um certo momento, e pode terminar em um certomomento – ou não. O tempo pode chegar ao fim localmente, em trituradores chamados buracos negros. As leis do universo parecem ser verdadeiras para todo o universo. Por que é assim? As leis poderiam ser outras nestes trituradores? Para ser um tanto especulativo, o tempo poderia começar novamente com novas leis da física, novas constantes físicas. Há hipóteses de que poderia haver muitos universos, cada um isolado tão completamente dos demais que, para o primeiro, os outros não existiriam. Neste caso, poderia haver uma seleção Darwinista entre os universos.

A ciência poderia dar uma boa explicação de si mesma na educação religiosa, mas isto não seria o bastante. Eu acredito que alguma familiaridade com a versão do Rei James da Bíblia é importante para quem deseja compreender as alusões que aparecem na Literatura Inglesa. Junto com o Book of Common Prayer, a Bíblia ganhou 58 páginas no Dicionário Oxford de Citações. Somente Shakespeare tem mais. Eu penso que não ter qualquer tipo de educação bíblica é uma escolha infeliz para as crianças que quiserem ler a Literatura Inglesa e entender a procedência de frases como “através de um vidro escuro”, “toda a carne é como a relva”, “esta corrida não é para o veloz”, “chorando no deserto”, “colhendo tempestade”, “entre o joio”, “Sem olhos em Gaza”, “Os que consolam Jô” e “a oferta singela da viúva”.

Quero ainda retornar à acusação de que a ciência é apenas uma fé. A versão mais extrema desta acusação – e que vejo com freqüência tanto em cientistas quanto em racionalistas – é a acusação de haver um fanatismo e uma intolerância tão grandes em cientistas e em religiosos. Às vezes pode haver um pouco de justiça nesta acusação, mas como fanáticos intolerantes nós cientistas somos meros amadores. Nós nos contentamos em discutir com aqueles que discordam de nossos pontos de vista. Nós não os matamos.

Mas eu negaria até mesmo a menor acusação de fanatismo puramente verbal. Há uma diferença muito, muito importante entre o sentimento forte, mesmo apaixonado, em relação a algo porque pensamos a respeito e examinamos as provas e, por outro lado, o sentimento forte em relação a algo que foi internamente revelado a nós, ou internamente revelado a outra pessoa na história e subseqüentemente reverenciado pela tradição. Há uma enorme diferença entre a crença que alguém está preparado para defender recorrendo à evidência e à lógica e uma crença que é apoiada por nada mais que a tradição, a autoridade ou a revelação.

Richard Dawkins é Professor Charles Simonyi de Compreensão Pública da Ciência da Universidade de Oxford. Seus livros incluem The Selfish Gene, The Blind Watchmaker, River Out of Eden e, mais recentemente, Climbing Mount Improbable. Este artigo foi adaptado de palestra proferida na ocasião do recebimento do prêmio Humanista do Ano de 1996, da Associação Humanista Americana.

Tradução para português do Brasil de Eliana Curado. Universidade Católica de Goiás, Brasil. Professora de Filosofia Antiga, Filosofia da Arte e Lógica. Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás.

Palavras-chave: ateísmo, Ciência, Religião.Dawkins

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário

Maio 07, 2012

user icon
 

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 30 comentários

Novembro 08, 2011

user icon

Scientists suggest spacetime has no time dimension

April 25, 2011 by Lisa Zyga report clock

Enlarge

Scientists propose that clocks measure the numerical order of material change in space, where space is a fundamental entity; time itself is not a fundamental physical entity. Image credit: Wikimedia Commons.

(PhysOrg.com) -- The concept of time as a way to measure the duration of events is not only deeply intuitive, it also plays an important role in our mathematical descriptions of physical systems. For instance, we define an object’s speed as its displacement per a given time. But some researchers theorize that this Newtonian idea of time as an absolute quantity that flows on its own, along with the idea that time is the fourth dimension of spacetime, are incorrect. They propose to replace these concepts of time with a view that corresponds more accurately to the physical world: time as a measure of the numerical order of change.

http://www.physorg.com/news/2011-04-scientists-spacetime-dimen

 

------------------------------------------------

Traducao pelo Google:

[b] "Os cientistas sugerem o espaço-tempo não tem dimensão do tempo" [/ b]

Cientistas propõem que os relógios medem a ordem numérica das mudanças materiais no espaço, onde o espaço é uma entidade fundamental, o próprio tempo não é uma entidade física fundamental. Crédito da imagem: Wikimedia Commons.

(PhysOrg.com) - O conceito de tempo como uma forma de medir a duração dos eventos não só é profundamente intuitiva, ela também desempenha um papel importante em nossas descrições matemáticas de sistemas físicos. Por exemplo, nós definimos a velocidade de um objeto como o seu deslocamento por um determinado tempo. Mas alguns pesquisadores acreditam que essa idéia newtoniana de tempo como uma quantidade absoluta que flui por si próprio, juntamente com a idéia de que o tempo é a quarta dimensão do espaço-tempo, estão incorretas. Se propõem a substituir esses conceitos de tempo, tendo em vista que corresponde mais precisamente para o mundo físico: o tempo como uma medida da ordem numérica da mudança.

http://www.physorg.com/news/2011-04-scientists-spacetime-dimen

Palavras-chave: conceito de tempo, medida física, relação entre eventos, Tempo

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário

Novembro 05, 2011

user icon
Espaço

Leis da Física variam ao longo do Universo

Redação do Site Inovação Tecnológica - 03/11/2011

Leis da Física podem variar ao longo do Universo
Os cientistas usaram quasares, gigantescos núcleos galáctivos muito brilhantes e muito distantes da Terra, para iluminar os átomos dispersos pelo espaço. Analisando a luz que nos chega, eles concluíram que esses átomos se comportam de forma diferente dos átomos na Terra.[Imagem: Michael Murphy/Swinburne University of Technology/NASA/ESA]

Constante de estrutura fina

Um dos mais queridos princípios da ciência - a constância das leis da física - pode não ser verdadeiro.

Um estudo publicado na mais conceituada revista de física, a Physical Review Letters, afirma que as leis da natureza podem variar ao longo do Universo.

O estudo concluiu que uma das quatro forças fundamentais, o eletromagnetismo, parece variar de um lugar para outro.

O eletromagnetismo é medido por meio da chamada constante de estrutura fina, simbolizada pela letra grega alfa (α).

Esta constante é uma combinação de três outras constantes: a velocidade da luz (c), a carga do elétron (e) e a constante de Planck (h), onde α = e2/hc.

O resultado é cerca de 1/137, um número sem dimensão, o que a torna ainda mais fundamental do que as outras constantes, como a gravidade, a velocidade da luz ou a carga do elétron.

Em termos gerais, a constante alfa mede a magnitude da força eletromagnética - em outras palavras, a intensidade das interações entre a luz e a matéria.

Constantes inconstantes

Agora, John Webb e seus colegas das universidades de Nova Gales do Sul e Swinburne, na Austrália, e Cambridge, no Reino Unido, mediram o valor de alfa em cerca de 300 galáxias distantes, usando dados do Very Large Telescope do ESO, no Chile.

"Os resultados nos deixaram estupefatos," disse o professor Webb. "Em uma direção, a partir de nossa localização no Universo, a constante alfa vai ficando gradualmente mais fraca, e gradualmente mais forte na direção oposta."

Isso mostra uma espécie de "eixo preferencial" para o Universo - chamado pelos cientistas de "dipolo australiano" - de certa forma coincidente com medições anteriores que deram origem à teoria do chamado Fluxo Escuro, que indica que uma parte da matéria do nosso Universo estaria vazando por uma espécie de "ralo cósmico", sugada por alguma estrutura de um outro universo.

Leis da Física podem variar ao longo do Universo
A variação da constante alfa foi detectada como uma continuidade ao longo do espaço, o que daria uma espécie de "eixo preferencial" para o Universo - é como se houvesse um eixo magnético universal, atravessando todo o Universo observável, da mesma forma que há um eixo magnético na Terra. [Imagem: Webb et al.]

"A descoberta, se confirmada, terá profundas implicações para o nosso entendimento do espaço e do tempo, e viola um dos princípios fundamentais da teoria da Relatividade Geral de Einstein," completou Webb, referindo-se ao princípio da equivalência de Einstein.

O resultado não é uma completa surpresa: as conclusões haviam sido anunciadas pela equipe em 2010:

Naquele momento, porém, o estudo ainda não havia sido publicado em uma revista revisada pelos pares - tanta demora para que outros cientistas analisassem o estudo é uma indicação bem clara do impacto que os resultados podem ter sobre todo o edifício científico estabelecido.

O Dr. Webb e seus colegas vêm trabalhando no assunto há muito mais tempo. Seus primeiros resultados vieram em 1999, mas eram baseados em um número menor de galáxias, de uma região mais restrita do céu.

Universo infinito ou múltiplos universos

Uma das implicações dessas "constantes inconstantes" é que o Universo pode ser infinito.

"Essas violações são de fato esperadas por algumas 'teorias de tudo', que tentam unificar todas as forças fundamentais. Uma alteração suave e contínua de alfa pode implicar que o Universo seja muito maior do que a parte dele que conseguimos observar, possivelmente infinito," propõe o Dr. Victor Flambaum, coautor do estudo.

Outra possibilidade derivada dessa variação na constante alfa é a existência de multiversos, múltiplos universos que podem, de alguma forma, "tocar-se" uns aos outros.

O professor Webb afirma que esta descoberta também pode dar uma resposta muito natural para uma questão que tem intrigado os cientistas há décadas: por que as leis da física parecem tão bem ajustadas para a existência da vida?

"A resposta pode ser que outras regiões do Universo não são tão favoráveis à vida como nós a conhecemos, e que as leis da física que medimos em nossa parte do Universo são meramente 'regras locais'. Neste caso, não seria uma surpresa encontrar a vida aqui," afirma o cientista.

Isto porque basta uma pequena variação nas leis da física para que, por exemplo, as estrelas deixem de produzir carbono, o elemento básico da "vida como a conhecemos".

Leis da Física podem variar ao longo do Universo
O estudo comparou a assinatura espectral de quasares distantes com os resultados obtidos em laboratório para concluir que a constante alfa varia ao longo do Universo. [Imagem: Julian Berengut/UNSW]

Como os cientistas chegaram a esta conclusão

Para chegar às suas conclusões, os cientistas usaram a luz de quasares muito distantes como faróis.

O espectro da luz que chega até nós, vinda de cada quasar, traz consigo sinais dos átomos nas nuvens de gás que a luz atravessou em seu caminho até a Terra.

Isto porque uma parte da luz é absorvida por estes átomos, em comprimentos de onda específicos que revelam a identidade desses átomos - de quais elementos eles são.

Essas "assinaturas espectrais", chamadas linhas de absorção, são então comparadas com as mesmas assinaturas encontradas em laboratório aqui na Terra para ver se a constante alfa é mesmo constante.

Os resultados mostraram que não, que alfa varia ao longo de um eixo que parece atravessar o Universo, assim como um eixo magnético atravessa a Terra.

Novas teorias

Quanto ao espanto causado pelos resultados, o Dr. Webb afirma que as chamadas leis da física não estão "escritas na pedra".

"O que nós entendemos por 'leis da natureza'? A frase evoca um conjunto de regras divinas e imutáveis que transcenderiam o 'aqui e agora' para aplicar-se em todos os lugares e em todos os tempos no Universo. A realidade não é tão grandiosa.

"Quando nos referimos às leis da natureza, estamos na verdade falando de um determinado conjunto de ideias que são marcantes na sua simplicidade, que parecem ser universais e que têm sido verificadas por experimentos.

"Portanto, somos nós, seres humanos, que declaramos que uma teoria científica é uma lei da natureza. E os seres humanos frequentemente estão errados," escreveu ele em um artigo na revista Physics World.

Reação muito semelhante teve um dos pesquisadores responsáveis pelo recente experimento que teria identificado neutrinos viajando a velocidades superiores à da luz, outro achado que contraria as atuais leis da física.

Ao falar sobre a controvérsia e as inúmeras tentativas de dar outras explicações para os resultados, o Dr. Sergio Bertolucci afirmou que "um experimentalista tem que provar que uma medição está certa ou está errada. Se você interpretar cada nova medição com as velhas teorias, você nunca terá uma nova teoria".

E como os cientistas poderão ter certeza de que é hora de investir em uma nova teoria?

Se há variação em uma das constantes, é de se esperar que as outras constantes fundamentais também variem.

Tudo o que eles terão que fazer será projetar experimentos que possam verificar variações na gravidade, na carga do elétron ou na velocidade da luz.

Bibliografia:

Indications of a Spatial Variation of the Fine Structure Constant
J. K. Webb, J. A. King, M. T. Murphy, V. V. Flambaum, R. F. Carswell, M. B. Bainbridge
Physical Review Letters
31 October 2011
Vol.: 107, 191101
DOI: 10.1103/PhysRevLett.107.191101

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=leis-fisica

 

Palavras-chave: Constantes Físicas, Leis da Física, Universo, Variação das Constantes Físicas

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 1 comentário

Junho 25, 2011

user icon

O Livre-Arbítrio, segundo Jocax
Joao Carlos Holland de Barcellos, Marco/2001
revisão: junho, 2011.

"A ação consciente vem do 'acaso', isto é, de ações inconscientes da fisica cerebral"(jocax)

-Introdução

A importância do Livre-Arbítrio (LA) relaciona-se não somente à ética, através da responsabilidade pelos atos e escolhas, mas também ao nosso próprio sentimento de que estamos no controle de nossas ações: seriam estes sentimentos simples alucinações?

Costuma se dizer que se temos LA então somos responsáveis pelos nossos atos, e, portanto, passiveis de sermos julgados e punidos por eles.  É pré-requisito do LA a liberdade de escolha, pois sem esta liberdade não existiria a possibilidade de mudarmos nossos atos, e assim não poderíamos ser responsabilizados por eles.

O LA esta associado à consciência, e sua ausência implicaria a falta de arbítrio.

Como o conceito de LA esta intrinsecamente relacionado à liberdade - como condição necessária - então o estudo da liberdade seria uma possível forma de delimitar ou mesmo refutar a existência do LA.

O Filosofo David Hume [1] dizia sobre o LA: "Ou nossas ações são predeterminadas, caso em que não somos responsáveis por elas, ou bem resultam de eventos aleatórios, caso em que também não somos responsáveis por elas".

E, como consequência, estaríamos livres das penas que nos são impostas pelo julgamento de nossos atos?
Não necessariamente, pois poderíamos arguir que nossa sociedade, o júri, ou o tribunal, também estaria predeterminado a fazer o julgamento e promulgar o veredicto da mesma forma que o réu que praticou o ato em questão. Ou seja, a inexistência do LA não absolveria o réu de seu julgamento e de sua pena, pois as razões que levaram o réu a praticar o crime (predeterminadas ou aleatórias) poderiam ser as mesmas que levariam a sociedade a imputar-lhe o julgamento e a pena.

-O Determinismo

Antes do advento da mecânica quântica pensava-se que de posse das leis físicas e do estado inicial do universo se poderia predizer todo o comportamento futuro do cosmo. Isto é o universo seria intrinsecamente determinista, era o “Universo Laplaciano”.

Devemos observar que neste modelo laplaciano tudo já estaria previamente determinado a acontecer, pois as leis físicas, que se acreditava verdadeiras na época, eram deterministas e bastaria um hipotético ‘supercomputador’ para que pudéssemos prever o futuro de tudo, e até mesmo o que cada ser humano estaria pensando em qualquer instante. Como disse Joao Miranda neste contexto: "As coisas são como são porque não poderiam ser diferentes".

Este determinismo físico absoluto implicaria na existência do destino. O destino seria então a predeterminação total, não só da vida das pessoas, mas também de todo o universo.

É importante notar que mesmo que não dispuséssemos de uma máquina capaz de realizar tais operações, esta impossibilidade pratica não significaria a existência da liberdade e sim que esta não existiria.  Isto quer dizer que no modelo de Universo Laplaciano a liberdade seria uma ilusão e o LA definitivamente não poderia existir.

- Indeterminismo

Contudo, com o advento da mecânica quântica (MQ), e o Principio da Incerteza (Heisemberg-1926) [3], que estabelece a impossibilidade da determinação da posição e velocidade de uma partícula num dado instante com precisão arbitrária, todo o modelo do Universo determinista cai por terra e o cosmo volta a não ser determinista.  Poderíamos pensar que a própria MQ poderia ser refutada no futuro e o universo poderia voltar a ser determinista, entretanto, mesmo sendo esta hipótese extremamente improvável, Jocax conjecturou (2001), usando o teorema da incompletude de godel, que, independente das leis físicas vigentes, o universo sempre será não determinista [2].

- Dentro da Hipótese Materialista

Se o LA não pode mais ser refutado pela impossibilidade do determinismo universal ser válido, isto não implica que ele exista.  Sendo impossível determinar o estado futuro do universo não significa que não possamos predeterminar o estado futuro de um subsistema físico com suficiente precisão, como, por exemplo, saber o que um determinado cérebro iria escolher num determinado contexto.

O LA está associado à mente e a consciência que são produtos do processamento cerebral. Mas como o cérebro é um sistema físico poderemos razoar que pelo menos parte de nosso LA possa ser predeterminado por certas condições de contorno de modo que não poderíamos escapar de certas escolhas.

E aqui entra um ponto importante: Embora sintamos e pensamos que temos LA para uma livre escolha de opções isso, na verdade, pode não passar de uma ilusão: "a ilusão do livre arbítrio":

Se tivéssemos o conhecimento do funcionamento do cérebro e o de sua configuração interna, poderíamos, em princípio, prever, em determinados casos, quais reações seriam tomadas (outputs) para um dado estimulo (input) externo.

Mas estas previsões estariam limitadas pela precisão teórica de nossas leis físicas. E, quanto mais dependente de fenômenos aleatórios quânticos fossem os processos cerebrais envolvidos, menor seria nossa certeza na previsibilidade do comportamento. 
Uma pergunta poderia surgir naturalmente:

Se o determinismo não mais existe, e se fenômenos aleatórios participam de nossas escolhas podemos dizer que o LA ainda pode existir?
O imbróglio todo deste problema está na conceituação do que seja o “eu”: O que seria o “eu” que faz as escolhas?

Dentro da hipótese materialista, que estamos assumindo desde o início, e que é a hipótese mais aceita pela ciência atualmente, a consciência e a mente, são um produto do funcionamento do cérebro. Então o “eu-consciente” está contido neste cérebro.  Mas, como mostrou Libet [4], a consciência não funciona sozinha. No “Experimento de Libet”, Libet demonstrou que a consciência, tal qual a sentimos, é resultado de processos cerebrais internos e inconscientes (Ver apêndice abaixo). 

Estas evidências implicam que nosso “eu” que faz escolhas envolve uma boa parcela do cérebro que faz processamentos internos inconscientes, da qual nossa percepção consciente é apenas uma parte.  Mas nosso corpo físico também é parte de nosso ser, o cérebro é a parte principal de nosso ser. Então os processos físicos que o cérebro processa são, na realidade, o nosso ‘eu’ em processamento! Isto é, as reações físico-químicas que ocorrem no cérebro e que produzem a mente são o nosso próprio ser em funcionamento.  E não importa se existem dados-quânticos, i.e., fenômenos aleatórios (ou não) determinando nosso pensamento: Eles são o nosso eu em processamento, estes fenômenos físicos fazem parte do nosso ser, do nosso próprio ‘eu’.

 

- A Hipótese não materialista

Embora eu (e os cientistas da mente e do cérebro em geral) não concorde com a "consciência fora do corpo", posso elucubrar um pouco sobre esta hipótese anticientífica.

Assim sendo, SUPONHA que exista algo que não dependa de entidades físicas, responsável por nosso arbítrio. Chamemos este algo de alma.

Podemos então perguntar "como a alma chega a uma escolha?”
Se a alma faz algum tipo de processamento lógico para avaliar e fazer uma escolha (por exemplo, quando a pessoa joga uma partida de xadrez) pode-se arguir que este processamento lógico seria dirigido por módulos menores algo que poderíamos chamar de a "física das almas".
Neste caso, cairíamos no mesmo "problema" que tínhamos originalmente só que trocando o materialismo-físico pela "física das almas"!

De modo que nosso arbítrio seria determinado pelas reações de causa e efeito da "física das almas". E se a “física das almas” for determinista? Então a alma não poderia ter arbítrio!

Agora, se o processamento lógico das almas não for feito por entidades logicas mais simples então seria o caso de perguntar: “-Como uma alma faz uma escolha lógica?”.

Bom, se não temos uma resposta para esta questão também não podemos afirmar - da mesma forma - que temos um livre arbítrio, pois não sabemos se o "processamento espiritual" de causas e efeitos da “física das almas” não deixa escolha alguma à alma!

 

- Conclusões

E finalmente chegamos num ponto importante: A capacidade do cérebro de escolher pode ser decomposta em duas partes:

Uma parte determinada pela sucessão de causas e efeitos governada em última instância pelas leis da física-clássica. A outra parte, talvez de menor peso, seria devido à aleatoriedade inerente aos processos eletroquímico-quânticos da maquinaria cerebral.

Podemos concluir então que o Livre-Arbítrio-clássico não é uma entidade real e sim um pseudo-conceito atrelada a uma pequena parte do cérebro conhecida como o “eu-consciente” que, pelas evidências apontadas por Libet, não é a responsável por nossas escolhas e sim uma parte “inconsciente” [5] de nosso cérebro.

Uma revisão deste conceito deveria propor que devemos encarar nossa capacidade de escolha como fruto da complexidade neurológica cerebral, em grande parte pré-determinada geneticamente, como também dos dados nele armazenados no decorrer da vida e de fenômenos aleatórios da mecânica quântica.

Se o LA não existe no sentido clássico do termo –como uma entidade una e consciente que controla nossas escolhas- podemos dizer que existe como produto da complexidade inconsciente cerebral que é parte integrante de nosso ser: Somos também nosso corpo, nosso cérebro. Nossa mente não pode separar-se de nosso cérebro da mesma forma que o fogo não pode separar-se do combustível que o produz. Assim, os impulsos sinápticos que percorrem os neurônios, bem como as interações eletroquímicas e quânticas- aleatórias produzidas, somos nós que os estamos produzindo, pois é disso que somos feitos. Então podemos dizer controlamos nosso livre-arbítrio, pois é nosso cérebro que produz as escolhas, e não com o nosso arcaico “modulo-consciente” que parece servir apenas como um módulo cerebral mais passivo que ativo, talvez para sentirmos as ações tomadas e compartilha-las com outros módulos internos do cérebro.


 

Apêndice
O articulista Luiz Felipe de Castro Silva postou no Fórum Cético o texto do qual eu extraio o seguinte fragmento:

 1 - O Experimento de Libet(Wikipédia)

1.1 Equipamentos

Para avaliar a relação entre o potencial de prontidão inconsciente e sentimentos subjetivos de vontade e ação, Libet necessitou de um método objetivo de marcar a experiência subjetiva consciente da vontade de executar uma ação no tempo, e depois comparar essas informações com dados de registro da atividade elétrica do cérebro durante este mesmo intervalo. Para isso, Libet necessitou de equipamentos especializados.

O primeiro deles foi o osciloscópio de raios catódicos, um instrumento tipicamente usado para o gráfico da amplitude e freqüência de sinais elétricos. Com alguns ajustes, entretanto, o osciloscópio pode ser feito para funcionar como um cronômetro: em vez de exibir uma série de ondas, a saída foi um único ponto que poderia ser feito para viajar em um movimento circular, similar aos movimentos de um segundo mão em torno de um relógio. Este timer foi ajustado para que o tempo que levou para o ponto de viajar entre os intervalos marcados no osciloscópio fosse de aproximadamente quarenta e três milésimos de segundo. Como a velocidade angular do ponto permanecia constante, qualquer mudança na distância poderia facilmente ser convertida em tempo gasto para percorrer essa distância.

Para monitorar a atividade cerebral durante o mesmo período, Libet utilizado um eletro-encefalograma (EEG). O EEG usa pequenos eletrodos colocados em vários pontos no couro cabeludo que medem a atividade neuronal no córtex, a parte exterior do cérebro, que está associado com maior potência. A transmissão de sinais elétricos em todas as regiões do córtex causas diferenças na tensão medida entre os eletrodos de EEG. Estas diferenças de tensão refletem mudanças na atividade neuronal em áreas específicas do córtex.

Para medir o tempo real do ato motor voluntário, um eletromiógrafo (EMG) registrou o movimento do músculo através de eletrodos na pele sobre o músculo do antebraço ativado. O tempo de EMG foi tomado como tempo zero em relação à qual todas os outros tempos foram calculados.

1.2 Metodologia

Pesquisadores que realizarem o experimento de Libet deverão pedir a cada participante que se sentem em uma mesa na frente do timer osciloscópio. Eles deverão fixar os eletrodos de EEG no couro cabeludo do participante, e, então, instruir os indivíduos para realizarem alguns pequenos e simples movimentos, como pressionar um botão, ou flexionar um dedo ou o pulso, dentro de um determinado período de tempo. O número de movimentos que os indivíduos deverão realizar neste intervalo de tempo não necessita ser limitado.

Durante o experimento, o indivíduo voltará a ser convidado a observar a posição do ponto no timer osciloscópio quando "ele / ela ficaram, pela primeira vez, ciente do desejo ou vontade de agir" (ensaios de controle com o equipamento de Libet demonstram uma confortável margem de erro de apenas -50 milissegundos). Pressionando o botão, também se registra a posição do ponto sobre o oscilador, desta vez por via electrónica. Ao comparar a hora marcada do botão de empurrar e da decisão consciente do sujeito para agir, os pesquisadores conseguirão calcular o tempo total do ensaio da vontade inicial do indivíduo através da ação resultante. Em média, cerca de duas centenas de milissegundos decorrem entre a primeira aparição de vontade consciente para pressionar o botão e o ato de pressioná-lo. A partir de 2008, o resultado próximo de uma decisão pode ser encontrada no estudo da atividade cerebral no córtex frontal e parietal até 7 segundos antes que o indivíduo tornava-se ciente da sua decisão [5].

 

Os pesquisadores também analisaram as gravações de EEG para cada ensaio em relação a cronologia da ação. Notou-se que a atividade do cérebro envolvida na iniciação da ação, centrada principalmente no córtex motor secundário, ocorreu, em média, cerca de cinco centenas de milissegundos antes do desejo em realizar o movimento, que terminou com o pressionar do botão. Ou seja, os pesquisadores registraram a atividade cerebral de da área motor, inconsciente, três milésimos de segundo antes dos indivíduos relatarem a primeira percepção consciente da vontade de agir. Em outras palavras, as decisões aparentemente consciente de agir foram precedidos por acúmulo de carga elétrica no cérebro, na área inconsciente(motora) - esse acúmulo veio a ser chamado potencial Bereitschaftspotential ou potencial de prontidão.

2 – Conclusões do Experimento(Wikipédia)

Os experimentos de Libet sugerem que os processos inconscientes do cérebro são os verdadeiros “iniciadores” dos atos volitivos e, o livre-arbítrio, portanto, não desempenha nenhum papel no seu início. Se o cérebro já tomou medidas para iniciar uma ação antes que nós estejamos cientes de vontade de realizá-la, o papel causal da consciência na vontade é totalmente eliminada.

Libet considera que vontade consciente é exercida sob a forma de "poder de veto" (às vezes chamado livre-não); Tornar-se consciente do movimento é necessário para permitir que o acúmulo inconsciente do potencial de prontidão possa ser “transformado” em um movimento. Enquanto a consciência não desempenha nenhum papel na instigação de atos volitivos, ele mantém um papel a desempenhar na forma de supressão ou recusa de determinados actos instigado pelo inconsciente. Segundo Libet, todo mundo já experimentou a retenção de realizar um desejo inconsciente. Uma vez que a experiência subjetiva da vontade consciente de agir precedeu a ação de apenas 200 milissegundos, isto deixa apenas a consciência 100-150 milissegundos para vetar uma ação (isto é porque o final de 50 milissegundos antes de um ato são ocupados pela ativação da medula neurônios motores do córtex motor primário, e a margem de erro é indicado por testes utilizando o oscilador também devem ser considerados).

A interpretação de Susan Blackmore's, que é o  senso comum, é "que a experiência consciente demora algum tempo a construir e é muito lenta para ser responsável por fazer as coisas acontecerem."

Extraído de :
http://clubecetico.org/forum/index.php?topic=24447.0

http://en.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Libet

REFERÊNCIAS

[0] Texto Original
 http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/211

[1] Livre-arbítrio vs. indeterminismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Hume#Livre-arb.C3.ADtrio_vs._indeterminismo

[2] Jocax prova o indeterminismo universal? http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/178 http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/180

[3] Princípio da incerteza de Heisenberg http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg

[4] O Experimento de Libet
http://clubecetico.org/forum/index.php?PHPSESSID=79e1ecfccfb4a48bb743d386f3e88936&topic=24447.0

http://en.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Libet

[5] Multi-Consciência
http://www.overmundo.com.br/banco/multi-consciencia

 

 


Palavras-chave: Ciência, Consciência, Filosofia, Libet, Livre-Arbítrio, Psicologia

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário

Junho 15, 2011

user icon

Multi-Consciousness
João Carlos Holland de Barcellos, Nov/2007
Translated by: Debora Policastro


One of the most widely accepted models of the brain's functional structure is the one in which the brain is divided into functional areas. In this model, each functional area of ​​the brain is responsible for a function or a small set of functions. These functional areas, which do not necessarily need to occupy a contiguous space in the brain, are called functional modules. Thus, within this theory, the brain is a set of functional modules, each one responsible for a small group of information-processing tasks.


Within this perspective, our consciousness would also be one of these modules. The module responsible for consciousness must not be distributed throughout the brain, since when we are unconscious there are parts of the brain that still work. I believe one of the main functions of human consciousness is to delay impulses and/or desires so that they can be subjected to rational analysis (another set of modules) before they are corresponded. That way we may have more efficient responses in relation to the stimuli we receive if we respond to them effectively, with intelligence. Nevertheless, the main function of consciousness (not only in human beings but in all organisms that possess it) is the ability to feel. But the ability to feel, as we have seen, is the ability to receive various impulses and somehow evaluate them before producing a response. Therefore, even a single neuron would also have a small - but not null - ability to feel.


If we look at each brain module within this perspective of being an autonomous and thinking organism, since they also process signals, we can see that each one of them also have its own conscience: their function is exactly to receive several signals from other brain regions and process them before returning an answer.


Thus, each brain module could be seen as having its own "consciousness". They may have the perception of "self-consciousness", capable of perceiving itself, or not. It is possible that each of these "conscious-modules" that form the brain feel things very different from what our conscience normally does. That is because our consciousness, as one of the modules of the brain, is able to feel and perceive the result only, the signals output from other modules, that is, the outcome of its internal processing.


It is important to realize that this concept of "multi-consciousness" is very different from the "Multiple Personality" of the traditional psychiatry [1]. In this pathology, every facet of personality takes over consciousness in an excluding way. When one is active, the other is not and vice versa. The "Multi-consciousness" is not like that. There are multiple consciousnesses simultaneously active in our brains. The one we call "consciousness" would be just one of them, and perhaps NOT EVEN the most important one, as the famous experiments of Benjamin Libet showed (Libet Benjamin set up an experiment showing that our consciousness does not seem to be the main source of our free will [2]) . It is interesting to think that we can live with several of our internal "I" s, without even knowing what "they" actually feel and think.
--//--


We have seen that from our definition of consciousness we could theorize that our brain can have multiple internal consciousnesses, and the one we call "consciousness" could be just one of many that inhabit our brain. It may have the ability to monitor the others, choosing which module to activate or not. Or it may be a common area of ​​the brain that is used as a way of storing data so that different modules can exchange information among themselves. Anyway, let us get out of our multiple consciousnesses brain and notice that consciousness can be a little beyond what we are used to think.

Portuguese Version: http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/2287321

 

Palavras-chave: brain, Multi-Consciousness, self-consciousness

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 1 comentário

Fevereiro 23, 2011

user icon

Teoria do Universo no Buraco negro corrobora teoria do Universo Diminuinte?

Estava lendo a entrevista de EDWARD WITTEN ( Vide abaixo )
Quando percebi a correlacao entre o que ele disse sobre a hipotese do universo num buraco negro:

["
A teoria também trata da origem da matéria. Por que existe uma obsessão para explicar o começo de tudo?

Witten: Porque isso é realmente fascinante. Há muitas perguntas sem resposta.
É normal que a gente queira achar respostas, e existem muitas possibilidades sendo levantadas.
Há físicos que dizem que o Universo está dentro de um buraco negro.
Não há evidências suficientes para isso, mas a ideia faz sentido.
Se o Universo estiver num buraco negro, ele será o máximo que você conseguirá enxergar.
 como os buracos negros são realmente muito grandes, sim, nós podemos estar dentro de um deles.

"]

Se estamos dentro de um buraco negro, estaríamos sendo encolhidos em direcao ao seu centro
e isto estaria de acordo com a teoria do Universo Diminuinte:


http://stoa.usp.br/cienciafilosofia/forum/41786.html

----------------------------
Folha de São Paulo, quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
ENTREVISTA EDWARD WITTEN

LHC dará força a teoria unificadora da física

Daniel Marenco/Folhapress
   
Edward Witten durante o curso que deu no Brasil

FÍSICO AMERICANO DIZ QUE ACELERADOR DE PARTÍCULAS TRARÁ EVIDÊNCIAS EM FAVOR DE EXPLICAÇÃO DEFINITIVA DO UNIVERSO


SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

O físico e matemático americano Edward Witten é hoje um dos principais nomes da teoria das cordas: uma ideia antiga da física que afirma que as menores unidades formadoras da matéria e da energia (incluindo a luz) são cordas vibratórias.
Apesar de ainda não ser comprovada, já que as cordas nunca foram "vistas", Witten aposta que a teoria terá avanços significativos nos próximos anos.
O cientista ficou conhecido internacionalmente ao encabeçar uma revolução recente na física teórica. Ele e seus colegas uniformizaram cinco variantes das cordas, em 1995, ao criar a "teoria M", hoje considerada a versão mais robusta da ideia.
Em entrevista à Folha, enquanto esteve no Brasil para um curso no Instituto de Física Teórica da Unesp (Universidade Estadual Paulista), ele disse que os aceleradores de partículas, como o LHC, poderão validar a teoria em breve -um grande passo para uma visão definitiva das leis que regem o Universo.

 


Folha - O sr. é hoje um dos principais nomes da teoria das cordas. Como explica as cordas e o fato de não haver ainda comprovação para ela?

Edward Witten - Na física moderna, há duas teorias importantes: a mecânica quântica, que trata dos átomos e das partículas subatômicas, e a teoria da relatividade, de Albert Einstein, que trabalha as grandes escalas do Universo. As cordas são uma tentativa de unir essas duas teorias a partir de um modelo único que descreva, com eficiência, as diferentes forças da natureza [a teoria das cordas descreve a formação da matéria ao afirmar que a menor unidade da matéria são "cordas" em movimento].

Mas há quem diga que as cordas são quase uma "profecia", já que não há dados experimentais sobre elas.
A teoria não tem nada de profética. Alguns cientistas não a entendem direito e não compreendem porque ela ainda não foi comprovada. Outras teorias da física, como a mecânica quântica, estão mais desenvolvidas. Só isso.

Essa comprovação virá pelos experimentos com os aceleradores de partículas?

A teoria das cordas tem mais de 40 anos, mas ainda faltam algumas explicações.
Os aceleradores de partículas como o LHC [o acelerador de partículas mais potente do mundo, que fica em Genebra, na Suíça] podem explicar a natureza e revelar indícios de outras dimensões. Por isso, poderão contribuir para explicar as cordas.
As cordas [conforme postulado pela teoria] vibram em 11 dimensões, sendo três dimensões espaciais, a dimensão do tempo e outras tantas que não conseguimos perceber. Os aceleradores podem mostrar isso. Eu conheço alguns cientistas que trabalham no LHC, e temos mantido contato. Não acho que a comprovação da teoria venha em dez anos, como dizem por aí. Nem sei de onde veio a ideia de "dez anos". A comprovação pode vir antes.

A teoria também trata da origem da matéria. Por que existe uma obsessão para explicar o começo de tudo?

Porque isso é realmente fascinante. Há muitas perguntas sem resposta. É normal que a gente queira achar respostas, e existem muitas possibilidades sendo levantadas. Há físicos que dizem que o Universo está dentro de um buraco negro. Não há evidências suficientes para isso, mas a ideia faz sentido. Se o Universo estiver num buraco negro, ele será o máximo que você conseguirá enxergar. E, como os buracos negros são realmente muito grandes, sim, nós podemos estar dentro de um deles.

Como começou o seu interesse pela ideia das cordas?

Eu tinha colegas trabalhando com as cordas na década de 1980, e eles tiveram progressos significativos em 1984. Acabei entrando cada vez mais nessa área até chegar, em 1995, à teoria M [que une variações da teoria].

O que significa a letra M no nome dessa teoria? Há quem diga que a letra simboliza as palavras "mãe" ou "mistério" ou especulações de que o M seria o prenúncio de uma futura teoria.

Nunca quis criar polêmica com o nome da teoria M. Alguns dos meus colegas acharam que eu havia descoberto a teoria da membrana [de que as cordas teriam um aspecto em duas dimensões, em formato de membrana ou folha de papel].
Por isso, resolvi usar a primeira letra da palavra "membrana", e ficou "teoria M". Vamos deixar que o tempo nos diga se o "M" representa uma membrana ou não, no fim das contas.

Essa é a sua segunda vez no Brasil. Qual é a sua impressão sobre a ciência brasileira?

Eu estive no Brasil há alguns anos, no Rio de Janeiro, mas é a primeira vez que venho a São Paulo. Estou gostando muito da minha experiência na Unesp. Tenho trabalhado com o físico Nathan Jacob Berkovits [coordenador do curso da Unesp]. Agora está sendo ótimo conhecer os estudantes brasileiros e ter uma experiência internacional nessa área.

Além das cordas, o senhor tem algo que goste de fazer fora dos laboratórios?

Gosto de ficar com minha família, meus três filhos e minha neta. Também gosto de jogar tênis algumas vezes por semana. Mas acredito que sou melhor na ciência do que nas quadras de tênis.

Palavras-chave: Edward Witten, teoria das Cordas, Teoria M, Universo Diminuinte, Universo num Buraco negro

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 3 comentários

Dezembro 30, 2010

user icon

THE DECREASING UNIVERSE AND THE END OF THE DARK ENERGY
João Carlos Holland de Barcellos, August 12th 2008
translated by: Debora Policastro
I herein write on a new idea about cosmology that seeks to solve the dark energy and dark matter problem by eliminating the need to postulate its existence.

Introduction

The dark energy is a “Ad-Hoc” hypothesis postulated with the only purpose of explaining the apparent fast separation of distant galaxies. The effect observed which indicates a rapid separation is known as “Redshift”. The Redshift of galaxies is currently considered as a Doppler effect of separation.
The new theory I will expose explains the Redshift effect with another hypothesis other than the rapid separation of galaxies. With this new hypothesis, the existence of dark energy and dark matter is no longer necessary. In case this theory is confirmed, these “dark” entities may be abandoned permanently.
How the idea came to me
I was thinking to myself, trying to find a way for the Jocaxian Nothingness (JN) [1] to generate the Aristotelian logic that could explain the apparent ‘logic’ of our universe. I was thinking about what kind of thing the JN would be able to generate in the beginning, but the possibilities were endless… Suppose the JN generates SOMETHING, I thought. This something may or may not have crazy properties, but suppose one of the properties was a restriction to the generation of things inside or outside its limits… While I was day dreaming, all of the SUDDEN I had the idea that the things that are inside the first generated something could decrease in size and the original SOMETHING would remain untouched.
If the thing in its interior could decrease in size, the impression given would be that the initial something would be increasing! An expansion! I therefore abandoned my original problem and began to refine this new idea.
Refining the idea
In this model of “Decreasing Universe” the atoms and other particles would be decreasing in size in the same proportion space dimensions also decreased.
As the size of our “ruler” would also decrease together with the local space dimensions, we would not notice this decrease locally. The apparent size would be the same since our patterns of measure would decrease in the same proportion of the space dimensions.
    We know through general theory of relativity (GTR) that time in a system submitted to a gravitational field passes more slowly than within another system that has no field, or that has a weaker gravitational field. The idea is that the decrease in local space dimensions is caused by the effect of the gravitational field the system is submitted to. That is, black holes would not be special cases of systems in internal collapse. Furthermore, the contraction of the space should also depend on the intensity of the gravitational force.
Theory of Relativity– Equivalence Principle
It is interesting to notice that this idea is very similar, but expanded to 3 dimensions with special relativity, when it claims that the dimension of the system that moves in the direction of the movement suffers a contraction. The faster an object moves the more it will contract itself in the direction of the movement. In the decreasing universe this contraction would be due to gravity and would occur in the 3 space dimensions.
We can intuit the Decreasing Universe from the following premises of the theory of relativity:
1-A person inside a closed box under acceleration or gravitational field cannot know by any internal measurement that the box is being accelerated or that it is under the influence of a gravitational field.
2- An object under acceleration increases its velocity. But we know that the highest the speed is the strongest the contraction of this object in the direction of the movement.
Putting 1 and 2 together we can intuit that an object in a gravitational field could suffer contraction as an object inside a box being accelerated does!
Light through space
Now, let us think about what would happen to a light emitted by a distant galaxy until it reaches our planet:
Our galaxy, as other distant galaxies, would be in constant contraction. A photon of light emitted by a star of this distant galaxy, after leaving its galaxy, would travel through a long “empty” space, without much gravitational influence, until it finally reaches our galaxy and our planet.
During this long course (sometimes billions of years), this photon would suffer little gravitational effect and its frequency would be little affected. However, during this time, our system would continue to decrease and, when the photon finally reached here, we would measure its wavelength with a “ruler” rather diminished in relation to what we had at the time the photon was emitted. So in our measure we would verify that this photon had suffered a Redshift, because we would measure a longest wavelength, and the traditional explanation would be that the redshift was due to the Doppler Effect relative to the speed of separation of the galaxy.
End of the Dark Energy
The more distant a galaxy is from the observation point, the longer it takes for its light to reach us and  the more shrunken our “ruler” would be to measure the photon and then, its wavelength would seem to be longer, what would lead us to think that the speed of separation of the galaxy would be faster. This apparent acceleration of distant galaxies led astronomers to postulate the existence of a “Dark Energy” that would have a repulsive effect, making them stray each time faster. But if the acceleration is due to our own reduction of scale, this dark energy would no longer be necessary, since what makes us notice its accelerated separation is in fact our own space contraction.
End of the Dark Matter
Suppose we observe a distant galaxy in a rotation movement.
The rotation period of the edge of the galaxy is proportional to the square root of the cube of the radius divided by its mass. Mathematically:
T = k * [( R^3)/M]^(1/2)
Where: T is the period of time to complete a turn, k is a constant, R is the radius, that is, the distance of the centre of the galaxy to its edge, and M is the mass of the galaxy.
When the light of the galaxy reaches us, we will observe the same rotation period; however, we will observe also an apparent increase of the radius R due to the time the image took to reach us, who are in contraction. If the observed radius of the galaxy seems to be increased and the period is the same, it seems that the mass M of the galaxy should be larger. That is, in order to maintain the period T constant, the mass M must seem larger than the observed [3]. For that reason, scientists also postulated the existence of the “dark energy”. This “extra” mass could correct the observation to maintain the rotation period according to the radius of the galaxy. However, with this new hypothesis of the “Decreasing Universe”, the dark energy would not be necessary, since we can correct the radius of the galaxy back to its real value at the time the light was emitted by it.

Summarizing
Summarizing the Theory of the “Decreasing Universe”, we have:
-The universe is not expanding apace. The radius of the universe, however, may be expanding, may be fixed, or may be decreasing. The important is that it is not expanding apace.
- The objects in its interior, as well as its space dimensions, are contracting due to the presence of the gravitational field.
- In our local referential, the apparent expansion of the universe could be explained (at least partially) as due to the contraction of our own referential and its measure patterns.
-The theory of the Decreasing Universe would also explain the redshift: a galaxy at a certain distance from us would emit its light at a certain average frequency F. Another more distant galaxy would emit its light, for instance, with the same frequency, but that light would take longer than the first one galaxy to reach us. However, when this more distant light finally reached us, our measure patter would be smaller and, therefore, we would see this light with a longer wavelength (a smaller frequency) than the first galaxy. That is, we would observe a bigger redshift in the most distant galaxies than in the closest ones, and that would happen even if the galaxies were not straying.
Falsifiability
A fast way to refute the theory is to verify whether the redshift is according to the observed dark mass, that is, if the relaxation of the radius of the galaxies, in the calculation of the period, is compatible with the observed redshift.
Some Numerical Estimation
We will do um rough calculation, and non-relativistic, of the contraction rate of our Earth system depending on the “Redshift” [4] observed.
If F0 is the light frequency of a star that strays with speed V from an observer, then the frequency F the observer perceives is given by the following formula non-relativistic (c=speed of light):
F = F0 * (1 – V/c)                  (1)
But if L is the wavelength, F its frequency and c its speed, we have:
L * F = c                       (2)
If L is the wave frequency observed and L0 is the wave frequency at the source, from (1) and (2) we have:
L = L0 / (1 -V/c)                (3)
 
Now, suppose the speed of separation of the galaxy follows the formula of Hubble (where d is the distance between us and the galaxy):
   V = H * d                               (4)
 
Then, from (3) and (4) we have:
    L = L0 / (1-H*d/c)                 (5)
Now, in case we detect two wavelengths L1 and L2 from two galaxies separated from Earth in d1 and d2, (d2>d1) that emit light at the same wavelength L0, we can estimate the reduction rate of the dimensions Fx”, by unit of time, at the date in which the measures were taken:
Tx = (L2 – L1)/L1/ T          (6)

Tx is the reduction rate by unit of time, L2 and L1 the wavelengths observed and T the extra time light takes from the second galaxy in relation to the first one to reach our planet.
The letter Z (redshift) [4] is usually assigned to the factor (L2-L1)/L1:
Z = (L2-L1)/L1               (7)
 T = (d2-d1) / c                 (8)
De (7) e (8) temos:
Tx = Z*c/(d2-d1)             (9)
 
But using (4) and taking the “redshifts” from each galaxy separately:
   Z1 = (L1-L)/L   e  Z2 = (L2-L)/L  (10)
We have:
Tx = [(Z2-Z1)/(Z1+1)]*H*c/(V2-V1)    (11)
We can take our own galaxy as a pattern and simplify the formula above, since the “redshift” of our own galaxy is zero:
Tx = Z * H * c/V     (12)  
In distances:
Tx = Z * c / d      (13)
Where :
Z is the“redshift” of the galaxy
H is the Hubble Constant
d is the distance of the galaxy
V is the speed of separation of the galaxy
c is the speed of light
 
We will use the formula (13) and the data from the cosmologic chart [5] for galaxy NGC3034 and calculate the current compression rate. For this galaxy:
It is important to notice that Z/d must be the constant that reflects the current compression rate of our coordinate system!!

Tx = 0,000677 * 3E05 / (2,72 * 3E19) = 2,5E-18/s
At this reduction per second rate, in one million years the compression would be:
Tx * 1 milllion years  =  2,5E-18 * 3E13 = 0,007%
If I did not make any mistakes, that is a number too small to be observed.


Correlation between dark Matter and Redshift
We will calculate the increase of dark matter needed according to the RedShift (*).
This calculation would be useful to refute this theory in case the dark mass expected is not compatible with the redshift of the galaxy.
From the equation of the T period (the first one), supposing that the rotation period of the galaxy is the same (T=T'), we have:
R^3/M = R´^3 /M’                 (14)

Where: R is the radius of the real galaxy and M its real mass
R’ is its radius observed on Earth (larger) and M’ its total mass observed.
From (14), we can derive:
M’ = M (R’/R)^3                   (15)
If Z is the RedShift of the galaxy, we have:
Z = (R’ – R) / R                  (*)  (16)
From (15) and (16) we obtain:
M’ = M (1 + Z) ^3               (17)
If the Dark Matter (Me) is given from
Me = M´ - M                  (18)
From (17) e (18), we have:
Me = M [ (1+Z)^3  - 1 ]            (19)
That is the Dark Matter (Me) according to the RedShift of the galaxy (for distant galaxies).
Now, using (5) we have the dark matter in terms of distance from our galaxy:
Me = M [1/(1 - H d / c) ^3 -1]             (20)
Where :
Me = Mass of the Dark Matter
M = Mass expected
H = Hubble constant ( 70 km/s/Mparsec )
c = Speed of light (300 000 Km/s)
d = distance from Earth to the galaxy
This value must be confronted with the observation and then corroborate or refute the theory.

(*) We must take the RedShift of galaxies that are very distant, since when it comes to near galaxies, the redshift can be distorted by the gravitational force of our galaxy.
This is the case of the Andromeda galaxy, which is coming closer to our galaxy in a faster way than the separation effect caused by the “dark energy”, and that causes its light to present a shift to the blue. Therefore, that galaxy would not be useful to calculate the dark matter.


Portuguese Version:
http://stoa.usp.br/mod/forum/forum_view_thread.php?post=41
------------------------------------------------------------------------------------
References
[1] O Nada Jocaxiano: [The Jocaxian Nothingness]
http://www.genismo.com/logicatexto23.htm

[2] Criação Ex Nihilo [Ex Nihilo Creation]
 http://www.str.com.br/Scientia/criacao.htm

[3] A elusiva matéria escura [The elusive dark matter]
http://www.herbario.com.br/data05/2811matesc.htm
[4]O Deslocamento para o Vermelho [The Red Shif]
http://www.on.br/site_edu_dist_2006/pdf/modulo2/o_desloc
[5] O RedShift E a Lei de Hubble [The RedShift and Hubble’s Law]
http://www.telescopiosnaescola.pro.br/hubble.pdf
 

Palavras-chave: Dark Energy, Dark Matter, Jocaxian Nothingness, Universe

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário

Outubro 31, 2010

user icon

Vou colocar aqui trechos de um debate, que considero interessante, que esta 'rolando' na comunidade Genismo do orkut.

-----------------------------------------------------------------

"1- Faz algum tempo tenho lido alguns dos seus debates. Não está escrito, mas está implícito na sua postura que parece falar verdades absolutas. Não admitir que discursos opostos possam ser verdadeiros - mesmo que absurdos - é afirmar algo em termos absolutos.
"


Qdo estamos debatendo ou defendendo ideias eh natural que nao colocamos depois de cada frase que falamos 
a sentenca: 
"-Isso que eu disse pode ser verdade se eu realmente existir e nem se eu nao estiver sonhando ou delirando , nem tiver louco com alucinacoes e que o universo de fato existe e etc etc.. "

Entao, para o debate nao ficar enfadonho, acabamos por assumir -de forma implicita-, que a afirmacao q fizemos anteriormente esta dentro de um arcabouco considerado verdadeiro.

Mas claro: O universo pode ser, por exemplo, solipsista e tudo nao passar de um "sonho" ou uma simulacao de algo q de fato eh a realidade verdadeira.
isso se eu nao estiver delirando nem sonhando e que a logica funcione e que nao estou sendo simulado num meta-universo sem logica ou maluco , claro ! :-) 




"2- Temos métodos confiáveis para distinguir fato de fantasia. 
Mas tenhos os meus e você tem os seus, correto? Esses métodos se baseiam em verossimilhanças e não em verdades, não é mesmo?"


Vc nao pode dizer que todos os metodos sao igualmente confiaveis. o seu pode ser melhor que o meu ou o meu pode ser melhor que o seu !
Um louco do hospicio que acha q eh jesus acha q o metodo dele eh mais confiavel de todos ja que ele fala diretamente com deus !!
:-)

"3- O grande problema da filosofia utilitarista é que ela nunca conseguiu oferecer critérios para auferirmos utilidades universais 
- i.e. absolutas. 
O que é útil para você, pode ser inútil para mim, e vice-versa. Qual o critério transcendente, afinal?"

Nao concordo com a sua afirmacao !
Desde a Meta-Etica-Cientifica ( http://stoa.usp.br/mod/forum/forum_view_thread.php?post=83577 ) 
o utilitarismo passa a ter um significado universal (nao restrito a especie humana ) e deixa 
de ser relativista. Vc pode ACHAR que algo eh mais util ou melhor para vc ( da mesma forma que vc pode achar que um alimento eh mais saudavel para vc que outro ) 
mas vc pode estar ERRADO !! 
"OBS: advogar que coisas práticas são mais úteis do que coisas teóricas é uma opinião sua.
Os físicos não concordariam, nem os religiosos.
"
 
Onde vc leu isso?!?!?!?!?
As coisas teoricas , em geral, sao uteis simplesmente pq podem se transformar em coisas praticas !

João Carlos 

"4- Religiões são discursos sobre práticas e preceitosa, respaldados por alicerces metafísicos que pretendem fornecer a essas coisas uma consistência lógica.
É porque uma coisa só pode ser lógica se comparada com uma premissa maior. Não existem coisas lógicas por si mesmas, inerentemente lógicas.Para que sejam lógicos, é necessário impormos uma premissa e realizarmos a comparação.
"

Peterson, a rigor a logica nao precisa estar respaldada na realidade. 
A logica eh um sistema de regras que nao se preocupa com a realidade.
VC pode ser logico dentro de um mundo de fantasia que vc mesmo cria, e que nao existe de fato.
A logica eh como matematica : vc pode contar duendes e fadas num sonho um num conto , mas isso nao significa q eles existem!!
"Por exemplo:
- Por que devo ser amoroso?
- O cristão colocará a seguinte premissa: porque Deus, criador do universo, quer que você seja.
- Logo, ser amoroso é algo lógico em relação a premissa cristã.
"

Ai eh que esta o problema peterson !!
Se vc colocar como premissa um conto de fadas FALSO ( como as religioes ) e pretender guiar 
sua vida e a de outros baseadas nisso , vc pode levar a humanidade aa destruicao !!
POR FAVOR , Da uma olhada no "martir Cristao jocaxiano" para vc entender o q estou dizendo: 
http://stoa.usp.br/ateismo/forum/54393.html
1 out excluir

João Carlos 

"Você até pode substituir as premissas metafísicas das religiões por outras premissas para dar consistência lógica a "ser amoroso". Mas essas premissas serão tão inverificáveis quanto as premissas religiosas, porque não é empiricamente verificável que ser amoroso é a melhor coisa a se fazer."
Pode nao ser em todos os casos mas na media pode ser verdade sim desde que utilizemos 
a meta-ética-cientifica que fornece uma medida fisica e a nao relativa do valor da felicidade
para o "ser amoroso" entendeu? 

"A meta-etica-Cientifica é o equivalente às 'leis de Newton' para a ética e a moral.(jocax)"

http://stoa.usp.br/mec/files/-1/8604/mec.htm
"Se fosse tão óbvio - empiricamente verificável - que ser amoroso é a melhor coisa, as pessoas já teriam percebido, né? Seria tão óbvio quanto o céu ser azul ou a pedra ter solidez." 
Nao em todos os casos mas em geral eh , estude a MEC !!!
E nem tudo que eh bom para a maioria as pessoas fazem: veja os estupradores e bandidos , 
as vezes as pessoas sao egoistas e nao pensam em maximizar a felicidade geral e sim aa sua PROPRIA felicidade :(
"Um teste:
Como você responderia a seguinte pergunta: "por que ser amoroso com as pessoas é a melhor coisa que posso fazer para mim"?"

Nao eh bom ser amoroso SEMPRE!
por exemplo se alguem vem com uma faca pra te matar vc deveria ser amoroso? rsrsrs
Em geral ser amoroso eh bom pq isso traz mais felicidade as pessoas com que vc lida e elas se tornando mais felizes vao tornar outras mais felizes tambem num efeito multiplicativo.
1 out excluir

João Carlos 

"5- Veja o budismo, por exemplo, tema de alguns de nossos antigos debates no qual você sempre criticou: os mestres e os textos oferecem premissas metafísicas para alicerçar a ética e as práticas budistas, de modo que elas sejam logicamente coerentes. Mas ninguém precisa crer nessas premissas inverificáveis. Precisa apenas praticar.

Claro que será necessário, casonão creia, que ao menos se abra para a possibilidade de que elas sejam verdadeiras. Ou seja, é necessário, no mínimo, ser cético - i.e., ter a mente aberta - para se praticar o budismo.

Obs: O próprio Buda nos convidou ao ceticismo.
"


O problema do budismo eh que ele nao esta de acordo com a biologia humana !!
veja um artigo que escrevi:
"
Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo

Acredito que o budismo seja uma doutrina que foi criada para controlar uma super-população de mendigos e analfabetos onde os poucos recursos existentes estavam restritos a algumas castas de privilegiados.

Para evitar uma revolta popular ( a "la francesa" onde muitas cabeças rolaram) criou-se o budismo. No budismo o chique é não querer nada, pois quase nao se ha nada que que possa obter mesmo, assim desejando-se o que nao ha , sofre-se menos. 

No budismo a culpa pela dor eh de quem deseja e nao a de quem nao distribui os recursos. Se vc deseja a maravilhosa casa do sultao a culpa eh sua! Entao, o melhor que vc pode fazer eh tentar VIRAR UMA ESTATUA, ja que se matar da muito na vista. Entao passa-se a cultura de que se vc conseguir virar uma "estatua", sem desejos , sem vontade , sem nada, vc nao vai sentir dor ! Eh o fim da dor ! ( e do prazer tambem ). PODEMOS CONCLUIR QUE O IDEAL BUDISTA EH UMA MORTE EM VIDA !!
1 out excluir

João Carlos 

continuacao

continuacao...
"....
Claro que eh desnecessario dizer que o budismo vai contra muitos instintos humanos cujo objetivo eh a perpetuacao genetica e para isso a obtencao de posses como riquezas, mulheres, poder , bens , terras e etc sao bem vindo e portanto dao muito prazer. As coisas que dao prazer e produzem felicidade sao aquelas que auxiliam a perpetuacao genetica. 
Portanto eh uma "luta ingloria" passar a vida LUTANDO contra seus instintos que querem um destaque , que querem uma acencao socio-economica e tudo mais para tentar virar uma estatua em vida.;
"

ddhttp://stoa.usp.br/ateismo/weblog/67298.html

João Carlos 

Alexandre , 
Para algumas pessoas , creio eu , eh melhor continuar no mundo MATRIX onde existe a ilusao
de que deus exxiste , de que as almas sao imortais e depois da morte se vai pra outro lugar e nao acaba pra sua consciencia.

Mas se vc busca a VERDADE e NAO ENTORPECIMENTO com a cocaina das religioes vc deve 
ter CORAGEM e enfrentar a realidade do universo: DEUS NAO EXISTE , NEM ALMAS NEM ESPIRITOS 
e para de perder tempo devaneando com estas mentiras , vc gasta um tempo enorme da sua vida
discutindo sexo dos anjos que nao existem !!
Percebeu? ???????????????????????????????
Se vc quer evolucao e progredir nopensamento esqueca estas fadas e duendes deuses e espiritos !!

Mas eu nao sei se pra vc e outros o caminho da verdade eh o melhor caminho 
se ficar na matrix for o melhor caminho entao SAIA dos foruns filosoficos e
nao tente provar que duendes existem e que te esperam no ceu com 72 virgens para te servir !!

Desculpa p desabafo mas vc insiste em discutir o inexistente comigo !
Sobe um degrau e enxergue mais longe se busca a verdade !




"se alguem vem com uma faca pra te matar vc deveria ser amoroso? rsrsrs"

Suponha que um louco/bandido venha babando te matar e vc tem uma arma na mao.
Vc atiraria pra salvar sua vida ou seria amoroso com ele e tentaria desarma-lo?

Alexandre

"Como eu disse antes não sou o autor do texto, foi só o que ouvi na rádio e achei que seria interessante discutir, e afinal de contas somos novos no mundo e o que aprendemos dentro da imensidão do tempo que temos no mundo pode ser pouco, e precisa-se de investigação, bastante investigação p/ que se prove ao contrário do que disseram ou se existe algo a favor. "
Alexandre,
Leia atentamente o "Diabinho Azul Jocaxiano":
http://stoa.usp.br/ateismo/forum/39228.html
Sao as provas e argumentos da inexistencia de deus.
Se estas provas nao lhe servem e se vc nao refutar a logica delas 
entao sua pesquisa sera infrutifera pois se a logica nao eh suficiente para vc decidir 
algo entao apenas a feh irracional faria isso, mas por ser irracional nao esta passivel de refutacao logica entendeu?

"Então veja bem, se eu atiro e mato o cara, suponhamos que eu salve a minha vida, mas eu ficaria com remorso de ter matado alguém, tirado a vida de uma pessoa mesmo tendo me ameaçado o que me causaria danos mentais. 
Pelo outro lado, seria morto sem guardar nada na mente. "

.
Alexandre pode ser que para voce ou outra pessoa seja preferivel a morte a matar outro em legitima defesa.
Mas para a maioria e para mim tambem eu preferia viver e matar o bandido do que me deixar morrer apenas pq sentiria remorso por ter matado em legitima defesa.
De modo que nao eh em todos os casos que ser amoroso eh a melhor opcao.

Peterson

"6- Sobre Karma e Justiça. Carma ou karma (do sânscrito ????, transl. Karmam, e em pali, Kamma, "ação") é um termo de uso religioso dentro das doutrinas budista, hinduísta e jainista, adotado posteriormente também pela Teosofia, pelo espiritismo e por um subgrupo significativo do movimento New Age, para expressar um conjunto de ações dos homens e suas consequências.

Este termo, na física, é equivalente a lei: "Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário".

Neste caso, para toda ação tomada pelo Homem ele pode esperar uma reação. Se praticou o mal então receberá de volta um mal em intensidade equivalente ao mal causado. Se praticou o bem então receberá de volta um bem em intensidade equivalente ao bem causado. "


Peterson, o q vc ainda nao percebeu eh que o universo NAO PRECISA SER BONZINHO 
e a JUSTICA NAO EH UM ATRIBUTO DO UNIVERSO.
De modo que uma pesoa pode matar meio mundo e viver muito bem e depois morrer sem que a justica seja feita !
Esta historia de que o que se fez se paga eh historia pra boi dormir !!

A INJUSTICA EXISTE e se o homem nao for atras da justica NAO SERA DEUS NEM O KARMA QUE IRAO RESGATA-LA !

Eh uma forma de manter o povo ALIENADO imposta pelos detentores do poder e das riquezas 
para que o povo explorado achasse que deus faria justica noutra vida e assim nao EXIGISSEM JUSTICA EM VIDA com uma revolucao ou algo do genero.

Eh a mesma coisa d manga com leite que os proprietarios das fazendas espalharam para que os escravos nao comessem a manga e tomassem o leite deles, entao espalharam que manga com leite fazia mal.
A mesma coisa acontece com a justica: Para que o povo continuasse servindo seus senhores com salario de fome espalharam a ideia de que a justica seria feita e que seria mais facil um cameolo passar por um buraco de agulha do que um rico ir para o ceu !!
ao formas de mantar o povo PASSIVO E ALIENADO!

A unica justica eh a que eh feita pelos homens aqui na terra em vida !

"7- Para você, como vê o amor? Como é que se ensina o amor?"
Existem muitas formas de amor.
Mas creio que todas elas esta atrelado a perpetuacao genetica:
Amor de pai para filhos e entre parentes, por exemplo, eh uma forma do organismo proteger os genes que 
estao nos seus familiares e ajudar a preserva-los.
O amor romantico eh uma forma do organismo escolher os melhores genes para que juntos 
possam produzir filhos de qualidade que consigam passar estes genes aas proximas geracoes e assim 
sobreviver no tempo.
Da uma olhada: 
""O Amor é um instinto, programado em nós pelos genes, para fazer o Controle de Qualidade da pessoa que poderá ser o pai /mãe de nosso(s) filho(s)".
Daqui podemos então concluir que:"

http://www.genismo.com/psicologiatexto5.htm

"Eu já tinha lido, e os argumentos são seus e não pretendo contradizer nada. O que você não entendeu é que não se pode parar em um foco e pronto acabou! " 
Se vcnao aceitar as conclusoes logicas que lhe sao apresentadas para avancar vc fica andando em circulos E NAO AVANCA.
"Eu sou uma pessoa que diz: Deus existe? Respondo a mim mesmo: Não sei, não tenho essa certeza, é preciso pesquisar aprofundo."
Por isso nao avanca vai ficar com a duvida eternamente e andando em circulos.
para avancar eh preciso aceitar alguma coisa e seguir em frente, se nao der certo volte, mas o importante eh avancar.
Se vc nao aceita as conclusoes logicas vai ficar patinando eternamente nas suas duvidas...
"Mas pode ser que você não sinta o efeito positivo da felicidade geral sobre você, porque talvez demore muito até que ela retorne. Talvez valha a pena ser mais imediatista para obter a felicidade se você só tiver essa vida para ser feliz. Por que não?"
A visao egoista edonosta nao eh a unica que podemos ter.
Se vc ver o EMPATISMO vc pode ter felicidade MESMO SEM TER DE VOLTA O QUE VC DEU !
Atraves de uma projecao empatica: http://www.genismo.com/genismotexto54.htm

Empatismo: A Felicidade através do OUTRO
João Carlos Holland de Barcellos ( Abril / 2007 )
O Empatismo é uma doutrina jocaxiana que busca a felicidade, principalmente, através da EMPATIA.
empatia
de em + Gr. páthos, estado de alma
s. f., capacidade psicológica para se identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas.
A Empatia é um sentimento que nos faz sentir o que o outro sente: Se ele sofre eu sofro. Se ele esta feliz isso me traz felicidade também.
O "outro" são todos os seres que se relacionam conosco.
Assim o Empatismo quer que sejamos felizes, não através do egoísmo ou de nossos prazeres sensoriais mais simples, mas sim através da felicidade que nossos semelhantes sentem.

O materialismo esta correto

"Se o materialismo estiver correto, então a felicidade nada mais é do que produto de certos arranjos químicos cerebrais. Assim, a melhor coisa que o homem pode inventar é uma pílula da felicidade permanente (algo teoricamente possível nesse paradigma, afinal, mente seria apenas um epífenômeno do cérebro. Manipule o cérebro e terá a mente que desejar).

Então, bastaria todos tomarem a pílula e todos os problemas da humanidade se acabariam - porque nada mais seria um problema se todos estivessem 100% felizes."



O problema eh que com esta pilula a especie se extinguiria: 
Pra que te filhos se esta tudo otimo? pra que trabalhar se a pilula eh de graca e me da prazer? 
pra que conquistar nosvos planetas se o paraiso eh aqui na terra? 
Pra que pesquisar curas se tudo que eu tenho esta na ponta desta pilula? 
Ou seja as pessoas ficariam prostradas ( como que drogadas ) sentindo os beneficios da pilula da felicidade 
e nao desenvolveriam com o tempo a humanidade iria se extinguir e a felicidade, CONTRADITORIAMENTE , iria a ZERO.

Ou seja, a felicidade de curto prazo poderia acabar com a felicidade de longo prazo.

O materialismos ESTA CORRETO o problema eh ser sabio para utiliza-lo !

""O problema do budismo eh que ele nao esta de acordo com a biologia humana !!"

E que discurso está de acordo com a realidade e com o biologia humana?"


O genismo, obvio !!



"Acredita mesmo que temos um acesso prévio a realidade e que, então, apenas a descrevemos. 
Esse paradigma positivista já ficou praa trás há mais de um século. 
Nunca seria levado a sério num ambiente acadêmico com essa postura ingênua.
"


Que acesso previo a realidade vc fala? 

Postura ingenua eh achar que fantasmas ( almas , espiritos ) existem !
A ciencia eh ateia, nao existe disciplina cientifica postulando a existencia destes fantasmas.
Se religiao fosse realidade seria ensinada em materia de ciencia e os compendios cientificos 
falariam de deus e nao da fdorma materialista que falam.
Nas faculdades serias a origem da vida, por exemplo eh tratado de forma cientifica ( = ateia ) como se deus nao existisse.
""A unica justica eh a que eh feita pelos homens aqui na terra em vida !"

Isso é a SUA crença. Você nem percebe que, eventualmente, possa estar equivocado, né? Pior, você não vê que há vários pressupostos implícitos na sua afirmação, vê?"
 

Nao existe e nem nunca existiu nenhuma evidencia cientifica de vida pos morte ou de justica apos a vida.
Os covardes e fracos que gostam de acreditar nestes contos de fafas.

Obvio que como eu disse no comeco tudo pode ser um sonho e na verdade o mundo esta cheio de fadas e duendes 
e que a vida eh eterna, e deus nos aguarda no paraiso. Eh a matrix que a maioria nao cosnegue sair, 
nao os culpo tanto , o mundo fora da matrix religiosa nao eh facil !!



Palavras-chave: Ateísmo, Budismo, Ciência, Debate filosófico, Filosofia, Lógica

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 6 comentários

Abril 16, 2010

user icon

Jocax, Ary e os Fantasmas-Materiais

Conversa entre Jocax e Ary , abril 2010:
-----------------------------
Ary diz:
me responda uma coisa, que as vezes me pego a refletir
gostaria tb da opinião de outros


Jocax diz:
ok

Ary diz:
vc acha a mente uma entidade mais simples ou complexa que a matéria física?
justifique

Jocax diz:
a mente eh produto DIRETO da materia fisica assim como a digestao do aparelho digestivo

Ary diz:
esquece por enquanto a mente como produto de algo.....
tente abstrai-la disso
apenas vá direto
será importante para o raciocínio que se segue

Jocax diz:
a mente nao existe sem um substrato fisico assim como o processamento precisa de um processador

Ary diz:
ok.....
mas tente abstrai-la
tente imagina-la como ente uno

Jocax diz:
eh impossivel existir mente sem materia pq o processamento precisa de algo pra faze-lo

Ary diz:
suponha, por exemplo, que fosse possível existir mente sem substrato....
mas é por isso que a reflexão fica bacana
tente abstrai-la

Jocax diz:
se houvesse mente sem substrato...?

Ary diz:
isso
vc acha q seria ainda assim uma entidade física, tipo uma substancia qualquer, ou seria algo de fato imaterial?
divague nesse caminho

Jocax diz:
veja q vc postulou q nao existe substrato material , nao eh?
como hipotese

Ary diz:
sem substrato material conhecido, no caso o cerebro
mas alguem pode afirmar que o cerebro e tudo que existe, possui substancia mental
mas esquece isso por hora

Jocax diz:
bom , mas nao precisa haver mesmo

Ary diz:
divague apenas a primeira pergunta

Jocax diz:
algo conhecido
pode haver processador de luz
algo qye eh basicamente uma caixa de luz q tem uma mente dentro
mas luz eh "materia"

Ary diz:
e poderia haver um substrato mental, que produz, como efeito, mente?
algo como: tudo que existe é mental
ao menos de natureza mental

Jocax diz:
veja bem, de qqr modo devera existir circuitos logicos para fazer a mente processar MESMO QUE O SUBSTRATO SEHJA UM ETER FANTASMA, entendeu?

Ary diz:
mas esses circuitos podem ser mentais, e não materiais, concorda? o que pensa disso?

Jocax diz:
poderiam ser mentais SIM, mas seria uma SIMULACAO de um circuito material
seria como um universo virtual
dentro de outro
dentro de outro
e asim sucessivamente

Ary diz:
ou seja: lá no fim, tem de haver matéria, seria isso?

Jocax diz:
mas no primeiro nivel haveria um processsdor q faria as avaliacoes logicas

Ary diz:
a causa primeira deve ser material, de qualquer forma
seria isso?

Jocax diz:
ISSSOOOOOOOOOOOOoo
mas calma
veja bem
presta atencao
ta prestando atencao?

Ary diz:
com certeza

Jocax diz:
Vc NAO SABE O QUE EH MATERIA !!
Mesmo um eletron eh definido por suas propriedades NAO EXISTE ALGO PURAMENTE MATERIAL NO SENTIDO de uma substancia, tudo eh definido por suas propriedades de interacao umas com as outras, Vc entende q o q vc pensa q eh materia pode ser um FANTASMA com algumas propriedades?

Ary diz:
isso

Jocax diz:
ou seja um proton , um eletron nao eh uma COISA eh algo que interage com outra coisa atraves de algumas propriedades simplesmente

Ary diz:
proxiga
proxiga

Jocax diz:
assim pode existir uma substancia FANTASMA com algumas propriedades capaz de produzir a mente TAMBEM como a materia , entende?
Mas eh necessario alguns circuitos feitos pelas suas propriedades
e esta substancia NAO precisaria INTERAGIR COM A NOSSA MATERIA !
entendeu?
Ou seja eh possivel uma mente feita de fantasma !!
soh q a materia fantasma precisaria de circuitos basicos para processar

Ary diz:
e esses circuitos seriam feitos por algum projetista, pelo próprio fantasma, ou de um NJ, por exemplo? quais são as possibilidades plausíveis, no seu entender?

Jocax diz:
Seriam feitos pelo NJ e selecao natural COMO O NOSSO
exatamente como o nosso
mas com propriedades q nao reagiriam necessariamente com a nossa materia
entendeu?
no fim da na mesma

estes fantasmas poderia transpassar a materia sem interagir
mas ao mesmo tempo poderiam produzir uma mente
baseadas em suas interacoes intrinsecas
entendeu?

Ary diz:
como tais fantasmas produziriam mente, sem interação: sem ponto de toque?

Jocax diz:
Eles produziriam interacao entre SEUS PROPRIOS ELEMENTOS por exemplo :

Ary diz:
ou entendi errado: produziriam algo, mas de uma natureza tal diferente, que não precisa interagir com ela, seria isso?
desenhe

Jocax diz:
o eletron fantasma e-fantasma reafiria ao proton fantasma f-protons
mas ambos NAO reagiriam com nossos eletros e protons entendeu?

Ary diz:
isso

Jocax diz:
o eletron-f e o proton-f produziriam a mente-f
mas este substrato nao reagiria com a NOSSA materia, pasasaria como se nao existisse
eh uma possibilidade
entendeu?
seria como se houvesse outro universo ocupando o mesmo espaco

Ary diz:
no caso, os e-fantasmas produziriam os e-materiais, atraves das propriedades criadoras do e-fantasma, mas após essa produção, não se interagiriam, por serem de natureza distintas, sem ponto de toque, ou seja: seria possivel algo produzir outro algo de natureza completamente diferente, ao ponto de ser indiferente a qualquer tipo de interação, seria mais ou menos isso?

Jocax diz:
um universo fantasma
]para vc entender suponha a ANTIMATERIA
ok?

Ary diz:
proxiga

Jocax diz:
Atraves da anti-materia eh possivel construir pessoas e ateh outros sistemas anti-estelares, ok ateh ai?
qdo uma anti-materia encontra a materia ela se destroem
mas a materia -fantasma acontece o inverso
qdo elas se encontram nada acontece
entendeu?

Ary diz:
quando um p-fantasma se "dropa" com um p-material, nada aconteceria, seria isso?

Jocax diz:
claro que um anti-homem teria uma mente como a de um homem normal

Ary diz:
mesmo o p-material derivar do p-fantasma

Jocax diz:
nao
as materias fantasmas interagem entre si

Ary diz:
é isso q afirmei

Jocax diz:
uma f-eletron pode se chocar com um outro f-eletron
e interagir

Ary diz:
quando um fantasma dropa com uma materia, não há interação, né?

Jocax diz:
ISSSO
entretanto
eh possivel
haver uma interacao de algum outro NIVEL
por exemplo GRAVITACIONAL
e assim a materia escura seria uma evidencia desse mundo fantasma, ENTENDEU?
mas isso eh elocubracao !!
vai contra a navalha de ocam
mas eh possivel


Ary diz:
ou seja: um fantasma pode produzir algo material, atravez de propriedades que com certeza tb são fantasmas, e isso seria possivel, sem incorrer em paradoxos: algo como um ente não material (seja fantasma, mente, ou o que for) produzindo algo material (seja o que quer que signifique algo material) sem interferencia de algo semi-material, que fosse uma mistura de fantasma com materia, ou seja: algo completamente y produzindo algo completamente x, pode ser isso tb?

Jocax diz:
nao sei se eu entendi mas vou resumir:
Um substrafo F pode interagir entre si e produzir uma mente F-M , entretanto
este substrato F nao interage com a materia M que tambem
produz outra mente
assim o substrato F eh um fantasma para M mas ambos podem gerar mentes

Ary diz:
isso eu compreendi

Jocax diz:
mas nao eh impossivel que ALGUMA INTERACAO possa ocorrer nao eh absolutamente necessario que NEHUMA Interacao ocorra entre ambos substratos entendeu?
de forma q vc possa ver FANTASMAS que sao de fato fantasmas !!
o fato de observar eh uma forma de interacao

Ary diz:
mas analisa com calma, para ver se estou certo tb: algo completamente y, poderia produzir algo completamente x, ou seja: um ente totalmente ausente de "substancia material", produzindo algo completamente material (seja o que materia significa ser), de modo que não interagiriam pelo fato de que são coisas distintas, que não podem se interagir, pois não haveria ponto de toque, ou seja: algo que permitisse essa interação, dado o fato de que são "substancias" completamente distintas e por isso, "intocaveis", como que um absmo separando elas, poderia fazer essa leitura tb?

Jocax diz:
ou seja , fantasmas podem existir , mas a navalha de ocam descarta-os
algo completamente X = algo completamente fantasma? eh isso que vc quer dizer? e o que seria completamente Y?

Ary diz:
eu digo como possibilidade, e não como derivação
algo completamente x, com algo completamente y, seria uma analogia ao "princípio da identidade" da lógica, onde uma coisa é essa própria coisa, e não ela e outra ao mesmo tempo, compreende? agora releia a pergunta, pois entendera melhoor o que eu quis dizer com "x;y"

Jocax diz:
veja um eletron em movimento pode produzir um campo magnetico que nao eh um eletron, eh isso?

Ary diz:
é interessante essa questão, pois levando pelo lado do "princípio da identidade", algo não poderia produzir algo que fosse distinto, mesmo que apenas em uma milionésima parte, pois seria como criar essa distinção completamente do nada, do vazio....o principio da identidade, segundo minha maneira de pensar, pede que uma coisa seja apenas ela e que jamais produza qualquer forma de alteração, seja ela o que for...nesse caso, fica parecendo que o campo magnético seria impossivel de ser produzido, dado que a produção de algo, ao meu ver, feriria o Principio da identidade
mas acontece que o campo magnético está lá, é incontestavel
e parece que ele não é uma produçaõ do nada, provocada pelo eletron: foi preciso que o eletron se interagisse com o espaço, para que "deformando-o", produzisse o que chamamos de campo elétrico

Jocax diz:
1 min

Ary diz:
nessa linha, o campo elétrico só foi possivel ser produzido pelo eletron, pq existe outro algo alem do eletron, no caso o espaço, e esse espaço, em contato com o eletron, sofreu essa alteração, chamada campo magnético
que tb é um paradoxo
mas se não houvesse nada alem do eletron, seria-me impossivel imaginar ele produzindo um campo magnético.....seria como que uma produção do nada, e feriria tb o principio da identidade
mas a questão é: seria possivel, a vc, uma coisa x produzir algo y.....entendendo por x e y, a substancia tanto do substrato quanto do produto d substrato

Jocax diz:
nao vejo o principio da indentidade assim
a identidade significa q deve haver estabilidade no tempo
apenas isso
e outra
nao existe problema de algo se transformar noutro algo
pq as leis foram feitas ao acaso
naoprecisa haver esta lei de manter a natureza
entende?

Ary diz:
então o completamente vermelho, por pura casualidade, poderia se converter no completamente azul, seria isso né?

Jocax diz:
claro
isso

Ary diz:
é porque na minha maneria de pensar, se algo como o vermelho se desbota no amarelo, ou o azul se desbota no verde, ou mesmo uma pessoa envelhece, ou mesmo uma agua calma se converte em linhas de ondulação, isso significa que tudo que se transforma, já existia antes de ser transformad, ou seja: o ato vem antes da potencia....tudo já estava ai, no que chamamos de universo....tudo sempre existiu: todas as coores, a agua parada e em movimento, o eletron, o anti-eletron, o feio, bonito, tudo.....seria isso tb possivel, na sua compreenção?
é como se houvesse uma matriz, "estática", de tudo isso que enchergamos como transformação no universo, compreende?
é como se houvesse uma matriz, "estática", de tudo isso que enchergamos como transformação no universo, compreende?

Jocax diz:
sim tudo eh possivel,mas vc NAO SABE AS LEIS DO UNIVERSO por isso nao pode negar de antemao nada
ou seja tanto pode haver tudo em potencia como do nada pode se transmutar no tudo

Ary diz:
o que quero dizer, é parentesco com a idéia de "mundo das idéias" platônica.....não necessariamente igual explanada por ele, mas como uma matriz de tudo que existe....ou seja: tudo que um dia será, já é em algum lugar, entendeu?
seria possivel isso?, na sua visão...
tudo que um dia será, já é assim em algum lugar, de modo estático, como uma matriz, como se essa matriz fosse a verdade, e o universo fosse apenas a imagem refletida, como o que ocorre no espelho

Jocax diz:
isso eh possivel mas extremamente improvavel como deus

Ary diz:
ou seja: o universo seria uma verdade, só que uma verdade cópia....cópia de algo que é mais "duro", no sentido de existente de fato
algo que não é temporal, que é estatico, que é principio de identidade

Jocax diz:
essa ideia eh muito maluca pro meu gosto !

Ary diz:
não sei, mas as vezes ela me aparece, como produto de algumas reflexões sobre o "pq existe algo?"
mas pq eu coloquei essa questão agora?
vou te explicar
é que existe um video, que já vi a algum tempo atras, mas que estava revendo outra vez hj, e que irei te enviar
esse video é do Craig, famoso debatedor criacionista e cristão...ele é filósofo e biólogo, como richard dawkins, mas nesse video ele contesta a idéia central do livro "deus, um delírio", do dawkins

Jocax diz:
vejo as coisas mais dinamicas e menos estaticas

Ary diz:
posso te enviar?

Jocax diz:
manda !

Ary diz:
se vc ver ele (ele é pequeno)., vera porque fiz essas perguntas a vc

Jocax diz:
manda o video , tem link?

Ary diz:
daí vc pode responder o video, aqui para mim, colocando suas criticas sobre o que foi dito nele
eu pdoeria ter feito isso desde o inicio, mas preferi colocar algumas indagações minhas antes, pq ai já preparava vc a responder o video, naõ com suas criticas às minhas indagações, mas com criticas novas

Jocax diz:
vou mandar este dialogo pro forum do genismo pq tem algumas ideias interessantes, alguma coisa contra?

Ary diz:
pq se eu fizesse o contrario, colocando os videos antes, e depois partissemos para o debate, iria ficar menos enriquecedor
pode

Jocax diz:
ok
a minha ideia do mundo material-fantasma eh pretty-genial

Ary diz:
esse é o video part 1: tem só 9 min
http://www.youtube.com/watch?v=aDlwYBitTJg&feature=related

Jocax diz:
qual o link?

Ary diz:
essa é a parte dois:
http://www.youtube.com/watch?v=vpRR-gzs7xg&NR=1
visualisou os dois links ai?
o segundo é menor, com apenas 5 min

Jocax diz:
http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/7182
vou ver

Ary diz:
a sua idéia do mundo material-fantasma foi confeccionada agora, já existia completa antes, ou já existia e foi sofisticada aqui no debate?

Jocax diz:
foi confeccionada agora para responder a voce UM INSIGHT

Ary diz:
debates são muito bons
tb por isso

Jocax diz:
verdade
foi assim
q crieo o nada jocaxiano
para responder a um cara
q eu imaginei :
La vem ele de novo com quem fez o uiniverso !!
ai bolei o NJ
to vendo o video
O guninsdastre da fisica eh o nada jocxiano !

Ary diz:
ja´sabia que vc iria responder isso, nessa parte, mas prossiga vendo o video, com atenção
depois vc da seu parecer aqui
são dois videos

Jocax diz:
ok
bastava a premissa quem fez o designer que eh mais complexo do que o universo para refutar deus

Ary diz:
ele vai falar sbre isso mais na frente
mas segue vendo ai

Jocax diz:
ok
O negocio da explicacao da explicacao eh q ele nao conhece a navalha de ocam ou nao ker expo-la
a melhor explicacao eh a mais compativel com a navalha e nao a explicacao da explicacao

Ary diz:
está no video 1 ou dois?

Jocax diz:
pasei para o 2

Ary diz:
bacana

Jocax diz:
se deus fosse assim tao simples a gente fariaum e colocava numa garrafa

Ary diz:
terminou os dois videos?

Jocax diz:
to no fim
ok

Ary diz:
se quiser fazer algum parecer, sinta-se a vntade

Jocax diz:
ele nao provou como uma mente quele diz ( ele conhece a mente de deeus) ser simples, produz raciocinios extremamente complexos.
e ele confunde a navalha de ocam com explicacao da explicacao, acho q faz isso pra confundir
O fato eh que
nao ha necessidade de mente nenhuma para a criacao do universo
e que o principio antropico do ajuste fino eh desmontado pelo principio destropico

Ary diz:

Jocax diz:
ele nao provou como uma mente quele diz ( ele conhece a mente de deeus) ser simples, produz raciocinios extremamente complexos.
acho que o que ele quis dizer aqui, é que as idéias produzidas na mente de deus podem até ser complexas, mas a "substancia" dessa mente, esse algo, que chamamos mente, é simples, bem mais simples que a materia

Jocax diz:
faltou uma interrogacao ( ele conhece a mente de deus?)
entao ele tem que mostrar e nao apenas alegar , como uma substancia pode processar informacao
sem complexidade
os projetistas de computadores iriam adorar saber comoisso pode ser feito
ALEGAR que uma mente que nao tem substancia pode fazer isso eh o mesmo q alegar que deus pode criar o universo

Ary diz:
idéias como o calculo infinitesimal (citado por ele), podem ser idéias complexas, mas a mente que produz essas idéias, é simples, logo, a causa primeira é mais simples que as idéias, que por sua vez produziriam o universo, que este sim, de substancia bem mais complexa do que aquela substancia mental inicial, o que vc diz a respeito?

Jocax diz:
ele tem que mostrar que :
1-Como ele SABE que a mente de deus eh SIMPLES?
2-Como uma mente simples pode criar coisas complexas sem ser por tentativa e erro ( ele alegou apenas que pode )
entendeu?

Ary diz:
ok, deixa eu responder as duas perguntas, com base no que ele mesmo diz, ai em seguida vc responde minhas respostas
"1-Como ele SABE que a mente de deus eh SIMPLES? "
bem, segundo ele, a mente é mais simples que a matéria, pois não é composta de partes.....é una
"2-Como uma mente simples pode criar coisas complexas sem ser por tentativa e erro ( ele alegou apenas que pode )
entendeu?"
deixa eu responder essa segunda pergunta
daí vc completa

Jocax diz:
1-Como ele sabe que a mente de deus eh UNA e nao composta de partes? e como pode algo que nao eh composto de partes processar alguma coisa? ele nao respondeu estas duas questoes

Ary diz:
acho que referente essa segunda pergunta, entra uma questão que ele falou depois, citando o exemplo de um artefato complexo encontrado de baixo de uma areia: vc não precisa postular se o projetista deste artefato veio de tal cidade, ou se é complexo, ou aquilo e tal: o importante, é vc aceitar que houve um projetista, dado que um artefato complexo aparecer do nada, definitivamente não é a resposta...então acho q essa seria a resposta dele a sua indagação dois

Jocax diz:
veja o caso da areia
a explicacao mais simples e provavel eh que alguem fez o artefato pois ha evidencias de vida

Ary diz:
ou seja: que houve um projetista é mais certo, mas que esse projetista é mais complexo que o artefato, não é certo: logo, é mais plausivel a idéia de projetista do que não-projetista.....ele poderia dar essa resposta, embora naõ deu.....o que vc acha dela?

Jocax diz:
mas a vida tem uma explicacao MAIS SIMPLES: selecao natural

Ary diz:
entendeu minha indagação?

Jocax diz:
a explicacao da origem do projetista vivo eh mais simples do que a de um projetista que apareceu do nada
deixa explicar:
se vc postular o aparecimento de um projetista do nada para produzir a peca atras da lua eh mais complexo do que a peca ter sido montada ao acaso
CONTUDO
temos uma explicacao extremamente smples para um projetista vivo
que eh a selecao natural , assim o projetista tem uma explicacao mais simples doque a peca ou do que ele aparecer do nada pronto e acabado

Ary diz:
dawkins diz que a idéia de projetista é infantil, pois um projetista do universo, requer mais ainda de explicação, do que o próprio universo....acontece que se é "demonstrado" (não estou afirmando que foi), que o universo é um artefato de designado inteligentemente, então é certo tb que houve um projetista....e essa idéia é tão certa, que é mais certa do que a hipotese desse projetista ser necessariamente mais complexo que o universo, logo, um progetista simples projetando um universo complexo, é mais aceitavel do que um universo com aparencia de design inteligente, não ter tido projetista....o q acha disso?

Jocax diz:
entendeu?

Ary diz:
esse que vc falou eu já sei...é uma idéia interessante, mas tb já compartilho dela
o que eu falo é o seguinte:
supondo que consigamos um dia demonstrar que o universo de fato tem o designe de um artefato, então somos quase obrigados a aceitar que teve um projetista....daí, a idéia de que um projetista teria de ser mais complexo se torna banal, pois seria apenas uma hipótese, em contraste com a certa do artefato, que não é hipótese: é fato.....compreende?
o cerne, portanto, não é sobre o projetista
e sim se de fato o universo tem aparencia de design ou não
se tiver, deve haver um projetista....
isso q estou afirmando
o q acha?

Jocax diz:
acho falso
pq vc deve provar que eh possivel um projetista mais simples que o proprio universo
se nao provar ficamos com o universo criado ao acaso

Ary diz:
o que distingue dawkins do craig, é que para o primeiro, o universo não tem aparencia de designe, ou até tem, mas ele cre que é só aparencia...já para craig, o universo é um designe...

Jocax diz:
o fato eh q ele e vc nao responderam as duas perguntas q eu fiz

Ary diz:
sim, mas digamos o seguinte: vc encontra um relógio no deserto, então me responda: vc terá praticamente certeza absoluta de que houve um projetista, concorda? vamos por partes

Jocax diz:
1-Como ele sabe que a mente de deus eh UNA e nao composta de partes? e como pode algo que nao eh composto de partes processar alguma coisa? ele nao respondeu estas duas questoes

Ary diz:
ok.....sobre essa pergunta, irei dizer o seguinte:

Jocax diz:
sim se eu soubesse que existe vida

Ary diz:
craig aceita aquela premissa filosófica de que a mente é uma substancia UNA, não composta por partes

Jocax diz:

mas ninguem disse q a mente de deus eh una , onde deus disse isso a ele?

Ary diz:
é claro que vc pode objetar, e dizer que a mente naõ existe sem as idéias pensadas, e se as idéias se distinguem uma da outra, logo a mente não pode ser completamente UNA, tem de ser de partes tb...e é uma idéia que já pensei tb....essa seria a resposta da sua um
ou seja, não sai do lugar, quanto a resposta 1

Jocax diz:
se fossse assim como pode haver processamento de uma coisa que eh una ?

Ary diz:
mas continuando a pergunta 1 que te fiz, vc respondeu que sim, que deve haver projetista
agora a pergunta 2

Jocax diz:
pelo q eu entendi se deus tem ideias entao as ideias nao sao a mente sao diferentes da mente dele logo existem partes

Ary diz:
2 - se fosse demonstrado que o universo de fato tem forma projetada, e não apenas aparentemente projetada, vc concordaria que houve um projetista inteligente, concorda ou não?

Jocax diz:
nao disse issso nao

Ary diz:
desculpa

Jocax diz:
eu disse que SE SOUBESSE que a vida era possivel o objeto poderia vir da vida

Ary diz:
vai respondendo ai, só vou atender uma carta lá fora, e já estou voltando

Jocax diz:
preciso achar o mail do dawkins

Ary diz:
jocax, desculpa a demra
tive que pegar uma encomenda

Jocax diz:
ok

Ary diz:
1 - olha só: todos nós concordamos que o projetista de um relógio na areia, foi um ser inteligente, e não obra do acaso
2 - todos concordamos que pode ser que esse projetista que é inteligente, não necessariamente teve outro projetista inteligente, pois poderia ter derivado de um projeto natural, como a seleção natural
3 - todos tb concordamos, que se um dia demonstrarmos que o universo como um todo, tem não apenas aparencia, mas é de fato projetado, como um relógio na areia, então deve haver tb um projetista inteligente

Jocax diz:
1-Apenas porque ha vida de origem mais SIMPLES que o relogio
2-A origem do projetista deve ser mais simples que o proprio

Ary diz:
4 - não importa se esse projetista é mais ou menso complexo que o universo, ou que tenha sido derivado de uma especie de seleção natural, mas concordamos que é um projetista inteligente

Jocax diz:
3-Nao , apenas se puder haver um projetista mais simples do que ele !!
4-IMPORTA SIM
veja bem se o projetista eh mais complexo entao devemos tomar o relogio como aparecendo do nada !! pq deveriamos ter um projetista mais complexo pra comecar ? eh como dizer que precisaria de um relogio mais complecxo para craaar um mais simples entende?
entendeu q vc precisaria de OUTRO RELOGIO MAIS COMPLEXO DO QUE O QUE VC ACHOU ? para criar o relogio mais simples?
.....

Ary disse (Ontem às 16:50):
mas perceba que quem projetou o relógio, mesmo sendo mais complexo que o relógio, teve uma causa mais simples que a causa do relógio
quem projetou o relógio foi um homem e um homem é mais complexo que um relógio

Ary disse (Ontem às 16:51):
mas a causa da existencia do homem é a seleção natural, que é uma causa mais simples do que a causa do relógio, que é o homem
o mesmo pode se dar com o universo
a causa dele, mesmo que fosse mais complexa, não necessariamente implicaria na impossibilidade
da mesma forma que na relação "homem-relógio" não implicou

Jocax diz:
ENTAO VC DEVE EXPLICAR A CRIACAO DE DEUS DE FORMA MAIS SIMPLES QUE A DO UNIVERSO
caso contrario vc estaria invocando uma causa de origem mais complexa

Ary diz:
jocax, aqui temos dois pontos:
1 - se deus for mais simples que o universo, teriamos que sua origem oou existencia seria mais simples que a do proprio universo

Jocax diz:
NAO
1 min

Ary diz:
2 - caso seja mais complexa, já provamos que algo mais complexo pode ter uma origem mais simples, como é o caso do homem-relógio
logo, não temos muito o q dizer nesse assunto

Jocax diz:
a origem do projetista precisa ser mais simples do que o projeto criado entende?

Ary diz:
jocax jocax, foi justamente isso q eu disse

Jocax diz:
ou seja a origem do homem-relogio precisa ser mais simples do que o relogio criado

Ary diz:
releia ai

Jocax diz:
mas entao vc precisa demonstrar q deus teria uma ORIGEM mais simples do que o universo !!
e isso naofoi demonstrado

Ary diz:
o inverso tb não foi demnstrado

Jocax diz:
o q nao foi demonstrado?
chegamos num ponto interessante:

Ary diz:
que o universo é mais simples ou teve uma origem mais simples

Jocax diz:
a origem do nada eh a coisa mais simples possivel

Ary diz:
eu sei q vc vai afirmar que a existencia do universo é um fato

Jocax diz:
e o universo eh apenas particulas e algumas leis , parece mais simples q qqr deus

Ary diz:
se deus existe, é pq sua existencia é necessaria
e não contingente
o universo poderia não existir, talvez

Jocax diz:
O ponto eh que : se algo precisa de um criador, entao este algo eh mais complexo do que o criador OU a origem do criador eh mais simples do que este algo !!!

Ary diz:
pois é.,,,,,,vc esta prossimo de concordar então, a possibilidade lógica de deus
proximo*

Jocax diz:
claro que nao pois o universo NAO precisa de um criador
eu disse que SE algo precisa de um criador

Ary diz:
o universo precisa tanto de uma origem, que você bolou o NJ

Jocax diz:
mas o criador nao eh consciente e eh mais simples do que o objeto
o NJ eh mais simples do que o objeto criado

Ary diz:
por que ele é mais simples?

Jocax diz:
Algo sempre precisa de uma origem mais simples do que ele
porque nao tem estrutura

Ary diz:
um nada sem regras, uma região sem lei, talvez seja algo bem complexo, pois já cnversamos sobre a possibilidade de que leis e regras não sejam contingentes, mas sim necessarias
talvez a lógica seja necessaria
logo, um nada que burla essas coisas, se torna algo bem complexo, de se "engolir"

Jocax diz:
nao creio q nada disso seja necessario , a logica nao eh necessaria

Ary diz:
volto a dizer: o relógio teve uma origem mais complexa do que ele próprio.....

Jocax diz:
vc pode criar o nada aryniano
o nada com logica !!
gostou?

Ary diz:
já existe...é nada trivial rs
não teria originalidade

Jocax diz:
O relogio NAO teve uma origem mais complexa do que ele proprio pois o relogio veio do NJ -> estrelas-> vida->selecao->homem->relogio
nao o nada trivial tem a lei nada pode acontecer !!

Ary diz:
o ser que fabricou o relógio é mais complexo....milhares de vezes mais

Jocax diz:
o nada-aryniano eh o nada com leis logicas rsrs
mas esta NAO eh a verdadeira ORIGEM do relogio
a verdadeira origem esta antes do inicio da vida
acho q da pra fazer uma definicao recursiva interessante

Ary diz:
eu poderia dizer tb, que se deus é mais complexo que o universo, sua complexidade não seria a verdadeira causa do universo
de alguma maneira, a existencia de deus poderia ser mais simples
vc vai dizer: vc tem de demonstrar isso

Jocax diz:
mas vc deve demonstrar ou mostrar q deus teria uma origem mais simples q o universo

Ary diz:
o fato é que para algumas pessoas, a existencia de deus é atestada por outras vias
isso já lhes daria o fato de sua existencia
daí supor que de alguma forma, a existencia de deus é mais simples ou necessaria, é questão de bom senso
da mesma forma que richard dawkins fez com a cosmologia, apostando que nela tb deve haver um "guindaste", como há na biologia

Jocax diz:
juizo de valor nao vale

Ary diz:
o crente faria a mesma coisa que dawkins: apostaria numa simplicidade e necessidade de deus tb

Jocax diz:
mas o guindaste da fisica eh menos complexo do que deus

Ary diz:
não necessariamente

Jocax diz:
sim pois pode vir do Nada jocaxiano
A CAUSA ou ORIGEM de Algo sempre tem uma causa ou origem no passado mais simples do que este algo ( jocax )

Palavras-chave: Deus, Fantasmas, Fantasmas Materiais, materialismo, Nada-Jocaxiano, Origem do Universo, Religião

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 33 comentários

Abril 05, 2010

user icon
 

Palavras-chave: Cotas, cotas raciais, miscigenação, Racialismo, racismo, UNB

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário

Março 28, 2010

user icon

Jocaxian Democracy: The Best Democracy

João Carlos Holland de Barcellos, December /2008 

Translated by Debora Policastro

Introduction

The Jocaxian Democracy is a model of democracy in which anyone can vote for anyone and the representativeness is given by the quantity of direct and indirect votes that each voter/candidate receives.

Parties

The parties are something “perverse” about the current political systems. The parties differ from each other by their “governmental plans”, and especially by their ideologies.

Nevertheless, a great part of the population does not feel comfortable about “engaging” into this or that party. A lot of people also do not sympathize with the ideology and governmental plans of the existent parties. Why do we have to be restricted and obliged to vote for the same party ideologies ever and ever? The way it is people are limited to a few offered options. Founding a party? Few people have this kind of time and inclination.

Another problem which I consider very serious about the current party democracy is that the candidates from each party do not need to have any popular representativeness: they are chosen in an indirect way, without popular participation, from inside the parties. For example, in order to run for president it is enough that the candidate is affiliated to the party and chosen by its members. And a good marketing would take care of the necessary image. We are then “obliged” to vote for one of these few candidates we barely know…

Thus, how can we say that the people elected their president in a direct way if the few candidates available were actually chosen in an indirect way, in the backstage of their parties and with no popular participation or representativeness?

The ideal would be a system that allowed the existence of as many parties as there were electors. The “official” parties would not be the only to put candidates in electoral disputes.

The “Jocaxian Democracy”

The Jocaxian democracy (named before as “Representative Democracy”) is a democracy system in which everyone has the same opportunity, everyone has the same rights, everyone can be elected and all this without the necessity of political parties! Here is the idea:

All people that are able to vote, that is, the electors are also candidates in potential and would have the same rights as anyone else.

Initially, in a first level, each elector could choose, that is, vote for any other elector he wanted. It could be for example, him/herself, his/her mother, his/her rock idol, his/her teacher and so on. That is, the elector could vote for any person that belonged to his election zone: in case of a presidential election, it could be any person inside the country; in a governor election, it could be any person inside the state; in a mayor election, anyone in the city.

The difference between a candidate and an elector is that the candidate, in order to remain candidate, must vote for him/herself and the electors vote for people who are not themselves.

In the JD, initially, each person has a single level of representativeness. It starts with each person having a unit of representativeness. Each time the person receives a vote it is added to his/her representativeness. Therefore, the representativeness of a person is the amount of votes that he/she received.

Each time an elector gives his/her vote to somebody he/she goes out of the electoral dispute and transfers all his accumulated representativeness to the elector that received his/her vote: if an elector “A” which had the representativeness (=quantity of received votes) “a” votes for another elector “B”, who had representativeness “b”, the representativeness of the elector “A” is transferred to the elector/candidate “B” and becomes “a”+”b”, as the person who voted now has zero representativeness and is out of the electoral dispute.

This way, the representativeness of “A” is transferred to the person he/she voted for (“B”), but the sum of the people’s representativeness is kept. In our example, “A” got zero representativeness and “B” got “a”+”b” representativeness. The total representativeness was kept. Thus, if a person votes for him/herself, his/her representativeness is not altered by his/her own vote.

On the levels that succeed the first one, the voting will be localized geographically:

On the second voting level all the voters that live on the same block and are candidates, that is, voters that have representativeness larger than zero, must gather and get to know each other’s ideas and, after that, vote on one another. After the voting, the voter that has the bigger representativeness wins the election of his/her block. The votes that direct or indirectly are not transferred to the winner, through the voting will be discarded

This algorithm must be used in all levels: the winner of the level is the one who has the biggest accumulated representativeness after the voting is closed. The votes that are not transferred through the voting to the winner are discarded.

On the third voting level, the winners of each block in the district would gather and, like in level two, would choose their district representative.

On the forth level, the winners of each town would gather and choose the candidate of the town.

On the fifth level, the winners of each town would gather and choose the mayor of the city and vice mayor.

On the sixth level, the mayors of each state would gather and choose a governor and a vice governor. The vice governor would take the place of the mayor that was chosen to be a governor.

On the seventh level, the governors in the country would elect their president and the vice governor would take the position of the governor elect president.

This way, despite the elections being indirect, there would be popular participation in all levels. Everyone could be elected, at first, and there would be as many ideologies that could be chosen and equally likely to be chosen as there are citizens in the country.  

Palavras-chave: Democracy, Phylosophy

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário

Novembro 13, 2009

user icon

 

II.2- A Origem do Universo, segundo Jocax

Do livro do Genismo, por Jocax

 

O problema da origem do universo é antigo, talvez o mais antigo problema filosófico com o qual o homem já se deparou.

 

Se definirmos o universo como o conjunto de tudo o que existe, e se supusermos que os elementos físicos nele contidos seguem regras ou leis –tais quais as leis que a Física supõe que existam- podemos concluir que as teorias até agora propostas não são totalmente satisfatórias. Para suprir essa deficiência, estou propondo uma nova hipótese que, embora não seja testável, e portanto não (para Popper) científica, é uma teoria filosófica legitima, pois satisfaz a “Navalha de Ocam”, é auto-consistente, e não contraria os fatos observados.

 

Critérios de Avaliação

 

Antes de adentrarmos na análise destas teorias, quero propor alguns critérios que as soluções propostas deveriam satisfazer. As melhores teorias devem satisfazer, tanto quanto possível, os seguintes quesitos:

 

1- Não ser contraditória.

 

2- Não ser inconsistente com a realidade observável.

 

3- Ser compatível com a “Navalha de Ocam” em relação às teorias concorrentes.

 

4- Ser capaz de explicar o universo observável.

 

Podemos também classificar as teorias sobre a origem do universo em dois grandes grupos:

 

As teorias religiosas e as teorias naturais.

 

1-As Teorias Religiosas

 

As soluções de base religiosa para a origem do universo invocam uma entidade metafísica chamada “Deus”. Deus seria uma espécie de um “Grande Fantasma” que, com seu poder e sabedoria infinita, criou o Universo.

 

As teorias religiosas, apesar de serem amplamente aceitas pela maioria da população, não passam pela maioria dos critérios de avaliação acima propostos:

 

- Falha do Critério um: A teoria do “Grande Fantasma” não é logicamente consistente já que, pela própria definição de universo, se Deus existisse, também deveria fazer parte do Universo, uma vez que o universo é definido como o conjunto de tudo o que existe. Assim, Deus poderia servir apenas para explicar a geração dos elementos físicos do universo, mas não do próprio universo. Se a teoria precisa explicar a origem do universo, então ela precisaria explicar a origem do próprio Deus.

 

- Falha do critério dois: o “Grande Fantasma”, normalmente, também vem acompanhado de outros atributos como consciência, onisciência, onipotência, e bondade, o que gera incompatibilidade com a realidade observável (ver o “Diabinho Azul Jocaxiano” no capítulo I.2).

 

- Falha do critério três: o “Grande Fantasma” também é incompatível com a “Navalha de Ocam”, pois, sendo hipoteticamente dotado de infinita sabedoria e poder, foge do critério da simplicidade exigido pela “Navalha de Ocam” em relação às teorias físicas sobre a origem do universo. Ou seja, quando estamos falando de explicações sobre origens, é um contra-senso lógico invocar uma entidade mais complexa para explicar uma mais simples se não existe uma explicação para a própria entidade mais complexa.

 

2-As Teorias Naturais (ou não religiosas)

 

As teorias naturais são preferíveis às religiosas por não pressuporem a pré-existência de um ser de alta complexidade. As teorias naturais podem ser divididas em dois grupos:

 

As teorias naturais de base física e as teorias naturais de base filosófica.

 

2.1-As Teorias Naturais de base física

 

As teorias naturais de base física deixam algo a desejar pelas seguintes falhas:

 

– Falha do critério um: se as leis físicas existem e são utilizadas para explicar o universo, então elas também precisariam ser explicadas, já que fazem parte do universo que se quer explicar. Ou seja, a maioria delas, como veremos, tenta explicar a origem do universo adotando alguns dos princípios da Física como o “Princípio da Conservação da Energia”, ou ainda as leis da “Mecânica Quântica” ou da “Teoria da Relatividade Geral”, sem, contudo, explicar a origem destas próprias leis.

 

A maioria destas teorias naturais modernas baseadas na mecânica quântica parte inicialmente do “Nada Quase Absoluto”, algo como um “Vácuo-Quântico” sem presença de matéria e energia, mas sem violarem as leis de conservação da Física, conseguem explicar o surgimento dos elementos físicos, que por sua vez dariam origem ao Big-Bang.

 

A explicação para o surgimento da matéria, sem violar a lei da conservação da energia, se dá através da constatação de que a gravidade produzida pelas partículas teria uma energia potencial negativa que contrabalancearia exatamente a energia positiva das partículas criadas, formando um universo com energia total igual a zero.

 

Para ilustrar, vejamos alguns textos sobre isso:

 

- “Criação Ex Nihilo-Sem Deus“ de Mark I. Vuletic [1]

 

De onde extraímos o seguinte texto [4]:

“ Há... (1 seguido de 80 zeros) de partículas na região do universo que podemos observar. Donde vieram? A resposta é que, na teoria quântica, as partículas podem ser criadas a partir de energia em forma de pares partícula/antipartícula. Mas isto suscitou a questão de saber donde vem a energia. A resposta é que a energia total do universo é exatamente zero. A matéria do universo é constituída por energia positiva. Contudo, toda a matéria atrai-se a si própria devido à gravidade. Dois pedaços de matéria que estejam perto um do outro têm menos energia do que se estiverem muito afastados, porque é preciso gastar energia para os separar contra a força da gravidade, que os atrai um para o outro. Portanto, em certo sentido, o campo gravitacional tem energia negativa. No caso de um universo que seja aproximadamente uniforme no espaço, pode mostrar-se que esta energia gravitacional negativa anula exatamente a energia positiva representada pela matéria. Portanto, a energia total do universo é zero." (Hawking, 2000, pp. 152-153) "

 

- “ O Ponto Zero” Por Jomar Morais [2]

 

Onde destacamos:

De onde veio universo? A resposta de Guth é: do nada, do zero. As primeiras partículas teriam surgido de uma simples "flutuação de vácuo", processo de alteração de um campo elétrico que a física clássica desconhecia, mas que a mecânica quântica, nascida no século passado, acabou por revelar aos estudiosos da intimidade subatômica. Segundo essa conjetura – conhecida como teoria do universo inflacionário -, as partículas primordiais emergiram do vazio... A teoria de Guth afirma que... À primeira vista parece que o fenômeno esbarra no princípio de conservação da energia, que pressupõe o equilíbrio da energia total em todas as transformações no mundo físico, mas não foi isso o que aconteceu. No processo inflacionário, a energia positiva da matéria foi contrabalançada pela energia negativa do campo gravitacional, de modo que a energia total foi sempre zero. Quando, enfim, o material de gravidade negativa começou a decair, diminuindo o ritmo da expansão, formou-se então a "sopa primordial" (gás a altíssima temperatura) apresentada como condição inicial na teoria do Big Bang “.

 

- “ The Uncaused Beginning of the Universe (1988)” de Quentin Smith [3]

 

Que contém o seguinte trecho:

A disadvantage of Tryon's theory, and of other theories that postulate a background space from which the universe fluctuates, is that they explain the existence of the universe but only at the price of introducing another unexplained given, namely, the background space. This problem is absent from Vilenkin's theory, which represents the universe as emerging without a cause " from literally nothing " (1982, p. 26). The universe appears in a quantum tunneling from nothing at all to de Sitter space.”.

 

Podemos perceber que o surgimento da matéria a partir do “nada” não é novidade, é bem conhecido da ciência já há algum tempo. Além disso, fenômenos não causados (que acontecem sem causa) não são privilégio de entidades exóticas: considere um átomo excitado com um elétron numa órbita de alta energia. Não existe nenhuma fórmula -nem explicações físicas- que possam prever quando este elétron deixará sua órbita de alta energia para uma órbita de menor energia. Este evento é considerado puramente aleatório (sem causas). Quando o elétron decai de orbital, um fóton (uma partícula de luz que não existia) é criado. Ou seja, mesmo num singelo átomo, temos um exemplo da existência de fenômenos sem causa e da criação de uma entidade física antes inexistente (o fóton). Antigamente alguns cientistas alegaram que a causa existia, mas não seria conhecida. Essa teoria ficou conhecida como a teoria das “Variáveis escondidas”. Posteriormente, demonstrou-se que, se existisse uma causa ‘escondida’ para estes eventos, ela violaria um teorema matemático conhecido como a Desigualdade de Bell. Então, atualmente, a MQ assume como verdade que existem eventos sem causas no universo.

 

Para completar nossa lista, devemos ainda incluir as duas principais teorias sobre a origem do universo sem criação inicial: A teoria do Universo Pulsante (Big-bang-Big-Crunch) e também a teoria do Estado Estacionário.

 

Teoria do Estado Estacionário[5]

 

Fred Hoyle (1915-2001), Geoffrey Burbidge (1925-) e Jayant Vishnu Narlikar (1938-) propuseram, em 1993, a Teoria do Estado Quase Estacionário, em um universo eterno e infinito alternando expansões de cerca de 40 bilhões de anos com contrações. A massa é eternamente criada em buracos brancos com massa de Planck Ö[ch/G] = 1019 bárions. A mini criação causa uma expansão do universo, que reduz o valor médio do campo de criação, reservatório de energia negativa. Após a expansão, o valor do campo se reduz, tornando uma nova mini-criação difícil. A gravidade, então, supera a expansão e o Universo se contrai, aumentando o campo até que uma nova criação ocorra.

 

A teoria do “Big-Bang-Big-Crunch” eu acho bastante elegante, entretanto, esta teoria não é compatível com as últimas observações cosmológicas que mostram que o universo está em processo de expansão acelerada, isto é, muito longe de uma possível contração. Outra inconveniência deste modelo é que ele parece violar a segunda lei da termodinâmica que diz que a entropia não pode diminuir. Então, parece que o modelo do “Big-Bang-Big-Crunch”, infelizmente, está superado.

 

Outro problema das teorias naturais de base física é a sua dificuldade de explicar o universo observável em relação a alguns parâmetros físicos – constantes que as leis físicas utilizam- o que faria de nossas supostas leis físicas um conjunto de regras altamente improváveis. Por exemplo, é alegado que uma pequena alteração na carga do elétron, na massa do neutrino etc., faria com que nosso universo rapidamente colapsasse. Vejamos alguns textos sobre isso:

 

...As chamadas ‘coincidências antrópicas’, nas quais as partículas e forças da física parecem estar ‘afinadas com precisão’ para a produção de vida à base de carbono são explicadas pelo fato de a espuma do espaço-tempo ter um número infinito de universos brotando, cada um diferente do outro. Acontece simplesmente que nós encontramo-nos naquele universo em que as forças e partículas prestam-se à geração de carbono e outros átomos com a complexidade necessária para permitir a evolução de organismos vivos e pensantes." (Stenger, 1996) ” [6]

 

... Isso sugere uma nova resposta a outra questão intrigante: como as leis da física foram sintonizadas de forma tão perfeita para viabilizar a existência de estrelas, planetas e seres vivos? A resposta clássica era: acaso fantástico ou milagre divino. Agora há uma terceira alternativa: se cada universo tem leis físicas diferentes, talvez existamos num dos raríssimos cujas leis possibilitam o surgimento da vida inteligente .” [7]

 

Podemos perceber que a resposta normalmente dada por estas teorias para a alegação de improbabilidade das leis da física é que deve haver infinitos ou múltiplos universos paralelos ao nosso e, de alguma forma, desconexos. De modo que nosso universo seria apenas um, entre infinitos existentes, cada qual com suas próprias leis físicas. Mas isso não é consistente porque:

 

-Se as próprias leis da física – como, por exemplo, a teoria M, ou das múltiplas bolhas de Guth - foram invocadas para explicar o surgimento do universo, tanto o nosso como os infinitos outros, como se poder dizer que nestes outros universos as leis da física poderiam ser diferentes?! Se todos os universos partiram das mesmas leis físicas iniciais, deveríamos esperar que estas mesmas leis fossem preservadas em todos os universos gerados por elas!

 

-Os modelos que apelam para infinitos lançamentos de “dados” apenas para explicar o surgimento do número “seis” num destes dados, embora resolvam a questão, é algo bastante forte e parece contrariar a Navalha de Ocam, já que não temos evidências de nenhum outro Universo além do nosso próprio cosmo. Uma sucessão contínua de Universos ou um número finito deles seria mais razoável, mas ainda não totalmente satisfatório.

 

- Também fica um pouco a desejar a explicação de que as bolhas que geram universos paralelos apresentarem GAPS (falhas) que as desconecta entre si. Porque razão a matéria não poderia ser criada continuamente na mesma bolha? O que tornaria estes “gaps” desconexos? Por que estes universos não poderiam se comunicar?

 

Apesar disso, a principal falha das teorias, que tentam explicar a origem do universo por meio de uma base física, é que elas não explicam a origem das leis físicas utilizadas para sua geração. Poderíamos perguntar: “Por que o princípio da conservação da energia deve ser obedecido?”, ou ainda “Por que a mecânica quântica precisa valer?”. Estas teorias partem de algo (leis físicas) previamente existente. As explicações físicas, entretanto, são preferíveis às religiosas já que um conjunto de leis é mais simples que a existência de um suposto ser de complexidade infinita.

 

2.1-As Teorias Naturais de base Filosófica

 

As teorias naturais de base filosófica sobre a origem do universo são aquelas que não se baseiam nas leis da Física para explicar seu surgimento, mas que explicam o próprio surgimento das leis capazes de regê-lo. A partir daí, caso necessário, o universo poderia ser uma decorrência das leis Físicas, como já proposto pelas teorias físicas, ou então de alguma outra forma.

 

A Origem do Universo segundo Jocax

 

Para resolver o problema da origem do universo, criei uma teoria que utiliza a “Navalha de Ocam” em seu extremo máximo. Assim, para explicar o universo, eu parto do estado mais simples possível, e que, portanto, não precisa de explicação para existir: o “Nada”.

Mas o “Nada” em que as pessoas pensam não é o mesmo “nada” do qual eu parto, e muito menos no “nada” que os físicos se baseiam. Por isso vou denominar o meu nada de o “Nada-Jocaxiano” ou simplesmente NJ. O NJ é definido como o estado da natureza nas quais as seguintes condições são satisfeitas:

 

1-Não existem elementos físicos de nenhum tipo (nem matéria, nem energia, nem espaço).

 

2-Não existem leis de nenhum tipo.

 

O “Nada Jocaxiano” é diferente do “Nada” em que normalmente se pensa porque quando se pensa no “Nada” pensa-se no “Nada” verdadeiro mais a seguinte regra: “Nada pode acontecer deste Nada”. Então, o Nada que as pessoas normalmente pensam não é o mais puro Nada possível, é um Nada com uma regra!   

 

Uma outra forma que as pessoas costumam pensar o “Nada” é torna-lo sinônimo de inexistência. Este “Nada” como sinônimo de inexistência esta longe de ser o “Nada Jocaxiano” pois o NJ é algo existente, possui propriedades, seria algo similar ao conjunto vazio que não possui elementos, mas onde o próprio conjunto existe.

 

O “Nada Jocaxiano” é um “Nada” que existe, é o nada puro, um Nada Absoluto e portanto, não apresenta regras a serem seguidas, nem mesmo a regra “Nada pode acontecer”, e muito menos as leis de conservação da energia ou os princípios da Mecânica Quântica da Física.

 

Você, leitor, pode dizer que “não apresentar regras” é também uma regra a ser seguida, e, portanto, a definição do “Nada Jocaxiano” seria inconsistente. A resposta é: - Não apresentar regras é o estado inicial do “Nada”, não uma regra que ele tenha de seguir. Da mesma forma como não apresentar matéria ou energia. Vamos explicar melhor:

 

Quando um sistema não apresenta regras (ou leis) de nenhuma espécie, isso significa que não existem leis de restrições, e, portanto, “tudo” pode acontecer... Como também pode não acontecer nada! Ou seja, a não existência de leis implica que “algo pode acontecer”, como sua negação: ”algo pode não acontecer”, onde se inclui “nada pode acontecer” e isso representa todas as possibilidades possíveis que um sistema pode apresentar. É portanto uma tautologia, uma verdade absoluta. Não uma regra. Podemos considerar a frase “tudo pode acontecer” no sentido abrangente, que engloba também “pode não acontecer nada” de modo que se um sistema que não apresenta leis é um sistema em que “tudo pode acontecer” (inclusive permanecer sem que nada aconteça).

 

Portanto, podemos concluir, que o sistema mais simples possível - o “Nada-Jocaxiano” – é, na verdade, um sistema Toti-Potente onde “Tudo pode acontecer”.

 

Se “tudo” pode acontecer, então este nada absoluto pode gerar, aleatoriamente, qualquer coisa. Mas se o nada pode gerar aleatoriamente qualquer coisa, ele pode gerar o universo ou as leis físicas que, por sua vez, permitiriam o surgimento do universo material. Por outro lado, o “NJ” poderia gerar também a lei “Nada pode acontecer”, e, neste caso, teríamos um nada perpétuo, sem possibilidade de que nada mais pudesse acontecer. Esta é a idéia que normalmente temos em mente quando pensamos no “Nada”. Mas esta é apenas uma das infinitas possibilidades que o “NJ” pode gerar.

 

Assim, eu proponho que a origem de tudo foi o “Nada-Jocaxiano” que, por não apresentar leis ou regras de nenhuma espécie, “Tudo” – no sentido amplo da palavra – poderia acontecer. Como não havia regras para o que podia ou não acontecer, podemos concluir que a ALEATORIEDADE deve ser uma característica intrínseca deste sistema, uma vez que a aleatoriedade pode ser definida como a imprevisibilidade do que pode acontecer.

 

Se você está lendo este texto, e se a hipótese do NJ for verdadeira, podemos concluir que, felizmente, o NJ não “aleatorizou” (gerou aleatoriamente) a regra “nada pode acontecer”. Se o NJ tivesse gerado esta regra não estaríamos aqui para ler este texto. Por outro lado, se supusermos que seja verdadeira a alegação de ser extremamente improvável que um conjunto de leis físicas geradas aleatoriamente possa gerar vida então temos um problema: seria extremamente improvável, mas não impossível, o NJ ter “aleatorizado” nosso universo, e assim é conveniente buscarmos uma resposta para esta improbabilidade.

 

Nosso NJ tem uma "carta nas mangas": como ele não precisa obedecer a leis físicas ou outras regras de qualquer espécie, tudo poderia acontecer até mesmo, por exemplo, o NJ ter “aleatorizado” nosso universo do modo como o temos hoje, tudo criado neste momento, onde nossas lembranças e memórias teriam sido criadas consistentemente. Claro que, embora isso seja teoricamente possível, seria ainda muitíssimo mais improvável. Uma das formas de resolver o problema seria plagiar os teóricos do pré-Big-Bang e dizer que o NJ criou aleatoriamente uma infinidade de universos bolhas cada qual com suas próprias leis físicas, também aleatórias. Assim, o nosso universo seria apenas um destes múltiplos “universos bolhas” cujas leis físicas, felizmente, propiciaram a vida.

 

Outra possibilidade, ainda mais simples e mais interessante, seria a criação do universo com prazo de validade: o NJ geraria aleatoriamente um universo com leis físicas também geradas aleatoriamente mas com um prazo, ou condição de validade, aleatório. No fim deste prazo, ou chegada esta condição de término, ele extinguir-se-ia e voltaríamos ao “Nada-Jocaxiano” original, que novamente poderia “aleatorizar” um novo universo diferente, e assim sucessivamente. Esse mecanismo poderia explicar as “leis físicas” de nosso universo sem a necessidade de criarmos infinitos universos paralelos. Haveria problema se, porventura, o NJ gerasse um universo que fosse o “Nada Trivial”: o Nada com a seguinte lei “Nada mais poderá acontecer”. Neste caso, o NJ geraria o fim de tudo, para todo o sempre.

 

Algumas questões podem vir à mente do leitor:

 

1-A característica do NJ de não possuir regras ou leis não seria, ela própria, uma regra?

 

Não. Uma regra estabelece alguma forma de restrição que deve ser obedecida. Se eu disser, por exemplo, "meu carro é vermelho", isto não é uma regra, e sim um ESTADO do carro. Uma condição na qual o carro se encontra atualmente. Eventualmente, o carro pode ser pintado de azul (ou não). Estabelecer o estado da natureza, nas condições definidas pelo “NJ”, também não é uma regra a ser seguida, e sim um estado inicial do sistema. Uma regra seria "meu carro deve ser vermelho", ou ainda "meu carro não pode ser vermelho", nestes casos a cor do carro estaria de alguma forma restrita por uma regra.

 

2-Dizer que tudo pode acontecer não seria uma regra? Uma imposição ao NJ?

 

Não, pois isso é uma conseqüência lógica do seu estado inicial, e não uma imposição ao sistema. Além disso, isso seria uma regra se obrigássemos o NJ a gerar alguma coisa. Não é isso: como observarmos no texto, eu friso que do NJ tudo pode OU NÃO acontecer. E isso não é uma regra, trata-se de uma TAUTOLOGIA LÓGICA - uma verdade absoluta em quaisquer circunstâncias - Isso implica que o NJ, como tudo, segue uma tautologia (uma verdade absoluta), e não uma regra.

 

3-O NJ não possui elementos físicos nem leis, mas ele possui alguma POTÊNCIA?

 

Se chamarmos de "potência" a possibilidade de se transformar, a resposta é sim. Mas devemos lembrar que possibilidade não é certeza, e eventualmente ele jamais se transformaria ou geraria alguma coisa. Impossível afirmar que o NJ necessariamente vá gerar alguma coisa. Assim a “potência” nada mais é que uma possibilidade, não pré-definida a priori, mas derivada das condições iniciais que definem o NJ.

 

4-O “Nada-Trivial”, onde nada pode acontecer, não seria algo mais provável de ter sempre existido do que o NJ?

 

Não. O nada que as pessoas imaginam (o Nada-Trivial) é infinitamente mais improvável de acontecer como origem do universo do que o “NJ”. Isso porque o "nada-trivial" possui, na verdade, INFINITAS regras a serem seguidas: ele não pode gerar uma cadeira; ele não pode gerar leis físicas; ele não pode gerar deus; ele não pode gerar um Big-Bang; ele não pode gerar vida; ele não pode gerar partículas etc.

 

Devemos observar também que se o NJ é um sistema físico existente, então podemos concluir que o universo sempre existiu, embora o tempo não exista num NJ, podemos dizer que o NJ era o próprio universo em seu estado minimal.

 

--//--

 

 

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 6 comentários

Outubro 10, 2009

user icon

O Princípio da Incerteza Filosófico (PIF)
Jocax, Novembro de 2008

Resumo: Estabeleceremos um princípio filosófico-científico que é similar, porém mais abrangente, que o princípio da incerteza de Heisemberg.

Palavras Chaves: Filosofia, Incerteza, PIF, Princípio da Incerteza Filosófico.

A Mecânica quântica, que é a parte da Física que estuda o microcosmo, tem um princípio fundamental, conhecido por “Princípio da Incerteza”. Este princípio, descoberto por Werner Heisemberg, estabelece a impossibilidade física de conhecer (saber ou medir), simultaneamente, a posição e a velocidade de uma partícula com precisão maior do que certa constante [1]. Esta imprecisão é considerada como sendo uma lei fundamental da mecânica quântica, e tal incerteza não depende de nenhuma tecnologia, e é considerado um atributo do universo.

Desde o advento da “Ciência Expandida” [2] sabemos que é impossível até mesmo refutar uma teoria como pensava Popper. Então tudo indicava para uma visão mais abrangente e menos incerta do universo, tal incerteza deve abranger nossas observações. Baseado nestas conclusões eu irei propor um princípio, que eu chamei de “Princípio da Incerteza Filosófico”, ou simplesmente PIF, que estabelece o seguinte:

“É impossível saber se alguma observação, medida, ou percepção, corresponde de fato à realidade”.

Podemos tomar a realidade como algo que tenha existência independentemente de alguma interpretação, processamento, ou imaginação.

Provavelmente muitos já tiveram esta mesma idéia, mas não a formalizaram, pois desde o advento do conceito de “Solipsismo” [3], sabemos que é impossível provar que qualquer coisa que seja possa ser, de fato, realidade. E pior do que isso, até mesmo o próprio Solipsismo pode ser uma ilusão, uma vez que o “eu” que percebe pode também não ser real como foi mostrado em “Penso, logo existe!” [4]. Ou seja, o próprio “ser”, que observa, pensa, e sente pode não existir fora de outro nível de interpretação.

Além disso, e o mais importante, é que mesmo que tomemos a nossa própria realidade como sendo real, isto é, que existe independentemente de qualquer interpretação de um nível superior, como é suposto pela ciência, ainda assim teremos problemas: Ainda assim não poderemos tomar nenhuma observação como sendo real. Para entendermos isso, vamos roubar o exemplo da “caixa de sapatos” do ensaio sobre “Ciência Expandida” [2]:

Suponha que estamos andando pela rua e observamos uma caixa de sapatos com um tijolo dentro dela. Podemos concluir de nossa observação que o que vemos é uma caixa de sapatos com um tijolo? Infelizmente a resposta é não, pois em princípio, poderia ocorrer uma das seguintes situações - de infinitas possíveis - quando se observa um tijolo sendo que não é um tijolo:

- O volume era, na verdade, de um rádio de pilha imitando um tijolo.
- O volume era algo que se assemelhava a um tijolo, mas não era um tijolo.
- Um curto-circuito cerebral momentâneo fez você imaginar um tijolo numa caixa vazia.
- Uma nova arma de ondas alfa foi testada em você para que você imaginasse o tijolo.
- Alguém criou uma imagem holográfica do tijolo para que você pensasse que era real.
- etc.etc.

Tais tipos de enganos, embora improváveis, podem acontecer, em qualquer nível de observação, seja ela científica, ou não. E isso justifica o PIF como um princípio filosófico-científico fundamental sobre o limite do conhecimento.

 

Referências

[1] Princípio da incerteza de Heisenberg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg

[2] Ciência Expandida
http://www.genismo.com/logicatexto25.htm

[3] Solipsismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Solipsismo

[4] “Penso, Logo Existe!”
http://www.genismo.com/logicatexto29.htm

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 2 comentários

Agosto 28, 2009

user icon

A Matrix Jocaxiana

João Carlos Holland de Barcellos, Agosto 2009

 

“Em um futuro talvez não tão remoto, quando a razão vencer os principais obstáculos ambientais, e o controle populacional for um fato consumado, surge uma nova incerteza para a existência humana: A Matrix Jocaxiana.”

 

 

Seis de agosto de 3209. Quem diria?  Como nas histórias de Júlio Verne, ou das geniais engenhocas de Leonardo Da Vinci, eis também que as primeiras “profecias” sobre as ‘Matrixes’ começam a ser cumpridas. O futuro vem mesmo quando menos se espera: Já estão disponíveis as primeiras vagas para as novíssimas MM (“Máquinas Matrixianas”). Mas não havia mesmo alternativas: Num mundo onde, outrora, a palavra “trabalho” representava uma forma de independência e sustento, mais de mil anos depois ela teria, agora, um novo significado: Uma vaga na “Cidade dos Sábios”. Conhecidos popularmente como “Os Alfas”, eles formam uma seletíssima elite de pensadores, cientistas, filósofos e técnicos, extremamente criativos e sábios, residindo numa cidade especialmente projetada, em que definem as metas e políticas públicas de nossa nova sociedade.

 

O último “posto de trabalho” tradicional foi extinto há precisos 213 anos atrás, e todo serviço desde então, inclusive médicos, são feitos por máquinas ou robôs controlados por computadores dotados de uma sofisticadíssima Inteligência Artificial.  Com a taxa de natalidade controlada, e os recursos naturais sendo utilizados (finalmente!) de forma sustentável, a população é mantida numa espécie de “férias perpétuas”, e, a maioria, vive suas vidas em busca da maximização de seus prazeres.

 

Entretanto, pela quantidade definida de população ideal, não há condições de todos terem suas próprias “Ferrari”s, nem cada um ter sua própria fazenda com cachoeiras, cavalos e matas. Por esta razão, e para maximizar a felicidade coletiva os “Alfas” conseguiram finalmente criar as primeiras MM. As pessoas que quiserem se internar em uma MM serão submetidas a uma pequena operação para o implante de eletrodos e chips em algumas regiões específicas do cérebro para que a máquina consiga elevar seu prazer ao máximo. A pessoa fica numa espécie de “sonho perpétuo” e a alimentação é intravenosa. Estimativas indicam que se consegue viver aproximadamente até os 70 anos neste estado de felicidade máxima, sem necessidade de acordar para coisa alguma. 

 

Os “Alfas” garantem que as MM são econômicas e consomem muito menos recursos naturais do que se o individuo estivesse acordado, consumindo recursos naturais e buscando prazeres por conta própria. Claro que nem todos os indivíduos da sociedade vão querer entrar nas MMs, principalmente os religiosos e alguns  genistas, pois as MMs podem de fato colocar o individuo num verdadeiro “paraíso virtual” que jamais teriam de forma lúcida, mas também provocam uma alienação máxima, desconectando-o do mundo real para se isolar no seu próprio paraíso virtual. E você leitor? Abandonaria tudo para viver no paraíso proporcionado pelas MMs?

 

 

 

Referências

[1]  Inteligência Artificial ocupa cada vez mais espaço
http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/6834

 

 

 

 

 

Palavras-chave: Alienação, Felicidade, Ficção, Futurismo, Matrix, Paraíso Virtual, Virtualidade

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário

Agosto 12, 2009

user icon

 

I.5- Teoremas Jocaxianos

 By: Jocax

Teorema Jocaxiano da Primeira Causa (TJPC)

 

O Teorema Jocaxiano da Primeira Causa estabelece que:

A primeira causa de todos os eventos que aconteceram num sistema fechado (que não sofre influência de eventos externos ao sistema) é o aleatório.

 

Prova:

Vamos utilizar o conceito de tempo no qual tempo é definido como uma relação entre eventos. Um evento é uma mudança de estado do sistema. O tempo, portanto, não é algo independente do que acontece. Se, por exemplo, nenhum evento acontece, isto é, o estado do sistema fica inalterado, então o tempo também deixa de existir. Para haver tempo é, portanto,  necessário mudança. Se não há mudança, não há tempo.

 

Aleatório é a palavra que se utiliza para dizer que há imprevisibilidade ou que não há causas. Existem dois tipos de aleatoriedade: a aleatoriedade objetiva e a aleatoriedade subjetiva. A aleatoriedade subjetiva é aquela em que as causas do fenômeno existem, mas não são conhecidas ou não podemos determiná-las. A aleatoriedade objetiva, que é utilizada aqui neste texto, é a aleatoriedade em que o fenômeno ocorre sem causas reais, as causas não existem.

 

O aleatório objetivo existe na natureza, em nosso universo, e, como exemplo de fenômeno aleatório objetivo, nós podemos citar o momento do decaimento de um elétron num átomo: o elétron pode cair de uma órbita mais energética para uma de menor energia liberando um fóton. Tal fenômeno não é regulado por nenhuma lei física, é considerado pela mecânica quântica como um fenômeno objetivamente aleatório. Não há nada, nem nenhuma regra, que possa determinar quando o elétron irá decair de sua órbita. Outro exemplo seria a criação e a destruição das partículas virtuais no vácuo.

 

Mas, para demonstrar o teorema, primeiramente, vamos provar que não existe tempo infinito no passado, isto é, não podemos levar as causas dos eventos para o infinito passado e assim dizer que sempre houve uma causa que precedeu um dado efeito. Para isso, vamos utilizar o Teorema de Kalam [1].

 

O Teorema de Kalam estabelece que não existe um tempo infinito no passado. Isso acontece porque, se, por absurdo, houvesse algum evento que tivesse ocorrido num tempo infinito no passado, então nosso presente atual demoraria um tempo infinito para chegar partindo-se daquele passado.  Mas o que significa um tempo infinito para ocorrer? Um tempo infinito para algo acontecer significa que nunca acontecerá. Assim, eventos que ocorreram a um tempo infinito no passado implicariam que não poderíamos ter o nosso presente, mas isso é absurdo, pois o presente existe, já que estamos nele! Então podemos concluir que não existiu nenhum acontecimento em um tempo infinito no passado, e isso significa que podemos deduzir mais um corolário importante: o tempo deve ter, necessariamente, um início.

 

Como não existe um tempo infinito no passado, e o tempo teve que ter um início, segue que o primeiro evento que ocorreu foi um evento sem uma causa anterior, isto é, um evento aleatório. E o teorema está demonstrado.

 

 

Teorema Jocaxiano do Vazamento do Tempo (TJVT)

 

O Teorema Jocaxiano do vazamento do Tempo estabelece que:

 

Se dois sistemas não estão isolados entre si, e se num deles existe tempo, então no outro também haverá tempo.

 

Prova:

O Tempo é o relacionamento entre eventos. Se em um dos sistemas ocorre o tempo e eles não estão isolados entre si, então estes eventos podem ser correlacionados também a partir do outro sistema. Portanto, o primeiro sistema, em que há tempo, pode servir de marcador temporal para o segundo sistema. Portanto, no segundo sistema haverá tempo também.

 

Podemos utilizar estes dois teoremas para argumentar contra a existência de Deus:

Deus não pode ser atemporal, pois violaria o teorema jocaxiano do vazamento do tempo: Se Deus existisse, e em nosso universo ocorre o tempo, e como o nosso universo não está isolado de Deus, segue que o tempo também ocorre pra Deus. Além disso, pelo TJPC não há necessidade de Deus para gerar o primeiro fenômeno, e isto refuta o argumento de Santo Tomás de Aquino segundo o qual o movimento exige um primeiro motor que seria Deus. Além disso, refuta também a idéia de um Deus eternamente existente, pois isso entraria em contradição com o corolário do início do tempo.

 

 

Palavras-chave: Aleatoriedade, Filosofia, Kalam, Primeira Causa, Teorema, Vazamento do Tempo

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 2 comentários

Julho 13, 2009

user icon

I.1-A Navalha de Ocam

João Carlos Holland de Barcellos

 

A “Navalha de Ocam” (“Navalha de Occam”, “Navalha de Ockham”, ou ainda “Occam's Razor”, em inglês) é um princípio lógico-filosófico que estabelece que não se deve agregar hipótese(s) desnecessária(s) a uma teoria, ou de uma outra forma: pluralidades não devem ser postas sem necessidade (no seu original em latim: ‘pluralitas non est ponenda sine neccesitate’.) [1]

 

A Navalha de Ocam também é conhecida como “Princípio da Economia” ou “Princípio da Parcimônia”, que afirma que "as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário, a natureza é por si econômica e não se multiplica em vão".

 

Acredita-se que Willian de Ockham (ou Guilherme de Occam), frade franciscano do século XIV, tenha sido o criador deste princípio. Willian nasceu na vila deOckham, na Inglaterra, em 1285,  foi um controverso teólogo e um dos mais influentes filósofos do século XIV. Willian de Ockham morreu em Munique em 1349, vítima da peste negra que assolava a Europa naquela época. [2]

 

 

Simplicidade

 

A “Navalha de Ocam” também é conhecida como o “Princípio da Simplicidade” e estabelece que teorias mais “simples” são preferíveis às teorias mais “complexas”. Mas esta forma de conhecer a “Navalha de Ocam” pode ser perigosa, a menos que se defina qual o significado da palavra “simplicidade”. Pode ser um erro grave considerar a teoria mais “simples” como aquela de mais fácil compreensão. Simplicidade, na Navalha de Ocam, não é necessariamente o que é mais fácil compreender. Por exemplo, para alguns, pode parecer mais simples pensar que o “deus da chuva” provoca a chuva do que entender um complicado processo físico de evaporação da água pelo Sol e posterior condensação das águas nas nuvens. Portanto, é sempre arriscado associar a “Navalha de Ocam” ao “Princípio da Simplicidade” se não estiver claro qual o conceito de simplicidade que se deve ter em mente. Uma associação correta seria através do número de hipóteses, quando elas são equiprováveis. Ou então, se todas as hipóteses de uma teoria-1 estão contidas numa teoria-2, então a teoria-1 é a mais simples. Considere, por exemplo, uma teoria-1 que utiliza as hipóteses (A e B) e uma teoria-2 que utiliza as hipóteses (A, B e C). Como todas as hipóteses da teoria-1 estão contidas no conjunto de hipóteses da teoria-2, então a teoria-1 pode ser considerada a mais simples (com menos hipóteses), e, neste conceito de simplicidade, está de acordo com a “Navalha de Ocam”.

 

Hipóteses Desnecessárias

 

A “Navalha” propõe que “não devemos acrescentar hipóteses desnecessárias a uma teoria”, mas qual seria o significado da palavra “desnecessária” neste contexto?

 

“Desnecessárias” seriam as hipóteses que não estão relacionadas aos fatos que a teoria se propõe a explicar. Por exemplo, hipóteses sem evidências de sua necessidade, ou hipóteses sem relação causal com os fatos observados.

 

Exemplo Ilustrativo

 

A “Navalha de Ocam” é, na verdade, um princípio bastante intuitivo, e o utilizamos corriqueiramente em nosso cotidiano mesmo sem perceber. Um exemplo ilustrativo poderá mostrar isso. Suponha que você, por exemplo, está andando numa rua e observa, mais ao longe, uma caixa de sapatos na calçada. Sem nenhuma outra informação a respeito, qual das seguintes teorias abaixo você escolheria em relação à caixa de sapatos observada?

 

1-A caixa esta ‘vazia’.

2-A caixa contém 20 mil reais.

3-A caixa contém 20 mil reais e a coroa da rainha.

4-A caixa contém 20 mil reais a coroa da rainha e o segredo da vida eterna.

5-A caixa contém um duende verde que criou o universo e que poderá te realizar três desejos quaisquer.

 

Qual destas teorias sobre o conteúdo da caixa você escolheria? Principalmente, tente responder qual a razão de sua escolha.

 

A opção natural seria a escolha de número 1-“A Caixa está vazia”, a mesma que a “Navalha de Ocam” apontaria, pois todas as outras são teorias com hipóteses desnecessárias, já que não existem evidências de nenhuma delas. Apesar disso, ela poderia não ser a teoria correta sobre o conteúdo da caixa. Assim, podemos perceber, em primeira aproximação, que a “Navalha de Ocam” é um critério racional de escolha, e não um instrumento de prova sobre a veracidade de teorias ou hipóteses. Veremos que a “navalha” é também um método capaz de funcionar como critério de “prova” quando estamos de posse de evidências.

 

O Papel das Evidências

 

Uma evidência pode ser definida como um fato ou evento que pode ir a favor ou contra uma teoria. Dizemos que uma evidência é favorável a uma teoria (corrobora a teoria) quando a teoria prevê que aquela evidência poderia ou deveria ocorrer nas condições previstas pela própria teoria. Caso contrário, isto é, quando a teoria prevê que a evidência não poderia ocorrer, dizemos que a evidência ‘refuta’ a teoria, ou então que a teoria é ‘falseada’ pela evidência. As palavras ‘refutar’ e ‘falsear’ estão entre apóstrofes porque, na verdade, sempre é possível invocar hipóteses adicionais criadas especificamente para contornar o problema criado pela evidência e assim salvar a teoria que não se adequou diretamente às evidências encontradas. Estas hipóteses adicionais são conhecidas como hipóteses ad hoc.

Vamos elucidar o papel das evidências na Navalha de Ocam com um exemplo simples. Consideremos duas teorias rivais, T1 e T2:

 

T1 = “Todos os gansos são brancos”.

T2 = “Todos os gansos são vermelhos”.

 

Consideremos a evidência E1:

 

E1= “Foi avistado um ganso branco”.

 

A evidência E1 corrobora a teoria T1, pois T1 prevê que se um ganso fosse avistado, ele deveria ser branco. Mas E1 ‘refuta’ T2, uma vez que T2 prevê que se um ganso fosse avistado, ele deveria ser vermelho. Aparentemente, a teoria T2 foi refutada pela evidência E1. Mas só aparentemente, pois pode-se invocar uma hipótesead hoc, H1, que salva a teoria T2 da ‘refutação’. Considere, por exemplo, algumas hipóteses H1 que poderiam salvar T2:

 

H1-a= “O ganso visto como branco, é, na verdade, vermelho, mas foi tingido propositalmente de branco para nos enganar”.

H1-b= “Há alguns dias atrás, uma explosão solar atingiu as penas dos gansos vermelhos, tornando-as momentaneamente brancas”.

H1-c= “Uma fonte de raios alienígenas fez com que nossos cérebros enxergassem todos os gansos vermelhos como brancos”.

 

Estas são apenas algumas das hipóteses que poderiam salvar T2, e quem poderia provar que são falsas? Além disso, para cada tentativa de se provar que as hipóteses H são falsas, poderemos igualmente contra argumentar criando novas hipóteses ad hoc contra estas refutações. E assim sucessivamente.

 

Entretanto, podemos utilizar a “Navalha de Ocam” para descartar todas estas hipóteses que vão contra a evidência observada, pois as teorias corroboradas pelas evidências não precisam de hipóteses adicionais, que são, para elas, desnecessárias. No nosso exemplo, a teoria T1 (“Todos os gansos são brancos”) é mais simples que a teoria T2 (“Todos os gansos são vermelhos”) adicionada às hipóteses que refutam as evidências observadas, e deve, portanto, ser a teoria mais correta em termos da “Navalha de Ocam”.

 

Podemos concluir que as evidências observadas têm um papel muito importante na utilização da “Navalha de Ocam” pois fazem com que as teorias que vão contra as evidências, para não serem refutadas, dependam da adição de hipóteses ad hoc extras, que as tornam incompatíveis com a “Navalha de Ocam”.

 

É importante ressaltar que a “Navalha de Ocam” representa um critério racional de escolha entre teorias (ou hipóteses) e deve ser destacado que um critério de escolha racional é sempre melhor que qualquer outro critério não racional ou critério nenhum.

 

A Lógica da Navalha

 

A Navalha de Ocam aponta a hipótese de maior probabilidade, porque a cada hipótese extra e desnecessária acrescentada a uma teoria a torna menos provável. Se não, vejamos:

 

Suponha uma teoria T1 que seja correta e formada com N hipóteses: H1, H2...Hn onde todas elas sejam necessárias para que a teoria funcione corretamente.

Podemos escrever isso, simplificadamente, da seguinte forma:

 

 T1= (H1, H2...Hn).

 

Suponha agora outra teoria T2, rival de T1, que contenha as mesmas N hipóteses de T1 acrescida de uma hipótese extra e desnecessária “D0”. Assim: 

 

T2= (H1, H2.. Hn, D0).

 

Agora, se temos todas as condições nas quais as hipóteses de T1 sejam satisfeitas, então a teoria T1 deverá nos dar as predições corretas. A teoria T2, por sua vez, só dará o resultado correto se a hipótese desnecessária “D0” for verificada. Mas como, por definição, “D0” é uma hipótese desnecessária, a teoria T2 poderá dar um resultado falso quando deveria dar um resultado verdadeiro, pois depende do valor da hipótese desnecessária “D0”.

 

Provamos assim que hipóteses desnecessárias fazem com que uma teoria que poderia ser correta torne-se falsa. Dessa forma, podemos afirmar que teorias que respeitam a “navalha de Ocam” têm maior probabilidade de serem verdadeiras do que aquelas que não satisfazem a navalha.

 

Outro exemplo: suponha que T1 seja uma teoria que diz que um automóvel, para andar, precisa de combustível e motorista. E a teoria rival, T2, diz que um carro, para andar, precisa de combustível, de um motorista e, além disso, da hipótese D0=O motorista precisa rezar o ‘pai-nosso’ ”. T2 torna-se falsa, pois a última hipótese, D0, é obviamente desnecessária.

 

O Ônus da Prova

 

O “Ônus da Prova” é um termo designado para estabelecer quem, numa contenda ou disputa, deve provar suas alegações. Devemos estabelecer que o “Ônus da prova” deve ser responsabilidade de quem contrariar a “Navalha de Ocam”.

 

A “Navalha de Ocam” e as Religiões

 

A “Navalha de Ocam” costuma ser fortemente combatida pela maioria dos teístas e crentes em geral, pois ela é um critério que bate fortemente contra a idéia de um Deus todo poderoso e criador do universo. Se não, vejamos: suponha que seja necessário um ser que tenha poder de criar o nosso universo. Então, pela “Navalha de Ocam”, é desnecessário que este ser tenha de ter poder infinito! Ele precisa apenas ter o poder de criar o universo, nada mais que isso. É também desnecessário que este ser seja onisciente, pois não se precisa saber tudo para se criar um universo, mas apenas ter o conhecimento suficiente para tal empreitada. E muito menos necessário que este ser tenha de ser bom.

Outro “prato cheio” para a navalha, proveniente do catolicismo, consiste em confrontar a teoria T1: “Um indivíduo ressuscitou da morte e subiu aos céus sem foguetes” com a teoria rival T2: “Alguém escreveu mentiras sobre uma ressurreição e muitas pessoas acreditaram”. T2 é preferível segundo a navalha, pois as hipóteses de ressurreição e a contradição da lei da gravidade são desnecessárias. Ou seja, a “Navalha de Ocam” é uma verdadeira navalha em relação às hipóteses religiosas em geral e não foi à toa que Willian de Ockham, suposto criador da navalha, foi excomungado pela Igreja depois de prestar contas ao Papa em 1324.

--//--

 

Palavras-chave: Navalha de Ocam, Navalha de Occam, Navalha de Ockham, Occam's Razor

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 18 comentários

Junho 29, 2009

user icon

 Tanta coisa para falar.....
Como comecar ? Como explicar ?

Talvez pela origem da vida.........:

Supoe-se que a vida comecou ha alguns bilhoes de anos devido a um
ambiente
propicio conhecido , se nao me engano, como a "caldo ou sopa
primordial".

Tal sopa, ja reproduzida em laboratorio, era composta de um caldo de
aminoacidos
que foram formados naturalmente pelo ambiente da epoca.
Tal sopa somado ao calor e descargas eletricas, acredita-se, criou
condicoes para
que o primeiro replicador , uma molecula rudimentar de RNA, surgisse.

Estas moleculas replicantes precisavam dos componentes da sopa para se
replicar ( 'nutrientes' ). Algums replicacantes , por mutacao, tinham
melhores
condicoes de capturar nutrientes que outros. Temos entao as condicoes
iniciais
para a evolucao destes replicantes : Heranca, Competicao, Variabilidade.

A teoria da evolucao explica como estes fatores agindo sobre estes
replicantes
produziram toda diversidade de vida que temos hoje.

Note que os replicantes iniciais precisavam de moleculas simples para se

nutrir e se replicar (o caldo ). Posteriormente, alguns
replicantes-predadores
conseguiam se nutrir de outras moleculas replicantes.

Depois de bilhoes de anos deste processo evolutivo apareceu um NOVO
CALDO PRIMORDIAL , o *caldo vivo*, composto por seres vivos
inteligentes.
Tal caldo propiciou o surgimento de um novo replicante "o Relogio".

Os relogios foram criados pelo ambiente vivo pq auxiliavam sua
sobrevivencia
numa especie de simbiose : Um organismo auxilia a sobrevivencia do
outro.

Desde entao os relogios e a vida CO-EVOLUIRAM juntos :
Os seres vivos utilizavam-se dos relogios e estes utilizavam-se dos
primeiros
para se replicar. Algo como acontece com a mitocondria e a celula.
A mitocondria era um ser exterior que se incorporou na celula e desde
entao
os organismos e a mitocondria evoluem juntos.

Os relogios entao tiveram uma evolucao muito rapida e em algumas areas,

como o xadrez, ateh conseguiram superar os seres vivos.

Os "relogios" poderao chegar a um estagio de desenvolvimento que nao
mais
precisaram do caldo-vivo para se replicar. Poderao um dia ser
auto-suficientes
e criar seu proprio ambinte de replicacao como um dia fizeram os seres
vivos
que se libertaram de seu "caldo-primordial".

Os "relogios" entao buscarao entre os fosseis dos seres vivos aquele que
foi
seu primeiro replicante, quem sabe uma lasca de pedra silex.

[]s
jocax

 

Extraido de: 

http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/777

Palavras-chave: evolução, replicador, TEMES

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 2 comentários

Abril 15, 2009

user icon


A verdade , definida como :

""Verdade é toda informação compatível com a realidade ou com as de premissas das quais foi inferida."(jocax/2003)"
http://www.genismo.com/logicatexto3.htm

A verdade eh , a principio, absoluta uma vez que existe uma realidade absoluta
( vide teorema da existencia:  http://www.genismo.com/logicatexto29.htm ) .

A verdade "RELATIVA" nao eh necessariamente verdade  , alem de ser muitas vezes perversa e falsa :
( "E se o relativismo fosse verdade":  http://www.genismo.com/metatexto39.htm)

ENTRETANTO, existe o conceito que eu estou definindo de "VERDADE LOCAL".

A "Verdade Local" eh a verdade relativa aa "REALIDADE LOCAL" da qual a informacao eh feita.
A realidade local eh o ambiente de realidade que pode nao ser real , pode ser VIRTUAL ou seja
que dependa de um INTERPRETADOR.

Por exemplo, se estamos sendo simulados e dizemos que "o Sol possui o elemento quimico Helio", ou que :
"nosso corpo possui agua"  estaremos dizendo a verdade? 

Nao necessariamente se o ambiente eh virtual, pois nesse caso nao existiriam elementos quimicos
REAIS no Sol opu em nosso corpo e sim atomos VIRTUAIS, que nao necessariamente existiriam
fora do simulador ( o ambiente) que nos encontramos. 

Assim, no universo REAL, nao simulado,  "o Sol possui Helio" ou "nosso corpo possui agua"  poderia
ser FALSO, caso nosso universo nao pertenca ao  mundo real, e sim dentro do computador de metal.

Entretanto nao podemos a cada frase acrescentar "Se nosso universo for verdadeiro entao..."  ou ainda
"dentro daquilo que chamamos de atomos..." , ficaria enfadonho alem de pedante e infactivel.

Entao devemos assumir o conceito de "Verdade local" que seria a veradde dentro do AMBIENTE
( do universo) que estamos imersos mesmo que este possa nao ser verdadeiro.
Assim "O Sol possui Helio" seria uma VERDADE LOCAL que poderia ser (OU NAO)
uma verdade absoluta tambem, caso nosso universo nao seja uma simulacao.

Assim , para facilitar dizemos que algo eh simplesmente "verdade" quando supusemos que seja tambem
uma verdade local.

[]s
Jocax



Extraido de:
 
__._,_.___

__,_._,___

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência e Filosofia | 0 comentário

<< Anterior