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Autor Democracia Jocaxiana

Democracia Jocaxiana: A Melhor Democracia
João Carlos Holland de Barcellos, Dezembro/2008



Introdução

A Democracia Jocaxiana (DJ) é um modelo de democracia em que qualquer pessoa pode votar em qualquer pessoa, .e que a representatividade é dada pela quantidade de votos diretos ou indiretos que cada eleitor/candidato recebe.

Partidos

Um ponto “perverso” dos sistemas políticos atuais são os partidos. Os partidos diferenciam-se um dos outros por seus “planos de governo” e, principalmente, por suas ideologias.

Entretanto, grande parte da população não se sente confortável em se “enquadrar” neste ou naquele partido. Muitos também não simpatizam nem com a ideologia nem com os planos de governo dos partidos existentes. Por que temos de estar restritos, e sermos obrigados a votar sempre nas mesmas e batidas ideologias partidárias? As pessoas ficam, dessa forma, limitadas, às poucas opões que lhes são oferecidas. Fundar um partido? Poucos têm esse tempo e disposição.

Outro problema –que considero gravíssimo- da atual democracia partidária é que os candidatos de cada partido não precisam ter praticamente nenhuma representatividade popular: São escolhidos de forma indireta, sem participação popular, de dentro dos partidos. Por exemplo, para concorrer à presidência da república basta que o candidato esteja filiado ao partido e seja escolhido pelos integrantes do partido. E um bom trabalho de marketing cuidaria da imagem necessária. E somos depois *obrigados* a votar num desses poucos candidatos que nem sequer conhecemos...

Assim, como poderemos dizer que o povo elegeu seu presidente, de forma direta, se os poucos candidatos, que somos obrigados a “votar”, foram, na verdade, escolhidos de forma totalmente indireta, nos bastidores de seus respectivos partidos, e sem nenhuma participação nem representatividade popular?

O Ideal seria um sistema que permitisse haver tantos partidos, quantos são os eleitores. Os partidos “oficiais” não seriam os únicos a colocar candidatos nas disputas eleitorais.

A “Democracia Jocaxiana”

A Democracia Jocaxiana (antes nomeada "Democracia Representativa") é um sistema de democracia em que todos têm as mesmas oportunidades, todos têm os mesmos direitos, todos podem ser eleitos, e tudo isso sem a necessidade de partidos políticos! Vamos à idéia:

Todas as pessoas aptas a votar, isto é, os eleitores, também são candidatos em potencial, e teriam os mesmos direitos que quaisquer outros.

Inicialmente, no primeiro nível, cada eleitor poderia escolher, isto é, dar seu voto, a qualquer outro eleitor que desejasse. Poderia ser, por exemplo, ele próprio, sua mãe, seu ídolo de rock, seu professor etc. Isto é, ele poderia votar em qualquer pessoa que pertencesse à zona da eleição: no caso de eleição presidencial seria qualquer eleitor do seu país; Em uma eleição para governador, poderia votar em qualquer eleitor do seu estado; Numa eleição para prefeito, qualquer pessoa de sua cidade.

A diferença de um candidato e de um eleitor, é que o candidato, para permanecer candidato, deve votar em si mesmo, e os eleitores, votam em pessoas diferentes de si mesmas.

Na DJ, inicialmente, cada pessoa tem o nível de representatividade unitário, começa com cada pessoa tendo uma unidade de representatividade. Cada vez que a pessoa recebe um voto, este voto é somado à sua representatividade. Assim, a representatividade de uma pessoa é a soma dos votos que ela recebeu.

Cada vez que um eleitor dá seu voto a alguém ele sai da disputa eleitoral, e transfere toda a sua representatividade acumulada para o eleitor que recebeu seu voto: Se um eleitor “A”, que tinha representatividade (=qtdade de votos recebidos) “a”, vota em outro eleitor “B”, que tinha representatividade “b”, a representatividade do eleitor “A” é transferida para o eleitor/candidato “B”, e esta passa a ter representatividade “a” + ”b”, enquanto a pessoa que votou passa a ter representatividade zero, e sai da disputa eleitoral.

Desta forma a representatividade de “A” é transferida para quem ela votou (“B”), mas a soma das representatividades das pessoas é mantida: No nosso exemplo “A” ficou com representatividade zero e “B” ficou com representatividade “a”+“b”. A representatividade total foi mantida. Da mesma forma, se uma pessoa vota nela própria, sua representatividade não é alterada pelo seu próprio voto.

Nos níveis subseqüentes ao primeiro nível, as votações serão localizadas geograficamente:

No segundo nível de votação, todos os eleitores, que morem num mesmo quarteirão, e que sejam candidatos, isto é, tenham representatividade maior que zero, deverão se reunir e conhecer as idéias um dos outros, e, posteriormente, votarem entre si. Após a votação, o eleitor que tiver maior representatividade ganhará a eleição do seu quarteirão. Os votos que, direta ou indiretamente, não forem repassados ao vencedor, através do voto, serão descartados.

Este algoritmo deverá ser utilizado em todos os níveis: o vencedor do nível é o que tiver maior representatividade acumulada depois de encerrada a votação. Os votos que não forem transferidos, através do voto, para o vencedor, serão descartados.

No terceiro nível de votação, os ganhadores de cada quarteirão do bairro, se reuniriam, e, como no nível dois, escolheriam seu representante do bairro.

No quarto nível, os representantes de cada bairro de cada município, se reuniriam para escolherem o candidato do município.

No quinto nível, os ganhadores de cada município da cidade escolheriam o prefeito da sua cidade e seu vice.

No sexto nível, os prefeitos eleitos de cada estado escolheriam seu governador e seu vice. O vice-prefeito assumiria o lugar do prefeito que foi escolhido para governador.

No sétimo nível, os governadores do país elegeriam seu presidente, e o vice-governador ocuparia o cargo deixado pelo governador que foi eleito presidente.

Desta forma, não obstante as eleições serem indiretas, ainda assim haveria participação popular em todos os níveis, todos poderiam, em princípio, serem eleitos, e haveria tantas ideologias passíveis de serem escolhidas, e com iguais chances, quantos forem os cidadãos do país.

Referências

[1] Democracia Pirâmide
http://www.genismo.com/logicatexto30.htm

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Extraído de:
http://www.genismo.com/logicatexto32.htm

Palavras-chave: Democracia, Democracia Jocaxiana, Democracia Representativa, representatividade, Sufrágio, Voto

         Como vai João Carlos?Tudo bem?Chamo-me Vinicius, sou novo para refutar com embasamentos acadêmicos esse sistema denominado Democracia Representativa, porem, tenho algumas duvidas sobre essa interessante forma  de representação eleitoral que você me apresentou.Agradeceria se pudesse esclarecer meus questionamentos sobre esse sistema.

          “Se um eleitor “A”, que tinha representatividade (=qtdade de votos recebidos) “a”, vota em outro eleitor “B”, que tinha representatividade “b”, a representatividade do eleitor “A” é transferida para o eleitor/candidato “B”, e esta passa a ter representatividade “a” + ”b”, enquanto a pessoa que votou passa a ter representatividade zero, e sai da disputa eleitoral.”   

          Sobre o fraguimento acima questiono sobre o seguinte caso (muito provável de acontecer):se um determinado grupo de eleitores que iremos chamar de conjunto @,formados pelos indivíduos f,g,h,j,k,l,ç,votem todos no candidato “A” por acreditarem que ele irá promover uma boa admistraçao.Já o candidato “A” vota no candidato “B” que o grupo de eleitores @ tem uma incrível aversão.Nessa situação os votos dos elementos do conjunto @ servirão apenas de decoro para o candidato “B” e não se realizara a verdadeira função do voto que é a representação da vontade geral.          

         Agradeceria muito se me ajudasse a resolver a questão! Desde já grato por me apresentar um sistema eleitoral muito interessante.        Vinicius

Ola Vinicius,

Quando um eleitor A vota num B istopode acontecer por muitas razoes, uma delas eh que ele percebeu que nao iria vencer a disputa em algum dos niveis e portanto fez ALIANCA com um candidato que mais representava suas ideias. As pessoas que votaram nele eh pq tinha CONFIANCA de que suas acoes e escolhas nao seriam ruins e assim depositaram nele sua confianca. Se ele vota em outra pessoa NAO estaria traindo a confianca dos que votaram nele pois faz parte do jogo democratico deste sistema a transferencia da confianca depositada na forma de representatividade.

Se o candidato B for pessimo na opiniao dos que votaram em A  e se sentiram traidos pela votacao de A, entao na proxima eleicao nao votariam mais em A.

Abs

Jocax

 

          

Como vai João Carlos?

            Compreendo perfeitamente esse ponto de vista, mas, questiono.No tipo de eleições que temos atualmente em nosso país nos eleitores não votamos nos candidatos que acreditamos serem mais preparados para os respectivos cargos almejados por estes?

            Porem, o que vemos não é uma completa desvirtuação das ideologias pregadas e atitudes prometidas? Quais serão esses misteriosos motivos que transformam carateres  como se esses fossem escritos em papel e a lápis?Ora, não seria os interesses essa misteriosa borracha?

            Hoje, em nosso atual sistema eleitoral, já temos problemas  em demasia com ideologia mutáveis e jogos de interesse.E olha que existe por aí um boato que nossos políticos prezam por fidelidade partidária, ou seja, é os partidos que “seguram um pouco a onda” de nossos representantes não saírem torrando o tesouro nacional, pois tense um nome partidário a se conservar livre de escândalos e uma ideologia coerente  com o período eleitoral para se seguir.Agora imagina se não existissem partidos, em que confusão estaria metida uma tal de ética que anda infrequente  no cenário político nacional.

            Outro ponto que acho interessante se pensar é se a democracia representativa não iria dar aval a um sistema de compra de votos potencializado, mais perigoso para o destino da nação?

Por exemplo: um candidato de relativo apreço regional com uma boa representatividade poderia vender essa para um cidadão que almeja a vida publica, porem, com bem menos prestigio.

           

            Agradeço a atenção

 

                                   Vinicius

 

 

Ola Vinicius,

1-Com relacao aa transferencia de votos eu acho melhor do que os votos serem "jogados fora".
Por exemplo, se uma pessoa vota num candidato que nao eh eleito, atualmente, seu voto
nao tem chance, eh como se fosse "jogado fora" ja que o candidato que perdeu nao pode fazer
mas nada.  No caso da representatividade, se o candidato percebe que num dos niveis ele
vai perder por ter menos representatividade que os demais, ele pode transferir sua representatividade
para o candidato que ele acha menos pior e mais alinhado ao seu pensamento.
Dessa forma os que votaram nele pelo seu pensamento e ideologia ainda terao seus votos
de certa forma utilizados por outro candidato que se alinhe ao que foi votado.

Perceba tambem que os candidatos que ATUALMENTE sao votados nao foi vc quem escolheu !!

Sao os candidatos que foram escolhidos pelo partido  e que vc nunca viu "mais gordo",
ou seja sao candidatos que vc nao conhece a minima mas eh obrigado a votar em algum deles
apenas porque o partido os selecionou. ( ou anular o voto ).

2-Note que os partidos ainda podem existir da DR. Mas nao sao necessarios.
Ninguem eh proibido de fundar ou permanecer nos partidos que ja estao, mas
a DR nao LEGITIMA estes partidos, pois que ganha a eleicao eh quem obtiver maior
representatividade, seja ela de alguem no partido ou fora do partido.
Portanto HA mais liberdade de opcoes, vc pode votar em QUALQUER pessoa e
nao apenas naquelas que o partido escolheu como representante deles.

3-Com relacao a compra de votos eu acho que na democacia partidaria atualmente
o problema eh bem pior. Por exemplo se algum RICO de um partido compra
os POUCOS votos de seu partido para que seja representtante dele?  Isso nao eh bem
mais facil de acontecer e ficar encoberto do que ele comprar o voto de toda a sua cidade?

Para entender a idéia de superioridade da repesentação, além de Madison e Siéyès, é interessante a leitura de Manin.
Vc poderia resumire estas ideias ?

Na democracia tradicional vc é obrigado a votar em quem vc nunca viu na vida e mal conhece pela midia.

Na democriacia jocaxiana vc vota em quem conhece.
Note que mesmo nos estagios finais ( caso hajam , ja que , dependendo da votacao inicial , o candidato pode ser eleito no primeiro turno), existe uma reuniao para que a pessoa vote em quem ela conheceu pessoalmente.

Na Democracia tradicional a possibilidade de cometer erros eh grande pois a pessoa escolhida pelos partidos podem ter enganado aos lideres que o escolheram, ou representarem interesses nao muito bem conhecidos pelos eleitores.

Na DJ este engano é mais dificil pois a pessoa pode ser avaliada sucessivas vezes, e quem vai sobrando para os niveis superiores, é por que,  em geral, esta bem capacitada, pois recebeu votos de pessoas que tbem foram escolhidas por serem confiáveis e capacitadas. Como se fossem sucessivos níveis de vestibulares onde apenas os melhores passam para os níveis superiores. Então, quem ficar no final, deve ser muito bem preparada e confiável.

 

 


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