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Autor Economia Virtual
Economia Virtual
João Carlos Holland de Barcellos (*) , 20 de outubro, 2003

Revisão: Dezembro/2005

NEOCAPITALISMO OU NEOFEUDALISMO ( Pierre Weil )

Vivemos numa época muito curiosa e até intrigante. Algo está a nos deixar perplexos: À medida que se desenvolve o neo-capitalismo, a pobreza e a miséria aumenta. Isto se dá não somente nos países pobres, mas também nos, do primeiro mundo.

 

As causas são bastante conhecidas desde os estudos de Marx. Há porém fatores mais recentes que vem ainda mais piorar o quadro: a explosão populacional, a automação, a informática, o "enxugamento" dos programas de racionalização do trabalho, estão "jogar" milhões de seres humanos para a rua aumentando estupidamente o número de excluídos do processo sócio-econômico.

 

Com isto estamos voltando progressivamente à uma situação bastante parecida com a da época feudal, na qual tinha os senhores feudais com a sua corte e súditos que viviam numa situação financeira ótima ou razoável conforme o caso, e de outro lado a maioria do povo que padecia na miséria. O resultado era uma situação permanente de assaltos, violência, roubos, o que obrigava a classe dominante a se trancar dentro de castelos, cercados por um sistema de defesa constituído por um cinturão de água, e colossais muros. Para entrar, a famosa ponte levadiça.

 

Parece que estamos voltando para uma situação bastante parecida. Enquanto aumenta a pobreza e a miséria, através sobretudo do desemprego, aumentam os assaltos e, paralelamente as medidas de proteção; a única diferença com a época medieval, é que os sistemas de defesas foram modernizados. Em vez das altas paredes, temos as grades metálicas pontiagudas; no lugar da ponte elevadiça, temos o portão eletrônico; as torres de observação, foram substituídas por câmaras de televisão e os vigias que davam o alarme são agora representados por sistemas eletrônicos de alarme.

 

A história se repete, mas com diferenças referente à época. Os meios primitivos da era medieval foram substituídos por processos etnológicos sofisticados. Mas a situação e a sintomatologia são assustadoramente parecidos. Não será um dos sinais de alarme de que precisamos mudar de sistema econômico?”

Novas Idéias para Novos Tempos - Pierre Weil

O texto acima , extraído de ‘Novas Idéias Novos Tempos', de autoria de Pierre Weil, mostra que alguma coisa precisa ser feita. O objetivo deste ensaio é apresentar um esboço, uma idéia, que permitiria uma extensão do capitalismo – não ainda sua substituição - através de um sistema paralelo de aquisição de valores (o Mercado Virtual ) que solucionaria o efeito autofágico do capitalismo: o Desemprego Estrutural .

Introdução

Robert Kurz , prestigiado sociólogo alemão, demonstrou que o capitalismo, tal qual o conhecemos hoje, é intrínseca e inexoravelmente autofágico, isto é, o capitalismo tende a se auto-destruir por minar, lenta e paulatinamente, a própria fonte de sua sobrevivência: os consumidores. Sem renda não há consumidor e sem consumidor não há mercado.

A lógica que demonstra a “ espiral autofágica suicida ”, proposta por Kurz, é deveras simples e elegante:

•  Por visar o lucro o capitalismo procura a reduzir todos os custos possíveis.

•  A mão de obra é um dos principais itens dos custos de uma organização.

•  Para reduzir custos, a mão de obra deve ser minimizada: seja através da automação/mecanização da mão de obra, seja através de técnicas modernas de gerenciamento e gestão que objetivam a redução do quadro de funcionários.

•  A redução da folha de pagamentos patrocina um aumento do desemprego.

•  O aumento do desemprego faz diminuir a renda média e o próprio mercado consumidor.

•  Como o lucro das empresas dependem do poder de compra do mercado (consumidores), com a retração do mercado a concorrência entre as empresas fica ainda mais acirrado.

•  Com o aumento da concorrência as organizações são pressionadas a reduzir ainda mais os custos e, entre estes, o custo de mão de obra.

Esta espiral antropofágica, no seu limite, culminaria com as organizações totalmente automatizadas onde um único funcionário, o presidente da empresa, apertaria o botão e toda a produção seria executada.

Só restaria uma pergunta : Quem consumiria? Nesta situação hipotética e bizarra, os únicos compradores seriam os que ainda tem emprego: O presidente da VW compraria uma única geladeira, do Dono da GE, que, por sua vez, compraria um carro da VW.

Nas palavras de Robert Kurz:

“Uma economia global limitada a uma minoria sempre mais restrita é incapaz de sobreviver. Se a concorrência globalizada diminui cada vez mais o rendimento da produção industrial e assola numa proporção ascendente a economia das regiões, segue-se logicamente que o capital mundial minimize seu próprio raio de ação. A longo prazo, o capital não poderá insistir na acumulação sobre uma base tão restrita, disperse por todo o mundo, do mesmo modo como não é possivel dançar sobre uma tampinha de cerveja.” [1]

O setor de serviços também não passa incólume por esta lógica. Sofwares cada vez mais inteligentes realizam em poucos minutos o serviço que , antes, demandavam dezenas de pessoas trabalhando por muitos dias.

Poderíamos supor que, a medida que a tecnologia avança, novos postos de trabalho são criados para desenvolver e suportar tais tecnologias. Por exemplo, com o crescimento da indústria de computadores são necessários novos técnicos, analistas, programadores, digitadores etc.. que antes não existiam. Mas estas tecnologias prosperaram num mercado capitalista simplesmente porque podem absorver, em contrapartida, muito mais funcionários do que os adicionais que tivessem que ser contratados por conta desta nova tecnologia. Caso contrário este segmento não prosperaria.

Pode-se alegar, também, que novas tecnologias criam novos produtos e novos mercados que demandam por novos postos de trabalho para produzi-los. Isso é verdade até certo ponto pois a tecnologia tende a automatizar de forma mais rápida, tornando a produção mais eficiente, do que os eventuais postos de trabalho criados por ela. Além disso, quem seriam os consumidores dos novos produtos se não há renda suficiente para isso?

O que os governos tentam fazer, para minimizar este trágico efeito do capitalismo – o desemprego – é adotar algumas medidas que, como veremos, são apenas paliativas :

•  “Salário Desemprego”: Pagamento periódico oferecido pelo governo aos desempregados. Minimiza o sofrimento mas não resolve o problema pois, para compensar esta nova despesa, deve-se aumentar a carga tributária das empresas onerando o setor produtivo, fazendo com que os custos das empresas sejam ainda maiores. O salário desemprego não pode ser alto sob pena de provocar inflação a menos que o país tenha excedente de moeda ( superávit ) através de exportações. Isso é equivalente a exportar o desemprego e pode funcionar a médio prazo ( ver neoliberalismo).

•  “NeoLiberalismo”: Ideologia nefasta imposta por países detentores de tecnologia para quebrar barreiras protecionistas e poder ampliar seu cada vez mais restrito mercado consumidor. A adoção do neoliberalismo, ou alguma variante desta ideologia, por países em desenvolvimento, ou em vias de se desenvolver, patrocina a abertura de mercado e fornece uma sobrevida as empresas transnacionais pois amplia seu mercado consumidor e, assim, os empregos em suas pátrias mães. Além disso, evita de surgirem, nestes países, companhias que poderiam concorrer com elas nos mesmos mercados.

•  “Protecionismo”: Ideologia oposta ao NeoLiberalismo que, através de medidas restritivas, como taxação de importações ou reserva de mercado, fazem o papel de escudo ao comércio predatório. A idéia é reservar o mercado as empresas nacionais e, por conseqüência, o emprego local que elas mantém. Proteger as industrias locais postergaria a crise capitalista de emprego na nação que a adota mas, a longo prazo, não a eliminaria pois, por mais fechado que seja a economia capitalista, ela ainda estaria sujeita ao seu ciclo autofágico já que é inerente ao próprio sistema.

•  “MegaFusões”: A incorporação de empresas umas pelas outras, numa espécie de ‘canibalismo empresarial' faz reduzir a concorrência entre elas e assim dar alguma sobrevida as sobreviventes. Entretanto, tais incorporações são sempre seguidas de um enxugamento da folha de pagamento, aumentando a massa de desempregados e diminuindo o poder de consumo do mercado.

•  “Controle de Natalidade”: Impedir o nascimento de pessoas é uma forma indireta de fazer com que a taxa de desemprego não estoure junto com a fome, a criminalidade e o descontrole social ( subprodutos do capitalismo autofágico ). O controle de natalidade deve ser necessário quando os recursos naturais são escassos ( veja ), mas implementa-lo apenas para dar alguma sobrevida ao capitalismo é medida nefasta, mesmo porque é ilusório já que a “lógica autofágica” permanecerá mesmo com o número de habitantes constante.

Na verdade, todas estas medidas são tomadas, em maior ou menor grau, pelos países do mundo capitalista como forma de dar mais fôlego à suas empresas e a seus empregos. Entretanto, sem uma solução definitiva, tais medidas não surtirão efeito a longo prazo, e a crise capitalista, sem uma solução estrutural, só fará com que agonizemos – via déficit de empregos e suas conseqüências- por ainda mais tempo.

A mudança para um regime comunista/marxista , a princípio, também não refresca, já que poda a liberdade, desestimula a criatividade e, por conseqüência, o desenvolvimento. O ideal seria continuarmos tendo as vantagens do capitalismo mas sem o problema intrínseco do desemprego estrutural. Como consegui-lo?

Irei propor o esboço de uma solução para a crise do desemprego na sociedade capitalista. Esta solução , que chamei por enquanto, de PósCapitalismo ou Mercado Virtual, ainda está em fase embrionária e precisará ser bastante lapidada até que tome uma forma final.

Antes de entrarmos no mérito da solução propriamente, vamos , através de uma pequena história, entender um pouco a função do dinheiro. Esta historinha, que meu pai contou quando eu era adolescente, serve como um exemplo ilustrativo bastante interessante:

Uma pequena História

Chega um forasteiro numa pequena cidade do interior e entra num pequeno hotel e diz ao balconista, que também era o dono do estabelecimento:

 

“- Ola !, Estou de passagem nesta cidade e precisaria de um quarto por três dias para acertar um negócio com um cliente. Quanto seria a estadia por estes três dias? “

O dono diz :

“-São apenas 50 reais, adiantados, por estes três dias. “

O forasteiro tira uma nota de 50 da carteira e fala:

“-Aqui está. Vou pegar minhas coisas que deixei lá na estação de trem, tomo um lanche por lá e volto em cerca de duas horas.”

 

Enquanto o forasteiro ia tomar um lanche e pegar suas malas na estação de trem, o dono do estabelecimento pensou : ‘Agora já posso pagar os 50 reais que estava devendo ao açougueiro.' Ele foi ao açougue e pagou a conta. O Açougueiro, por sua vez, recebeu a nota de 50 e pensou : ‘Ah que bom! agora posso pagar os mantimentos que comprei na mercearia o mês passado !' Foi à mercearia e quitou a dívida. O dono da mercearia pensou :'Agora posso, finalmente, devolver os 50 reais que tinha pegado emprestado do dono do Hotel' . Foi ao hotel e pagou sua dívida com a mesma nota de 50 reais que tinha de lá saído. Nisso, o forasteiro retorna e diz :

“-Desculpa Sr., eu percebi que desembarquei na cidade errada e não vou ficar. O Sr. poderia me devolver os 50 reais que paguei adiantado? “

O dono do Hotel, com a nota ainda na mão, devolve-a ao forasteiro e diz :

“-Claro ! O Sr. foi bastante útil! Obrigado!”

 

O forasteiro , sem entender o que estava acontecendo, pega a sua nota, se despede e parte.

É Importante notar, nesta historinha, que dívidas foram saldadas, o comércio foi estimulado e problemas da cidade foram resolvidos apenas com o aparecimento deste forasteiro que deixou seus 50 reais por algumas horas e voltou com os mesmos 50 reais. Isto mostra que a principal função do dinheiro é facilitar a troca de valores e serviços. Nesta mesma história, poderíamos ter este dinheiro circulando , não para pagar dívidas, mas também como forma de promover a economia local. Por exemplo : O dono , ao receber os 50 reais do forasteiro, poderia ir ao açougue e comprar 50 reais de carne; O açougueiro, ao receber os 50 reais poderia ir na mercearia e comprar 50 reais de mantimentos; O dono da mercearia reservaria um quarto no hotel para seus parentes o visitarem e, por fim, os 50 reais voltariam para seu dono original.

Mercado Virtual

No capitalismo, a massa de desempregados está em ascensão. E não estamos nos restringindo a um ou dois países o desemprego é um problema estrutural que atinge, em maior ou menor grau, todos os países capitalistas. Se nada for feito, não será espanto se em 30 ou 40 anos tivermos mais pessoas desempregadas que na ativa.

Sabemos que esta massa de pessoas excluídas do sistema produtivo não parou de trabalhar por vontade própria, muitas, pais de família inclusive, foram vítimas do enxugamento empresarial e estão desesperados para voltar a trabalhar. Ou seja, existe um enorme potencial inativo de trabalho, potencial este que cada vez aumenta mais. Muitos destes desempregados poderiam formar ciclos de trocas de serviços e/ou valores, como na nossa historinha acima, sem que, na verdade, houvesse dinheiro envolvido, e assim poderiam voltar a trabalhar num sistema paralelo ao mercado capitalista tradicional.

A minha proposta pós-capitalista tem como meta aproveitar o potencial produtivo da massa de desempregados para movimentar uma economia paralela ao capitalismo sem contudo interferir diretamente neste último como as tentativas de soluções tradicionais, apontadas acima, que, via de regra, geram inflação ou ineficiência e não resolvem o problema. Esta economia paralela movimentaria bens e serviços de forma que ninguém que quisesse trabalhar ficasse sem trabalho. Esta economia paralela, por não utilizar dinheiro real, não interferiria no mercado tradicional e, portanto, não geraria inflação.

Em muitos países a massa desempregada é grande o suficiente para formar um “sub-país” dentro do país. Existem todos os tipos de trabalhadores, especializados e não especializados, prontos para serem úteis, especialmente uns aos outros. O problema dos excluídos do sistema capitalista é justamente este: organização . Se houvesse um sistema que pudesse fazer com que essa massa desempregada pudesse trocar bens e serviços entre si, como na nossa historinha acima, o problema do desemprego estaria resolvido. Atualmente, não existe uma forma de saber quem esta desempregado ou quem pode oferecer um determinado serviço para outra pessoa que, porventura, precisasse deste serviço. E mais : como a troca de bens e serviços poderia ser feita sem dinheiro ?

Para simplificar as coisas, vamos tratar primeiramente do setor de serviços, onde a mercadoria não é um bem material mas sim um serviço, como um corte de cabelo, uma aula, um projeto etc.. Também, para simplificar, vamos excluir deste segmento as pessoas empregadas e tratar apenas dos desempregados. Quero frisar que não é necessário que seja assim : haverá uma interface entre estas “duas economias” que estudaremos posteriormente.

Antes de entrarmos em detalhes técnicos do projeto, vamos nos aprofundar em sua essência : Um trabalhador é demitido e fica desempregado e ocioso. Ele tem um certo grau de escolaridade, possui algumas habilidades especializadas e outras gerais. Algumas pessoas, que também estão desempregadas, e sem dinheiro, precisam de seus serviços. Por que este trabalhador deveria oferecer seus serviços se estas pessoas não têm como paga-lo ? E mais : como localiza-lo ?

O trabalhador deveria oferecer seus serviços, sem ganhar dinheiro, porque desta maneira ele também poderia receber os serviços de que ele necessita, igualmente sem ter que pagar um centavo!! Quem mais trabalhar, e executar mais serviços, teria direito a receber mais serviços de outros. Então, de alguma maneira, as pessoas precisariam saber quem trabalhou mais , quem trabalhou menos e quem pode ou não receber serviços. Essa troca de serviços, sem movimentar nenhum capital, faria com que as pessoas continuassem trabalhando fornecendo e recebendo serviços conforme sua necessidade.

Mas como saber quem e quais serviços estão sendo oferecidos? Como saber quem tem direito a receber serviços? Como o veneno de cobra, que mata mas também cura, a mesma ferramenta que manda tantas pessoas para rua será a que fará sua reintegração no Mercado Virtual : O computador e a rede Internet.

O desempregado, primeiramente, faria o seu cadastro no “Cadastro Nacional de Desempregados” (CND) que seria um imenso banco de dados nacional com alguns dados do desempregado: Como encontrá-lo, suas habilidades e preço de seus serviços. A troca de serviços se faria através do “Dinheiro Virtual” (DV). O ‘DV' seria um número, que indicaria o valor relativo a serviços prestados ou a bens oferecidos. Assim, o banco de dados também armazenaria o “Saldo Virtual” (SV) do trabalhador. Este SV corresponderia aos valores de todos seus serviços prestados menos os serviços recebidos. Como uma conta bancária comum, se o SV fosse positivo, significaria que o usuário teria direito a receber serviços ou comprar bens, caso contrário, não. Por exemplo, eu dou uma aula particular e cobro “50 virtuais” por ela - ao contrário do real, o “virtual” (V$) é uma moeda que circula apenas no Mercado Virtual - então quem recebeu a aula seria debitado de V$ 50 e eu, que forneci o serviço, seria creditado em V$50 no meu Saldo Virtual.

Ou seja, embora continuassem oficialmente ‘desempregadas' as pessoas poderiam continuar a serem úteis para a sociedade realizando trabalho e recebendo serviços.

Algumas perguntas devem ser respondidas :

•  Como deveriam ser criados os primeiros créditos ?

Os primeiros ‘créditos virtuais', na área de serviços, deveriam ser fornecidos pelo estado pelos serviços prestados pelo desempregado. Assim, os primeiros que entrassem no sistema de Mercado Virtual deveriam prestar serviços para o estado, por exemplo em hospitais , escolas ou estatais, a preço fixo, e receberiam deste os primeiros créditos virtuais. O governo também poderia fornecer ‘créditos virtuais' pela produção ou o estoque de plantações ou fábricas que não fossem assimiladas pelo mercado capitalista normal mas que tivessem alguma utilidade no mercado virtual.

•  Como seriam vendidos/comprados os serviços com o Dinheiro Virtual ?

Esse é um problema técnico que pode ser resolvido de várias maneiras. A que considero mais interessante seria através de um cartão magnético, que identificaria o usuário. O cartão seria utilizado junto com um aparelho, similar a um celular, que se conectaria ao Banco de Dados e faria o débito/crédito da transação. Outra forma, seria através de papel moeda específico, emitidos pelo governo e semelhante ao dinheiro normal , mas diferente deste e que poderia ser obtido nos bancos convertendo-se os créditos virtuais com o cartão magnético.

•  Como ficaria o setor de bens, como por exemplo, o da alimentação ?

Este problema pode ser resolvido de diversas maneiras, uma delas permitiria que os produtores, que não conseguissem colocar sua mercadoria ou produção no mercado capitalista, poderiam vender seus produtos diretamente no mercado virtual ou vende-los para o governo que os trocaria por créditos virtuais. Posteriormente, o governo poderia colocá-los em supermercados ou armazéns específicos, que obviamente seriam construídos pelos empregados virtuais (ex-desempregados) para que os usuários do sistema pudessem adquiri-los. O estado poderia também receber os produtos em consignação e vende-los nestes armazéns.

- Como os produtos ou trabalhadores poderiam ser localizados ?

Os produtos e os trabalhadores poderiam ser localizados através de um site de busca específico na Internet. Estes sites fariam a pesquisa no “Cadastro Nacional de Desempregados” localizando os bairros ou regiões mais próximas. Estes terminais de busca deveriam estar disponíveis em quiosques específicos , em bancos ou estabelecimentos comerciais.

Conclusão

À medida que o capitalismo desemprega mais e mais pessoas, a adoção da economia virtual permitiria que a massa desempregada pudesse continuar produtiva sem onerar o governo ou a economia tradicional capitalista. Embora a qualidade dos produtos e serviços do mercado virtual, ao menos no inicio, pudesse ficar aquém do mercado tradicional ainda assim representaria uma solução ao problema do desemprego estrutural.

[1] Perdedores Globais ( Robert Kurz )

Palavras-chave: Capitalismo, Crise, Desemprego, Economia Solidaria, Economia Virtual


Jocax

Set 24, 11
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Ministério
J.P. Engelbrecht/Prefeitura do Rio de Janeiro/Divulgação


O prefeito Eduardo Paes e o secretário de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Henrique da Costa lançam a moeda CDD ao lado de personalidades ...


O prefeito Eduardo Paes e o secretário de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Henrique da Costa lançam a moeda CDD ao lado de personalidades da Cidade de Deus

Dayanne Sousa

Depois da criação de uma moeda própria para a Cidade de Deus, o governo brasileiro considera a possibilidade de que outras três favelas do Rio de Janeiro também passem pela mesma experiência. Por enquanto, Complexo do Alemão e Santa Marta são cotados, informa Haroldo Mendonça, diretor substituto do departamento de Economia Solidária do Ministério do Trabalho.

A Cidade de Deus, na zona oeste da capital carioca, ganhou sua moeda, o CDD, nesta quinta-feira (15). As moedas sociais, como são chamadas, têm o objetivo de estimular o comércio local, evitando que os moradores deixem a comunidade para fazer compras em regiões vizinhas. Ao usar o CDD, o consumidor pode ganhar descontos em lojas de dentro da favela. Segundo Mendonça, a ideia deve ser ampliada ainda este ano em parceria com a Prefeitura do Rio.

- Não existe bairro pobre, existe bairro empobrecido. As poupanças desses moradores são deslocadas para regiões mais desenvolvidas - resume o diretor.

Atualmente, existem 53 moedas sociais em todo o Brasil. O CDD, porém, é a primeira carioca. Uma parte dessas moedas hoje circula em comunidades mais isoladas, indígenas ou quilombolas, explica Mendonça. Há experiências em comunidades pobres urbanas, porém, em São Paulo e no Espírito Santo. Nenhuma tão grande como a Cidade de Deus.

Segurança

A implantação desse projeto na Cidade de Deus ganhou relevância simbólica. "O Rio é a vitrine do Brasil", justifica Mendonça. "A Cidade de Deus é emblemática por estar dentro de um grande centro urbano e por ter uma história de discussão com a violência", destaca.

Qualquer moeda social tem paridade com o Real e é trocada em bancos comunitários instalados dentro da localidade. O diretor reconhece que há riscos em levar adiante uma moeda paralela em regiões afetadas pelo tráfico de drogas ou por milícias. Por enquanto, o Ministério não tem dados sobre falsificações ou câmbio não autorizado.

A fiscalização, diz Mendonça, cabe à comunidade:

- Uma marca da Cidade de Deus é sua organização social muito forte. Nós contamos com isso para coibir desvios. É a comunidade que vai permitir que irregularidades possam ser comunicadas. É o poder do povo.

O Ministério e a prefeitura do Rio deverão discutir a expansão do programa na cidade ao longo das próximas semanas, quando deve ser escolhida a próxima comunidade a ganhar uma moeda própria. Tanto o Alemão como Santa Marta tem um histórico de luta contra o controle do tráfico. Santa Marta é considerada uma comunidade pacificada, mas o Alemão está sob ocupação do Exército, que tenta impedir o retorno do crime organizado.

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5360640-EI6578,00-Outras+t
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Depois de banco comunitário na Cidade de Deus, Alemão será o próximo a ter moeda própria
Fabíola Ortiz
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

    Cidade de Deus emite moeda própria e abre banco comunitário

Depois da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, receber o seu próprio sistema financeiro com uma moeda exclusiva de circulação interna, que teve o seu lançamento no último dia 15 de setembro, o Complexo do Alemão já está na lista para ganhar o seu banco comunitário e moeda exclusivos.

A novidade na cidade do Rio de Janeiro começou com a ideia de incentivar os moradores a consumir produtos e serviços produzidos dentro da própria comunidade. Funcionando há pouco mais de uma semana, o banco da Cidade de Deus realiza operações financeiras com cédulas próprias e personalizadas da moeda batizada de CDD, numa referência à sigla do nome da favela. Com cinco diferentes notas de 0,50, 1, 2, 5 e 10 CDDs, cada uma delas leva estampas de personalidades queridas da comunidade.
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Banco comunitário da Cidade de Deus (RJ)


“A ideia é que a riqueza não saia do nosso território e fique circulando dentro da comunidade. A adesão à nova moeda local gera um movimento de economia, renda e emprego também”, disse ao UOL Notícias a presidente da Agência de Desenvolvimento Local e Diretora do Banco Comunitário, Ana Lucia Pereira Serafim, a Lucinha, 52, e há 45 anos moradora da Cidade de Deus.

Com 7.000 notas de CDD em circulação dentro da comunidade, Lucinha conta que quase 200 comerciantes, micro e pequenos empreendedores já se cadastraram no banco para aderir à moeda social.

No começo, a presidente da agência contou que foi estranho conviver com uma segunda moeda. “Foi uma novidade que as pessoas ainda não entendiam como funcionava, mas fomos explicando que eles não iam perder nada. O câmbio é de 1 real por 1 CDD. Tivemos que percorrer toda a comunidade para divulgar e, hoje, os comerciantes estão vindo até o banco para aderir à moeda”, disse Lucinha ao comemorar a primeira semana de funcionamento do banco comunitário. O número de 200 comerciantes cadastrados, que inclui donos de bares, restaurantes, lojas, armazéns, cabelereiros e lan houses, ainda é muito reduzido e pode, pelo menos, dobrar, nos próximos dias, segundo Lucinha.

Já é possível encontrar produtos e serviços comercializados em CDD a preços com descontos de 5% a 10% do valor cobrado em real. “Tem muitos comerciantes ainda que estão à espera para ver se a iniciativa ganha força”, destacou Lucinha.
Linha de crédito a juros baixos

O banco comunitário também concede empréstimos em moeda social para consumo e tem uma linha de crédito em reais para investir na produção com juros muito baixos ou a quase zero, especialmente para mulheres empreendedoras que recebem o benefício do Bolsa Família.
 
“Nosso banco é diferente, a gente quer realmente ajudar a desenvolver, geralmente é difícil essas mulheres conseguirem crédito fora. Já existem manicures, mototaxistas e donas de lanhouses que aderiram à moeda, mas ainda são poucas”, admite Lucinha.
Desenvolver a economia solidária

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Costa, disse ao UOL Notícias que o objetivo é desenvolver a economia solidária e minimizar a pobreza em comunidades ou favelas de renda mais baixa na cidade do Rio.

“O banco comunitário estimula e desenvolve a economia pré-existente. O grande desafio é articular o consumo, o comércio e a produção locais. Na Cidade de Deus ainda é cedo para fazer uma avaliação completa sobre a geração de renda e emprego local. Mas até a concessão de crédito é dada de forma solidária, é um arranjo econômico muito interessante”, ressaltou Costa.

No Brasil, já existem 63 bancos comunitários que adotaram esta “tecnologia social” e operam utilizando moedas próprias e outras formas de microcrédito. A iniciativa pioneira ocorreu no Banco Palmas, o primeiro banco comunitário do Brasil.

Embora o banco da Cidade de Deus seja novidade, ele não é o primeiro do Estado, que já tem uma experiência no bairro do Preventório, em Niterói, e uma outra nos mesmos moldes em Saracuruna, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A instalação do banco na Cidade de Deus recebeu investimentos da Caixa Econômica Federal e do BNDES (Banco Nacional para o Desenvolvimento Social) de cerca de R$ 250 mil. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico Solidário, embora a iniciativa ainda esteja no começo, o número de pequenos empresários cadastrados superou as expectativas.

“O banco comunitário é um processo de longo de prazo, não pode ser 'fogo de palha'. Já existe uma cultura local da população na Cidade de Deus de comprar e pagar por serviços gerados na localidade. Agora a gente está mirando na produção. Falta criar cooperativas”, afirmou Marcelo Costa.
No Alemão, previsão para 2012

O Complexo do Alemão será o próximo a receber um banco comunitário. O secretário adiantou ao UOL Notícias que a previsão é de inaugurar uma agência e ter uma moeda local circulando a partir de fevereiro de 2012. “Para os próximos anos queremos criar em outras comunidades, como no Alemão. Já temos um espaço no teleférico para servir como um ponto de formação para capacitação na área de economia solidária de grupos produtivos da economia local. A ideia é criarmos uma rede de 10 a 15 bancos comunitários espalhados pela cidade”.

Segundo Costa, o processo de elaboração e implantação é de seis meses com aplicação de uma “metodologia participativa” com reuniões semanais e oficinas técnicas para a população do Alemão. “Os moradores vão criar o nome da moeda e o nome do banco. Nesse tempo, a população vai começar a entender e a se apropriar da ideia”, explicou o secretário municipal.

Sheila Santos de Andrade, 35, e moradora há 30 anos da Grota, uma das comunidades que compõem o Complexo do Alemão, se diz animada para a possibilidade de criação de um banco com uma moeda própria. “Ainda precisa ser madurecido, mas o ideal seria que o banco já estivesse funcionando para a época de Natal neste ano, seria muito importante para o comércio. Aqui no Alemão, as lideranças comunitárias já estão todas sabendo e ansiosas”, garantiu Sheila, que preside a associação de Mulheres do Alemão e participa do movimento de economia solidária.
Facilitar acesso a serviços financeiros

Para o economista Armando Castelar, coordenador da área de economia aplicada da  FGV (Fundação Getúlio Vargas), os bancos comunitários têm características específicas, uma vez que não visam o lucro como as instituições financeiras tradicionais. “O layout tem que ser adaptado ao ambiente. Os  bancos comunitários não têm fins lucrativos e visam o desenvolvimento da comunidade e dar acesso a serviços financeiros de forma mais confortável cobrando taxas mais baratas”, disse.

Castelar destacou que a principal preocupação destas iniciativas é garantir o acesso de consumidores de renda mais baixa à facilidade de realizar serviços financeiros. “Essa é a questão importante das microfinanças, que são operações financeiras de pequeno porte, como realização de depósitos, concessão de créditos e seguros mais baratos. Uma série de serviços financeiros para a população que às vezes não tem acesso, como a empregada doméstica que recebe em dinheiro e pode guardar no banco, além de fazer pagamento de contas e transferência de dinheiro”, analisou.

A moeda social, para o economista da FGV, não deve ter como foco o ganho econômico do ponto de vista financeiro, mas a autoestima da população local. “É uma maneira de promover o banco e melhorar a estima da comunidade. Mas, a tendência é que depois de um tempo, essas moedas sociais acabem, vai depender do tempo que a prefeitura subsidiar”, afirmou.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/09/24/depois-de-banco-co


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