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julho 04, 2009

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O "Nada Jocaxiano"
Por Jocax, Outubro de 2006
(Revisão: Junho/2007)

O "Nada Jocaxiano" (NJ) é o Nada absoluto desprovido não apenas de elementos físicos e de leis físicas mas também de regras de quaisquer tipos.[1]

O "Nada Jocaxiano" é diferente do Nada que normalmente se pensa. O nada que normalmente se pensa, e que podemos chamar de "Nada Trivial", para distingui-lo do NJ, é algo no qual dele nada pode acontecer, ou seja, “o Nada Trivial” segue uma regra :”Nada pode acontecer”. Dessa forma o “Nada Trivial”, o nada no qual as pessoas pensam ao falar num “nada”, não é o nada mais simples possível, ele possui uma regra.

Jocax não definiu o NJ como algo em que não existe nada. Tal definição é dúbia e encerra algumas contradições como:”Se no nada não existe nada então ele mesmo não existe.”. Não, primeiro jocax definiu o que seja existir: “Algo existe quando tem as propriedades que o definem satisfeitas dentro da realidade”. Assim, jocax definiu o NJ como algo que:

1-Não possui elementos físicos de nenhuma espécie. (Partículas , energia, espaço etc.)
2-Não possui nenhuma lei.(Principalmente a lei embutida no “Nada Trivial”).

O "Nada Jocaxiano" é uma construção filosófica que se diferencia do "nada trivial" por não conter a regra "Nada pode acontecer". Desta forma jocax livra seu NJ de paradoxos semânticos do tipo: “Se ele existe, então ele não existe”. E afirma que este nada é ALGO que pode ter existido. Ou seja o “Nada Jocaxiano” é a estrutura física e lógica mais simples possível. E, como veremos, também a candidata natural possível para a Origem do Universo.

Não devemos confundir a definição do NJ com regras a serem seguidas. A definição do NJ é seu estado inicial. Se a natureza se encontrar no estado definido pelas condições 1 e 2 acima, dizemos que ela é um “Nada-Jocaxiano”. O estado de um sistema, diferentemente de uma regra, é algo que pode mudar. Uma regra é algo que o sistema deve obedecer sempre, caso contrário não seria uma regra. Assim, por exemplo, o estado de “não possui elementos físicos” é um estado e não uma regra pois, eventualmente, este estado poderá mudar. Se fosse uma regra, jamais poderia mudar.

Por ser livre de quaisquer elementos o "Nada jocaxiano" não pressupõe a existência de nada e assim, pela "Navalha de Ocam” [2], deve ser o estado mais simples possível da natureza e, portanto, sem necessidade alguma de explicações de sua origem. O “Nada Jocaxiano”, claro, não existe mais, mas pode ter existido num passado longínquo. Ou seja, o NJ seria o próprio universo –definido como o conjunto de tudo o que existe- dessa forma o Universo (como sendo um NJ) sempre existiu.

O "Nada jocaxiano", como tudo, deve seguir a tautologia: "Pode ou Não Acontecer". Essa tautologia -verdade lógica absoluta-, como veremos, tem um valor semântico no “Nada-jocaxiano”: Permite (ou não) que coisas possam acontecer.

Não podemos afirmar que num nada-jocaxiano coisas necessariamente devam ocorrer. Eventualmente pode não ocontecer nada mesmo, isto é, o NJ poderia continuar indefinidamente sem mudar de seu estado inicial sem que nada acontecesse. Mas existe a possibilidade de que fenômenos possam ocorrer desse nada absoluto. Essa conclusão segue logicamente da análise de um sistema sem premissas: Como o NJ, por definição, não possui leis, isso significa que ele é um sistema SEM PREMISSAS.

Em um sistema sem premissas, não podemos concluir que algo não possa acontecer. Não existem leis para que possamos tirar esta conclusão. Ou seja: não existe a proibição de que qualquer coisa possa acontecer. Se não existe a proibição de que algo possa acontecer, então, eventualmente algo pode acontecer. Ou seja, as tautologias continuam verdadeiras num sistema sem premissas: “Algo acontece ou não acontece”. Se, eventualmente, algo acontecer, este algo não deve obedecer a leis, e portanto, seria algo totalmente aleatório e imprevisível.

[Isso tudo pode parecer muito estranho, e na verdade é mesmo, mas posso colocar uma evidência clara de que o NJ não é um absurdo: Procure, primeiramente, num sistema de busca da Internet pelo texto: “Partículas Virtuais” ou no singular: “Partícula Virtual”. As partículas virtuais ocorrem em nosso universo como criação espontânea, a partir do vácuo quântico, de uma partícula e sua anti-partícula. A geração deste par de partículas é considerada, pela ciência, como um evento sem causas físicas, algo genuinamente aleatório. Isso é fato científico e pode ser explicado pela mecânica quântica. Agora vamos sair um pouco dos fatos e imaginar que cada uma dessas partículas encerra um ultra-micro-pico-universo em miniatura. Assim, nesta experiência mental, temos um indício, uma pequena evidência, de que o surgimento de um universo do nada, não esta tão fora de propósito como se poderia acreditar...]

Jocax chamou as primeiras aleatorizações do NJ de “Esquizo-Criações”. As esquizo-criações, por provirem de algo sem leis, seriam totalmente aleatórias e “malucas”. Claro que com as primeiras aleatorizações o NJ deixa de ser o NJ por possuir algo, ou seja, o NJ se transforma. Como o NJ não é limitado por nenhuma lei, eventualmente o NJ pode gerar também leis, nas quais seus elementos devam obedecer.

Jocax acredita que a geração aleatória de leis produziu um universo lógico: Suponha que leis sejam geradas aleatoriamente. Se uma lei não entra em conflito com outra lei, ambas podem permanecer incólumes. Entretanto, se surge uma nova lei que entra em conflito com outras leis, a nova lei substitui (mata) as leis anteriores já que por ser uma lei ela deve ser obedecida (até que outra, mais nova, lhe contrarie). Assim, numa verdadeira “seleção natural” de leis, foram sobrando apenas as leis que não fossem incompatíveis umas com as outras e isso responde a uma questão filosófica fundamental de nosso universo: “Por que o Universo segue regras lógicas?”.

 

Dessa forma o "Nada-Jocaxiano" é o candidato natural para a Origem do Universo, já que é o estado mais simples possível que a natureza poderia ter. E dele qualquer coisa poderia (ou não) ser aleatorizada. Até mesmo nossas leis físicas e nossas partículas elementares.

Referência(s):

[1] “A Origem do Universo, segundo Jocax”
(http://www.genismo.com/logicatexto20.htm)

[2] “A Navalha de Ocam e a Navalha de Jocax”
(http://www.genismo.com/logicatexto24.htm)

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ciência Expandida

Comentários

  1. João Carlos Holland de Barcellos escreveu:

    F.A.Q. do “Nada Jocaxiano”

    (Perguntas mais freqüentes sobre o Nada-Jocaxiano “NJ”)

    Jocax, Fev/2009

     

     

    1-   O que é o Nada-Jocaxiano (NJ)?

     

    R: O NJ, diferente do inexistente, é algo (ser) que apresenta as seguintes propriedades:

    P1-Não existem elementos físicos de nenhum tipo (matéria, espaço, ou energia).

    P2-Não existem leis de nenhum tipo.

     

    2- O NJ existe?

     

    R: Podemos dizer que o NJ existe se existir algo que tenha as propriedades de um NJ (P1 e P2 acima). Atualmente o NJ não existe mais, mas pode ter existido num passado remoto, antes do "Big-Bang".

     

    3-O NJ é "ser"?

     

    R: Sim. Uma vez que ele possui propriedades ele deveria existir para ser receptor destas propriedades.

     

    4-A característica do "Nada-Jocaxiano" não possuir regras ou leis não seria, ela própria, uma regra?

     

    R: Não. Uma regra estabelece alguma forma de restrição. Por exemplo: "meu carro precisa ser vermelho" é uma regra, mas “meu carro é vermelho” não é uma regra e sim um ESTADO do carro. Eventualmente o carro pode ser pintado de azul e mudar de cor. Estabelecer que o estado da natureza no qual não existam regras é definido como sendo o "Nada-Jocaxiano" também não é uma regra a ser seguida e sim um possível estado da natureza, que poderia (ou não) mudar.

     

    5-Dizer que tudo pode acontecer não seria uma regra? Uma imposição ao "Nada-Jocaxiano"?

     

    R: Seria. Mas se observarmos ao texto eu friso que do nada Jocaxiano tudo pode OU NÃO acontecer. E isso não é uma regra, mas sim uma TAUTOLOGIA lógica-, uma verdade absoluta em quaisquer circunstâncias ou cenários. Isso implica que o "Nada-Jocaxiano", como tudo, segue uma tautologia (uma verdade absoluta) e não uma regra.

     

    6-O "Nada-Jocaxiano" não possui elementos físicos nem leis, mas ele possui alguma POTÊNCIA, ou não?

     

    R: Se chamarmos de "potência" como sendo a possibilidade de se transformar, a resposta é sim. Porém, devemos lembrar que possibilidade não é certeza, e eventualmente ele jamais se transformaria ou geraria alguma ou qualquer outra coisa.

     

    7-O Nada-Trivial, onde nada pode acontecer, não seria algo mais provável que o "NJ"?

     

    R: Não! O nada que as pessoas normalmente imaginam, e que eu chamei de “nada trivial” (NT), é infinitamente mais improvável de acontecer como origem do universo do que o NJ. Isso porque o "nada-trivial" possuiria, embutidas nele, INFINITAS regras a serem seguidas, por exemplo: ele não poderia gerar campos, não poderia gerar espaço, não pode gerar uma cadeira; não pode gerar leis físicas; ele não pode gerar deus; ele não pode gerar um Big-Bang; ele não pode gerar vida; ele não pode gerar partículas, etc.

     

    8-O “Nada Inexistente” não é mais “puro” que o NJ?

     

    R: O “Nada Inexistente” (NI) é um “nada” onde nada existe, nem ele mesmo!

    Ele é, portanto, intrinsecamente contraditório, pois se ele mesmo não existe, ele não poderia ter propriedades, mas se ele possui a propriedade de não conter nada, ele deveria existir. Assim, se o “NI” existe, ele não pode ser inexistente, e se ele for inexistente, ele não pode existir. É algo contraditório, e por isso não foi utilizado como gerador do cosmo.

     

    9- Qual a diferença de “Universo” e “Cosmo”?

     

    R: Universo é o conjunto de tudo o que existe. Assim cada possível “Universo bolha” ou “Multi-Universo” são, na verdade, partes do mesmo Universo. Por isso é mais correto denominar cada “Universo bolha” de “Cosmo-bolha”. Um Cosmo, portanto, seria uma região do universo regido por suas próprias leis físicas, isolado e sem interconexão com outros cosmos. 

     

    10-O NJ é o Universo ou deu origem ao Universo?

     

    R: A rigor, pela definição de Universo, como sendo o conjunto de tudo o que existe, o NJ seria o próprio universo. Seria o universo em seu estado “minimal”, o estado mais simples possível. Portanto, o NJ não poderia originar o universo, pois ele seria o próprio universo, onde o tempo não existiria. Posteriormente ele poderia ter aleatorizado um ou mais cosmos.

     

    11- O NJ não estaria limitado à nossa lógica? Ele poderia ser ilógico?

     

    R: Devemos perceber que existem dois conceitos sobre o Nada Jocaxiano que estão inter-relacionados: O Objeto Nada-Jocaxiano (NJ-Objeto), e a Teoria sobre este NJ-Objeto (NJ-Teoria). O NJ-Objeto é definido como algo que possui as propriedades referentes ao NJ (P1 e P2) descrito acima. A teoria sobre o NJ (NJ-Teoria) é uma teoria baseada na lógica, que explica como o NJ-Objeto poderia aleatorizar nosso cosmo. Pode-se argumentar que se o NJ-Objeto não possui leis então também não precisaria obedecer à lógica, e isso, de fato, é correto. Entretanto, ao analisarmos o NJ-Objeto com a nossa lógica clássica, não estaremos incluindo novas possibilidades ao NJ-Objeto, mas, sim o oposto: poderemos estar, na verdade, limitando as possibilidades do NJ-Objeto, o que significa, talvez, que ele possa ser ainda mais "toti-potente" do que possamos imaginar.

     

    12- O NJ, ao aleatorizar algo, deixa de ser um NJ, e perderia assim a capacidade de aleatorização?

     

    R: As aleatorizações do NJ são chamadas de “esquizo-criações”.  O Universo estava na forma de um NJ.  A primeira esquizo-criação do NJ faz com que o NJ deixe de ser um NJ, pois agora o universo tem, ao menos, um elemento: sua primeira esquizo-criação. Se esta primeira esquizo-criação não for uma lei que o impeça de aleatorizar outras coisas, como por exemplo, uma lei que o torne um “nada-trivial”, então esta esquizo-criação, que é o NJ evoluído (NJE), poderia, eventualmente, continuar gerando suas esquizo-criações. Apenas a geração de leis que restrinjam a própria geração de leis poderia impedir novas esquizo-criações.

     

    13- Poderíamos isolar uma porção do cosmo e torná-lo um NJ?

     

    R: Dificilmente. Uma vez que o nosso cosmo já está “banhado” por leis físicas, para criarmos um NJ teríamos que retirar todas as leis físicas daquela região. Ninguém ainda sabe se isso é possível e muito menos como isto poderia ser feito.

     

    14-Para haver seleção natural de leis, as leis não teriam que ser ordenadas temporalmente, isto é, o tempo já não teria que ser pré-requisito?    

     

    R: Se for necessário que haja alguma “lei do tempo” ou o próprio “tempo” para que possamos ordenar as leis que são aleatorizadas pelo NJ então isso não seria um grande problema. Bastaria “esperar” que uma das “esquizo-criações” fosse uma lei temporal. A partir de então as novas leis estariam ordenadas e sofreriam “seleção natural”.

     

    15-Quais as evidências que o nosso cosmo veio de um NJ?

     

    R: As evidências seriam um universo lógico, onde não haveria contradições físicas entre os elementos deste universo.

     

     

    Referências:

    [1] O Nada Jocaxiano

    http://stoa.usp.br/jocax/files/1208/7309/O+Nada-Jocaxiano.html

     

    João Carlos Holland de BarcellosJoão Carlos Holland de Barcellos ‒ sábado, 04 julho 2009, 11:47 -03 # Link |

  2. Jocax escreveu:

    18/11/2011 - 12h58

    Novo teste mostra neutrinos ainda acima da velocidade da luz

    Kate Kelland
    Em Londres
    Comentários 1

    Uma nova experiência parece ter obtido novas indicações de que Einstein pode ter se enganado ao cravar que nada poderia superar a velocidade da luz, teoria que embasa o pensamento moderno sobre o funcionamento do universo.

    As novas indicações, que contestam um dogma científico que vinha se sustentando desde a publicação da teoria da relatividade por Einstein em 1905, parecem confirmar que partículas subatômicas conhecidas como neutrinos seriam capazes de velocidade algumas frações de segundo superiores à da luz.

    Uma nova experiência no laboratório Gran Sasso, usando um feixe de neutrinos emitido do CERN, na Suíça, a 720 quilômetros de distância, foi realizada para verificar o resultado de uma experiência semelhante conduzida por uma equipe de cientistas em setembro passado, e recebido com ceticismo.

    Cientistas do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália (INFN) anunciaram em comunicado que seus novos testes tinham por objetivo excluir um possível efeito sistêmico que poderia ter afetado a medição original.

    "Uma mensuração tão delicada e que porta implicações tão profundas para a Física requer nível extraordinário de precisão", disse Fernando Ferroni, presidente do INFN.

    "O resultado positivo do teste faz com que cresça nossa confiança no resultado original, ainda que a palavra final caiba a diversas mensurações análogas que estão sendo realizadas em todo o mundo", acrescentou.

    Uma equipe internacional de cientistas chocou o mundo da ciência ao anunciar o resultado original, em setembro. A primeira constatação surgiu do exame de 15 mil feixes de neutrinos emitidos durante três anos pelo CERN para o laboratório do Gran Sasso, uma instalação subterrânea perto de Roma.

    Os físicos que participaram da experiência, conhecida como OPERA pelas iniciais de seu título científico, disseram ter verificado os resultados iniciais repetidamente, para excluir qualquer fator que pudesse representar erro de leitura, antes de anunciar suas constatações.

    Se o resultado for confirmado, cientistas dizem que as constatações podem demonstrar que Einstein, o pai da Física moderna, estava errado ao afirmar, em sua teoria da relatividade especial, que a velocidade da luz era uma "constante cósmica" e que nada podia ser mais rápido.

    Isso forçaria uma grande reconsideração das teorias sobre como funciona o cosmos, e poderia significar que, em tese, é possível enviar informações ao passado.

    Os resultados da pesquisa foram divulgados na publicação científica ArXiv

     

    http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/r

    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ sábado, 19 novembro 2011, 13:56 -02 # Link |

  3. Jocax escreveu:

    Tudo e Nada

    Uma entrevista com Lawrence M. Krauss

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    Lawrence M. Krauss é um cosmólogo de renome, divulgador da ciência, e diretor do Projeto Origens da Arizona State University. Ele é o autor de mais de 300 publicações científicas e 8 livros, incluindo o best-seller A Física de Star Trek. Seus interesses incluem início do universo, a natureza da matéria escura, a relatividade geral e neutrino astrofísica. Ele também é um amigo e um conselheiro para a minha fundação sem fins lucrativos, Reason Project. Lawrence generosamente teve tempo para responder a algumas perguntas sobre seu novo livro, Um universo do nada .

    ***


    Uma das justificativas mais comuns para a fé religiosa é a idéia de que o universo deve ter tido um criador. Você acabou de escrever um livro, alegando que um universo podem surgir de "nada". O que você quer dizer com "nada" e como faz o seu totalmente contradizem uma tese de crença em um Deus Criador?

    Na verdade, a pergunta: "Por que existe algo em vez de nada?" Que constitui o subtítulo do livro, é muitas vezes usado pelos fiéis como um argumento inatacável que requer a existência de Deus, por causa da famosa afirmação: "a partir do nada , nada vem. "Embora o ponto principal do meu livro é descrever para o leigo interessado as revoluções marcantes que aconteceram em nossa compreensão do universo ao longo dos últimos 50 anos de revoluções que deve ser comemorado como pináculos da nossa experiência intelectual- o segundo objetivo é apontar que essa reivindicação de longa data teológica é espúria. Ciência moderna fez com que o debate algo do nada, irrelevante. Ele mudou completamente a nossa concepção das próprias palavras "algo" e "nada". Descobertas empíricas continuam a dizer-nos que o Universo é do jeito que é, quer queiramos ou não, e 'algo' e 'nada' são conceitos físicos e, portanto, se referem ao domínio da ciência, não a teologia ou filosofia. (Na verdade, a religião ea filosofia têm acrescentado nada a nossa compreensão dessas idéias em milênios.) Eu gasto muito tempo no livro detalhando exatamente como a física mudou nossas noções de "nada", por exemplo. A velha idéia de que nada poderia envolver o espaço vazio, desprovido de material de massa ou energia, ou qualquer coisa, por exemplo, foi agora substituído por uma mistura borbulhar de ebulição de partículas virtuais, entrando e saindo de existência em um tempo tão curto que não podemos detectá-los diretamente. Eu, então, passar a explicar como outras versões do "nada", além do espaço-incluindo apenas esvaziar a ausência de espaço em si, e até mesmo a ausência de leis físicas, pode se transformar em "algo". De fato, em linguagem moderna, "nada" é na maioria das vezes instável. Não só pode surgir algo do nada, mas na maioria das vezes as leis da física exigem que isso ocorra.

    Agora, tendo dito isto, o meu ponto de no livro não é para sugerir que a ciência moderna é incompatível com pelo menos a noção Deísta que talvez haja algum propósito para o Universo (mesmo que tal propósito se manifesta com base em qualquer um dos nossos conhecimento atual, e além disso não há qualquer conexão lógica entre "criador" possível e o Deus pessoal das religiões mais importantes do mundo, que se preocupa com o destino da humanidade). Pelo contrário, o que eu acho notável é o fato de que as descobertas da moderna física de partículas ea cosmologia metade do século passado, permitem não só uma possibilidade de que o Universo surgiu do nada, mas na verdade fazer essa possibilidade cada vez mais plausível. Tudo o que temos medido sobre o universo não é apenas consistente com um universo que veio do nada (e não tem que vir para cá!), Mas na verdade, todas as provas do novo torna esta possibilidade cada vez mais provável. Darwin demonstrou como a notável diversidade da vida na Terra, eo projeto de vida aparente, que tinha sido apontada como evidência de um Deus amoroso, poderia, de facto, em vez chegou a ser por causas naturais, envolvendo processos puramente físico de mutação e seleção natural. Eu quero mostrar algo semelhante sobre o Universo. Nós nunca pode provar pela ciência que um Criador é impossível, mas, como Steven Weinberg tem enfatizado, a ciência admite (e para muitos de nós, sugere) um universo em que não é necessário.

    Eu não posso esconder meu preconceito intelectual aqui. Como eu estado na primeira frase do livro, eu nunca fui simpático à idéia de que a criação exige um criador. E como nosso falecido amigo, Christopher Hitchens, acho que a possibilidade de viver em um universo que não foi criado para a minha existência, em que minhas ações e pensamentos não precisa curvar aos caprichos de um criador, muito mais enriquecedora e significativa do que o outro alternativa. Nesse sentido, eu me vejo como um anti-teísta, em vez de um ateu.


    Eu gostaria de permanecer no conceito de "nada" por um momento, porque acho que é interessante. Você descreveu três gradações de nada-espaço vazio, a ausência de espaço, ea ausência de leis físicas. Parece-me que esta condição nos últimos ausência de leis que possam ter causado ou limitado o surgimento de matéria e espaço-tempo-é realmente um caso de "nada" no sentido mais estrito. Parece-me verdadeiramente incompreensível que qualquer coisa leis, energia, etc, poderia saltar para fora dela. Eu não quero sugerir que conceptibilidade é um guia para a possibilidade, pode haver muitas coisas que acontecem, ou pode acontecer, que não estamos cognitivamente preparados para entender. Mas o surgimento de algo do nada (neste sentido final) não me parece uma violação franca das categorias do pensamento humano (semelhante a afirmar que o universo é um quadrado redondo), ou a mera declaração de um milagre.Existe alguma razão física para acreditar que nada tal era sempre o caso? Pode não ser mais fácil pensar sobre as leis da física como tendo sempre existido?

    Essa é uma pergunta muito boa, e ele realmente atinge o coração de uma das coisas que eu queria mais estresse no livro. Porque uma violação franca das categorias do pensamento humano é precisamente o que o Universo faz todo o tempo. A mecânica quântica, que rege o comportamento de nosso Universo em escalas muito pequenas, está cheio de loucura tal, que desafia o senso comum no sentido tradicional. Praças tão pequena às vezes são redondas ..ou seja, os sistemas podem ser em muitos estados diferentes ao mesmo tempo, incluindo os que são mutuamente exclusivos! Louco, eu sei, mas é verdade ... Isso é o coração do por que o universo quântico é tão estranho. Então, sim, seria mais fácil pensar sobre as leis da física, como sempre tendo existido, mas "fácil" nem sempre coincide com a "verdade." Mais uma vez, o meu mantra: O Universo é a maneira que é, quer queiramos ou não.

    Agora, para bater a segunda parte da sua pergunta ... não temos nenhuma razão para supor que as próprias leis passaram a existir junto com o nosso universo? Sim ... as idéias atuais provenientes da física de partículas permitem uma série de possibilidades de múltiplos universos, em cada uma das quais algumas das leis da física, pelo menos, seria exclusivo para esse universo. Agora, temos todos os modelos, onde todas as leis (incluindo até mesmo, por exemplo, a mecânica quântica?) Surgiu junto com o universo? Não. Mas nós sabemos tão pouco sobre as possibilidades que este permanece certamente um deles.

    Mas ainda mais pertinente à sua pergunta, talvez ... não temos nenhuma razão física para acreditar que nada tal era sempre o caso? Absolutamente, porque estamos falando sobre o nosso universo, e que não impede o nosso universo decorrentes de absolutamente nada, embutido em um espaço infinito, talvez, ou uma coleção infinita de espaços ou espaços-a-ser, alguns dos quais existia antes da nossa veio a ser, e alguns dos quais só agora estão entrando ou saindo de existência. Neste sentido, o multiverso, como se tornou conhecido, poderia ser eterna, o que certamente aborda um aspecto irritante da questão da Causa Primeira.


    Eu quero continuar a seguir esta linha, porque parece-me que raramente fazem isso e eu acho que muitas pessoas vão se interessar em aprender um físico como o senhor vê o fundamentos da ciência. Como você sabe, em todos os ramos da ciência para além da física nós estamos em um conjunto herdado de conceitos e leis que explicam o conjunto da empresa. Na neurociência, por exemplo, herdamos os princípios da química e da física, e isso explica tudo, desde o comportamento de neurônios para o funcionamento de nossas ferramentas de imagem. Como se move "up" na ciência, os problemas se tornam mais complexas (e por esta razão a ciência inevitavelmente fica mais "suave"), e encontramos razão muito pouco para contemplar os fundamentos epistemológicos da ciência em si. Então eu gostaria que você brevemente nos dizer como você e seus colegas vista o fato de que certas descrições da realidade pode ser verdade, e testável, mas impossível de entender. Eu tinha pensado, por exemplo, que a maioria dos físicos estavam insatisfeitos com a estranheza do QM e ainda tinha esperança de que uma teoria mais fundamental seria colocar as coisas direito, produzindo uma imagem da realidade que pudéssemos realmente entender, em vez de simplesmente aderir. É que não é verdade?

    Outra questão profunda e difícil Sam! A resposta completa provavelmente levaria mais espaço do que temos aqui, e tenho tentado resolver este problema até certo ponto, tanto em A Universo do nada e os meus livros Fear of Physics e ocultação in the Mirror. Primeiro de tudo, deixe-me abordar a questão do "entendimento." Há aspectos do universo, como o fato de que o espaço tridimensional pode ser curvado, que não pode ser "entendida" em um senso intuitivo porque são tridimensionais seres. Assim como os seres bidimensionais na Flatlandfamoso livro, que não tinha idéia de como realmente imagem de uma esfera, não podemos visualizar um universo tridimensional fechada, por exemplo. Isso não nos impede, no entanto, de desenvolver a matemática que descreve completamente tal universo. Então, nossa matemática pode modelar um universo tão e nos permitem fazer previsões podemos testar e, portanto, fornecer uma "explicação" do universo que é compreensível, mesmo que não intuitivamente compreensível.

    Mas há algo ainda mais profundo sobre a natureza da "verdade científica" que surgiu na física, que eu não acho que é geralmente apreciada. É o simples fato de que nos damos conta de que nenhuma das nossas teorias são "verdadeiro" no sentido de que eles adequadamente descrever a natureza em todas as escalas. Todas as nossas teorias físicas, como agora compreendê-los, têm domínios de validade limitado, que pode realmente quantificar de forma precisa. Mesmo Eletrodinâmica Quântica, que é a melhor teoria testada na natureza, que nos permite prever os níveis de energia dos átomos para melhor do que uma parte em um bilhão, fica subsumido em uma teoria mais geral, chamada de teoria Electroweak, quando é aplicada a tentar para compreender as interações entre quarks e elétrons em escalas de 100 vezes menor que o tamanho dos prótons. Agora, como Richard Feynman enfatizou, não temos idéia se esse processo vai continuar, se vamos descascar as camadas da realidade como uma cebola, se o processo nunca vai acabar, ou se vamos realmente chegar a uma teoria fundamental que permite -nos a extrapolar o nosso entendimento para todas as escalas. Como ele apontou, isso realmente não importa, porque o que os cientistas querem fazer é aprender sobre como o universo funciona, e em cada etapa aprendemos algo novo. Podemos esperar que o universo tem uma explicação fundamental, mas como eu continuo enfatizando, o universo é do jeito que é, quer queiramos ou não, e nosso trabalho é ser corajoso o suficiente para continuar a tentar compreendê-la melhor, e aceitar a realidade de que a natureza nos impõe.

    É verdade que alguns físicos encontrar a estranheza da mecânica quântica insatisfatória e suspeito que possa ser incorporado em uma teoria mais fundamental que parece menos louco. Mas a esperança ea realidade não são a mesma coisa. Da mesma forma, pode ser intelectualmente insatisfatório imaginar que o tempo começou com o nosso universo, então perguntar o que veio antes não é uma questão sensível, ou imaginar um multiverso eterna, que em si nunca foi criado, ou para nunca ser capaz de empiricamente abordar a questão da se as leis da natureza surgiu espontaneamente junto com o universo, mas temos que continuar a trabalhar independentemente, motivada pelo fato notável de que a natureza tem surpresas para nós que nunca teríamos imaginado!

    Por fim, é o "como" a questão que é realmente mais importante, como eu enfatizo no livro novo. Sempre que perguntam "porquê?" Que geralmente significa "Como?", Porque por isso que implica um senso de propósito que não temos razão para acreditar realmente existe.Quando perguntamos "Por que há 8 planetas orbitando o Sol?" Realmente queremos dizer "Como há 8 planetas?"-Ou seja, como foi a evolução do sistema solar permite a evolução formação e estável, de 8 de grandes corpos que orbitam o sol. E assim, como eu também ressaltar, que nunca pode ser capaz de discernir se há realmente algum propósito subjacente universal ao universo, ainda não há absolutamente nenhuma evidência científica de tal finalidade, neste ponto, o que é realmente importante para a compreensão de nós mesmos e nossa lugar no universo não é tentando analisar vaga questões filosóficas sobre alguma coisa e nada, mas sim para tentar entender como e operacionalmente o nosso universo evoluiu, e que o futuro pode trazer. Progresso na física no século passado nos levou ao limiar de abordar questões que jamais poderia ter pensado eram acessíveis dentro do domínio da ciência. Nós nunca pode resolver totalmente, mas o próprio fato de que podemos plausivelmente endereço deles é digno de comemoração. Esse é o propósito do meu livro. E é essa busca intelectual que eu acho tão emocionante, e que eu quero compartilhar de forma mais ampla, porque representa para mim o melhor sobre o que significa ser humano. 

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    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ quinta, 05 janeiro 2012, 10:13 -02 # Link |

  4. Jocax escreveu:

    "Uma nova verdade científica não triunfa por convencer os oponentes e fazê-los ver a verdade, mas porque seus oponentes eventualmente morrem, e cresce uma nova geração familiar com ela",

    escreveu o grande físico teórico Max Planck.

    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ segunda, 24 junho 2013, 09:04 -03 # Link |

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