Stoa :: Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) :: Blog :: Ciência no Brasil

Outubro 08, 2011

default user icon

O google disponibiliza parte de livros para divulgação. Eis um bom exemplo de livro que fala um pouco da historia do Ifusp e de grandes cientistas que ajudaram na fundação e colaboraram no avanço cientifico no Instituto de Física e do país:

Ifusp - Passado, Presente e Futuro (Gil da Costa Marques - Organizador)

Link:

http://books.google.com/books?id=yerYQM61ojUC&printsec=fron

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Joao Daniel Fernandes da Silva em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

Outubro 03, 2011

default user icon

Empresa deverá investir 3 milhões de dólares no local; principal objetivo são as pesquisas no pré-sal

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Este post é Domínio Público.

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

default user icon

Caros colegas,

Segue alguns casos de crime nos bastidores da ciência brasileira.

Agora deixa a reflexão dos problemas que um relatório "maquiado" pode deixar na vida acadêmica.

Peço por gentileza que leiam os comentários!

Link para o site

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

default user icon

Segue um artigo sobre a vida de Abrahão de Moraes, diretor do IAG-USP de 1955 a 1970, atuou incansavelmente pelo desenvolvimento da Astronomia e das Ciências Espaciais no Brasil. Como uma homenagem feita pela comunidade astronômica internacional, uma cratera da Lua é conhecida, hoje, como a cratera De Moraes


O artigo inteiro acesse por esse link

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

Setembro 27, 2011

default user icon

Progresso na educação e ciência são destaques na revista Physics Today

 

Clique aqui

 

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

default user icon

Manoel Amoroso Costa, engenheiro, matemático e professor da Escola Politécnica, teve um papel de destaque na ciência brasileira nas primeiras três décadas do século XX

 

Leia mais

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

Agosto 29, 2011

default user icon

Prezados e Prezadas

Segue um artigo de 2009 falando sobre as dificuldades de divulgação e ensino da ciência no Brasil, é um texto bom para reflexão, já que muitas coisas ocorrem e outras podem ser exagero, mas expõem algo que devemos dar atenção.

Alicia Ivanissevich é editora executiva da revista Ciência Hoje e vencedora do Prêmio José Reis de Divulgação Científica (2008).

click aqui

 

 

 

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

default user icon

Bom dia!

Pessoal, segue uma matéria que saiu no Jornal Valor hoje (29/08/2011)

Machado de Assis e Borges: ciência e literatura que se bifurcam

 

 

 

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

Agosto 25, 2011

default user icon

Nota do Blog P. ACT
Segue um texto extraído do livro “ O Senhor está Brincando, Sr. Feynman?” de Richard P. Feynman (físico norte americano  ganhador do prêmio Nobel de Física em 1965). Ele conta sobre sua experiência de ensino no Brasil na década de 50, mas muito do que está escrito nesse texto é bem atual e reflete a situação do ensino da Física.

http://physicsact.wordpress.com/2009/03/27/richard-feynman-e-o-ensino-d

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Joao Daniel Fernandes da Silva em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

default user icon

Caros colegas,

Para alguém que não chegou a assistir esta série, acho de grande importância para quem trabalha na área de ensino, a série tem como base desafios que são colocados e os cinco cientistas tem que bolar os equipamentos com materiais comuns no cotidiano e o conhecimento científico que obteram.

Muito bom, vale apena.

Link

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 2 comentários

default user icon

A conferência que ocorreu no IEA-USP sendo o autor Oscar Sala que ajudou a construir o pelletron do IFUSP.

O texto esboça como a evolução da ciência ocorreu no Brasil desde do início e mostra a ciência nos anos 90 quando foi apresentada no IEA-USP.

O texto completo esta aqui

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

default user icon

Cinco décadas atrás as revistas populares de ciência nos Estados Unidos alardeavam que, em menos de 50 anos, a fonte da eletricidade do mundo seria a energia limpa e praticamente inesgotável que faz as estrelas brilharem: a fusão nuclear. O tempo passou e hoje existem apenas as usinas de fissão nuclear, que produzem energia a partir da quebra de núcleos atômicos pesados. Uma usina de fusão, ao contrário, funcionaria extraindo energia da união de dois núcleos de hidrogênio, o elemento químico mais abundante no Universo. Em parceria com grupos europeus, pesquisadores brasileiros trabalham com o objetivo de transformar a fusão em realidade.

A matéria completa click aqui

 

 

 

 

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Cristiano de Araujo Chaves em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

Novembro 13, 2010

default user icon

O passeio ao museu na Arte Sacra nos trouxe vários pontos aos quais, muitas vezes, por mais que estivéssemos já acostumado com a região ali presente, certamente nunca tínhamos parado para pensar.

Quem já imaginou em plano século XXI, no centro da maior metrópole do país, ainda termos pessoas que vivem em regime de clausura?

Um outro ponto que me chamou bastante atenção foi acerca da história do bairro, em particular, do nome Bairro da Luz. Na verdade, o local que hoje chamamos bairro da Luz, super movimentado e que conta com uma grande diversidade de ambientes e avenidas já foi um vasto campo pantanoso. Seu nome era Campo do Guaré ou Caminho do Guarepe – em linguagem indígena “matas em terras molhadas” – porque em épocas de chuva os rios Tamanduateí e Tietê transbordavam e inundavam o local. O nome Luz veio de sua posterior ocupação, quando a região a imagem de Nossa Senhora da Luz foi trazida para o pais e hospedada nesta região.
O antigo caminho do Guaré foi ocupado durante muito tempo por fazendas e o gado andava solto pelos pastos. Mas, pouco a pouco, pântanos foram aterrados, pontes construídas e locais como o Jardim da Luz e o Seminário Episcopal erguidos, este último
inaugurado em 1856, passou por inúmeras transformações, até que em 1927 teve demolida a ala direita da igreja, para abertura da atual rua 25 de Janeiro.
Em 1860 teve início a construção da ferrovia The São Paulo Railway Company, por iniciativa do Barão de Mauá, em associação com o capital inglês, para o escoamento da produção cafeeira do interior para o porto de Santos.
Dessa forma, o bairro recebeu em 1865 a Estação da Luz, o que gerou profundas mudanças no bairro. A área se valorizou e a administração pública realizou obras de melhoria integrando o bairro ao centro da cidade. O comércio no entorno da estação diversificou-se para atender os viajantes com hotéis e restaurantes.
A Luz tornou-se um local aprazível. A atual Avenida Tiradentes era um arborizado boulevard e os paulistanos freqüentavam o Jardim da Luz nos finais de semana. Nos Campos Elíseos, bairro vizinho, a elite do café construiu seus palacetes. E bairros populares surgiram nas proximidades para abrigar os trabalhadores das ferrovias e do comércio local.
Entretanto, o desenvolvimento do bairro e de toda a cidade trouxe no bojo os fatores de sua degradação. Por não haver mais para onde expandir, e devido ao antigo problema de transbordamento dos rios Tamanduateí e Tietê, o bairro foi perdendo importância e a população começou a se dirigir para as zonas sul e oeste.
Gradualmente, no século XX, a utilização da ferrovia declinou e ela perdeu sua antiga função. Além de ter de competir com os bondes, carros e, posteriormente, ônibus e caminhões a estação passou a integrar o sistema metropolitano de transporte de passageiros das regiões mais periféricas, o que popularizou a região.
A presença de cortiços, prostituição e comércio de drogas desvalorizaram ainda mais o bairro, juntamente com a implantação do metrô e transformação da Avenida Tiradentes em via expressa. Todos esses fatores aliados ao caos trazido pelo eixo rodoviário das marginais terminaram por degradar ainda mais o bairro.
Recentemente, foi fechada uma parceria com os governos federal, estadual e municipal, para revitalização da área central da cidade, e a Luz foi contemplada com obras de benfeitoria e policiamento. Novos empreendimentos imobiliários e restauros no espaço público estão previstos, o que pode melhorar problemas urbanísticos como o aspecto visual do local.

 
Mas para resgatar a vitalidade de outrora ainda há muito que recuperar, principalmente no que se refere a segurança e ao atendimento das necessidades da população que mora nas ruas do bairro. Para que todos possam, dessa forma, desfrutar desse antigo e belo espaço da cidade.

 

Diversas vezes passamos por essas regiões e nunca paramos para refletir sobre sua história e para buscar o que hoje ainda resta ao nosso alcance dessa história.

Palavras-chave: Bairro da Luz, Ciência no Brasil, museu da arte sacra.

Postado por Suelen Fernandes de Barros em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 1 usuário votou. 1 voto | 1 comentário

Novembro 11, 2010

default user icon

O acadêmico José Goldemberg recebendo das mãos do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, o Ernesto Illy Trieste Science Prize de 2010.

O Físico da Universidade de São Paulo, Goldemberg fez pós-graduação no Canadá e nos Estados Unidos e ao voltar chegou a ser reitor da USP, secretário federal de C&T, ministro da Educação e secretário de Meio Ambiente de São Paulo. Foi diretor do Programa de Energia das Nações Unidas e co-autor do relatório Lighting the Way: Towards a Sustainable Energy Future, do Conselho Interacademias (IAC, na sigla em inglês), publicado em 2007.Também em 2007 a revista TIME elegeu-o como "O Herói do Planeta"

Em um importante artigo, publicado em 1978 na revista Science, o grupo de pesquisadores liderados por Goldemberg apresentaram indícios científicos mostrando que a utilização de combustíveis renovaveis, no caso os biocombustíveis derivados da cana-de-açucar, reduziriam uma parte considerável do consumo de combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel derivados do petróleo.

"Na época", disse Goldemberg, "os esforços para desenvolver biocombustíveis no Brasil eram em grande parte justificados com base na segurança energética. Nossa pesquisa demonstrou que a produção de biocombustíveis no Brasil poderia não só diminuir significativamente o uso de combustíveis fósseis, mas também ajudar a reduzir a poluição do ar e as emissões de gases de efeito estufa."

O estudo coordenado por Goldemberg encorajou os esforços do governo brasileiro, que tinha lançado um programa de biocombustíveis em 1975, chamado Pró-Álcool, em resposta à crise internacional do petróleo.

Ao verificar o equilíbrio energético positivo dos biocombustíveis, e acrescentando uma dimensão ambiental ao argumento, Goldemberg reforçou o apoio ao programa de biocombustíveis do Brasil, ajudando a garantir sua viabilidade a longo prazo.

Hoje, o Brasil produz 30 bilhões de litros de etanol de cana-de-açúcar por ano, que substitui 50% da gasolina usada no país. A produção e a distribuição de etanol gera US$30 bilhões por ano em receitas (cerca de 5% do PIB brasileiro) e é responsável por um milhão de empregos.

Goldemberg recentemente liderou discussões científicas sobre o impacto potencial dos biocombustíveis na segurança alimentar, nas florestas e nas terras agricultáveis, mostrando que é preciso muito pouca terra a mais para suprir a demanda por biocombustíveis nas próximas décadas - apenas 4% do total de um milhão e meio de hectares disponíveis em escala global. O físico também mostra-se contra a criação de usinas nucleares no Brasil, dizendo que as mesmas atenderiam mais as pressões do setor do que a necessidade.


Palavras-chave: Biocombustíveis, Ciência no Brasil, Ernesto Illy Trieste Science Prize, José Goldemberg, pró-álcool

Postado por Daniel Rodrigues Pinto em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 1 comentário

Novembro 08, 2010

default user icon

Saudações!

 

Hoje teremos uma conversa rápida sobre a figura de José Bonifácio de Andrada e Silva, naturalista, estadista e poeta brasileiro que viveu entre 1763 e 1838. Em especial, trazemos uma discussão sobre a sua grande contribuição à química e à ciência brasileira, que foi a descoberta do elemento Lítio. Também veremos rapidamente qual a relação entre José Bonifácio e Aleijadinho, cujas obras veremos na visita ao Museu de Arte Sacra no próximo sábado (13/11).

José Bonifácio

Nascido em Santos de família da aristocracia portuguesa, José Bonifácio, após o ensino preparatório em São Paulo, mudou-se para Portugal, onde esteve de 1780 a 1819. No longo período, estudou na Universidade de Coimbra, formando-se em filosofia natural e direito canônico, e desenvolveu uma série de atividades como naturalista e pesquisador, especializando-se em mineralogia.Esta universidade, em 1783 quando José Bonifácio lá chegou, havia já passado por uma total reforma, fruto do espírito modernizador de Marquês de Pombal, profundamente influenciado pela filosofia iluminista da época. O domínio jesuíta na universidade fora erradicado. José Bonifácio José Bonifácio era fascinado pela ciência, que havia então explodido em progresso no século XVII. Num poema de sua autoria na época de estudante, refere-se à alguns de seus heróis:



Tu Leibniz imortal, tu grande Newton


A razão lhe revigoras!


\dots

Os vastos turbilhões,partos sublimes 

Do criador Descartes.

José Bonifácio nutriu-se das idéias dos filósofos do século XVIII, com eles acreditava no progresso da humanidade como conseqüência do progresso das ciências e do conhecimento.

Em carta publicada à um jornal alemão em janeiro de 1800, com 37 anos, José Bonifácio descreve dois novos minerais. A um, infusível, originário de Utö, Suécia, denominou petalita, em homenagem ao Imperador do Brasil (Dom Pedro); a petalita dissolvia-se muito lentamente em ácido nítrico, sem efervescência. O outro, o \mathbf{LiAlSi_2O},foi denominado espodumênio. Hoje, sabe-se que a petalita é um silicato de alumínio e lítio, \mathbf{LiAl(Si_2O_5)_2}.Em 1818 era descoberto o lítio na petalita; José Bonifácio entraria pra História da Química e também para a História da Ciência Brasileira como o descobridor de um elemento químico.

Página inicial da mais famosa publicação científica de José Bonifácio, em que ele relata a descoberta de doze novos minerais, incluindo aquele nos quais se viria a descobrir o elemento lítio.

A partir de janeiro de 1822 José Bonifácio se encontra no Rio de Janeiro, tendo deixado São Paulo ao final do ano anterior. Daí em diante, sua intensa atuação política, como figura central no movimento de que resultou a independência do Brasil, envolve-o totalmente. Apoiou a monarquia luso-brasileira por entender que ela fosse a maneira mais viável de manter a unidade territorial do país; no entanto era avesso a toda pompa e circunstâncias cortesãs: recusou as condecorações que lhe queria dar D. Pedro I, bem como título de marquês. Viveu e morreu pobre.

A relação entre José Bonifácio e Aleijadinho é indireta, e refere-se ao ciclo mineiro em Minas Gerais na transição do século XVII para o XVIII. Em especial, a frutífera (em termos economicos, e não sociais) atividade de mineração brasileira, podemos assim dizer, incitou tanto o surgimento de gênios científicos como José Bonifácio, como também gênios artísticos, concebidos pelas condições sócio-históricas e culturais da época. O estudo dos minérios levou tanto a José Bonifácio a descoberta do Lítio como Aleijadinho a adotar a pedra, o Esteatito, como matéria-prima para suas obras de arte.

Aleijadinho

Minas tem uma importância especial tanto por sua riqueza e variedade como por ser testemunho de uma fase bem específica da história brasileira, quando a região concentrava as atenções da Metrópole portuguesa por suas grandes jazidas de ouro e diamantes e constituía o primeiro núcleo no Brasil de uma sociedade eminentemente urbana.

Por outro lado, formulação de uma linguagem artística diferenciada na região das Minas deveu-se também a outros dois fatores importantes: o seu relativo isolamento do resto do país e o súbito enriquecimento da região com a descoberta daquelas ricas jazidas. O estilo tipicamente praticado em Minas Gerais teve seu centro principal na antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto, fundada em 1711, mas também floresceu com vigor em Diamantina, Mariana, Tiradentes, Sabará, Cachoeira do Campo, São João del-Rei, Congonhas  e uma série de outras cidades e vilas mineiras. Quando o ouro começou a escassear, por volta de 1760, o ciclo cultural da região também entrou em declínio, mas foi quando o seu estilo característico, nesta altura já transitando para o Rococó, chegou à culminação com a obra de maturidade de Aleijadinho. A riqueza da região no século XVIII favoreceu ainda o surgimento de uma elite interessada em arte.

 

Bibliografia

Sites:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleijadinho#O_ciclo_mineiro

http://www.agencia.fapesp.br/materia/5369/noticias/jose-bonifacio-o-

http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc02/elemento.pdf

http://quimicanova.sbq.org.br/qn/qnol/1986/vol9n4/v09_n4_%20(1).pdf

 

Palavras-chave: Aleijadinho, Ciência no Brasil, José Bonifácio

Postado por Andre Batista Noronha Moreira em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 2 comentários

Novembro 07, 2010

default user icon

 

Policarpo Quaresma, a peça, apesar de causar risos aqui e ali, ao final me deixou um gosto de tristeza na boca. A politicagem barata, a corrupção e as soluções psicodélicas propostas por Policarpo são ainda hoje um retrato relativamente fiel do Brasil.

Não pude deixar de associar a peça ao filme Tropa de Elite. Ainda que possuam características muito distintas no que diz respeito às personalidades, Policarpo Quaresma e Capitão Nascimento se posicionam de maneira similar em relação ao País. Ambos procuram soluções para os problemas que assolam a sociedade, são incorruptíveis e encontram na política, ou nos políticos, seus grandes inimigos.

Os dois tentam, por assim dizer, fazer justiça com as próprias mãos – Policarpo com a agricultura e o Capitão Nascimento com o saco plástico – e ambos se sentem impotentes quando tentam combater os problemas se aliando ao Estado. Seria possível listar vários outros personagens semelhantes, tais como Ricardo e Matias ou Bustamante e Rocha.

Policarpo nasceu no início do século XX e Capitão Nascimento cerca de cem anos depois. A peça e o filme são ótimos, mas é uma pena que contem a mesma história.

 

Palavras-chave: Ciência no Brasil

Postado por Gabriel Glebocki em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 0 comentário

Outubro 30, 2010

default user icon

Saudações!

 

Hoje postaremos aqui uma singela menção àquele que foi e ainda é considerado o maior físico do Brasil: Mario Schenberg.

O texto a seguir é parte da introdução feita pela professora Amélia Império Hamburger em “Dois Textos de Mário Schenberg - Publicação da obra científica de Mario Schenberg”, Estudos Avançados, no. 44, Janeiro/Abril, 2002, e é a Apresentação do Volume I das “Obras Científicas de Mario Schoenberg”, Editora da Universidade de São Paulo, EDUSP, publicado em 2009.

 

Mario Schenberg nasceu em Recife, estado de Pernambuco, a 2 de julho de 1914(1). Mudou-se para São Paulo, em 1933, onde faleceu a 10 de novembro de 1990, reconhecido como cidadão paulistano pela Câmara Municipal. Viveu uma vida intensa, de atuação marcante nas décadas de grande efervescência cultural no Brasil dos anos trinta aos anos setenta, atuando diretamente na ciência, formação de cientistas e instituições, na política, na promoção e interpretação das artes e de artistas. Professor Catedrático da Universidade de São Paulo, desde 1944, estabeleceu a prática da física teórica e matemática no Brasil.

Individualidade forte, como cientista foi professor e pesquisador, formador de ambientes e de grupos de pesquisa no Departamento de Física da Universidade de São Paulo. Pertenceu, também, ao Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, CBPF, no Rio de Janeiro, nas décadas de 1950 e 60, onde deu cursos e participou de muitos seminários. Ao longo de carreira científica de mais de quarenta anos, freqüentou os mais avançados centros de pesquisa na Europa de antes e pós-guerra, nos Estados Unidos, no Japão, onde deu e assistiu conferências. Seus trabalhos científicos são inovadores no desenvolvimento de teorias matemáticas dos fundamentos da física, revelando novos aspectos conceituais e epistemológicos.

Seus interesses diversificados se manifestaram desde a infância. Guardava forte impressão das viagens que fizera com os pais à Europa, desde os oito anos de idade, o impacto da arquitetura gótica, das artes gráficas e o despertar do interesse pela história, que ficaram presentes e se desenvolveram durante a vida. Como jovem ginasiano já se envolvia na compreensão das condições humanas da vida social e política.

Fez os cursos primário e secundário em Recife onde, em 1931, iniciou seus estudos de Engenharia. É pioneiro do grupo de recifenses que se destacaram como cientistas nas áreas de física, matemática e química, no Brasil e no exterior. Eram estudantes de engenharia que representam, em sua trajetória científica, a orientação e estímulo do Professor Luiz de Barros Freire(2).

Transferiu-se, em 1933, para a Escola Politécnica em São Paulo e aí se formou Engenheiro Eletricista, em 1935. Formou-se também Bacharel em Matemática, na primeira turma da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em 1936. Viveu, pois, os primeiros anos da Universidade de São Paulo que se constituía então, reunindo, em 1934, as escolas de formação de profissionais liberais e técnicos e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, lugar da pesquisa científica e da formação de bacharéis, pesquisadores e professores dessas áreas do saber.

Mario Schenberg adquiriu formação matemática excepcional, por suas tendências e esforços pessoais e também pelas aulas e contatos com os professores italianos Luigi Fantappié e Giacomo Albanese, na Escola Politécnica e na Faculdade de Filosofia. Seus trabalhos científicos mostram poderosa percepção da física, intrinsecamente moldada em teoria matemática subjacente que conceitua a apreensão e interpretação fenomenológicas.

Gleb Wataghin, da Universidade de Turim e Giuseppe Occhialini, da Universidade de Florença, foram os professores italianos que formaram o Departamento de Física da Faculdade de Filosofia da USP, e implantaram uma tradição de manter contínuos contatos internacionais. Além dos Laboratórios italianos, com Enrico Fermi, G. Bernardini, B. Ferretti, ligavam-se ao Laboratório Cavendish, de Ernest Rutherford, Inglaterra, onde eram encontrados os grandes físicos ingleses, Powell, Blackett, Dirac, e seus visitantes, Bohr, Fermi, Pauli, Landau, Lifichtz, e outros. Os primeiros jovens colaboradores de Wataghin, Marcello Damy foi para a Inglaterra e Mario Schenberg para a Itália, no fim dos anos de 1930.

A convivência com Wataghin e Occhialini e com lideranças das pesquisas físicas da época, no exterior, possibilitou a transmissão aos jovens colaboradores brasileiros do interesse competente e ousado pelo exercício de pensamento original sobre questões fundamentais das teorias físicas dos anos trinta: as forças nucleares e as partículas elementares que as materializam. Pode-se dizer que a familiaridade com as partículas elementares e com os fundamentos da mecânica quântica e da relatividade proporcionou a imediata ligação com os neutrinos de Pauli e de Fermi, com os recém-concebidos mesons por Hideki Yukawa, e com os mecanismos das reações nucleares. Essas condições levaram a equipe de Wataghin e Occhialini, que se caracterizava, para o Professor Bernard Gross, do Rio de Janeiro, como a Escola de São Paulo (3) ao destaque internacional nos seus primeiros trabalhos, experimentais e teóricos, com Marcello Damy de Souza Santos, Paulus Aulus Pompéia, Mario Schenberg, Yolande Monteux, logo depois César Lattes, Walter Schützer, Abrahão de Moraes, Oscar Sala, e vários outros.

Sua carreira de docente e pesquisador se iniciou como preparador de demonstrações na Escola Politécnica e em seguida como assistente de Wataghin na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Aí, em 1944, realizou concurso e tornou-se professor catedrático de Mecânica Racional e Celeste. Nesse ano publicou livro de física elementar para o ensino médio (4).

Participou ativamente da abertura política do pós-guerra, tendo sido eleito suplente de deputado estadual pelo Partido Comunista Brasileiro para a Assembléia Constituinte do Estado de São Paulo, em 1946. Uma contribuição importante da bancada, liderada pelo economista e empresário Caio Prado Jr. foi, em 1947, a proposta e aprovação do Artigo 123 da Constituição Paulista que instituiu os fundos de amparo à pesquisa no Estado de São Paulo, que levou à fundação da FAPESP, anos mais tarde. Revelou-se, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, onde permaneceu por período curto, de alguns meses, um orador de argumentação poderosa que chegava a inverter a posição dominante dos deputados(5). Juntamente com os membros de sua bancada teve seu diploma cassado, e foi perseguido na Universidade. Occhialini, que voltara para a Inglaterra e depois tinha ido, juntamente com Connie Dilworth, para o Centro de Pesquisas Nucleares da Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica, convidou-o para se juntar a eles, para trabalhar como físico teórico do grupo de raios cósmicos do Laboratório.  As cartas, reproduzidas mais abaixo, mostram o período de saída do Brasil e os tempos de Bruxelas, muito bons para os trabalhos em física e para outros contatos.

Viajou muito pela Europa, ampliando seus conhecimentos não só sobre a arte européia, mas também sobre a arte dos países africanos e asiáticos expostas em museus europeus. Conviveu com artistas brasileiros em Paris, Candido Portinari, Mario Gruber, Carlos Scliar, Antonio Bandeira, tendo conhecido pessoalmente Picasso e Chagall(6).

De volta da Bélgica ao Brasil, foi Diretor do Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, de 1953 a 1961, numa profícua gestão, que ficou marcada pela criação de vários laboratórios. Organizou o laboratório de pesquisas em Estado Sólido e Baixas Temperaturas com a participação do professor John Daunt, inglês, na Universidade de Ohio, Estados Unidos, e de Newton Bernardes, Luiz Guimarães Ferreira, Carlos Quadros, Jorge Sussman, Nei Fernandes de Oliveira, e Adrian de Graaf, belga. Foram importantes os apoios do Reitor da Universidade de São Paulo, Professor Antonio Barros de Ulhoa Cintra, do CNPq, da FAPESP, e dos deputados Ulisses Guimarães e Lauro Monteiro da Cruz. O Laboratório hoje é diversificado nas pesquisas da Matéria Condensada, como é chamado o departamento. Está no prédio Mario Schenberg, na Cidade Universitária no campus de São Paulo. Faz parte do projeto de pesquisa de detecção do gráviton, partícula que materializaria o campo gravitacional, em colaboração com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com detector de grande sensibilidade. O detector chama-se Mario Schenberg.

Em 1960, convidou César Lattes para vir do CBPF, no Rio de Janeiro, para o Departamento de Física, em São Paulo, recriar um grupo da pesquisa em raios cósmicos, com emulsões fotográficas expostas em Chacaltaya, Bolívia. Hideki Yukawa, prêmio Nobel pela teoria que previu a existência do meson, participou da proposta de implantação, e foi ativo no estabelecimento e nas pesquisas no projeto de Colaboração Brasil-Japão. Vieram destacados físicos japoneses que deram importante contribuição. Matuo Taketani , Yoichi Fugimoto,  Shun-Iti Hasegawa, Yasuhisa Katayama, Tatouki Miyasima, Shin-Itiro Tomonaga, Daisuki Itô, Jun´ichi Osada, alguns dos quais deram também contribuição para reforçar a visão, no Departamento, da Física sempre ligada à Filosofia e à História. Muito bem montado, com boa equipe brasileira dedicada e interessada, quando Lattes foi para Campinas, depois de 1967, alguns dos integrantes foram com ele, outros organizaram aqui seus grupos de pesquisa, com muita competência e criatividade. O Laboratório de Raios Cósmicos na Colaboração Brasil-Japão, colaboração profícua que foi com César Lattes para a Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, perdura até hoje.

Teve atuação na compra do primeiro computador para pesquisa na Universidade, com professores da Escola Politécnica, entre eles Hélio Guerra Vieira. Deu apoio aos laboratórios de física nuclear de Marcello Damy e Oscar Sala, e procurou organizar um laboratório de semi-condutores com Rogério Cerqueira Leite que, mais tarde, se efetivou na UNICAMP. Foi um aglutinador da atuação de físicos de outros países que vieram a São Paulo. Promoveu a vinda de vários deles, Mario Bunge, Guido Beck, Gert Molière, e outros, além dos físicos da Colaboração Brasil-Japão, com quem mantinha grande  interação e colaboração.

Mario Schenberg foi preso, por vários meses, em 1964, quando da mudança de governo por golpe militar. Mas não demorou a voltar a dar aulas, dirigir seminários e outras atividades no Departamento de Física.  Até 1968 sua presença e atuação tiveram influência profunda, juntamente com outras lideranças universitárias, na criação de mentalidade avançada e formadora em pesquisa e ensino, na Faculdade de Filosofia, onde se estabelecia uma convivência e visão de universidade multidisciplinar.

Teve cassados seus direitos políticos e perdeu sua posição de professor e pesquisador, por dez anos, juntamente com outras lideranças universitárias do Brasil, por decreto federal de abril de 1969. As marcas dessas ausências são difíceis de serem avaliadas. As contribuições científicas desses pioneiros e suas propostas para a universidade, para a formação de pesquisadores, seu espírito não burocrático, não político-partidário na defesa das instituições, notadamente das universidades públicas, são posturas e mentalidades a serem compreendidas, hoje. Certamente era sua visão que as pesquisas fossem avaliadas pelas potencialidades de transformação das condições culturais do país, que se explicitam na prática e nos contextos da universidade e fora dela.

Depois de cassado, durante os anos de 1970, Mario Schenberg sofreu perseguições e ameaças à integridade física, invasão à sua casa, publicações ameaçadoras em jornais, que atingiam outros membros da comunidade universitária em São Paulo. Meados dos anos 70 foram de violência explícita de órgãos de segurança, ilegais, mesmo dentro do governo militar. São essas as violências que calam fundo nas relações sociais da convivência diária e impedem a formação de uma consciência coletiva livre para se manifestar.

Estava, nesse período, impedido de freqüentar a Universidade, mas dela participou com sua ciência. O endereço de referência era o de sua residência. Menciona seu isolamento e sua criatividade nesses anos de 1970, em carta a Clarice Lispector(7) .

"Desde 1970, minha situação geral se modificou bastante, em conseqüência do isolamento em que passei a viver, como resultado de minha aposentadoria e da impossibilidade de exercer a crítica de arte militante. Foi um desafio tremendo, mas creio que pude reagir de um modo criativo, não só retomando com maior energia as pesquisas anteriores sobre teoria da Gravitação e o problema das relações entre Física e Geometria, como também fazendo estudos filosóficos mais sistemáticos. Publiquei três  trabalhos longos de Física, e aprofundei bastante o meu pensamento sobre Arte. Agora estou escrevendo um pequeno ensaio sobre a crise atual das artes plásticas, que talvez seja um ponto de partida para um ensaio mais longo".

Nessa época, Schenberg idealizou uma instituição universitária, um Instituto de Estudos Avançados. Propôs que tivesse em estatuto a liberdade de produção e de interações entre pesquisadores, nos moldes do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, que conhecera em 1941-1942, nos Estados Unidos. Seria também um lugar que agregasse pesquisadores atuantes, também aposentados, compulsoriamente ou não.

Ajudou a fundar a Sociedade Brasileira de Física, a SBF, em 1966, tendo sido eleito conselheiro por várias gestões. Foi presidente da SBF, em 1978, numa gestão que enfocou a resistência ao Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, estabelecido pelos governos militares, com premissas dúbias em relação ao aproveitamento da energia nuclear para fins pacíficos.

Voltou à Universidade em 1979 e deu alguns cursos de pós-graduação e ainda a disciplina de “Evolução dos Conceitos da Física”, em 1983. A partir de suas aulas foi editado o livro “Pensando a Física”.(8) Essa era uma das disciplinas que atestam a preocupação de Wataghin e Schenberg com o ensino, com a compreensão da física inserida na história, nas possibilidades das técnicas disponíveis para a observação e conceituação de seus fenômenos.

Ganhou, em 1983, o Prêmio do Conselho Nacional de Pesquisas, para Ciência e Tecnologia. Mario Schenberg tinha claro a importância de desenvolvimento tecnológico. Uma sua idéia, insistente, era a criação de carreira e de formação do engenheiro-físico.

Foi homenageado, em 1984, com um Simpósio Internacional, pelos setenta anos de vida. O Professor Guido Beck, seu amigo e companheiro de longa data, veio do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, com a finalidade de nos alertar para a data. Reuniu-se, então, uma comissão de ex-alunos e colaboradores para organizar várias homenagens (9).

O momento do Simpósio em Homenagem aos 70 Anos de Mario Schenberg nos pareceu que o Instituto de Física recuperava uma verdadeira vida acadêmica e se unia na atividade que o caracteriza, juntamente com colegas do Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e outros estados brasileiros.  A obra de Mario Schenberg e seu papel na origem na física brasileira se fez sentir com força nas apresentações por jovens e antigos pesquisadores, feitas 50 anos após a criação do Departamento de Física. Os debates e mesas redondas com outros pioneiros da física brasileira foram sensibilizadores desse momento de retomada e de reconstrução da memória.

Além do Simpósio, cujas atas foram publicadas pela Universidade de São Paulo, foi também organizado um Número Especial da Revista Brasileira de Física da Sociedade Brasileira de Física(10) com contribuições de muitos alunos e colaboradores, nacionais e estrangeiros.  Outras publicações foram organizadas. Há muitas entrevistas com pessoas que conheceram Mario Schenberg, colegas, amigos, estudantes, artistas, escritores, que dão interessantes visões de sua personalidade. Há também registro de “Diálogos com Mario Schenberg” que também têm essa intenção, e a de homenageá-lo por ocasião dos setenta anos(11).

Depois de 1990, foi realizada, em São Paulo, uma Exposição "O Mundo de Mario Schenberg" sobre sua vida e suas atividades, de grande abrangência e significado (12). Atualmente há núcleos universitários de estudos sobre Mario Schenberg (13).

 

 

(1) Há informação segura – depoimento, documentos (Arquivo Mario Schenberg, Departamento de Física Geral, Instituto de Física, USP) e informação da família (a Dina Kinoshita) – que Mario Schenberg nasceu em 1916. Seu pai alterou a data de nascimento para 1914 para que o menino pudesse entrar na escola mais cedo do que a idade obrigatória.

(2) Luiz Freire foi um dos pioneiros da prática de um pensamento próprio sobre as modernas teorias da física e da matemática, fundador de instituições que hoje dão sustentação à pesquisa científica no Brasil, o CNPq, e o Instituto de Física da Universidade Federal de Pernambuco. Ver S. Schwartzman, Um Espaço para a Ciência: A Formação da Comunidade Científica no Brasil, Ministério de Ciência e Tecnologia, Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e Centro de Estudos Estratégicos,  Brasília, 2001, pp. 229-230; Ivone Freire M. e Albuquerque e Amélia Império Hamburger Retratos de Luiz de Barros Freire Como Pioneiro da Ciência no Brasil, Ciência e Cultura, 40, 9; 857-881, 1988.

(3) Bernard Gross em “O Desenvolvimento da Física em São Paulo”, Revista de Química Industrial, São Paulo, 1954.

(4) Física para o 1º. Ano do Curso Colegial, 1944, Editora Nacional

(5) Projeto de Dina Lida Kinoshita. 1. Coletânea de intervenções de Mario Schenberg, Assembléia Legislativa, 1947-1948; 2. Entrevistas com companheiros de partido: gravadas, transcritas. Cópias no Arquivo Mario Schenberg, Departamento de Física Geral, IFUSP.

(6) Currículo Artístico (Autobiográfico): Encontro com Mario Schenberg, (MEC/Secretaria da Cultura, Fundação Nacional de Arte e Instituto Nacional de Artes Plásticas, [1983] Arquivo Mario Schenberg, Departamento de Física Geral, IFUSP.

(7) Carta a Clarice Lispector,  Arquivo Mario Schenberg, Departamento de Física Geral, Instituto de Física, USP.

(8) Pensando a Física - Mario Schenberg; Organizado e editado por Amélia Império Hamburger e José Luiz Goldfarb, com a participação de alunos do curso e revisão do Professor Schenberg. Inicialmente pela Editora Brasiliense (1ª. e 2ª. Edições), pela Editora Nova Stella (3ª. e 4ª. Edições), e em 5ª. Edição pela Editora Landy, em 2002.

(9) Comissão Organizadora da Homenagem: Alberto L. da Rocha Barros, Amelia Imperio

Hamburger, Carmen L.R. Braga, Elly Silva, Ernst W. Hamburger (Coordenador), Gita K. Guinsburg, Ivan Ventura, Kazuo Ueta, Mauro S. D. Cattani, Normando C. Fernandes, Silvio R. A. Salinas, José L. Goldbarb (estudante).

(10) Perspectivas em Física Teórica, Anais do Simpósio de Física, Homenagem ao 70o.

Aniversário do Professor Mario Schenberg, Alberto L. Rocha Barros (Org.) Ed. Instituto de Física,

Coordenadoria Cultural da Universidade de São Paulo, 1987.

       Revista Brasileira de Física, Volume Especial, Os 70 Anos de Mario Schönberg, Sociedade

Brasileira de Física, julho, 1984 Comissão Editorial N.C.Fernandes (Coordenador) M. Cattani, I.

Ventura, K. Ueta e S.R.A.Salinas

(11) Mário Schenberg: Entre-Vistas, Gita K. Guinsburg e José Luiz Goldfarb (Org.), Instituto de Física/USP e Editora Perspectiva, S.P.,1984, pg.75 e Diálogos com Mario Schenberg, J.L. Goldfarb (Org.) Ed. Nova Stella

(12) A Exposição da Casa das Rosas, sob a coordenação de José Roberto Aguilar – se constituiu como um retrato de Mario Schenberg a muitas dimensões. Ver O Mundo de Mario Schenberg, Catálogo de Exposição na Casa das Rosas, São Paulo, s/d [1998] Alguns documentos dessa exposição estão guardados no Arquivo Mario Schenberg do Departamento de Física Geral do Instituto de Física.

(13) Departamento de História da Ciência, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob a direção de José Luiz Goldfarb; Centro de Pesquisa em Artes, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, sob a direção de Elza Ajzemberg.

 

Retirado de http://pion.sbfisica.org.br/pdc/index.php/por/Fisicos-do-Brasil-Mem acessado dia 30/10.

 

 

Postado por Andre Batista Noronha Moreira em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 3 comentários

Outubro 27, 2010

default user icon

Saudações!


No último dia 23, visitamos o Pátio do Colégio, no centro antigo da cidade de São Paulo. Pudemos resgatar uma parte da história do prédio visitando a cripta do Museu Anchieta, assim como respirar o passado em meio a registros em papéis e mapas, expostos logo ali perto da entrada. Também era possível entristecer, ao ver a beleza da manutenção do passado e do prédio do Pátio do Colégio concomitante com o estado deplorável e infeliz do centro velho da cidade: somente sendo um cego para não perceber o desastre social.

Enfim, entre tanto debates possíveis, trazemos aqui, de forma rápida e singela, uma curiosidade histórica. O Pátio do Colégio passou por várias fases em sua história, principalmente em paralelo com mudanças políticas e religiosas em nosso país. Em especial, no final do século XIX, logo após a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal, o Pátio do Colégio passou a ser uma espécie de sede administrativa, passando a ser chamada Largo do Palácio. Temos um relato interessante sobre este período, nas palavras de Cylaine Maria das Neves, no livro A vila de São Paulo de Piratininga: fundação e representação:

A pequena casa de palha - com porta de esteira de canas, que serviu de templo e de abrigo para os padres - ruíra com a expulsão dos jesuítas em 1640; quando os inacianos puderam voltar, em 1653, reconstruíram a velha escola pela quarta vez. Neste ano de 1699, a nova igreja, com torre, de taipa, pedra e cal, ficou pronta.

Durante o século XVIII, a cidade cresceu e ganhou diversidade, enquanto os jesuítas eram definitivamente expulsos e todo o país em 1759. Com a saída da Companhia de Jesus, o governador Morgado de Mateus transferiu a administração oficial para o Colégio.

Em 1765, o espaço passou a pertencer ao governo. Chamado a partir de então de Largo do Palácio, o Pátio agora abrigava o Palácio dos Governadores, que teve o acréscimo de mais uma ala, que fechou o conjunto. Em 1770, acolheu a sessão inaugural da Academia Paulista e Letras, tornando-se um centro cívico e cultural.

Traremos agora outra ponta histórica.

Os motivos da vinda da família real portuguesa para terras brasileiras no início do século XIX são razoavelmente claras: tratou-se de uma fuga da expansão napoleônica, que tomava a europa continental com incrível força militar e política - talvez seja interessante comentar que o parte do poderio francês era devido ao empenho de engenheiros e construtores, entre eles o jovem Sadi Carnot, no desenvolvimento de máquinas para fins militares. Com a proteção de navios ingleses durante a longa viagem pelo Atlântico, a Família Real Portuguesa e a sua Corte de nobres e mais servos destes (inicialmente 15 mil pessoas) se radicaram no Brasil, entre 1808 e 1820.

Entre este povo todo, havia três figuras importantes: dois naturalistas alemães, Johann Baptist von Spix (1781-1826) e Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), e um pintor austríaco, Thomas Ender (1793-1875). Em 1817, von Spix, von Martius e Ender foram convidados para realizar uma expedição no Brasil, com o objetivo de descrever a fauna e flora deste país. A viagem terminou em 1820 e Spix voltou para a Europa com cerca de 9.000 espécimes de plantas e animais, incluindo mamíferos, aves e anfíbios. O conjunto foi a base da coleção do Museu de História Natural de Munique. A obra foi publicada com o nome de "Viagem pelo Brasil 1817-1820".

von Spix, von Martius e Thomas Ender

Cabe a pergunta: o que exatamente estes três alemães têm a ver com o Pátio do Colégio? Cylaine nos ajuda responder, em seqüência a citação que fizemos anteriormente:

Com o desenvolvimento dos serviços públicos, foi necessário executar reformas no prédio. Em 1818, a missão científica de Spix e Martius visitou São Paulo, e Thomas Ender realizou o primeiro registro iconográfico do Pátio.

Abaixo temos a releitura de Wasth Rodrigues sobre o desenho de Thomas Ender. A pintura faz parte do acervo do Museu Paulista da USP.

Por fim, seria interessante discutirmos um pouco sobre as motivações desses alemães em fazer este enorme trabalho de registro e sistematização. Como descrevemos, von Spix e von Martius, eram naturalistas, e em termos de movimentos de pensamento do início do século XIX, podemos encaixá-los no movimento filosófico do Romantismo alemão, iniciado no fim do século XVIII pelas figuras de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) e Friedrich von Schelling (1775-1854). Participantes/simpatizantes o movimento ficaram conhecidos como "filósofos naturais".

Sobre o Romantismo alemão, nos diz o historiador alemão Rüdiger Safranski (tirado de http://blogdofavre.ig.com.br/2010/04/o-ideal-e-o-romantico-cetico ):

O Romantismo alemão por volta de 1800 foi uma inovação no pensamento, quase uma revolução mental. Seu foco estava na descoberta da riqueza subjetiva - fantasia, sonhos, o subconsciente, especulações filosóficas e reflexão, afeição à natureza, etc. Tudo isso aconteceu durante e após a Revolução Francesa, que trouxe uma emancipação subjetiva, no sentido político. Uma revolução política dessa forma não ocorreu na Alemanha feudal fragmentada e provinciana. Em vez da revolução política ocorreu a revolução mental ou do pensamento. O Romantismo transferiu então essas novas qualidades sentimentais também para a nação e o povo, no progresso da história. Os românticos começaram a juntar músicas populares e contos de fadas. Depois de terem descoberto o inconsciente do indivíduo, eles também queriam se aproximar do inconsciente coletivo, dos sonhos e das fantasias do povo. Desta forma, eles criaram um consciente da identidade nacional. Mas, em geral, eles ainda não eram nacionalistas. Isso veio bem mais tarde.

Em especial, o Romantismo alemão foi essencial para um dos episódios mais importantes da História da Física Clássica: a construção do Princípio Universal da Conservação da Energia.

O médico e físico alemão Julius Robert von Mayer (1814-1878) foi fortemente influenciado pela escola filosófica naturalista alemã, também conhecida como Naturphilosophie. Mayer chegou, pouco antes de James Prescott Joule, no que hoje chamamos "equivalente mecânico", ou matematicamente 1 cal = 4,186 J; aparentemente, devido a seu envolvimento com os filósofos naturais, não foi reconhecido como devia, e Joule ficou pra história como "descobridor" da equivalência calor=energia.

Para nos ajudar, citaremos aqui um trecho do capítulo "Energia" da tradução do Projeto Física, da Universidade de Harvard, desenvolvido em meados do século passado:

Á primeira vista, poderia parecer que a filosofia natural tinha pouco que ver com a lei da conservação da energia; aquela lei é prática e quantitativa, enquanto que os filósofos naturais tinham tendência para ser qualitativos e especulativos. Contudo, na sa persistência em procurar a realidade subjacente da natureza, os filósofos naturais influenciaram, na verdade, a lei de conservação da energia. Acreditavam que os vários fenômenos da natureza - gravidade, eletricidade, magnetismo, etc, - não estão realmente separados uns dos outros, mas são simplesmente manifestações diferentes de uma "força" básica. Ao encorajar cientistas a procurar relações entre "forças" diferentes (ou, em termos modernos, entre diferentes formas de energia), os filósofos naturais estimularam as experiências e as teorias que conduziram à lei de conservação da energia.

Afirmavam que a natureza podia ser explicada, como "realmente" é, somente pela observação direta, sem mecanismos complicados e "artificiais", apenas utilizando sentimentos e intuições. Goethe e Schelling eram ambos muito interessados pela ciência e pensaram que a sua filosofa pode servir de guia para a descoberta de um significado oculto, interno da natureza. Para Goethe o objetivo era "Que eu possa detectar a força mais secreta que amarra o mundo e guia o seu curso".

Na altura em que a conservação da energia foi estabelecida e geralmente aceita, a filosofia natural já não era popular. Os cientistas que tinham sido previamente influenciados por ela, incluindo Mayer, opunham-lhe agora fortemente. De fato, a princípio alguns cientistas renitentes duvidaram da lei de conservação da energia simplesmente por não aceitarem a filosofia natural (...)

Contudo, a lei de conservação da energia foi rapidamente e com tanto sucesso posta em uso em física, que as suas origens filosóficas foram depressa esquecidas. Este episódio recorda-nos uma lição que aprendemos antes: no trabalho do dia a dia dos cientistas, a experimentação e a teoria matemática são os guias habituais. Mas ao proceder-se a um avanço verdadeiramente importante na ciência, a especulação filosófica também desempenha muitas vezes um papel importante.

Esta curiosa interligação entre o restauramento do prédio do Pátio do Colégio e o romantismo alemão trás luzes de um rico e interessantíssimo período histórico não somente para o Brasil como também para o mundo ocidental, seja no âmbito científico como social.

Bibliografia

Biografias de von Spix, von Martius, Thomas Ender, J.R. Mayer, Goethe e Schelling, tiradas do site Wikipedia.

 

Sobre a iconografia de Thomas Ender: http://redalyc.uaemex.mx/pdf/273/27300704.pdf

Sobre a missão científica de von Spix e von Martius: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=14&id=128

Entrevista com Rüdiger Safranski: http://blogdofavre.ig.com.br/2010/04/o-ideal-e-o-romantico-cetico/

Neves, Cylaine Maria das. A vila de São Paulo de Piratininga: fundação e representação. São Paulo, Annablume; Fapesp, 2007.

Holton, Gerald & Rutherford, James. Projeto Física (Projeto Harvard de Ensino de Física)

 

Palavras-chave: Ciência no Brasil, Missão Científica, Pátio do Colégio, Romantismo alemão, Thomas Ender, Viagem ao Brasil, von Martius, von Spix

Postado por Andre Batista Noronha Moreira em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 2 comentários

default user icon

O que significa a expressão fazer o triângulo?? Qual a sua origem?

 

Essa expressão já ouvida quando passamos nas ruas do centro e conversamos com o pessoal que vive ali há tempo, muitas vezes nos passa despercebida.

O triângulo foi onde, basicamente, nasceu a cidade de São Paulo. Essa região emgloba a aréa que é delimitada pelas Ruas São Bento, Rua da Direita e 15 de Novembro. Essas ruas eram tão curtas que, a necessidade de um meio de transporte nessa região só veio ao auge em 1872, quando foi inaugurada a primeira linha de bondes puxados por animais.

Consideradas estreitas até para os padrões de construção da época, com o passar do tempo, as “Ruas do Triângulo” se transformaram, naturalmente, em ruas estritamente para pedestres.

Durante o governo de João Teodoro (1872-1875), foi feito o calçamento das ruas da região, uma novidade então na época, abrangendo também o Largo do Rosário e a Praça da Sé.

O Triângulo acabou virando uma região de passeio. A expressão “fazer o Triângulo” acabou denominando o passeio de grupos de rapazes saindo do Largo São Bento, avançando pelas Ruas 15 de Novembro, Direita e São Bento, enquanto as moças faziam o trajeto inverso.

Em virtude de seu formado arcaico das artérias do Centro antigo, o cruzamento entre a Rua São Bento e a Rua Direita foi chamado de “Quatro Cantos”.

Hoje nno entanto, quando andamos por essa região, nos deparamos com um visual muito diferente do que parece ser descrito pelos comentários da época. Essa região encontra-se atualmente bastante depretada, com contruções abandonadas e muita poluição, tanto sonora quanto visual. A sensação que tenho quando ando por essas ruas nos dias atuais é de um completo abandono. O que nos levará, caso não seja tomada nenhuma providência, a um perda de uma região que fez parte do nascimento da nossa cidade. Onde se encontram contruções históricas, mas que no entanto, estão completamente tomadas por pixações.

Palavras-chave: Ciência no Brasil, fazer o triângulo., pátio do colégio

Postado por Suelen Fernandes de Barros em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 1 comentário

Outubro 14, 2010

default user icon

Saudações!

 

Hoje faremos uma breve discussão sobre o início da física nuclear no Brasil, mais especificamente, os primeiros vinte anos. E quem vai nos guiar nesta viagem serão as palavras do físico brasileiro José Leite Lopes, falecido recentemente (2006), através de um trecho de seu livro Uma História da Física no Brasil, no capítulo Os primeiros vinte anos da física nuclear no Brasil 1935-1954.

José Leite Lopes

Nascido em Recife em 1918, José Leite Lopes trabalhou com Pauli em Princeton, foi espectador privilegiado do desenvolvimento da energia nuclear e, em 1946, do debate caloroso que gerou a explosão da bomba atômica sobre o Japão. Professor de Física Teórica da Faculdade Nacional de Filosofia desde 1946, só deixou o cargo quando de sua cassação pelo regime militar, em 1969. Diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) entre 1960 e 64, demitiu-se do cargo também por conta das arbitrariedades comuns na época. Foi para a França, mas voltou em 1967, atendendo a apelos dos estudantes cariocas. "Era um período de tentativa de restauração da democracia, que durou apenas até o AI-5", ele avalia. Exilado, Leite Lopes esteve em Pittsburgh, nos Estados Unidos, onde "não quis ficar", e em Estrasburgo, onde permaneceu até 1986. Entre os seus trabalhos originais em pesquisa e filosofia da ciência, está o que predisse a existência do bóson Z0 e a unificação das forças eletromagnéticas e as forças fracas, de 1958. Foi autor de importantes livros, adotados internacionalmente, como Fondements de la physique atomique (1967), Lectures on symmetries (1969) e Gauge field theories (1981). Obteve o título de professor emérito das universidades de Estrasburgo, do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.

Vamos então a citação:

 

Os trabalhos de pesquisa sobre problemas da física moderna radiação cósmica, física atômica e nuclear tiveram início no Brasil, de maneira sistemática, após a criação, em 1934, da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da Universidade de São Paulo. Esta faculdade começou bem. Contratou cientistas estrangeiros, em plena atividade científica, para que organizassem seus Departamentos. Deulhes condições satisfatórias de trabalho: bibliotecas e laboratórios equipados, fixação de vencimentos tais que os professores e pesquisadores pudessem trabalhar exclusivamente nos seus laboratórios da Universidade. Insisto neste ponto: sem o regime de tempo integral, fixado em bases sensatas, é muito difícil para os pesquisadores de uma instituição realizarem, com plenitude, seus trabalhos de pesquisa e criação.

Em 1935, aparece publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, uma nota de Gleb Wataghin no qual ele apresenta e discute algumas propriedades das partículas elementares vários meses depois de organizado, sob sua orientação, o Departamento de Física daquela Faculdade. Em 1936 e 1937, dois de seus discípulos, Mario Schenberg e Marcelo Damy de Souza Santos, publicam seus primeiros trabalhos, um sobre orientação de elétrons, no "Nuovo Cimento", o outro sobre contadores de partículas elementares, nos Anais da Academia Brasileira de Ciências. Gradualmente, aparecem novas publicações sobre técnicas de detecção de partículas, radioatividade e radiação cósmica.

No Rio de Janeiro, os primeiros trabalhos sobre radioatividade são publicados, em 1940, nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, por Costa Ribeiro, que começava a organizar os laboratórios de Física da Faculdade Nacional de Filosofia, criada em 1939, na Universidade do Brasil. A criação dessa Faculdade não obedeceu a plano análogo ao que orientou a organização da Faculdade de São Paulo. Decorreu antes de uma tentativa de transplantação para a Universidade Federal daquela que fora fundada com êxito por Anísio Teixeira na Prefeitura do Distrito Federal a famosa U.D.F de 3935 como um sério esforço no sentido de plantar no Rio de Janeiro uma escola de altos estudos e pesquisa científica. Mas enquanto em São Paulo, a escolha dos professores estrangeiros de física e matemática havia sido confiada a Teodoro Ramos, matemático ilustre e professor em contato com a tendência de pesquisa na Europa àquela época, no Rio de Janeiro a administração federal "escolhia" professores estrangeiros de física e matemática para organizar os Departamentos correspondentes da Faculdade Nacional de Filosofia, através de negociações diplomáticas...

Enquanto em São Paulo o trabalho de Wataghin encontrava apoio nas autoridades universitárias e assim frutificava, no Rio de Janeiro não se compreendia a necessidade de atribuir à Faculdade Nacional de Filosofia as dotações necessárias para o aparelhamento dos laboratórios e da biblioteca. A Fundação Rockfeller para citar um exemplo típico contribuía com doações para os Departamentos científicos da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, mas no Rio de Janeiro eram frustrados os esforços no sentido de obter-se ajuda análogo por não estarem os professores em regime de tempo integral  e os órgãos competentes negavam a concessão deste regime aos que o solicitavam.

Em 1946, iniciaram-se no Rio de Janeiro investigações sobre a teoria das forças nucleares e a teoria dos mésons, datando de 1944 as primeiras publicações sobre esses problemas nos Anais da Academia Brasileira de Ciências. No domínio da física experimental passaram as pesquisas realizadas por Gross, Costa Ribeiro e colaboradores, a concentrar-se no domínio dos dielétricos.

Em 1936 e 1941, formavam-se, na Faculdade de Filosofia de São Paulo, duas equipes: a de físicos teóricos, que trabalhavam na teoria quântica do elétron, mecânica quântica e teoria da radiação cósmica; e a equipe experimental que fazia investigações sobre a radiação cósmica: Souza Santos, Pompéia e Sala. 

Com a instalação do Betraton, em 1951, pela equipe de Souza Santos e com a do Gerador Eletrostático, em 1954, pela equipe de Oscar Sala, começou no Brasil a fase propriamente dita da física nuclear experimental. Em 1952,foram apresentados os primeiros trabalhos de ambos os grupos no Simpósio Internacional sobre Novas Técnicas de Pesquisa em Física.

 

Bibliografia:

Uma História da Física no Brasil, LOPES, José L.

Biografia de José Leite em http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/txt.php?id=64

 

Palavras-chave: Ciência no Brasil, Física Nuclear, História da Física no Brasil, Jose Leite Lopes

Postado por Andre Batista Noronha Moreira em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 1 comentário

<< Anterior