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Outubro 15, 2010

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 "Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira - mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum."

De qual de nossos heróis (ou anti-heróis) é a frase?

Lima Barreto (1881-1922)

Mulato, órfão de mãe aos seis anos, o pai doente mental, alcoólatra e sem estabilidade financeira. Vive no Rio de Janeiro.

 Aluno brilhante, afasta-se da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, quando o pai adoece, para trabalhar como amanuense na Secretaria da Guerra.

Em 1911 publica Triste Fim de Policarpo Quaresma em folhetim Em 1916, custeia sua publicação em livro.

Em 1914, sofreu sua primeira internação, num hospício.

 

Uma opinião:

“O major Policarpo Quaresma é um sonhador. Um visionário que ama o seu país e deseja vê-lo tão grandioso quanto, acredita, o Brasil pode ser. A sua luta se inicia no Congresso. Policarpo quer que o tupi-guarani seja adotado como idioma nacional.”

 

Outra opinião (sobre Lima Barreto):

 “Seus tipos são variáveis, incertos, humanos, ilógicos, e traduzem, com perfeição, o caleidoscópio da existência, rebelde a leis, insubmissa a traçados, indo e vindo a mercê dos fatos, como estes galos de torre de igreja, móveis com o sopro dos ventos de todas as direções." 

 

No teatro

 Antunes alinhava uma peça onde o Brasil-que-agora-vai (da República recém-fundada)

 

pisca para com desconfiança para o Brasil-que-agora-acha-que-está-indo (de hoje).

 

Antunes faz dançar nossas ingênuas crenças, utopias, o bonito sonho lesado de Policarpo na ironia difícil de Lima Barreto.

 

 

Monteiro Lobato (1882-1948)

"A Lobato deve muito o Brasil. Em primeiro lugar o exemplo magnífico e raro do intelectual que não se vende e não se aluga, não se coloca a serviço dos poderosos ou dos sabidos. Depois, foi ele um homem de ação e um descobridor. Devem-se a ele a campanha do livro e a campanha do petróleo. Foi ele o criador da nossa literatura infantil"
Oswald de Andrade

"A figura de Monteiro Lobato há de guardá-la não apenas a história literária do Brasil, mas a própria história do povo e da nacionalidade brasileira: aquela história que às vezes é escrita com sangue. "  Gilberto Freire 

Em 1900, quando cursava a Faculdade de Direito ( a USP nem existia!), o paulistano se divertia mesmo era “fazendo o triângulo”.

Que triângulo será este, paulistanos de 2010?

No mesmo ano, Lobato discursa na fundação do centro acadêmico (então associação acadêmica): “O vil mercantilismo invade todas as esferas sociais. O Ideal, com maiúscula, desapareceu com a realização de dois grandes ideais de outrora – o 13 de Maio e o 15 de Novembro. E vós bem sabeis que sem um ideal, sem um fito, sem um destino, uma geração não pode progredir.”

Nacionalismo e sonho?

A Companhia Petróleos do Brasil foi incorporada por Monteiro Lobato, Manequinho Lopes e L. A. Pereira de Queiroz em 1931, e foi autorizada a funcionar 17 de maio de 1932 pelo decreto 21.415. Em agosto desse mesmo ano deu início às prospecções de petróleo no campo de Araquá (hoje no município paulista de Águas de São Pedro). Graças ao prestígio de Lobato a sociedade anônima, no seu lançamento, teve a metade de suas ações subscritas pelo público em menos de quatro dias.

 

Um outro Policarpo Quaresma?

 

A política oficial do governo brasileiro dizia e redizia que no Brasil não podia haver petróleo. Se houvesse algum, os americanos, espertos como eram, já o teriam descoberto, argumentavam os líderes empresariais brasileiros, à época. Monteiro Lobato pensava diferente. Ele achava que o ferro (aço) e o petróleo, que eram a base da prosperidade norte-americana, também poderiam ser a do Brasil.

 

 

 

Capitão Nascimento (em 2010)

 Só, contra os males que assolam o país, desde o tempo de Policarpo...como Policarpo?

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 "Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira - mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum."

Palavras-chave: ciencia e sociedade

Postado por Vera Bohomoletz Henriques em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP) | 1 comentário