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novembro 09, 2011

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A ciência deve apenas descrever o que é observável, ou deve
lançar hipóteses sobre a realidade que estaria por trás dos
fenômenos?

Uma distinção epistemológica fundamental, que aparece frequentemente em controvérsias científicas, é aquela entre “realismo” e “fenomenalismo”. Sucintamente, o realismo defende que a ciência pode fazer afirmações sobre entidades ou leis inobserváveis, ao passo que o que chamamos de fenomenalismo defende que a ciência só deve se ater ao que é observável ou mensurável. Esta discussão é às vezes chamada da questão do “estatuto cognitivo das teorias científicas”.12 A melhor maneira de guardar o significado do termo “realismo” é lembrar que se trata de um “realismo de inobserváveis”: a tese de que a ciência pode se referir a coisas que se considera que nunca serão observadas. Vários nomes são associados à negação do realismo, como “instrumentalismo” e “positivismo”. Aos poucos iremos definindo melhor
esses conceitos, e esclarecendo porque usamos o termo “fenomenalismo” como sinônimo de anti-realismo (englobando assim os outros termos como casos particulares). O realismo é a tese de que uma teoria bem confirmada deve ser considerada literalmente verdadeira ou falsa, no mesmo sentido em que um enunciado particular é considerado verdadeiro ou falso. Assim, (1) as entidades postuladas pela teoria teriam realidade, no mesmo sentido em que objetos cotidianos são reais, mesmo que elas não sejam observáveis (como “quarks”, “cordas” ou “partículas virtuais”); (2) as leis teóricas e
princípios gerais seriam verdadeiros ou falsos, exprimindo a estrutura da realidade. Porém, como as teorias científicas geralmente envolvem aproximações ou simplificações, deve-se entender a verdade através da noção de “verdade aproximada” ou do conceito de “verossemelhança”.
O fenomenalismo é a tese de que uma teoria científica refere-se apenas àquilo que é observável, ou seja, ao “fenômeno”, em oposição ao “númeno” ou “coisa-em-si”, que estaria para além do alcance da razão pura (como colocava o filósofo Immanuel Kant). Em outras palavras, para o fenomenalismo não faz sentido afirmar que um termo não-observacional (como quark, etc.) corresponda a uma entidade real.

 

Palavras-chave: Ciência e Filosofia

Postado por Maristela do Nascimento Rocha em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP)

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