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agosto 31, 2011

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A VIDA E A TRAJETÓRIA DO CAVALHEIRO BASÍLIO JAFET (1866 - 1947)

 

Basílio Jafet nasceu no dia 21 de setembro de 1866, na pitoresca aldeia montanhosa de Shweir, Líbano, tendo se mudado para Beirute, quando o pai Professor Chedid Jafet Tebecherani assumiu um cargo na Escola Ortodoxa das Três Luas. Como o pai faleceu jovem aos 45 anos, coube à esposa Otroch Faraj Jafet a criação dos filhos Nami, Benjamim, Basílio, Miguel, João e Hala.

Seus pais legaram-lhes uma sólida educação, que possibilitou a Basílio deixar o Líbano, em 17 de janeiro de 1888, aos 22 anos, em direção ao Brasil. Na América, buscava as oportunidades e os desafios que o novo continente podia oferecer. Chegou ao Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, e começou a trabalhar com o comércio de varejo pelo interior, para depois concentrar suas atividades no atacado. Por onde passava, era muito querido e conseguia arregimentar amigos. Elegante e bem apessoado, tinha o tino comercial dos fenícios no sangue.

Mais tarde, antevendo a grandeza de São Paulo, elegeu a cidade como residência e centro de sua vida comercial. Em 1893, seu irmão primogênito Nami Jafet (diretor e professor da Escola das Três Luas) também vem ao Brasil e funda com ele, Benjamim e João a sociedade comercial “Nami Jafet e Irmãos” na Rua 25 de Março. O empreendimento teve pleno êxito e, em 96, mudaram-se para a Rua Florêncio de Abreu, 37, onde os negócios expandiram-se (tecidos, armarinhos e produtos agrícolas como cereais e fumo eram comercializados) e onde, também residiram.

Saudoso de sua pátria, Basílio Jafet decidiu visitá-la em 1901, dez anos depois de sua partida. De volta à Beirute conheceu a família de Demétrio Nami Mokdessi. A família ficou muito impressionada com a firmeza de caráter, educação e generosidade daquele homem. Adma, a filha do casal, que se fazia notar pela cultura (falava também o russo) e personalidade marcante, tornou-se sua esposa em agosto daquele mesmo ano. Depois de dois meses em lua de mel pelo Líbano e de um tempo de permanência em Paris, ele voltou ao Brasil acompanhado da jovem esposa que tinha 16 anos na época. Desta vez, para ficar. Tomou a decisão depois de analisar a situação econômica e comercial de seu país.

Em 1906, Nami Jafet & Irmãos adquiriram uma grande área de terrenos no bairro do Ipiranga e lá construíram a S. A. Fiação, Tecelagem e Estamparia Ipiranga Jafet, que ocupava uma área de 100 mil metros quadrados, confeccionava 5 milhões de metros de tecidos e construiram 320 residências para as famílias dos
operários. A fábrica foi, sem dúvida, a responsável pela pujança e desenvolvimento do Ipiranga.

Sua esposa, Adma - também empreendedora e visionária - fundou em 1921 a Sociedade Beneficente de Senhoras do Hospital Sírio-Libanês, que deu origem e até hoje é a mantenedora do Hospital Sírio-Libanês, um dos mais conceituados da América Latina. Queria uma instituição de saúde que atendesse todas as classes sociais sem distinção e “que os ricos pagassem pelos pobres”.

Basílio e Adma tiveram duas filhas Violeta e Angela Jafet. Violeta é a Presidente da Sociedade Beneficente de Senhoras - Hospital Sírio-Libanês desde 1960. Violeta teve quatro filhos: Basílio, Beatriz, Denise e Irene. Basílio é um dos Diretores da "Jafet S.A." (antiga Fiação, Tecelagem e Estamparia Ipiranga Jafet), Beatriz é Membro do Conselho Deliberativo, Denise Jafet Haddad e Irene Panelli são diretoras do HSL. Angela faleceu em 2001, deixando as filhas Edméa Jafet (voluntária no HSL), Elisabeth e Edith Cestari (diretora do Ambulatório de Pediatria Social do HSL).

Basílio era na essência, generoso e nobre. Seu espírito diplomático tornou-o um grande homem que desfrutava da confiança e respeito da sociedade brasileira, a ponto de ter sido nomeado representante do Presidente da República Washington Luis, em 1928, durante a cerimônia de entrega do monumento que sírios e libaneses ofereceram à nação, por ocasião do Centenário da Independência do Brasil, como preito de gratidão à pátria que os acolheu (o fato teve grande repercussão na sociedade paulistana – pela primeira vez um imigrante libanês representava o presidente da República, impossibilitado de comparecer a uma cerimônia) Ao longo da vida, Basílio recebeu vários prêmios e comendas como a de Cavalheiro da Legião de Honra da França, as medalhas de Mérito Libanês nos anos de 1925 e 27 e ainda, o título de Irmão Benfeitor da Santa Casa. Traçou seu destino com generosidade e conhecia como ninguém a máxima: “Quem dá aos pobres, empresta a Deus”.

Basílio faleceu em 1947, aos 81 anos, deixando a viúva Adma e as filhas Violeta e Angela. Seu corpo foi carregado pelos operários da fábrica e a Rua 25 de março teve as portas comerciais fechadas em sua homenagem durante a passagem do cortejo fúnebre. Em homenagem póstuma a Câmara Municipal de Trípoli, no Líbano, prestou homenagem a família Jafet dando o nome de Avenida Jafet a mais importante e mais larga via da cidade. Em São Paulo, a Câmara Municipal deu o nome de uma via comercial que se chama Rua Cavalheiro Basílio Jafet e, em Choueir, no Líbano, uma das principais vias chama-se Avenida Basílio Jafet.

Após sua morte, a família doou à Universidade de São Paulo o Edifício da Escola de Física. Posteriormente, o professorado da Escola, deu o nome de Adma Jafet ao auditório da instituição.

A vida de Basílio Jafet e sua obra, deixaram um rico exemplo de determinação, honradez, luta, trabalho e cidadania.

Autor: Violeta Jafet

Fonte:http://jafetbrasil.com.br/historia-detalhes.asp?ID=12

 

A casa dos Jafet

 

Em 1923 era inaugurada, no número 798 da rua Bom Pastor, a residência que por mais de 20 anos abrigou a família de Basílio Jafet. Planejada em cada detalhe a construção, que se impunha frente ao Monumento Comemorativo a Independência do Brasil (hoje Museu do Ipiranga), impressiona não só pelo porte arquitetônico, mas também pela história que dentro dele está guardada. A casa foi construída para abrigar o casal Basílio e Adma Jafet e as filhas Ângela e Violeta.

Hoje, suas acomodações estão disponíveis para locações para festas, filmes, novelas, desfiles e outros tipos de eventos. “O universo da família Jafet é fantástico e conta muito da história da cidade de São Paulo. O conjunto deve ser preservado porque também é uma referência para a construção de obras futuras. Nele podemos encontrar exemplos vivos de machetaria em pisos, pedras talhadas, vitrais, mosaicos entre outras referências”

Casa da Familia jafet

Casa da Família Jafet

A casa da filha 

Construída em 1934 pelo engenheiro João Fürtinger, todo o projeto arquitetônico foi desenvolvido por Eduardo Benjamin Jafet.

A mansão é uma cópia do Castelo de Vitor Hugo da França e foi planejada para abrigar o casal Violeta e Chedid Jafet - sobrinho de Basílio.

 

“Me casei em 1927, mas a casa só foi inaugurada em meados de 34, enquanto isso, morávamos junto com meu pai. Para a construção da minha casa alguns objetos foram importados da Europa - principalmente da Itália - mas arte brasileira também está expressa através dos trabalhos executados pelos oficineiros do Liceu de Artes e Ofícios”. Ela também aponta outro local de sua preferência, o Salão Oriental. Nele, há lustres  e vitrais em  estilo oriental. Na passagem para a sala dos fumantes há uma réplica da porta premiada pelo Salão de Paris em 1932. A  cópia fiel representa os signos do Zodíaco.

Casa da Filha Violeta

 

Edifícil Basílio Jafet

O edifício Basílio Jafet, foi um dos primeiros a serem construidos no campus, inaugurado em 1955, a arquitetura se preserva ate hoje.

Edifício Basílio Jafet

IFUSP: Passado, Presente e Futuro / Gil da Costa Marques – São Paulo: Editora Livraria da Física, 2005.

http://www.ipiranganews.com.br/suplementos/ipiranga_2003/suple013.htm

http://cepadev.if.usp.br/omeka/items/show/12

 

 

 

Palavras-chave: Basílio Jafet, Ciência e Cultura, Espaços Físicos e Memória

Postado por Silas Ferreira Macedo em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP)

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