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novembro 08, 2010

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Durante a aula de ciência e cultura de sábado, foi proposto que fizéssemos uma pesquisa a respeito das características do barroco, e que relacionássemos estas características com a obra de Aleijadinho

Pesquisamos em alguns sites, e a característica mais encontrada foiu a questão da emoção sobre a razão.

Em vários sites, estava escrito que a mensagem que o artista quis passar é de que só é possível chegar a uma religiosidade através da emoção, e que ela deve prevalecer sobre a razão.

Se pegarmos a expressão das figuras barrocas, podemos notar expressões dramáticas, mostrando claramente o estado emocional da figura que o artista quis retratar.

anjo

Após feito estas leituras nosso grupo começou a refletir a respeito desta afirmação, que coloca em lados opostos a emoção e a razão.

Algumas idéias e comentários surgiram durante a discussão, e gostaria de escrevê-las aqui, para que os leitores do blog possam comentar e colocar seus pontos de vista, nesta questão tão polêmica e delicada, que é o embate entre a emoção e a razão, a ciência e a arte, como se fossem algo distintos e opostos.

Conversamos a respeito do racionalismo levado ao extremo. O racional é construído pelo próprio ser humano, e contempla coisas como por exemplo um triângulo, uma postura frente a uma cerimônia, e diversas regras de convívio que seguimos racionalmente por pura lógica e cultura.

Como o racional é algo construído, as vezes ele entra em contradição com ele mesmo ou com a emoção (nossa vontade), e acaba por produzir um conflito, que dificilmente é resolvido pela própria razão.

Já a questão emocional se refere aos sentimentos, que não são controlados e não tem uma explicação, sentimos porque sentimos e ponto.

A razão é extremamente importante ai, pois se não a tivermos, acabaremos por fazer tudo que nossos sentimentos nos pedem, sem nenhum tipo de freio, apenas faríamos.

Porém se formos extremamente racionais, acabaremos por reprimir muitos dos nossos desejos e vontades, o que pode acarretar em depressão (estado muito comum na sociedade contemporânea).

Talves a religiosidade destacada por escultores barrocos esteja atrelada a fé, temos a fé religiosa pois a sentimos, e não é explicada através de explicações lógicas, mas através de sentimento.

Se conseguirmos utilizar da lógica para explicar a fé, não é mais fé.

(A ciência também é uma questão de fé as vezes, por exemplo acreditamos que a energia do universo se conserva, não provamos, não explicamos, mas acreditamos)

Se ficarmos relatando obras de arte que tem como tema o embate entre a razão e a emoção, ficaríamos muito tempo, pois existe uma infinidade delas.

alice

A ciência vem sempre carregada de um simbolismo extremamente racional, se pegarmos a imagem que muita gente tem de um cientista podemos observar que é de um homem que fica no laboratório sozinho e de repente, tem uma luz e descobre uma teoria nova, que é a verdade, portanto, a razão.

Já o artista, o escritor, o música, é visto por muitos como alguem que inventa uma história com personagens, que nos faz refletir a respeito de nossa vida e nos coloca no lugar do personagem.

Um bom ator por exemplo, faz as pessoas saírem de casa a noite, no friu, na chuva, pagar caro, e mesmo sabendo que é uma mentira, apenas uma representação, elas choram ao ver a peça, a novela, ou ouvindo uma música.

Mas acredito que a questão chave na arte esteja na maneira com que o personagem utiliza da razão para trabalhar com sua emoção, neste sentido a razão e a emoção não são coisas opostas, mas sim complementares, tanto na arte como na ciência.

Enfim, esta é a questão que está posta, como a razão e a emoção se relacionam em uma obra de arte ? e na ciência ?

Além disto, como ela se relaciona com o produzir ciência e o produzir arte ?

Qual o papel do momento histórico na razão e na emoção ?

Este post é Domínio Público.

Postado por Diego Paulo Rhormens em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP)

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