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outubro 22, 2010

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Quando passamos na estação de metrô Vila Madalena, podemos nos deparar com esta obra de arte logo na entrada.

Arte metro

O nome desta obra é Homenagem a Galileu Galilei II, do artista plástico Cléber Machado.

Segundo a descrição da escultura que se encontra no site do metrô, "De forma lúdica, o artista utiliza as composições geométricas para explorar as diferentes possibilidades visuais, ora com a presença das formas e ora com a ausência delas. Assim, quando o público muda o ângulo de observação, cria novas formas."

Achei muito interessante a idéia deste artista, ela nos faz pensar na história da ciência, e nos remete a época de Galileu e das observação feitas sobre o céu.

Nas épocas antigas, se acreditava que a Terra estava no centro do universo e que tudo girava ao redor dela, porém, depois de algum tempo se comprovou que na verdade a Terra gira em torno do Sol.

É interessante analisar como dois pontos de vista diferentes fazem com que a visualização e a percepção de um evento seja diferente para cada observador individualmente.

Também podemos levar esta situação para a física moderna. Podemos dizer que a luz se comporta como onda e também que ela se comporta como partícula, e isto só vai depender de como a estamos observando, podemos observá-la atraves da experiência da dupla fenda, ou se sua propagação através de lentes, e para cada uma desta experiência vamos chegar a uma conclusão diferente.

Na história da ciência temos bastante situações onde ocorre este predomínio de um ponto de vista, e que depois, devido a outro ponto de vista, temos uma visão diferente sobre algum fenômeno.

Deste modo, a obra de Cléber Machado retrata muito bem esta idéia.

Este post é Domínio Público.

Postado por Diego Paulo Rhormens em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP)

Comentários

  1. Andre Batista Noronha Moreira escreveu:

    Achei muito interessante a iniciativa do artista assim como a sua leitura sobre a obra ilustrada!

    Mas há algo que me preocupa: aqueles que não têm o background de Física (e as vezes, história da Física) que nós como estudantes construímos nesses últimos anos, também conseguirão ter esta leitura saudável e crítica da obra do artista?

    Isto é, conseguirá o "leigo" (não quero dar um sentido de menosprezo) entender a simbologia imbutida na obra? Que o olhar sobre outras perspectivas caracteriza o cerne da Ciência e seu desenvolvimento?

    Penso que nós, como futuros intermediadores de mundos e de linguagens, temos a responsabilidade de tomar esta tarefa - de construir pontes. Um "leigo" pode enxergar na obra uma complicada tarefa de engenharia, um monte de círculos, ou o cúmulo do abstrato. Enxergar nas coisas a "Física" é ter de antemão uma linguagem que possibilite esta leitura. Seremos professores de uma língua, e será nossa função ajudar o outro a traduzir o mundo...

    ... mas o motivo de se traduzir, ou porque ensinar Física, é outra longa e complicadíssima história! Riso

     

     

     

    Andre Batista Noronha MoreiraAndre Batista Noronha Moreira ‒ domingo, 24 outubro 2010, 12:49 -02 # Link |

  2. Lucas escreveu:

    André, concordo com sua posição, e agrego um complicador à discussão.

    Muito se diz sobre a grande liberdade do presente, que nos capacita a assumir uma opinião. O ponto é exatamente esse: não existe a composição de opiniões sempre cambiantes. Antes ocorre um processo de espera: centros de produção de posicionamentos, de idéias, de opinião vendem seus produtos. Tal processo contaminou diversos níveis sociais. Opinião é como roupa: ela é íntegra, vestida de uma só vez, e trocada de uma só vez. Assim, discutir, entrar em franca comunicação é tarefa árdua hoje. Cada qual com sua opinião, numa tensa tolerância explosiva. Permitir a alguém acostumado com este espírito individualista do consumo de idéias entender um conceito tão rico como o do perspectivismo, do objeto alterado pela nossa ação, talvez constitua um desafio enorme e por isso instigante.

    LucasLucas ‒ segunda, 01 novembro 2010, 00:48 -02 # Link |

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