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setembro 07, 2010

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“Uma criatura de nervos modernos, de intligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia.”

 

Fernando Pessoa nos faz pensar sobre as certezas: me parece que talvez em nenhuma outra área da atuação humana as certezas sejam mais danosas, do que na educação. Dedicar-se à educação é duvidar sempre, reconstruir sempre, refletir sempre, criar todo dia, recomeçar todo dia, descobrir a cada ação, a cada olhar, a cada momento jeitos novos...

 

Fernando Pessoa discutia consigo e discute conosco através dos vários personagens que criou para si mesmo. Reflete o Barão de Teive,

 

“Pertenço a uma geração – supondo que essa geração seja mais pessoas

que eu – que perdeu por igual a fé nos deuses das religiões antigas e a fé nos

deuses das irreligiões modernas. Não posso aceitar Jeová, nem a humanidade.

Cristo e o progresso são para mim mitos do mesmo mundo. Não creio na Virgem

Maria nem na eletricidade.”

 

E pondera:

 

 “O conflito que nos queima a alma (...) é o conflito entre a

necessidade emotiva da crença e a impossibilidade intelectual de crer”

 

Encontrei um texto interessante, de um sociólogo e teólogo,  (http://200.233.146.122:81/revistadigital/index.php/revistateste/article/viewFile/93/84) que pode trazer Fernando Pessoa para nossa conversa sobre Ciência, Ética e Religião. O trecho abaixo é um resumo.

 

FERNANDO PESSOA: RELIGIOSIDADE NA POESIA

 

Anaxsuell Fernando da Silva(*)

 

O Poeta Fernando Pessoa (1888-1935), um dos mais controvertidos artistas do século

XX, declarava-se um cristão gnóstico. Apesar disso, não se alinhou a nenhuma

instituição religiosa e/ou doutrina estabelecida. Teve na dimensão religiosa a temática

preferida. A proposta deste trabalho é compreender a religiosidade em Pessoa por meio

da leitura de imagens suscitadas a partir de sua obra, e assim evidenciar na vasta produção

significações poéticas que podem ser associadas a signos de religiosidade, seja no

conteúdo manifesto ou latente de sua obra. Entende-se que Pessoa, e todos os seus personagens

criados por intermédio da heteronímia, fez uso em sua escrita da linguagem

simbólica dos mais distintos universos religiosos para compor sua própria forma de

religiosidade. Visualiza-se que essa é pluriforme e talvez objetivasse contrariar os limites

sociais estabelecidos para o exercício da fé.

 

(*) Doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mestre

em Ciências Sociais, Bacharel em Sociologia e com licenciatura plena em Ciencias Sociais pela

Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), também é graduado em Teologia pela

Escola Superior de Teologia (São Leopoldo/RS) e especialista em educação ambiental (IFESP)..

Palavras-chave: Ciência e Religião, Literatura

Postado por Vera Bohomoletz Henriques em Ciência e Cultura (Licenciatura do IFUSP)

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