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fevereiro 02, 2010

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Acabei de retornar de minhas férias anuais no interior da Bahia (zona rural de Ibotirama, distrito de Boqueirão). Não é um local miserável como costumamos ver nas reportagens sobre o Nordeste, mas mesmo assim a população vive (ou melhor sobrevive) a duras penas.

É uma região essencialmente dedicada à agricultura familiar, com algumas roças e criação de gado de corte e de leite, mas em escala pequena (nada que se compare com as fazendas da Monsanto na região de Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães). Geralmente as famílias plantam e colhem para vender sua produção na feira-livre de Ibotirama, todo Sábado. Longe de mim criticar esta forma de produção. As famílias complementam seu sustento (proveniente na maioria dos casos da aposentadoria rural e do programa bolsa família) e a cidade (de 300.000 habitantes) tem acesso a produtos de excelente qualidade (praticamente orgânicos).

O que me deixou triste foi presenciar o desperdício. Só para dar um exemplo, minha sogra levou para a feira uma bacia enorme de acerolas que colheu da arvorezinha que tem no quintal. Conseguiu vender metade (a R$ 1,00 o litro, calculo que vendeu cerca de 10 litros) e retornou com o restante, que não conseguiu vender, para a casa dela. O que ela fez? Além dos sucos para a família ela alimentou os porcos.

O desperdício não é culpa de ninguém. Acontece que todas as árvores de acerola resolveram dar fruto naquela semana. Obviamente o mercado consumidor, limitado á cidade de Ibotirama, não conseguiu absorver toda a produção. Depois disto descobrí que este evento se repete com regularidade. Um tio de minha esposa, por exemplo, contou que as Mangas que crescem no quintal da casa dele apodreceram no pé, por falta de consumidor.

Fico feliz pelos suínos, que são bem alimentados, mas, convenhamos, aquelas acerolas poderiam ter um destino bem mais nobre. Comecei a investigar, portanto, porque eles não tem uma fabriquinha de polpa. Meu raciocínio é simples: a produção  excedente pode ser enviada para a fabrica, permitindo o processamento da fruta, a conservação e a comercialização com outros mercados (por exemplo, bares e lanchonetes). Não vou entrar no mérito dos complexos jogos políticos que existem numa cidade pequena como esta. O fato é que descobrí um vereador de Ibotirama que teve a mesma idéia que eu. Ele tem, em príncípio, acesso a verbas estaduais e federais (ele é do PT), mas falta a ele a competência (no bom sentido) para escrever os projetos que devem ser submetidos.

Sendo assim estou convidando pessoas interessadas em ajudar, em especial alunos de cursos de engenharia civil, elétrica, química, mecânica, produção etc... para desenvolver um projeto de extensão para elaborar o projeto de uma fábrica de polpa para ser instalada na região do Boqueirão de Ibotirama. A idéia é fazer tudo, desde a planta baixa do prédio até a análise dos custos. Esta fábrica seria administrada posteriormente pela Associação de Produtores Rurais que eles tem lá (que, apesar do nome, é uma espécie de cooperativa). Estou disposto a orientar um projeto no âmbito do programa Poli Cidadã ou do programa Ensinar com Cultura e Extensão.

Se alguém tiver interesse em ajudar entre em contato comigo. Eu mencionei a fabrica de polpa porque é onde sinto que minha competência de orientação está. É claro que a região tem outras carências (notadamente na área de saúde) e uma riqueza cultural incrível e bem distante dos estereótipos que temos do nordeste.

Quem tiver interesse em conhecer a paisagem da região visite minha área no Panoramio e procure as tags "Iboritama" e "Barreiras do Salitre" e "Boqueirão".

Palavras-chave: Assitência social., Cultura, Extensão

Este post é Domínio Público.

Postado por Claudio Geraldo Schon | 3 usuários votaram. 3 votos

Comentários

  1. Ana Cesar escreveu:

    Vou me interar das suas "aventuranças" na Bahia. Muito bom tudo o que observou e comentou em sua viagem de férias. Bom saber que partilhar é tão bom quanto vivenciar. Parabéns, Cláudio! Sorriso

    Ana A. S. CesarAna Cesar ‒ terça, 02 fevereiro 2010, 14:27 -02 # Link |

  2. Ana Cesar escreveu:

    Lindas fotos. Ainda estou só no começo... Riso

    Ana A. S. CesarAna Cesar ‒ terça, 02 fevereiro 2010, 14:30 -02 # Link |

  3. Guilherme Cunha Rodrigues escreveu:

    Olá prof. Cláudio. Sou aluno da engenharia civil da escola politécnica e estou interessado em realizar essa empreitada, seria uma ótima experiência tanto no âmbito de carreira profissional, como, acadêmico.

    Gostaria de contatá-lo para conversarmos melhor e ver o que já acontece.

    Guilherme Cunha RodriguesGuilherme Cunha Rodrigues ‒ quinta, 11 fevereiro 2010, 20:36 -02 # Link |

  4. Claudio Geraldo Schon escreveu:

    OK, vamos conversar, vou lhe enviar um e-mail para podermos agendar uma reunião.

     

    Cláudio

    Claudio Geraldo SchonClaudio Geraldo Schon ‒ sexta, 12 fevereiro 2010, 14:50 -02 # Link |

  5. Claudio Geraldo Schon escreveu:

    Lembro aos alunos interessados neste projeto que eles precisam se inscrever no programa Aprender com Cultura e Extensão da Pro-CCEX, sem esta inscrição não consigo saelecionar alunos para o projeto (e tem a bolsa de R$300,00 também, que é ridícula, mas serve para aliviar um pouco a situalção do aluno).

    Claudio Geraldo SchonClaudio Geraldo Schon ‒ quarta, 23 novembro 2011, 10:59 -02 # Link |

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