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maio 27, 2012

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Ola' a todas(os). Estou postando este rema pra saber se alguem ja conseguiu o milagre de acertar os tramites para enviar um aluno de graduacao para o exterior nesta nova (e importantissima!) iniciativa da USP visando a internacionalizacao.

Estou ha' tres meses, diariamente, procurando por instituicoes, contatos, grade curricular, e ja' conseGui, junto com a aluna que pretende ir ao exterior, diversos cursos onde ela teria um ganho academico e cultural enorme, mas sempre que chegamos 'a conclusao que " agora vai", que cumprimos todo o requisito, volta tudo ao zero por alguma exigencia extra ou coisa parecida...

Estou comecando a associar isso com o filme " tropa de elite", onde o pessoal diz pro sujeito "PEDE PRA SAIR!!!"... As vezeS me parece que alguem esta' nos dizendo "desiste disso!", tamanha esta' a complicacao... Estamos bem cansados deste processo todo, mas vamos persistir (sabe la' ate' quando...).

 

Abracos

Palavras-chave: burocracia, graduacao, Interacionalizacao, mobilidade internacional, tropa de elite

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Postado por Eder Cassola Molina | 0 comentário

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http://m.youtube.com/watch?v=ZusicyaZ6ms

Video que os alunos do IAG fizeram para incentivar o preenchimento do SIGA. Baseado no classico BOHEMIAN RHAPSODY, do nao menos classico Queen. Eu recomendo!

 

Palavras-chave: BOHEMIAN RHAPSODY, GRADUACAO, IAG, QUEEN, SIGA

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Postado por Eder Cassola Molina | 1 comentário

abril 11, 2012

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Cada vez que você usa um serviço Google, você alimenta com dados um dossiê sobre você na internet.

Todos nós temos direito à privacidade (conforme as leis do lugar em que vivemos), mas é também nosso direito abrir mão da privacidade (novamente, conforme as leis locais).

Para as pessoas que decidem conservar sua privacidade online, tanto quanto possível, um grande problema é poder utilizar os serviços mais populares, como Gmail e Facebook, sem abrir mão completamente de sua privacidade.

Eu quero dar uma dica específica ao Gmail. O Google oferece vários serviços, em especial a conta de email gratuita Gmail e o buscador Google. Essa empresa obtém lucro através da venda de publicidade nas páginas gratuitas que oferece a você, junto com os serviços.

Para os publicitários, um anúncio "dirigido" - ou seja, que é apresentado somente para espectadores que têm certas características pré-definidas - é muito mais valioso que um anúncio para ser visto por todos. Por isso, o Google (e as empresas de internet em geral, que possuem esse modelo de negócios) procuram agregar informações sobre seus usuários, traçando seu perfil, e oferecem aos publicitários o serviço de publicar seus anúncios de forma dirigida.

Novamente, para quem aceita perder esse aspecto de sua privacidade - ou seja, para quem concorda em que exista um dossiê de suas atividades na internet - isso não é problema. Eu, pessoalmente, não gosto dessa perda, e estou procurando minimizar o prejuízo.

Para entender como o Google cria esses dossiês, é preciso entender que, do ponto de vista do buscador Google, há uma grande diferença entre um usuário logado e um não logado: para o usuário logado, o Google pode oferecer anúncios dirigidos, e pode adicionar as frases de busca usadas no dossiê da pessoa, permitindo dirigir anúnicos de forma mais focada, no futuro. Isso porque o login da pessoa permite ao Google consultar o dossiê correto para "dirigir" os anúncios. Já para o usuário não-logado, o Google só pode dirigir anúncios de acordo com as frases de busca da sessão atual, pois sem o login, ele não sabe associar o uso do buscador com um dossiê específico.

(Tecnicamente, o Google poderia correlacionar as frases de busca de um usuário não-logado com um perfil, a partir, por exemplo, do endereço IP do computador. Mas isso não é feito, atualmente. De modo que é possível explorar essa brecha e evitar que o Google adicione suas frases de busca ao seu dossiê pessoal, caso você use o Gmail, evitando logar no serviço através do navegador.)

Eu, por exemplo, utilizo o cliente de email Thunderbird. É gratuito e de código-fonte aberto. Eu tenho configuradas diversas contas de email nele, incluindo contas no Gmail. Ao mesmo tempo, uso o buscador Google cotidianamente. Apesar de o Google ter a possibilidade técnica de correlacionar meu uso do buscador com meu uso do Gmail, ele não faz isso: minhas buscas só mostram anúncios "dirigidos" de acordo com minha sessão atual, e de acordo com um serviço novo do Google chamado Account Acitivity (https://www.google.com/settings/activity/), que produz relatórios sobre o uso dos serviços do Google, eles acham que eu nunca uso o buscador deles.

Dessa forma, eu uso Gmail, e uso o buscador Google ao mesmo tempo, e no entanto o meu uso do buscador nunca alimenta o dossiê que o Google tem sobre mim.

Como eu disse antes, esta é apenas uma dica específica sobre como diminuir sua perda de privacidade ao usar o Gmail. Não creio que seja possível ter privacidade completa usando o Gmail, mas muitas outras medidas podem ser tomadas, como sempre apagar emails já lidos (ou seja, evite arquivar no próprio Gmail - grave uma cópia no seu disco rígido, se precisa guardar uma informação), ou encriptar suas mensagens sempre que possível. Assim que puder, eu detalho essas e outras maneiras de diminuir a perda de privacidade usando serviços online.

Palavras-chave: Gmail, Google, Google Account Activity, privacidade, Thunderbird

Postado por Renato Callado Borges | 2 comentários

agosto 15, 2011

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Segundo reportagem da Folha, há dois meses ocorre esse problema.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/959756-ciclistas-sao-sabotado

 

Palavras-chave: bicicleta, bicicletas, bike, sabotagem, tachinhas

Postado por Renato Callado Borges | 0 comentário

maio 04, 2011

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Esta meio complicado entender esta nova carreira, ja ouvi falar de tantas coisas ... Alguém sabe dizer algo mais concreto?

 

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Postado por Luis Antonio de Oliveira | 0 comentário

abril 21, 2011

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Essa não esperava ! Pra quem não sabe, na radio USP em 1994 e 1995 passava um programa de histórias fantásticas chamado "Labirinto". Todas as tardes as 12:00 h cravado eu estava com o rádio mais próximo disponível ouvindo o programa.

E não é que a net me retorna um site onde os autores do programa disponibilizaram as histórias nesse blog:

 

Prisioneiros da imaginação

pra mina felicidade e nostalgia.

Quem puder dar uma força ao pessoal com comentários e avaliação, quem sabe eles tenham ânimo pra lançarem um podcast com mais histórias ?

 

 

Palavras-chave: diversão, fantasia, podcast, radio, site

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 0 comentário

abril 12, 2011

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Tipo: Script
Função: Automatizar o envio de mensagens do sistema
Linguagens: BASH Script, C, AWK, SED
Ferramentas: msmtp, gmail, daemon, cron, mail2sms

 

Resumo

Hoje vou lhes mostrar uma técnica para enviar mensagens de seu Linux e recebê-las via e-mail e/ou SMS, vulgo torpedo.

A função básica é receber mensagens relevantes do sistema, por exemplo, data e hora do boot, sucessivas tentativas de acesso remoto, execução de comandos não-autorizados... Como exemplo, o sistema deverá nos informar toda vez que obtivermos um novo IP externo para que possamos acessar remotamente o servidor de casa, transferir uns arquivos, etc; tivessem os IPs estáticos preços decentes aqui no Brasil isso seria irrelevante, mas o fato é que a grande maioria dos usuários domiciliares utilizam IPs dinâmicos e estes podem facilmente mudar por perda de sinal do modem, falta de energia, problemas no provedor de acesso... precisamos de algum modo simples e transparente de obtê-lo.

É, eu sei, existe o NoIP e o DynDNS, mas esta mesma solução pode resolver outros problemas para outros usuários, que simplesmente não consigo prever.
Então, mãos à obra pessoal.
Nossa tarefa será dividida em 3 partes:

  1. Instalar o software de envio de e-mails;
  2. Criar os scripts para ler automaticamente os e-mails;
  3. Criar um script para ser executado pelo boot e pelo cron.

Índice

1. Instalando o msmtp;
1.1 Gerando os certificados PEM;
1.2 Configurando o .msmtprc;
2. Lendo os e-mails com o wget;
2.1 Acessando o servidor remoto;
3. Criando um script de checagem e envio;
3.1 O script rc.mailMyIp;
4. Direcionando seus e-mails para o celular.

 


1 - Enviando os e-mails: msmtp + gmail

O msmtp é um cliente capaz de enviar e-mails para qualquer servidor SMTP, é um bom substituto simplificado para o sendmail. Sua documentação pode ser lida aqui: < http://msmtp.sourceforge.net/doc/msmtp.html > O código-fonte pode ser baixado aqui: < http://sourceforge.net/projects/msmtp/>

Instalação

$ wget sourceforge.net/projects/msmtp/files/msmtp/1.4.23/msmtp-1.4.23.tar.bz2
$ tar xjvf msmtp-1.4.23.tar.bz2
$ cd msmtp-1.4.23
$ ./configure
$ make
# make install

Se você estiver no Debian ou algum variante rode:

$ sudo apt-get install `apt-cache search msmtp | awk '{print $1}'`

Para configurar o msmtp eu me baseei neste ótimo artigo do Andrew's Corner. Como agora o gmail só permite POP e SMTP via conexão SSL, precisaremos gerar dois certificados PEM (Privacy-enhanced Electronic Mail). Vamos lá.


1.1 - Gerando os certificados PEM

O Andrew criou um script em Perl para gerarmos localmente os certificados e só me levou meia hora para configurar todas os módulos que o Perl necessitava no Slack. Então, por caridade, pus o código abaixo, basta copiar e colar:

$ mkdir -pv $HOME/.certs && cat > $HOME/.certs/Equifax_Secure_CA.pem << FIM
-----BEGIN CERTIFICATE-----
MIIDJzCCApCgAwIBAgIBATANBgkqhkiG9w0BAQQFADCBzjELMAkGA1UEBhMCWkExFTATBgNVBAgT
DFdlc3Rlcm4gQ2FwZTESMBAGA1UEBxMJQ2FwZSBUb3duMR0wGwYDVQQKExRUaGF3dGUgQ29uc3Vs
dGluZyBjYzEoMCYGA1UECxMfQ2VydGlmaWNhdGlvbiBTZXJ2aWNlcyBEaXZpc2lvbjEhMB8GA1UE
AxMYVGhhd3RlIFByZW1pdW0gU2VydmVyIENBMSgwJgYJKoZIhvcNAQkBFhlwcmVtaXVtLXNlcnZl
ckB0aGF3dGUuY29tMB4XDTk2MDgwMTAwMDAwMFoXDTIwMTIzMTIzNTk1OVowgc4xCzAJBgNVBAYT
AlpBMRUwEwYDVQQIEwxXZXN0ZXJuIENhcGUxEjAQBgNVBAcTCUNhcGUgVG93bjEdMBsGA1UEChMU
VGhhd3RlIENvbnN1bHRpbmcgY2MxKDAmBgNVBAsTH0NlcnRpZmljYXRpb24gU2VydmljZXMgRGl2
aXNpb24xITAfBgNVBAMTGFRoYXd0ZSBQcmVtaXVtIFNlcnZlciBDQTEoMCYGCSqGSIb3DQEJARYZ
cHJlbWl1bS1zZXJ2ZXJAdGhhd3RlLmNvbTCBnzANBgkqhkiG9w0BAQEFAAOBjQAwgYkCgYEA0jY2
aovXwlue2oFBYo847kkEVdbQ7xwblRZH7xhINTpS9CtqBo87L+pW46+GjZ4X9560ZXUCTe/LCaIh
Udib0GfQug2SBhRz1JPLlyoAnFxODLz6FVL88kRu2hFKbgifLy3j+ao6hnO2RlNYyIkFvYMRuHM/
qgeN9EJN50CdHDcCAwEAAaMTMBEwDwYDVR0TAQH/BAUwAwEB/zANBgkqhkiG9w0BAQQFAAOBgQAm
SCwWwlj66BZ0DKqqX1Q/8tfJeGBeXm43YyJ3Nn6yF8Q0ufUIhfzJATj/Tb7yFkJD57taRvvBxhEf
8UqwKEbJw8RCfbz6q1lu1bdRiBHjpIUZa4JMpAwSremkrj/xw0llmozFyD4lt5SZu5IycQfwhl7t
UCemDaYj+bvLpgcUQg==
-----END CERTIFICATE-----
FIM
$ cat > $HOME/.certs/Thawte_Premium_Server_CA.pem << FIM
-----BEGIN CERTIFICATE-----
MIIDIDCCAomgAwIBAgIENd70zzANBgkqhkiG9w0BAQUFADBOMQswCQYDVQQGEwJVUzEQMA4GA1UE
ChMHRXF1aWZheDEtMCsGA1UECxMkRXF1aWZheCBTZWN1cmUgQ2VydGlmaWNhdGUgQXV0aG9yaXR5
MB4XDTk4MDgyMjE2NDE1MVoXDTE4MDgyMjE2NDE1MVowTjELMAkGA1UEBhMCVVMxEDAOBgNVBAoT
B0VxdWlmYXgxLTArBgNVBAsTJEVxdWlmYXggU2VjdXJlIENlcnRpZmljYXRlIEF1dGhvcml0eTCB
nzANBgkqhkiG9w0BAQEFAAOBjQAwgYkCgYEAwV2xWGcIYu6gmi0fCG2RFGiYCh7+2gRvE4RiIcPR
fM6fBeC4AfBONOziipUEZKzxa1NfBbPLZ4C/QgKO/t0BCezhABRP/PvwDN1Dulsr4R+AcJkVV5MW
8Q+XarfCaCMczE1ZMKxRHjuvK9buY0V7xdlfUNLjUA86iOe/FP3gx7kCAwEAAaOCAQkwggEFMHAG
A1UdHwRpMGcwZaBjoGGkXzBdMQswCQYDVQQGEwJVUzEQMA4GA1UEChMHRXF1aWZheDEtMCsGA1UE
CxMkRXF1aWZheCBTZWN1cmUgQ2VydGlmaWNhdGUgQXV0aG9yaXR5MQ0wCwYDVQQDEwRDUkwxMBoG
A1UdEAQTMBGBDzIwMTgwODIyMTY0MTUxWjALBgNVHQ8EBAMCAQYwHwYDVR0jBBgwFoAUSOZo+SvS
spXXR9gjIBBPM5iQn9QwHQYDVR0OBBYEFEjmaPkr0rKV10fYIyAQTzOYkJ/UMAwGA1UdEwQFMAMB
Af8wGgYJKoZIhvZ9B0EABA0wCxsFVjMuMGMDAgbAMA0GCSqGSIb3DQEBBQUAA4GBAFjOKer89961
zgK5F7WF0bnj4JXMJTENAKaSbn+2kmOeUJXRmm/kEd5jhW6Y7qj/WsjTVbJmcVfewCHrPSqnI0kB
BIZCe/zuf6IWUrVnZ9NA2zsmWLIodz2uFHdh1voqZiegDfqnc1zqcPGUIWVEX/r87yloqaKHee95
70+sB3c4
-----END CERTIFICATE-----
FIM

Hora de dizer ao openssl que temos os certificados:

$ c_rehash $HOME/.certs/

OK, tudo pronto para configurar o .msmtprc.


1.2 - Configurando o .msmtprc

Bom, criados os certificados, é hora de fazer nosso arquivo de configuração. Para evitar confusão entre o que é variável, função, comando e dados a serem preenchidos, o arquivo será configurado para o Zé abaixo. Mude para seus próprios dados. Eis, aí o Zé:

Endereço no gmail: zeh@gmail.com
Senha do gmail: 53nH*
USER: zeh
HOSTNAME: NAVI

E seu arquivo de configuração:

$ cat > $HOME/.msmtprc << FIM    
  account default
  host smtp.gmail.com
  port 587
  from zeh@gmail.com
  tls on
  tls_starttls on
  #tls_trust_file /home/zeh/.certs/Thawte_Premium_Server_CA.pem
  tls_trust_file /home/zeh/.certs/Equifax_Secure_CA.pem
  auth on
  user zeh@gmail.com
  password 53nH*
  logfile ~/.msmtp.log
  FIM
$ chmod 600 $HOME/.msmtprc 

Note que o chmod é muito importante já que não queremos que outros usuários possam ler nossa senha. Vamos testar para ver se deu tudo certo:

$ echo -e "Subject: Teste 1\n\nCan you read me?" | msmtp zeh@gmail.com

Veja em sua caixa de entrada se o e-mail chegou. Em casa ele leva pouco mais de 4 segundos para enviar o e-mail. Agora que já podemos enviar os e-mails, vamos ver como lê-los.


2 - Lendo e-mails com o wget

Há muitas formas diferentes de ler e-mails pelo bash, eu vou usar uma função pouco explorada do gmail, são os Atom Feeds. Eles podem ser naturalmente acessados via https através de seu login e senha. No caso do Zé é só jogar a URL abaixo no navegador:

O mesmo efeito pode ser obtido sem um navegador através do auxílio do wget:

$ /usr/bin/wget --secure-protocol=TLSv1 --timeout=3 -t1 -q -O - https://zeh:53nH*@mail.google.com/mail/feed/atom --no-check-certificate

Reparou que a saída está em XML? Se o e-mail enviado for bem padronizado será fácil analisá-lo. Nosso objetivo é fazer algo como:

Subject: NAVI has booted, check your IP
NAVI has booted at 2010-09-12 23:51:15
NAVI IP=207.135.111.25

Um grep 'IP=' no comando acima bastaria para retornar

<summary>NAVI has booted at 2010-09-12 23:51:15 NAVI IP=207.135.111.25</summary>

Mas este sed consumirá muito menos processos:

sed '/NAVI\ IP/!d;s/.*=//g;s/<.*//g;q'

Ele se divide em quatro partes:

/NAVI\ IP/!d Não apague a linha que contiver o padrão NAVI(espaço)IP
s/.*=//g Apague tudo do 'igual' para trás
s/<.*//g Apague tudo do início da tag '<' para frente
q Pegue apenas a primeira linha (o e-mail recente) e saia (quit)

Por fim, para não ficar com a senha em um script, simplemente compilei a chamada em C em um arquivo naviip.c:

Compile assim:

$ gcc naviip.c -Wall -ansi -o naviip

Teste o programa:

$ ./naviip

De preferência jogue-o em algum lugar do seu PATH.
Um dos diretórios abaixo:

$ echo $PATH

No Slackware o diretório $HOME está incluído. Pessoalmente gosto de:

$ mkdir -pv $HOME/bin
$ echo -e 'PATH=$PATH:$HOME/bin\nexport PATH' >> $HOME/.bashrc
$ source $HOME/.bashrc

e vou supô-lo de agora em diante.


2.1 - Acessando o servidor remoto

É claro que não queremos manipular o endereço nós mesmos, um código deve fazer isso. É mais rápido, é mais fácil. Este script deve lhe ajudar:

Repare que por muita ou pouca paranóia eu configurei meu SSH para escutar atrás de uma porta não-padrão. Normalmente usamos a porta 22, escolhi outra aleatória, a 2247. Seria interessante fazer um script no servidor para alterar aleatoriamente esta porta e informá-la no e-mail, melhor ainda seria usar o iptables para fazer um Port-Knocking, ou apenas permitir acesso remoto vindo de 143.107.45.30 ;^)!
Repare também que o cliente só tentará se conectar no servidor se realmente houver um SSH escutando atrás daquela porta, o que evita a tentativa infrutífera de acesso a outra máquina que, pelos motivos mais diversos, está agora com nosso antigo IP.
ATENÇÃO: se você tiver um roteador na frente do servidor precisará abrir a porta correspondente e/ou fazer um port fowarding.


3 - Criando o script de checagem e envio

Vamos agora criar um script chamado rc.mailMyIp que deverá rodar no boot e em certo intervalo de tempo (cron). No Slackware para que um script seja executado ao final do boot, duas coisas são necessárias:

  1. Que ele seja chamado pelo /etc/rc.d/rc.local
  2. Que ele seja executável

Adicione as linhas abaixo em seu /etc/rc.d/rc.local como root

if [ -x /etc/rc.d/rc.mailMyIp ]; then
   . /etc/rc.d/rc.mailMyIp start
fi

E vamos criar o rc.mailMyIp. Há 3 técnicas que gostaria de mencionar:

  1. Na função MSG() envio os dados para um arquivo. Talvez você prefira comparar o IP atual com o que está no arquivo. No dia-a-dia achei mais fácil comparar sempre com o que está legível no e-mail, vai que você deleta a mensagem...
  2. Eu obtenho o IP externo na linha 65: Basicamente uso o curl para acessar um site que informa meu IP, esta chamada ASP li em algum lugar das "Funções ZZ" do Aurélio, o IP já vem limpinho e como não precisamos parsear foi o campeão no teste do time{}: real < 0m0.200s, no nosso zillertal.
  3. A estratégia para enviar o e-mail é a seguinte:
    1. A placa de rede deve ter um endereço válido (em casa é 192.x.y.z, por isso nas linhas 70-72);
    2. Então na linha 79 damos 3 tiros de ping (-l3 -w1) para o CGI.br e contamos quantos chegam.
      1. Dê preferência a usar o IP, porque em caso de DNS inacessível, o tempo de espera cai bastante. Caso o DNS esteja DISPONÍVEL há um ganho de 17% (OK, 0.192s em média quando este post foi escrito).
      2. Se nenhum ping chegar, não tem internet. Desencane do resto.
    3. Se o ping chegou, busque o IP externo.
    4. Pegue o IP lá do e-mail e compare os dois.
    5. Se forem iguais não há nada a fazer.
    6. Se forem diferentes envie o e-mail.
    7. A versão start é para ser usada no boot, a versão check pelo cron, a única diferença é que o check é silencioso.
  4. Não esqueça de torná-lo executável!

3.1 - O script rc.mailMyIp

Uma cópia deste script está aqui: http://pastebin.com/3zqc7xeY


4. Direcionando seus e-mails para o celular

Pessoalmente acho muito confortável receber meus e-mails no celular, há um serviço já disponível no site http://mail2sms.fr.nf/help.php, basta seguir as intruções.

Eu não comentei nada sobre o cron, mas será realmente necessário?

Enfim, dúvidas, sugestões, correções envie um e-mail para movebo@linux.ime.usp.br.

[]s
;^)

Palavras-chave: automatization, bash, daemon, e-mail, external ip, gmail, ip externo, linux, msmtp, script, sms

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Leonardo K. T. Toshimitsu | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

fevereiro 26, 2011

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Apologética prática: geralmente alguns me taxam de ‘criacionista’ (o que não sou), e quando são cristãos me taxam de liberal (o que também não sou), sou liberal no sentido mais ou menos político. Agora na minha vida ninguém me taxou de homofóbico, porque eu não sou, e tenho diversos colegas que são homossexuais, e eu os respeito.

A minha questão aqui é: alguns cristãos, ou teístas de forma geral, achar que nós queremos acabar com o homossexualismo, nós não queremos isso. Se algumas pessoas querem ser homossexuais podem ser, eu os respeito por isso, e não vou descriminá-los. Eles não devem ser descriminados.

Agora me perguntem, o que então eu defendo, e tenho defendido? O que defendo é que não podem tirar o meu direito de dizer para meu filho que “não concordamos com as práticas homossexuais”. Eu não descrimino, mas posso discordar (isso acontece com a maioria das pessoas, em relação aos mais diversos assuntos). Pois, me perdoe, mas ser homossexual não é a mesma coisa que ser branco ou negro, é realmente mudar seu ritmo e estilo de vida sexual, você vai “trocar” as coisas, que habitualmente acreditamos não precisar trocar, ou para alguns, que é absurdo esta “troca”.

Para a mesma coisa, a suposta guerra Ciência vs Religião – esta guerra, de fato, não existe (o que existe são entendimentos fracos e ruins, de ambos os lados: ateus e teístas). E, se existe, se deve à alguns cristãos um tanto quando, me perdoe o termo, “burros”. E, porque? Bem, depois da reforma o nível teológico de certa maneira diminuiu, quer dizer, o crescimento teológico diminuiu. Mas, depois de um tempo, tanto nos reformados quanto no catolicismo voltou-se as velhas e boas práticas teológicas – o que os quatro cavaleiros chamam de ‘teologia sofisticada’.

Entretanto, depois de um tempo, saiu de dentro da reforma algumas coisas bizarras, como o pentecostalismo-físico (acredita-se que Deus se manifesta e obriga a pessoa a fazer movimentos estranhos).

E com essas práticas, acreditavam que não precisavam da teologia, mas só do Espírito Santo para ler as escrituras. E, vou afirmar, é absurdo dizer isso, sem método histórico, hermenêutico, e exegético, não há como fazer uma boa interpretação bíblica. Ou seja, antes de afirmar qualquer inspiração do Espirito Santo, use o intelecto – use o método.

Dessa forma, em certa medida, tanto ateus, como teístas, tem responsabilidades intelectuais, e devo admitir, talvez pelo nível econômico e social das pessoas, elas não estão tão preocupadas com os assuntos e a *vida do espírito.

Ora, em relação ao homossexualismo a posição dos cristãos devem ficar clara  - política, e questão de liberdade de expressão e opinião; ou seja, devemos ser também contra a homofobia, no sentido, mais razoável da palavra. Em relação a vida do espírito também – nós cristãos temos responsabilidades, porque já passou da hora, de darmos a “razão de nossa fé” (ou seja, razão, não apenas o lado que nos “comove” a isso).

E, por apologética prática quero dizer, que em certos casos pastores acreditam que devem chegar e “evangelizar” (naquele sentido mais fraco teologicamente), e não se **COMPORTAR como alguém decente e racional. No dia a dia, há determinados momentos que são cruciais, não para para “ganhar alguém”, mas para simplesmente dizer e MOSTRAR “nós não somos como a maioria pensa”.

 

*Por vida do espírito, quero dizer apenas, e somente apenas, o estudo e a contemplação da verdade e do conhecimento, no sentido de mediação entre nós seres humanos, e a infinitude.

**Por comportar quero dizer no sentido de simplesmente se portar bem diante de pessoas que possuí um vida intelectual melhor, e não chegar, desde já, já falando asneiras e besteiras em nome de algo que, talvez, tal, não conheça direito. O conhecimento acaba sendo indispensável para aqueles que dizem serem “representantes”; ou seja, devem conhecer bem aquilo que representam. E, não é só o Espírito Santo que dá isso – a responsabilidade é nossa não da parte de Deus.

NOTA: sei que haverá católicos que talvez critiquem o meu texto, mas, talvez eu esteja interessado não exatamente em católicos ou reformados, mas em pessoas que possuem determinado comportamento caracterizado por irracionalidade.

Autor\Editor: Paulo J. de Oliveira

 

Fonte: Apologética prática | teismo.net

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 4 comentários

fevereiro 07, 2011

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Slogan da campanha

 

Lemaitre

 

Gregor Mendel

 

Ronald Fisher

 

Blaise Pascal

 

Francis Collins

 

Lembrando que a idéia aqui, não é causar proselitismo religioso, mas sim, mostrar que a criação científica não é afetada pelas crenças do cientista e vice-versa.

De fato, o atraso científico só pode ser causado pela falta de pragmatismo de uma época ou grupo, mas que não pode ser aplicado a indivíduos como regra.

 

Fonte: "Ciência não é contra religião"

Palavras-chave: ciência, religião

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 8 comentários

novembro 20, 2010

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Abaixo está o manifesto da Universidade Mackenzie tratando dos ataques feitos pelos gayzistas contra a liberdade de expressão e de consciência religiosa. Vários blogs já publicaram este manifesto, que reproduzo aqui:

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro. Para ampla divulgação.

Palavras-chave: democracia, justiça, lei, liberdade, manifesto

Este post é Domínio Público.

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 1 usuário votou. 1 voto | 11 comentários

outubro 27, 2010

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Não vejo diferenças significativas entre os dois candidatos. Mas confio em muita gente que está convicta de algum candidato.

Conheço muita gente que acredita firmemente em alguma(s) diferença(s). Uma boa parte acredita que Dilma é melhor, outra boa parte acredita que Serra é melhor.

Procurei ouvir os argumentos, mas não me convenci que as diferenças apresentadas sejam mais importantes que a semelhança enorme entre os dois candidatos, e os dois partidos.

"Nada mais Saquarema do que um Luzia no poder", ou em palavras de hoje, 'nada mais PSDBista do que um PTista no poder".

O reverso da medalha vale, também: não creio que o Serra, se eleito, vá desmantelar o clientelismo construído pelo governo Lula. Vai ampliar e renomear tudo, tal como o atual governo fez com relação aos programas da era FHC. (Lembra das aulas de história, que no Egito antigo um faraó mandava apagar dos monumentos os nomes dos faraós anteriores? Pois é - a política brasileira está "no mesmo nível" que antigos egípcios).

Enfim, eu me percebo incapaz de ver diferença significativa entre os dois candidatos, ou os dois partidos, mas confio nos meus familiares, amigos e colegas que acreditam perceber alguma(s) diferença(s).

Me sinto como se estivesse vendo uma discussão entre torcedores de futebol apaixonadíssimos, ambos os lados tentando me convencer a torcer pelo time deles, só que se tratam de times de futebol dos cafundós da Estônia. Acostumado com futebol de qualidade, não posso deixar de me declarar igualmente aborrecido pelos dois times.

Mas respeito que hajam torcidas apaixonadas - afinal o futebol é muito mais sobre torcer do que sobre bom esporte. E quem sou eu para torcer o nariz para as torcidas dos cafundós da Estônia?

Não concordo que isso que propõem seja futebol, quero dizer, política, mas já que tem gente que faz tanta questão assim de uma opção ou outra, então vocês que estão apaixonados que decidam.

Vou votar de tal modo que a opinião dos que estão convictos seja mais evidente no resultado final.

Em tempo: hoje saiu a notícia de que o Brasil está na posição 69 dos países menos corruptos. (Link) A Estônia está na posição 26.

Palavras-chave: 2010, eleições, voto nulo

Postado por Renato Callado Borges | 2 usuários votaram. 2 votos | 11 comentários

setembro 02, 2010

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William Daniels Phillips é um físico, ganhador do prêmio Nobel de Física de 1997 juntamente com Steven Chu e Claude Cohen-Tannoudji¹ 

William Phillips

Doutor em Física pelo MIT ( Instituto de Tecnologia da Califórnia ), foi laureado pelo Nobel de Física pela pequisa em resfriamento e aprisionamento de átomos por lasers.

Em 2008 apresentou um seminário sobre ciência e religião na Igreja Luterana da cidade de Mclean, no estado de Virgínia nos Estados Unidos, onde declarou: 

"Para mim, da minha crença religiosa e o desejo de explorar as coisas de investigação científica e para explorar as coisas, há muitas semelhanças entre eles. Como um cientista e um cristão, eu me sinto muito confortável."

 

Referências

  1. "Nobel Prize Winner 'Says God and Science Can Coexist' " - associatedcontent.com
  2. Nobel Prize of 1997 - Phillips
  3. Wikipédia - William Daniel Phillips
¹ Cohen-Tannoudji escreveu um livro didático sobre quântica bem conhecido, "Quantum Mechanics".

 

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 0 comentário

julho 13, 2010

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"Estou procurando mostrar que não há incompatibilidade entre a verdade científica e a revelação: são duas coisas que tratam de espaços diferentes. Uma trata da realidade da vida, a outra trata do transcendental.

E a Bíblia, que é um livro muito interessante de ser lido (principalmente Isaías), não procura ensinar à gente nada de ciência, e sim uma ordem moral. ... a Bíblia não quer ensinar como é que se fez o céu, mas quer ensinar como é que se vai ao céu.

Trata-se de um preceito teológico muito importante, relativo à questão de graça: a pessoa acredita ou não.

Agora, como eu respeito as pessoas que não crêem, quero também que elas respeitem a sinceridade de minha fé."

- Carlos Chagas Filho (1910-2000), médico, membro da Acadameia Brasileira de Ciências

 

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

junho 28, 2010

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O problema do mal é uma das questões existênciais no tocante a teologia.

Quem nunca se perguntou o do porque existe tanto sofrimento no mundo, e mais ainda, se Deus existe, porque ele não faz nada no tocante a isso ?

Eu mesmo em minha indagações já me deparei com estas e outras dúvidas que estão no centro de uma interpretação de mundo com um Deus consciente.

Navegando na rede me deparei com este texto de autoria do Sr. Jaime Quintas no site "Crítica na rede" onde este aborda o problema do mal , e onde veremos a que conclusão ele chega.

"

O Problema do mal

O mundo em que vivemos está repleto de coisas más.

Dor, fome, pobreza, tristeza, guerras, catástrofes e muitas outras coisas.

Faz-nos pensar: "Se eu fosse Deus, acabaria com tudo isso e faria um mundo melhor !"

Dizem que Deus é criador, bom, omnipotente e omnisciente.

Se assim fosse, o mal não existiria; um ser bom e com poderes ilimitados não criaria um mundo mau — criaria um mundo perfeito.

Ao olharmos para o mundo e para os seus habitantes somos levados a concluir que o deus descrito atrás não existe.

Este é o problema do mal. Como podemos compatibilizar um mundo repleto de sofrimento com a existência de Deus? Dificilmente.

O problema do mal pode ser encarado de duas perspectivas distintas: por um lado temos os crentes, para quem o problema do mal é mais um desafio à fé que professam, talvez um Mistério da Fé; por outro, os não crentes, que encaram este problema como um argumento contra a existência de Deus.

Neste texto, irei abordar o problema do mal do ponto de vista do não crente e tentarei demonstrar que, contrariamente ao que o argumento nos diz, o mundo que conhecemos é compatível com Deus.


Deus

O argumento do mal contra a existência de Deus só se coloca quando se discute a existência de Deus tal como é defendida pelos teístas.

Deus sabe tudo, pode fazer tudo, é infinitamente bom e criou o universo.

Por saber tudo, sabe da existência do mal; por poder fazer tudo, pode eliminar o mal; por ser bom, quererá eliminar o mal; e por ter criado o universo é responsável pelo que fez.

Se discutimos a existência de um deus que não reúna qualquer uma destas quatro características fundamentais, o problema do mal deixa de se colocar.

Importa detalhar um pouco o que se entende por um ser omnipotente e bom.

Enquanto, neste contexto, a omnisciência de Deus não levanta grandes questões — Deus sabe do mal que existe no mundo — já a omnipotência e a bondade poderão originar alguns equívocos.

Por omnipotência entende-se a capacidade de fazer tudo o que é logicamente possível.

Assim, Deus poderá criar e destruir mundos, mas não poderá fazer um círculo quadrado ou um objecto demasiado pesado para Ele próprio levantar, dado que isto são impossibilidades lógicas.

Quando dizemos que Deus é infinitamente bom, queremos dizer que Ele quererá fazer o melhor mundo possível, de acordo com critérios humanos.

Uma das maneiras de contornar o problema do mal seria afirmar que o conceito de bondade aplicado a Deus é diferente do aplicado aos seres humanos, pelo que, segundo os padrões de Deus, este seria o melhor mundo possível; o problema está em que, segundo este critério, não podemos afirmar que Deus é bom, uma vez que este conceito perde o seu significado.


Respostas possíveis

Assim, sendo Deus omnipotente, omnisciente, infinitamente bom e criador, como conseguimos compatibilizar o mundo que conhecemos, repleto de mal e sofrimento, com a Sua existência?

Há diversos caminhos para responder a esta questão.

Podemos justificar a existência do mal com base em bens maiores, proporcionados por esse mal.

Temos assim o argumento do livre-arbítrio, que defende ser o sofrimento no mundo originado pela completa liberdade dos seres humanos — é um bem maior que origina o mal no mundo; temos também o argumento dos Santos e dos Heróis, que defende que o mal foi colocado no mundo para permitir a ocorrência de grandes feitos e actos de fé — é o mal que origina um bem maior.

Em qualquer uma destas explicações, e noutras da mesma natureza, faz-se uma tentativa de justificar e explicar todo o mal e todo o sofrimento do mundo.

Ao justificar esse mal com recurso a um bem maior, deixa de ser contraditória a existência de Deus com o mundo que conhecemos.

Este tipo de argumento tem, quanto a mim, um problema de raiz: baseia-se numa análise dos propósitos e intenções de Deus.

Como tal, apenas fará sentido depois de pressuposta uma determinada crença, não sendo possível contrariar a perplexidade dos não crentes perante o mal no mundo.

Existem no mundo inúmeros factores que provocam quantidades exageradas de sofrimento — desde terramotos e outras catástrofes naturais a guerras e acções de extermínio provocado pelos seres humanos.

Será que existe algum tipo de bem que justifique estes males ?

Qual é a justificação para a ocorrência de um terramoto que provoca milhares de mortes ?

Não seria possível para um ser omnipotente proporcionar esses alegados bens sem ter de recorrer a um terramoto ?

Estas e outras perguntas colocam sérios obstáculos aos argumentos de justificação do mal pela criação de bens maiores.

O argumento do mal é extremamente simples e, talvez por isso, muito forte; eventualmente mais forte do que qualquer justificação ou explicação do mal que consigamos arranjar.

Se começamos por tentar explicar ou justificar a existência do sofrimento antes de conseguirmos demonstrar a sua compatibilidade com Deus, nunca conseguiremos ultrapassar o argumento do mal; a nossa argumentação ficará apoiada numa base muito fraca, de nada servindo contra a solidez do problema do mal.

O que eu defendo neste texto é que só conseguiremos ultrapassar o problema do mal, mesmo para aqueles que não crêem em Deus, se conseguirmos provar que a existência de um mundo sem mal é uma impossibilidade lógica.

Se tal for conseguido, segue-se que nem a omnipotência nem a bondade de Deus são postas em causa pela existência do mal no mundo.


O argumento

Quando afirmamos que a quantidade de mal existente no mundo é incompatível com a existência de Deus estamos a afirmar duas coisas simultaneamente:

1) Há demasiado mal no mundo; 

2) É possível a existência de um mundo melhor.

Caso 2 seja falsa, Deus, mesmo sendo omnipotente, terá criado o melhor dos mundos, pelo que o argumento do mal perde a sua força.

Não vou contestar 1, uma vez que me parece óbvia, mas irei desenvolver um pouco mais 2 com vista a provar a sua falsidade.

Quando dizemos que existe demasiado mal no mundo, estamos a basear-nos nas nossas próprias observações.

É o ser humano, o ser que sofre, que diz que o mundo tem demasiado sofrimento; não poderia nunca ser de outro modo.

O sofrimento, quando se trata de abordar o problema do mal, será sempre avaliado pelos humanos.

Assim, as proposições 1 e 2 serão equivalentes, respectivamente, a:

1') Quanto a nós, habitantes do mundo, existe demasiado mal no mundo;

2') É possível que exista um mundo que os seus habitantes considerem suficientemente bom.

O que eu defendo é que 2' é uma impossibilidade lógica, ou seja, que por muito pouco que seja o sofrimento ou mal existente num determinado mundo, este será sempre considerado exagerado pelos seus habitantes.

Assim, o facto de nós considerarmos que o nosso mundo tem demasiado sofrimento não implica que seja um mundo mau; mesmo que o sofrimento existente fosse apenas uma ínfima parte do que agora conhecemos, continuaríamos a achar, com a mesma convicção, que o mundo era demasiado mau.

Verifica-se assim, se 2' for falsa, que o mundo em que vivermos pode ser o melhor mundo possível, independentemente de nós concordarmos ou não.

Note-se que esta afirmação é diferente de dizer que o conceito de bondade de Deus é diferente do conceito de bondade dos homens; o que se diz aqui é que os seres humanos não são observadores isentos e imparciais no que respeita a avaliar o mal do mundo.


A defesa do argumento

Vou agora apresentar argumentos que defendem que 2' é falsa — que não é possível que exista um mundo que os seus habitantes considerem suficientemente bom.

Analisemos antes de mais nada aquilo a que chamamos "sofrimento".

Quanto a mim, todo o sofrimento resulta de uma Necessidade por satisfazer.

Temos as necessidades físicas, que são necessidades no verdadeiro sentido da palavra — se não forem satisfeitas resultarão em sofrimento físico e eventualmente em morte.

Temos as necessidades psicológicas, que habitualmente designamos por "desejos" — aquilo que queremos; se não conseguirmos ter aquilo que queremos, sofremos.

Note-se que o termo "necessidade" é utilizado com dois significados distintos: aquilo que precisamos e aquilo que queremos.

Ao longo do texto utilizarei "Necessidade" para designar o conjunto daquilo que precisamos e daquilo que queremos e "necessidade" para designar apenas aquilo que precisamos.

Conseguimos enquadrar na fórmula das Necessidades por satisfazer todo o tipo de sofrimento: dor (necessidade de bem-estar), fome (necessidade de alimento), doença (necessidade de saúde e bem estar), saudade (necessidade de alguém de que gostamos), tristeza (necessidade de algo/alguém que não temos), etc.

Se pensarmos bem nos vários tipos de sofrimento que conhecemos, verificamos que todos se enquadram neste conceito.

Verificamos também que a maioria dos sofrimentos que consideramos mais graves, aqueles que dizemos incompatíveis com Deus, dão-se quando a Necessidade por satisfazer é do tipo desejo — falta-nos aquilo que queremos, não aquilo que precisamos.

No topo da escala está a morte.

Considero que a morte é sofrimento na medida em que queremos viver, não que precisamos de viver, pelo que será um sofrimento psicológico; a dor eventualmente associada à morte é que será um sofrimento físico.

Em suma: temos necessidades e vontades que, quando não são satisfeitas, resultam em sofrimento.

Para demonstrar que, independentemente da quantidade de mal existente num dado mundo, este será sempre considerado demasiado mau pelos seus habitantes temos que provar os seguintes pontos:

3) Um mundo sem qualquer tipo de mal não é um mundo bom;

4) Um mundo com menos mal do que o nosso, por muito pouco que seja, será considerado demasiado mau pelos seus habitantes.

Imaginemos um mundo sem sofrimento.

Um mundo sem sofrimento é um mundo em que os seus habitantes não têm Necessidades por satisfazer.

Isto pode ser conseguido de duas formas: ou não têm Necessidades ou todas elas estão satisfeitas.

Num mundo sem mal estas duas situações são equivalentes.

Se todas as Necessidades estão satisfeitas, é o mesmo que não haver Necessidades.

Poder-se-á dizer que nós, no nosso mundo, precisamos de água para beber, mas que por vezes essa Necessidade está satisfeita.

No entanto, num mundo sem mal, essa Necessidade nunca esteve ou estará por satisfazer, pelo que os seus habitantes nunca tomaram consciência dela; para eles, será como se não tivessem Necessidade alguma.

Um mundo sem qualquer tipo de Necessidade é um mundo sem emoções, sem sentimentos, sem movimento.

Se não queremos nada nem precisamos de nada, por que razão fazer seja o que for ?

Se pensarmos cuidadosamente verificamos que um mundo sem qualquer tipo de Necessidade por satisfazer não é um mundo bom; com efeito, é um mundo que dificilmente conseguimos conceber.

Muito bem, diremos nós, um mundo sem mal não é um mundo bom.

De qualquer modo, o sofrimento existente no nosso mundo é manifestamente exagerado.

Podemos perfeitamente admitir um mundo em que possa haver sede, fome, alguns desejos não realizados e outras coisas mais, mas daí às guerras, terramotos e sabe-se lá mais o quê, vai um grande salto.

Não temos dúvidas em afirmar que o sofrimento existente no nosso mundo é excessivo, sendo incompatível com a existência de Deus.

Isto leva-nos a 4, que diz que se existe sofrimento num determinado mundo, por muito pouco que seja, este será considerado demasiado pelos seus habitantes.

Um mundo com menos sofrimento do que o nosso, mas mesmo assim com algum sofrimento, será um mundo em que existem algumas, eventualmente poucas, Necessidades por satisfazer, que originam sofrimento.

Quanto a mim, cada indivíduo tem uma escala pessoal de sofrimento, que está relacionada com uma escala pessoal de Necessidades: uns resistem melhor à dor, outros são mais sensíveis, uns são mais fortes emocionalmente, outros choram por tudo e por nada.

Situações semelhantes provocam em cada um de nós emoções diferentes e, se for o caso, sofrimentos diferentes.

Isto deve-se a cada um de nós ter uma escala pessoal de Necessidades, dando uns mais valor a umas coisas do que a outras, precisando uns mais de umas coisas do que de outras.

Todos precisamos ou desejamos diferentes coisas; e mesmo quando Necessitamos das mesmas coisas, a intensidade dessa Necessidade varia.

Podemos classificar as Necessidades da seguinte forma:

Necessidades latentes: São aquelas que ainda não foram consciencializadas por nós.

Há coisas que queremos ou que precisamos mas que ainda não sabemos.

Quando nascemos não sabemos que o ar nos faz falta. A necessidade do ar, nessa fase, é uma Necessidade latente.

À medida que vamos crescendo o número de Necessidades latentes vai diminuindo, apesar de nunca desaparecerem por completo.

Uma Necessidade latente deixa de o ser no momento em que se torna uma Necessidade por satisfazer, passando a ser uma Necessidade activa.

Necessidades activa: São aquelas que já conhecemos e que estão presentes no nosso pensamento.

Uma Necessidade pode estar satisfeita, mas ser uma Necessidade activa. É o caso da necessidade do ar que respiramos — podemos não estar a sofrer com falta de ar, mas sabemos constantemente que nos é imprescindível.

Uma Necessidade activa pode passar a Necessidade adormecida quando se afasta demasiado do nosso consciente.

Todas as Necessidades por satisfazer são Necessidades activas.

Necessidades adormecidas: São aquelas que já conhecemos mas que, de momento, estão longe do nosso pensamento.

Uma Necessidade adormecida é, basicamente, uma Necessidade activa que se foi afastando do nosso consciente.

Se partimos uma perna, vivemos uma Necessidade por satisfazer aguda — a Necessidade que a perna fique boa.

Mesmo depois de curar a perna conhecemos uma Necessidade activa, apesar de não estar por satisfazer, que a perna se mantenha boa.

Ao fim de alguns meses ou anos deixamos de sentir essa Necessidade, passando esta a ser uma Necessidade adormecida — não pensamos mais na perna partida, será apenas uma vaga recordação.

A escala pessoal de Necessidades de cada um de nós, que está intimamente ligada com uma escala pessoal de sofrimento, é determinada pelo conjunto de Necessidades activas que vivemos no momento.

Essa escala não é constante, varia ao longo do tempo em função dos inúmeros factores que determinam as nossas Necessidades.

Quando vivemos uma situação de Necessidade por satisfazer, o sofrimento por ela provocado será função da posição dessa Necessidade na nossa escala pessoal.

Se a Necessidade não satisfeita está no topo da escala, sofremos muito, se está na base, sofremos pouco.

Se me telefonam a meio da noite a dizer que alguém que me é querido teve um acidente e faleceu, sofrerei imenso.

No momento em que recebo o telefonema estou longe de imaginar que tal vai acontecer — a Necessidade que tenho dessa pessoa é uma Necessidade adormecida ou então activa mas distante da minha consciência.

Como tal, a situação que estou a viver é de uma Necessidade por satisfazer elevadíssima, nesse momento é o topo da minha escala, não estou consciente de mais Necessidades que possam surgir naquele momento.

Sofro imenso.

Por outro lado, imaginemos que houve um terramoto, com milhares de vítimas, num lugar onde diversas pessoas que me são queridas estão a passar férias; as notícias que tenho apontam para que ninguém tenha sobrevivido.

Depois, recebo a notícia de que afinal apenas uma pessoa faleceu; o sofrimento que sinto será certamente elevado, mas inferior ao do exemplo anterior.

As notícias precedentes aumentaram consideravelmente a minha escala de Necessidades activas.

A morte de "apenas" uma pessoa já não está no topo da escala, passou a estar num nível mais abaixo.

Quantas vezes, ao viver uma situação de tristeza, não tentamos inconscientemente aumentar a nossa escala de Necessidades activa, para diminuir o sofrimento que sentimos.

Pensamos naqueles que estão pior do que nós, tentamos imaginar que poderia ser pior; em suma, tentamos alargar a nossa escala de Necessidades activas, de modo a que a Necessidade por satisfazer que causa o nosso sofrimento desça um pouco de nível, diminuindo com isso o sofrimento que sentimos.

Voltemos agora ao mundo ideal, com algum sofrimento mas em menor quantidade do que o nosso.

Para que este mundo tenha menos sofrimento temos duas hipóteses: ou existem menos Necessidades ou o seu grau de satisfação é maior.

Qualquer uma destas situações resulta numa escala de Necessidades activas de menor amplitude — a quantidade de Necessidades por satisfazer é menor.

No entanto, depois do que foi dito anteriormente, facilmente se verifica que qualquer criatura desse mundo que viva uma Necessidade por satisfazer do topo da sua escala, seja ela qual for, estará a sofrer intensamente.

Mesmo que esse sofrimento seja provocado por uma unha encravada, se for o topo da escala de Necessidades activas, será um sofrimento atroz.

Vemos situações destas todos os dias, especialmente com as crianças.

Uma criança que viva numa família estável, com um nível de vida médio ou elevado, vive num mundo semelhante ao mundo que dizemos ideal, com pouco sofrimento.

Com efeito, esta criança não conhece nenhum tipo de sofrimento que nós, adultos, dizemos ser elevado: não conhece a fome, a morte, a pobreza, a guerra nem nenhuma outra das desgraças do mundo.

No entanto não podemos dizer que essa criança não sofre; quando quer algo que não pode ter o seu sofrimento será extremamente elevado, essa Necessidade por satisfazer está no topo da sua escala pessoal.

Os pais dirão que é apenas uma birra, o sofrimento que o filho está a sentir não é nada comparado com o que existe à sua volta.

Na escala de Necessidades dos pais, que já conhecem muitos outros tipos de sofrimento, a falta desse brinquedo está no nível mais baixo, se é que chega a figurar nela.

Alternativamente, podemos imaginar um mundo em que a escala de Necessidades activas seja bastante alargada, mas em que os seus habitantes apenas vivam situações "a meio da escala".

O problema desta hipótese está em que para a escala das Necessidades activas ser alargada será necessária uma tomada de consciência das Necessidades que a compõem, caso contrário estas passarão a Necessidades adormecidas ou então nunca deixarão de ser Necessidades latentes.

Para uma Necessidade ser activa temos que tomar algum tipo de contacto com ela, seja porque foi uma Necessidade por satisfazer, mesmo que temporariamente, ou porque sabemos de alguém que a sofreu.

Se o conhecimento que temos dessa Necessidade é muito afastado, não será uma Necessidade activa.

Para qualquer um de nós, a necessidade que temos de um sistema solar estável é algo que está longe dos nossos pensamentos, é uma Necessidade latente muito reduzida; no entanto, se imaginarmos que o planeta Terra estará habitado pelos nossos descendentes daqui a alguns milhões de anos, quando se prevê que o Sol se expanda consumindo todo o sistema solar interior, esta Necessidade será fortíssima, estará certamente no topo da escala.

Eventualmente dirão: "Um terramoto ou uma guerra mundial até seria compatível com Deus, agora um conjunto de planetas consumido por uma bola de fogo ? Nunca !"

Em jeito de resumo podemos dizer que qualquer situação de Necessidade por satisfazer próxima do topo da escala de Necessidades activas será insuportável para quem a vive.

Por outro lado, a escala pessoal de Necessidades activas, que condiciona o sofrimento, é definida pelo sofrimento máximo que conhecemos.

Assim, num mundo em que haja sofrimento, por muito pouco que este seja, haverá necessariamente situações de sofrimento insuportável, do topo da escala do sofrimento, que serão consideradas por quem as vive como incompatíveis com Deus.


Conclusão

Prova-se assim que a existência de um mundo considerado bom pelos seus habitantes é logicamente impossível, pelo que um mundo considerado mau pelos seus habitantes não se torna incompatível com Deus.

O nosso mundo é considerado mau pelos seus habitantes; mas daí não se segue que é incompatível com Deus.

Faço notar, para finalizar, que o argumento que defendo apenas nos diz que o mundo que conhecemos é compatível com a existência de Deus.

Não podemos daqui inferir que Deus é bom, que Deus existe ou sequer que se Deus existisse, seria bom; não podemos a partir deste argumento justificar o mal que há no mundo, nem sequer concluir que o mundo é bom.

O argumento apenas nos diz que não podemos retirar do problema do mal, tal como enunciado no início, que Deus não existe.

A partir daqui podemos avançar para uma tentativa de justificar o sofrimento existente no mundo e, eventualmente, provar que este é o melhor mundo possível.

Este caminho será, mesmo com base no argumento exposto, extremamente difícil; apesar de termos demonstrado que o problema do mal não é conclusivo quanto à existência de Deus, este continua a ser extremamente forte.

Aquele que coloca o problema do mal poderá sempre dizer que, no mundo em que vivemos, as situações de sofrimento do topo da escala média dos humanos são muito mais frequentes do que o necessário.

Seria suficiente um terramoto de vinte em vinte anos para "alargar" a nossa escala de sofrimento, resultando isso num sofrimento médio mais reduzido.

Por outro lado, o crente poderá dizer que não é bem assim, que nos parece a nós que o sofrimento é todo do topo da escala porque, em face de situações de sofrimento elevado, temos tendência para esquecer o sofrimento mais reduzido.

Podemos agora dizer, seguramente, que um mundo com mal é compatível com Deus; mas será que podemos dizer que o nosso mundo, com o mal que nele existe, também o é?

Fica a pergunta, faltam as respostas.

"

Leituras:

  • Richard Swinburne - "Por que Razão Deus Permite o Mal" in "Será que Deus Existe ?", Cap. 6 (Gradiva, 1998)
  • Brian Davies - "God and Evil" in "An Introduction to the Philosophy of Religion", cap. 3 (Oxford University Press, 1993)
  • J.L. Mackie - "The Miracle of Theism" (Oxford, 1982)

Fonte: Crítica na rede | O problema do mal

 

Palavras-chave: deus, filosofia, problema do mal, religião

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janeiro 18, 2010

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novembro 01, 2009

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Num mundo onde a tecnologia e a ciência têm se tornado a palavra final para muitos assuntos, pouquissimos instruidos nas vertentes do conhecimento humano têm gasto seu tempo pra pensar no significado e nas consequências do tamanho aumento do conhecimento humano.

Longe de menosprezar a maravilha que é a construção desse conhecimento, devemos nos precaver das armadilhas que a tentação de poder causa naqueles que o detêm, exatamente peso em importância que possue tal matéria.

Esse texto extraido da Revista Eletrônica Espiral, publicado pela ECA-USP ( Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo ), diz um pouco dessas consequências - senão a primeira delas.

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O termo fundamentalismo científico designa a atitude de colocar a ciência e a opinião dos cientistas  como verdades incontestáveis.  Seus principais representantes não são charlatões ou jornalistas que ignoram mas escrevem sobre ciência.

Ao contrário, muitos fundamentalistas científicos são cientistas de renome.

A palavra fundamentalismo tem um sentido parecido com radicalismo. Fundamentalismo é a fidelidade aos fundamentos de uma teoria, ideologia ou crença. Já o radicalismo vem da palavra raiz onde esta última também tem o sentido de fundamento. Os adjetivos fundamentalista e radical são positivos se tomados etmologicamente. Mas o sentido que estas palavras tem hoje em dia é depreciativo. Ser fundamentalista ou radical significa defender uma idéia de forma estreita e irracional, sem adaptações, atacando qualquer pessoa que discorde dela. Destacam-se hoje em dia o fundamentalismo religioso, político e científico. O fundamentalismo religioso moderno caracteriza-se por uma interpretação literal de textos sagrados (Bíblia e Alcorão respectivamente para os fundamentalismos cristão e islâmico). Já o fundamentalismo político é marcado pela tentativa de aplicação de ideologias políticas e sociais por meios não democráticos como golpes de estado, extermínio de populações, sequestros de figuras públicas, etc. No fundamentalismo científico o que mais chama a atenção é a tentativa de qualificar a ciência como perfeita e desqualificar todo e qualquer conhecimento não científico.

O procedimento adotado por teólogos e cientistas políticos no combate aos fundamentalismos religioso e político é exibir os princípios respectivos de suas religiões e teorias políticas. Os cientistas e os divulgadores de ciência precisam seguir os mesmos passos para desmascarar o fundamentalismo científico. Explicando o que é ciência, desmonta-se o discurso fundamentalista. O que é ciência ?

A ciência e o método científico

Sem pretensão de fornecer uma resposta definitiva, ciência é o conhecimento obtido graças ao método científico. Esta resposta pode parecer ingênua, mas ela é um lembrete de que a ciência é metódica. Embora a aplicação do método científico seja muito ampla, não existe ciência anárquica ou alternativa. Mas o que é o método científico.

Há muitas definições de método científico. Novamente sem grandes pretensões de fornecer respostas definitivas, o método científico pode ser definido como elaboração de hipóteses para explicar determinado fenômeno seguida de coleta de dados experimentais para confirmar ou negar cada hipótese. As hipóteses confirmadas formam o conhecimento científico. Para ilustrar a ciência e seu método é possível citar a ``lei da queda dos corpos'' e a "teoria atômica''.

O filósofo grego Aristóteles (séc. IV a.C.) acreditava que os corpos mais pesados caiam mais rápido que os mais leves.

Já Leonardo da Vinci (sécs. XV e XVI) propôs a hipótese de que o peso não afetava as velocidades dos corpos. Era a resistência do ar que podia tornar a queda mais suave ou até sustentar um corpo. Usando este princípio, Leonardo projetou (sem construir) o para-quedas, o helicóptero e diversas máquinas voadoras. Ele também propôs uma fórmula matemática para descrever como a velocidade de queda dos corpos variava com o tempo na ausência da resistência do ar. Outro italiano, Galileu Galilei (sécs. XVI e XVII), fez diversos diversos experimentos envolvendo planos inclinados. Ele testou e confirmou experimentalmente a hipótese de Leonardo.

Mas os experimentos também revelaram que a fórmula de Leonardo para a velocidade estava errada. Galileu supôs outra fórmula que os experimentos confirmaram. Galileu é considerado um dos primeiros cientistas da história, no sentido de pessoa que usou o método científico para tirar suas conclusões. Leonardo também foi um exímio observador da natureza, mas faltou a ele o rigor metódico de Galileu.

Os filósofos gregos Leucipo de Mileto e seu discípulo Demócrito de Abdera (sécs. V e IV a.C.) postularam que todas as coisas eram formadas por partículas indivisíveis, em grego, átomos. O filósofo Epicuro aperfeiçoou a filosofia atomista, mas depois que as idéias de Aristóteles se tornaram mais populares, o atomismo foi abandonado. Retomado por filósofos árabes e posteriormente por alguns alquimistas, o atomismo continuou sendo uma tese filosófica. Foi o inglês John Dalton (séc. XIX) que tratou a idéia de átomo como uma hipótese a ser testada cientificamente.

Ao analisar diversos experimentos envolvendo difusão de gases em líquidos e medida da pressão em misturas gasosas, Dalton confirmou a hipótese de que toda a matéria era formada por partículas. Como os experimentos da época não revelavam que estas partículas podiam ser divididas, ele as chamou de átomos. Experimentos posteriores revelaram que a partícula de Dalton não era indivísivel. A partícula ``descoberta'' por Dalton continuou sendo chamada de átomo, mas a hipótese dela ser indivisível foi descartada.

Voltando ao tema deste artigo, o fundamentalismo científico omite a possibilidade e necessidade de experimentação e ainda a revisão das hipóteses por novos experimentos. Nem toda a hipótese pode ser testada experimentalmente. Por exemplo, supondo que Deus existe, como fazer um experimento que teste esta hipótese ? A ciência não pode afirmar nem negar a existência de Deus. Questões de cunho religioso em geral não podem tratados pela ciência, nem confirmando, nem negando.

Mesmo as hipóteses que podem ser testadas nem sempre o são, seja por razões tecnológicas, seja pelo custo financeiro do experimento. Para citar um exemplo famoso, Einstein propôs os princípios do que seria o laser em 1916. Mas o experimento só pode ser realizado em 1953.

E até as hipóteses testadas e confirmadas podem ser descartadas, pelo menos parcialmente, por novos experimentos. Todo o conhecimento científico de hoje em dia ``pode'' simplesmente estar errado. Novos experimentos poderão revelar que as hipóteses se confirmaram porque os aparatos experimentais não foram tão precisos. Por exemplo, a lei da queda dos corpos de Galileu continua sendo confirmada em experimentos nas proximidades da crosta terrestre. Já a indivisibilidade do átomo de Dalton foi descartada por experimentos posteriores.

Um jornalista ou escritor que apresenta um tópico de ciência sem fazer referências aos experimentos, mesmo se tratando de fatos devidamente comprovados, não está fazendo divulgação científica. Ele está propagando o fundamentalismo científico!

 Precedentes históricos do fundamentalismo científico

O fundamentalismo científico não é um fenômeno novo. O mesmo Galileu Galilei que testou tão rigorosamente suas hipóteses, tratou a afirmação de que a Terra gira em torno do Sol como uma verdade absoluta. O Papa Urbano VIII, considerado pela Igreja Católica Apostólica Romana como representante terrestre de Jesus Cristo (chamado de galileu em alguns trechos da Bíblia), entendeu melhor do que Galileu Galilei o caráter não fundamentalista do conhecimento científico. O Papa propôs a Galileu Galilei que apresentasse o heliocentrismo como hipótese que simplificava cálculos astronômicos. A visão deste papa se adequa a descrição do movimento como dependente do referencial. No referencial da Terra é o Sol que se move. Porém, o visão ampla de Urbano VIII não era a mesma dos inquisidores, mas isso é outra história ...

Assim como Galileu Galilei, outros cientistas de renome assumiram uma postura fundamentalista. John Dalton rejeitou a idéia que existissem partículas menores do que seu átomo, Albert Einstein nunca aceitou os postulados da Mecânica Quântica, etc.

 Fundamentalismo Científico e Pseudociência

Um dos objetivos da divulgação científica é denunciar as idéias apresentadas como sendo científicas sem serem de fato. O termo genérico dado a estas idéias é pseudociência, onde o prefixo grego pseudo significa falso. Geralmente apenas as teorias apresentadas por charlatães é classificada como pseudociência. Citando exemplos populares de teorias pseudocientíficas, a realidade é produto de nossa consciência (comprovado pela Mecânica Quântica), a água pode gravar nossos estados emocionais e o congelamento deste líquido fornece provas disso, a água em contato prolongado com ímãs adquire poderes curativos, a teoria do design inteligente, o criacionismo, a teoria da Terra Oca, a origem atlante dos povos indo-europeus, etc. Não existem provas de nenhuma destas hipóteses. E muitas pessoas desonestas lucram alto com estas ``teorias'', vendendo livros, lançando documentários, etc. Mas por que interromper este texto sobre fundamentalismo científico para falar de pseudociência ? Porque o fundamentalismo científico poderia ser classificado como pseudociência.

Ao fazerem afirmações polêmicas como ``Deus não existe'', ``a religião é prejudicial à humanidade'', ``não há vida depois da morte e nem em outros planetas'' entre outras, os fundamentalistas ficam famosos e ganham espaço na mídia. Todos os ativistas anti-religiosos se juntam a eles e a ciência é apresentada como a verdade que veio varrer todas as crenças. Em contrapartida, os fundamentalistas religiosos se aglutinam para contestar os fundamentalistas científicos e apresentam a ciência como algo diabólico. E surgem debates infindáveis onde ninguém quer ouvir, apenas falar. Explode o ódio irracional incompatível tanto com o amor pregado pela religião como pela razão defendida pela ciência. Cada fundamentalista agrada seu respectivo público. Todos ganham exceto a ciência.

Mostrar o fundamentalismo científico como pseudociência é difícil justamente porque o primeiro ataca o segundo. Eis algumas características da pseudociência que também caracterizam o discurso fundamentalista:

  • respostas prontas para questões que sequer podem ser testadas experimentalmente, como por exemplo especulações de religiosos, dilemas filosóficos, etc.
  • apresentação da ciência como conhecimento definitivo, ignorando-se a evolução histórica desta.
  • omissão dos fundamentos filosóficos da ciência ou de qualquer reflexão sobre a mesma como por exemplo as apresentadas por Karl Popper, Thomas Kuhn, Paul Feyerabend, Gaston Bachelard, etc.
  • apresentação idealizada de cientistas como homens sem crenças, sem ideologias, sem interesses políticos e imparciais cujo o único ponto de partida de suas declarações é a ciência.

Apesar de tudo o que foi escrito neste texto, a grande dificuldade em lidar com o fundamentalismo científico não está em sua caracterização. A tentação narcisista do cientista e do divulgador em apresentar-se como o sábio que tem as respostas é o fundamento do fundamentalismo científico. E "talvez'' a vitória sobre estas tentações sejam um dia alcançadas pela própria ciência.

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Texto original do *Dr. Leonardo Sioufi Fagundes dos Santos, publicado na Revista Eletrônica Espiral.

 

* Bacharel, Mestre e Doutor em Física pelo Instituto de Física da USP e pós-graduado em Matemática Pura pelo Instituto de Matemática e Estatística da USP

 

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Críticas de qualquer categoria são bem vindas, mas dado o carater polêmico de tal assunto, apelo para o bom senso e boa educação daqueles que desejam manter um canal de comunicação como o STOA com o nível de qualidade que é adequado á um meio de comunicação feito por universitários e acadêmicos.

A sociedade espera isso de todos nós.

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 2 comentários

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outubro 18, 2009

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Este texto foi extraido do blog "Crítica na rede", onde são publicados textos de filosofia, curtos, mas com boa qualidade - como todo blog tem que ser.

Esse texto em especial faz parte da seção "filosofia da religião", e tema sobre a problematica de tomar Deus como um principio epistemológico.

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Por onde começar a investigar filosoficamente o problema de Deus ?

Que questão deve ter prioridade sobre as outras ?

Saber se existe ? Saber o que é ?

Ou saber se é possível conhecer alguma coisa a seu respeito ?

À primeira vista, qualquer uma parece igualmente boa para começar, mas uma análise mais cuidadosa revela que não é assim.

Rapidamente se descobrem prós e contras em todas e o optimismo inicial corre o risco de se converter em pessimismo céptico e paralisar a investigação.

Analisemos cada uma com algum detalhe e vejamos onde isso nos conduz.

Admitamos, por hipótese, que é a primeira a melhor para iniciar:  "Deus existe ou não ?"

Não é lógico que é esta a questão das questões, a primeira de todas, a que deve ser colocada e respondida antes de qualquer outra ?

Pois,  se Deus não existir, que sentido faz continuar a colocar as outras questões ?

Nenhum, não é verdade ? Se não existir, a questão da sua identidade ou essência, bem como do nosso conhecimento dele, são questões vazias e absurdas; por isso, devemos decidir primeiro se Deus existe ou não e só depois perguntar o que é e o que podemos saber sobre ele, certo ? Errado ! Pois, por outro lado, que sentido faz perguntar se Deus existe, sem sabermos o que ele é ?

Sem sabermos do que estamos a falar quando usamos a palavra "Deus", qual o seu significado ? Nenhum, como é evidente ! Não é absurdo perguntar se algo existe, sem que façamos a mínima ideia do que é esse algo ?

Portanto, talvez a segunda questão deva ter prioridade lógica e metodológica sobre as outras duas ! Definir primeiro o objecto que se quer conhecer e só depois determinar se ele existe e pode ser conhecido ou não.

Mas também aqui podemos encontrar uma objecção a esta tese: como é possível determinar a identidade essencial de algo que se desconhece se existe ou sequer se pode ser conhecido ?

Determinar a essência de uma coisa ou ser não implicará um duplo compromisso ontológico e epistémico com a sua existência real e com a possibilidade de o conhecer ?

Dizer que X é igual a Y ou que pode ser caracterizado pelas propriedades A, B e C, não pressupõe a existência de X e o nosso conhecimento do mesmo ?

E como podemos nós afirmar a essência ou existência de algo sem que isso pressuponha ou implique o nosso conhecimento desse algo, precisamente da sua essência e/ou existência ?

Não será então mais acertado, e porventura a única via possível, começar com a terceira e última das questões, isto é, saber se podemos ou não conhecer algo sobre o objecto em causa ?

Afinal é possível saber algo sobre Deus ou não ?

Só resolvendo isto, podemos e devemos avançar para as outras, já que uma resposta negativa a esta questão esvazia e impossibilita qualquer uma das outras; se nada podemos saber em relação a Deus, nem o que é nem se existe, resta-nos acatar humildemente a conhecida máxima lógico-filosófica segundo a qual devemos calar aquilo de que não podemos falar — mas aqui sem qualquer saída mística, simplesmente suspendendo todo o juízo sobre o objecto, por impossibilidade cognitiva radical !

Mas, uma vez mais, também aqui se pode descobrir um argumento contra tal tese: como podemos decidir que nada se pode saber sobre algo que desconhecemos ?

Não é isto absurdo ? Afirmar que não podemos conhecer um objecto qualquer, real ou imaginário, concreto ou abstracto, possível ou actual, não implica saber ou acreditar que isso existe e o que isso é ?

Caso contrário, que legitimidade racional temos para defender tal ideia ?

Mas então, se cada uma das questões parece reenviar para as outras, pressupondo-as e/ou implicando-as reciprocamente numa rede de interdependências, como desatar este nó lógico, como sair deste beco aparentemente sem saída da investigação filosófica sobre Deus ? Haverá uma saída ?

Ou estamos condenados a mais uma aporia do começo, sem solução racional possível, a não ser o agnosticismo radical face a qualquer uma dessas questões e ao problema de Deus como um todo ?

Será que existe uma quarta questão que resolve o problema?

Será a escolha arbitrária e o ponto de partida indiferente?

Será a questão do começo uma falsa questão?

Será possível atacá-las a todas ao mesmo tempo ?

Será a aporia real ou aparente ?

Como resolver este dilema, ou melhor, este trilema, uma vez que são três questões ?

A solução existe e pode ser inspirada no engenho mítico de dois personagens históricos: Alexandre e a história clássica do nó górdio e Colombo e o lendário problema do ovo.

Analogamente ao corte do nó com a espada e à quebra da base do ovo, a solução da nossa perplexidade teológico-filosófica consiste na sua dissolução, isto é, em perceber que, na realidade, uma das questões pode e deve ser preferida às outras, porque uma das objecções que enfrenta não é, pura e simplesmente, correcta e assenta num equívoco que pode ser desfeito.

De facto, não só é possível, como é mesmo requisito prévio, indispensável a qualquer investigação, que se defina previamente, conceptualmente, o objecto a investigar, pois, caso contrário, não só não se saberia o que procurar, como, caso se descobrisse a resposta, nunca se saberia se era verdadeira ou falsa, dada a indefinição original quanto às condições necessárias ou suficientes que a mesma deveria satisfazer. Assim, a definição conceptual de Deus, a sua caracterização prévia como um ser com determinadas propriedades essenciais específicas (reconhecidas, aliás, salvo pequenas diferenças, por todas as religiões monoteístas e tanto por crentes como por ateus e agnósticos), é condição necessária para se inquirir quer a sua existência, quer a sua cognoscibilidade, e não implica qualquer compromisso ontológico ou epistémico, uma vez que se trata tão só de definir o significado de um termo, a forma como é usado, ou aquilo que queremos dizer quando falamos disso — em suma, o conceito de Deus.

"De que falamos quando falamos de Deus ?" - eis a questão prioritária, que é, no fundo, outra maneira de perguntar "o que é Deus", ou seja, a que tipo de ser corresponde o termo "Deus".

Tal como inquirir se existem o Papai Noel, Mickey Mouse, Super-Homem ou o Conde Drácula, pressupõe tão só que saibamos do que estamos a falar — isto é, que conheçamos o significado desses termos — não implicando qualquer compromisso ontológico — isto é, não implica qualquer crença prévia na sua existência — também no caso de Deus isso acontece e fica assim claro qual deve ser a questão que deve iniciar a investigação.

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Fonte:  "Deus: por onde começar ?" de João Carlos Silva, extraido do site "Crítica na Rede"

 

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Críticas de qualquer categoria são bem vindas, mas dado o carater polêmico de tal assunto, apelo para o bom senso e boa educação daqueles que desejam manter um canal de comunicação como o STOA com o nível de qualidade que é adequado á um meio de comunicação feito por universitários e acadêmicos.

A sociedade espera isso de todos nós.

 

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 5 comentários

setembro 27, 2009

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Alice Detector

Olá!

Tal como eu escrevi no primeiro post a respeito deste treinamento que estou realizando aqui no CERN, a física relacionada ao experimento ainda me escapa, e por isso peço aos físicos que lerem este post que por favor me corrijam!

O Alice é um dos detectores do LHC. Talvez fosse mais adequado dizer que se trata de um "sistema de detecção", ao invés de simplesmente dizer que se trata de "um" detector.

O site relacionado especificamente com o Alice é o http://aliceinfo.cern.ch, aonde pode-se encontrar, por exemplo, a imagem abaixo, que indica os detectores que compõem o Alice.

Alice Detector Schematic

A imagem em detalhe é dos detectores mais centrais, que estão posicionados mais próximos do ponto aonde os feixes se cruzam. Esse subconjunto é chamado de ITS (Inner Tracking System).

Como pode ser visto na figura, o Alice é composto por diferentes detectores, que utilizam diferentes mecanismos para realizar suas medições. Além disso, cada detector tem uma finalidade específica.

A imagem no começo do post mostra o Alice "real".

O Alice é controlado a partir do ACR (Alice Control Room), que fica num prédio logo acima do detector, e que portanto também é o local a partir do qual pode-se ter acesso físico ao Alice. Na foto abaixo, o ACR fica atrás dos blocos de concreto à direita.

ACR

O ACR ele mesmo é composto por três salas, em geral bastante ocupadas e caóticas. Eu aproveitei uma noite em que não havia feixe, e tirei fotos das salas vazias, para mostrar melhor o local.

ACR Sala 1

 

Acima e abaixo: salas de controle de detectores individuais.

Sala de controle 2

Sala de controle 3

Acima: sala de controle dos sistemas de detecção.

Meu treinamento tem como foco o controle dos sistemas de detecção, e por isso irei falar um pouco sobre os três sistemas que eu já operei: DAQ, HLT e CTP. Eu irei explicar as coisas "de trás para frente", ou seja, vou mostrar os resultados e depois explicar como esses resultados são obtidos, pois me parece que assim aquilo que estou descrevendo não fica tão abstrato.

A imagem abaixo é a da tela de reconstrução de eventos online. Essa reconstrução é feita ao mesmo tempo em que a tomada de dados é feita, e ilustra o resultado de uma análise inicial dos dados, sendo que uma análise mais aprofundada deve ser realizada offline (online quer dizer ao mesmo tempo que a tomada de dados, e offline, independentemente da tomada de dados).

EVE

O que pode ser visto nesta imagem são os detectores, que são mostrados transparentes. Em opaco, temos bolinhas que indicam os pontos em que foram detectadas partículas, e as linhas que ligam esses pontos foram calculadas pelo reconstrutor de eventos. Essa imagem portanto é uma primeira reconstrução do estado do detector num certo instante, e que indica as trajetórias mais prováveis para certas partículas.

Quanto à física, essa imagem ilustra um evento de raios cósmicos, pois como se pode ver, as trajetórias das partículas apenas atravessaram o detector, não tendo se originado do centro, como é de se esperar numa colisão dos feixes. Esses eventos - chamados por aqui de cosmics - permitem calibrar diversas partes do sistema, na ausência de colisões reais de feixes de núcleos pesados.

Eu disse que os cosmics são um tipo de evento. As especificidades dos detectores que compõem o Alice fazem com que cada componente do Alice produza dados com frequência e quantidade de dados específicas. Mas esses dados, para que tenham relevância física, devem ser agregados no que se convencionou chamar de "eventos", e que descrevem o estado da matéria dentro do Alice num certo instante.

Mas como os detectores produzem dados em taxas diferentes, se estivéssemos "lendo" os dados de todos os detectores o tempo todo, seríamos sempre limitados a obter eventos de acordo com o detector mais demorado.

Essa limitação é incontornável, mas neste caso, "less is more". Tomar menos dados do que o máximo absoluto é uma estratégia muito interessante para aumentar a relevância física do experimento.

Isto é feito através do que é chamado de triggers (gatilhos). O princípio é o seguinte: ao invés de realizar a leitura sempre que o equipamento estiver livre, a leitura é iniciada apenas em certos detectores, os triggers. Se aquilo que for lido no trigger indica que ocorreu um evento relevante, só então os demais detectores são acionados. Dessa forma, são lidos menos dados - mas aumenta-se a taxa de leitura dos eventos interessantes, que por aqui são chamados de rare events (eventos raros).

A especificação de quais detectores serão triggers, e com que frequência, e com uma série de outros detalhes, é feita pelo operador do CTP, que trabalha na estação ilustrada abaixo.

CTP

Um conjunto de configurações feitos no CTP é chamado de "partition" (partição). Fundamentalmente, determina quais dados serão lidos, e com que taxa. Mas para que um evento possa ser reconstruído, também é necessário coordenar a leitura dos dados. Essa coordenação é feita pelo DAQ (Data Acquisition), que muitas vezes é realizado pelo operador do ECS.

A função do ECS é selecionar as partições que serão ativadas durante a execução da experiência (por aqui essa execução é chamada de run), e remover detectores individuais (que poderiam ser removidos no CTP, mas é bom que um sistema complexo tenha redundância!), e também indicar quais LDCs e GDCs serão utilizados para transformar os dados dos detectores em eventos. LDC significa Local Data Concentrator e GDC, Global Data Concentrator.

ECS

Acima, a estação de trabalho do operador ECS, que muitas vezes é chamado de DAQ. (Espera-se que essas duas tarefas sejam fundidas em breve. Aliás espera-se que o controle da experiência seja amplamente automatizado, assim que toda a calibragem e testes forem concluídos).

Obviamente, esta descrição é bastante simplificada e existem muitos detalhes que só poderiam ser apreciados vendo o sistema em funcionamento. Por exemplo, entre a leitura do detector e a gravação dos dados existe todo um subsistema, chamado de HLT (High Level Trigger).

HLT

Acima, a estação de trabalho do operador HLT.

A função do HLT é equivalente à do trigger: ambos recebem uma parte dos dados e decidem, com base nesses dados parciais, se o conjunto total dos dados tem relevância física, e então ativam (ou não) a próxima etapa da coleta de dados.

Os triggers, como expliquei acima, são os detectores "rápidos". Se sua leitura indica que eles detectaram alguma partícula, pode ser ou não o caso de que ocorreu um evento raro. Então a leitura de todos os detectores é feita, a menos que exista alguma contra-ordem.

Após a leitura dos dados dos detectores, esses dados devem ser armazenados em algum lugar. Os detectores do LHC irão gerar um volume de dados impressionante, e portanto não é possível armazenar todos esses dados num único local físico. Os dados são distribuídos para centros computacionais no mundo todo (inclusive para o Brasil).

Antes dessa distribuição, os dados são armazenados localmente, e como existe um intervalo de tempo entre uma leitura e outra que é ao menos igual ao intervalo de tempo que leva para o detector mais "lento" fornecer seus dados, é possível usar esse tempo para fazer uma análise superficial dos dados obtidos. Essa é a função do HLT.

HLT Cluster

Na foto acima, pode-se ver uma parte do cluster do HLT que é localizado nas proximidades do Alice, e que recebe os dados vindos do detector.

Quando eu digo "análise superficial" eu me refiro à impossibilidade de fazer uma análise que considere todas as quantidades físicas relacionadas a cada partícula, pois uma análise tão "profunda" exigiria muito mais cálculos, e portanto mais tempo, o que não é disponível - só temos o tempo entre uma tomada de dados e outra, algo da ordem de 1 milissegundo.

Atualmente, o HLT realiza, em especial, a reconstrução das trajetórias mais evidentes (tal como pode ser visto na ilustração do cosmic). Após essa reconstrução, um evento pode ser descartado ou gravado. Por exemplo, caso não possua ao menos X trajetórias, pode ser descartado.

Estes três sistemas de controle, CTP, DAQ, HLT, são os sistemas através dos quais é otimizada a probabilidade de que os dados efetivamente obtidos no Alice sejam de relevância física. Isto é feito levando em conta as restrições do mundo real, como dinheiro e tempo limitados, e com o objetivo de selecionar os eventos mais relevantes de acordo com certa configuração.

Eu creio que a pergunta que deveria ser feita nesse ponto é: como escolher uma configuração para o Alice? A resposta dessa pergunta exige uma compreensão clara da física relacionada à colisão de núcleos pesados em velocidades relativísticas, e eu não tenho essa compreensão, de modo que paro por aqui.

Numa nota mais pessoal, quero colocar uma foto de Genebra, que pude visitar duas vezes até agora. Pelo que pude perambular pela cidade, esses prédios são característicos de bairros residenciais.

Genebra, Rue des Eaux Vives

Assim como no CERN, ouve-se idiomas do mundo inteiro caminhando por Genebra. Eu tive a sorte de ir num dia em que ocorria uma feira em que as pessoas levaram todo tipo de coisa para vender ou trocar (comprei um livro sobre Switches Gigabit por 5 francos suíços : ) e havia nessa feira um certo ar de Brasil, com espetinhos feitos na calçada, rapaz com violão cantando MPB e muita gente falando e rindo.

As árvores nesta última semana mudaram de cor, e segundo o pessoal daqui, mais experimentados nesse negócio chamado outono, as folhas vão cair logo logo. Mas dizem que este ano o outono está demorando pra chegar. Deve ser sorte de brasileiro : )

Palavras-chave: ACR, Alice, Alice Control Room, Central Trigger Processing, CERN, CTP, DAQ, Data Acquisition, ECS, Experiment Control System, Genebra, High Level Trigger, HLT, LHC, Point2

Este post é Domínio Público.

Postado por Renato Callado Borges | 0 comentário

setembro 13, 2009

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Dr. Francis Collins, ex-ateu - e agora Cristão convicto - foi nomeado pelo Presidente Norte-Americano Barack Obama, como Chefe do Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

Collins é o cientista responsável pelo mapeamento do código genético além de ter sido o cientista que mais rastreou genes com a finalidade de encontrar tratamento para diversas doenças e esteve na liderança do projecto genoma humano.

Numa entrevista dada há dois anos ao canal televisivo CBN News, Collins abordou a sua fé profunda em Deus. Ele disse que vê a ciência como forma de adoração:

"Não será que Deus, ao nos dar esta Sua criação gloriosa, e ao nos dar a inteligência para sermos capazes de tentar compreendê-la, não queria ser adorado pela nossa aplicação destes instrumentos ao avaliarmos o que ele fez por nós ?

Isto me atrai mais para perto dele, de uma maneira que eu realmente não consigo articular por palavras. E me dá exatamente uma consciência de quão grande e tremenda deve ser a Sua mente".

 

Palavras-chave: biologia, ciencia, cientista, cristao, cristianismo, deus, DNA, fe, genetica, genoma, projeto genoma, religiao

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 7 comentários

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