Depois da comemoração que eu postei mais cedo, agora algo lamentável.
Hoje a USP se tornou o palco da irracionalidade. A manada falou mais
alto de novo. A lei e a ordem um dia tinham que chegar na universidade
e entrar em choque com o mundo da fantasia lá de dentro. A realidade
bateu à porta de forma violenta, mas a violência foi provocada.
Quem acompanha de longe pode querer comparar o que aconteceu hoje com os acontecimentos de 1968. Mas o conflito entre a polícia e os manifestantes hoje no campus da Cidade Universitária não é da mesma natureza do que aconteceu 40 anos atrás. Hoje a lógica se inverte - os totalitários estão dentro da Universidade e quem está em busca de defender a constituição e a democracia são os policiais que vieram para cumprir uma ordem judicial.
Quem acompanha de perto vê barricadas, cerceamento da liberdade, patrulhamento ideológico que chega até o limite da agressão física e de ameaças de sequestro. É preciso ir bem perto para ver como uma parte podre desse movimento grevista age de forma mafiosa e criminosa. Eu tenho amigos que sofreram ameaças de morte por protestarem contra os piquetes. Uma garota foi agredida na História por querer passar pelas barricadas e usar as salas de aula.
Ninguém queria ver esse tipo de coisa dentro do campus. O recurso à ilegalidade por parte desse pessoal é de longa data: fechamento de portões, barricadas, violência e destruição do patrimônio público, invasões de prédios, são coisas que já fazem parte do cotidiano da USP já faz muito tempo. A ação pela recuperação da legalidade foi muito protelada, por medo de que a sociedade interpretasse mal imagino.
É preciso que as pessoas entendam: o que houve na USP não foi repressão a um movimento legítimo, foi a ação da polícia contra pessoas que estavam cometendo um crime.
Parte das pessoas que participam do movimento de greve não entendem o que está acontecendo e não vêem a ilegalidade dos atos. Infelizmente o aprendizado teve que vir dessa forma.
A quem tinha esperanças de que as coisas se resolvessem de forma racional e que os estudantes que desejam negociar sobre problemas na universidade o fizessem de forma racional, ordeira e dentro da lei, resta lamentar o que houve.
Certamente os radicais vão usar a ação da PM para tentar legitimar seu movimento. Pode ser que recrudesçam no caos e na violência. Eu espero que não, porque se o fizerem a polícia certamente vai voltar.
Eu espero poder caminhar na USP sem ser ameaçado pelos radicais. Espero poder entrar na minha sala e trabalhar tranquilo. E espero não ter que ver as cenas de hoje novamente. Mas, para ser sincero, não tenho mais tanta esperança nisso.
Quem acompanha de longe pode querer comparar o que aconteceu hoje com os acontecimentos de 1968. Mas o conflito entre a polícia e os manifestantes hoje no campus da Cidade Universitária não é da mesma natureza do que aconteceu 40 anos atrás. Hoje a lógica se inverte - os totalitários estão dentro da Universidade e quem está em busca de defender a constituição e a democracia são os policiais que vieram para cumprir uma ordem judicial.
Quem acompanha de perto vê barricadas, cerceamento da liberdade, patrulhamento ideológico que chega até o limite da agressão física e de ameaças de sequestro. É preciso ir bem perto para ver como uma parte podre desse movimento grevista age de forma mafiosa e criminosa. Eu tenho amigos que sofreram ameaças de morte por protestarem contra os piquetes. Uma garota foi agredida na História por querer passar pelas barricadas e usar as salas de aula.
Ninguém queria ver esse tipo de coisa dentro do campus. O recurso à ilegalidade por parte desse pessoal é de longa data: fechamento de portões, barricadas, violência e destruição do patrimônio público, invasões de prédios, são coisas que já fazem parte do cotidiano da USP já faz muito tempo. A ação pela recuperação da legalidade foi muito protelada, por medo de que a sociedade interpretasse mal imagino.
É preciso que as pessoas entendam: o que houve na USP não foi repressão a um movimento legítimo, foi a ação da polícia contra pessoas que estavam cometendo um crime.
Parte das pessoas que participam do movimento de greve não entendem o que está acontecendo e não vêem a ilegalidade dos atos. Infelizmente o aprendizado teve que vir dessa forma.
A quem tinha esperanças de que as coisas se resolvessem de forma racional e que os estudantes que desejam negociar sobre problemas na universidade o fizessem de forma racional, ordeira e dentro da lei, resta lamentar o que houve.
Certamente os radicais vão usar a ação da PM para tentar legitimar seu movimento. Pode ser que recrudesçam no caos e na violência. Eu espero que não, porque se o fizerem a polícia certamente vai voltar.
Eu espero poder caminhar na USP sem ser ameaçado pelos radicais. Espero poder entrar na minha sala e trabalhar tranquilo. E espero não ter que ver as cenas de hoje novamente. Mas, para ser sincero, não tenho mais tanta esperança nisso.
Palavras-chave: ameaça, conflito, confronto, greve, irracionalidade, mafia, mafiosos, PM, polícia militar, polícia no campus
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Comentários
Ivan escreveu:
Me pergunto porquê estes autoproclamados "grevistas" (acredito que deixaram de ser grevistas há um bom tempo) estão usando táticas violentas e de repressão contra os que querem estudar e trabalhar. A resposta que obtenho é que não há mais adesão ao "movimento grevista": tanto pelas idéias quanto pelas táticas. O que fazer? Radicalização: impedimento de pessoas trabalharem, ameaças, agressões. Concordo com o Rafael, as posições estão invertidas de uma forma perversa: a polícia, eterna anátema no tema repressão, agora vem pelo lado até revolucionário, mantendo funcionando uma instituição que os "grevistas" dizem querer proteger!
Estou confuso...
escreveu:
Essa é uma opinião.
Lembremos que o mundo é feito de opiniões diversas.
Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini escreveu:
Marsl@mgmai.com
Ninguém respeita mais a diversidade de opiniões do que eu. Quem não respeita são as pessoas que ameaçaram e agrediram quem era contra a greve só porque têm opiniões diversas.
Eu escrevo aqui nesse site aberto a comentários para qualquer um que quiser comentar justamente para me sujeitar aos argumentos alheios. Se não simplesmente encaminharia para os meus amiguinhos.
Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini escreveu:
Se você ler os meus posts anteriores vai me ver defendendo o tempo todo a idéia de que uma sociedade moderna é feita cultivando a honestidade intelectual, o embate sincero e honesto entre as idéias, a razão - que pressupõe o diálogo racional entre as diversas opiniões e a argumentação dedutiva.
Isso é o que falta nesse movimento todo.
Felipe Pait escreveu:
Tiago escreveu:
Excelente texto, você escreve muito bem e concordo tudo o que você pensa.Alexandre Hannud Abdo escreveu:
Ni!
Eu só acho complicada a afirmação
Já passei por greves com características semelhantes onde não "teve que".
Falta apenas habilidade e princípios, ou vontade, para lidar pacificamente com esses manifestantes.
Se estão tão equivocados, e eu concordo que em grande parte então (quando não nas revindicações, então na forma como são colocadas), não seria difícil desmoralizá-los, desmontá-los, acabar com o ânimo deles.
Talvez a pergunta seja... quem quer ver o circo pegar fogo?
Será que esse grupelho barriquento não está de fato sendo manipulado para desmoralizar a universidade?
É fato publicamente documentado que a atual reitoria e o governo do estado são favoráveis à retirar autonomia da universidade, indicialmente na direção de privatizá-la.
Para eles, "teve que" lê-se "favoreceu nossos interesses".
~~
Luiza Fonseca ou L.Costa escreveu:
Cara, parabéns pelo texto. Vou copiar ele e postar no meu fotolog, com seus créditos óbvio. Não tem o q tirar nem por.Se pans acho q te conheço do dia da barricada da História o.O
Alexandre Hannud Abdo escreveu:
Continuando-me...
Só pensando que, por outro lado, outras atitudes recentes da administração, como a palhaçada ocorrida com o Tom aqui no Stoa, sugerem que trata-se, do lado de lá, de incompetência mesmo.
Incompetência + irracionalidade = festa do cará
:P
~~
escreveu:
Oi Rafael,
Eu acho que os estudantes tem alguma razão de protestar sim, essa reitoria tem tomado algumas decisões contraditórias. A ultima aconteceu comigo fiz um processo seletivo para funcionário.
A maioria desses processos seletivos abertos no ano passado foram todos revogados, porque não tinham autorização do TCE(Tribunal de Contas do Estado), agora como a Universidade de São Paulo abre processo seletivo, sem autorização? E como é que fica as pessoas que se dedicaram e compraram livros, e foram "premiadas". E o pior segundo o jornal Estado de S.Paulo, desde 2004 esta nessa situação.
Não temos mais o pensamento do coletivo, eu quero entrar na minha sala e trabalhar e esses idiotas ficam me incomodando.
Agora a corrupção atinge patamares a países da África, que se dane?
gabriel escreveu:
os sinais de que um grave golpe contra a democracia por parte dos setores mais atrasados e mais elitistas da sociedade fica evidente neste texto. É a ideologia da grande mídia fazendo lavagem cerebral em pessoas como o Rafael.
até parece um texto do Reinaldo Azevedo, com toda a sua mediocridade intelectual, seu preconceito político e seu ódio pela esquerda e pela política
neste texto nota-se o ódio pela esfera pública, o ódio pelo diálogo
Hoje Serra e Suely Vilela se aproximaram dos piores tiranos da história. Mandaram bater em estudantes. Nem os chineses em 89 fizeram isto, e trata-se de uma das piores ditaduras do mundo.
Hoje estudantes apanharam da polícia. É triste saber que há gente reacionária e elitista na usp que apoia esta barbárie. Rafael, espero que tenha a consciência limpa, pois você acabou de se juntar à campanha da direita em sucatear a universidade pública.
Lamentável.
PS: até 2007 eu era contra eleições diretas para reitor. Depois fiquei simpático a um experimento de democracia radical na universidade. Hoje considero as diretas fundamentais para que saiamos desse poço cavado por tucanos.
gabriel escreveu:
ps: você sabe o que significa "radicalidade"? leia paulo freireAlexandre Hannud Abdo escreveu:
Ni!
Golpe? blablablablabla...
Gabriel dá um tempo, instrumentalizar a violênca quando contribuiu-se para ela revela no mínimo desonestidade.
Comparar a reação através da PM à opressão do regime militar é ignorar a realidade da primeira e fazer piada da segunda.
Você fala em classismo e discriminação mas suas afirmações no comentário são carregadas desses preconceitos.
O caminho fácil não leva ao destino, e a maneira mais comum de transparecer a própria aversão pelo diálogo é sentir necessidade de apontá-la nos outros.
Não permita aos factóides e à histeria consumirem seu pensamento, que em geral é muito mais construtivo que isso.
Abraço,
~~
Catia escreveu:
Rafael,
Parabéns pelos seus textos e pela coragem de tomar um posicionamento contrário. No dia 9, com a inocência de acreditar que alunos afinal não devem atacar alunos, presenciei e - para ser trágica - fui vítima de uma ação agressiva, intolerante nas Letras ao optar por fazer uma prova no prédio de Letras (que fique claro: foi dada a opção de ir ou não ir, sem prejuízo algum. Quem foi era porque queria fazer a prova). Fomos expulsos, intimados e encurralados (literalmente). Eu tive medo pela minha integridade física, sem exagero.
Logo mais, eu e mais alguns alunos divulgaremos aqui no Stoa e em outros meios um texto em repúdio a essa ação.
Isso não é certo, minha gente. Não é!
Luiz Armesto escreveu:
Golpe contra a democracia é acreditar que grupos que consideram legítimo impedir o direito de ir e vir, que tentam forçar outras pessoas a fazer ou deixar de fazer algo lutam pela liberdade e democracia. Só se a democracia deles for a mesma democracia popular de esquerda que invadiu com tanques a Hungria em 56. Ah, me desculpe, esqueci que estudantes só foram reprimidos pela ditadura militar e que somos todos fascistas
Volta e meia ouve-se as metáforas imbecís de que 'não podemos fazer omeletes sem quebrar alguns ovos' ou 'todos querem os perfumes das flores mas ninguém quer sujar as mão de terra'. Vemos pessoas que desfilam vestindo camisas estampadas com rostos de guerrilheiros. Estas pessoas sim presam pelo diálogo. Em várias unidades as carteiras foram retiradas das salas de aula para que todos pudessemos sentar juntos em um mesmo local para conversarmos.
É mais do que óbvio que a polícia apareceria caso houvesse barricadas em vias pública. Muitos já tinham isso em mente quando organizaram o tal trancaço, afinal em caso de confronto estaria provada a tese de repressão contra o movimento.
Vemos muitas palavras de ordem e chavões, muitos pensamentos anacrônicos, mas quase nenhuma proposta para mudar a situação atual. Muitos se deixam levar sem nem saber realmente pelo que estão lutando. Ignorando e atacando críticas e opiniões simplesmente por serem contrárias. Afinal se não está comigo está contra mim. Às vezes parece que temos uma turma recém formada pelos Cursos Stalin.
Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini escreveu:
Deixa eu agradecer pelos comentários.
Em especial os do Abdo.
Sabe Abdo, você tem razão. A reitora é totalmente inábil ao lidar com isso. Ela não conversa, foge para a Europa e não faz nada quanto aos mais radicais - que acabam dominando a discussão de alguma forma estranha. Era previsível que isso ia acontecer e quem deixou acontecer foi a inabilidade da reitora em manejar a coisa quando era manejável.
Eu concordo contigo também no ponto de que seria fácil aos que discordam com o caos desmoralizar os radicais antes que as coisas acontecessem dessa maneira. Os moderados se calam, os radicais assumem. Isso é inevitável.
Sobre a parte que discordamos, a gente já sabe qual é e não convém entre os moderados ficar discutindo suas discordâncias quando é com os radicais, de ambos os lados, que deveríamos conversar.
A todos,
Isso que aconteceu não vai parar agora. E se quem é moderado não moderar as coisas e não tentar trazer o diálogo de volta, não são os radicais que vão trazer.
Ao Gabriel,
você entendeu tudo errado do que eu escrevi. Ninguém está comemorando aqui. Está todo mundo de luto pela morte do diálogo. Eu quero legalidade, racionalidade e diálogo por parte de ambos os envolvidos. Assim como eu não quero que radicais me ameaçem e encham os prédios de barricadas, eu não quero a polícia descendo o cacete em ninguém. Não é lugar para isso aqui.
Só que é preciso entender que quem trouxe a polícia para cá, em primeira ordem, foi o recrudescimento dessas ações radicais. Em segunda ordem, foi a inabilidade da reitora em lidar com esse recrudescimento, como o Abdo muito sensatamente disse.
Eu quero esses radicais fora daqui tanto quanto eu quero uma administração mais capaz na reitoria.
Miguel Mendes Ruiz escreveu:
pois bem, um grupo decide entrar em greve em assembléia e para garantir a não retaliação ou conflito com seus chefes diretos bloqueia a entrada do prédio que sem seu trabalho não funciona (ou funciona com problemas para quem depende de seu trabalho). você acha dialogo aberto quando esse bloqueio é minado? direito de ir e vir? o que acontece é que quem concorda com a greve se vê numa terrível situação de confronto direto com seu chefe que pode levar a sérios problemas futuros.
quem quer assegurar o direito de ir e vir lute pela abertura das fronteiras da união européia, dos estados unidos, japão. fronteiras essas que sim, desreipeitam o direito humano de ir e vir.
racionalidade e dialogo...
o ato de ontem foi pacífico. seu intúito era pacífico. quem sentiu o gás lacrimogêneo, as bombas de efeito moral e sprays de pimenta sabe que a postura agressiva não parte dos estudantes.
dialogo. é o que espero que exista antes que algo trágico ocorra.
Andre Chalom escreveu:
"Falta apenas habilidade e princípios, ou vontade, para lidar pacificamente com esses manifestantes," disse o Adbo.
É o famoso diálogo dos surdos mudos. A reitora tem a competência política de uma ostra raquítica. O Sintusp e o DCE não querem diálogo. A solução agora não é acabar com um dos lados: tem que botar tanto a reitora quanto as diretorias do Sintusp/DCE pra fora.
Já o gabriel vem falar de "ódio ao diálogo", em um comentário cheio de... ódio ao diálogo? Peraê, meu. Antes de escrever, respeite a opinião alheia e respeite a diversidade. Democracia só é bom quando ela está do seu lado??
Miguel Mendes Ruiz escreveu:
nota informativa: surdos mudos dialogam simRenato escreveu:
Reflita sobre isso, Gabriel.