(esqueceu?)

Stoa :: Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini :: Blog

Novembro 07, 2009

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Eu achei que não fosse querer escrever nada sobre o episódio da garota que foi molestada por uma turba na Uniban porque estava usando um vestido curto, e achei que as pessoas tinham mais ou menos um consenso estabelecido sobre o fenômeno que aconteceu e o julgamento médio das pessoas - excetuando algumas anomalias bizarras - era o mesmo.

Mas lendo hoje o meu twitter fico sabendo da coisa mais inesperada e ridícula:

A Universidade Bandeirante informou em anúncio publicado em jornais paulistas neste domingo, 8, que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda de seu quadro discente. A estudante do curso de Turismo sofreu assédio coletivo no último dia 22 de outubro por ir ao campus de São Bernardo do Campo da faculdade com um vestido curto.
No anúncio publicitário, entitulado 'A educação se faz com atitude e não com complacência' a universidade diz que tomou a decisão após uma sindicância interna constatar que a aluna teve uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados. Para a Uniban, Geisy provocou os colegas ao fazer um percurso maior que o habitual, desrespeitando princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade.

A universidade afirma ainda que foi constatado que "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar".

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,uniban-expulsa-aluna-ass

Meus grifos. Fiquei pasmo por alguns segundos quando li isso. Continuo não sabendo o que escrever sobre isso. É daquelas (raríssimas) coisas que ultrapassam a minha capacidade de me manter calmo e tentar entender as razões do outro(i). Me dá vontade de abandonar a racionalidade e mandar todo mundo ''tomar nos seus respectivos cus'' como dizia um antigo amigo meu da faculdade. (não venham reclamar do palavrão, ''não estou aqui para fazer amigos'', como diz outro amigo meu)

E é justamente aí é que a gente percebe o poder da manada. São essas as notas que a Manada tange em nossas mentes, as notas escuras que todo mundo tem lá no fundo. A Manada ultrapassa nosso raciocínio e os nossos freios morais. O ''custo psicológico'' de ofender meus freios morais e atentar contra a estabilidade do meu ambiente social é grandemente reduzido quando estamos em grupo. E é aí que essa mesma vontade que eu tive de abandonar a razão vence(ii). A Manada é o super-organismo imbecil a quem rendemos nossa individualidade quando em grupo. Para alguns deve ser quase um transe místico(iii).

Claro que isso não exime ninguém da imputabilidade pelos atos que realiza sob influência da Manada. O indivíduo ainda é racional e ainda escolhe submeter-se ou não a esse ''espírito coletivo'' destrutivo.

Note que não uso aqui a palavra espírito num sentido místico - estou falando de um comportamento emergente, de uma reação coletiva. Como o meu orientador costuma dizer, parece que nós sempre gostamos de personalizar reações emergentes: damos nomes em maiúsculas, usamos artigos definidos e pronomes pessoais. Assim chamamos Cosmo à ordem coletiva do universo e à aparente causalidade coletiva dos fatos, chamamos Natureza à fenomenologia ecológica, às cadeias alimentares, à evolução por seleção natural e à ordem biológica, e chamamos Mente aos fenômenos coletivos produzidos por uma infinidade de células nervosas no nosso Sistema Nervoso Central

Esses fenômenos coletivos em nada diferem, na minha percepção, dos fenômenos coletivos que observamos em outras instâncias mais físicas, menos pessoais e com menos implicações humanas - sendo a emergência do ferromagnetismo a partir da interação de uma infinidade de ''pequenos magnetos'' o mais célebre.

A Manada também é um fenômeno coletivo. Possui a assinatura evidente - quase a definição - de um fenômeno coletivo: não é possível explicar seu comportamento baseando-se apenas no comportamento de cada indivíduo separadamente, mas é necessário entender a interação entre eles.


O inadmissível nesse fato, o espantoso e o inesperado, não é a reação da turba que molestou a garota. Isso é uma coisa até compreensível  (o que não a torna menos absurda). O que me espanta é a reação, supostamente individual e raciocinada, da diretoria da Uni(tale)ban. Expulsar a garota e defender os agressores. Culpar a vítima e proteger os que deveriam ser investigados e expulsos. Atacar o comportamento individual e abraçar a irracionalidade coletiva.

Não estou dizendo que a garota é a heroína da liberdade individual também. É provável que o vestido da garota fosse inadequado. É provavel que ela tenha provocado as pessoas. É provavel que eu nunca me aproximasse dela e se a conhecesse julgasse uma pessoa inadequada, vulgar e ela provavelmente não faria parte do meu círculo social se estudasse na mesma escola que eu. Mas isso não importa.

Nada do que se enquadra na categoria ''comportamento individual dentro da lei, que não incomoda a saúde, a dignidade e o livre-arbítrio de outrem'' deve ser reprimido com essa violência, ainda mais reprimido por uma turba. E, como disse um jornalista(iv) bem odiado por aqui, mesmo que ela estivesse ofendendo uma lei, ela tem o direito de ser reprimida por um agente da lei e não ser moralmente linchada pela Manada.

Espero mesmo que essa não seja a última vez que ouvimos falar desse caso e que haja autoridade capaz de investigar e punir aquela turba de chimpanzés que chegou a ameaçar a garota de estupro. Sobre a expulsão, bem... a Uniban é uma instituição privada e tem o direito de recusar um aluno se quiser - até onde eu sei (advogados por favor me iluminem quanto a isso se eu estiver errado). Mas aquela turba precisa de punição.

 

Notas

(i)  Outra dessas coisas é o judiciário ter que praticamente implorar para que uma decisão judicial seja respeitada. Coisas incompreensíveis... mas isso é outra estória.

(ii) Vontade que eu me esforcei para controlar para escrever aqui algo relativamente civilizado aqui. Talvez se eu estivesse na minha Manada...

(iii) A @elenavolpato no twitter recomendou que eu lesse sobre os conceitos junguianos de Sombra e Persona. Deve ser semelhante ao que eu entendo por Manada e indivíduo. Enfim... preciso ler.

(iv) Antes de falar ''mimimi, não leio a Veja, mimimi, não gosto do Reinaldo Azevedo, mimimi, blog de direitista'', apenas leia o que ele escreveu. Ignore a fonte e interprete o conteúdo - é mais inteligente agir assim. Eu também não sou o maior fã dele e frequentemente discordo dele. Mas frequentemente eu também concordo com ele. Acontece, pombas.

Palavras-chave: absurdo, comportamento animal, irracionalidade, manada, uniban, unitaleban

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 4 usuários votaram. 4 votos | 3 comentários

Novembro 06, 2009

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É tão frequente por aí na internet que pessoas de fora da cidade de São Paulo perguntem como se chega na Cidade Universitária  que eu acho estranho não ter nenhuma informação no próprio site da USP. Eu já passei pela experiência de chegar aqui e precisar ir na USP sem conhecer nada da cidade, é realmente horrível. A cidade inspira terror.

Mas é realmente fácil chegar na USP. Há várias opções. Aqui eu vou colocar as quatro opções que na minha opinião são as melhores para quem está vindo de ônibus para a cidade e precisa chegar na Cidade Universitária ou no campus da USP Leste (EACH). 

A primeira coisa para se ter em mente, que muitas pessoas não sabem antes de vir a São Paulo, é que a Cidade Universitária é ENORME. É uma grande região da cidade, fechada por muros. O ônibus entra dentro do campus e roda quase meia hora lá dentro, então tenha paciência. 

É importante que você saiba direitinho em que prédio quer ir, porque dentro do campus há dezenas e dezenas de prédios. Tenha o cuidado de conseguir direitinho essa informação porque nem sempre as pessoas sabem onde fica o serviço que você quer. É sempre bom saber em que unidade fica o prédio. Os cobradores e motoristas nem sempre conhecem onde ficam as coisas no campus. Pergunte para as pessoas que estão no ônibus. O melhor mesmo é ver no mapa do Google Maps antes de fazer qualquer coisa. Note que o Google Maps tem uma base de dados bem acurada de todas as opções de transporte público em São Paulo. Basta clicar na opção ''Como Chegar'', dar os dois endereços (ou marcar no mapa) e clicar em ''Transporte Público''. Ele te dará duas ou três opções de ônibus/metrô/trem para chegar onde deseja. 

Campus Butantã - Cidade Universitária

Partindo do Terminal Rodoviário do Tietê

Quem está descendo no Tietê tem a opção de pegar o ônibus Cidade Universitária na Av. Cruzeiro do Sul. Mas sinceramente eu acho essa uma péssima opção. Se você tem hora marcada, pode esquecer. Esse ônibus demora pelo menos 2 horas e meia para chegar na USP, mesmo em uma dia sem trânsito. A melhor opção é cortar caminho pelo metrô, que fica dentro da rodoviária.

Tome o metrô no sentido Jabaquara, desça na estação Paraíso ou na estação Ana Rosa (tanto faz, eu prefiro usar a Ana Rosa porque tem bem menos movimento). Agora tome o metrô da linha verde sentido Vila Madalena.

A partir daí existem cinco opções. Qual é a melhor opção depende de onde você vai no campus, porque nem todos os ônibus fazem o mesmo caminho uma vez lá dentro. Verifique no Google Maps ou no site da SPTrans o caminho do ônibus e veja se ele passa onde você quer. 

As opções são:

1) Descer na estação Consolação, sair da estação e andar na Rua Augusta sentido Jardins até o primeiro ponto de ônibus. Alí passam dois ônibus Cidade Universitária, um azulzinho e um laranja, linhas 107T e 7181.

2) Descer na estação Consolação, andar até o cruzamento da Avenida Paulista e a Rua da Consolação. No cruzamento há dois pontos de ônibus: sentido centro e sentido bairro. O que interessa é o ponto de ônibus sentido bairro. Daí pega o Butantã-USP, linhas 702U e 7411.

3) Descer na estação Clínicas, sair pela Av. Dr. Arnaldo. Lá você deve atravessar a avenida para o outro lado e andar um pouquinho para a sua direita para achar um ponto de ônibus na frente do cemitério. Lá você deve pegar o Butantã-USP, linhas 701U, 177H, 177P e 724A.

4) Descer na estação Vila Madalena, sair da estação pela saída principal. Descendo a escadinha logo depois da porta há um pequeno terminal de ônibus. No finalzinho do terminal de ônibus, no último ponto que fica na mesma calçada da saída da estação, você pega o ônibus Rio Pequeno, linha 7725.

Todos esses ônibus também servem para voltar e eles passam perto sempre das estações de metrô onde você desceu para pegá-los. Para pegar a volta basta esperar o ônibus no outro lado da rua onde você desceu.

Há outras opções: ponte orca, pegar trem da CPTM, usar outras linhas de ônibus, mas sinceramente eu não recomendo. Ou vai demorar muito, ou você vai ter que andar um trecho chato a pé, ou você vai ter que pegar ônibus em uma região da cidade que eu não recomendo se você não sabe andar por lá. Esses são os caminhos mais fáceis, em locais bem tranqüilos de se andar, relativamente rápidos.

 

Partindo do Terminal Rodoviário da Barra Funda

Descendo no terminal Barra Funda eu só conheço uma opção: 

1) Pegar o metrô (metrô, não CPTM, ambos ficam dentro da rodoviária) para a Sé (sentido Corinthians-Itaquera). Descendo na Sé você deve fazer baldeação para a linha azul, sentido Jabaquara e descer nas estações Paraíso ou Ana Rosa. Daí você toma o metrô da linha verde no sentido Vila Madalena e segue uma das quatro opções acima. 

Se alguém souber de caminhos melhores do que esse (pensando nos critérios: rapidez, segurança, andando pouco e se expondo pouco) me dá um toque que eu coloco aqui.

Campus USP Leste - EACH

É bem mais fácil chegar na USP Leste do que na Cidade Universitária. 
Partindo do Terminal Rodoviário Tietê

Partindo do Tietê você deve pegar o metrô, sentido Jabaquara. Desça na estação Sé e tome o metrô da linha vermelha, sentido Corinthians-Itaquera e desça na estação Brás. 

Na estação Brás tome o trem da CPTM, na linha 12 Safira, sentido Calmon Viana. Depois de mais ou menos meia hora você deve chegar na estação USP Leste. Desça nessa estação. Uma das saídas da estação cai dentro do campus da USP Leste. 

Outra opção é descer na estação Tatuapé da linha vermelha do metrô (ao invés de descer no Brás) e então pegar o CPTM (mesmo linha acima). A desvantagem é que para tomar o CPTM daí você tem que pagar a passagem de novo pois não há integração (e provavelmente não vai conseguir ir sentado no trem).

A única observação é na volta. Se você voltar por volta das 18 horas tome cuidado na hora de descer no Brás. Nesse horário a estação estará LOTADA. Quando eu digo lotada eu quero dizer que na estação vai ter mais gente do que na sua cidade natal. E toda essa gente quer entrar no trem ao mesmo tempo que você quer sair, então se proteja com os braços e empurre, senão você não sai do trem. Saia pela primeira porta de cada vagão - quando está muito lotado os funcionários da estação reservam a primeira porta de cada vagão apenas para desembarque, o que ajuda pra caramba. Mas isso não é sempre, então esteja pronto para a maior muvuca do universo. 

Partindo do Terminal Barra Funda

Partindo da Barra Funda, tome o metrô sentido Corinthians-Itaquera e desça no Brás ou no Tatuapé e siga as mesmas instruções acima. 

Circular

Na Cidade Universitária (campus Butantã) há duas linhas de ônibus circular gratuito para quem circula no campus. Elas rodam praticamente todo o campus. 

Entretanto eu não sei o itinerário que o circular faz e o site da USP é UM LIXO e não tem informação nenhuma sobre isso. Aliás, obter informação sobre qualquer coisa da USP na internet é praticamente impossível, então se você quiser usar o circular é melhor ligar lá e perguntar o itinerário ou mandar um e-mail e rezar pela resposta.

(0xx11)3091-4974
circular@usp.br


Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 2 comentários

Novembro 05, 2009

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Eu estava planejando estudar um pouco de natural language processing, information retrieval e lingüística computacional, um assunto que eu sempre achei muito promissor e interessante. Há um pacote para Python chamado Natural Language Toolkit, com várias ferramentas supimpas e até alguns corpora de texto em português. Mas como eu sou um cara chato eu quero montar o meu próprio corpus de texto me baseando talvez em buscas específicas e poder ver como os resultados dos algoritmos variam mudando as fontes e os assuntos. 

A minha primeira tentativa bem sucedida foi tentar baixar em grande quantidade artigos da Folha de São Paulo para o meu computador. Isso me serviu para aprender a usar algumas boas bibliotecas Python que eu não conhecia: o BeautifulSoup, o feedparser e o pacote de expressões regulares.

Neste post eu queria descrever um pouco dessas bibliotecas e um pouco dos problemas de se conseguir informação desse tipo na internet - informação que a princípio está lá, é "acessível" e "pode ser usada". 

O primeiro problema é legal: eu provavelmente não posso usar esse corpus de notícias que eu baixei. Sinceramente estou pouco ligando - na minha cabeça se um texto está na web é como se estivesse jogado no meio da rua, eu posso pegar e usá-lo para o que eu quiser desde que eu não tente ganhar dinheiro vendendo o texto (posso vender o livro que contém o texto se eu quiser) sem autorização do autor.

Superado esse problema vamos aos problemas técnicos de acessar o texto:

  • A forma mais fácil de obter uma seqüencia de textos de notícia é usar um RSS, entretanto é praxe dos RSS de jornais e revistas não colocar o texto todo no feed mas apenas um sumário. Então a utilidade do RSS é apenas fornecer o link para  a notícia e eu tenho que baixar a notícia no site mesmo. Além disso o feed apenas contém as 10 ou 15 últimas entradas e não um registro histórico completo então preciso de alguma forma de acessar uma lista dos feeds dos últimos anos. 
  • Os sites de jornal são bonitos, cheios de barras, colunas, tabelas e propaganda. Isso é muito legal, mas quando você quer pegar apenas o texto da notícia é um saco. Seria muito fácil se os programadores que fizeram o site fossem muuuuito legais e marcassem direitinho o html, mas não é assim.

 

Então o roadmap é: (1) aprender a parsear um feed RSS usando um script, (2) fazer um programa que olhe um html e consiga extrair a notícia e (3) encontrar um histórico do RSS que eu quero baixar. Após muita navegação na web eu consegui resolver os três problemas usando ferramentas muito legais e simples de usar.

O problema (1) é resolvido usando o Universal Feedparser, uma biblioteca para parsear RSS automágicamente. A interface é beeeem intuitiva. Vamos a um exemplo simples com o feed da Folha.

Posso então fazer:

import feedparser url_feed = "http%3A//feeds.folha.uol.com.br/folha/emcimadahora/rss091.xml"

feed = feedparser.parse(url_feed) for post in feed.entries:     print post.title, post.link

Esse código vai imprimir os títulos e links de todas as notícia. O que está acontecendo é que a função feedparser.parse simplesmente olha para o XML e retorna o seu conteúdo em um objeto do tipo dict:

>>> print feed.keys() ['feed', 'status', 'updated', 'version', 'encoding', 'bozo', 'headers', 'etag', 'href', 'namespaces', 'entries']

O problema número (3) (já volto para o 2) acabou sendo resolvido depois de hoooooras de busca na web. Eu sabia que devia haver solução, uma vez que o google reader é capaz de mostrar feeds antigos. Encontrei, finalmente, esse post no blog de dicas sobre o Google. O Google Reader não apenas é um leitor de RSS, mas ele também salva o histórico de todo feed que alguém já leu e esse histórico pode ser acessado em um feed no endereço:

http://www.google.com/reader/atom/feed/FEED_URL?r=n&n=NUM

Onde FEED_URL deve ser substituido pela (dã) URL do feed que te interessa e NUMBER_OF_ITEMS é o número de itens que você quer recuperar. 

As duas limitações são: o número máximo de itens é 5000 (eu gostaria de ter muito mais, mas por enquanto é o que dá pra fazer) e você deve estar logado no sistema de login do Google para conseguir fazer isso. 

Isso é um saco... eu não sabia logar no Google através de um script e estava quase desistindo quando achei essa pergunta no StackOverflow (o MELHOR site para resolver dúvidas de programação de qualquer espécie).

A solução é simular um cookie na hora de acessar a página do Google Reader. A biblioteca urllib2 (que está na biblioteca padrão do Python) consegue fazer isso. Aí embaixo vai uma função para produzir um cookie para acessar qualquer página do Google:

import urllib
import urllib2

def getGoogleSID(user,passwd):     # Authenticate to obtain SID     auth_url = 'https%3A//www.google.com/accounts/ClientLogin'

    auth_req_data = urllib.urlencode({'Email': user, 'Passwd': passwd})     auth_req = urllib2.Request(auth_url, data=auth_req_data)     auth_resp = urllib2.urlopen(auth_req)     auth_resp_content = auth_resp.read()     auth_resp_dict = dict(x.split('=') for x in auth_resp_content.split('\n') if x)     SID = auth_resp_dict["SID"]     header = {}     header['Cookie'] = 'Name=SID;SID=%s;Domain=.google.com;Path=/;Expires=160000000000' % SID    

    return header

def retrieveGooglePage(user,passwd, url):     header = getGoogleSID(user,passwd)     request = urllib2.Request(url, None, header)     openurl= urllib2.urlopen(reader_req)     text = reader_resp.read()     return text

A função getGoogleSID gera o cookie adequado que é depois usado na função retrieveGooglePage, que retorna todo o conteúdo de uma página do google com com um certo url como se você estivesse logado como o usuário fornecido. Essa função pode ser usada para obter o feed que eu me referi acima.

Então o que pode ser feito é: obtém-se o feed das últimas 5000 notícias e desse feed se obtem os links para as notícias no site da Folha. Agora é necessário parsear o html do site para obter o texto. Aí é que entra a biblioteca BeautifulSoup. Essa biblioteca é um parser de html muito bem feito e fácil de usar.

Uma página em html parseada no BeautifulSoup vira uma estrutura de dados (uma árvore) adequada para extrair conteúdo facilmente. Para dar um exemplo vou colocar abaixo uma  função que extrai a data da notícia. 

Por sorte o programador da página foi suficientemente bonzinho para marcar no html onde está a data da notícia. Aí vai um trecho do html de uma notícia:

<div id="articleDate">      <!--DATA-->04/11/2009<!--/DATA-->      -      <!--HORA-->19h56<!--/HORA--> </div>

<h1> <!--TITULO-->STF retoma julgamento de Azeredo após relator propor ação penal por peculato<!--/TITULO--> </h1>

Note a id "articleDate" na tag <div>. O BeautifulSoup é capaz de obter uma lista com o conteúdo de todas as tags <div> com uma certa id.

from BeautifulSoup importimport urllib2

#obtendo o html da página com urllib2 url = "http%3A//www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u647489.shtml" entry = urllib2.urlopen(url) raw_html =  entry.read()   #criando um soup soup = BeautifulSoup(raw_html) #extraindo uma list com o conteúdo de todas as tags <div id="articleDate"> lista = soup.findAll(id="articleDate")

 

O conteúdo da variável lista é uma lista com um elemento que é um soup que contém o html:

<div id="articleDate">
 <!--DATA-->04/11/2009<!--/DATA-->  
  -
 <!--HORA-->19h56<!--/HORA-->
</div>

Agora é trivial obter a data e a hora da notícia a partir desse string fazendo:

data = lista[0].contents[2]
hora = lista[0].contents[6]

Isso foi fácil. Agora o difícil: obter o texto. Infelizmente o programador do site da Folha não foi tão bonzinho assim. Não há nada marcando o texto. Além disso há um monte de lixo no meio do texto: links, vídeos e propaganda. Antes de obter o texto é preciso limpar o lixo. 

Para dar um exemplo de como limpar texto com o BeautifulSoup, vamos arrancar todos os links, ou seja, todas as tags <a>, do nosso documento:

#partindo da soup obtida acima
for tree in soup('a'):
    tree.extract()

É SÓ ISSO! Todos os links <a href=...> BLABLABLA </a> foram removidos do soup. Poderiamos fazer isso de forma mais compacta usando list comprehension:

[tree.extract() for tree in soup('a')]

Outra coisa que podemos fazer é remover numa tacada só todos os scripts, noscripts e o css:

#usando list comprehension

[ [ tree.extract()  for tree in soup(elem)]  for elem in ['script', 'noscript', 'style'] ]

#usando dois loops for aninhados:

for elem in ['script', 'noscript', 'style']:     for tree in soup(elem):         tree.extract()

Finalmente, para fechar o padrão, podemos remover tudo o que está em um <div> com id "bookmarklets", que no caso do site da Folha é usado para marcar links para notícias relacionadas:

[tree.extract() for tree in soup.findAll(id="bookmarklets")]

Enfim... é tão trivial retirar algo do html como é encontrar. Depois de retirar tudo o que está atrapalhando, pode-se remover as tags html fazendo um:

texto = soup.findAll(text=True

Nada mais fácil! Com 10 linhas eu consegui parsear toda a página da Folha e extrair as notícias. Agora vou montar meu banco de dados e logo postarei sobre o Natural Language Toolkit!!

(meu vício de emacs me fez apertar C-X C-S umas 30 vezes durante a edição desse post)


 

Palavras-chave: acesso, BeautifulSoup, code, código, feed, html, notícias, parsing, python, RSS

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 2 comentários

Outubro 04, 2009

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Imaginem o sujeito que vai escrever um programa de computador que retorna resultados para sua pesquisa e precisa decidir a linguagem que vai usar. O programa é de porte médio, nada muito difícil do ponto de vista lógico nem muito pesado.

Ciclo básico de desenvolvimento em C
(pode ser facilmente traduzido para C++ ou Fortran)

Dia 1.

1) Definir o problema.
2) Dividir o problema em subrotinas/estruturas e fazer um rascunho delas.

Dia 2.

3) Pesquisar bibliotecas prontas algumas das rotinas que você quer.
4) Implementar das rotinas que não estão prontas.

(...) Dia 5.

5) Compilação de teste.
6) Correção dos infinitos erros de sintaxe.
7) Primeira execução. Segmentation Fault.
8) Abre o gdb, encontra e corrige todas as derreferências de ponteiros nulos.
9) Fique pasmo que depois de tanto tempo você ainda cometa esses erros.

Dia 6.

10) Compila e roda pela primeira vez sem erros de compilação ou execução.
11) Identificação de 350 bugs.
12) Corrigir rotinas.
13) Mais bugs.

(...) Dia 15

511) Ok. Testei o programa. Bug free!
512) Roda o programa.

(...) Dia 17

513) Programa terminou de rodar e você tem os resultados. Você começa a fazer as dezenas de gráficos necessários para a sua pesquisa.
514) Percebe que os resultados estão totalmente errados.
515) Volta ao passo 12.

(...) Dia 20.

938) Mais bugs. Volta ao passo 12.

(...) Dia 22

1130) Mais bugs. Really nasty ones. Volta ao passo 12.

(...) Dia 27.

1250) Percebe que sua rotina é extremamente ineficiente e volta ao passo 2.
1260) Curiosamente o programa baixou de 5 mil linhas para apenas 1200 e a frequencia de bugs caiu vertiginosamente.
1261) Mais bugs. Foi só impressão sua.

(...) Dia 30.

1290) Mais bugs. Volta ao passo 12.
1300) UFA! Tá pronto. Quer dizer... cansei de bugs. Já funciona bem o suficiente.
1301) Roda o programa em poucas horas e obtém excelentes resultados.


Ciclo básico de desenvolvimento em Python ou PERL:

Primeiras duas horas:

1) Passos 1 e 2 como descritos acima.
2) Pesquisar bibliotecas que já tenham todas as rotinas/classes qeu você precisa.
3) Escrever as poucas conexões necessárias entre todas as rotinas/classes prontas. (tá, em PERL isso leva um pouco mais de tempo)
4) Rodar o programa
5) Vai tomar um suco.

(...) Dia 10.

6) Churrasco na casa do seu amigo.
(PERL: na verdade é um campeonato de PERL obfuscation e PERL poetry)

(...) Dia 15.

7) Acabou a energia elétrica do seu prédio poucas horas antes do fim da execução do programa. Põe pra rodar de novo.

(...) Dia 20

8) Show da sua banda favorita. 
(PERL: você nota que a letra da música é um programa válido em PERL!!! Corre para casa e compila.)

(...) Dia 30.

9) Finalmente o programa terminou de rodar e você obteve excelentes resultados.


Ciclo básico de desenvolvimento Haskell:

Dia 1.

1) Definir o problema
2) Separar o problema em funções...
- Putz! Como faz isso? Como faz...
3) Algumas horas pensando e conversando no canal #Haskell do Freenode e interagindo com o lambdabot:
- CLARO! Como não pensei nisso antes?

Dia 2.

3) Procurar bibliotecas prontas no Hackage.
4) Passar algumas horas tentando entender o que aquele código do módulo Obscure.Misterious.Cryptic faz.
5) - CLARO!!! Como eu não pensei nisso antes? Olha o tipo dessa função: é óbvio.

Dia 3.

4) Começa a implementação. Olhos esbugalhados diante do monitor, uma folha em branco e uma cara de espanto. O cursor pisca insidiosamente na tela em branco do editor de texto, convidando você a escrever qualquer coisa. Você resiste.
5) - Carácoles, como faz isso?

(...) Dia 10.
6) - Carácoles, como faz isso?

(...) Dia 12.
7) Você se rende ao cursor e escreve alguma coisa no editor de texto e tenta compilar. Imediatamente é assaltado por uma mensagem de erro absolutamente incompreensível que nem os ops do canal #Haskell sabem o que significa.

(...) Dia 15.
8) Seu cérebro está fritando faz dias. Você tem dor de cabeça de tanto pensar, mas parece estar sempre perto da solução.

(...) Dia 20.
9) Você sonha com um anjo que lhe entrega duas tábuas de pedra com o código que quer implementar, mas esquece quando acorda.

(...) Dia 30.
10) AAAHH!!!! CLARO!!! É tão óbvio, como eu não pensei nisso antes???
11) Implementa em 5 minutos e 3 linhas o código mais elegante que você já produziu na vida.
12) Roda o programa em poucas horas e obtém excelentes resultados.
13) Escreve um artigo para o Functional Pearls sobre o seu código e vai correndo no canal #haskell contar o que fez. Só para descobrir que alguém tem uma solução muito mais elegante e muito mais eficiente usando um teorema em Teoria de Categorias e um monad bizarro.


No fim todas as alternativas levam o mesmo tempo para dar resultado. Mas pouca gente suporta o stress que a primeira alternativa te dá e poucas tem disposição para encarar a terceira.

Mas que a terceira é a mais divertida, aaaah isso é.

Palavras-chave: C, Haskell, joke, PERL, programação, Python

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 2 comentários

Julho 17, 2009

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Outro dia deparei com uma guria:
Orgulhosa, bata de algodão cru,
Saia e o cabelo sebento em parceria
Com um buço escuro de gabiru.

Ela falava algo sobre mais-valia
E a labuta do proletariado sofrido,
O latifundio que explora e a sangria
Do homem do campo, e do gemido
Da mulher oprimida pela hierarquia
Machista, escrava e serva do marido.

Ouvi toda a irritada homilia de perto,
Impressionado da eloquência da moça,
Quando achei, por ironia, um excerto
Do panfleto que ela carregava na bolsa.

Ele falava algo sobre a mais-valia
E a labuta do proletariado sofrido,
O latifundio que explora e a sangria
Do homem do... assinado: o partido.

A guria só papagueava o que lia!!
Boquiaberto de espanto e imóvel
Fiquei ao ver que a moça desvalia
O dinheiro mas tinha um automóvel
Importado e muita outra regalia.

Filha de um chefe da tesouraria
De banco com escritório na cidade.
Mimada com sapatos e pedraria,
Rebelde na pracinha da faculdade.
 

Palavras-chave: poetaria, rima tonta, whatever

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 4 comentários

Julho 12, 2009

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Essa semana saiu uma excelente matéria na revista The Economist a respeito dos escandalos que eu e você conhecemos já muito bem a respeito da nossa casa legislativa maior, o Senado brasileiro. A matéria irritou alguns parlamentares que mandaram os jornalistas cuidarem dos escândalos do legislativo britânico - no maior estilo ''mas manhêêê o pedrinho também fez''. 

O senador Heráclito Fortes do DEM disse que a matéria é preconceituosa e elitista, e o senador Arthur Virgílio do PSDB relembrou escândalos recentes na Câmara dos Comuns. É interessante ver a oposição se defendendo da matéria quando ela é uma crítica clara aos governistas. Isso mostra claramente uma coisa muito triste - e óbvia - não tem santo no Senado Federal. Todos os senadores - TODOS ELES - se beneficiaram de esquemas irregulares e imorais de financiamento de suas atividades pessoais com verba pública e todos eles estão na defensiva por isso. 

Já que os senadores iniciaram o jogo de comparações, vamos fazer comparações. Garanto a vocês que será divertido.

Ao referenciar escandalos recentes na Casa dos Comuns, o senador Virgílio se refere ao que aconteceu com o congressista Michael Martin do Labour Party, ex-presidente da casa que renunciou esse ano por escandalos envolvendo dinheiro público. Ele foi acusado de usar algumas dezenas de milhares de libras para pagar advogados em causa própria e para usar serviços de táxi, entre outras coisas. Além disso ele foi criticado por gastar muito com viagens, gastar alguns milhões na reforma da residencia oficial do Speaker of the House (que no fim das contas é patrimônio público e não fica para ele), além de ter ganho uma aposentadoria milionária de forma - como dizem por aqui - legal porém imoral.

Há um detalhe interessante: Martin foi o primeiro Speaker of the House of the Commons a ser forçado a renunciar ao cargo por acusações de corrupção em 300 anos. Nosso senado teve 3 renúncias em 8 anos - Renan Calheiros, Jáder Barbalho e Antônio Carlos Magalhães (turminha do barulho, não?) e nossa Câmara de Deputados teve o recente caso do Severino Cavalcanti (em 2005).

Outro caso interessante a se ter em mente a respeito de como a corrupção funciona em instituições de respeito por aí pelo mundo é lembrar do caso do ex-presidente do Banco Mundial Paul Wolfowitz, que foi obrigado a deixar a instituição depois que alguém descobriu que sua namorada teve um aumento de salário equivalente a aproximadamente 50 mil dólares por ano quando ele chegou à presidência.

50 mil dólares, 20 mil libras...

50 mil dólares por ano é o que ganhava o neto de José Sarney como secretário no Senado, nomeado por ato secreto de Agaciel Maia, diretor da casa, que era por sinal compadre de Sarney: o senador foi padrinho de casamento de sua filha. Quatro senadores, incluindo Sarney, recebiam irregularmente auxílio moradia totalizando pouco mais de 80 mil dólares por ano.

Entretanto, julga o presidente Lula, isso não é suficiente para que o presidente Sarney renuncie e o Senado é desmoralizado quando o chefe do Executivo  manda e desmanda nas decisões.

No Brasil para que um escandalo derrube alguém tem que ser muito maior do que o que foi o suficiente para o Speaker Martin e para o president Wolfowitz. 

E eu nem quero começar a falar sobre a farra das passagens, sobre as outras diversas nomeações, sobre a não publicação de atos públicos de nomeação - o que chega a ser pior que tomar dinheiro público, sobre os 10 mil funcionários que o Senado sustenta com uma média salárial de 100 mil dólares por ano e sobre todos os outros múltiplos escandalos, de implicação profunda em todos os setores do Senado, que tivemos só durante o primeiro semestre de 2009. E nem quero comentar sobre o fato de que ninguém foi punido até agora e de que Agaciel Maia ainda é funcionário público. 

Sim, o Senado brasileiro é uma casa de horrores e a Câmara dos Deputados é só um pouco melhor. Comparados aos nossos os escandalos da Casa dos Comuns - e da maioria das casas legislativas dos países organizados onde impera a lei - parecem coisa de amador.

Palavras-chave: #forasarney, Casa de Horrores, escandalos, Sarney, Senado

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 5 comentários

Junho 23, 2009

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Hoje eu vi essa matéria da Folha de São Paulo falando sobre o evento da próxima quinta-feira na frente da FEA. Nessa matéria dois grupos foram descritos. Uma de um grupo chamado CDIE, que a um tempo vem recolhendo um abaixo assinado em oposição às decisões tomadas nas assembléias do DCE, que o grupo considera não ter representatividade dado o baixo quórum freqüente nas reuniões.

A outra é um grupo infantil que se autodenominou FlacUSP - Forças Libertárias Anti-Comunistinhas da USP - e quem fala em seu nome é um tal de Leandro, que é tão infantil que não identifica seu nome completo. Eu vi esse grupinho surgir na comunidade da USP no Orkut e eu alertei desde o primeiro post deles que eu achava uma idéia ruim, perigosa e infantil. E tinha certeza que ia acabar atraindo esse tipo de babaca como esse Leandro, que diz a entrevista:

Leandro classifica os atos do movimento grevista como "balbúrdia" e diz preferir a ditadura. "A ditadura impõe a ordem, não deixa essa zona acontecer." 

Isso sim é um fascista, viram? Não me espanta nem um pouco que exista esse tipo de imbecil na USP. Dada a quantidade de imbecis de todos os tipos que eu já conheci por aqui, esse é só mais um maluco. Maluco perigoso, mas conheço outros malucos perigosos também de outro tipo. 

O que me espanta mesmo é esse cara ser entrevistado como um dos organizadores do evento de quinta-feira - que está sendo chamado de flash mob mas na verdade não é, uma vez que vai ter uma organização mais centralizada e uma divulgação prévia mais organizada. Garanto a vocês: não é. Eu conheço as pessoas que estão organizando, a maioria delas pessoalmente. Nenhuma delas concorda com a barbaridade que esse Leandro, se é que o nome dele é esse, falou para a jornalista. 

Se ele estava lá no flash mob do dia 19, eu não sei quem ele é (não conheço as 300 pessoas que foram espontaneamente no evento), mas idéias e ações desse tipo não serão toleradas pela organização, tenho certeza. E eu garanto que se forem, eu me recuso a ir no evento e saio de lá imediatamente.

Razoabilidade tem que acontecer dos dois lados e quem está aqui querendo fazer um negócio pacífico e dialogar com o pessoal que aderiu a greve para tentar atingir uma convivência decente não vai tolerar que radicais imbecis falem por eles.

Estou mandando esse texto para a jornalista que escreveu a matéria, espero que ela esclaresça na matéria que esse cara não tem nada a ver com a organização do evento. 

Palavras-chave: fascista, flash mob, Folha de São Paulo, greve

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 5 usuários votaram. 5 votos | 11 comentários

Junho 21, 2009

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Hoje eu estava passando o olho pelo grupo de e-mails do DCE hoje, por curiosidade, e me deparei com uma pergunta legítima de uma garota: afinal de contas, o que esse pessoal contra a greve pensa? Como eles se justificam?

 Eu parei para pensar e notei que enquanto os que defendem a greve centralizam bastante seu movimento e tem pautas de reivindicações bem claras, nós realmente não nos preocupamos em dizer o que pensamos a respeito da greve e nos contentamos em manifestar a decisão final contra ela. Por sentir que a dúvida da garota era de fato genuína eu resolvi escrever algo sumarizando o que eu penso sobre o assunto. Não cabe aqui no blog. Sinto muito, ficou meio grande. Como tudo que eu escrevo eu escrevi muito mais para mim mesmo, para solidificar meus raciocínios internos sobre o assunto, do que para ser lido por outras pessoas. Mas vou colocar aqui.

 É um pdf com 8 páginas. Mas o espaçamento é duplo e a largura do texto é a padrão de 60 caracteres, de forma que nem é tanto texto assim. Me custou umas duas horas para escrever e pode ser lido em uns 15 minutos. Vou colocar apenas o parágrafo inicial aqui e o resto fica linkado no pdf abaixo.

Aos que se interessam,

tendo percebido que há uma certa incompreensão por parte de alguns estudantes aderentes à greve a respeito das razões pelas quais outros estudantes não aderiram à greve, em parte por nossa culpa de não expor essas razões de maneira clara e objetiva, resolvi escrever essa carta. Fui motivado particularmente por uma discussão que li na lista do grupo de e-mails do DCE, que me mostrou que muitas pessoas querem de fato entender as razões e têm genuína dúvida a respeito disso.

 

Para continuar lendo clique aqui.

Palavras-chave: contra a greve, greve, greve 2009, perplexidade

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 2 usuários votaram. 2 votos | 11 comentários

Junho 20, 2009

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Hoje muita gente viu ao vivo na prainha da ECA e na praça do relógio o que significa democracia para um setor radical dos grevistas. Eles jogam com desinformação, cooptação e violência verbal e física. Nós estavamos lá espontaneamente, só para mostrar que há quem não queira usar esses métodos.

Na quarta-feira dessa semana, um pessoal em uma lista de e-mails da ECA deu a idéia de fazer um flash mob, uma reunião marcada rapidamente, com o único objetivo de aparecer em um certo local e em um certo horário. A idéia era mostrar fisicamente que existem pessoas contra a greve e contra os métodos da greve. Mostrar que não concordamos com radicalismos e com violência. Duas reuniões foram marcadas - um piquenique na prainha da ECA e um flash mob na praça do relógio.

Não houve líderes marcando nada, não houve nada organizado. Apenas um cartaz dando uma dica de horário e local. Isso é típico de um flash mob - não tem líderes nem organizadores. A idéia é lançada para se espalhar na internet e ver a coisa acontecer espontaneamente. A idéia era aparecer, ficar lá alguns por meia hora, uma hora que fosse, e ir embora. Simples assim. Pacífico assim. Só para mostrar uma resistência. Mas nada pode ser tão fácil na USP. Nada pode ser tão pacífico.

Eu sinceramente achei que não ia aparecer ninguém. Mesmo assim fui pra ver. Quando eu cheguei à prainha havia uma assembléia do Sintusp!! Para quem não sabe, a sede do Sintusp é próxima à prainha. Mas a escolha da prainha foi simplesmente porque quem lançou a idéia em primeiro lugar eram alunos da ECA. Não tinha nada a ver com provocar o Sintusp. Algum acéfalo espalhou a notícia de que queríamos invadir a sede do sindicato.

Fomos recebidos aos gritos de ''faxistas reacionários'' por parte deles. Logo a notícia de que estavamos lá para invadir o Sintusp se espalhou e quando surgiu um estudante distribuindo panfletos contra a greve, ele foi agredido por uma galera que voou em cima dele. Felizmente não houve nada de mais grave depois disso e nós fomos para o nosso canto na Prainha. Fiquei até as 13:30. Me disseram que houve confusão depois mas eu não vi. Mas também não duvido. 

Depois fui fazer minhas coisas e planejei voltar para o Flash Mob na Praça do Relógio. Cheguei bem antes do horário e fiquei esperando. Chegaram alguns grupos. Mais alguns. Mais alguns. Eu achando que ia miar e que meia dúzia iam aparecer. De repente, lá pelas 19:00, tinha pelo menos umas 200 pessoas. Legal, pensei. Interessante. Vamos conseguir fazer um negócio pacífico e ir embora dessa vez. Logo, logo tínhamos um pouco mais de gente. Acho que o pico deve ter chegado perto de 300. Não sou estimador oficial de multidões, mas certamente havia mais de 200 pessoas.(uma boa estimativa foram os 100 fliers que um colega meu distribuiu antes da multidão estar completa e não deu para metade do pessoal). 

Logo chega um carro da PM. Nos disseram que alguém do sindicato chamou a PM porque estava correndo boato de que nós iriamos invadir a sede do Sintusp. Explicamos para os policiais o que era que estavamos fazendo e continuamos lá, parados. 

 É verdade que houve um momento em que umas pessoas começaram a andar na direção da FEA. Rapidamente eles foram parados, avisados de que não seria uma boa idéia passar perto do Sintusp em multidão e todos voltamos numa boa para a Praça. O pessoal que estava colhendo assinaturas para mostrar que as assembléias do DCE não são bons indicativos de opinião dos alunos estavam lá, colhendo assinaturas (ao contrário do que foi dito, eles não organizaram o flash mob, só ficaram sabendo e resolveram ir). 

NUNCA HOUVE NENHUMA IDÉIA DE INVADIR O SINTUSP. NÃO É ISSO QUE QUEREMOS FAZER. NÃO QUEREMOS OS MESMOS MÉTODOS VIOLENTOS. 

Logo que os PMs viram que não era um ato violento, foram embora. Nisso deu a hora do pessoal ir pra aula e a multidão começou a se dispersar. E um grupo de pessoas a favor da greve apareceu. Houveram gritos de ''USP sim, greve não'', o pessoal da greve respondeu chamando-nos de fascistas. 

Sinceramente essa é uma alcunha que me ofende bastante. Eu não sou fascista. Ninguém ali é. Ninguém alí defende métodos violentos, ninguém alí estava disposto a confrontar ninguém. As pessoas querem ter direito de manifestar sua opinião diversa e ponto. Assumir que alguém que discorda de você é fascista só porque está do outro lado é uma coisa infantil. 

Quando percebemos que o grupo deles estava avançando, simplesmente viramos de costas e fomos andando na direção da FEA, visto que já tinha acabado o que queriamos, não estavamos dispostos a confronto algum, não tínhamos intenção de dar motivo para confronto e muita gente tinha aula. Eles continuaram seguindo gritando coisas. Alguns de nós gritaram ''a USP agora vai pra aula''. Continuamos andando e nos dispersamos.

Próximo aos bancos, dois do grupo foram encurralados e sofreram chutes e cusparadas. Algumas pedras voaram na minha direção e na da minha namorada. Corremos. Eles começaram a dizer que venceram. 

Venceram o que?? O concurso de quem é mais imbecil?? Nós nunca havíamos nos disposto a embate físico nenhum. Eu não brigo com meus coleguinhas de turma desde a terceira série eu acho. 

Um dos caras foi cercado em volta da porta de um dos bancos. Não vi quem porque eu estava mais adiante. Apenas ouvi a porta do banco sofrendo pancadas. O cara aparentemente conseguiu sair e a gente se reuniu dentro da FEA porque o grupo continuava a nos perseguir. Os capangas ficaram na frente da saída da FEA sem deixar a gente sair por uns 40 minutos. 

Um morador do CRUSP e outra pessoas que estavam na festa junina depois mostraram para nós o que o Sintusp espalhou de desinformação. Havia um papelzinho rolando nos quartos do CRUSP dizendo que eles tinham interceptado um e-mail dizendo que ''um grupo de extrema-direita'' queria botar fogo na sede deles, no DCE ou na FFLCH!!!  Uma moças vieram da festa junina dizendo que estavam espalhando que diziam que nós eramos fascistas que iam aparecer lá na festa levando tochas para queimar tudo.

Desinformaçao, violência, pedras, empurra-empurra, socos, pontapés, cusparadas. Isso é democrático, pró-operário e faz parte de manifestações legítimas. 

Flash mob pacífico. Isso é fascismo, praticado por camisas negras violentos, filhinhos-de-papai que querem por fogo no Sintusp.

É difícil para mim entender. 

(edit): IMPORTANTE

As pessoas que foram agredidas nos eventos depois do flash mob estão juntando evidências para levar o caso à justiça. Se você tirou fotos ou gravou vídeos, envie anonimamente para 19.junho.2009@gmail.com. Se você tem condições de testemunhar, voluntarie-se pelo mesmo e-mail.

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 10 usuários votaram. 10 votos | 41 comentários

Junho 15, 2009

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Houve hoje manifestações generalizadas no país, segundo os twitteiros. Fontes tradicionais falam em centenas de milhares, twitteiros falam em mais de um milhão. Como sempre é difícil confiar nos números que eles passam porque é claro que têm interesse em aumentar. Tome as notícias com um grande grão de sal. Durante a tarde Mir-Hossein Mousavi, o líder reformista que concorreu às eleições, fez um discurso para a multidão. 

Manifestantes em Tehran.
Manifestantes contra Ahmadinejad em Tehran.

 Uma notícia mais confiável é de que a polícia atirou com força letal na multidão. Não sei as circunstâncias. Pode até ser que tenha havido conflito provocado pela multidão. É até provável. Não se tem notícias sobre números, mas sabe-se que houveram mortos. ( http://twitpic.com/7hbae  - imagens fortes. Não clique se for sensível)

Muitos twitteiros estão reclamando que as forças de segurança que  estão sendo usadas para reprimir a multidão falam árabe e tem aparência libanesa, e muitos disseram abertamente se tratar do Hezbollah - o grupo paramilitar libanês fundado sob os princípios da Revolução Islãmica iraniana de Khomeini.  Não confundir com o Ansar-e-Hezbollah - um grupo de radicais iranianos pró-Revolução Khomeinista. Também é outra notícia não confirmada - não se pode ter certeza.

Palavras-chave: Ahmadinejad, fraude eleitoral, Irã, manifestações, Mousavi, revolta

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 2 usuários votaram. 2 votos | 1 comentário

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Adaptado de:http://www.youtube.com/watch?v=6mqf00InV9E

 

Background:

Históricamente em cada eleição presidencial iraniana dezenas de candidatos conservadores tentam participar e são recusados. Isso causou historicamente uma baixissima taxa de eleitores indo de fato às urnas porque não sabiam se seu candidato iria estar nas cédulas.

Dessa vez dois reformistas iriam participar da eleição, incluindo o ex-primeiro ministro Mir-Hossein Mousavi, então esse ano houve uma grande participação de 85% dos eleitores nas urnas. No final o ministério do interior declarou vitória de Ahmadnejad, o atual presidente, com 63% dos votos.

Mas coisas estranhas apontam para fraude eleitoral:

1) A região de Tabriz, cidade de origem de Mir-Hossein Mousavi tradicionalmente vota a favor dele ou de quem ele ou seu grupo étnico indicar. Entretanto parece que dessa vez eles votaram 2 para 1 em Ahmadinejad. Estranho?

É a mesma coisa que Lula ganhar a eleição em um enclave de extrema direita no Rio Grande do Sul.

2) A última eleição no Irã foi em 2005. Mesmo sendo mais popular naquela época, Ahmadinejad não conseguiu evitar uma fuga de eleitores às urnas e não teve uma porcentagem tão alta quanto agora.

3) O comparecimento às urnas foi gigantesco. E nos últimos 20 anos sempre que houve um grande comparecimento às urnas um candidato reformista ganhou. Todas as pesquisas pré-eleitorais indicavam que Ahmadinejad só ganharia se houvesse pequeno comparecimento.

4) Apesar no número enorme de votantes para os padrões iranianos, o ministério do interior anunciou o resultado apenas 2 horas após o fechamento das votações!!  Contaram milhões de urnas a mais em muito menos tempo do que levou nas últimas eleições!! E sem o milagre das urnas electrônicas brasileiras.

5) Muitos membros da campanha de Mousavi reportaram que ele foi contactado pelo ministro do interior para informá-lo de que ele tinha ganho as eleições, mas minutos depois o mesmo ministro foi à TV anunciar a vitória de Ahmadinejad.
 

Palavras-chave: Ahmadinejad, eleições, fraude, irã, Mousavi

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 2 comentários

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O Irã está em revolta. Lá a polícia foi posta para atacar deslealmente estudantes e manifestantes com força letal e pessoas estão sendo presas, muitas desaparecidas. A cobertura da imprensa tradicional está sendo impedida e até redes de TV árabes como a Al-Arabyia estão sendo bloqueadas.

Eu até gostaria de fazer comparações entre lá e aqui mas não vou fazer porque não ajuda e vai soar como provocação. Vou focar em outro assunto - em como saber e espalhar notícia sobre o que está havendo lá. 

Como a BBC e outros canais de TV estão sendo impedidos pelo governo de fazer a cobertura adequada as fontes de informação - uma informação ruidosa e bem menos confiável, parcial porque vem só de um dos lados, mas direta e fresca, em tempo real - são os próprios estudantes das universidades iranianas que estão fazendo de tudo para conseguir usar o twitter e o facebook para passar informações para o ocidente.

Um bom site para adquirir informações de forma rápida e condensada é o site http://iran.twazzup.com/. Os perfis do twitter que mais falam sobre o assunto diretamente de lá são:

http://www.twitter.com/change_for_iran

http://www.twitter.com/tehranbureau

http://twitter.com/IranElection09

http://twitter.com/jimsciuttoabc

Lista de twitters sobre o assunto: http://www.h3x.no/2009/06/14/iranians-on-twitter-during-t

Facebook: http://www.facebook.com/topic.php?uid=55425040820&topic=117

Outras fontes, muita coisa em persa:

http://elections.7rooz.com/

 

 

 

Para os que não estão conseguindo acompanhar, o que está rolando no twitter pode ser resumido mais ou menos ao seguinte:

1) Depois da repressão aos manifestantes nas ruas, tanques foram levados à capital Teerã e ocupam locais estratégicos. 

2) Manifestantes no norte do país conseguiram tomar uma delegacia/quartel - não sei ao certo - em Kalantari Tajrish.

3) Universidades foram invadidas com forças policiais e mais de 100 estudantes foram presos, muitos feridos ainda estão entocados nos prédios e twittam de lá (exemplo: http://www.twitter.com/change_for_iran ).

4) Muitos twitters estão relatando que o Hezbollah está sendo usado ao invés da polícia para atacar os estudantes. 

5) A polícia está ocupando jornais e outros meios de comunicação e impedindo a veiculação de notícias. Além disso satélites usados pela BBC  Persia -  isso é notícia oficial - foram atacados com jamming de sinal. Outros veículos de imprensa - ocidentais e orientais - estão sendo impedidos de cobrir adequadamente. ( http://tinyurl.com/mwd348 http://tinyurl.com/lwxkds ).

 

 Fiquem de olho para ver o que continua acontecendo.  

 P.S.

Se alguém aí sabe ler persa por favor nos ajude a traduzir a página onde um dos candidatos ''derrotados'' na eleição está postando coisas:

http://sites.google.com/site/mousavi1388/

 

Palavras-chave: Irã, notícias, revolta, twitter

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 4 comentários

Junho 11, 2009

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Vou ser obrigado a quebrar a minha promessa de não falar mais no assunto. Vou fazer isso porque há um fato novo interessante que, creio eu, não deixa dúvida alguma sobre a pergunta acima - quem trouxe a violência à USP? Quem trouxe a violência não foi a polícia. Essa foi chamada para coibir a violência que já estava instalada. A violência de que fui informado ultrapassa em muito a violência verbal que todo vocês já conheciam. É terrorismo. Ameaça à integridade física. 

O texto que vou postar a seguir foi escrito por alunos da Letras que preferem permanecer anônimos porque têm medo. Eles têm medo do que podem fazer os próprios colegas. E têm razão para isso. Se você quer saber porque têm razão, leia o texto. É grande, mas deve ser lido.

 

Manifesto dos alunos em repúdio ao incidente  envolvendo a turma do período noturno da disciplina FLM0305 Introdução à Tradução do Alemão I no dia 09.06.2009

                                                             São Paulo, 11 de Junho de 2009.

        Este último dia 09 foi um dia triste na história da Universidade de São Paulo. Presentes ou não, todos nós da comunidade USP vimos o poder da força tomando o lugar o poder das palavras: o diálogo foi negado a favor da violência.


        O diálogo, entretanto, manteve-se presente na disciplina FLM0305 Introdução à Tradução do Alemão I durante todo o curso. A viabilidade para realização da prova no dia 09.06, marcada anteriormente ao estabelecimento da greve, e a própria disposição ou não dos alunos em a realizarem também estiveram inclusas em nossos diálogos por meio do fórum de discussões do sistema Moodle (http://moodle.stoa.usp.br). Várias possibilidades foram abordadas e a decisão final foi: quem quisesse ir fazer a prova, que fosse, e quem não quisesse ir ou tivesse o acesso impedido faria uma prova alternativavia Moodle em data ainda a ser definida. A escolha ficou a critério dos alunos, que de maneira alguma seriam prejudicados pelo não-comparecimento. Segundo consta no Júpiterweb há 24 estudantes matriculados nessa matéria no período noturno – 12 alunos compareceram para a prova.


        Próximo ao término da prova, por volta das 20:44 horas, nós, estudantes, de dentro da sala, ouvimos alguém gritar “Hitler!” três vezes. Apesar de que pelo bom-senso ou conhecimento de mundo mínimo parecer desnecessário relatar tal atitude como ofensiva, parece-nos melhor esclarecer que a alusão a um dos maiores genocidas da história da humanidade para uma turma que por vontade própria está realizando uma prova é, para dizer pouco, repugnante. Mas, ainda, falar isso para uma turma de Alemão é de um generalismo absurdo, ignorante e inaceitável. Os estudantes de Letras poderiam lembrar-se (ou conhecer) as palavras do poeta judeu de língua alemã nascido em Czernowitz, que teve os pais mortos pelo regime nazista e foi submetido a trabalhos forçados no campo de concentração: “A língua permanece intacta, sim, apesar de tudo” (adaptação do original).


        Pouco tempo após isso, diversos estudantes abriram a porta para “falar sobre o que havia ocorrido na universidade”. Não foi uma tentativa de dialogar ou argumentar sobre a legitimidade de nossa presença em sala: foi uma série de insultos, baderna e julgamentos de caráter. Os alunos da sala se manifestaram dizendo que estavam lá porque queriam e que aqueles que não estavam presentes, ao contrário do que se gritava (afirmando que estávamos lá “sob coerção de nota”), não sairiam no prejuízo. Cada umcomo indivíduo pensante, como adultos que somos, estávamos lá exercendo aquele  direito que a nossa sociedade ocidental tem como supremo: o direito de livre-arbítrio. Não seria esse o momento dos alunos que se dizem “a favor da democracia” respeitarem o direito de seus semelhantes? O fracasso do diálogo fez com que alguns alunos do Alemão tentassem fechar a porta: medida irrealizável e tomada à flor das emoções.


         Por fim, o que puderam fazer doze alunos quando cerca de cem, mais ou menos, alunos histéricos (fazendo uso aqui da acepção proposta no Dicionário Houaiss “comportamento caracterizado por excessiva emotividade ou por um terror, pânico”) os obrigam, por meio de intimidação verbal e gritaria, a deixarem a sala de aula? – Sair.


         Assim, saímos. Cinco alunos acompanharam a professora até a sala dela para discutir o que tinha acabado de acontecer e também porque temiam maiores retaliações direcionadas à professora. Ao perceberem isso, os estudantes chegaram a mais uma conclusão infundada: os alunos estariam indo para terminar a prova, “bando de puxa-sacos”. Eles vieram atrás desses alunos e da professora, que, temendo pela integridade física dos mesmos, trancou a porta de sua sala. Nisso, os estudantes começaram a bater com excessiva força na porta, como que tentando derrubá-la, e desligaram a luz do andar inteiro. Sentimento dos que estavam lá dentro? Perplexidade. Vinte ou trinta minutos depois os estudantes foram se dispersando e os vigilantes do prédio apareceram para ligar a luz e acompanhar os que estavam dentro da sala até a saída do prédio. Os alunos e a professora saíram, então, chocados, assustados, tristes.


         Foi dada como justificativa da ação a alegação de uma suposta aluna do Alemão ter sido agredida (levado um tapa na cara) pela professora. Isso é uma mentira e uma calúnia. Quem era do Alemão, repetimos, estava lá porque queria: teve direito de escolha. O fato dos estudantes terem reagido sem o menor conhecimento de causa, sem tentar averiguar o ocorrido só mostra como uma inverdade é capaz de manipular muita gente.


         O que fica dessa história toda? Repúdio. Repúdio pela ação autoritária, agressiva e ofensiva dos estudantes com a turma de FLM0305 Introdução à Tradução do Alemão I. Repúdio por no prédio de Letras da “maior universidade do Brasil” o diálogo não ter sido estabelecido, pelo valor da palavra como solucionadora de conflitos não ter sido aceito. E ainda: repúdio pela não-superação dos métodos autoritários e repressores por parte dos estudantes, que, alegando serem esses os métodos da PM, foram, neste caso, os próprios propagadores da irracionalidade e do desrespeito ao indivíduo. Tivesse vindo uma abordagem dessas de um grupo que se reconhece intransigente, seria outra coisa. Mas vindo de pessoas que dizem defender a democracia, o diálogo e, não obstante, os estudantes, é simplesmente inaceitável.


        Os argumentos de que houve uma assembléia para votação da greve e que a maioria votou pelo “sim” não convencem. Assembléia em que algumas centenas de estudantes comparecem para um curso que tem mais de cinco mil estudantes não é representativa. Procuremos outros meios, usemos a tecnologia a nosso favor, há formas de incluir aqueles que não têm disponibilidade de estarem presentes em todas as assembléias. Mas não declarem o favoritismo a uma greve por contraste. E não nos obriguem a aceitar isso.


        Nós sabemos que ao optar por fazer a prova estávamos, inevitavelmente, nos posicionando contra esta greve, mas não tínhamos sido avisados que a mobilização em favor de uma determinada ideologia é compulsória. Preferimos acreditar na autonomia da escolha do indivíduo. Nós lamentamos a truculência da polícia com os estudantes e nosposicionamos, também, contra isso. Porém, não admitimos que o nosso direito de escolha  seja desrespeitado. Quando se tira o direito de escolha de alguém, tira-se sua alma. E não aceitamos que ninguém, nem mesmo os estudantes da Universidade de São Paulo, faça isso conosco.       

Este manifesto foi organizado e apoiado por parte dos alunos da disciplina em questão. Todos os alunos matriculados na matéria foram informados via e-mail sobre feitura do manifesto e receberam previamente uma cópia do mesmo. Nenhum aluno, até momento, se posicionou contrário à publicação desse texto.       

Sem mais,
        Alunos da disciplina Introdução à Tradução do Alemão I
        Letras – FFLCH/USP
        (Reiteramos que nem todos os alunos matriculados na disciplina quiseram comentar o caso. Dessa forma, não podemos afirmar que todos os alunos estão de acordo com este manifesto. Aqueles que estão de acordo optaram pela anonímia por temerem maiores retaliações.)

 

 Me desculpem que eu comente ainda depois desse longo texto, mas não consigo me segurar. O que está descrito aí não é manifestação, não é mobilização estudantil, não é luta por direitos de uma classe qualquer. É terrorismo. É cárcere privado. É violência. São fatos que devem ser descritos em uma investigação criminal, não em um relato de manifestações estudantis. Os que participaram dessa violência contra os alunos dessa disciplina são covardes da pior espécie. São criminosos, não são estudantes.

Foram esses radicais, esses criminosos, que trouxeram a violência para dentro da USP. É por culpa da ação deles que somos obrigados a assistir cenas de guerra. É exatamente guerra que esses radicais procuraram - e conseguiram - para dar legitimidade falsa à essas ações deles. 

O mais terrível é saber que a eles nada aconteceu. Eu sinceramente estou empenhado em tentar convencer as pessoas que sofreram essa violência a dar início a um processo criminal contra esses terroristas covardes. Eu não consigo imaginar outra forma de lidar com isso. A administração da Universidade precisa saber que isso aconteceu, a polícia precisa saber que isso aconteceu e o Ministério Público do Estado de São Paulo precisa investigar e indiciar esses malucos covardes. 

Eu espero, sinceramente, que algum desses caras apareçam aqui para comentar e tentem se justificar. Porque no meu cérebro pequeno eu não consigo imaginar justificativa nenhuma para essa barbárie!! 

 (edit)Estou disponibilizando o PDF do texto original que está sendo divulgado. Imprimam e espalhem em suas unidades. Mostrem ao pessoal que tipo de gente está fazendo isso:

Manifesto de Estudantes contra Violência sofrida na Letras

Palavras-chave: absurdo, ameaças, barbárie, FFLCH-Letras, letras, Letras, manifesto, terrorismo, terroristas estudantis, violência

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 3 usuários votaram. 3 votos | 49 comentários

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Meu ponto final sobre esse assunto. Como prometi antes, não vou mais falar nada sobre o assunto porque esgotei todas as coisas que eu poderia falar e detesto ser repetitivo.

Como eu não estava presente, vou trazer (com autorização do autor) o relato curto nas palavras mas com muitas imagens eloquentes, de um aluno qu estava na manifestação, viu de perto e filmou o que aconteceu na ação da polícia.

Só vou fazer um comentário curto sobre um dos vídeos: se eu fosse um policial encurralado contra um muro por centenas de pessoas gritando ''Fora PM'' , tendo apenas 4 colegas, sem escudo, sem capacete e sem armamento letal, temeria pela minha vida. Como eu poderia saber que ninguém ali está armado? Mesmo que somente com pedras uma multidão dessas destroça 5 pessoas em poucos segundos. 

A parte esse meu comentário, tirem suas próprias conclusões.Segue o relato do Israel Felix, que transcrevo do orkut com autorização dele. 

Entenda o que aconteceu na manifestação
(por Israel Felix)

Meu relato:

Por volta das 14:30 estava no ônibus em direção ao P1, ao chegar lá a PM já havia bloqueado o acesso dos veículos, isso para garantir o direito a manifestação, então eu pensei. PUTZ fudeu vou pegar mol transito então foda-se. Desci do busão e fui acompanhar a manifestação com minha câmera da verdade rsrsrs

A PM estava na esquina da av. Alvarenga aguardando os manifestantes.
 
Foto 1 - Israel
(clique no link para ver a foto no tamanho original)



Chegando lá, não contente em fechar o P1 fecharam a av. Alvarenga
 
Foto 2 - Relato Israel
(clique no link para ver a foto no tamanho original)

Reparem na pequena quantidade de manifestantes no meio da av., o restante deles não estava preocupado em fechar a av e sim em ficar gritando na frente dos PMs que estavam na esquina.
 
Foto 3 - Relato Israel
(clique no link para ver a foto em tamanho original)
 
A PM não estava fazendo nada e até tolerou atitudes excessiva como essa:

Foto 4 - Relato Israel
(clique no link para ver foto em tamanho original)
 
Depois de mais de 2h de interrupção do transito os funcionários e alguns estudantes resolveram voltar para a reitoria. Mas alguns alunos ainda ficaram lá na av. Após uns 5mim decidiram voltar pra reitoria tb. Quando estavam voltando decidiram encurrlarar 5 PMs que estavam em frente a creche, ao lado da FE, (naquele museu que não sei o nome) assim:
 
 (N. do E.: esse é o vídeo a que me refiro no início do post)
 
então obviamente eles chamaram reforços e então... continuação do vídeo acima:
 

Daí pra frente só foi bomba e bala de borracha pra todo lado até chegar na reitoria, cortei o vídeo pq tava muito grande 200mb , mas depois eu tento postar inteiro

 

 

 

Palavras-chave: confrontos com a polícia, excessos, greve 2009, manifestações, Polícia Militar, Polícia no campus

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 4 usuários votaram. 4 votos | 12 comentários

Junho 10, 2009

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Eu ainda estou perplexo com o que houve ontem. Sabe, eu descrevi aqui minha inquietação e acho que até me interpretaram de uma forma equivocada, como se eu fosse a favor de ver a polícia espancando todo mundo.

Mas não é isso. O que me deixa perplexo é a forma como deixamos o recrudescimento do caos aqui dentro provocar uma reação tão violenta. Como deixamos o mundo da fantasia crescer aqui a ponto do encontro com a realidade ser tão chocante. 

Sim! Foi uma reação provocada! Não foi uma repressão gratuita. Mas que reação! Sim, é uma reação legítima da lei sobre a desordem. Mas que reação!

 Será que era necessário deixar chegar a esse ponto? Será que era inevitável? Claro que ontem, quando os manifestantes decidiram fazer o trancaço, sabendo que a polícia estava lá esperando, já era inevitável. Eu previa isso desde semana passada quando o trancaço foi anunciado. 

Mas será que se voltássemos anos atrás e ficássemos menos maravilhados por ver uma mulher reitora  - uma péssima representante do seu gênero - e enxergássemos que ela era inapta para o trabalho, isso não poderia ser evitado? Dentre tantas mulheres! Tantas reitoras possíveis!

A reitoria da USP age faz anos com total inaptidão ao tentar negociar com os grevistas. Suas atitudes  legitimam os radicais, permitem a baderna de acontecer e enquanto ela foge para a Europa no início da greve, os radicais fazem barricadas. 

A reitoria reclama que não fica sabendo dessas atividades. Claro que não! Eles vivem em outro mundo. Afinal, se administram a universidade e não sabem o  que acontece por aqui em boa coisa isso não poderia acabar. 

Se tivessemos outra reitoria mais competente, essa barbárie não precisaria acontecer hoje. A coisa teria sido manejada quando era manejável, anos atrás. Antes da invasão da reitoria. Antes dos outros diversos trancaços que houveram anos atrás.

 

 

Palavras-chave: administração, barbárie, inépcia, irracionalidade, reitoria

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 3 usuários votaram. 3 votos | 7 comentários

Junho 09, 2009

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Depois da comemoração que eu postei mais cedo, agora algo lamentável. Hoje a USP se tornou o palco da irracionalidade. A manada falou mais alto de novo. A lei e a ordem um dia tinham que chegar na universidade e entrar em choque com o mundo da fantasia lá de dentro. A realidade bateu à porta de forma violenta, mas a violência foi provocada.

Quem acompanha de longe pode querer comparar o que aconteceu hoje com os acontecimentos de 1968. Mas o conflito entre a polícia e os manifestantes hoje no campus da Cidade Universitária não é da mesma natureza do que aconteceu 40 anos atrás. Hoje a lógica se inverte - os totalitários estão dentro da Universidade e quem está em busca de defender a constituição e a democracia são os policiais que vieram para cumprir uma ordem judicial.

Quem acompanha de perto vê barricadas, cerceamento da liberdade, patrulhamento ideológico que chega até o limite da agressão física e de ameaças de sequestro. É preciso ir bem perto para ver como uma parte podre desse movimento grevista age de forma mafiosa e criminosa. Eu tenho amigos que sofreram ameaças de morte por protestarem contra os piquetes. Uma garota foi agredida na História por querer passar pelas barricadas e usar as salas de aula.

Ninguém queria ver esse tipo de coisa dentro do campus. O recurso à ilegalidade por parte desse pessoal é de longa data: fechamento de portões, barricadas, violência e destruição do patrimônio público, invasões de prédios, são coisas que já fazem parte do cotidiano da USP já faz muito tempo. A ação pela recuperação da legalidade foi muito protelada, por medo de que a sociedade interpretasse mal imagino.

É preciso que as pessoas entendam: o que houve na USP não foi repressão a um movimento legítimo, foi a ação da polícia contra pessoas que estavam cometendo um crime.

Parte das pessoas que participam do movimento de greve não entendem o que está acontecendo e não vêem a ilegalidade dos atos. Infelizmente o aprendizado teve que vir dessa forma.

A quem tinha esperanças de que as coisas se resolvessem de forma racional e que os estudantes que desejam negociar sobre problemas na universidade o fizessem de forma racional, ordeira e dentro da lei, resta lamentar o que houve.

Certamente os radicais vão usar a ação da PM para tentar legitimar seu movimento. Pode ser que recrudesçam no caos e na violência. Eu espero que não, porque se o fizerem a polícia certamente vai voltar.

Eu espero poder caminhar na USP sem ser ameaçado pelos radicais. Espero poder entrar na minha sala e trabalhar tranquilo. E espero não ter que ver as cenas de hoje novamente. Mas, para ser sincero, não tenho mais tanta esperança nisso.
 
 

Palavras-chave: ameaça, conflito, confronto, greve, irracionalidade, mafia, mafiosos, PM, polícia militar, polícia no campus

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 6 usuários votaram. 6 votos | 20 comentários

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Até a manhã de ontem o prédio dos cursos de Geografia e História da FFLCH/USP estavam fechados por barricadas. Barricadas construídas por parte dos alunos com as próprias cadeiras e mesas para impedir o acesso de outra parte dos alunos às salas de aula. Barricadas formidáveis. Algumas tão altas quanto o teto dos corredores, com um intrincado arranjo de ferragens das cadeiras que parecia impossível de ser desmontado sem danificar as mesmas.

Para os alunos que as ergueram as barricadas são simbolos da luta pela mudança. Não são. São um simbolo eloquente da permanência e da perpetuidade de uma luta artificial entre classes que foram criadas por eles mesmos. São simbolos também de não-diálogo, de não-respeito às necessidades e liberdades de outros e da intolerância com a não adesão ao seu movimento. Símbolo ainda de que essa adesão não é decidida pelo indivíduo livre e racional mas pela força mais irracional e violenta que existe: a multidão. A manada. E quem não estoura com a manada é pisoteado.

Saindo um pouco do domínio dos símbolos e retornando ao mundano, as barricadas desrespeitam ainda algo muito mais prático: as leis da sociedade brasileira. E não qualquer lei mas a lei mais fundamental: a Constituição Federal do Brasil. Desrespeita a garantia constitucional de que ninguém deverá ser obrigado a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa a não ser por força de lei. Nem pelo estado, muito menos por particulares.

Particulares decidem que a ninguém deverá ser permitido usar as salas e constróem barricadas para impedir isso, não sendo esses particulares proprietários do prédio nem administradores com autorização de seus proprietários. Quando questionados a resposta é apenas uma: ''foi deliberado em assembléia''. E veja: esse mantra é repetido mesmo por aqueles que em assembléia votaram contra as barricadas. As assembléias de uma associação de particulares, de alguma forma, adquirem precedência sobre as leis e sobre os direitos constitucionais de pessoas que nunca declararam sua filiação a essas associações. E lá se vai mais um direito constitucional: o de não ser compelido a associar-se ou permanecer associado a nenhuma associação particular.

Nem todos estão dispostos a se sujeitar a essas ações arbitrárias de terceiros entretanto. Um grupo de alunos daquele prédio, com o auxílio de estudantes de outras unidades - auxílio esse que solicitaram após sofrer agressões em outras tentativas, conseguiram ontem desmontar as barricadas e devolver às salas de aula daquele prédio o objetivo para os quais elas foram construídas. Conseguiram trazer de novo a racionalidade e expurgar a manada.

Ninguém questiona o direito inalienável à mobilização para fins legais, à greve e ao protesto. Muito menos se questiona o fato de que a universidade tem problemas que devem ser endereçados pelos alunos em suas discussões. O que se questiona é o uso da irracionalidade, da ilegalidade, da lógica de manada e do caos como ferramentas para mobilização. Esses atos, antes de ajudar a resolver o problema, apenas os agrava.

É provável que as barricadas sejam reconstruídas e que essa pequena vitória seja apenas temporária. Mas também é provável que após o exemplo desses alunos da História e da Geografia muitos mais se levantem e essa seja uma vitória perene de uma forma diferente de mobilização para resolver os problemas da universidade: a mobilização estritamente legal estimulada pelo raciocínio livre do indivíduo sobre os problemas que deseja resolver.

Palavras-chave: barricadas, cadeiraço, constitucionalidade, desmonte de barricadas, estudantes, greve, legalidade, liberdade, mobilização, racionalidade

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 3 usuários votaram. 3 votos | 8 comentários

Junho 06, 2009

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Em um texto do C.A. da FFLCH, um autor chamado Antônio cria uma grande celeuma a respeito de uma declaração supostamente facista de um jornalista do SBT, José Nêumanne Pinto.

No dia 04/06 desse ano o jornalista fez um breve comentário sobre a greve na USP no Jornal do SBT. Segundo o blog do C.A. da FFLCH ele teria dito:

O Jornalista José Nêumanne Pinto (...) afirmou em seu editorial na televisão chamado "Direto ao Assunto", que "essa gente deveria levar tiro" da polícia, referindo-se aos funcionários grevistas da USP, apoiados por estudantes e professores

(texto retirado do blog http://www.fflch.usp.br/df/caf/blog/antonio/vejam-exemplo-de-fa )

Quem em sã consciência apoiaria o jornalista tivesse ele dito tal absurdo? Eu mesmo fiquei assustado quando ouvi falar disso. Achei um exagero ridículo, uma declaração mais do que infeliz. Até assistir no youtube o vídeo original:

http://www.youtube.com/watch?v=xFBfr-8UobU

No vídeo se ouve perfeitamente:

 Essa gente devia tomar tino, você não acha?

Tomar tino, para quem não teve avó, significa tomar juízo, tomar tento. 

Poxa... isso me levou a especular sobre o que leva alguém a entender tiro ao invés de tino. Acho que isso tem muito da paranóia típica desses caras - a tensão é tanta na cabeça deles que até ouvem as coisas errado.

 

Palavras-chave: freud explica, greve, Greve, ilusão acústica, mentira, paranóia

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 3 usuários votaram. 3 votos | 3 comentários

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Desde o fim dessa semana alunos e professores da USP estão em greve em apoio aos funcionários. Isso significa que em torno de 50 mil alunos de graduação, 20 mil alunos de pós-graduação e 5 mil docentes estão parados, não frequentam suas atividades e estão protestando, junto com os 15 mil funcionários que estão em greve já faz um tempo. 

Pelo menos é isso que o DCE, a ADUSP e o Sintusp querem fazer a sociedade acreditar com seus comunicados, panfletos e declarações à imprensa.

Bem. Vejamos. Ontem eu, aluno de pós-graduação do Instituto de Física, passei o dia todo na USP trabalhando, junto com praticamente todos os meus colegas do mesmo departamento. A biblioteca da Física estava aberta e operando normalmente, com todos os seus funcionários devidamente lá dentro trabalhando. As secretárias do IF todas trabalhando. A seção acadêmica também. Os alunos de graduação passavam de um lado ao outro com seu barulho habitual, e enchiam salas de aula para estudar e fazer provas. Todos os professores estavam nas suas salas ou dando aula, fazendo o seu trabalho de sempre. 

Pelo menos do Instituto de Física a greve tão noticiada por DCE, Adusp e e  Sintusp está bem longe.

Por curiosidade, acho bom que os repórteres tentem dar uma voltinha no campus. Poli, FEA,FAU, Química, ... todas as unidades parecem funcionar como sempre, sem interrupções. 

Até alguns alunos da ECA e da Letras me disseram que assistiram aula normalmente !! Cursos que, segundo o DCE, estavam totalmente parados. 

Parece que esse pessoal tá sem moral...

 

Palavras-chave: ADUSP, DCE, enganação, Greve, greve dos estudantes, greve?, Mentira, notícias da greve, SINTUSP

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 28 comentários

Junho 04, 2009

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Eu não conheço nenhuma das pessoas que se acidentou no vôo da Air France. Não sei se eles eram bons em golf, ou se gostavam cães ao invés de gatos. E, sinceramente, pouco me importa.

Não!! Isso não é crueldade ou falta de sensibilidade. É simplesmente o reconhecimento do fato de que essas pessoas não fazem parte da minha vida, nunca fizeram. E não passam a fazer porque morreram num acidente. O meu interesse em conhecer suas vidas pessoais continua o mesmo que era antes de suas trágicas mortes: absolutamente nenhum.

Alguns eventos, em especial tragédias e acidentes, parecem que se tornam um imperativo jornalístico. Parece haver uma corrida incrível entre os jornalistas para cobrir todos os aspectos possíveis e imagináveis. Há uma urgência em se falar do assunto. Tudo sobre o assunto. No início isso é até positivo - todo mundo fica informado das coisas que interessam rapidamente. Mas depois acontece um fenômeno interessante: a pauta acaba, mas o interesse no assunto não. 

 Parece que há uma compreensão por parte dos jornalistas de que a população deseja avidamente consumir qualquer informação sobre o assunto. Daí surge todo tipo de anomalia na imprensa. Especialistas são chamados para fazer suas análises, que tão logo proferidas são exageradas e distorcidas pelo jornalista - exacerbando as partes interessantes e ignorando a moderação característica dessas análises. A vida das pessoas envolvidas são exibidas em todos os aspectos. Aspectos totalmente irrelevantes da tragédia passam a povoar o noticiário, junto com todo tipo de especulação imbecil. 

 Há pouquíssimas informações objetivas para se dar sobre a queda do vôo da Air France. Pouquíssimas. A pauta se esgotou em dois dias. Entretanto as notícias não param. 

É incrível ouvir como as especulações começam a se proliferar - foi relâmpago? Atentado? Foi uma onda gigante? Foi um pássaro  marinho? Foi um ovni? O avião estava com defeito?

Cacilda!!! Não dá para saber!! E para isso que existem investigações pô!! Há que se esperar as pessoas que sabem o que estão falando terem evidências o suficiente para falar. Investigações não se fazem levantando especulações baseadas em cada pequena peça de informação individualmente, mas recolhendo toda a informação disponível e produzindo evidências sólidas. Isso leva tempo. Semanas. Meses. Mas dá a resposta mais provável.

Também me espanta ouvir o tipo de informações e análises mais imbecis e irrelevantes sobre o assunto. A controvérsia sobre o tamanho do objeto que foi recolhido. A controvérsia sobre a influência das correntes marítimas no resgate de destroços. A controvérsia sobre os equipamentos usados para lidar com os corpos. A opinião de reporteres  e não-especialistas sobre  assuntos técnicos.

Eu não aguento mais ouvir as mesmas informações repetidamente sobre esse caso, nem ouvir informações irrelevantes, nem ouvir detalhes da vida pessoal das pessoas que morreram , nem ouvir idiotices e especulações.

Um avião caiu. Pessoas morreram. As causas estão sendo investigadas. Isso é notícia. O engenheiro que morreu tinha criava cães da raça Lhasa Apso e jogava golf. Isso NÃO é notícia. Enquanto isso notícias de verdade estão acontecendo por aí e estão sendo ignoradas para podermos gastar metade do tempo do jornal falando sobre um assunto irrelevante.

(edit) Eu até acredito que na maioria das vezes não é má fé por parte dos jornais. Eu acho que acontece mesmo é uma simbiose estranha entre os jornalistas e o público que acaba valorizando esse tipo de não-notícia. É um diálogo entre a sensibilidade os leitores tocada pela tragédia com uma avidez por satisfazer o público por parte dos jornalistas. O efeito coletivo desse diálogo é esse.

Palavras-chave: acidente aéreo, Air France, idiotice, jornalismo, não-notícias, notícias

Postado por Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini | 1 usuário votou. 1 voto | 2 comentários

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