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Julho 2007

Julho 22, 2007

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Está certo retirar 10% dos recursos da luta contra a AIDS nos países pobres e colocar esses 10% na pesquisa sobre a AIDS?

Não esqueça que ninguém vai "fazer pesquisa" na África ou em outros lugares miseráveis. Pesquisa se faz do conforto de seu laboratório. Que fica nos EUA ou na Europa, grosso modo.

Fontes: Muitos sites de notícias divulgaram recentemente sobre o encontro de especialistas de AIDS em Sydney, dando destaque à "Declaração de Sydney", que justamente estipula que 10% dos recursos mundiais da AIDS sejam dedicados À pesquisa. Um exemplo razoavelmente completo no site Último Segundo.

Palavras-chave: AIDS, Declaração de Sydney

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Julho 26, 2007

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Tal como anunciado aqui no Stoa, começou ontem o 1o Congresso Internacional sobre a Inclusão da Pessoa com Deficiência Visual - CIIPDV. Os eventos ocorrerão de manhã na FAU e à tarde na Psico, até sábado (inclusive).
Eu só pude ir hoje, e visitei a oficina "Tecnologia" na biblioteca da Psico. Lá haviam cegos demonstrando para quem quisesse ver o DosVox, o Virtual Vision e o Lida - talvez houvessem outros softwares sendo demonstrados, mas só vi esses. De qualquer maneira, eu agora tenho uma noção mínima de como é a experiência de usar um computador e a internet para uma pessoa cega.
Além desses softwares, haviam estandes da Fundação Dorina Nowill, da Laramara e da Poli Cidadã.
Escreverei sobre tudo isso com mais vagar na semana que vem, mas gostaria de expor prematuramente alguns pensamentos que me ocorreram ao tomar conhecimento com algumas tecnologias e projetos apresentados.

Há uma enorme preocupação dos expositores com o mercado.
Isto é evidente nos projetos da Poli Cidadã, que em sua maioria apreciam o custo de produção dos aparelhos desenvolvidos, sua utilidade e, quando cabível, preço em comparação com aparelhos similares importados.
Mas há também uma preocupação em não "ferir" o mercado, por exemplo, nos projetos da Fundação Dorina Nowill relacionados a oferecer aos cegos gravações de leitura de textos como revistas e livros: os tais projetos tiveram que demonstrar para as editoras que seus produtos - CDs de áudio ou de dados - não iriam ser "jogados" na rede, e pirateados a torto e a direito. Encriptação, distribuição restrita, cadastro de usuários, senhas, enfim, tudo o que pode dificultar a pirataria é pré-requisito para que as editoras permitam que seus livros/revistas sejam "traduzidos". Fica patente que isso implica que essa tradução, que já é cara normalmente, fica ainda mais cara para preservar os direitos de propriedade das editoras.
Eu não pude me conter e perguntei a essa boa gente se não deveria ser obrigatório oferecer conteúdo para cegos. Me informaram que os sites ".gov" são obrigados - mas só eles.
Vocês acham que quem vende informação tem a obrigação de fornecer informação para todos os cidadãos? De outra maneira trata-se de discrimação?

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Julho 27, 2007

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Hoje apenas algumas perguntas feitas pelo público do Congresso Internacional sobre a Inclusão da Pessoa Deficiente Visual: 

Algum produto da Poli Cidadã foi lançado no mercado? Há interesse das empresas? Há investimento das Fundações? Como fortalecer marketing e comercialização? Existem projetos para desenvolver produtos para uso pelo profissional de saúde que trabalha com deficientes? Quais os cuidados ao patentear novos produtos?

Como fortalecer relação entre as editoras e o Lida? Como utilizar o Lida na alfabetização? É compatível com o assistente de acessibilidade do Word? Qual o custo do Lida e dos livros "Lidados"?

Existe software para ensino de artes para deficiente visual? Como apresentar imagens em Braille?
Como apresentar vocalmente (falar) equações matemáticas? Como apresentar vocalmente imagens tipo gráfico? Como apresentar vocalmente imagens tipo ilustração?

 O maior problema, no momento, é a divulgação das pesquisas realizadas? 

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Julho 30, 2007

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A Poli Cidadã é uma comissão que permite aos alunos da Escola Politécnica realizarem projetos de curta ou longa duração (chamados de intensivos e extensivos, respectivamente) que, no caso dos extensivos, equivalem a trabalhos de formatura, desde que adotem tema de responsabilidade social para seu projeto.
Essa comissão mantém parcerias com entidades públicas, como Secretarias municipais e estaduais, e privadas, como ONGs, escolas, universidades. Os parceiros participam dos projetos sugerindo temas de pesquisa (há uma lista dos temas que pode ser consultada aqui) e muitas vezes realizando testes de aceitação dos produtos finais.
Tal projeto é reconhecido por ter contribuído para a ampliação da dimensão social da EP e para a visão social dos alunos formados. Justamente os pontos que os alunos de humanas mais criticam nos cursos de Exatas. Não seriam desejáveis projetos similares no IME, na Física, na Química?
Semana passada, no CIIPDV, foram apresentados, em oficinas e palestras, alguns projetos realizados através dessa comissão, como aparelhos de reconhecimento de cor, narrador de nome e itinerário de ônibus, leitor de código de barras com sintetizador de voz, conta-gotas com sintetizador de voz, pesquisa sobre o processo de produção de bengalas, entre outros.
Os projetos primam pelo baixo custo, pela minimização ou ausência de componentes importados e pela adequação às necessidades brasileiras, identificadas por entidades representativas da sociedade.
Mas nem tudo são flores: os projetos são finalizados algumas vezes quando os produtos ainda não estão 100% prontos, alguns testes são insatisfatórios, e, pior de tudo, os projetos são, no final, abandonados - as empresas simplesmente não se interessam em produzir esses produtos.
Cabe lembrar que muitos desses projetos poderiam ter um uso mais amplo que o uso por deficientes visuais - por exemplo, muitos dos produtos com sintetizador de voz poderiam ser úteis para analfabetos, o que aumentaria consideravelmente seus mercados potenciais. Mas os professores da Poli são professores de engenharia, e não empreendedores - e portanto não seria o caso da FEA dar uma mãozinha?

Palavras-chave: CIIPDV, Poli Cidadã

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Julho 31, 2007

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O Lida é um sistema de áudio e letras ampliadas que permite o acesso de cegos e de pessoas com baixa visão a literatura de estudo e pesquisa.

Cada livro Lida é publicado em CD-Rom, que pode ser aberto em qualquer computador com Windows através da senha de desencriptação pessoal do usuário; cada usuário pode obter sua senha e os CDs através da Fundação Dorina Nowill. Qualquer cópia ilegal de um livro Lida pode ser rastreada até sua origem.

O projeto do Lida inicialmente previa a adoção do sistema Daisy mas logo no início do desenvolvimento ficou bastante claro que isso não seria o mais adequado à realidade brasileira: o sistema Daisy impõe o uso do leitor Daisy, que custa algumas centenas de dólares.

Foi portanto desenvolvida uma solução nacional que além de ser muito mais acessível é também muito mais rica em recursos, pois os livros Lida têm ajuda contextual, busca por palavras em todo o texto, diversos níveis de índices, navegação bloco-a-bloco também em diferentes níveis, marcadores de página, possibilidade de anotação em qualquer ponto do livro, incluindo a capacidade de exportar as anotações para um arquivo texto e essa entrada de dados é lida por meio de sintetizador de voz - ferramenta essencial para um cego.

Siglas são lidas por extenso. Palavras estrangeiras são lidas com pronúnica correta. 

O livro Lida mais "universal" no momento é um dicionário de português Michaelis. Quanto aos demais livros do acervo, foi tomada a decisão de publicar inicialmente livros de direito, pois há uma demanda grande por esse material em formato acessível. As próximas áreas a serem contempladas serão Psicologia e Educação. Segundo os expositores, havendo disponibilidade do livro em formato digital, a versão Lida de um livro de direito (daqueles bem grossos) é feita em cerca de 2 dias. Isso significa que serão produzidos mais livros Lida do que livros Daisy num mesmo intervalo de tempo.

 Entretanto, a produção de livros que utilizam figuras (como os livros de Medicina ou de Arte) ou símbolos não-usuais (como os livros de Matemática) exigirão o auxílio de profissionais de cada área, que realizem o trabalho pioneiro de criar uma maneira narrativa e falada de transmitir as informações que no momento são inacessíveis aos cegos. Os interessados devem entrar em contato com a Fundação Dorina Nowill.

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