Não vejo diferenças significativas entre os dois candidatos. Mas confio em muita gente que está convicta de algum candidato.
Conheço muita gente que acredita firmemente em alguma(s) diferença(s). Uma boa parte acredita que Dilma é melhor, outra boa parte acredita que Serra é melhor.
Procurei ouvir os argumentos, mas não me convenci que as diferenças apresentadas sejam mais importantes que a semelhança enorme entre os dois candidatos, e os dois partidos.
"Nada mais Saquarema do que um Luzia no poder", ou em palavras de hoje, 'nada mais PSDBista do que um PTista no poder".
O reverso da medalha vale, também: não creio que o Serra, se eleito, vá desmantelar o clientelismo construído pelo governo Lula. Vai ampliar e renomear tudo, tal como o atual governo fez com relação aos programas da era FHC. (Lembra das aulas de história, que no Egito antigo um faraó mandava apagar dos monumentos os nomes dos faraós anteriores? Pois é - a política brasileira está "no mesmo nível" que antigos egípcios).
Enfim, eu me percebo incapaz de ver diferença significativa entre os dois candidatos, ou os dois partidos, mas confio nos meus familiares, amigos e colegas que acreditam perceber alguma(s) diferença(s).
Me sinto como se estivesse vendo uma discussão entre torcedores de futebol apaixonadíssimos, ambos os lados tentando me convencer a torcer pelo time deles, só que se tratam de times de futebol dos cafundós da Estônia. Acostumado com futebol de qualidade, não posso deixar de me declarar igualmente aborrecido pelos dois times.
Mas respeito que hajam torcidas apaixonadas - afinal o futebol é muito mais sobre torcer do que sobre bom esporte. E quem sou eu para torcer o nariz para as torcidas dos cafundós da Estônia?
Não concordo que isso que propõem seja futebol, quero dizer, política, mas já que tem gente que faz tanta questão assim de uma opção ou outra, então vocês que estão apaixonados que decidam.
Vou votar de tal modo que a opinião dos que estão convictos seja mais evidente no resultado final.
Em tempo: hoje saiu a notícia de que o Brasil está na posição 69 dos países menos corruptos. (Link) A Estônia está na posição 26.
2 votos

Comentários
Antonio Candido escreveu:
Uma vídeo-resposta para você :-)
Sady Carlos de Souza Junior escreveu:
Oi Renato!
De alguma forma o seu comentário deixou-nos um caráter subjetivo em sua avaliação.
Tudo parece igual: Se Collor e outros congelaram preços, FHC congelou os salarios, e Lula, fez tudo ao contrário, não só aumentou o salario triplicou o emprego em carteira, e distribuindo o bolsa familia fez circular o capital em todo lugar. Este foi um programa que mudou um setor da economia domestica.
Apesar de não acreditar em alguem chegar a perfeiçao do que deveria ser um Estado! E Não duvidar que um pós-graduado em Harvard poderia fazer um governo melhor... um projeto político vai administrar apenas o que lhe convem...
Agora, Serra passou os 6 meses apenas desmontando o que Marta construiu. Acabou com o orçamento participativo, os vários Conselhos de Bairro, o gerenciamento dos CEUs, todos os programas sociais da sua gestrão.
E se tudo parecer, na propaganda política... um pouco subjetivo...
Deixemos tudo para trás e vejamos os indices imparciais dos mais diversos Institutos de Pesquisas - e o que eles dizem ao comparar os governos em todos os setores da economia brasileira.
Renato Callado Borges escreveu:
Antonio, obrigado pelo vídeo, mas ele não difere muito do material de campanha disperso por aí.
Eu ficaria mais impressionado se houvesse uma apresentação detalhada e razoavelmente completa sobre uma única afirmação.
Por exemplo, o governo Lula realmente diminuiu o desmatamento da Amazônia em 50%? Em que período? Da Amazônia legal ou da floresta remanescente? E foi descontado o efeito (forte) da depressão econômica nessa queda?
(Eu escolhi perguntar da Amazônia pois ao ver isso mencionado no vídeo, pensei imediatamente: o autor escolheu isso a dedo para influenciar o "público-alvo", jovem, internauta. O autor pensou como marqueteiro. Não devo confiar nesse vídeo).
Sady, tem certeza que o emprego em carteira triplicou? Talvez a criação de empregos com carteira tenha triplicado ao longo dos últimos 8 anos, ou algo assim? Afinal, apesar da informalidade de nossa economia, se houvessem triplicado os postos com carteira o desemprego deveria estar em extinção por aqui, não é mesmo? (Desculpe minha ignorância nesse quesito, e por favor nos informe!)
Concordo que os efeitos do bolsa família na economia, são salutares. Mas também creio que os efeitos na política são nefastos, e fortalecem o clientelismo.
Você esqueceu de mencionar que o Serra acabou com as escolas de lata.
Quantos aos institutos de pesquisa, só aceito dados de institutos que não tenham tido contratos com partidos políticos, ou governos, nos últimos anos. Ou seja, até onde sei, nenhum.
Enfim, eu não escapo ao subjetivismo, pelo simples motivo de que sou sim teimoso e prefiro seguir minha opinião de que as opções oferecidas são igualmente horríveis e sinceramente a única diferença é que iremos escolher qual "grupo" irá "ordenhar" o estado nos próximos 4 anos.
Pessoalmente, fico enojado com ambas as opções, mas respeito que outras pessoas estejam ou esperançosas de que o verniz ideológico dos fantoches prevaleça sobre o cerne duro e podre das máquinas partidárias a que servem, ou comprometidas com algum tentáculo dessas máquinas, que pinga recursos em algum projeto válido para ocultar que mais no fundo da caverna há uma torrente que cai direto nos bolsos da "máquina".
Enfim, eu tenho "visão política" muito ruim, e diferenças menores que meio milímetro eu não enxergo. Mas como tem gente que afirma poder ver a diferença, cedo passagem e digo "então vocês que estão apaixonados que decidam"!
Antonio Candido escreveu:
Uma característica interessante desse vídeo hospedado na vimeo é que quando vc vê o filme lá é possível acessar as fontes dos dados usados.
Vídeo: http://vimeo.com/16164112
sobre desmatamento: goo.gl/hg9i e goo.gl/PZTj
que leva aos links:
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ppts
http://neovisao.blogspot.com/2010/09/desmatamento-da-amazonia-cai-no
Cláudio escreveu:
Renato.
Gostei muito de sua explanação e tenho o mesmo pensamento que você em relação ao cenário político atual.
Você foi muito feliz ao escrever: "iremos escolher qual "grupo" irá "ordenhar" o estado nos próximos 4 anos".
Corroboro com o seguinte pensamento:
O Brasil atual tem apenas 3 Classes:
1. A Nobreza (que vive no luxo às custas dos impostos);
2. A burguesia, que paga altos impostos (todos sabem que temos uma das maiores cargas tributárias).
3. A Plebe, que é a maioria, recebe uma pequena parte dos impostos arrecadados, em forma de bolsa disso e bolsa daquilo, para que se mantenha este quadro e a nobreza não sofra muitas alterações na hora do voto.
Isto é fato, uma vez na política (nobreza), o cidadão se firma e coloca também os seus herdeiros para que seja perpetuado. Exemplo claro é o caso do recém falecido Romeu Tuma que tem os filhos na política e da família Sarney que tem os filhos primos, etc na política do Maranhão, e em quase todos os estado é assim.
É ou não é uma MONARQUIA?
Sady Carlos de Souza Junior escreveu:
Olá Renato!
Tudo bem? Me parece sempre que há uma estratégia de suspeita em tudo, mais um cético, e consequentemente, não poderá ouvir as pessoas... as coisas... os discursos...
Acho que ninguem pensa igual um ao outro, assim também são os partidos! Tudo bem!!!!
Bom, Vc, da mesma forma que questiona os "institutos de pesquisa" não viu que todos concordam entre si! Mas todos poderiam ser comprados, sim! Mas o foram? Vc tem certeza disso? E Vc tem certeza de que se todos foram comprados, o PSDB não comprou também nenhum! Como Vc pode ter todas estas certezas?
Vc tem tanta certeza do que disse como teve certeza que o PSDB acabou com as escolas de lata? Eu sou também professor do Estado e enquanto Alckimin dizia que tinha acabado com as escolas de lata eu ministrava aula num prédio escolar recém inaugurado pela sua administração e era de "lata": é o EE ODAIR MARTINIANO DA SILVA - MANDELA , lá na Cohab Raposo Tavares. Vá lá ver a placa!! E se o PSDB tivesse extinguido as escolas de lata, qual o governo que fez isto? Não foi o dele?
Só para ficar em cima do que Vc falou, amigo!!!!!
Renato Callado Borges escreveu:
Antonio, o site do IBGE está lentíssimo no momento, verificarei os dados logo mais. O site neovisao já apresenta alguma coisa mais palpável, mas ainda não boto a mão no fogo pelos dados. (Será que ele não selecionou cuidadosamente o gráfico mais "impressionante"? Como foram coletados os dados? Quais foram as medidas do Executivo e as leis do Legislativo relacionadas ao assunto que apareceram no período considerado? Que tal plotar uma linha vertical na data de cada medida? Tendo em vista que há um período de latência entre a entrada em vigor de uma medida e seu efeito, algo assim não evidenciaria melhor a atuação dos governos? E qual o modelo que adotaremos para fazer correlações entre causa governamental e efeito desmatativo?)
Cláudio, eu não creio que sua proposta de enxergar a sociedade brasileira dá conta de um fator importantíssimo, que é o fato de umas poucas famílias deterem a maior parte da riqueza (e em especial os meios de produção dessa riqueza - fábricas, comércios, bancos, mídias). Em minha opinião, desde a redemocratização essas famílias subvencionam todos os candidatos de todos os partidos. Não importa quem vença a eleição, os interesses desse grupo serão contemplados.
Eu penso que exigir propostas claras dos candidatos é um passo na direção de diminuir a influência desse grupo.
Olá Sady! Eu sou desconfiado por natureza sim, mas foi o fato das campanhas políticas terem sido pautadas por um absoluto desprezo pela discussão sobre a administração do bem público, e por uma volúpia enorme em distorcer os fatos para obter vantagens marqueteiras, que me levaram a radicalizar minha teimosia.
Para muita gente, esta eleição poderia ter sido uma oportunidade para se educar a respeito da administração pública, e dos problemas que enfretamos e das soluções que estão na mesa. Tivesse sido assim, eu estaria feliz e otimista, seja qual for o resultado. Mas o que restará desta eleição é um enorme déficit democrático.
Quanto aos intitutos, você tem razão, eu nem mesmo conheço todos, por isso mesmo qualifiquei minha opinião com a expressão "até onde sei".
Mas vamos pensar sobre esse ponto. Quem tem o ônus da prova: o instituto que afirma que sua pesquisa é isenta ou eu, que não sei nada sobre o assunto?
No caso de afirmar que o instituto foi comprado: quem tem o ônus é quem acusa, correto?
Pois bem: eu reconheço que não tenho provas contra instituto algum, sobre isso sei apenas o que a imprensa veicula.
Então tudo bem, pode "comer o peão" dessa casa, eu não tenho provas concretas de que qualquer um dos institutos de pesquisa tenha sido comprado.
Porém, sendo eu ignorante dos institutos, e também das pesquisas, porque deveria confiar cegamente nessas pesquisas?
Obviamente que não devo. O ônus de demonstrar cabalmente que uma pesquisa é idônea cabe ao instituto.
Ou então o ônus cabe ao órgão fiscalizador de institutos de pesquisa (se é que há um). E, nesse caso, é preciso primeiro que essa agência fiscalizadora demonstre cabalmente sua própria idoneidade.
Enfim, tendo sido demonstrada a idoneidade do instituto, ou da agência fiscalizadora, e tendo sido comprovado que a pesquisa foi feita dentro do sistema comprovadamente idôneo, aí sim eu aceito os dados da pesquisa.
Finalmente, quanto às escolas de lata, obrigado pela informação! Efetivamente, eu repeti sem pensar o bordão do Alckmin. Mais um peão para você.
Mas me confirme: você pode afirmar a existência no tocante a apenas uma escola, ou mais?
Imagino que se o bordão fosse uma mentira deslavada, haveriam contestações contínuas a essa afirmação. Mas você é a primeira pessoa que vejo contestar essa afirmação. De modo que talvez a verdade seja que o número das escolas de lata foi "diminuído"? Ou então elas "quase" acabaram?
Quantas eram as escolas de lata? 10? 100? 1000? Se eram 10, e ainda existe uma, realmente a afirmação é escandalosamente mentirosa. Se eram 100, ou mais, eu já não acho tão problemático dizer que "acabaram" com elas se ainda existem menos de 10.
Quanto ao governo ser do Alckmin, reconheço que tenho "misturado" governo, partido e candidato sem nenhum pudor. Mas se fôssemos analisar a contribuição separadamente dos partidos, dos governos por partido, por governante, e a atuação na administração pública por área de atuação, etc, creio que estaríamos adentrando um detalhamento da análise que ainda não temos condições de enfrentar, pois nos falta o quadro geral.
Outra coisa: obrigado por mostrarem que acreditam de forma embasada. É uma luz no fim do túnel.
Antonio Candido escreveu:
Para quem gosta de dados e gráficos:
http://brasilfatosedados.wordpress.com/
É curioso que mesmo os dois candidatos sendo economistas, apesar do Serra não ter se graduado (nem em engenharia, nem em economia), o pouco espaço do discurso econômico mais técnico na campanha. Afinal, como lidariam com o câmbio, como reduziriam os juros, qual reforma tributária almejam, etc. Os mais antenados podem mais ou menos intuir as respostas, mas não do que saiu da boca dos candidatos.
Sady Carlos de Souza Junior escreveu:
Olá Renato,
Tudo bem? Eu também não tenho condições de falar ou defender quem quer que seja. Particularmente, eu deveria ser menos crédulo do que sou! Mas admiro suas intenções e sua ponderação!
Olá Antônio Cândido, foi muito pertinente as suas considerações apresentando aquele site. Realmente sou um admirador de Lula, não porque sou petista, mas pela grande pessoa que Lula é, construída ao longo do tempo... e o site de pesquisas econômicas precisou bastante o que foi o seu governo. Lembro que Lula prometeu em sua campanha criar "10 milhões de empregos", e ele acabou criando 15.
Depois desta eu até já sei para quem vai ser o voto do Renato!
Boas eleições, amigos!!!!!!!!!!!
Renato Callado Borges escreveu:
Olá Antonio!
Finalmente tenho alguns minutos para dedicar ao assunto. O primeiro link, que dá direto num pdf, é também a fonte do gráfico usado no segundo link, ou seja, se tratam de dois links para uma mesma fonte.
No caso, as informações são dadas nos gráficos 17 e 18, da página 11 do pdf.
Infelizmente, não há indicação de autoria, ou de onde foram retirados os dados utilizados para confeccionar os gráficos. Mas como se trata de um site do ibge, e o arquivo aparenta ser um suporte para alguma apresentação oral feita para a imprensa, eu suponho que sejam apenas lapsos, e não questão de má-fé.
Eu vou cruzar com os dados direto da fonte, isto é, do relatório completo do ibge (ftp://geoftp.ibge.gov.br/documentos/recursosnaturais/ids/ids2008) e depois confirmo se a fonte foi bem representada nos gráficos.
Mas, para avançar a discussão, vamos supor por enquanto que se tratam de informações verídicas.
Bem, o "outro" gráfico do arquivo, eu creio que ele poderia ser interpretado de maneira equivalente à interpretação dada pelo marqueteiro, porém se trata de um gráfico com diversas linhas, uma para cada estado da Amazônia legal, e mostra o desmatamento bruto em relação à área de cada estado (i.e., quantos porcentos da área do estado foram devastados).
Eu creio que existe outra interpretação possível para a tendência do gráfico, que é a de que existe um ciclo de aproximadamente 10 anos, em que há um pico de desflorestamento, de cerca de 2 anos, seguido de um vale de 8 anos de desflorestamento. Nesse caso, tanto os governos FHC quanto Lula coincidiram de começarem aproximadamente no pico, e de terem decorrido seus mandatos nos "vales".
Nesse caso, iremos ver uma retomada do desflorestamento no início do governo Dilma. Mas essa previsão é realista? Só seria possível embasá-la com uma análise da economia da região, focada em sua sazonalidade. Eu não me considero capaz de empreender isso num futuro próximo.
Entretanto, se por um lado não sei se o comportamento do gráfico sublinhado pelos sites é devido à sazonalidade do desflorestamento, tampouco sei se os declives durante os governos FHC e Lula, com um pico aproximadamente no início do início do primeiro governo Lula são devidos a políticas preservacionaistas deles, ou de seus contemporâneos congressos.
Infelizmente acabou o tempo que poderia dedicar a isso hoje. Outro dia continuo. Abraços.
Antonio Candido escreveu:
Oi Renato,
Parabéns pelo zelo com a fonte e acuidade das informações. Veja no Estadão de hoje sobre esse tema: