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novembro 28, 2009

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Enquanto aluno de Ensino Médio, tive poucas oportunidades de poder executar experiências de Física. Os poucos experimentos que fizemos, durante estes três anos, envolviam aparatos experimentais nada acessíveis e, ainda assim, não me pareciam nada empolgantes.

Isto, entretanto, não me desmotivou a prestar Física no vestibular, pois a parte que mais me atraía (e ainda é a parte que mais me atrai, indubitavelmente) é a estrutura matemática que sustenta a Física. Mas, por saber que poucos vêem alguma beleza na matemática (tal como eu enxergo), questionei-me, durante toda a extensão da minha graduação, sobre como estimular o aluno a gostar de Física. Sempre soube que experiências e a aplicação de recursos audiovisuais poderiam me auxiliar no alcance desta meta. Porém, não sabia como aplicá-los!

Durante o ano de 2009, cursei a disciplina “Práticas em Ensino de Física”, ministrada pela profª Vera Bohomoletz Henriques, criada em 2008 para orientar uma carga de 100 horas de estágio. A proposta do estágio desta matéria era, justamente, a de levar experiências de Física (de baixo custo) em escolas públicas próximas à USP. O objetivo era fazer com que os alunos pensassem e visualizassem a Física de um outro modo (na prática), além do tradicionalismo imposto pela pedagogia do “giz e lousa” (que, na grande maioria das vezes, apresenta uma Física excessivamente matematizada).

Ao longo do ano, apresentamos (eu e meu amigo Daniel Ortega da Cruz) 10 experimentos de Eletricidade e Magnetismo para alunos de 3º ano de Ensino Médio, cada um deles acompanhado por um roteiro cujo objetivo era o de levantar reflexões e questionamentos que forçassem o aluno a pensar sobre o fenômeno experimental observado. E por incrível que pareça: funcionou! É claro que este “funcionou” considera certas limitações! Afinal, somos licenciados (e não professores de vasta experiência) e a disciplina que orienta os estágios está em seu segundo ano de execução. Deve passar (e certamente passará) por aprimoramentos.

Entretanto, em linhas gerais, nota-se um envolvimento e um interesse maior do aluno quando ESTE se depara com situações surpreendentes (algumas vezes até contra-intuitivas) e, diante do desafio imposto pelas referidas situações, é levado a refletir continuamente, até que formule uma teoria que se ajuste ao fenômeno observado. Inicialmente, é muito provável que a teoria formulada não esteja em consonância com a fisicamente aceita. E é aí que entra o professor: seu dever é colocar essa teoria em xeque (através de um contra-exemplo  ou da apresentação de uma situação fisicamente observável e que não é explicada pela teoria construída). Desta forma, o estudante será levado a reformular as suas idéias, até que elas estejam coerentes com aquelas fisicamente aceitas. E coordenar este processo, para mim, foi muito proveitoso!

Disponibilizo, abaixo, o link para o site do curso “Práticas em Ensino de Física”, para que os colegas de Licenciatura possam ler os relatos de estágio e contribuir com sugestões para o curso. É sempre bom compartilharmos experiências pessoais!

http://moodle.stoa.usp.br/course/view.php?id=82

Grande abraço,

Bruno Maurício Batista de Albuquerque

Palavras-chave: experiências, fap0459, física

Postado por Bruno Mauricio Batista de Albuquerque

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