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Stoa :: Priscila Frohmut Fonseca :: Blog :: Textos

Janeiro 24, 2009

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Pra quem quiser dar uma olhada, deixo aqui um link do meu espaço no Blogger onde eu estou postando apenas as minhas criações, sem misturar outras coisas. Lá estão todas as poesias e ensaios (por enquanto é pouco, estou meio parada ultimamente).

http://frohmutbriannaloch.blogspot.com

Palavras-chave: blog, blogue, criação literária, literatura, poesia, prosa, textos

Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 0 comentário

Março 31, 2008

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Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas, que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excessões mas, de um modo geral,
dissolve tudo bem, os ácidos, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando a pressão normal.

Foi nesse líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

(António Gedeão)

Palavras-chave: água, Antonio, Ciências Exatas, Ciências Humanas, CNTP, dissolvente, Gedeão, Hamlet, lição, líquido, Literatura, Ofelia, Poesia, pressão, Química com Literatura, solvente, Textos, vapor

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Outubro 09, 2007

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O ANALFABETO POLÍTICO

(Bertold Brecht)

O pior analfabeto
É o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo da vida
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.

***

postei esse texto em referência a essas outras postagens... para complementação do tema:

http://stoa.usp.br/reformas/weblog/1771.html

http://stoa.usp.br/reformas/weblog/3437.html

http://stoa.usp.br/reformas/weblog/1497.html

*** 

Palavras-chave: analfabeto político, bandido, bandidos, Bertold Brecht, Brecht, corrupção, corrupto, decisões, empresas, ignorância, paricipação, pilantra, poema, poesia, política, político, texto, textos, vigarista

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Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 0 comentário

Setembro 27, 2007

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O pensador francês Edgar Morin, que esteve no Brasil no mês passado, a convite do Sesc, faz nesta exclusiva à E uma reflexão sobre o homem diante da revolução cibernética. Fiel a seu estilo, envereda por questões básicas, como ética, solidariedade e morte. Morin, um dos grandes ícones da intelectualidade européia deste século, comenta os avanços e retrocessos experimentados pela humanidade contemporânea, como as conquistas nos campos do conhecimento e da ciência, e a extrema bárbarie provocada pelas duas guerras mundiais e outros grandes conflitos regionais. Discorre sobre a existência de duas mundializações: uma ligada ao capital e, portanto, nociva, enquanto a outra conduz ao congraçamento e à alteridade. Morin fala ainda sobre a importância de reformar o pensamento em benefício do próprio ser humano, para que possa enfrentar com mais instrumentos a complexidade dos problemas e da existência.


Diante da revolução tecnológica, do fim do comunismo, da supremacia do capitalismo, da Internet e de todas essas revoluções, o mundo está melhor? Podemos ser otimistas?

As palavras otimismo e pessimismo, a meu ver, não têm sentido, porque o futuro é incerto. Podemos dizer que a queda do comunismo totalitário é um acontecimento positivo. Porém, em contrapartida, podemos afirmar que o liberalismo econômico não resolverá todos os problemas, além de ser um potencial criador de novos problemas. O desenvolvimento tecnológico sempre foi ambivalente: se a técnica permite liberar os humanos de muitos trabalhos cansativos, por meio da introdução das máquinas nas indústrias, por exemplo; ao mesmo tempo, ele sujeitou-nos à sua lógica, ou seja, a lógica da nação artificial. Os trabalhadores tiveram de se sujeitar à lógica das máquinas, à cronometragem, à especialização, etc. A Internet, que permite múltiplas comunicações, favorece o tráfico financeiro, as máfias, etc. Não podemos pensar que o desenvolvimento tecnológico e econômico propiciará o desenvolvimento moral, psicológico e humano. É preciso entrar no próximo milênio refletindo sobre o que foi o nosso século, que trouxe muitas mortes: morte com as duas guerras mundiais e com os campos de concentração, trouxe a ameaça mortal com o desenvolvimento das armas atômicas e também uma outra ameaça sobre a biosfera, sobre a própria vida.

O que existe como germe de um sentimento positivo encontra-se na multiplicação das comunicações no planeta, no fato de que todos os humanos, onde quer que estejam, têm problemas de vida e de morte semelhantes. A atualidade demonstra que todos os habitantes do planeta vivem em uma mesma comunidade de destino. O problema é, portanto, saber se nós tomaremos consciência desse destino em comum e se faremos uma outra mundialização. O que isso quer dizer? A mundialização que aí se apresenta é baseada na técnica e na economia. Mas existe uma segunda mundialização minoritária que aponta para a mundialização das idéias de humanismo, de democracia, da compreensão entre os povos e mesmo da cidadania terrestre. Por exemplo, hoje, a Anistia Internacional, o Green Peace, os Médicos sem Fronteiras, muitas ONGs são cidadãos do planeta, ou seja, não se interessam apenas pelas suas respectivas nações. A meu ver, a segunda mundialização é aquela que poderia fazer da Terra uma pátria comum, sem que percamos nossa pátria de origem. Essa é a incerteza do próximo século. Como eu não sou profeta, não posso dizer o que vai acontecer.

Alguns economistas, basicamente americanos, começam a pensar que toda essa tecnologia, entrando no cotidiano das pessoas, permitirá que haja uma distribuição de renda mais correta, honesta, enfim, mais justa. Qual é a sua opinião?

O desenvolvimento das produções das culturas de cereais, de arroz e a aqua cultura permitem, hoje em dia, alimentar todos os seres humanos. Mas os famintos existem, os problemas de desnutrição continuam porque quando se ajuda um país que sofre de fome, a maior parte dos recursos é desviada pelas máfias, pela burocracia e pela corrupção. E os economistas sempre cometem erros, próprios deles, julgando que é a Economia que pode resolver todos os problemas. Eles, até o presente momento, freqüentemente se enganaram, incapazes de evitar as crises e de prever o futuro, pois a Economia é uma ciência fechada que não se dá conta de todos os aspectos, sejam psicológicos, sociais, culturais ou históricos.

A Economia não está separada do mundo. Um grande economista liberal, Friederich Von Hayeck, disse que um economista que é somente economista é um animal pernicioso.

Um sociólogo americano chamado Richard Sennet lançou um livro no qual defende a idéia de que a globalização acabará com a solidariedade dos trabalhadores e, portanto, com a ética deles. Ele diz que sem solidariedade não há ética. O que o senhor pensa sobre isso?

A crise da solidariedade começou antes da globalização atual, pois em todos os países economicamente desenvolvidos existe o individualismo exagerado, oriundo da degradação de antigas solidariedades, como a familiar, da cidade, do bairro, etc. A integração num trabalho especializado fecha o indivíduo num pequeno setor e o impede de ver os problemas globais.

O desenvolvimento adotado pelas economias monetárias também vai num sentido contrário ao da solidariedade. Surge, dessa situação, a crise da solidariedade, ou seja, uma crise da ética. O alimento para a crise é a extensão do liberalismo econômico no mundo inteiro. Mas, a meu ver, a resposta a essa crise está na regeneração da solidariedade e se tomarmos consciência de que somos cidadãos de um mesmo planeta, de que teremos todos os mesmos problemas vitais e de que devemos civilizar a Terra, poderemos tornar a ser solidários. É por isso que eu digo que existe uma segunda globalização mais importante e que vai no sentido contrário à primeira, mas que, infelizmente, é muito mais frágil.

O que o senhor entende por ecologia da ação?

Quando empreendemos uma ação, especialmente no domínio público ou social, esta ação, quando ingressa no meio social e econômico, vai parar de obedecer às nossas intenções, pois sofrerá diferentes influências e se desviará do seu sentido, rumando muitas vezes em sentido contrário à nossa vontade. Isso significa que não é suficiente termos boas intenções. É preciso termos boas estratégias para impedir que a ação tome um sentido contrário. É disso que geralmente nos esquecemos: de que a ação escapa do seu autor e de que freqüentemente pode ter conseqüências inversas da sua intenção inicial.

O senhor afirma que o homem habita a Terra ao mesmo tempo prosaica e poeticamente. Será que o senhor pode nos desenvolver essa idéia?

Prosa e poesia não são apenas gêneros literários. São duas maneiras de viver. Quando vivemos prosaicamente, realizamos coisas obrigatórias, por vezes entediantes. Coisas que não nos trazem emoção e que, algumas vezes, são atividades cansativas. Somos obrigados a realizar certas atividades prosaicas para sobreviver e para ganhar a vida, por exemplo. A qualidade poética da vida é a qualidade que encontramos na comunhão entre as pessoas: nas festas, no fervor, no amor, no futebol, nos poemas, enfim, em todas as coisas que dão uma intensidade afetiva. A meu ver, existe um excesso de prosa na vida porque obedecemos muito à lógica das máquinas artificiais, às inteligências artificiais, e não olhamos suficientemente para a lógica do ser vivo, uma lógica segundo a qual viver é expandir-se afetiva e intelectualmente.

A medicina parece estar conseguindo resultados positivos para prolongar a vida do homem. Como fica a morte diante dessa possibilidade?

Até o momento, o prolongamento da vida humana não é sempre um prolongamento da vida de seres humanos com plena saúde, de posse de suas forças físicas. Prolonga-se a vida dos seres humanos em estado de enfermidade lamentável. Portanto, a solução não está em prolongar a quantidade de vida; é preciso agregar qualidade. Seja em qualquer medida, o prolongamento da vida terá um limite, ele não será capaz de suprimir a morte. A morte restará como um problema fundamental para o ser humano. Hoje em dia, nas condições culturais em que nos encontramos, as pessoas gastam muito tempo tentando reencontrar a si próprias, em saber o que são, o que elas querem mas, freqüentemente, descobrem as respostas tarde. Muitas pessoas envelhecem sem realizar aquilo que gostariam de ter realizado.

Neste século, o homem conseguiu promover duas coisas extremamente contraditórias: nunca matou tanto o ser humano, e, ao mesmo tempo, nunca evoluiu tanto no conhecimento, nas Ciências, na Filosofia e na compreensão do homem. Como o senhor analisa essa contradição?

Na medida em que o homem detém o conhecimento especializado em múltiplos domínios, os progressos do conhecimento não são suficientes. Nós detemos um conhecimento capaz de religar todos os elementos separados num pensamento mais rico e global. O conhecimento científico não traz, por si só, a conseqüência moral. A Ciência é conhecer por conhecer. A moral é outra coisa.

Portanto, temos sempre o mesmo problema que se traduz num déficit ético. Além do mais, a Ciência possui dois aspectos: o aspecto de conhecimentos maravilhosos e o aspecto destrutivo, como a bomba atômica e a manipulação genética. A técnica foi colocada a serviço da barbárie e nós vimos isso durante as duas guerras mundiais. Nós ainda não saímos, digamos, da barbárie do espírito humano para ingressar em uma época civilizada.

O que o senhor entende por pensamento complexo? Como pode ser engendrada a reforma do pensamento?

Nós vivemos numa época em que o ensino nos ensina a separar as coisas e não a religá-las. Um bom conhecimento é um conhecimento capaz de apreender (captar) a complexidade daquilo que se passa, além de situar as informações num contexto, considerando os fenômenos globais. A complexidade é tudo o que está misturado. Podemos salientar que o conhecimento é insuficiente em relação a toda complexidade dos problemas do planeta e da humanidade em geral. Eu acredito que é preciso reformar o pensamento, ou seja, reformar o ensino, pois os espíritos devem estar preparados para enfrentar a complexidade do mundo. Eu insisto, também, que em nenhum lugar nos ensinam como afrontar a incerteza. O destino humano, individual ou histórico, é incerto. A meu ver, existe muita reforma de pensamento a ser realizada para que sejamos capazes de nos defrontarmos com as tarefas gigantescas do século que chega. Vivemos em uma época em que o mundo está no interior de cada um de nós: de manhã, lendo o noticiário europeu, tomo um café que vem do Brasil e um chá que vem da Índia. O mundo está no interior de mim mesmo. Nas favelas brasileiras, o mundo está presente de uma outra maneira, porque o desenvolvimento da monocultura expulsou os camponeses de sua terra. Nessa favela são utilizados o alumínio e o material plástico que vêm desta civilização mundial.

André Breton, numa das máximas sobre o surrealismo, disse que era importante não separarmos a arte da vida, pois arte e vida são uma coisa só. Isso é possível ainda hoje?

É uma idéia muito justa. André Breton, a quem tive a honra de conhecer pessoalmente, tinha, assim como os surrealistas, a idéia de que a poesia devia ser vivida. Isso significa que a arte não é um luxo, lazer ou divertimento. A arte nos fala de nós mesmos, dos problemas de nossa vida. Se tomarmos, por exemplo, a última obra de Beethoven, no final, ele quis escrever o sentido de sua música. Ele escreveu "Mussen es seinen? Es mussen sein" ("É possível todas as tragédias da vida, todas as dores da vida, todas as dificuldades da vida? Sim, é possível"). A primeira frase é a revolta contra o destino e a segunda nos diz que é preciso aceitá-lo.

Beethoven nos deixa diante de suas contradições. Cada um de nós deve se revoltar contra o destino e aceitá-lo ao mesmo tempo.

Neste século, nos deparamos com duas concepções filosóficas distintas, a de Jean Paul Sartre e a de Albert Camus. A qual pensamento o senhor se filiaria, na visão que Camus tinha da vida em especial, ou em Sartre, com sua visão existencial e política?

É evidente que sob o plano político e moral, filio-me a Albert Camus, porque Sartre mistificou os falsos julgamentos políticos, notadamente sobre a União Soviética, o comunismo etc. Albert Camus, desde o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima, viu que esse fato representava uma tragédia para a humanidade. Sartre não percebeu isso. Camus permaneceu um personagem ético e político muito importante. Existem aspectos na filosofia de Sartre que são muito interessantes, mas eu creio que Camus se mostrou à altura dos desafios do século e Sartre respondeu muito mal aos mesmos desafios.

Sobre a questão do feminismo neste século: a mulher desempenhando um papel igual ao do homem, e o homem ocupando um lugar às vezes igual ao da mulher. Do ponto de vista do equilíbrio social, o senhor acredita que os espaços avançaram?

O equilíbrio pode se realizar quando a mulher, por meio da emancipação, passar a realizar atividades que, antigamente, eram reservadas aos homens. O homem também exerce atividades reservadas às mulheres, como lavar a louça, cuidar das crianças, etc.

O equilíbrio ocorre quando há uma relativa feminilização do homem e uma relativa masculinização da mulher.

***

fonte: http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?Edicao_Id=68&Artigo_ID=611&IDCategoria=810&reftype=2

*** 

Revista E, Sesc SP, nº 29, Ano 6, outubro de 1999

http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link_home.cfm?Edicao_Id=68&breadcrumb=2&tipo=3

***

Palavras-chave: ação, Albert Camus, André Breton, atitude, Breton, Camus, capitalismo, Ciência, civilização, comunismo, conhecimento, conhecimento científico, consciência, contradição, cultura, ecologia, Economia, Edgar Morin, Ensino, entrevista, equilíbrio, especialização, ética, feminismo, Filosofia, globalização, humanidade, individualismo, intenção, internet, Jean Paul Sartre, Morin, mundialização, neoliberalismo, ONGs, pensamento, política, progresso, progressos, revolução, revolução cibernética, revolução tecnológica, Sartre, ser humano, Sesc, sociedade, solidariedade, surrealismo, técnica, tecnologia, texto, textos, vida

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Setembro 20, 2007

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Mulher ao Espelho

(Cecília Meireles)

Hoje, que seja esta ou aquela
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal fez, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscam-se no espelho.

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Setembro 06, 2007

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Quem se defende

 

Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.

A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contém
Ninguém chama de violento.
A tempestade que faz dobrar as betulas
É tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua?


Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.

Bertold Brecht

***

texto colocado em complementação a essa duas postagens de fórum:

http://stoa.usp.br/reformas/weblog/2532.html

http://stoa.usp.br/reformas/weblog/4047.html

 

***

 

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Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 1 comentário

Maio 22, 2007

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O blog da Originais Reprovados, da Editora Com Arte Jr - ECA, está finalmente feito e pronto para receber os textos. Os textos são avaliados pelas pessoas que lêem o blog, e os mais bem avaliados podem ser publicados no próximo número da revista Originais Reprovados - os números anteriores continuam à venda, e pelo preço que sai uma revista dessas pra comprar, com certeza é melhor do que ficar se matando atrás de uma editora que vai fazer um livro pra vender por um preço que muita gente não vai pagar.

Mais informações no site: http://www.comartejr.com.br/originais

 

Palavras-chave: blog, ECA, ECA Jr, editora, Editora Com Arte Jr, escritores, informação, Originais Reprovados, textos

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Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

Maio 16, 2007

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E ENTÃO, QUE QUEREIS?


(Vladimir Maiakóvski)

 

Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há de rugir
das tempestades.
Não estamos alegres, é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar
tristes?
O mar da história é agitado.
As ameaças e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio, cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

Palavras-chave: atitude, luta, Maiakovski, poesia, reflexão, texto, textos, Vladimir Maiakovski

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Maio 06, 2007

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"A desobediência civil"

(obra de Henry Thoreau)

texto na íntegra:

http://paginas.terra.com.br/arte/ecandido/artigo05.htm

Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 2 comentários

Abril 11, 2007

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O direito ao Foda-se

por Millôr Fernandes ou Pedro Ivo Resende*

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.

"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não''! E tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade ''Não, absolutamente não!'' O substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porranenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do ''foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.". Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".

O direito ao ''foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.

Liberdade, igualdade, fraternidade e FODA-SE.

* Este texto é atribuido a Millôr Fernandes por várias fontes informais mas não sabemos nem onde, nem quando foi publicado. Recebemos recentemente um email contendo a seguinte informação:

> Fala galera!
>
> Beleza? Seguinte, minha amiga me passou o site de vocês e achei a idéia maneiríssima... estou pertinho de imprimir o adesivo pra tecla F do meu teclado.
>
> Agora, só um lance: o autor do "O Direito Ao Foda-Se" não é o Millôr Fernandes. Nem ele, nem o Arnaldo Jabor, nem o Veríssimo (porque já recebi esse mesmo texto creditado a eles)... e sim um cara daqui do Rio chamado Pedro Ivo Resende, que tinha uma coluna chamada "Loser" -- > publicada no finado E-Fanzine e no Cucaracha Zine -- e esse texto fazia parte dos contos dele, que são muito divertidos, diga-se de passagem :)
>
> Se puderem mudar lá, beleza. Senão, FODA-SE também! hehe :)

( fonte: http://www.bambuzau.com.br/teste/informe_04.htm )

ps: eu peguei isso na busca da internet mesmo, não recebi isso por e-mail...

Palavras-chave: atitude, consciência, contexto, crônica, direito, liberdade, ponto de vista, revolução, texto, textos, vocabulário

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Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 0 comentário