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Stoa :: Priscila Frohmut Fonseca :: Blog :: Poesias

Fevereiro 13, 2009

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Chove.
Cada gota que cai
inunda de verbo
as minhas veias.
Cada mínima palavra
que escrevo encharca
o papel de vontades.
Cada vontade suprida
eu refaço e redesenho
e a torno borrão.
Cada borrrão
que eu marco
se faz cor.
Cada cor
que eu pinto
se faz som.
Cada som
que eu emito
se faz gota.
É chuva!

(Poá-SP, Fevereiro de 2009)

Palavras-chave: borrão, chuva, cor, Fonseca, Frohmut, palavra, poesia, Poesias, Priscila Frohmut, som, verbo, vontade

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

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Janeiro 23, 2009

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Em um fim de tarde
tentando repor
tantas noites perdidas de sono.

Em uma só hora
tentando repor
tantos dias perdidos de escrita.

Em uma  manhã
tentando refazer
tantos sonhos que talvez eu nunca tive.

Em um só minuto
tentando recontar

tantas tentativas do que eu não fiz.

O tempo é relativo...
foi contando ele
que eu fiquei desorientada.

(Poá-SP, Janeiro de 2009)

Palavras-chave: dias, Fonseca, Frohmut, hora, minuto, noites, poesia, Poesias, Priscila Frohmut, tempo

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

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Janeiro 21, 2009

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Escrevi um verso
numa gota d'água.
Quando choveu no dia seguinte
eu enjoei de ouvir o verso.

Escrevi uma estrofe
numa onda.
Quando chegou a ressaca do mar
eu enjoei de ouvir a estrofe.

Escrevi uma palavra
em cada veio da cascata.
Quando mergulhei no rio
o que eu ouvi finalmente parecia poesia.

(Poá-SP, Dezembro de 2008)

Palavras-chave: água, cascata, chuva, estrofe, Fonseca, Frohmut, gota, mar, onda, poesia, Poesias, Priscila Frohmut, rio, verso

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

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Dezembro 03, 2007

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Enfim passaste a me ignorar!
Ouves minha voz,
e não me falas.
Me vês passar em redor, mas não te atentas.
Enfim te aquietas sem que eu rogue o teu silêncio!
Ralhe, pragueje e culpe
a quem e o que bem entender
que a tua glória não terá meu nome!

Falaz... mentiroso e grande falaz
é tudo o que és.
Já conheci tua falácia,
já vi tuas palavras torpes,
já verifiquei tua prosa distorcida;
agora sei, e fiz por merecer,
decerto agora tens bons motivos
pra usar de metiras e invencionices...
terás de mentira agora
pra manter tua imagem!

Vives a noite, e não a dormes.
Começas a dormir somente
quando eu estou já quase a acordar
e ainda ficas a ralhar meu sono.
Pois sem mais! Infame e maldito,
sem mais! Findou-se a festa!
Faça como bem quiseres longe de mim,
deixa então a noite te levar em vigília,
afastado de mim enfim podes
curtir a morbidez de tua febre e teus delírios do sono
ao longo do dia, enquanto eu vivo!

Culpe a quem e ao que bem quiserdes,
diga o que bem entenderes, infame filósofo...
Não me venhas culpar a mim apenas.
Sei bem o que fiz, e o que tu fizestes.
Fizeste merecer, e muito...
Num sofá, numa brincadeira, mas
logo a brincadeira tornou-se martírio,
martírio perdido entre lençóis e noites maldormidas.
Pois digo eu, já que por ti mesmo não falas:
foste tu o culpado pelo fim! apenas tu!
Cavaste tua própria cova,
assinaste em vida o teu obituário,
tu mesmo levaste à morte
todo o sentimento positivo antes latente!

Fiz merecer por fim tua falácia.
Agora fiz merecer tuas mentiras.
Mas não me aflijo com teu falar torpe!
Fala filósofo, fala infame,
fala com bem quiseres,
pra esconder tua miséria.
Apenas não tente reavivar
o que já está morto e apodrecendo...

Já te fiz passar e sentir
acho que tudo ou quase o todo
que me fizeste passar e sentir;
o sentimento, antes terno, se foi e morreu;
agora podes ir-te embora duma vez!
Se ainda pensas em retorno...
triste e tolo engano!
Que tenham os Deuses piedade em te tratar,
que eu já não me apiedo mais de ti.

Não fiques ingênuo a pensar
e a tentar alcançar
idéia qualquer que seja do que eu quero,
possibilidade do que eu pretendo...
vindo de ti, eu quero nada!
Me falaste de Sade,
me perguntaste se algum conheci...
se prefiro um Masoch,
decerto um Sade não quero!

Não deixaste que eu me fizesse ingênua
em momento qualquer que fosse,
nem possibilitou protelação,
insististe pra que não houvesse chance alguma
de adiamento de nada...
pois te arrasta agora,
se ainda queres te lembrar de algo
a mim já pouco importa!

Maldito filósofo, infame!
Lamenta e te arrasta
como o perfeito verme que és,
verme infame, maldito!
Lamenta, se queres, te lamenta...
que de ti nada mais quero,
vá-te de minha vida filósofo maldito!
Vá-te, e ame então
a noite e a tua querida Filosofia
que são elas apenas
que não te podem negar ser amantes!

(CRUSP, Cidade Universitária - São Paulo, Novembro de 2007)

Palavras-chave: amantes, dia, engano, falácia, Filosofia, filósofo, Fonseca, Frohmut, infame, lembrança, maldito, Masoch, mentira, mentiras, miséria, noite, poesia, Poesias, Priscila Frohmut, Sade, sentimento

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

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Novembro 07, 2007

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Diga o que quiser
condene o quanto puder
que dos mortos estou farta!

 

Ralhe e condene,
maldiga a mulher
que decerto mal sabe
dizer o Português de rebuscos,
quanto mais fazer prosa e verso em Inglês!
Pois largue,
largue de uma vez,
largue de dar atenção
a uma mulher tão infame!


Pegue Foucault, Flaubert, Kafka, Balzac,
Calvino, Maupassant, Henry James, Anne Rice,
pegue e leve-os embora contigo!
Quero a prosa e a poesia
de fundo de quintal,
quero a literatura dos vivos!

 

Pois deixe de dar atenção
a uma mulher tão infame,
de versos fracos,
isenta de norte,
que é incapaz de extravasar
sua agressividade através de palavras!
Com tantos bons escritores
- escritores jovens e vivos
de que vale essa mulher?


Pois estou farta dos mortos!
De tudo que eu quero,
antes quero
uma literatura que não
seja morta!


Deixe, deixe de lado,
deixe de dar atenção
a uma mulher tão infame,
que não sabe o
que é literatura,
quanto mais fazer versos...
essa mulher não é literata!
Como pode um ser humano
em sã consciência
ignorar os clássicos?


Não me fale,
não comente, não me lembre,
eu não quero os versos de Camões!
Pare de citar os mortos,
não me fale de Horácio,
nem de Homero, Catulo ou Safo!
Às favas com os clássicos!
De tudo que eu quero,
antes quero uma
literatura viva!

 

(CRUSP, Cidade Universitária - São Paulo, Novembro de 2007)

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Setembro 26, 2007

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O concreto viaduto

 

 

Que dirá o maldito
no meu luto
viaduto de ilusões que
me cercam e me cobrem e
engolem a nação-mundo
que dirá o bastardo do mundo
no esquecido do não dito
quem esquece e não
se apressa pra fazer tudo
tudo aquilo que foi dito
de uma boca
dum maldito de não dito
que não lembra o que disse que
foi dito para os outros
que hoje olham o viaduto
sem carro ônibus bicicleta
os cobriu o viaduto
viaduto vida e casa
que de casa não tem nada
os que tem vida no
viaduto de noite cobertos
no viaduto debaixo
do viaduto
da guerra fome morte miséria
que a ilusão dos
filhos-bastardos-do-mundo criaram
colocou pros filhos-da-miséria
a ilusão que não existe
guerra-fome-morte-miséria
pra além do que conhecem
ou que só existe
pra além do que eles conhecem
miséria que só é minha
miséria que não é minha
miséria que não é de ninguém
mas que é de todo mundo
miséria pra todo (o) mundo.

(Trem Expresso Leste da CPTM, São Paulo, Outubro de 2006)

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O concreto Augusto de Campos concreto

Luxo-lixo-luxo

se não tem lixo não tem

luxo não tem lixo

precisa de lixo pra ter luxo

pra ter lixo tem o luxo

pra mais luxo vai mais lixo vai

mais lixo pra mais luxo que

só cresce quando o lixo cresce

mais luxo mais lixo mais

luxo do lixo que

vem dos que não tem luxo

os que tem mandam mais lixo

pra miséria do lixo do

mundo gente-lixo-luxo-lixo

para o luxo-gente-lixo.

(Trem Expresso Leste da CPTM, São Paulo, Outubro de 2006)

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Setembro 18, 2007

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Por que quero me mudar pra um lugar mais frio?


Porque quero caminhar
sem tantas proteções contra o sol
sem medo de cansaço e desidratação
todo os dias.
Quero dormir bem todas as noites
e não precisar esperar uma grande frente fria
pra dormir de ventilador desligado ou trocar
o lençol pelo edredom ou a camisola
pelo pijama.
Quero poder ver neve quando me der vontade
ou ao menos conhecê-la.
Quero ter dor de cabeça ou mal estar apenas por motivos que não sejam o calor.
Quero ter por perto quem prefira a água fria de um rio cachoeira lago
em lugar de ir à praia e mergulhar na água morna e por vezes quente
do mar mesmo
quando o clima é quente
o sol é escaldante
o calor é delirante
e tudo fica estafante
E eu só posso tentar fugir
ficando num quarto com um ventilador no máximo me enchendo de água e suco
com uma bolsa de gelo na cabeça
enquanto os outros estão
na praia.
Queria ao menos poder fugir de passar calor sem precisar pra isso
de uma fortuna...


(Poá - SP, Agosto de 2006)

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Abril 12, 2007

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Patrão Padrão

 

     I

 

Língua de padrão

poesia de padrão

pensamento de padrão

patronus – patrão – padrão

já cansei de poema patrão

construção de texto patrão no

papel virtual da tela

de um computador que passa

pr'o papel palpável que eu pego

do patrão da norma e regra

dita o texto a linguagem o

formato de amostra intelectual que

comanda uma academia.

Não sei se dá pra pôr

no poema o acadêmico

formado de padrão no

patrão de fonte monoespaçada

quebra de linha 1,5

margem 3x3x3x3

do texto morto de academia

que pronto vai pras gavetas

e não sai da boca de ninguém o texto

que não foi engavetado na cabeça

das pessoas que não conhecem

a gaveta

do arquivo.

 

     II

 

Colocar o perfeito patrão

na norma de um poema que

não é meio não é matéria

não é uma amostra grátis do

conhecimento da sociedade-humanidade

que de velha precisa

ter já uma herdeira

que não mate a mãe ela mesma

que ganhe o espaço da mãe

que permita chegar nova herdeira

de todo um mundo que não cabe

em poemas

que de tudo que existe

é amostra do pensamento.

 

      III

 

Tira o perfeito da gaveta

da ilusão da cabeça

que não sabe o que é perfeito

não sabe

ser perfeita

não conhece perfeição

que não existe.

De perfeito morreu

o socialismo de utopia

o milagre Americano

o metro de Homero

o Latim de Júlio César

de perfeito morreu Deus

e do que morre sobra

espectro do que poderia

ser talvez em ilusão

mas não é nem foi perfeito.

 

(Biblioteca Florestan Fernandes, FFLCH, Fevereiro de 2007)


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