Minha Nuvem de Tags

 

                

Estatísticas da Página

 

Minha página no Mixpod

 

Minha página no 4Shared

 

Btn_brn_122x44

Minha página no Scribd

 

 

Stoa :: Priscila Frohmut Fonseca :: Blog :: Histórico

Dezembro 2007

Dezembro 03, 2007

default user icon

Enfim passaste a me ignorar!
Ouves minha voz,
e não me falas.
Me vês passar em redor, mas não te atentas.
Enfim te aquietas sem que eu rogue o teu silêncio!
Ralhe, pragueje e culpe
a quem e o que bem entender
que a tua glória não terá meu nome!

Falaz... mentiroso e grande falaz
é tudo o que és.
Já conheci tua falácia,
já vi tuas palavras torpes,
já verifiquei tua prosa distorcida;
agora sei, e fiz por merecer,
decerto agora tens bons motivos
pra usar de metiras e invencionices...
terás de mentira agora
pra manter tua imagem!

Vives a noite, e não a dormes.
Começas a dormir somente
quando eu estou já quase a acordar
e ainda ficas a ralhar meu sono.
Pois sem mais! Infame e maldito,
sem mais! Findou-se a festa!
Faça como bem quiseres longe de mim,
deixa então a noite te levar em vigília,
afastado de mim enfim podes
curtir a morbidez de tua febre e teus delírios do sono
ao longo do dia, enquanto eu vivo!

Culpe a quem e ao que bem quiserdes,
diga o que bem entenderes, infame filósofo...
Não me venhas culpar a mim apenas.
Sei bem o que fiz, e o que tu fizestes.
Fizeste merecer, e muito...
Num sofá, numa brincadeira, mas
logo a brincadeira tornou-se martírio,
martírio perdido entre lençóis e noites maldormidas.
Pois digo eu, já que por ti mesmo não falas:
foste tu o culpado pelo fim! apenas tu!
Cavaste tua própria cova,
assinaste em vida o teu obituário,
tu mesmo levaste à morte
todo o sentimento positivo antes latente!

Fiz merecer por fim tua falácia.
Agora fiz merecer tuas mentiras.
Mas não me aflijo com teu falar torpe!
Fala filósofo, fala infame,
fala com bem quiseres,
pra esconder tua miséria.
Apenas não tente reavivar
o que já está morto e apodrecendo...

Já te fiz passar e sentir
acho que tudo ou quase o todo
que me fizeste passar e sentir;
o sentimento, antes terno, se foi e morreu;
agora podes ir-te embora duma vez!
Se ainda pensas em retorno...
triste e tolo engano!
Que tenham os Deuses piedade em te tratar,
que eu já não me apiedo mais de ti.

Não fiques ingênuo a pensar
e a tentar alcançar
idéia qualquer que seja do que eu quero,
possibilidade do que eu pretendo...
vindo de ti, eu quero nada!
Me falaste de Sade,
me perguntaste se algum conheci...
se prefiro um Masoch,
decerto um Sade não quero!

Não deixaste que eu me fizesse ingênua
em momento qualquer que fosse,
nem possibilitou protelação,
insististe pra que não houvesse chance alguma
de adiamento de nada...
pois te arrasta agora,
se ainda queres te lembrar de algo
a mim já pouco importa!

Maldito filósofo, infame!
Lamenta e te arrasta
como o perfeito verme que és,
verme infame, maldito!
Lamenta, se queres, te lamenta...
que de ti nada mais quero,
vá-te de minha vida filósofo maldito!
Vá-te, e ame então
a noite e a tua querida Filosofia
que são elas apenas
que não te podem negar ser amantes!

(CRUSP, Cidade Universitária - São Paulo, Novembro de 2007)

Palavras-chave: amantes, dia, engano, falácia, Filosofia, filósofo, Fonseca, Frohmut, infame, lembrança, maldito, Masoch, mentira, mentiras, miséria, noite, poesia, Poesias, Priscila Frohmut, Sade, sentimento

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 0 comentário

Dezembro 04, 2007

default user icon

Já não sei muito ao certo, mas a terceira pode sim doer. Depois de podar dois terços, ainda aflige a idéia de dar cabo do que restou. Pelo alívio que me veio da primeira, que foi adiada por longo tempo em receio, a segunda aconteceu sem hesitação, numa ação quase automática, e com resultado aliviante ainda maior do que a primeira. Mas a idéia de uma terceira, no momento, me assusta um pouco, e me traz um receio maior do que tive na primeira. Mesmo assim, continuo considerando a possibilidade, continuo a ver uma terceira vez como algo que pode acontecer - ou não.

Desde que me lembro, ela nunca foi muito pequena. Tirando da linha de tempo - e que, por acaso, só me lembro por fotos, então não seria em realidade lembrança minha - a fase de bebê de colo, a minha cabeleira nunca foi muito curta: por mais que meus pais insistissem em controlar a forma e comprimento dela, quando não ficava na meia-altura dos ombros, ela estava na baixa-altura do queixo; nunca mais curta que isso. Talvez por isso uma terceira vez me atemorize um bocado mais que a primeira. Que o diga a minha tesoura, que permanece já um bom tempo ainda guardada - e calada, depois da segunda vez feita.

Pode causar estranhamento em quem ouve, pode parecer loucura pra quem nunca pensou em fazer coisa parecida, mas pode ser que eu lance ao vento, enfim, mais uma parte daquela que cultivei por muitos meses, pra depois aos poucos ir me livrando de parte desses meses guardados em meio a tantos fios, cuidados com tantas emulsões, condicionantes, hidratantes, reparadores enriquecidos com queratina... meses que já não tinham valor de serem guardados com tamanho esforço, gasto e desgaste. Melhor que seja como eu sentir que seria melhor, mas isso, só o tempo vai me dizer. De qualquer forma, são várias provas feitas, duas resenhas em mãos, uma monografia quase saindo do forno, e um 2 o ranqueamento em janeiro onde me aguarda a tão desejada Lingüística - tanto me contorci, esperneei e me arrastei por ela, ainda vou chegar até ela nem que tenha que suar meu sangue, chorar minha linfa e raciocinar e calcular cada quebra de ATP em meus neurônios uma a uma. Se for como os meus planos, vou deixar que cresça outra vez a ramagem preguiçosa – ainda que resistente - de salgueiro; se os planos se frustrarem, os 30-40 centímetros de parca juba que ainda me restaram serão podados, entregues à vontade dos Deuses - é pagamento pouco, comparado ao que ganho estando nesse mundo chamado Universidade. Foi a USP que pedi no caldeirão do Samhain, e a força da boa vontade divina me foi tamanha que a UNESP e a UFSCAR me viram apenas na lista de espera, por acaso, bem no fim da fila. Apesar dos contratempos, ainda estou aqui, terminando mais um semestre.

De um jeito ou de outro, sei que há muito tempo não suporto ver a acumulação inútil de coisas, e talvez por isso as duas podas que fiz não tenham me doído na hora que fiz, muito menos depois de feitas. Não posso ver meu armário se enchendo roupas, sapatos, bolsas, e outras tantas coisas que pra mim não tiverem utilidade alguma - pra mim de nada vale guardar aquilo que talvez, talvez daqui a 20 ou 30 anos tenha uso determinado, e sempre que posso - quando minha mãe não tem tempo de impedir - esvazio parte do armário que já está deixando de ser meu e levo parte do conteúdo dele para onde ou para quem eu sei que tudo terá utilidade; há alguns meses estou no aguardo da oportunidade de levar embora velhos brinquedos que meus pais tentam com todas as forças manter guardados na casa deles, por mais que eu tenha insistido que não faz o menor sentido continuar guardando eles depois de tantos anos encostados - afinal, tão logo minha obsessão por livros extrapolou todas as expectativas, e o meu irmão passou a dividir quase todas as brincadeiras dele com um outro irmão, os brinquedos logo cedo ficaram às moscas. Num ciclo de menos de 3 anos, aprendi a ler e escrever, meu irmão caçula nasceu, terminei meu 1o ano de escola, passei a ler livros cada vez maiores e mais rápido, me afundei cada vez mais nos estudos, e logo meus “brinquedos” de grande valor passaram a ser feitos de folhas de papel recheadas de palavras saborosas e entorpecentes reunidas, encapadas e com um “ar de lenha processada” guardadas em si... antes do findar do Ensino Primário, os únicos brinquedos que eu rogava por ganhar a cada data festiva possível se chamavam LIVROS.

Ainda estou só no começo do meu caminho na faculdade, mas, com a permissão e agraciamento divinos, quero certamente sair dessa Universidade de São Paulo apenas se for abraçada com os papéis já formalizados de Lingüista - com letra maiúscula mesmo - em provável caminho ao fascínio da Universidade Federal de Pernambuco - pra quem sabe ver pessoalmente o professor Marcuschi - soltando lá uma tese ou outra em pós-graduação, pra depois deixar minhas coisas a quem e onde eu achar que devo, entregar em múltiplas - e preciosas - mãos de confiança a que já conheço uma pequena biblioteca particular que já está em crescimento há alguns anos, saindo por aí com uma mochila nas costas; e chegar depois, quem sabe, na úmida e fresca Wales de meu tio, com meu primo anglo-brasileiro Reinhardt sendo já universitário, o outro já não mais tão pequeno, e batendo à porta: “Vim pesquisar e trabalhar por aqui... será posso ficar na sua casa por uns tempos?”

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 1 usuário votou. 1 voto | 2 comentários

Dezembro 11, 2007

default user icon

Hoje decidi ir caminhando até o CCE da Poli por um trajeto diferente de todos aqueles que eu já estou acostumada a fazer ao longo da semana. Depois de ter jantado no bandejão e ajeitado meus 3,5 kg de trecos na mochila, saí do CRUSP andando na intenção de mudar um pouco minhas rotinas de caminhada de todo dia. Saindo pela ponta do corredor do CRUSP - de frente para a raia olímpica - atravessei o extremo da Praça do Relógio, em direção à Psico. Passando pela lateral da Administração da Psico, segui em frente atravessando a rua bem próximo a um córrego, indo parar na área onde se localizam a Incubadora, o PUREUSP e PURAUSP... andando por essa rua, quase que uma viela, um pouco mais adiante eu ouvi relinchos e bufos vindo à minha esquerda.

Eu mal me lembrava da última vez que tinha visto algum cavalo... sabendo que ali devia ter algum dos setores da VET, fui na direção dos sons que eu ouvi, e vi várias baias de portas azuis com cavalos. Em frente às baias, uns três cavalos estavam soltos numa área cimentada um pouco mais espaçosa, e numa área cimentada separada por telas de arame, uma égua linda... baixinha, devia ter - do chão até a parte mais alta do lombo - cerca de 1,50m, diferente dos outros, ela era toda malhada; o mais impressionante, e que eu nunca tinha visto antes, é que além de ter três cores diferentes na pelagem do corpo, ela também tinha variação de cores nos pêlos da crina, numa alternância que se, alguém me dissesse que a pelagem da égua era tingida, eu poderia até acreditar na possibilidade... era linda! Depois de passar uns dez, quinze minutos talvez, observando aqueles animais que pareciam tão tranqüilos e que eu certamente não teria como entrar no meio deles para tocá-los, voltei á rua travessa pra continuar o meu trajeto, e do outro lado da rua, onde fica a Incubadora, ouvi tambores de uma aula de capoeira angola que estava acontecndo naquela hora; apesar do batuque chamar a minha atenção, achei melhor seguir em frente pra resolver logo as coisas que eu tinha pra resolver no CCE, e acabei não entrando pra olhar.

Chegando na área que já deveria ser a Poli, dei de cara com uma sequência de pórticos de metal que serviam de apoio pra uma seqüência de primaveras - em inglês "primrose", pra quem não lembra de que planta é - que, carregadas de tantas folhas, e que até uns três meses atrás deviam estar carregadas de flores, formavam um túnel bem sombreado pra se passar em dia de sol; deviam ser umas seis e meia da tarde. Depois de passar por dentro do "túnel de ramagens", olhei para a direita e vi o prédio da Engenharia Naval; atravessando a rua, olhei para a esquerda e vi aquele "pilar" onde dava pra ler bem claro "Instituto de Física"; olhei adiante, e vi um prédio da Engenharia Civil onde fica bem visível pelos vidros o que pra mim é um lugar certo de perdição: a Biblioteca. Eu sabia que indo um pouco mais adiante à direita eu chegaria na Portaria 2 do campus - e quase dava pra ver ela, do ponto onde eu parei um pouco a caminhada; foi a vista panorâmica mais surpreendente que eu já tive, principalmente pelo fato de que eu nem mesmo estava avistando tudo aquilo de um ponto de vista "verticalmente favorável" pra visualização da área ao meu redor. Sei agora que, com certeza, vou fazer esse trajeto mais vezes.

Palavras-chave: andar, caminhada, caminhar, cavalos, CCE, CRUSP, engenharia, Poli, Politécnica, primavera, primrose, rotina, sol, trajeto, visão panorâmica

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 4 usuários votaram. 4 votos | 5 comentários

Dezembro 18, 2007

default user icon

Na quinta-feira passada, dia 13, passei boa parte do dia correndo de um lugar pra dar conta das minhas coisas de rotina, das minhas obrigações em atraso e terminar tudo a tempo de um compromisso mais que eu já tinha determinado duas semanas atrás e quase tinha me esquecido... Só me lenbrei na hora que acordei, de manhã, que eu tinha marcado de ir na formatura de duas afilhadas minhas da Escola de Aplicação, que já estavam concluindo a 8a série do Ensino Fundamental.

Depois de sair correndo da Pró-aluno da Letras feito doida pra tomar banho e me arrumar, no apê que eu moro no CRUSP - fazendo tudo em menos de 10 minutos - pra chegar na Auditório Camargo Guarnieri às 19:30 ou com no máximo dez minutos de atraso, consegui chegar lá às 19:45, a tempo de falar com as minhas duas formandas-afilhadas por 2 ou 3 minutos antes delas entrarem e depois falar com a mãe de uma delas antes da cerimônia de colação de grau começar. Fiz tudo na pressa, mas deu tudo certo... afinal de contas, quando sei pra onde eu vou pra fazer o quê eu não costumo levar mais do que 20 minutos pra me arrumar quando saio, e na correria eu levei metade do tempo, acho que de vez em quando isso não mata ninguém.

Como é de costume no começo de cerimônias do tipo, ficou todod mundo de pé pra cantar o Hino Nacional; acho que já fazia uns 4 anos que eu não cantava o hino nacional, mas depois de fazer solo lírico com ele, cantando em um coral há uns 6 anos, eu não me esqueci de palavra alguma... como tantas vezes me aconteceu antes - e que até agora não entendo como tanta gente me diz que isso é bobeira minha - terminei o hino quase chorando. Cada uma das palavras de toda aquela extensa letra de alguma forma me afetam toda vez que eu canto... chegam a mexer comigo tanto quanto nas horas em que eu canto "Pais e filhos" do Renato Russo, ou "Como nossos pais" de Belchior - música imortalizada pela voz de Elis Regina, que tornou essa música mais conhecida e popular que nunca.

Durante a cerimônia, fiquei atenta, observando os detalhes de uma situação que eu estive como participante em 2001, e que agora eu era espectadora. A cada fala de professores, a cada vez que chamavam alunos oradores, em cada detalhe da montagem de fotos e vídeos que exibiram no telão, mais e mais eu sentia o sufoco de remorso. Me doeu, e me arrependi cada vez mais por cada uma das vezes em que disse a frase "EU NÃO VOU SER PROFESSORA!". Com a cara cada vez mais pro chão, no fim da cerimônia falei com as minhas afilhadas e alguns colegas delas que eu já conhecia desde a greve no 1o semestre, e quando conversei com a mãe da Yara - com quem eu já tinha trocado algumas palavras antes do início da cerimônia - cheguei a comentar com ela o fato de que eu não queria ser professora, mas que na época do meu Ensino Fundamental eu pensava em fazer Letras justamente pra ser professora, e que eu tinha acabado de me arrepender por ter mudado de idéia no colegial, apesar de saber a vida difícil que os meus professores tinham.

Ainda não tenho certeza se foi por acaso, ou se foi sério mesmo - afinal de contas a Rosana, mãe da Yara, é uma "sarrista profissional" - mas a resposta que eu recebi depois de falar do meu remorso pelas palavras burras que tanto repeti por tanto tempo, foi "Mas você tem que insistir mesmo, que a Escola de Aplicação precisa de professores feito você". Seja como for, acho que vou começar a mudar um pouco os meus planos em relação à academia, pra conciliar minhas metas de iniciação científica, pós-graduação e pesquisa com a docência em nível escolar.

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

Dezembro 19, 2007

default user icon

Pra quem achou o título da poastagem um tanto estranho, já deixo claro que não me enganei: a idéia que quero transmitir com essa postagem é exatamente essa, por mais estranho que possa parecer.

Remédios, drogas, venenos

Como muitos já devem ter ouvido antes, "o que diferencia o remédio do veneno é a dose". Por isso mesmo, eu já não consigo fazer uma distinção clara entre essas três coisas mas que, pra muitos, são completamente diferentes.

Convivendo com tantas pessoas que usam comprimidos e pílulas pra "resolver" todos os problemas que aparecem pela frente, num contexto onde se perpetua a cultura da automedicação e se chega ao ponto de fazer diferenciação entre a "hipocondria comum/de hábito" e a "hipocondria patológica", cada vez mais eu ouço dizerem que eu sou doida. Sou doida mesmo... se abominar o fato de tantos considerarem natural o hábito de se ter uma "farmacinha" montada no armário de casa enquanto uma alimentação equilibrada é colocada em segundo plano é maluquice, eu admito: sou doida.

Durante anos tomando um monte remédios por indicação dos meus pais, além dos receitados por médicos, nos últimos três anos andei observando meus pais mais atentamente e me dei conta que eles não passavam de duas pessoas hipocondríacas munidas de receituário - já que exercem profissão de cirurgiões dentistas em UBS's (Unidades Básicas de Saúde), sempre tinham algumas folhas de receituário guardadas em casa - e que, além de eu não precisar daquele monte de comprimidos que me ensinavam quando e como tomar, eles claramente mais me faziam mal do que bem. Quando vi que tomar um antitérmico tinha como conseqüência desencadear em mim graves crises de enxaqueca, e que os medicamentos de uso mais prolongado ou contínuo criavam em mim uma cadeia de intolerância ao mesmo tempo gradual e violenta, percebi que tinha alguma coisa muita errada nessa história toda, e comecei a buscar meios de me cuidar sem ter que engolir um só comprimido que fosse.

Vegetariana? Eu?

Depois de passar mais de um ano - já estando na faculdade - lidando com todo problema de saúde que me aparecia pela frente fugindo de remédios e estruturando a alimentação, consegui iniciar uma sistematização de tabelas alimentares de próprio punho que eram refeitas e reestruturadas a cada vez que eu tinha alguma alteração no meu estado de saúde. Cheguei ao ponto de, passando a greve inteira desse ano no campus - e não indo pra casa de um parente depois de alguns dias, ficando por lá até que ela acabasse - superar uma gripe forte combinada com sinusite com apenas 4 dias de reestruturação da alimentação e algumas doses extra de líquido e repouso. Uma situação que até 5 anos atrás eu nem imaginava que fosse possível de resolver sem a ajuda de aspirinas e antibióticos.

No fim das contas, quando passei as férias de meio de ano na casa da minha avó, vi que ela tinha vários pacotes de proteína de soja texturizada aromatizada no armário da cozinha, e reparei que ela misturava uma mais escura sabor carne no meio de carne moída - e o meu vô nem percebia isso, apesar dele saber o tempo todo que tinha proteína de soja no armário - e às vezes usava uma mais clara sabor frango par preparar o molho do macarrão que ela preparava com tomate fresco em lugar do extrato/polpa de tomate... o detalhe é que eu comia jurando que era frango que ela usava!

Resolvi pesquisar um pouco a respeito da soja e de alguns produtos integrais usados tanto pelo me avô quanto pela minha avó, e passei a pegar ainda mais no pé dos meus pais pra eles "se mancarem" e pra que deixassem de encarar com tanta frescura produtos desse gênero - os únicos derivados de soja que interessava eles eram o tofu e o shoyu, mas era apenas porque se tratava de um itens da culinária japonesa, e não pelo fato de serem derivados da soja. De qualquer forma, eu já sabia em parte as propriedades nutricionais e os benefícios da soja, e logo peguei gosto pela coisa.

No CRUSP, em fim-de-semana - quando não tem bandejão - eu tenho o hábito de combinar o preparo de refeições, ou com os companheiros de apê, ou com vizinhos que estiverem na área. Muitas vezes, preparei refeições completas em apenas uma panela, usando arroz integral, legumes e grãos de todo tipo que eu tivesse na mão, além de usar um pouco de soja em grão ou da proteína de soja texturizada recebida das mãos da minha vó. Depois de ter perdido a conta de quantas vezes eu ouvi as pessoas perguntando "Você é vegetariana?" tenho uma resposta já quase decorada, que deixo também aqui:

Se combinada com laticínios serve como substituta da carne, é mais fácil de guardar, dura muito tempo guardada no armário sem estragar, não precisa de geladeira antes de ser cozida, custa bem menos que carne - isso sem citar as propriedades nutricionais e até "terapêuticas" - eu não preciso ser vegetariana pra ter o hábito de comer soja e produtos derivados de soja... eu gosto, faz bem, eu como!

Alimentação funcional

Como ter atenção e cuidado com a alimentação nunca é demais, continuei cuidando de manter atualizadas minhas tabelas alimentares e não deixei de continuar pesquisando a fundo sobre como aperfeiçoar esses métodos, que eu usava pra continuar abrindo mão de medicamentos sem traumas nem arrependimentos, muito menos remorso. Até que um dia me dei conta que tudo isso que eu já fazia é uma coisa que não era simplesmente uma "invencionice maluca" da minha cabeça e que fazia muito mais sentido e importância do que imaginava; descobri inclusive que essa sistematização toda até tinha um nome, e que já tinha sido publlicada recentemente em livro por um médico: ALIMENTAÇÃO FUNCIONAL.

Até o ponto que eu cheguei na minha pesquisa a respeito, os princípios que foram divulgados pelo médico endocrinologista Jair Tadeu G. De Oliveira em um livro publicado em 2006 pela editora Claridade intitulado "Alimentação Funcional: Prolongando a Vida, com Saúde" são mais ou menos os mesmos que eu já seguia antes de ter contato com o livro dele. De acordo com com as propriedades nutricionais que envolvem desde as vitaminas e minerais até antioxidantes específicos e fitoesteróis (hormônios vegetais), se faz o balanceamento da dieta alimentar visando não apenas valores calóricos em comparação com o valor nutricional, mas também o fato de que determinados alimentos em dado contexto também tem relevância por seu valor nutracêutico (ao mesmo tempo, nutricional e terapêutico), e alguns alimentos tem um potencial nutracêutico imenso em comparação com tantos outros que fazem parte da rotina alimentar. No livro, os esquemas de tabelas nutricionais e valores incluem não apenas os alimentos vegetais, mas também os alimentos de origem animal, incluindo também alguns pequenos apontamentos voltados para os vegetarianos. E entre os alimentos de alto potencial nutracêutico, uma coisa ficou muito clara: em valores quantitativos de variedade, a soja está no topo da lista dos nutracêuticos mais relevantes.

Concluindo esse rodeio todo: sou doida mesmo, não tomo remédios de nenhum tipo e balanceio por conta própria minha dieta alimentar. O próprio Hipócrates destacou que "Do teu alimento farás a tua medicina". Tem sempre médicos reafirmando que isso funciona, e escrevendo porque e como fazer isso. Tudo isso sem ser vegana nem vegetariana, e sustentando o hábito de comer soja. Preciso explicar mais?

Palavras-chave: alimentação, alimentação funcional, alimentos, alimentos funcionais, benefícios, derivados, dieta, dieta equilibrada, equlíbrio, medicamentos, miscelânea, nutracêutica, nutracêutico, nutracêuticos, nutrição, remédio, remédios, saúde, Saúde e Meio Ambiente, soja

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 1 usuário votou. 1 voto | 5 comentários

Dezembro 20, 2007

default user icon

Embora muitas pessoas falem mal e reclamem de greves na faculdade, eu diria que o período de greves leva as pessoas a situações, no mínimo, interessantes. Dá pra conhecer muita gente que você provavelmente nunca encontraria circulando nos lugares que fazem parte da sua rotina, e também pra conhecer lugares da universidade por onde você provavelmente não andaria, se não fosse pela ocasião de uma greve.

Sei que muitas pessoas não vão concordar comigo, mas se a greve não é uma escola, uma situação de aprendizado pra vida, pelo menos é uma situação de uma maior integração e interatividade entre as várias pessoas e unidades da universidade. Um exemplo disso é o fato inusitado de, além de eu ter ido até a Escola de Aplicação junto com alguns alunos dali pra conversar com a molecada, eu ter ido por própria conta e risco até a EACH - mais conhecida como USP Leste - junto com alguns alunos de lá pra fazer contato com o pessoal que estava mobilizando na greve por ali, além de saber um pouco mais como funcionam as coisas naquela unidade... embora alguns digam que a EACH é um outro campus, e que ela funciona como tal, de maneira independente em relação ao nosso campus aqui no Butantã, oficialmente ela é mais uma unidade do campus da capital - como a unidade de Direito da SanFran.

Pra mostrar um pouco do que eu vi e do que tantos uspianos da EACH conhecem bem, achei que seria interessante eu colocar aqui alguns vídeos do Youtube mostrando um pouco do universo "USP Lost" - como é chamada "carinhosamente" pelos estudantes de lá - e não apenas fazer mera descrição. Afinal de contas, a meu ver não existe descrição por escrito que supere o que pode ser visto através da imagem. Pra quem não conhece muito bem os trens aqui de São Paulo, a linha que aparece repetidamente nos vídeos é a Linha F - Brás-Calmon Viana, considerada uma das mais de trem mais complicadas da CPTM... e pra quem não sabe, a estação Calmon Viana se localiza bem distante do centro de São Paulo, nos confins do município de Poá, já perto da divisa com o município de Suzano - aliás, eu conheço bem aquela região de Poá.

USP LOST - quebrada do caralho!

(o caminho até o lugar)

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=0CfmDu1Sz0E

 

USP Leste - 27/11/2006

(um pequeno "tour" pela EACH)

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=E8We1Od1P8M

 

São Paulo Linha F - Violeta

(a linha de trem que a galera que não tem carro nem carona precisa pegar)

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=CadworFU16g

 

***

Palavras-chave: CPTM, greves, Leste, Linha F, Lost, quebrada, tour, trem, USP, vídeo, vídeos, videos, youtube, Zona Leste

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 1 usuário votou. 1 voto | 8 comentários