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Stoa :: Priscila Frohmut Fonseca :: Blog :: sobre Deus - trecho de entrevista

abril 26, 2010

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B. Alan Wallace é um físico budista, discípulo do dalai lama, e numa entrevista concedida à Revista Planeta em 2009, ele disse algumas coisas sobre o ponto de vista dele que eu pessoalmente concordo:

 

É impossível comentar a existência de Deus sem especificar o que exatamente estamos dizendo com a palavra "Deus". Há os que consideram essa uma questão inteiramente de fé ou crença religiosa, e os que argumentam que é uma questão de experiência pessoal. Mesmo os que dizem conhecer Deus pela própria experiência costumam interpretá-la de acordo com crenças, suas ou de seus pares.

 

Não acredito na existência de um Deus independente do mundo natural, que o cria, o governa, causa desastres naturais, premia com salvação eterna os que o seguem e pune com a danação eterna os que nele não acreditam e os que levam suas vidas no mal. Não posso acreditar que um Deus compassivo infligiria punição infinita por crimes finitos, e muito menos que puniria pessoas eternamente por suas crenças, religiosas ou não. É igualmente implausível a hipótese de que o universo é uma máquina sem mente, e que a consciência misteriosamente surja de alguma "ainda-não-explicada" configuração de substâncias químicas. Essa é a crença dos materialistas - mas, já que eles não conseguem explicar como isso acontece e não têm nenhuma forma de submeter tal crença a testes empíricos, ela não é verdadeiramente uma hipótese científica.

É somente uma opinião, como qualquer consideoutra assunção metafísica ou religiosa.

Mas nem todos os cristãos veem Deus dessa forma. Nicolau de Cusa, contemplativo cristão do século 15 que foi cardeal da Igreja Católica Romana, declarou: "Você não encontra nada em você como Deus, mas certamente afirma que Deus está acima de tudo isso, como causa, início e luz da vida de sua alma que conhece... Você se alegrará de ter encontrado Deus além de toda sua interioridade como a fonte do bem, de onde tudo que você tem flui para você. Você se dirige a Deus entrando cada dia mais profundamente em seu interior, renunciando a tudo que está fora, para que seja achado naquele caminho em que Deus é encontrado, para que depois disso possa perceber Deus na verdade."

Essa noção de Deus, que transcende a divisão de "dentro" e "fora", é muito mais próxima da visão budista do divino, como uma perfeição residente, que pode ser realizada por meio da busca contemplativa nas profundezas da consciência. Se for assim que definimos Deus, eu diria que Deus de fato existe, e que a busca experimental de Deus é o maior significado da existência humana.

 

Essa entrevista está na íntegra nessa página

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/446/artigo158579-1.htm

ou você pode acessar aqui

http://stoa.usp.br/briannaloch/files/-1/13033/Entrevista+B+Alan+Wallace.pdf

ou, se não conseguir em nenhum dos dois, acesse aqui (em rtf)

http://stoa.usp.br/briannaloch/files/ no fim da página

Ps: ainda que eu ache essa entrevista interessante, eu não sou budista... por favor não me perguntem quais são as bases da doutrina budista ou algo do tipo.

Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 1 usuário votou. 1 voto

Comentários

  1. Helder Gonzales escreveu:

    Muito bom! Dialoga com algumas coisas que andei escrevendo em meu blog, como: http://stoa.usp.br/erd/weblog/78174.html

    Helder GonzalesHelder Gonzales ‒ segunda, 26 abril 2010, 18:37 -03 # Link |

  2. Pedro Henrique Quitete Barreto escreveu:

    O budismo, como teoria filosófica-religiosa, trata de um autonegação de si mesmo mediante a realidade. Como diz Weber, trata-se de um meio de tentar abrir uma "garrafa vazia" para que Deus possa enchê-la totalmente. No entanto, tal doutrina é errônea, pois "abstendo-se de dizer se uma coisa é ou não é, procurando conhecer somente uma sucessão de formações instáveis sem nenhum fundamento fixo e nenhum princípio absoluto, em outras palavras, colocando antes do ser o que se chama vir-a-ser ou o fieri, ..., como um perfeito sistema evolucionista; ... [e] declara que a existência de Deus (...) é incogniscível. Ou seja, todo o conhecimento é impossível e impraticável, cabendo negar-se totalmente.

    Citação da obra Introdução Geral à Filosofia de Jacques Maritain.

    Pedro Henrique Quitete BarretoPedro Henrique Quitete Barreto ‒ segunda, 26 abril 2010, 22:40 -03 # Link |

  3. Luiz Armesto escreveu:

    A intolerância católica chegou rápido... Irado

    Luiz ArmestoLuiz Armesto ‒ terça, 27 abril 2010, 10:57 -03 # Link |

  4. Priscila escreveu:

    para o(s) desavisado(s) que quer colocar as palavras "certo" ou "errado/errôneo", recomendo que leia as "instruções" que eu postei nessa página

    http://stoa.usp.br/briannaloch/weblog/77940.html

    e devo lembrar que a área que estuda as doutrinas religiosas sem preconceitos pessoais não é a Filosofia, e sim a Antropologia; portanto, argumentos retirados de livros de Filosofia não servem em discussões religiosas justamente porque os filósofos têm o péssimo hábito de usar a dicotomia/oposição entre certoXerrado.

    Priscila Frohmut FonsecaPriscila ‒ segunda, 03 maio 2010, 15:51 -03 # Link |

  5. Priscila escreveu:

    ... e, aliás, como o Luiz Armesto já disse, esse autor citado é um católico conservador, é obvio que pra ele a doutrina budista é "errônea"

    Priscila Frohmut FonsecaPriscila ‒ segunda, 03 maio 2010, 16:03 -03 # Link |

  6. Fabio Luiz de Souza escreveu:

    Fico até meio sem jeito de entrar em uma discussão com pessoas tão esclarecidas quanto meus colegas que postaram antes de mim (não estou sendo irônico, vocês realmente escrevem muito bem!).

    Só gostaria de colocar meu ponto de vista sobre essa questão referente à existência de Deus. Acredito na existência de um ser espiritual dotado de intelecto (infinitamente superior ao humano), emoções, onipresente, onisciente e onipotente, que existe antes e independentemente da humanidade ou do mundo físico. Eu creio nisso, ou melhor, Nele. Entretanto, sinceramente não creio que minha opinião sobre Deus faça a menor diferença. Ele existe independente de mim; independente de minhas crenças; independente das minhas preferências. Não concordo com alguns dos pontos de vista dEle, mas me sujeito. Loucura? Radicalismo? Fanatismo? Pode ser, mas prefiro chamar de fé. Deus não precisa ser "politicamente correto", até porque esse conceito é tão transitório e impreciso quanto a beleza, o certo ou o errado. Não sei se adianta dizer "Não posso acreditar que um Deus compassivo infligiria punição infinita por crimes finitos, e muito menos que puniria pessoas eternamente por suas crenças, religiosas ou não". Imagine por um instante que exista um Deus criador de tudo e de todos, eterno e infinito em poder e sabedoria. Ele teria o direito de fazer o que quisesse com sua criação? Essa criação teria o direito de dizer a um Deus como esse "eu não concordo com você!" Nossa opinião não muda quem Deus é!

    É assim que eu creio, mas cada um pode criar o seu Deus da forma como quiser, como achar melhor, mais adequado a suas crenças.

    Citando o Apóstolo Paulo (Epístola ao Romano, Capítulo 9, versículos 20 a 24)

      Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
      Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?
      E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;
      Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou,
      Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?

    O que me faz crer neste Deus? O fato de concordar com Ele? De maneira alguma! Minhas experiências espirituais e sobrenaturais? Embora as tenha (e são muitas), não são elas que fundamentam minha fé. Pode parecer um argumento estranho, mas eu creio neste Deus porque eu mesmo não escolhi crer nele ou amá-lo. Eu nunca o desejei. E nunca o quis. Eu se quer pensava nele. Mas Ele se revelou a mim e mesmo que eu quisesse mudar de crença agora eu não poderia, seria tanta loucura quanto tentar me convencer de que eu mesmo não existo.

    O Senhor Jesus Cristo disse um dia aos seus discípulos "Não foram vocês que me escolheram, Eu que escolhi vocês[...]" (Evangelho de João, capítulo 15, versículo 16).

     

     

    Fabio Luiz de SouzaFabio Luiz de Souza ‒ sexta, 21 maio 2010, 11:56 -03 # Link |

  7. Priscila escreveu:

    se você quiser pôr um comentário aqui, antes leia o texto de uma postagem anterior (clique no link abaixo)

    http://stoa.usp.br/briannaloch/weblog/77940.html

    Priscila Frohmut FonsecaPriscila ‒ terça, 26 outubro 2010, 18:09 -02 # Link |

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