Olá a todos.
Sou aluno de História e não tenho participado do movimento devido ao fato de que sou servidor público no município de São Roque e não tenho tempo sequer para chegar nas aulas no horário devido. Também quero deixar claro que, apesar disso, a ocupação tem o meu total apoio e consideração.
Eu só quero me manifestar porque essa discussão me parece esgrima retórica, onde o uso das palavras supera a força do argumento. Discute-se se houveram excessos manifestados em agressões e depredação com o intuito de desqualificar ou legitimar o movimento e não acho que essa deve ser a questão. Não estive lá, mas provavelmente tais excessos não houveram. Eles aconteceriam se fosse uma manifestação do SINTUSP, da ADUSP ou de qualquer outro movimento, pois não há formas claras de conter as diversas variáveis que regem as ações de um grupo de quatrocentas pessoas em situação de forte tensão, o que era o caso. Lembrem-se que mesmo policiais treinados em contenção de distúrbio podem perder o controle em situações de pressão gerada por uma manifestação.
A Nossa Universidade já passou por isso diversas vezes e não fechará as portas por este problema. A reitoria poderá, na confirmação destes eventos, exigir mutirões para a reconstrução do patrimônio danificado, sem necessariamente cortar cabeças de alunos organizadores, em caso claro de perseguição política. Nos casos de agressão, uma retração por parte da coordenação do movimento deve ser suficiente, visto que não ocorreu sequer casos de lesão corporal leve. (Se hovesse ocorrido, a Folha teria publicado em primeira página.)
O que deve-se discutir são as pautas absolutamente legítimas. Participei ativamente das greves de 2000 e 2002 e posso dizer que, desde que estudo na USP, não vi reivindicações tão claras e pragmáticas, o que é um aspecto tremendamente positivo. Estão se reinvindicando pautas legítimas e urgentes para a manutenção da autonomia universitária, bem como reformas estruturais prioritárias na FFLCH, postergadas durante anos. Antes que alguém franza o nariz, levem em conta que as rixinhas entre "fefelechentos", "ecanos", "politrecos" e "almofadinhas" devem ser deixadas para o Bichusp e eventos análogos. Deve-se ter noção de que somos uma comunidade e que a FFLCH também é um patrimônio de todos os alunos. Se você não usufrue agora, pois é de outra faculdade, teus filhos, irmãos e sobrinhos poderão usufruir (minha mãe é doutorada na Bio; Meu pai passou pela FAU, POLI, IME, IAG até se assentar na ECA. Famílias de Uspianos geralmente continuam na USP.) O momento é de entender que houve uma maturação legítima das reivindicações e apoiá-las abertamente. Usar dos erros para desqualificar os acertos é de, no mínimo, má-fé. Os erros devem ser usados para discurtir-se as práticas com o intuito de aperfeiçoar a capacidade de agregação do movimento, não para esvaziá-lo como algo sem valor.
Um abraço a todos.
Que a ocupação continue.
[mensagem enviada por 'Pedro Ramos']
Palavras-chave: apoio, manifestação, mobilização, movimento estudantil, ocupação, ocupação da reitoria da USP, reitoria, USP





