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Stoa :: Priscila Frohmut Fonseca :: Fórum

Autor Salvação religiosa

Esse texto foi escrito por um amigo meu. Decidi postar aqui por concordar com o ponto de vista colocado nesse texto.

Salvar

De todas as propostas indecentes, a mais escandalosa delas é a religiosa, que pretende salvar a humanidade. Essa pretensão é, acima de tudo, uma negação de Deus e uma ameaça à vida.
Existindo Deus e sendo Deus quem cria o universo, qualquer idéia de alienação de Deus do que cria, nega ambos. Se quem cria logo perde o controle do que cria, ou criou irresponsavelmente ou fracassou.
Havendo fracassado, Deus não é Deus, tendo sido irresponsável não é bom e, portanto, também não é Deus. Se alguma criatura precisa ser salva de algo, seria de uma imperfeição de quem criou.
Sendo que cremos no Deus que é Deus sem reticências, sabemos com a mais absoluta das certezas que nenhuma de suas idéias poderia possivelmente fracassar. Portanto, tudo aquilo que em nossa limitação percebemos como fraqueza, ou imperfeição no mundo, é parte do projeto original, tem uma boa razão por detrás e, embora, possa parecer paradoxal, faz parte da perfeição do todo e, por conseqüência da mente idealizadora do todo. Nessa mente, a visão do conjunto é completa. Nada periga no conjunto e nem dele pode escapar, sob pena de deixar de ser, nunca ter sido e nunca vir a ser.
Essa certeza e absoluta segurança fornecem o contexto para a mais perfeita liberdade no momento. Só é livre quem o é sem precondições. A liberdade condicionada a senões ou dentro de opções muito restritas é uma farsa. Quando se diz que alguém é livre para escolher entre o bem e o mal, na verdade proclama-se a sua escravidão mais definitiva. Ao tirar de uma pessoa a possibilidade de uma terceira ou quarta via ou, mesmo, de criar a sua própria via, faz-se dela um ser despido de qualquer dignidade e fechado na rigidez da impossibilidade. E/ou, este ou aquele, morre nesse condicionamento a criatividade, a alegria e, por fim, a própria pessoa como entidade.
Daí, a pretensão de salvar quer, de fato, tornar cativo o ser e nesse ato diz que Deus não é Deus. Essa posição salvadora é, no fundo, um “ateísmo” religioso e, socialmente, uma usurpação da dignidade humana.
Confundir os conflitos existenciais e psicológicos com sintomas de uma alegada perdição ou pecaminosidade é má-fé. As contingências do momento e, mesmo o processo de desenvolvimento, com certeza causam desconfortos, que são apenas sinais de progresso. O pé dói quando o sapato aperta. O erro não está no pé e nem no sapato. Antes, esse é um sinal de crescimento.

(Onaldo Alves Pereira)

Observação: Notem que neste texto o que é condenado pelo autor não é a religiosidade, e sim o discurso de Salvação usado por algumas pessoas de religiôes específicas em suas pregaçôes. O autor desse texto não é ateu nem está pregando em favor do ateísmo, assim como eu também não sou atéia nem defendo o ateísmo por razôes pessoais.

Este texto é um exercício interessante de argumentação (gostei do "viagem nas ideias"...) , mas tem fragilidades conceituais.

A "salvação" não é um conceito universal entre as religiões e naquelas em que existe é mais associado à salvação individual e não da humanidade, como o texto afirma. As religiões em geral se apresentam como um caminho para algo. Em algumas este algo é referido como iluminação, como no budismo, noutras este algo é algumas vezes referido como o paraíso (judaísmo, cristianismo, islamismo) e também como salvação (salvação dos pecados, salvação do inferno, salvação da morte, etc), noutras ainda está associado à uma libertação de carmas e ciclos de reencarnação (induísmo, espiritismo).

O texto também não faz uma representação honesta do conceito de livre-arbítrio, derivando desta fragilidade (sua) uma aparente contradição da criação divina e das limitações de escolha do indivíduo.

É uma pena que a teologia seja um assunto demodê na formação cultural e acadêmica atual, considerando que nossa sociedade ainda depende de conceitos teológicos para poder ser entendida, ou não?


Priscila

Abr 15, 10
# Link

Me desculpe a demora em responder. Eu sou adepta de uma religião que prega os conceitos de carma e reencarnação, e embora eu não seja espírita da "Mesa Branca" eu já cheguei a ler alguns livros de Allan Kardec e Chico Xavier. Portanto, vou te explicar os pontos levantados por você segundo o meu ponto de vista.

Considero, antes de tudo, que o livre-arbítrio (o "poder" de decidir o que fazer ou não fazer, e como fazer) faz parte do instinto, portanto, o ser humano não é o único ser vivo que tem livre-arbítrio.

Isso não quer dizer que eu considere que todos devam ser vegetarianos por isso, pois se você plantar alguma coisa na sua casa vai perceber que as plantinhas, qualquer vegetal que você plantar, "não te obedece". Pela minha religião, isso se explica porque as plantas também possuem um espírito, portanto, possuem vontade própria, ainda que não tenham a mobilidade e as habilidades que o ser humano tem.

 

 

"Se alguma criatura precisa ser salva de algo, seria de uma imperfeição de quem criou." (2º parágrafo)

 

segundo esse trecho do texto, fica claro pelo seu comentário que você não entendeu que o texto fala da Salvação individual.

Sobre a reencarnação: nas religiões reencarcionistas, existe o "carma bom" e o "carma ruim", pois o carma é uma "energia acumulada" que seria a consequência dos nossos atos pela lei de "ação e reação". Portanto, nas religiões reencarcionistas nós não temos exatamante que "nos livrar dos nossos erros", e sim, alcançar um equilíbrio que permita a evolução espiritual.

Vale lembrar que a "iluminação" do budismo é apenas um nome diferente para a noção de "esclarecido", que é a condição dos espíritos evoluídos. E, mesmo sendo muito evoluído, o Buda pode reencarnar, porque alcançar um estágio de evolução espiritual "plena" não quer dizer que um espírito fica "proibido de reencarnar", conceito que também está muito claro no Espiritismo da Mesa Branca (dos seguidores de Allan Kardec) quando se diz que os anjos (espíritos "plenamente" evoluídos) também reencarnam... para ajudar na evolução espiritual das outras pessoas.

Em resumo, é isso.


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